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Pior a emenda que o soneto

29 Novembro, 2011
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Quiçá para mostrar “sensibilidade social”, mas sobretudo para ceder algo às pressões do establishment – não só do PS, mas também dentro do PSD, em especial a “ala cavaquista” – o governo decidiu amenizar os cortes nos salários da função pública.  Ora reduzir o corte numa dada rubrica deveria ser compensado com corte adicional noutra e não com aumento de impostos. O governo optou por subir as taxas liberatórias para 25%, dando mais uma machadada na poupança e aumentando o incentivo à fuga de capitais.

A alteração efectuada custa 130 milhões. Onde se poderia cortar sem ter de agravar a carga fiscal? Por exemplo, numa rubrica de que o governo em tempos muito falou, criticando a sua enorme “carga adiposa”: a aquisição de bens e serviços. Estamos a falar de uma despesa consolidada da ordem dos 10,5 mil milhões, que não é praticamente mexida no OE 2012. Pesa sobretudo no sector dos Serviços e Fundos Autónomos (8,5 mil milhões), que agrega os malfadados Institutos Públicos. Esta rubrica estará seguramente “infestada” de despesas com deslocações, ajudas de custo, combustíveis e sobretudo avenças a consultores. Eu apostaria que se pode reduzir de uma assentada 20% no seu valor total (qualquer coisa acima dos 2 mil milhões) sem quebras significativas nos serviços prestados. Reduzir aqui 130 milhões em vez de subir as taxas liberatórias, representaria apenas 1,2% do valor total da rubrica. Eliminava-se seguramente desperdício e não se penalizaria a poupança.

Isto claro, para não falar no meu velho “ódio de estimação”, a RTP, que já deveria ter sido vendida, assegurando-se assim para 2012 uma poupança superior a 300 milhões.

33 comentários leave one →
  1. anti-comuna permalink
    29 Novembro, 2011 12:35

    “Ora reduzir o corte numa dada rubrica deveria ser compensado com corte adicional noutra e não com aumento de impostos. O governo optou por subir as taxas liberatórias para 25%, dando mais uma machadada na poupança e aumentando o incentivo à fuga de capitais.”
    .
    Pior. Este aumento de impostos não trará as receitas que eles preconizam. Vão bater com os burrinhos na água.
    .
    É o que faz cederem ao facilitismo de esquerda. Mesmo que seja da esquerda de dentro do seu próprio partido.

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  2. anti-comuna permalink
    29 Novembro, 2011 12:39

    Como sair da crise. Exportar mais para a China.
    .
    “Autoeuropa põe 900 carros num barco a caminho da China
    .
    Fábrica de Palmela avança que o “embarque piloto correu muito bem” e que a intenção passa por iniciar uma rota quinzenal a partir de 2012
    .
    A distância entre Palmela e a China é cada vez menor. Depois do embarque piloto de 538 carros fabricados na Autoeuropa, feito no passado dia 28 de Outubro, no porto de Setúbal, ter “corrido muito bem”, segundo fonte oficial da fábrica, hoje são carregados cerca de 900 veículos com destino à China.”
    .
    in http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=522405&pn=1
    .
    .
    Aparentemente, os dois novos modelos introduzidos na China terão sido bem recebidos pelo mercado chinoca. De tal forma que já planeiam enciar quinzenalmente, um barco carregado de carros para o mercado chinoca. E se correr bem, talvez até mesmo estes envios se possam tornar ainda mais frequentes. Isto são excelentes noticias para Portugal. Enviar 24k para a China todos os anos de Portugal, era algo de impensável há meia dúzia de anos.

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  3. tric permalink
    29 Novembro, 2011 13:05

    “O governo optou por subir as taxas liberatórias para 25%, dando mais uma machadada na poupança e aumentando o incentivo à fuga de capitais.”

    os Capitais na grande maioria já fugiram todos…não se preocupe com a fuga dos capitais! já é tarde…este Governo é uma autentica perca de tempo! Se houvesse ainda Capitais em Portugal, alguma vez, esta decisão seria tomada!!??…isto é apenas mais um capitulo do filme, do financiamento do sistema bancário português! que o Governo e o PS andam para ai a entreter …

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  4. Zebedeu Flautista permalink
    29 Novembro, 2011 14:24

    A malta que trabalha na FP, ganha mais de 1100 euros e é poupadinha deve estar mesmo contente.

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  5. honni soit qui mal y pense permalink
    29 Novembro, 2011 14:57

    os tais carros consta que têm uma mesa rotativa como nos restauarantes china … dai a aceitação dos chinas

    o próximo modelo da AutoEuropa tem o tejadilho em forma de pagode para ver se ainda tem mais saída

    ( entretanto ó anti-comuna chegaram 3.989.087 contentores ao porto de Lisboa e 2.987.099 ao porto de Leixões com fanacaria china para tuga agarrado consumir )

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  6. honni soit qui mal y pense permalink
    29 Novembro, 2011 15:24

    a vingança do chinês …

    em breve União Europeia da China Ocidental, e mais breve ainda Estados Unidos da China Americana

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  7. honni soit qui mal y pense permalink
    29 Novembro, 2011 15:32

    antes com a fúria exportadora lusa vamos por cada chinês a consumir 3 garrafas de João Pires e 5 caixas de favaios economicas

    ahhhhhhhhhhhhh !!!!!!!!!!!!!!!!! e o nosso rico azeitinho ( feito por espanhóis ) com rotulo DOP, COP, TOC , JOC … 4 alqueires cada chinês

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  8. lucklucky permalink
    29 Novembro, 2011 16:10

    A Direita Soci@lista é na mesma coveira do País. Só um pouco mais lentamente que a Esquerda.
    O ataque à Economia Livre – que paga as contas- para favorecer a Economia Política.
    .
    O caminho para o desastre continua.

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  9. Macal permalink
    29 Novembro, 2011 16:37

    anti-comuna, o problema da Autoeuropa é que a incorporação nacional tem diminuido a cada ano que passa, hoje em dia já é quase nada, nem sei como mantem a fábrica em Portugal, não faz sentido estar a importar tudo para Portugal para depois exportar os carros. Mais ano menos ano fecha.

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  10. Guillaume Tell permalink
    29 Novembro, 2011 16:42

    É certo que é uma pessíma notícia.
    O que justificou tal medida deve ser, em parte, cálculo político; ao aceitar esta proposta de “justiça social” (ela será apresentada como um corte aos banqueiros e aos especuladores, e como uma medida de protecção dos funcionários públicos mais pobres e dos pensionistas) o Governo pode somar ganhos eleitorais, e se eventalemente a coisa correr mal (tipo aparecer um estudo que mostra que houve uma fuga de capitais entretanto) o Governo sempre poderá acusar a oposição de ter feito pressão por às mãs razões, e assim voltar a beneficiar a simpatia do eleitorado. É perigoso para o país este tipo de manobra, por isso oxála que o Governo oiça o LR (a propósito o Carlos Abreu Amorim não pode falar da sua proposta no Parlamento?)

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  11. 29 Novembro, 2011 16:56

    Muito bem dito, LR.

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  12. anti-comuna permalink
    29 Novembro, 2011 17:24

    “anti-comuna, o problema da Autoeuropa é que a incorporação nacional tem diminuido a cada ano que passa, hoje em dia já é quase nada, nem sei como mantem a fábrica em Portugal, não faz sentido estar a importar tudo para Portugal para depois exportar os carros. Mais ano menos ano fecha.”
    .
    .
    E que tal primeiro investigar os factos? Olhe aqui, caro amigo:
    .
    “Autoeuropa aumenta produção em 53,2% até Agosto
    .
    Fábrica de Palmela reforça para 60% incorporação nacional.”
    .
    in http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=508357
    .
    .
    Que tal? Gostou da notícia?

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  13. anti-comuna permalink
    29 Novembro, 2011 17:28

    Cono sair da crise. Exportar muito mais tudo o que se possa.
    .
    “Sumol+Compal atinge 100 milhões de litros em exportações”
    .
    “A Sumol+Compal alcançou a marca dos 100 milhões de litros vendidos para mercados internacionais. A empresa portuguesa que lidera o mercado nacional de bebidas não alcoólicas atinge assim o seu máximo histórico, acima das suas previsões para 2011.”
    .
    ““O índice de internacionalização da Sumol+Compal, volumes exportados face ao volume total de vendas, atinge agora os 26%, contra os 20% em igual período do ano anterior”, de acordo com o comunicado da Sumol+Compal.
    .
    Actualmente a produção da Sumol+Compal é feita exclusivamente em Portugal, através das quatro unidades industriais localizadas em Almeirim, Pombal, Gouveia e Vila Flor. “A Sumol+Compal gera 1400 postos de trabalho directos e faz a gestão de um conjunto alargado de marcas de bebidas e de derivados de tomate e vegetais preparados com uma posição muito relevante em Portugal”.”
    .
    in http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=522587
    .
    .
    Foi preciso haver medidas de austeridade para este tipo de empresas abrirem os olhos e tentarem penetrar nos mercados internacionais.
    .
    .
    O sector agro-alimentar é mesmo importante. Não apenas por causa da segurança nacional em termos alimentares mas sobretudo porque é um sector de maior mão-de-obra intensiva na fileira e passível de gerar bons retornos numa sociedade. A Sumol-Compal está no bom caminho. E quanto mais diversificar os mercados, mais estáveis os seus crescimentos, manutenção de empregos e criação de riqueza.

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  14. lucklucky permalink
    29 Novembro, 2011 17:44

    “ela será apresentada como um corte aos banqueiros e aos especuladores”
    Só se os Portugueses forem burros. A maioria parece que é como se viu recentemente pela “descoberta” dos 34 mil milhões.
    Os juros dos depósitos que os Portugueses têm passam a pagar 25% em vez de 21.5%.

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  15. Arlindo da Costa permalink
    29 Novembro, 2011 17:50

    O Governo não vende a RTP pois é preciso alimentar a palonçada com futebol, concursos grunhos e noticiários terceiro-mundistas.
    Quem é que pediu um governo «liberal»??????????????

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  16. Guillaume Tell permalink
    29 Novembro, 2011 17:59

    Caro luckylucky,
    isso é suposições que eu faço. Mas explique lá melhor “A maioria parece que é como se viu recentemente pela “descoberta” dos 34 mil milhões.” Não precebi.

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  17. Nuno permalink
    29 Novembro, 2011 18:09

    Como saír da crise. Acabar com os impostos.

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  18. lucklucky permalink
    29 Novembro, 2011 18:36

    “A maioria parece que é como se viu recentemente pela “descoberta” dos 34 mil milhões.”
    .
    Quando os jornais e muitas pessoas se mostram surpreendidas por os juros dos empréstimos da Troika serem metade do que foi pedido emprestado.
    Esta surpresa – a juntar ao facto de nunca nas centenas de leilões de dívida anteriores se ter mostrado preocupação alguma com o total dos juros a pagar – mostra que os portugueses nunca pensaram no futuro.
    Só agora parece que fizeram um esforço e ficaram surpreendidos com o Futuro.

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  19. lucklucky permalink
    29 Novembro, 2011 18:41

    Como é obvio é insustentável, basea-se apenas na continuada burrice dos políticos que vem aí crescimento económico que permita pagar tal coisa. Eles julgam que onde estamos é passageiro. Não é.
    Ora tirando um desenvolvimento tecnológico miraculoso ou descoberta de petróleo este Governo e a Oposição estão a fazer tudo para ainda destruírem mais o País.

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  20. Guillaume Tell permalink
    29 Novembro, 2011 18:50

    “os portugueses nunca pensaram no futuro.”
    Deixaram de pensar no futuro no início dos anos 1990.

    Eu às vezes não sei se é mais um problema de classe social ou de profissão que de povo, cultural. Quem me parece mais surpreendido (mais uma vez suponho), quem menos compreende as coisas em Portugal são as pessoas que andam perto da classe média-alta, e que têm profissões “mais intelectuais e mais próximas do Estado” (jornalistas, médicos, professores…). Afirmo isso visto que são essas pessoas que mais utilizam a Net. Não admiria nada ver um estudo a mostrar que quem anda mais preocupado com o desparecimento do “Estado social” sejam os ditos cujos, e que os mais pobres estejam mais preocupados com os aumentos de impostos!

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  21. 29 Novembro, 2011 19:04

    André, nunca esqueça a 1ª regra sobre como lidar com trolls:
    .
    Não lhes ligue!

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  22. 29 Novembro, 2011 19:05

    Não falo em trolls aqui neste blogue.

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  23. Guillaume Tell permalink
    29 Novembro, 2011 20:16

    Só que na Net não-trolls são poucos Carlos 😉

    E eu gosto de ensinar, por isso…

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  24. anti-comuna permalink
    29 Novembro, 2011 20:51

    Como sair da crise. Criar simuladores de voos para entretinemento. A Ydreams bem precisa de começar a mostrar resultados em vez das habituais promessas. Mas com sorte, vão-no conseguir.
    .

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  25. anti-comuna permalink
    29 Novembro, 2011 20:56

    É engraçado isto. Já tinha referido que no Norte havia duas empresas próximas uma da outra que desenvolviam tecnologias educacionais. Mas a Ydreams também o faz. O que reforça a minha ideia que em Portugal se está a formar um cluster nesta área interessante. Vamos ver se estes projectos aumentam mesmo a eficácia pedagógica e se tornam num sucesso comercial.
    .

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  26. anti-comuna permalink
    29 Novembro, 2011 21:00

    Formação de um supercluster industrial em Portugal. Ligações cada vez maiores entre sectores diversos tugas. Ydreams cria produtos para aumentar a eficácia de vendas da salsa, empresa têxtil tuga.
    .

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  27. lucklucky permalink
    29 Novembro, 2011 22:10

    “Quem me parece mais surpreendido (mais uma vez suponho), quem menos compreende as coisas em Portugal são as pessoas que andam perto da classe média-alta, e que têm profissões “mais intelectuais e mais próximas do Estado” (jornalistas, médicos, professores…).”
    .
    Precisamente. Também é essa a minha opinião. Aliás chegámos onde estamos pela mão de pessoas cheias de cursos universitários.

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  28. Macal permalink
    29 Novembro, 2011 23:38

    Fábrica de Palmela reforça para 60% incorporação nacional.”
    .
    Que tal? Gostou da notícia?

    Não acredite em tudo o que lê. Dessa constelação de empresas fornecedoras que existem, são quase todas espanholas, e é praticamente tudo importado, mas aparece como incorporação nacional nessa “cadeia” , sabe-se lá porquê… Não é por acaso que a Autoeuropa é um dos nossos maiores exportadores, mas também um dos maiores importadores.
    Quanto à YDreams, bah, representa tudo aquilo de que você fala há anos, as empresas parasitas de “sucesso” da capital, nas quais o Estado vai injectando milhões de euros ano após ano. Faça uma pesquisa por ydreams na base de dados de adjudicações sem concurso do Estado e perceberá essa realidade….

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  29. Macal permalink
    29 Novembro, 2011 23:44

    Repare que o ano passado na greve geral, apenas 5% dos trabalhadores fizeram greve, no entanto este ano a própria administração resolveu fechar no dia da greve. Porquê ? Porque algo vai mal, e a coisa rebentará publicamente mais cedo ou mais tarde. Não faz qualquer sentido uma fábrica como a Autoeuropa que importa quase todos os componentes.

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  30. anti-comuna permalink
    30 Novembro, 2011 00:35

    “Dessa constelação de empresas fornecedoras que existem, são quase todas espanholas, e é praticamente tudo importado, mas aparece como incorporação nacional nessa “cadeia” , sabe-se lá porquê…”
    .
    .
    Não o vou negar, porque não tenho a certeza. Mas desconfio que deve estar a exagerar. Em todo o caso, desde que o VAB seja em solo nacional, com ou sem maioria do capital de controlo estrangeiro, vai dar ao mesmo. Os empregos são criados aqui.
    .
    .
    “Faça uma pesquisa por ydreams na base de dados de adjudicações sem concurso do Estado e perceberá essa realidade….”
    .
    .
    Eu sei. Não gosto da Ydreams e seu principal accionista. Mas pode ser que os gajos me surpreendam pela positiva. Sei lá, pode ser que agora passem das promessas à prática. Mas concordo consigo. Aquilo mais parece um grupo de amigos a sacar massa ao Estado que criar uma empresa rentável e de sucesso. Mas enfim, também não quero estar sempre a dizer mal daquilo e até eu esteja enganado e ponham mesmo aquilo a produzir produtos para o mercado e ganhem dinheiro. A esperança é a última a morrer, não é? 😉
    .
    .
    Quanto à Autoeuropa, vamos ver. Não estou assim tão pessimista e até os gajos da VW alinharam na salvação dos fabricantes de componentes que estavam nas mãos do BPN/SLN. Se o fizeram é porque vêm nas empresas tugas um bom fornecedora embora mal gerida e metida em complicados negócios políticos, etc.

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  31. Nacionalista permalink
    1 Dezembro, 2011 17:35

    “Eu apostaria que se pode reduzir de uma assentada 20% no seu valor total (qualquer coisa acima dos 2 mil milhões) sem quebras significativas nos serviços prestados.” Enquanto o Governo não entrar por aqui, pobre Portugal, que já nem se atreve a comemorar o 1º. de Dezembro e lembrar quem correu daqui os castelhanos!

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