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Estão mexendo no meu bolso

16 Setembro, 2011

Com o actual sistema contributivo e fiscal, um trabalhador que ganhe mil euros custa à sua entidade patronal 1702 euros mensais de encargos, em média. E, no entanto, dos “seus” mil euros de salário, o trabalhador recebe líquido cerca de 790 euros, afinal muito menos de metade do que a empresa gasta. Para onde vai a diferença?

26 comentários leave one →
  1. Luís Nunes's avatar
    Luís Nunes permalink
    16 Setembro, 2011 12:37

    Desculpe, mas essas contas não estão correctas. Penso que deve ter somado os 14 meses de encargos patronais mas está a esquecer-se de dividir o rendimento dos 14 meses por 12.
    Se eu estiver enganado, quer mostrar-nos como fez esse cálculo?

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  2. Piscoiso's avatar
    16 Setembro, 2011 12:41

    Ai essa Matemática!

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  3. JM's avatar
    16 Setembro, 2011 12:51

    Pergunta ao Gaspar! Ainda se dizem liberais…

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  4. PauloMorais's avatar
    PauloMorais permalink
    16 Setembro, 2011 12:55

    Deve multiplicar por 15 (os encargos são 15 meses, pois o trabalhador tem de ser substituído no período de férias, em muitos casos) e até eventualmente (facultativamente) dividir por onze, pois são apenas onze meses de trabalho

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  5. Rui Seabra's avatar
    Rui Seabra permalink
    16 Setembro, 2011 13:47

    Essas contas não estão bem feitas.

    Uma pessoa com esse escalão de rendimentos não custa em média 70% do seu salário.

    Há falcatrua nesses números…

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  6. Luís Nunes's avatar
    Luís Nunes permalink
    16 Setembro, 2011 13:53

    Ok.
    Mas nesse caso, esqueceu-se de que também tem que contabilizar os 14 meses de ordenado que o trabalhador recebe. Assim sendo, um trabalhador que receba cerca de 11.800€ líquidos anuais, custa cerca de 18.500€ ao patrão, ou seja, são ‘apenas’ 36% que vão directamente para o Estado, ao invés dos 48% que está a afirmar no seu post.

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  7. A. C. da Silveira's avatar
    A. C. da Silveira permalink
    16 Setembro, 2011 14:07

    Haja quem faça as contas bem feitas. Embora não concorde com a alusão aos 15 meses, uma coisa é incontornavel: as empresas portuguesas pagam 14 meses aos seus funcionarios, e eles só trabalham 11. Para as pequenas e medias empresas não é facil gerir esta “conquista de abril”.
    Como pequeno empresario cheguei a ter 24 empregados, e propus-lhes multiplicar o ordenado mensal por 14, dividir por 12, e pagar-lhes desse modo em 12 meses. Nunca aceitaram, mesmo explicando-lhes as dificuldades de tesouraria que representavam os meses de Julho/Agosto, e Dezembro.
    Mas está claro, que o estado leva a parte de leão em IRS, SS, e IRC. Já para não falar das devoluções do IVA que é uma vergonha nacional. Se um empresario se atrasar a enviar o IVA, arrisca-se a que vão ao seu patrimonio pessoal, mas o estado demora longos meses, quando não anos a devolver o IVA às empresas. Sabendo eu das dificuldades em receber o IVA, fico atonito como é que se dão golpes de milhões de euros com pedidos de devoluções por empresas que só existem no papel…

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  8. Murphy's avatar
    Murphy permalink
    16 Setembro, 2011 14:56

    Este é um bom exemplo que é Portugal. Paulo Morais tocou num ponto importante, decisivo… mas logo surgiram n vozes a discutir o que Catroga classificou como “pentelhos” 🙂 Não pretendo ofender os autores, apenas fazer notar que todos fugiram à questão essencial… este Estado é um vilão.

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  9. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    16 Setembro, 2011 15:41

    A diferença vai para a chulança nacional.
    Por falar em chulança nacional, o Governo já revogou/cancelou/retirou as subvenções e reformas dos politicos?
    Por que que o Santana e o Marques Mendes, ainda bem novos para trabalhar, hão-de receber REFORMAS??????

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  10. AF's avatar
    16 Setembro, 2011 15:49

    Caro A. C. da Silveira:
    .
    Quanto ao “assalto” dos impostos, e à desgraça que é o IVA, completamente de acordo.
    .
    No que diz respeito aos constrangimentos de tesouraria, porque é que o meu amigo não faz exactamente o que propõe aos seus empregados, mas em vez de lhes dar o dinheiro todos os meses, junta-o. Quando chegar aos ditos meses, já não terá problemas de tesouraria.

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  11. JASPC's avatar
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    16 Setembro, 2011 15:50

    No que diz respeito às contas não vale apena acrescentar mais nada. É pura ignorância e ponto final.
    O conteúodo é que é importante. Ou seja, se um jogador na bolsa tiver um rendimento mensal de 1000 euros quanto é que paga?
    Se um titular de capital tiver rendimentos desse capital de 1000 euros por mês, quanto é que paga?
    O problema não é só o ESTADO. A sociedade está toda montada para tributar o trabalho e isentar o mais possível os rendimentos de capital. Esse é que é o problema.
    O resto são lérias.

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  12. pencudo sionista's avatar
    pencudo sionista permalink
    16 Setembro, 2011 15:57

    Nos momentos de lucidez , vai dizendo umas verdades , Arlindo.
    Em relação ao post, por cada mês trabalhado, a menpresa paga 14/11 meses.
    A isto acresce a TSU
    Acresce tambem o custo de transportes de / para a empresa , muitas vezes pago por esta.
    E o subsídio de refeição ou custos de refeitório.
    O seguro obrigatório
    O vestuário / calçado – equipamento de segurança , quando aplicável.
    Na realidade, para salários de pessoal fabril, o custo é tipicamente o dobro do salário

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  13. JASPC's avatar
    JASPC permalink
    16 Setembro, 2011 16:00

    Em resposta ao A.C. da Silveira,
    Quanto às devoluções do IVA é matéria que há que ter sempre muito cuidado.
    Por experiência própria, o prazo das devoluções está em níveis aceitáveis. Todo o processo está relativamente simplificado, mas, para lhe ser devolvido o que pagou, é preciso saber se quem o recebeu o entregou de facto ao Estado. Ou não?

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  14. JASPC's avatar
    JASPC permalink
    16 Setembro, 2011 16:09

    Pencudo Sionista,
    Só aponta extravagâncias, seguro? teve um acidente porque quis, se não trabalhasse não tinha. Equipamento de segurança? Traga de casa. Já agora é preciso tanbém as ferramentas e nalguns casos os trabalhadores também devia comprar a matéria prima, se querem trabalhar.
    Era muito melhor no século 19. Jornadas de trabalho = 16 horas dia. Dias de trabalho 7 dias e porque a semana não tem mais. Alimentação e demais gastos, compras no armazém do patrão e se calhar ainda ficas a dever dinheiro.
    Santa paciência.

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  15. pencudo sionista's avatar
    pencudo sionista permalink
    16 Setembro, 2011 16:36

    JASCP
    Só estou a fazer contas e não juízos sobre o que é justo ou não.
    A fazê-los, penso que é preferível ter um emprego a ganhar pouco que não ter nenhum.
    Como em qualquer negócio que não meta luvas, vence o melhor custo/benefício.

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  16. giraldo's avatar
    giraldo permalink
    16 Setembro, 2011 16:55

    Assim não há economia que resista !!…

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  17. ricardo's avatar
    ricardo permalink
    16 Setembro, 2011 17:05

    Isto significa que para criar emprego uma empresa tem que ter trabalhadores que estejam dispostos (e sejam capazes) a produzir mais do que 1702 euro, a troco de 790 euro.

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  18. Piscoiso's avatar
    16 Setembro, 2011 17:23

    Essa coisa de “as empresas portuguesas pagam 14 meses aos seus funcionarios, e eles só trabalham 11.” é falaciosa .
    O que se paga é uma certa quantia por um determinado serviço prestado anualmente e firmado num contrato.
    Quantia paga em 14 prestações.

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  19. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    16 Setembro, 2011 17:34

    “O que se paga é uma certa quantia por um determinado serviço prestado anualmente e firmado num contrato.
    Quantia paga em 14 prestações.”
    .
    Ora bem. Se fossem 12 prestações os custos burocráticos seriam menores. Ou seja todos poderiam ficar um pouco mais ricos excepto os vendedores de papel e empresas de energia.

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  20. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    16 Setembro, 2011 18:07

    Comento aqui, porque me deixam. Procuro respeitar a casa dos outros, mas às vezes apetece-me ser bruto. Como são possíveis pensamentos tão elementares (raciocínios são pensamentos, mas elaborados) e tão errados que até doem? Vê-se logo que o post de Paulo Morais é uma daquelas coisas que depois de saírem colam-se no cérebro como a nódoa do pêssego na roupa. Asneira. Mas isso já foi dito atrás e mal justificado pelo autor.
    Uma explicação elementar para aqueles que ainda não leram o ABC da economia e do trabalho. Um trabalhador trabalha um ano com direito a férias, ou seja TRABALHA ONZE MESES e tem um RENDIMENTO ANUAL, ou se quisermos, tem um rendimento pelos onze meses, que lhe é pago por catorze vezes. Um benefício para o empresário, porque paga em Junho rendimentos obtidos de Janeiro a Junho e em Dezembro rendimentos de Julho a Dezembro. O resto são tretas. Espero que acabem rapidamente com o 13.º e 14.º meses e passem a distribuir esse rendimento pelos tais onze meses.
    Este primarismo é inacreditável. Tanto mais que, se for necessário, estão logo de seguida a fazer comparações com os rendimentos anuais dos trabalhadores dos outros países. Inacreditável, mesmo!

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  21. JFP's avatar
    JFP permalink
    16 Setembro, 2011 18:29

    Multiplicar por 15 e dividir por 11: juízo pobre para um professor universitário!!!! Se são 11 meses de trabalho, para que é precisa a substituição?

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  22. António Barreto's avatar
    António Barreto permalink
    16 Setembro, 2011 20:25

    Dr Paulo Morais:
    Não esqueça as indemnizações nos casos de despedimento sem justa causa ou por cessação de atividade. A empresa tem de criar provisão para essa circunstância à razão de um mês de salário por trabalhador e por ano.
    Quanto aos encargos globais por trabalhador, ninguém aqui revelou conhecê-los suficientemente; vão muito para além do que foi já referido.

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  23. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    16 Setembro, 2011 20:52

    “Quantia paga em 14 prestações.”
    .
    Não são 14, são 12. Só que não são todas iguais. Há duas que são um pouco maiores.

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  24. Miguel Madeira's avatar
    17 Setembro, 2011 00:29

    “Com o actual sistema contributivo e fiscal, um trabalhador que ganhe mil euros custa à sua entidade patronal 1702 euros mensais de encargos, em média”
    .
    Um trabalhador que ganhe mil euros custa à entidade patronal 1.237,50 euros (e mais uns pozinhos de seguro), ponto final – incluir aí os subsidio de férias e natal não faz sentido, porque se o vamos incluir no que a empresa tem que pagar, temos também que o incluir no que o trabalhador recebe.
    .
    Isto até podia ser pintelhos (sempre ouvi assim, com “i”), se não fosse as frases seguinte do Paulo Morais: “E, no entanto, dos “seus” mil euros de salário, o trabalhador recebe líquido cerca de 790 euros, afinal muito menos de metade do que a empresa gasta. Para onde vai a diferença?”
    .
    Ou seja, o post tem como tema central, exactamente, a diferença entre o que a empresa paga e o trabalhador recebe. Mas, se o trabalhador recebe os subsídios de férias e natal (ou, pelo menos, o que sobre depois dos impostos), isso não conta para a tal “diferença” (logo metê-los ao barunho é só para causar confusão).
    .
    Para vermos ainda melhor como não faz sentido meter os subsídios de férias e natal na discussão – se se abolisse (ou reduzisse) a TSU e/ou o IRS, o ordenado líquido do trabalhador aumentaria e/ou os encargos patronais diminuiriam; pelo contrário, se se abolisse o subsidio de férias e natal, isso em nada (fora um pequeno período até os contratos se ajustarem) iria afectar nem o ordenado do trabalhador nem os encargos do patrão (embora tivesse efeitos a nível de tesouraria) – os salários nominais iriam ser simplesmente ajustados para cima e o valor global ficaria na mesma.

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  25. CS's avatar
    17 Setembro, 2011 01:28

    Tenho por verdade, porque tem sido dito por pessoas
    de confiança, que cada trabalhador custa por mes à empresa o
    dobro do que recebe líquidos de iRS e SSocial. Suponho
    que se referisse a trabalhadores medios, nem muito bem nem
    muito mal pagos. Assim, façamos umas contas muito simples,
    supondo até que o tal dobro se refira a um custo mensal
    (TSu e outros encargos).

    Supondo então que um trabalhador receba, líquidos de impostos,
    1000 euros mensais, e que o empregador gaste com ele outro
    tanto mensalmente, temos que (anualmente:)

    empregador gasta: 12×2000= 24000
    empregado recebe: 14×1000= 14000

    (o facto de trabalhar 11 meses é irrelevante)

    Assim, cada trabalhador que ganhe 1000 euros liquidos
    é aliviado à cabeça de 10.000 euros anuais, que nunca
    chega a ter na mão, sequer.

    Obs – naturalmente que e discutivel se isto
    e salario do trabalhador ou não, eu acho que sim, pois
    a empresa tem encargos autonomos enquanto tal. Reconheço
    que e discutivel, mas e a minha perspectiva.

    Mas isto não fica por aqui, de maneira nenhuma.
    A razão: por cada compra que faz, o empregado paga impostos,
    e também paga uma data de taxas.
    No minimo paga o IVA (6 a 23%), mas estou certo que paga
    muito mais que isso – basta pensar na gasolina (70%),
    no tabaco (90%), no álcool (?), no IMI, nas taxas da
    electricidade (CIEG; a taxa da RTP), no imposto automovel
    e IUC, multas, etc.

    Concluo (enfim, talvez mal) que sobram ao trabalhador,
    com sorte, uns 60% do que recebe para gastar em proveito próprio,
    excepto se puder escolher não gastar nada: nesse caso não
    paga impostos de consumo, claro (não será o caso da maioria).

    Ou seja, custando 24000 anuais, o trabalhador gasta em seu
    proveito, anualmente, uns 0,6×14000= 8400 euros. Ora

    8400/24000= 35%

    Ou seja, mesmo um mileurista paga 60 a 65% de impostos, mas está
    provávelmente convencido que é um beneficiário deste esquema
    de coisas. Penso que é um milagre da desinformação. Mas
    enfim a quem se sentir bem assim, não tenho nada a dizer. Eu cá,
    nem por isso.

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  26. José Pinto Basto's avatar
    José Pinto Basto permalink
    17 Setembro, 2011 10:29

    O trabalhador recebe num ano 425 dias,
    (365 + 30 +30 = 425 dias).
    Trabalha 221 dias,
    ( 365 – 30 dias de férias = 335 – 52 Domingos =283 – 52 Sábados =231 – 10 Feriados = 221 dias).
    O trabalhador recebe 204 dias por ano sem trabalhar…mais de meio ano.
    Como no outro meio ano o trabalhador português, geralmente, não faz nada, porque compra tudo feito, e também geralmente não paga o que compra, daqui se deduz que, bem vistas as coisas, o trabalhador português até esta muito mal pago…

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