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Default amigável nas PPP

23 Abril, 2012

Rui Moreira tem uma das poucas propostas de renegociação das PPP com alguma lógica:

Qualquer renegociação deve ser feita garantindo a segurança jurídica dos privados e tendo em conta o legítimo interesse de ambas as partes – Estado e seus parceiros – no cumprimento dos contratos celebrados, a apontar claramente no sentido da sua renegociação, já que de outra forma será improvável que o Estado possa cumprir com a sua parte. O baixo “rating” da República pode servir para persuadir os privados a reverem as condições leoninas que foram apostas nestes contratos, na medida em que estes sabem que, por essa razão, a sua exposição ao “risco país” é agora muito maior do que quando os negócios foram fechados. Tudo isto, naturalmente, se o Governo puder e quiser antecipar a amortização de uma parte da dívida, o que levará os privados a trocarem o duvidoso pelo certo.

Claro que esta proposta tem vários problemas. O primeiro é que é equivalente a um default amigável, algo que o governo por razões de reputação tem andado a tentar evitar. O segundo é que o Estado não tem liquidez para este tipo de aquisições. O terceiro é que, se o Estado tivesse liquidez seria mais lógico e mais vantajoso comprar dívida pública no mercado secundário onde já existem investidores dispostos a aceitar perdas. Note-se que os detentores dos contratos das PPP têm uma posição contratual mais forte que os detentores dos títulos da dívida, pelo que estão menos dispostos a aceitar negociar a preços mais baixos.

17 comentários leave one →
  1. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    23 Abril, 2012 09:41

    Pois a mim parece-me o contrário. “O baixo “rating” da República pode servir para persuadir os privados (…) a sua exposição ao “risco país” é agora muito maior do que quando os negócios foram fechados”.

    Sendo a exposição ao risco maior, o que me pareceria lógico seria os privados reverem esses contratos em alta.
    Pelo argumento do terror (ou te pago -X ou não levas nada, que não há dinheiro) é tudo menos “amigável, tendo em conta o legítimo interesse de ambas as partes”.
    O legítimo interesse do Estado é denunciar todos os contratos que contenham “condições leoninas que foram apostas nestes contratos”. Pelo que oiço dizer, mais de 80% desses contratos são ilegítimos e até fraudulentos.

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  2. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    23 Abril, 2012 10:02

    Olhe, JM, o estado deve cumprir aquilo que se comprometeu contratualmente a cumprir…
    .
    … a não ser que se prove, ou existam fortes indicios, de existirem irregularidades ou ilegalidades nesses contratos. A todos os niveis. De facto parece haver indicios claros de abusos nesses contratos; e se for assim, como parece, o estado deve colocar os negócios subjacentes à avaliação do sistema juridico judicial desde já. Doa a que politico e/ou empresário doer.
    .
    Enquanto o problema não fosse resolvido pelas instancias judiciais, parte das transferencias para os concessionários de PPP’s, nomeadamente o excesso de rentabilidade que se infere do negócio, seria efectuado fazendo uma dação em pagamento aos mesmos através de titulos do tesouro…
    .
    … que era uma forma de cumprir e, ao mesmo tempo, fazer partilhar os concessionários nos riscos do país futuros.
    .
    Rb

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  3. Carlos Duarte's avatar
    Carlos Duarte permalink
    23 Abril, 2012 10:15

    Eu não percebo qual é o problema. O Estado tem duas opções:
    1) Opção “1” – Lança uma taxa especial sobre as PPP (coloca no Código de IRC uma tributação autónoma sobre os proveitos provenientes de parcerias público-privadas) e deixa rolar.
    2) Opção “2” – Admintindo que os contratos são ilegítimos / ilegais, pura e simplesmente para de pagar. E o privado tem duas hipóteses: ou põe o Estado em tribunal e arrisca-se a não ver nada (se o contrato for ilegal) ou negoceia.

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  4. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    23 Abril, 2012 10:17

    Agora, meu caro, os comunistas e liberais, têm razão numa coisa, que os une, não existe diferença alguma entre violar as condições de um contrato de trabalho e um contrato de PPP. Não existe. Em nome da equidade, de facto, reduzir os rendimentos de um trabalhador ou reduzir rendimentos de concessecionários é a mesmessima coisa, se tal violar o estabelecido contratualmente.
    .
    Rb

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  5. Carlos Duarte's avatar
    Carlos Duarte permalink
    23 Abril, 2012 10:32

    Caro Rb,
    Obviamente. A partir do momento em que o Estado lança um “imposto” especial sobre os 13º e 14º mês, tem toda a legitimidade (para não dizer obrigação) de o fazer sobre as PPP. E a partir do momento em que deixa de pagar aos funcionários públicos esses mesmos salários, tem igualmente de o deixar de fazer às PPP.

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  6. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    23 Abril, 2012 10:50

    Estes contratos mirabolantes das PPP vão ser rasgados. Ou serão rasgadas ou haverá um default a sério na dívida pública.
    .
    .
    Só o JM é que ainda não topou. Está agarrado a vícios de forma. Mas já não lhe faz comichão mudanças fiscais penalizadoras ou salários contratados que foram alterados pelo Estado. Enfim, às vezes o JM precisa de cair na real.

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  7. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    23 Abril, 2012 10:51

    Já agora, para os que se agarram a vícios de forma.
    .
    .
    Que dizer de um investimento em Portugal, calculado com base nalguns pressupostos fiscais, que foram alterados, penalizando os investidores? Isso é default? ehhehhehheh

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  8. PMP's avatar
    PMP permalink
    23 Abril, 2012 10:53

    Todas as PPP’s com TIR acima de 7% devem ser renegociadas para esse valor máximo.
    .
    Quem não aceitar vai para tribunal e até lá recebe 0%
    .
    7% é bem bom , comparado com os 1% dos certificados de aforro.

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  9. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    23 Abril, 2012 11:14

    como os pretos da guiné não deixam o governo invadir aquilo,o governo pegou no DCIAP e faz buscas no Governo Regional da Madeira

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  10. von's avatar
    von permalink
    23 Abril, 2012 11:25

    João, diga lá, confesse: que empresas privadas lhe pagam bolsas de investigação?

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  11. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    23 Abril, 2012 11:29

    Se há fortes indicios que a grande maioria, ou mesmo a sua totalidade dos contractos das PPPs são dolosamente prejudiciais para o estado, ou seja para os contribuintes, o governo devia nomear uma equipa de “procuradores especiais”, com poderes especiais para investigar onde estão as moscambilhas, para isso basta analisar os contractos com “olhos de ver”, e responsabilizar criminalmente os responsaveis, quer da parte dos beneficiados, quer da parte de quem assinou esses contractos por parte do estado, criando tambem para isso, um tribunal especial. E meter essa canalha toda na prisão e atirar as chaves fora.
    É patético ver o sr Ricardo Salgado, quando o país está como está, continuar a defender nos jornais o TGV e o novo aeroporto, quer dizer, mais do mesmo!

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  12. jose silva's avatar
    jose silva permalink
    23 Abril, 2012 12:41

    Rui Moreira à frente da CMPorto precisará sempre de persistência e criatividade para encontrar propostas realistas e ousadas para os problemas de desenvolvimento.

    Começa bem neste artigo.

    Há várias soluções out of the box para as PPP :
    -Envegonhar os responsáveis directos (Sócrates) e indirectos (os JCDs da vida) como já foi anunciado; Basta a JSD fazer um concurso do melhor Youtube sobre o tema até se tornar viral e aparecer num Prós e contras ou numa reportagem de TV generalista;
    – Unilateralmente renegociar os contratos com os investidores nacionais, mas manter o contratado com os estrangeiros; Seria uma forma de contribuiram, como os demais cidadãos e empresas para o esforço colectivo;
    – Imposto extra-ordinário sobre as empresas de PPP, como já sugeriu Cadilhe;

    Mas a solução poderá ser outra. Replicar o que está a acontecer hoje no governo regional da Madeira junto dos participantes directos e indirectos nas PPPs. Basta prender alguns deles durantes uns meses, que os responsáveis pelas PPPs, começam logo a sugerir renegociações.

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  13. Vivendi's avatar
    vivendipt permalink
    23 Abril, 2012 12:51

    PPPs: reestruturar ou nacionalizar? eis a questão!
    A dívida pública portuguesa está no upa upa…
    O Sócrates está bem. Portugal e os portugueses é que não estão tão bem.

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  14. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    23 Abril, 2012 13:20

    Jose Silva,
    .
    Pedimos o Vader do Fraque ao 31 da Armada e vai-se lá chatear os fautores e os gestores das PPP.
    .
    Solução nacional.

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  15. XisPto's avatar
    XisPto permalink
    23 Abril, 2012 16:54

    “… estado deve colocar os negócios subjacentes à avaliação do sistema juridico judicial desde já. Doa a que politico e/ou empresário doer…”
    Bonitas palavras. Mas em que país vive o Ricciardi? Mas tem mérito, como estratégia negocial para os titulares dos contratos, além de ser digna de ser acrescentada pelo JM à lista das asneiras que ainda não foram cometidas…

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  16. José Neto's avatar
    José Neto permalink
    23 Abril, 2012 21:48

    O Estado Português já entrou em default.
    Entrou em default unilateramente em relação aos pensionistas.

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  17. joshua's avatar
    palavrossavrvs permalink
    24 Abril, 2012 23:37

    Fuck! Que pena. Ainda assim, não se perdia nada em tentar. Por que não se tenta de todo?

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