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Hollande e Portugal *

28 Abril, 2012
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François Hollande não será propriamente o protótipo de um bom candidato. É acinzentado e não empolga facilmente, tendo um estilo de comunicação pouco vincado. Quando tenta ser mais assertivo, o seu discurso parece sempre um pouco forçado, sem transparecer a convicção suficiente que, de imediato, atinja e entusiasme, pelo menos, os seus apoiantes. É e sempre foi um homem refletido e um político de bastidores. Até mesmo dos bastidores da sua ex-mulher, e também ex-candidata, Ségolene Royal. No entanto, tem ideias, é respeitado e, sobretudo, poderá dar um bom Presidente. Um Presidente de que a França e, sobretudo, a Europa, neste momento, precisam. Hollande parece ser, em certos aspetos, o contraponto de Sarkozy: este sempre foi um ótimo candidato e prometia ser um verdadeiro estadista. Sugeria ter capacidade de liderança, com ideias próprias e com um certo sentido estratégico que o levaria (a ele, à França e à Europa) ao reencontro de uma retoma estrutural. Para mim, sobretudo após o primeiro ano de Presidência (e de “estado de graça”), acabou por desiludir. Principalmente na Europa, aceitando ser uma espécie de cônjuge menor do casal “Merkozy”.

A questão das lideranças – que, esta semana e em relação ao Norte, foi abordada numa das excelentes tertúlias do “Grande Porto” – tem destas coisas: o que muitas vezes parece, pode acabar por nunca o ser. Avaliar os líderes em função do que são enquanto candidatos, será sempre arriscado. Àqueles poderá aplicar-se a máxima dos melões: de facto, só depois de abertos e provados é que se saberá, definitivamente, como são. Tenho, por isso e agora, apenas a esperança de que Hollande, se ganhar as eleições francesas, venha a ser um bom Presidente, desfazendo, de imediato, a entente, politicamente quase conjugal, com Merkel. Sobretudo, em benefício da Europa que precisa de ponderar bem o endeusamento da sua política de estabilidade orçamental e encontrar uma lógica diferente, jogar um novo jogo que sintetize adequadamente as necessidades de financiamento público e de efetivo crescimento económico. Novo jogo esse que, paradoxalmente para um socialista como Hollande, reservará, inevitavelmente, outras regras para o Estado e para o seu papel nas sociedades globalizadas, obrigando-o, também e em certos aspetos, a “meter algum do seu socialismo na gaveta”.

Curiosamente, se este meu prognóstico/esperança se concretizar, essa eventual eleição de Hollande poderá vir a ajudar o Governo português! Passos Coelho poderá, no fundo e a prazo, ter margem de manobra para amenizar alguns pontos da política de austeridade. O nosso resgate financeiro poderá vir a ser encarado com um outro sentido, diferente daquele que, até agora, a lógica “Merkoziana” tem seguido e imposto.

* Grande Porto, ed 27.04.12

64 comentários leave one →
  1. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    28 Abril, 2012 09:42

    PMF com uma boa análise, sim senhor!
    hollande não será o cônjuge menor da angela, antes encabeçará a nobre resistência ao tontismo austero desempregador da comunista da ex-RDA.
    hoje na leitura dos jornais, fiquei fascinado pelas palavras de ivan nunes sobre miguel portas. fazia muito que não sabia dele.
    recordei logo os enxertos de porrada que ele deu ao JMF no dealbar da década de 90 do século préstito.

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  2. Tolstoi's avatar
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    28 Abril, 2012 10:37

    Holland o que defende o emprego de mais sessenta mil funcionários públicos para ajudar a economia Francesa. São dois maus candidatos.

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  3. A. R's avatar
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    28 Abril, 2012 11:01

    Hollande segue a desgraça de todos os PSF anteriores: reaças, corruptos, imobilistas.

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  4. the lost horizon's avatar
    the lost horizon permalink
    28 Abril, 2012 11:15

    O que é bom para Merkel é mau para a Europa.
    Há o quebra bilhas, esta loira é o quebra janelas, naquela mui perigosa falácia da “Janela Quebrada” de Frederic Bastiat.

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  5. JDGF's avatar
    JDGF permalink
    28 Abril, 2012 11:16

    Passos Coelho – se o futuro nos reservar um confronto de visões e programas sobre os caminhos a percorrer pela Europa – nunca apoiará Hollande. Viverá na melancolia da actual ‘fórmula Merkozy’ que se encaixa na propalada intenção do Governo em mudar Portugal (o modelo político, social e económico vigente).
    Afinal, não nos podemos esquecer, que existem na Europa ‘famílias políticas’. E, nessas circunstâncias, a ‘crise portuguesa’ pode complicar-se, mas as políticas (orçamentais e fiscais) não mudarão substancialmente. Não parece ser de valorizar, internamente, o contributo de François Hollande para a “nossa” mudança. Esta, terá de ser construída pelos portugueses a partir da análise dos resultados da actual política governativa (que já começou a procurar alibis com a baralhada das previsões sobre o eventual início de financiamento nos mercados internacionais).
    Ninguem fará por nós o ‘trabalho de casa’ . O que poderá existir será a tentativa de ‘colar-se’ às resultantes de novos equilíbrios, como p. exemplo, a solução dos ‘eurobonds’. Mas – suceda o que suceder – a saga neoliberalizante continuará porque é esse o programa da actual coligação governamental. Adaptações a este programa são indesejadas e quando aparecerem é porque a situação política interna estará em franca decomposição (facto que parece inevitável depois do fim da chamada “assistência externa”).
    Paira no ar, contudo, uma impressão: depois de tantos (e pesados) sacrifícios, não haverá complacência perante tentativas de viragens políticas abruptas e deixará de existir qualquer tipo de tolerância perante um insucesso (não ‘desejado’ – como sugeriu ontem PPC – mas politicamente previsível).

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  6. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    28 Abril, 2012 11:44

    “Tenho, por isso e agora, apenas a esperança de que Hollande, se ganhar as eleições francesas, venha a ser um bom Presidente, desfazendo, de imediato, a entente, politicamente quase conjugal, com Merkel. Sobretudo, em benefício da Europa que precisa de ponderar bem o endeusamento da sua política de estabilidade orçamental e encontrar uma lógica diferente, jogar um novo jogo que sintetize adequadamente as necessidades de financiamento público e de efetivo crescimento económico.”
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    Ou seja. Vc. aderiu ao keynesianismo. Parabéns. Mas deverá ser por pouco tempo. Vá-se habituando a ser liderado pela sra. Merkel. ehehhheheeh
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    PM Não se esqueça de explicar as alternativas às políticas da Merkel. Se as tem. Mas mesmo que ele ganhe, não se engane, que os mercados mostrarão quem manda.

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  7. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    28 Abril, 2012 12:12

    Mas o PMF que vá meditando, que eu acho que ele está apenas a seguir o que manda o Cameron. Mas medite nisto, pois se ele ganhar, Vc. ainda vai ficar surpreendido.
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    “« Le sérieux budgétaire, Il est le premier moyen, pour rétablir l’équilibre des comptes publics », écrit le candidat socialiste à la présidentielle, au candidat MoDem (9,13% des suffrages le 22 avril) qui a fait de la lutte contre l’endettement un objectif prioritaire et mis en doute la capacité de François Hollande à rétablir les comptes publics.”
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    in http://www.lesechos.fr/economie-politique/election-presidentielle-2012/ps/0202036493557-hollande-repond-a-bayrou-en-lui-assurant-de-son-serieux-budgetaire-317738.php
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    Não há volta a dar. Os mercados mostrarão o que pensam deste assunto. Mas o que realmente me faz confusão é isto:
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    “« Il y a eu 200 000 nouvelles entrées sur notre territoire par an depuis dix ans, a avancé François Hollande. Il faut réduire ce nombre. Je veux lutter contre la main d’oeuvre clandestine. Ce n’est pas normal qu’un certain nombre d’employeurs, de façon cynique, utilisent de la main d’oeuvre clandestine. » Interrogé sur le chiffre qu’il aurait en tête, le candidat socialiste a annoncé : « chaque année, le parlement fixera un chiffre en fonction des besoins de l’économie. »”
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    Clandestina, porquê? Ah pois. O mercado procura e não encontra.
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    Mas o PMF ainda vai explicar como o Hollande é bom para os portugueses. Até é cómico ler alguns em Portugal, nos dias de hoje. Antes eram todos contra os gastos públicos, despesa pública, dívida pública, falta de reformas, etc. Agora passaram para o lado contrário. O Durão Barroso é se deve rir com alguns dos seus críticos então e agora de lado estão.
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    A Direita portuguesa é mesmo um molho de cromos. Dá-se!
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    PM Se o Hollande ganhar, não é a Merkel que se lixa. É o seguidismo europeu face aos americanos. Nesse ponto de vista, os que agora suspiram pela vitória dele, à direita, mas que são seguidistas do mundo anglo-saxónico, ainda vão dizer muiot mal dele. eheheheheh

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  8. Fernando S's avatar
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    28 Abril, 2012 12:45

    Como diz o AC, parece que o PMF “aderiu ao keynesianismo” . Perfeitamente legitimo, naturalmente. Mesmo num blog onde pontuam analises de um “liberalismo economico” bem mais “classico”.
    Mas o keynesianismo não é uma boa solução para os problemas da Europa, incluindo os da França e de Portugal. Seria a continuação da irresponsabilidade que nos trouxe à situação de crise em que nos encontramos.
    Nestas coisas da politica não ha candidatos perfeitos. Ha-os menos maus do que outros.
    Sarkozy tem os defeitos que tem. Variaveis consoante os pontos de vista, de resto.
    Mas Hollande é um socialista, à francesa. Tal como Miterrand em 1981, pelo menos numa primeira fase, vai aplicar uma politica “de esquerda”, despesista e intervencionista na economia, assistencialista no plano social, laxista na segurança.
    Apesar de tudo, Sarkozy seria de longe uma opção bem menos negativa. Para a França, certamente. Mas também para a Europa. Incluindo Portugal.
    Infelizmente, tudo indica que Hollande vai sair vencedor !

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  9. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    28 Abril, 2012 13:22

    Teria preferido Ségolène Royal,
    mas Sarkozy queimou-a.

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  10. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    28 Abril, 2012 13:36

    “Clandestina, porquê? Ah pois. O mercado procura e não encontra.” anti-social.
    .
    não é que o mercado não encontre… é que os clandestinos podem ficar por metade do preço ou menos e são mais dóceis, sem terem de respeitar direitos mínimos… foi assim com os tugas nos anos 60 e 70 e continua a ser agora…

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  11. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    28 Abril, 2012 13:37

    “Clandestina, porquê? Ah pois. O mercado procura e não encontra.” anti-social.
    .
    não é que o mercado não encontre… é que os clandestinos podem ficar por metade do preço ou menos e são mais dóceis, sem terem de respeitar direitos mínimos… foi assim com os tugas nos anos 60 e 70 e continua a ser agora…

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  12. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    28 Abril, 2012 13:56

    e-ko : “é que os clandestinos podem ficar por metade do preço ou menos e são mais dóceis, sem terem de respeitar direitos mínimos… foi assim com os tugas nos anos 60 e 70 e continua a ser agora…”
    .
    E o ponto de vista dos “clandestinos”, não interessa ?!…
    A verdade é que, como se costuma dizer, os imigrantes opinam “com os pés”, fazendo tudo para deixar os paises de origem e virem para os paises onde ganham “metade do preço” e tem menos do que os tais “direitos minimos”. Por pior que seja é para eles muito melhor do que tinham antes. Raramente se arrependem e voltam a casa.
    Exactamente … “[] foi assim com os tugas nos anos 60 e 70 e continua a ser agora” !
    E ainda bem !!

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  13. J.J.Pereira's avatar
    J.J.Pereira permalink
    28 Abril, 2012 14:24

    Abstraia-mo-nos da península europeia, mais pròpriamente daquela Europa que se estende da antiga cortina-de-ferro até este jardim à beira-mar plantado ; tenhamos em mente a massa continental euro – asiática ; pensemos nas relações de força entre potências ( “realpolitik”) ; encaremos realìsticamente o meteórico apoucamento dos E”U”A – qual a importância de Hollandes, Sarkozies et tutti quanti no mundo que nos aguarda ( e a partir do próximo 7 de Maio as coisas deverâo tornar-se ainda mais claras para nós, europeus”…) ?
    Talvez devessemos revisitar a História deste continente a partir dos anos 70 do sec.XIX – e, para complicar ainda mais, nesses tempos o Império do Meio era um mero exotismo…

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  14. Joaquim Amado Lopes's avatar
    Joaquim Amado Lopes permalink
    28 Abril, 2012 15:44

    “Curiosamente, se este meu prognóstico/esperança se concretizar, essa eventual eleição de Hollande poderá vir a ajudar o Governo português! Passos Coelho poderá, no fundo e a prazo, ter margem de manobra para amenizar alguns pontos da política de austeridade. O nosso resgate financeiro poderá vir a ser encarado com um outro sentido, diferente daquele que, até agora, a lógica “Merkoziana” tem seguido e imposto.”
    .
    Ou seja, “amenizar” a “política de austeridade” que, mesmo como está, nos deixa mais endividados a cada dia que passa.
    .
    Para os socialistas (que vivem sempre bem com o dinheiro dos outros) isto não é um problema. Quanto maior fôr a dívida mais difícil será pagá-la ou sequer “geri-la” e mais inevitável se torna o default.
    Com o default, o peso da dívida fica aliviado, a “austeridade” deixa de ser necessária e continuamos alegremente a viver à custa do endividamento. Até ao default seguinte.

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  15. Eleutério Viegas's avatar
    Eleutério Viegas permalink
    28 Abril, 2012 15:59

    Pronto, vida fácil é o que o pessoal quer… Venha um franciú holandês gastadorzinho, para nós também podermos gastar. A Merkel governa a Alemanha. A Alemanha, cheia de problemas demográficos e de equilíbrio entre regiões cresce a mais de 2% e tem um desemprego de 6%… E, sendo uma República Federal, o Estado não tem a gula deste aqui…

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  16. teixeira's avatar
    teixeira permalink
    28 Abril, 2012 17:40

    O que Portugal precisa, a França não tem. (dinheiro à farta, para o pessoal gastar)

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  17. PMF's avatar
    28 Abril, 2012 19:08

    Curisas reacções (algumas) que ilustram o preconceito e a forma de (não) pensar, por clichés e reacções pavlonianas que muito frequentemente se encontram nas nossas opiniões: ou há austeridade absoluta ou há desregramento financeiro; ou se é liberal (mesmo libertário) e/ou mesmo a-institucionalista ou se é automaticamente keynesiano… e, logo, automaticamente, ou se é de direito e se acha que Hollande é mau e gastador, fazendo tábua rasa de uma política orçamental (pelos vistos e pelas ditas declarações, será precisamente – e para estas visões automáticas de criancinhas – paradoxalmente o contrário), ou se é de esquerda e não existe, sequer , política orçamental…

    Ah! e não se consegue ler um textozito um bocadinho maior.. falham sempre partes (“socialismo na gaveta”).

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  18. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    28 Abril, 2012 21:43

    “Curisas reacções (algumas) que ilustram o preconceito e a forma de (não) pensar, por clichés e reacções pavlonianas que muito frequentemente se encontram nas nossas opiniões: ”
    .
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    Então, caro PMF, explique-me o que vê nele, no francês, aquilo que irá ajudar Portugal. É que eu não vejo nada onde é que vai ajudar Portugal. Só Vc. o vê. Eu não o vejo. Há mesmo quem diga que o gajo até poderá ser um perigo para a Europa e para a própria França. Eu não vou por aí. Eu só gostava de saber o que ele trás de novo para a Europa. O que ele traz? Vai zangar-se com a Merkel, é. É isso de bom para a Europa e Portugal? Se for isso, olhe, vou ali e já venho.
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    Vou-lhe repetir o que eu penso. Vc. e parte da direita europeia, sempre colada e atrelada aos interesses anglo-saxónicos, odeiam a Merkel. Porquê? Porque ela está a fazer do euro, a melhor moeda do mundo. Mas os que se colam aos interesses ingleses acham que isso é mau.
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    .
    Mas eu vou-lhe dizer mais. Se o Hollande ganhar, pode contra com duas coisas. O potencial fim da Nato e a saída do UK da UE. E o fim da política externa francesa seguidora da dos USA e da Inglaterra. É que, por muito que custe a alguns, a Merkel, não é seguidista dos anglo-saxónicos e como se pode ver pela ausência da Alemanha na invasão da Libia. E se não fosse o Sarkozi, a Europa poderia revoltar-se contra os americanos. Mas com o Hollande, pode ter a certeza que a UE nunca faria um embargo ao Irão nem seguiria os USA/UK. E aí, a Merkel irá ter alguém do lado dela, contra a intromissão dos interesses americanos nas políticas europeias, sobretudo internas.
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    Alguns acham que o Sarkozi é pau-mandado da Merkel (se calhar queriam que fosse ao contrário, a Merkel andar a toque de caixa do Sarkozi) e que a França perdeu “política externa autónoma”. No entanto, tem sido a França que tem levado a Alemanha a aceitar os asneiras anglo-saxónicas mo Médio-Oriente e em África. Com um Hollande mais próximo de um Gaulismo, teremos uma Alemanha e uma França a dizer aos americanos e ingleses: quereis guerras? Fazei-as sozinhos! E iremos ter uma Europa novamente dividida como aconteceu com a invasão do Iraque.
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    Alguns, não entendo como, acham que a Alemanha vai alargar os cordões à bolsa para evitar as políticas de austeridade. Pois estão bem enganados, pois a Alemanha nunca cederá neste domínio e não está disposta a aceitar riscos alheios de más governações alheias. E até as ditas políticas de crescimento, que ela até já começa a falar, não passa de estender as políticas em Portugal, da Troika, ao resto da Europa. E aí, o Hollande e todos que queiram uma política de crescimento terão que se haver com os mercados.
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    .
    Mas se o PMF explicar como é que o Hollanda vai ajudar Portugal. Eu, tirando as políticas laxistas socialistas, posso-lhe dizer que aspiro por uma nova política externa diferente da do Sarkozi. Quero que a Europa comece a descolar do mundo anglo-saxónico. Ele não deverá ganhar, mas se ganhar, pelo menos nesse ponto, ficarei feliz. Poderá ser o “Grito de Ipiranga” Europeu contra a guerra económica, comercial e cambial que nos estão a mover.

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  19. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    28 Abril, 2012 21:52

    Sobre a eventual eleição do Hollande, acho bem que meditem nestas potenciais implicações para a Europa e para as relações internacionais.
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    “En matière globale, LEAP/E2020 tient à souligner deux tendances marquantes qui vont caractériser les deux premières années du nouveau pouvoir français :
    .
    . l’affirmation par la France d’une politique européo-gaullienne (ou mitterando-gaullienne), c’est-à-dire faisant de l’indépendance de la politique extérieure européenne une priorité stratégique
    .
    . l’exploration à vitesse accélérée des relations possibles avec les BRICS, notamment dans un contexte de futur partenariat Euro-BRICS. ”
    .
    in http://www.leap2020.eu/GEAB-N-64-est-disponible-Crise-systemique-globale-France-2012-2014-Le-grand-seisme-republicain-et-son-impact_a10062.html
    .
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    Não é que eu desaprove uma mudança estratégica em França e na Europa. Mas nesta altura do campeonato, ter divisões na Europa, seria problemático. Levaria à saída do RU da UE, numa má altura económica. Mas, se o Hollande for eleito, talvez alguns não fiquem tão satisfeitos como se pensa. Mas veremos 0 que dirão os franceses nas urnas.

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  20. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    28 Abril, 2012 22:18

    “Mas veremos 0 que dirão os franceses nas urnas.”anti-social
    .
    sim, vai ser bonito… vamos ver o que os franceses vão dizer disto:
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    “Le régime de Mouammar Kadhafi a bien décidé de financer la campagne présidentielle de Nicolas Sarkozy en 2007. Mediapart a retrouvé un document officiel libyen qui le prouve. Cette note issue des archives des services secrets a été rédigée il y a plus de cinq ans.”
    .
    traduc: “O regime de Mouammar Kadhafi sempre decidiu financiar a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2007. O média online Mediapart encontrou um documento oficial líbio que o prova. Esta nota dos arquivos serviços secretos foi redigida há mais de 5 anos.”

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  21. jose silva's avatar
    jose silva permalink
    28 Abril, 2012 22:40

    pois AC,

    Com Holande haverá uma separação das águas e uma acelaração dos acontecimentos. Na prática anglo-saxónicos a gastar a polvora toda e os euroasiaticos a assumirem-se. Teremos cenários impensáveis e de facto um crash anglo-saxónico pós olimpicos e pos eleições EUA 2012.

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  22. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    28 Abril, 2012 22:41

    Ui, E-Ko, Vc. vem para aqui fazer campanha eleitoral francesa? Bolas, os da direita andam com os andores americanos, os da esquerda, franceses. Santo nome Jesus.
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    Estimada E-ko, eu vou-lhe dizer o seguinte. Eu não sou colonizado mental nem me intrometo nas eleições onde não sou chamado. A votar. Tenho as minhas preferência em função dos interesses de Portugal e dos portugueses, mas nunca me virá a fazer campanha por quem quer seja, senão no meu meu amado país. Vivo no estrangeiro, voto, mas não ando em campanhas e até quase que ignoro o que se passa á minha volta. O meu país continua a ser o mesmo, enquanto o passaporte for aquele que eu ainda tenho. E só o trocarei se um dia o Norte for Independente.
    .
    .
    No caso em apreço, acho muito bem que mande essa noticia para a França. Se calhar eles não sabem e até Vc. fazia um favor aos gajos, em mostrar essa saborosa e interessante noticia. ehhehehhe

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  23. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    28 Abril, 2012 22:55

    “Com Holande haverá uma separação das águas e uma acelaração dos acontecimentos. Na prática anglo-saxónicos a gastar a polvora toda e os euroasiaticos a assumirem-se. Teremos cenários impensáveis e de facto um crash anglo-saxónico pós olimpicos e pos eleições EUA 2012.”
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    Olhe, caro José Silva, eu infelizmente até penso um bocado assim. Não que eu deseje, porque Portugal até estaria melhor com “bons ventos de fora”. Mas, é como Vc. diz, se calhar vai ser a separação de águas. Eu até lhe chamo o Grito de Ipiranga Europeu. 😉
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    Acho fantástico como em Portugal está tudo a leste do que realmente se está a passar pelo mundo fora e até pela Europa fora. Só se fala de algumas coisas, tipo austeridade, Merkel, eleições francesas, mas está tudo a ver navios. Esta malta ainda não se apercebu que o mundo mudou com a crise do subprime e com o colapso do Lehman. Palavra de honra, acho mesmo confrangedora aquilo que se publica sobre o resto do mundo. Uns a fazerem campanha pelo Hollande (jornalistas de esquerda, como no Público) e outros a fazerem campanhas por sei lá quem nos USA, em blogues de direita. Uma tristeza danada. Não há rasgo, não há uma centelha de lucidez nem tão pouco uma abordagem factual para depois se partir para tentar-se perceber o futuro que nos resta.
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    Eu ainda agora acabo de ler isto na imprensa iraniana e medito ainda mais na coisa.
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    “Russia warns EU Iran oil embargo will be costly
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    – Russia pressed its case against new sanctions over Iran’s nuclear program on Friday, saying an European Union ban on purchasing Iranian oil would end up hurting the bloc’s member countries.
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    “The European Union is rejecting purchases of Iranian oil, even though very many EU countries depend on this oil,” Foreign Minister Sergei Lavrov said in an interview on state-run Rossiya 24 television.
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    “One can say, of course, that the deficit will be covered, but (some) refineries are geared specifically to Iranian oil … and readjusting them will demand substantial investments that the EU can hardly afford now,” he said.”
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    in http://tehrantimes.com/component/content/article/97345
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    E mais dizem os gajos.
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    “”The unilateral sanctions to which our Western partners resort, bypassing the Security Council, only strengthen … those in Iran who are sure the West is not interested in resolving issues linked with non-proliferation of nuclear technologies, but is interested in regime change,” Lavrov said.”
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    É que ainda ninguém explicou aos portugueses, porquê que Portugal está a fazer um embargo ao Irão. Nem sequer aos restantes europeus. E ainda mais preocupante, é que a recente escalada nos preços do crude, estão a levar algumas economias para o marasmo ou potencial recessão. Como no caso alemão, que é mais flagrante.
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    Alguns ainda não perceberam que este seguidismo aos americanos e ingleses é de uma estupidez atroz. Mãozinha de quem? Do Sarkozi, que troca a austeridade pela influência da França nas questões externas europeias. Neste aspecto, se o correrem com o Sarkozi, aí vai-se acabar o mimetismo das políticas externas americanas, que servem apenas para lixar os europeia e provocar instabilidade internacional.
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    Esta noticia mostra que em Portugal, a nossa imprensa é mesmo fraquinha. Como é o Santo Obama a liderar este embargo estúpido e idiota (que só serve para lixar a Europa e os asiáticos) e como é este Nobel da Paz que está a tentar provocar uma guerra, a imprensa idiota tuga passa ao lado, de algo que está a afectar todo o mundo. Incluindo Portugal. No entanto, a cada dia que passa, os portugueses estão a ser enterrados com preços do crude muito acima do que pagam os americanos. E serve para fazerem mais concorrência “desleal” aos europeus.
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    Mas, nestas más notícias, nem tudo é mau. Pelo menos a Galp poderá espetar com a sua refinação nos mercados europeus, que nalguns, vai ser mesmo lixado conseguirem trocar o pitroil que vinha do Irão. A começar na Grécia e a acabar na Itália. Sobretudo em Itália. A Galp poderá aproveitar estes erros europeus para espetar com a sua refinação na Europa. Sempre se ganha alguma coisa, nesta crise completamente estúpida. Gulp!

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  24. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    28 Abril, 2012 22:59

    não se preocupe, anti-social, verifiquei que toda a imprensa online em França já está a divulgar esta notícia do Mediapart, mas já a enviei a alguns amigos franceses e não só, porque a imprensa escrita só sai na segunda-feira, para não perderem pitada… é que a campanha em França, foi um bocado chata… houve mais interesse nos países vizinhos (Bélgica, Suissa, Espanha e Itália). até agora, não havia provas, como no caso do financiamento da mesma campanha pela sócia maioritária da l’Oreal, que ainda segue em tribunal, por outras razões…

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  25. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    28 Abril, 2012 23:31

    Efectivamente, Hollande promete o equilibrio orçamental para 2017 (Sarkozy para 2016).
    Mas qual é o conteudo e a credibilidade desta promessa ?
    Nicolas Sarkozy, embora com atraso, começou um programa de rigor orçamental. Por exemplo : tem vindo a reduzir o numero de funcionarios (substituindo apenas uma em cada duas saidas para a reforma) ; aumentou a idade da reforma ; fez cortes nas despesas da administração central e reduziu as transferências para as regiões e municipalidades.
    François Hollande, pelo seu lado, diz que vai suspender estas e outras medidas de Sarkozy e promete mais meios para os serviços publicos e para a ajuda às empresas e às familias com o objectivo de relançar o crescimento da economia. Promete inclusivamente aumentar o numero de funcionarios publicos. Que eu saiba, é caso unico na Europa, inclusivé entre partidos e governos de esquerda.
    Qual é então a formula magica de Hollande, que lhe permitiria baixar o déficit sem reduzir despesas públicas ?
    Impostos sobre “as grandes fortunas” (“je n’aime pas les riches” !…), sobre “a finança” (“mon principal enemi” !…), sobre “as grandes empresas” !….
    E, sobretudo, apesar de tudo isto, o crescimento da economia !
    E como obter este crescimento ?
    No plano interno, com ajudas às empresas e às famílias. O que, independentemente da eficácia que possa vir ou não a ter, não vai certamente ajudar no curto prazo ao objectivo do equilibrio orçamental.
    No plano europeu, com um programa de investimentos financiado pela emissão de eurobonds e por uma politica do BCE monetariamente mais expansionista.
    Se isto não é a velha receita keynesiana declinada em todas as cores !!…
    Seja como for, não acredito que Hollande consiga equilibrar as contas públicas, mesmo aumentando impostos. As despesas publicas vão disparar e as receitas fiscais não vão ser suficientes para as acompanhar. A economia vai ressentir-se e não vai crescer o suficiente. A União Europeia não vai entender-se para por em prática um programa transnacional de investimentos e para forçar o BCE a enveredar por uma politica monetária mais expansionista.
    A situação da economia e das contas publicas francesas vai degradar-se e Hollande, como “socialista oportunista” que é, vai, tal como Miterrand nos anos 80, fazer marcha atrás, “meter o socialismo na gaveta”, e aplicar planos de austeridade, eventualmente ainda mais drásticos dos que viriam a ser aplicados por um governo de direita orientado por Sarkozy.
    Mas, entretanto, a presidencia de Hollande terá feito perder tempo e desperdiçar recursos e terá perturbado e atrasado um longo e trabalhado processo nacional e europeu de (1) ultrapassagem da crise de sobrendividamento dos Estados e das economias e de (2) reformas estruturais das economias, ambos indispensáveis à retoma da confiança dos agentes económicos e ao retorno de um crescimento sustentado !!

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  26. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    28 Abril, 2012 23:50

    ora aí está, esta já está a preparar-se para penitenciar-se, por tudo o que fez ao Hollande, depois de publicamente ter apoiado o Sarkozy e ter levado os governos europeus de tendência PPeuropeu a não receberem o candidato PS no início da campanha:
    .
    Angela Merkel annonce “un agenda croissance” au sein de l’UE

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  27. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    29 Abril, 2012 00:02

    no tal artigo em que a Mércolas anuncia “uma agenda crescimento” na UE, faz-se referência a uma declaração recente de Hollande: “não é a Alemanha que vai decidir pela Europa”.
    .
    M. Hollande avait déclaré récemment que “ce n’est pas l’Allemagne qui va décider pour l’ensemble de l’Europe”.

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  28. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    29 Abril, 2012 00:06

    e é aí que está o busilis da questão!… mas que os betinhos que querem estar nas boas graças da Mércolas e dos mercados não percebem!…

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  29. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    29 Abril, 2012 09:55

    e-ko : “os betinhos que querem estar nas boas graças da Mércolas e dos mercados”
    .
    Porque seria preferivel NÃO estar nas boas graças dos mercados (onde temos e, sobretudo, teremos de nos financiar mais cedo ou mais tarde) e do primeiro-ministro do maior pais da União Europeia (sendo que a UE é determinante na “troika” que nos financia actualmente e pode ter de o fazer de novo se não estivermos em condições de regressar aos mercados tão rapidamente como seria desejavel) ??!!….
    Hollande esta em campanha eleitoral. Mesmo que ganhe, como é infelizmente previsivel, vai depois ter de se ajustar e entender com os restantes parceiros europeus, a começar pelo maior e financeiramente mais solido de todos, a Alemanha.
    Aconteça o que acontecer, o interesse de Portugal é ir fazendo o seu “trabalho de casa” o melhor que for possivel e estar assim minimamente preparado para todoas as eventualidades.
    Com ou sem Hollande, com ou sem Merkel !!…

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  30. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 11:37

    “Hollande esta em campanha eleitoral. Mesmo que ganhe, como é infelizmente previsivel, vai depois ter de se ajustar e entender com os restantes parceiros europeus, a começar pelo maior e financeiramente mais solido de todos, a Alemanha.”
    .
    .
    Exactamente. Nesta altura da campanha eleitoral eles dizem todo o tipo de disparates para ganharem votos. O que o Hollande não irá conseguir é financiar algumas suas promessas. A mais notável delas todas, as reformas aos 60 anos. Com que dinheiro?
    .
    .
    Nas eleições francesas conta mais o que eles não dizem do que dizem. E os ditos “consensos”. E aqui é que a França terá que mudar. Na sua política externa. (Aliás, não apenas a França mas quase toda a Europa.) É que, não há na Europa capacidade para crescer economicamente com os preços do crude a baterem recordes (em euros) quase todos os meses. E afinal, os iranianos têm razão. Iremos pagar caro pelo embargo aos tipos e pela instabilidade no Médio Oriente, em especial no Estreito de Ormuz. E a economia europeia, sobretudo no core, já começou a patinar, porque os custos do crude impedem que a Europa consiga sair da crise. É um choque do lado da oferta, não da procura.
    .
    .
    Veja-se. Agora surgem notícias que poderá haver uma agenda do crescimento para a Europa. E qual é?
    .
    “”I can imagine that we could further strengthen the capabilities of the European Investment Bank (EIB),” Merkel told the Leipziger Volkszeitung newspaper.
    .
    Merkel also backed a more flexible use of European Union “structural funds'” earmarked for infrastructure, training and other areas, saying they could give a boost to small and medium-sized firms.
    .
    However, she said there could be no question of renegotiating a “fiscal compact” on budget discipline agreed by 25 of the EU’s 27 member states last December. The deal is “not open to new negotiations” Merkel said.”
    .
    in http://www.dw.de/dw/article/0,,15916338,00.html
    .
    .
    E ainda esta semana, um correlegionário da Merkel foi ainda mais longe. Disse que sem reformas económicas como na Alemanha, não há patacos. Pode-se usar os fundos estruturais, financiamentos do BEI para determinados projectos, mas sem disciplina financeira, nunca haverá crescimento. E que o Pacto Fiscal nunca será renegociado.
    .
    .
    Aqui começa a surgir uma mudança na política europeia da Merkel. Poderá ceder nalgumas coisas mas pede em troca aquilo que ela sempre pediu: um Pacto Fiscal. (E muito por questões internas.) O que mudará a política externa europeia, se o Sarkozi perder. E a Europa vai ter que decidir se vai continuar o embargo ao Irão e arriscar entrar numa recessão de longo prazo.
    .
    .
    “Aconteça o que acontecer, o interesse de Portugal é ir fazendo o seu “trabalho de casa” o melhor que for possivel e estar assim minimamente preparado para todoas as eventualidades.”
    .
    .
    Exactamente. Porque, daqui a uns meses, tudo pode acontecer. Mas o que será inegável é que enquanto não tivermos os desequilíbrios corrigidos não haverá crescimento económico. E nem sequer Portugal será capaz de enfrentar uma eventual recessão mundial, caso as economia americana crash e traga mais problemas ao resto do mundo. É que o crescimento económico americano foi anunciado esta semana mas levanta muitas dúvidas sobre a sua veracidade (hoje as estatísticas americanas são como as da URSS de há 30 anos atrás) e sobre a sua sustentabilidade, mesmo acreditando nos números. Um crescimento baseado no consumo, por sua vez sustentado em mais dívida e menos poupança e dependente da capacidade dos privados em conseguirem alimentar uma procura interna.
    .
    .
    Mas a Europa e Portugal têm de decidir, de uma vez por todas, se querem continuar a alimentar uma política externa americana completamente irresponsável. É que a Europa parece começar a ressentir-se bastante dos actuais preços do crude. E este sobe por causa de uma eventual guerra ao Irão, ainda por se saber, para quê. Se for para mudar o regime iraniano, vai-se virar o feitiço contra o feiticeiro. Desde o Afeganistão ao Iraque, passando até pelo Egipto e a Libia, todos estes países estão a virar as costas aos Ocidentais. E o próprio Irão a capitalizar politicamente este descontentamento contra os ocidentais. Esta semana o Egipto fez uma coisa que mostra que o novo regime não continuará a alinhar com o actual status quo. Cortou os fornecimentos de gás natural aos israelitas. E exigem mais dinheiro a estes, se querem o gás. Tudo indicando ser apenas uma manobra para mudar a sua política externa face ao seu vizinho.
    .
    .
    Com a eventual vitória do Hollande, a Europa não deverá continuar a alimentar um seguidismo e colaboracionismo com as más políticas americanas, com o prejuízo evidente da Europa, sem qualquer ganho. Tanto de curto como médio prazo.

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  31. e-ko's avatar
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    29 Abril, 2012 14:05

    Fernando S,
    .
    “E o ponto de vista dos “clandestinos”, não interessa ?!…” Claro que interessa, mas também interessa ao ponto de vista dos nacionais e imigrantes legalizados, que não podem encontrar trabalho, porque as empresas preferem pagar muito menos e de preferência sem pagar as cotizações sociais e com alguma margem de fuga ao fisco, e passam a engordar os nºs do desemprego de longa duração e depois de terminadas as prestações a que têm direito porque descontaram, só com subsídios tipo rsi é que podem subreviver… há nuances no conjunto dos nºs, mas não vou entrar em detalhes.
    .
    “Porque seria preferivel NÃO estar nas boas graças dos mercados (onde temos e, sobretudo, teremos de nos financiar mais cedo ou mais tarde) e do primeiro-ministro do maior pais da União Europeia (sendo que a UE é determinante na “troika” que nos financia actualmente e pode ter de o fazer de novo se não estivermos em condições de regressar aos mercados tão rapidamente como seria desejavel) ??!!…. “uma coisa é respeitar os acordos e os pactos, outra coisa é pretender querer fazer mais do que o estipulado, para, como o aluno engrachador, parecer melhor aluno que os outros… até agora, as prioridades políticas deste governo foi tirar a quem trabalha, para não tirar ou dar a quem vive à sombra do Estado ou andou a burlar meio mundo… convém saber, e isto é também para o anti-social, que os juros da dívida pública portuguesa têm baixado, não por maior credibilidade junto dos mercados, mas são os bancos portugueses que têm estado a comprar essa dívida nos prazos curtos, porque com as garantias da troica não representa qualquer risco, em vez de estarem a criar condições de financiamento à economia junto das empresas que têm margem para crescer ou exportar… uma coisa é a realidade e outra coisa as ficções em que muita gente se esforça em acreditar ou tenta fazer crer aos outros… até agora a ficção da austeridade sem, e já não digo crescimento, uma queda abissal das receitas públicas, não está a funcionar e a Dona Mércolas já está a pensar encontar soluções para evitar o marasmo económico da UE, com ou sem Hollande.

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  32. e-ko's avatar
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    29 Abril, 2012 14:09

    é: alunos engraxadores

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  33. jose silva's avatar
    jose silva permalink
    29 Abril, 2012 14:15

    pois AC,

    O Hollande vai ter que meter a viola no saco, aceitar a austeridade, seguir uma política Paris-Berlim-Moscovo e implementar a sua taxa Tobin para satisfazer a esquerda. O UK sai da UE e de facto as águas separam-se.

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  34. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 14:52

    “convém saber, e isto é também para o anti-social, que os juros da dívida pública portuguesa têm baixado, não por maior credibilidade junto dos mercados, mas são os bancos portugueses que têm estado a comprar essa dívida nos prazos curtos, porque com as garantias da troica não representa qualquer risco, em vez de estarem a criar condições de financiamento à economia junto das empresas que têm margem para crescer ou exportar… uma coisa é a realidade e outra coisa as ficções em que muita gente se esforça em acreditar ou tenta fazer crer aos outros… ”
    .
    .
    Como é que sabe que são os bancos portugueses? Vc. não sabe. Aliás, Vc. não pesca mesmo nada de assuntos económicos. Até pela imigração ilegal em França, Vc. limita-se a difundir propaganda do le Pen aqui. Vc. virou neo-nazi?
    .
    .
    Olhe, eu não preciso de viver em França para lhe dizer isto. Existe imigração ilegal porque grande parte da juventude francesa é calaceira e não uqer trabalhar onde outros de fora o fazem? Na construção civil, na lavoura, etc. Ou seja, em empregos onde se tem que vergar a mola a sério.
    .
    .
    Infelizmente a esquerda está a virar nazi e completamente chanfrada. E Vc. está a seguis os passos dos neo-nazis. Tenha vergonha na cara, para quem se diz emigrante. Ou Vc. pensa que não se sabe o porquê que há imigração ilegal em França? Só me faltava esta. Ver emigrantes portugueses a apenar ao neo-nazismo. Espero bem que um dia não se arrependa e não seja posta a andar a caminho de Portugal. E era bem feita e ia aprender uma grande lição. Bah! Só o que me faltava. Emigras neo-nazis. Gulp!

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  35. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    29 Abril, 2012 14:57

    em relação às ficções com que muitos se gargarizam para tentar convencerem-se a si próprios depois de tentarem convencer os outros, aqui vão duas realidades:
    .
    “Monsieur Sarkozy a surendetté la France d’un montant égal à deux fois la dette grecque en quatre ans.” para os exclusivos do bife, traduc: “O senhor Sarkozy fez crescer a dívida francesa num montante igual a duas vezes a dívida grega”
    .
    em relação à taxação dos ricos, Hollande não propõe 75% sobre todos os rendimentos, mas apenas 75% sobre rendimentos ou remunerações acima de um milhão… um pouco ou muito demagógico… não se trata de ódio pelos ricos, mas em situações em que está em causa o empobrecimento da maioria, porque não, fazer contribuir os que mais ganham e que não perdem uma unha de qualidade de vida com isso?

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  36. Joaquim Amado Lopes's avatar
    Joaquim Amado Lopes permalink
    29 Abril, 2012 15:05

    PMF,
    “Curisas reacções (algumas) que ilustram o preconceito e a forma de (não) pensar, por clichés e reacções pavlonianas que muito frequentemente se encontram nas nossas opiniões: ou há austeridade absoluta ou há desregramento financeiro;”
    Curiosa é a ideia de que a “austeridade” actual é “absoluta” e que só não é aliviada por “maldade” do Governo.
    O deficit público continua insustentável, mesmo com contabilidade criativa e receitas irrepetíveis, e a dívida pública continua a crescer todos os dias. As políticas que estão a ser implementadas pelo Governo pecam por duas coisas: por não serem consistentes e por serem manifestamente insuficientes.
    .
    Quanto a “não pensar”, o PMF devia estar a ver-se ao espelho quando o escreveu.

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  37. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    29 Abril, 2012 15:23

    No tempo da decência, nos muito liberais EUA, os impostos chegavam a ultrapassar esse valor. Havia uma classe média com algum poder de compra e tudo indicava que seria um país florescente. Entretanto, começaram a chegar à presidência atores de cinema da série B (ou Z), mentirosos compulsivos e salteadores de sedes que disseram que se os ricos não pagassem impostos todos viveriam num.
    Os europeus, mais cultos (mas pouco mais) não foram logo engrolados. Como resolver o assunto? Envenenar a sociedade com produtos que faziam de contas que a riqueza aumentava para todos, provocar uma crise e tentar convencer as pessoas de que foram os que defendem melhor redistribuição da riqueza os culpados. Este embuste talvez tivesse fracassado se não tivesse sido infiltrados Blairs, Sócrates e outras indigências políticas, queagiram como Judas dentro das social-democracias. Daí o esforço que fazem os ultraliberais para tentarem convencer que essa gente era de esquerda.
    E vão dizer até à exaustão que nos EUA se viveu melhor quando os gestores das empresas passaram a estabelecer os seus rendimentos, isto é, a ficarem com o bife inteiro, entregando os ossos aos que trabalhavam. E há muitos idiotas que acreditam nisto. A política transformou-se num monumental embuste. Os políticos ultraliberais vão gerir o Estado e começam logo por dizer que não são capazes, que o Estado assim é ingovernável, etc. Não cumprem o seu dever, entregam a riqueza nas mãos mais compridas, mas saem com um sorriso de dever cumprido. E bem cumprido! O povo é que fica f*****, que é para rimar!

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  38. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    29 Abril, 2012 15:25

    anti-social, deixe-se de insultos e ataques pessoais, vou limitar-me a dar-lhe os dados que são divulgados sobre a compra da dívida nacional e vai ver quem é que não sabe do que fala:
    .
    “Os dados do BdP mostram que, mesmo depois do seu tímido regresso em Fevereiro, os investidores estrangeiros têm um peso de apenas 6% no stock de dívida de curto prazo. Em Dezembro de 2007, primeiro mês para o qual a instituição tem dados disponíveis (e antes da crise financeira e da dívida), esse peso era de 86%.”
    .
    quanto à questão da imigração ilegal, o que me faltava era agora ser insultada por um emigrante que defende a imigração ilegal para enriquecimento de empresas, que na primeira ocasião nem hesitarão em fazer desaparecer os corpos dos ilegais sem direitos que têm a infelicidade de ter um acidente de trabalho…

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  39. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    29 Abril, 2012 15:26

    “todos viveriam num paraíso”.

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  40. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 15:38

    Vou deixar este link para a E-Ko, que acaba de aderir ao neo-nazismo do Le Pen.
    .
    .

    Click to access DoctravailCAS-DSED2012.pdf

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    .
    Agora ela que veja onde trabalha a maioria dos imigrantes franceses e, já agora, a maioria dos portugueses. E veja como são doscriminados os imigrantes em França, a começar pelos portugueses. E veja como a percentagem de estrangeiros em França é menor do que alvitram os neo-nazis.
    .
    .
    Agora temos a esquerda francesa a aderir ao neo-nazismo do Le Pen. Enfim. Quando as causas são um mercado de trabalho extremamente regulado, fiscalmente um terror (basta ver a porcaria de impostos que incide sobre o trabalho em França! Parece um processo de Kafka, tal a míriade de impostos e disposições legais em França) e xenófobo.
    .
    .
    A maioria dos jovens franceses, segundo alguns documentos de algumas consultoras internacionais, deseja salários elevados logo de inicio nos seus contratos (os salários do Estado e das Grande Enpresas são a referência desta juventude), empregos “atractivos” mas com pouco esforço, poucas horas de trabalho semanais e, claro, “segurança”.
    .
    .
    Se há imigração ilegal em França é porque, muitas empresas francesas precisam de trabalhadores, a maioria das ditas profissões braçais (operários da construção civil, fábricas, lavoura, serviços ao domicilio, etc.), e não encontram. Ou putos sem formação profissional adequada (estudam para serem “actores” mas querem bons empregos e bem pagos, acima dos 1300 euros mensais) mas que se recusam a vergar a mola. E são sobretudo tugas, argelinos e marroquinos, os que estão dispostos a trabalhar no duro, por salários não tão altos.
    .
    .
    Ver aqui a E-Ko a aderir ao neo-nazismo dos Le Pen é uma vergonha. Enfim. Emigras tugas que conhecem até mal a emigração tuga em França.

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  41. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 15:41

    “anti-social, deixe-se de insultos e ataques pessoais, vou limitar-me a dar-lhe os dados que são divulgados sobre a compra da dívida nacional e vai ver quem é que não sabe do que fala:”
    .
    .
    Ó Minha senhora, se aumentou a posse de títulos por estrangeiros e sabendo-se que eram sobretudos os bancos portugueses que os acumulavam, quer dizer que são sobretudo instituições estrangeiras a entrarem nos títulos tugas, tanto no mercado primário como secundário. Pois o stock da dívida não cresce á mesma velocidade que oa posse de títulos por estrangeiros.
    .
    .
    Quando não se sabe fazer contas, baixa-se a bolinha, está bem E-ko? 😉

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  42. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    29 Abril, 2012 15:51

    anti-social,
    .
    primeiro aprenda a ler e depois divulgue as suas intrepretações das leituras que faz. não tenho tempo para andar aqui a aturá-lo…

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  43. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 15:58

    “primeiro aprenda a ler e depois divulgue as suas intrepretações das leituras que faz. não tenho tempo para andar aqui a aturá-lo…”
    .
    .
    Exacto. Vc. aderiu ao neo-nazismo.
    .
    .
    Ponha qui um documento, que mostre a quantidade de trabalhadores ilegais em França. Um pequeno número, não muito diferente do que se passa no resto do mundo. Seja mesmo em Portugal ou até mesmo na Suécia.
    .
    .
    Mas os neo-nazis em França contagiaram a Esquerda, cada vez mais xenófoba sem o confessar. E acusam as empresas de serem exploradoras, quando na verdade, é o sistema francês que está desactualizado, para uma economia moderna. Com regulações malucas e impostos kafkianos sobre o trabalho.
    .
    .
    E ver a E-ko a subscrever a nova moda neo-nazi em França é mesmo vergonhoso. Oxalá um dia não se venha a arrependar. É só o que eu lhe desejo.

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  44. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 16:01

    Só para se ter uma ideia da maluquice francesa:
    .
    .

    .
    .
    Isto é um recibo salarial em França. Nunca vi em país nenhum algo semelhante. Completamente irracional, cheio de impostos e taxazinhas, etc.
    .
    .
    Ah! Mas a culpa é do capitalismo que explora a imigração ilegal. Racistas do caraças! Gulp!

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  45. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    29 Abril, 2012 16:04

    já que não sabe ler ou que não leu o artigo que aí linkei em cima, leia este excerto:
    .
    “A inversão da origem dos investidores é total (ver gráfico), deixando neste momento os credores residentes responsáveis por praticamente todo o financiamento nacional de curto prazo (94%). Em Fevereiro, os investidores nacionais – que são, sobretudo, os bancos portugueses – reforçaram a exposição à dívida em 1,4 mil milhões, o que mostra que continuam a ser eles a financiar o grosso das necessidades do Estado.
    .
    quanto ao de presumir que eu possa ser neo-nazi, nem lhe respondo, de tão absurdo!…
    .
    no fundo, você não passa dum cretino!…

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  46. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 16:15

    Ó Minha, senhora, grande parte dessa subscrição de dívida são rollvers para manter as linhas do BCE abertas.
    .
    .
    Mas olhe aqui:
    .
    “De acordo com os dados do boletim estatístico do Banco de Portugal (BdP), divulgados na segunda-feira, em Fevereiro havia 907 milhões de euros em dívida de curto prazo (até um ano) nas mãos de investidores não residentes, um aumento de 93 milhões face ao mês anterior. É a primeira vez, desde Dezembro de 2009, que os credores não residentes aumentam a sua exposição à dívida de curto prazo nacional. ”
    .
    .
    Está a ver os estrangeiros a entrarem na dívida nacional? É que eles fugiram e vão ter que entrar oura vez. Os tugas que fazem o roll over acabarão por espetar com dívida nos que fugiram da dívida tuga, até porque Portugal deixou de pertencer aos índices de referência.
    .
    .
    Aprenda que eu não duro sempre. 😉

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  47. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 16:17

    Agora, Vc. é que dia meter aqui os números com a quantidade de ilegais em França. Para vermos quantos são e se são assim muitos. Racistas encapotados é que não os deixo passar em claro. 😉 Tome e embrulhe. eheheheheh

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  48. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 16:36

    Os neo-nazis andam assanhados com a imigração ilegal em França. A esquerda frances aderiu a esta moda recentemente, atribuindo as culpas ao capitalismo que se aproveita destes ilegais. Nada de especial. A mesma lenga-lenga que os gajos da FN utilizam contra os estranegiros.
    .
    .
    Mas quantos imigrantes ilegais há em França? Ninguém sabe ao certo, mas aqui há uns anos, estimaram-nos entre 200 mil e 400 mil. Nem chegam sequer a 0,5% da população a viver em França. É um número mesmo pequeno, comparável ao resto do mundo. No entanto, é fácil criar um estigma sobre o estrangeiro que vive em França, seja ou não legal. E a generalidade deles o são. Até porque é mais díficil contratar imigrantes ilegais em França que noutros países europeus. Como na Alemanha, por exemplo.
    .
    .
    E o que me custa é haver emigras tugas que aderiram a este racismo (eu sei, seu sei, “eles” são islámicos e norte-africanos) quando, durante anos, os portugueses foram dos que mais trabalharam em França ilegalmente. O que é curioso.
    .
    .
    Há três anos atrás, o governo francês fez um lei para regularizar os ilegais. Quantos se regularizaram? Cerca de 20 mil. Mas estes racistas, como acham que quase todos os que trabalham em França são ilegais e explorados pelo “capitalismo selvagem”, continuam a alimentar o mito que o desemprego m França, sobretudo o jovem, é culpa dos estrangeiros, que lhes roubam os empregos, não pagam impostos e vivem no submundo do crime. E ver tugas a aderirem a esta fantochada dos Le Pen, até me dá vómitos.
    .
    .
    A imigração ilegal em França é pequena e quase residual. O problema é económico e tudo a ver com um excesso de regulações e impostos sobre o trabalho. E, claro, a calaceirice de muitos jovens que acham que vergar a mola é para os estrangeiros. Nada de especial.
    .
    .
    Ver a esquerda francesa (e com ela muitos tugas) a aderir a este racismo encapotado e um fantasma sem aderência aos factos, é uma vergonha.

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  49. ccz's avatar
    29 Abril, 2012 17:04

    Caro anti-comuna,

    eheh esse recibo deve ser brincadeira de algum cómico

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  50. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    29 Abril, 2012 17:36

    Caro anti-comuna,

    Estamos de acordo quanto a muita coisa, creio que quanto ao essencial.

    Quanto ao preço do crude, também reconheço que a Europa se ressente bastante do nível elevado que este tem vindo a registar.
    Mas, dito isto, não me parece que este aspecto seja determinante nem me parece que a Europa esteja em condições de agir diferentemente no sentido de contrariar o aumento destes preços.
    O preço do crude é práticamente um dado externo para as economias europeias. Uma economia dinâmica e eficiente tem de se ajustar à evolução das variáveis externas. Penso que, abstraindo da crise, a Europa até tem vindo progressivamente a ajustar a respectiva economia a um preço do crude mais elevado. E deve continuar a fazê-lo.
    Também não me parece que o aumento do preço do crude se deva principalmente à política ocidental de embargo contra o Irão. Haverá naturalmente alguma influência conjuntural, que pode explicar certos picos. Mas o aumento é fundamentalmente estrutural, tem a vêr com as condições de oferta e procura a prazo, é anterior à problemática iraniana actual e é independente de vicissitudes conjunturais.
    Não quero com isto dizer que a politica externa da Europa relativamente ao Irão e a outros paises da região não tenha a sua importância. Tem sempre e convém sempre reflectir sobre ela. Mesmo para além da problemática específica do preço do petróleo. De um modo geral, em termos das questões de segurança económica e militar do Ocidente.
    Mas aqui eu afasto-me mais uma vez do que diz o meu amigo. Não penso que esta política seja errada e negativa para os interêsses económicos ocidentais, muito menos “irresponsável”. Não é fácil, há certamente erros e contradições, recuos e falhanços. Mas é indispensável manter uma presença e uma oposição a regimes que na prática ameaçam a estabilidade e a segurança na região e no mundo. As razões específicas são múltiplas, vão da defesa dos interêsses económicos dos paises ocidentais aos direitos humanos básicos das populações (incluindo a israelita). Mas não vou desenvolver aqui e agora. O que me parece certo é que o pior, de multiplos pontos de vista, seria os paises ocidentais abandonarem a região e deixarem as forças mais fundamentalistas e agressivas impôrem-se por todo o lado. De resto, nesta eventualidade, que julgo ninguém desejar, a situação dos mercados petrolíferos seria bem mais crítica e o preço do crude bem mais alto.
    Também não me parece que a Europa seja seguidista relativamente à política externa americana. A Europa tem a sua própria agenda, que de resto não é sempre clara na medida em que existem diferenças importantes entre os próprios paises europeus, a UE e as principais potências europeias nem sempre estiveram e estão em consonância com os EUA, em várias situações até foi a Europa quem tomou e toma iniciativas que são depois secundadas pelos EUA (felizmente, porque apenas estes têm certos meios, a começar pelos logísticos e militares, que faltam à Europa – por exemplo, nos casos das crises do Kosovo e da Líbia).
    Pela parte que me toca, até acho que, em certos casos, a Europa, e em particular alguns dos paises europeus, nem sempre foram e são aliados fieis e seguros dos EUA, não poucas vezes deixados sózinhos, ou quase, “à frente do touro”, mesmo quando os interêsses estratégicos da Europa estão também em jogo. Mas esta é uma longa conversa !…

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  51. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 18:30

    Caro CCZ, até parece mentira. Mas é mesmo inacreditável a legislação frances. É mesmo daquelas coisas tipo Asterix e o o mundo da Burocracia gaulesa. eheheheh
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    http://tinyurl.com/79srhew
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    Mas eles acham bem assim. ehehehheh

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  52. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 18:43

    Caro Fernando, eu não estou de acordo consigo quanto a estas quetsões do Médio Oriente e Norte de África. A estratégia americana é mesmo essa: exportar a crise. Aqui incluindo inflacionar o resto do mundo. Desestabilizar os principais fornecedores de crude europeus faz também parte desta estratégia.
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    Só penso que isto não é bem assim:
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    ” Mas é indispensável manter uma presença e uma oposição a regimes que na prática ameaçam a estabilidade e a segurança na região e no mundo. ”
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    E conhece algum país, hoje em dia, que mais ameace a paz e a estabilidade no mundo que os próprios USA? Dou-lhe o exemplo da Libia. Em què que o Kadafi ameaçava a estabilidade da região? E o regime de agora nao está nas mãos de milicias e de grupos tidos como da Al Qaeda? Que agora estão a impôr violações aos direitos humanos ainda piores que os praticados pelo anterior tolinho?
    .
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    Eu quanto a isto, tenho algumas dúvidas:
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    “O preço do crude é práticamente um dado externo para as economias europeias. Uma economia dinâmica e eficiente tem de se ajustar à evolução das variáveis externas. Penso que, abstraindo da crise, a Europa até tem vindo progressivamente a ajustar a respectiva economia a um preço do crude mais elevado. E deve continuar a fazê-lo.”
    .
    .
    Eu acredito neste postulado se o choque for do lado da procura. Sendo-o do lado da oferta, penso que a coisa é mesmo má. Mas mesmo do lado da procura, há mesmo investigadores que têm alguns estudos que encontram algumas causas causas para as recessões ligadas ao preço da energia, em especial do crude. (Ver http://weber.ucsd.edu/~jhamilto/ )
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    Para concluir, temo que isto é mesmo o que está a acontecer, devido à arrogância americana:
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    ” O que me parece certo é que o pior, de multiplos pontos de vista, seria os paises ocidentais abandonarem a região e deixarem as forças mais fundamentalistas e agressivas impôrem-se por todo o lado.”
    .
    .
    Infelizmente, a arrogância americana e as suas más intervenções está a levar que o Ocidente esteja a perder a influência que já teve. Porque, isto de pregar os Direitos Humanos e aDemocracia e depois haver comportamentos bizarros… Lembro-lhe que foram os americanos e os ingleses que derrubaram uma democracia no Irão para imporem uma ditadura pró-ocidental ou foram os ingleses e os franceses que fizeram do Nasser um heroi no Egipto. Hoje, uma a um, onde os americanos (e nós ocidentais, claro) intervieram, estão todos anti-americanos. Desde o Iraque ao próprio Afeganistão. E, países que antes eram aliados dos ocidentais e dos americanos, como a Turquia, estão agora a colar-se ao Irão. E tome-se nota do caso turco, porque é mesmo uma mudança substancial e um sinal importante daquilo que nos estamos a tornar: meros opressores dos islámicos. Gulp!

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  53. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    29 Abril, 2012 19:11

    Já agora, eu estou para ver como se vai investigar este video:
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    Se isto for investigado e confirmado…

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  54. rr's avatar
    29 Abril, 2012 20:50

    ó anti-comuna, tenho andado atento ás tuas posições acerca do médio oriente.Diz-me uma coisa: não te incomoda que a tua posição coincida com a da extrema-esquerda no que diz respeito a essa matéria.É que tanto quanto sei quem se tem oposto ao chamado dominio americano tem sido os partidos comunistas e a esquerda.

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  55. rr's avatar
    29 Abril, 2012 20:52

    eu até estou relativamente de aordo, mas dentro do campo da direita estás certamente sozinho.Se fosses dizer isso no blog o insurgente acho que eles eram capazes de te dar um pontapé no cu lol

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  56. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    29 Abril, 2012 22:19

    anti-comuna : “E conhece algum país, hoje em dia, que mais ameace a paz e a estabilidade no mundo que os próprios USA?”
    .
    A este respeito, que é efectivamente muito relevante, temos efectivamente posições perfeitamente antagonicas !!… Sinceramente, não me tinha apercebido disto … mas esta sua frase aqui em cima é agora muito esclarecedora. Como sugere o rr aqui em cima, é uma posição que se aproxima muito mais dos discursos de uma esquerda comunista e extrema do que das posições de uma direita moderada e liberal, onde eu tendia a situar o anti-comuna. Mas tudo bem !
    .
    .
    anti-comuna : “Dou-lhe o exemplo da Libia. Em què que o Kadafi ameaçava a estabilidade da região? E o regime de agora nao está nas mãos de milicias e de grupos tidos como da Al Qaeda? Que agora estão a impôr violações aos direitos humanos ainda piores que os praticados pelo anterior tolinho?”
    .
    Pode-se efectivamente discutir se a situação actual da Libia é ou não pior do que o regime de Kadafi.
    Penso que é ainda cedo para tirar conclusões. Há um processo em curso. Existe certamente a possibilidade de uma evolução para um regime islamico de cariz fundamentalista. Mas não se pode também excluir a possibilidade de a Libia, como outros paises arabes-muçulmanos, poder vir a ter uma sociedade, que embora oficialmente menos “laica”, seja menos autocratica e mais aberta do que era a do tempo de Kadafi. Não me parece que se possa dizer que a Libia “está nas mãos de milicias e de grupos tidos como da Al Qaeda.” Efectivamente, houve e há violações dos direitos humanos. Mas não vejo em que é que estas são piores das do tempo de Kadafi. Com Kadafi foram mais de 4 décadas de impiedosa repressão de qualquer forma de oposição. Mas um dos principais ganhos da queda de Kadafi foi o fim de um regime que exerceu uma acção desestabilizadora em diferentes partes do mundo e em variadas ocasiões. Não nos esqueçamos que a Libia de Kadafi foi inclusivamente um pais que apoiou e praticou um terrorismo de Estado a nivel internacional. O mundo ficou certamente menos mal com o fim deste regime. Claro que os problemas e as ameaças não desapareceram e os paises ocidentais devem continuar a exercer a sua influencia para que a situação na Libia evolua no sentido de uma sociedade o mais pacificada e aberta possivel.
    Dito isto, e relativamente ao papel dos EUA, por sinal a intervenção militar na Libia até nem foi uma iniciativa americana mas sim europeia, em particular da França e do Reino Unido. Foram de resto estes paises que forneceram o essencial dos meios aéreos que atacaram as forças de Kadafi. Os EUA, como fieis aliados na Nato, limitaram-se a por a sua força logistica e naval no mediterraneo ao serviço de uma operação militar com um comando essencialmente franco-britanico.

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  57. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    29 Abril, 2012 22:36

    anti-comuna : “Infelizmente, a arrogância americana e as suas más intervenções está a levar que o Ocidente esteja a perder a influência que já teve.”
    .
    Não me parece. Nem me parece que o Ocidente tivesse uma influencia maior antes, por exemplo, do 11 de Setembro de 2001. Os paises ocidentais em geral e os EUA em particular sempre tiveram problemas e dificuldades na região.
    Apesar de tudo, a força do fundamentalismo islamico, e ameaça do terrorismo, a acção desestabilizadora de paises “bandidos”, não é hoje maior do que era há anos, antes pelo contrario.
    No essencial, apesar das inumeras dificuldades e de alguns revezes, a politica e as intervenções na região dos EUA e dos paises ocidentais teem permitido alcançar o objectivo global de controlo e contenção destas ameaças e riscos.

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  58. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    30 Abril, 2012 00:33

    ” Como sugere o rr aqui em cima, é uma posição que se aproxima muito mais dos discursos de uma esquerda comunista e extrema do que das posições de uma direita moderada e liberal, onde eu tendia a situar o anti-comuna.”
    .
    .
    Bem, mas eu sei reconhecer os erros em qualquer parte do mundo. Os comunas só nos americanos. Já fecham os olhos ao que se passa em Cuba, etc. Um Liberal está sempre contra as violações aos Direitos Humanos, contra as prepotências dos mais fortes e contra os fomentadores de guerras absurdas.
    .
    .
    Infelizmente, antigamente tínhamos os que achavam que o sol que alumia o mundo, era Moscovo. Outros, Washington. Mas eu gostava que Vc. meditasse nisto. E se a CIA esteve por detrás da morte do Sá Carneiro? O que diria? Teoria da conspiração?
    .
    .
    ” Mas não se pode também excluir a possibilidade de a Libia, como outros paises arabes-muçulmanos, poder vir a ter uma sociedade, que embora oficialmente menos “laica”, seja menos autocratica e mais aberta do que era a do tempo de Kadafi. ”
    .
    .
    Infelizmente não vai ser assim. Até a AI já anda a pregar… No deserto:
    .
    http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/libya/9084999/Libya-Militias-out-of-control-says-Amnesty-International.html
    .
    .
    “Dito isto, e relativamente ao papel dos EUA, por sinal a intervenção militar na Libia até nem foi uma iniciativa americana mas sim europeia, em particular da França e do Reino Unido.”
    .
    Olhe que eu não tenho assim tanto a certeza. Deixe passar mais uns meses. Depois até vai pensar que é mentira, como era possível, ver ocidentais e americanos a incentivar determinadas coisas. Não se esqueça. Foram os americanos que criaram os “guerreiros sagrados islámicos”, não foram? Pois foram.
    .
    “t. Part of what we are fighting against right now, the United States created. We created the Mujahidin force against the Soviet Union. We trained them, we equipped them, we funded them, including somebody name Usama bin Ladin.”
    .
    Secretary Hillary Clinton: http://www.state.gov/secretary/rm/2010/11/150868.htm
    .
    Parece-lhe que é mesmo mentira? Então, olhe: http://www.japanfocus.org/-Peter_Dale-Scott/3504
    .
    .
    É inegável que durante a Guerra Fria, os americanos sempre financiaram guerrilhas, mujahideens, etc. Mas com o fim da Guerra Fria, o que mudou na politica externa americana? Inventaram novos inimigos, aproveitando-se do 11 de Setembro. E desde aí, estendem os seus erros pelo mundo, alimentando ódios contra o Islão e contra os muçulmanos e contra os regimes que não se rebaixam perante o Império.
    .
    .
    ” Nem me parece que o Ocidente tivesse uma influencia maior antes, por exemplo, do 11 de Setembro de 2001. Os paises ocidentais em geral e os EUA em particular sempre tiveram problemas e dificuldades na região.”
    .
    .
    Acha mesmo? Atente ao caso da Turquia. Membro da… NATO! E veja como eles se afastam dos americanos, em especial neste caso contra o Irão. De resto, os americanos estão a perder os aliados, um a um. Desde o Paquistão até ao próprio Egipto. Porquê? Guerras desnecessárias e baseadas em mentiras.
    .
    .
    Infelizmente, caro Fernando, os Europeus ainda não repararam que temos em Washignton um regime pernicioso, que com o fim da URSS, em vez de ter ganho juízo, ainda ficaram piores. E aproveitaram-se do 11 de Setembro para estender o seu poderio imperial para além do razoável, usando até as mentiras mais descaradas para invadir países.
    .
    .
    Enfim. Com amigos destes… E a Europa tem que ajudar a pôr um travão nisto. Sob pena, de um dia, sermos tidos no mundo como eram os russo antes da queda do comunismo. Gulp!

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  59. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Abril, 2012 09:36

    anti-comuna : “Um Liberal está sempre contra as violações aos Direitos Humanos, contra as prepotências dos mais fortes e contra os fomentadores de guerras absurdas.”
    .
    Pois é … mas, ao contrario do meu caro amigo, a esmagadora maioria dos liberais não é anti-americana, antes pelo contrario !…
    .
    .
    anti-comuna : “E se a CIA esteve por detrás da morte do Sá Carneiro? O que diria? Teoria da conspiração?”
    .
    Se fosse provado seria naturalmente algo de grave e condenavel. Mas, mesmo que assim fosse, não chegaria so por si para classificar o conjunto da politica externa americana da altura, muito menos a mais recente.
    De qualquer modo, não basta avançar uma tese para que seja verdadeira ou mesmo para que seja uma hipotese séria. Seria algo de completamente absurdo, incompreensivel do proprio ponto de vista dos interesses estratégicos americanos, uma ideia de um tresloucado fora de controlo, no minimo um erro crasso. Trata-se de um cenario perfeitamente absurdo. Sim, diria efectivamente que é a “teoria da conspiração” a funcionar. Que, de resto, o meu amigo utiliza descomplexadamente noutras considerações do seu comentario anterior. O que, mais uma vez, me surpreende, porque até aprecio e concordo com muitas (não todas) das suas considerações sobre questões economicas, em particular relativas à realidade portuguesa.

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  60. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    30 Abril, 2012 12:35

    “De qualquer modo, não basta avançar uma tese para que seja verdadeira ou mesmo para que seja uma hipotese séria. Seria algo de completamente absurdo, incompreensivel do proprio ponto de vista dos interesses estratégicos americanos, uma ideia de um tresloucado fora de controlo, no minimo um erro crasso. ”
    .
    .
    É, não é? É tão impensável que não pensamos nem investigamos. Quer dizer. Até já tivemos CI que apontavam para atentado, mas continuamos a negar só porque… Quem o cometeu ou poderá ter cometido é nosso “amigo”.
    .
    .
    Sabe o que aconteceu quando disputamos o “mapa cor de rosa” com os ingleses? E sabe o que aconteceu a seguir? E continuam a ser nossos “aliados”. Continuam?

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  61. anti-comuna's avatar
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    30 Abril, 2012 12:42

    Caro Fernando, a coisa mais difícil para o ser humano é pensar de forma alternativa ao que fomos ensinados a pensar e que durante anos acreditamos. É difícil e normalmente não somos humildes em mudar de opinião quando os factos nos contradizem. É mesmo muito difícil.
    .
    .
    É como quando temos uma visão/aposta/investimento sobre um dado activo, que até estamos envolvidos emocionalmente com esse investimento mas continuamos a negar as evidências mesmo quando nos causa dor. Tipo, termos um investimento que nos dá perdas mas continuamos teimosos a negar os factos e passamos a racionalizar aquilo que contraria tudo aquilo que nos levou a investir num dado activo.
    .
    .
    O cérebro humano tem muitas armadilhas e ratoeiras. Em todos os sentidos. Todos.

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  62. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Abril, 2012 13:30

    Caro anti-comuna,
    Eu até considero que o meu amigo é alguém de simpatico e inteligente.
    Mas o que é que lhe deu agora para sair com este discurso paternalista sobre “as armadilhas e ratoeiras do cérebro humano”, a necessidade de ser “humilde em mudar de opinião” e de “pensar de forma alternativa ao que fomos ensinados a pensar e que durante anos acreditamos”, etc, etc ?!…
    O seu cérebro não é “humano”, não “tem armadilhas e ratoeiras” ?!…
    O meu amigo foi “humilde” ao ponto de “mudar de opinião” depois de ter lido os meus comentarios ?!..
    E porque carga de agua é que o correcto seria necessariamente “pensar de forma alternativa ao que fomos ensinados a pensar e que durante anos acreditamos” ?!… (de resto, o meu amigo nem sequer sabe o que é que eu fui “ensinado a pensar” e no que é que “acreditei durante anos” … como eu não sei nada do seu percurso, naturalmente !…)
    E a que “factos [que] nos contradizem” se esta a referir ?!… O meu amigo tem sobretudo feito considerações sobre hipoteses não provadas nem demonstradas, as quais, no melhor dos casos para si, suscitam pelo menos muitas duvidas e são altamente discutiveis !….
    Sinceramente, gosto mais quando o meu amigo avança efectivamente com fatos objectivos e argumentos que não são de autoridade … mesmo quando não concordo com o que diz (e por vezes até concordo) !

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  63. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    30 Abril, 2012 13:53

    “Mas o que é que lhe deu agora para sair com este discurso paternalista sobre “as armadilhas e ratoeiras do cérebro humano”, a necessidade de ser “humilde em mudar de opinião” e de “pensar de forma alternativa ao que fomos ensinados a pensar e que durante anos acreditamos”, etc, etc ?!…”
    .
    .
    Não estou a ser paternalista consigo. Estou-lhe a dizer como o nosso cérebro funciona. E que todos nós, todos, inlcluindo eu e Vc. confiamos demasiado na nossa visão do mundo e acontecimentos, mesmo quando os factos podem estar a contrariar as nossas teses.
    .
    .
    Repare neste tema. E se a CIA preparou um atentado contra o Sá Carneiro? E se? Está a ver a coisa?
    .
    .
    Agora imagine que alguém tem uma visão do mundo, como eu a tenho, e sou levado a pensar, e se a CIA esteve por detrás do atentado? Está a ver a coisa? Eu começo a pensar e digo. Mas isto é impensável. Mas eu já alguma vez pensei nisso? Não. Porque nunca julguei tal ser possível.
    .
    .
    Mas depois eu começo a pensar. E se? E o que aconteceu ao longo da História do séc. XX? E se o que nós aprendemos e fomos ensinados não foi assim? E assado? E tal?
    .
    .
    É como olhar para os tais Cisnes Negros, do Taleb. E se? E se o impensável acontecer? E se a extremidade for mais frequente do que os nosso cálculos? E se 3 sigmas é apenas uma berração matemática da nossa mente? Está a ver o problema?
    .
    .
    Agora ponha-se a meditar. E se a CIA está por detrás do atentado? Pense só naquilo que vamos racionalizar para negar essa possibilidade. Podemos dizer. Bem, os americanos nunca mataram ninguém importante pertencente à Nato. Será? Será mesmo?
    .
    .
    E se o Bin laden era um “asset” dos americanos? E se o Noriega era um “asset” dos americanos? E se em Portugal havia também desses “assets”? Quem seriam? O que fariam? Como o fariam? Que comportamento teriam se lhes fosse dadas determinadas indicações? E se?
    .
    .
    Está a ver? Qual a sua reacção? Bom, mas o amigo é anti-americano então? Porquê? Porque não descarto a hipótese? Porque penso para além daquilo que nos ensinaram? E como foi no passado? E se o presente é a mera continuação do presente? E se?
    .
    .
    Depois o amigo até pode pensar. Mas isso era o que os comunas pensavam. Sim e se eles também tinham razões para o acreditar? E se eles, porque com lavagens ao cérebro contrárias, conseguiam ver aquilo que nós, do outro lado, não vemos? E que viamos nos comunas? O que nos diferenciava dos comunas? Eles eram incapazes de ver o que se passava nos países comunas. E nós somos capazes de ver o que se passa nos países ditos adversários dos comunas? A mente humana é lixada.
    .
    .
    Não é paternalismo, caro Fernando. É eu não acreditar tanto no meu cérebro como a generalidade das pessoas. O meu cérebro engana-me. Muito. Mas mesmo muito. Até as memórias nos enganam. Somos selectivos, esquecemos outras coisas, evitamos pensar de forma alternativa porque não se enquadra na nossa forma de ver o mundo. Nós, eu e Vc e quase todos nós, confiamos demasiado nos nossos julgamentos. No entanto, quantas e quantas vezes não estamos a sobrevalorizar a informação que o nosso cérebro aprende? E descartamos aquela que não damos importância mas que pode ser fundamental?
    .
    .
    Repare nisto. O que leva um Paul Krugman a acreditar nas suas ideias? Será que o tipo é burro? Será que o tipo é maldoso? será que o tipo não tem alguma formação académica de importância? Mas o que o leva a ter determinadas crenças, ideias e opiniões?
    .
    .
    Agora ponha-se no lugar de um Krugman e o que ele pensará das nossas ideias. 😉

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  64. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Abril, 2012 22:38

    Caro anti-comuna,
    .
    Certeza, certeza … apenas a morte !
    Eu também parto do principio de que as nossas capacidades de conhecimento da realidade, que é imensa e complexa, são muito limitadas.
    Não contesto a relatividade das coisas, a incerteza, a imperfeição …
    Quanto mais vasta é a realidade mais imperfeita é a nossa percepção e compreenção da mesma.
    .
    Mas isto não significa que tudo se vale, que não há níveis de aproximação a uma certa verdade das coisas.
    A começar pelas coisas práticas da vida real. O instinto de sobrevivencia e a necessidade da acção impõe-nos um esforço de objectividade e de convicção.
    Claro que há domínios, sobretudo no plano dito “intelectual”, em que a necessidade de objectividade é menos vital. As diferenças de opinião podem ser muito grandes mas as consequências práticas são menos importantes (ou, pelo menos, menos imediatas e directas para a vida quotidiana de cada um).
    Mas o que é certo é que, a todos os níveis, as convicções existem e contam. E não poderia nem deveria ser de outro modo !…
    .
    De resto, como se pode ver pelos numerosos e elaborados comentários que o meu amigo faz, as dúvidas e as incertezas que eventualmente tenha não parecem impedi-lo de tirar conclusões categóricas e de elaborar teses fortemente articuladas,… por sinal sempre com bastante convicção !…
    Estou certo de que a tese de que “[não há] país, hoje em dia, que mais ameace a paz e a estabilidade no mundo que os próprios USA” não é nem a primeira nem será a última das suas inúmeras convicções fortes !…
    Por mim acho muito bem que as tenha e que as defenda com … convicção !
    Mas, por caridade, não recomende aos outros, ou pelo menos a este seu modesto interlocutor, que não tenham as suas ou que abandonem as que têm … (mas apenas quando não são compatíveis com as suas, naturalmente) !!

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