A Europa de bicicleta.*
Escrevo estas linhas ainda sem conhecer os resultados do Conselho Europeu. E, escrevo-as, esperando que, realmente, se alcancem resultados, ou seja, saíam do Conselho decisões com impacto efectivo na integração e nos incontornáveis e incontroláveis mercados internacionais! Vou, por isso, fazer um pequeno exercício (no contexto actual, arriscado) de futurologia, antevendo aquilo que concluiremos a médio prazo, olhando para trás, depois da borrasca passar. Para isso, vou invocar Ernest B. Haas, um alemão que fez carreira nos Estados-Unidos, sendo um importante pensador e analista do processo de integração. Haas, que sempre defendeu a unidade europeia, fundou uma escola de análise denominada neo-funcionalismo que entende o seguinte: a “construção europeia”, uma vez lançada (no pós 2ª Guerra Mundial), adquiriu uma dinâmica de auto-sustentação, traduzida no facto de ela própria, à medida que se foi desenvolvendo e consolidando (passo a passo), ir exigindo novos avanços. É como o andar de bicicleta: não se pode parar, sob pena de se cair – o que, em princípio, não será almejado pelo ciclista.
Por exemplo, uma vez alcançado um Mercado Único, sentiu-se a necessidade consequente de se criar uma União Monetária. A criação desta e a emergência do Euro, logicamente, desencadearia um acelerar da integração política-económica, exigindo um efectivo “governo económico europeu”, apto a sustentar a União Monetária. Ora, isto não foi, efectivamente, feito, apesar de ter sido projectado como necessário, desde logo, quando o Euro nasceu. Sabe-se (e sempre se soube) que, mais tarde ou mais cedo, esse passo teria que ser dado; os líderes políticos dos Estados-membros foram preferindo, até agora, acudir a tal necessidade…sempre mais tarde! Assim sendo, acho que, não existindo mais margem de manobra e não pretendendo, a esmagadora maioria dos cidadãos e dos políticos dos Estados-membros, cair da bicicleta, esta crise acabará por desencadear o passo seguinte no aprofundamento da integração e no caminho inevitavelmente pró-federal da União Europeia. Ele materializar-se-á, ainda que por impulso da força das circunstâncias, numa coordenação e controlo supranacional das políticas orçamentais e fiscais e numa “comunitarização” da zona Euro, provavelmente com a institucionalização (também mais tarde ou mais cedo) de um “Comissário-Presidente” do Eurogrupo.
Para nós, portugueses, uma coisa parece inevitável: ainda que não a qualquer custo, estaremos, sempre, melhor, andando sentados no selim da bicicleta do euro, do que correndo a pé e (considerando o nosso estado financeiro) literalmente descalços!

Se o selim tiver uma cadeirinha…
melhor!
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assino por baixo. Psicanálises
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Olhando para o actual ( e eminentemente provisório…) mapa da Europa, gostaria de concordar consigo – mas o “pressentimento” é de que isto vai acabar mal, muito mal.
É que nem tudo se resume a “mercearia”…
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Que horror de texto. Digno de um bolchevique.
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“”É que nem tudo se resume a “mercearia”…””
sem dúvida: por isso a Alemanha não permite já os eurobonds, porque acima da mercearia está a cultura e a alteração de certos hábitos culturais: sim sim, porque mesmo os hábitos se alteram, a gosto ou a contragosto. Depois virão os eurobonds.
“Digno de um bolchevique.”
já este comment é digno de um fascitóide.
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Ora bem o Durão Barroso diz que salvar o euro é uma maratona. O jmf diz que estamos descalços. Já que somos os etíopes da Europa em termos de atletismo vamos ser os campeões da futura federação europeia. Nem tudo podia ser mau.
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Acabem com essa utopia da «Europa» e vamos trabalhar e zarpar à procura de novos mundos.
Puta que pariu a Europa e quem vê nela a sua salvação.
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Lamento reconhecer, mas ando completamente baralhado. Não vejo nenhum dos que atacam o caminho apontado pela chanceler Merkel e presidente Sarkozy apontar um caminho diferente de : BCE emitir moeda e
mutualização da dívida. Será que apenas qurerem que alguém lhes permita gastar e endividar-se mais???
Ou tem outra alternativa????
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Arlindo da Costa:
PEDIU , por acaso, ao seu DONO autorização para expressar uma tão RADICAL
posição de Euroceticismo?
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