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Pressões, jornalismo e Público

25 Maio, 2012

Nesta história há um dado curioso, aliás melhor dizendo, um facto,  que era desconhecido do público leitor: o jornal Público, com esta direcção (e aparentemente nas anteriores), tem por hábito não divulgar pressões e ameaças exercidas sobre si e os seus jornalistas por parte de políticos.  Dizem eles: «A posição do PÚBLICO, ao longo dos anos, tem sido a de não reagir ou denunciar publicamente as ameaças ou pressões feitas a jornalistas. Não se trata de desvalorizar essas pressões.».

Há portanto factos que são escondidos do leitor. O jornal na verdade auto-demite-se da sua dimensão essencial que é noticiar. O que muito se estranha. Até porque se porventura um jornal concorrente, um jornalista de televisão, um comentador de rádio, sofre ou alega uma qualquer pressão governamental noticiam obviamente. Mas não as suas!  Um mau serviço e mau jornalismo.

Em segundo lugar, a questão das pressões. Nem sempre será necessário fazer um escândalo. Mas se o jornalista inserir na sua peça que «no decorrer da feitura deste artigo, o ministro x telefonou pessoalmente a contestar os dados/titulo da noticia, mas este jornal mantêm que são rigorosos» ou algo do género, não haveria propriamente escândalo pela atitude do governante (tentar corrigir é legitimo) e certamente os ministros deixariam de telefonar para não se verem assim expostos a questões dubias que se poderiam levantar. Obviamente em caso de ameaça de qualquer género a mesma seria exposta por tal ser do domínio do escrutínio público da actividade política (algo que o jornal Público confessa omitir e impedir…).

Por fim, os governantes dispôem de gabinetes, acessores, directores de comunicação e agências que trabalham a sua imagem pública. Para correcção, esclarecimento, contestação ou reclamação sobre qualquer matéria publicada ou difundida tem os meios mais do que suficientes para o fazer. Assim, o facto de telefonarem pessoalmente é objectivamente uma pressão que não pretende primáriamente contestar ou corrigir o que quer que seja (por existirem outros meios para tal fim), mas sim utilizar e fazer uso da força e peso do próprio poder político (com todas as ramificações inerentes) para alcançar fins políticos. Um telefonema directo de um ministro é sempre uma pressão, politicamente ilegitima. Por mais que se queira, um jornalista/editor/director que receba um telefonema por parte do poder não fica indiferente a tal actitude pois sempre, ainda que inconscientemente, ponderará sobre os efeitos futuros quanto a acesso a fontes de informação, sua ou de colegas, publicidade, etc, sendo que tal ocorrerá mesmo que nada seja dito quanto a tal matéria, resultando da simples indisposição/reclamação/contestação, pois que quem tem poder tem tendência a exercê-lo.

6 comentários leave one →
  1. Carlos Loureiro's avatar
  2. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    25 Maio, 2012 13:13

    O facto de ter sido o ministro a telefonar, em vez de delegar num assessor de imprensa, é que parece ter dado relevo ao caso. Isso e o tom (segundo dizem) em que o telefonema foi feito, de que já pediu desculpas, ao tom.

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  3. p D s's avatar
    p D s permalink
    25 Maio, 2012 13:28

    a questão principal que a todos deve preocupar, assenta tambem em 2 questões fundamentais, mas que aparentemente andam a ser esquecidas:

    – O Jornal Publico (empresa privada), pode ser bom ou mau, pode fazer bom ou mau jornalismo – caberá aos consumidores fazer essa avaliação e em consequencia optarem se o leem/compram ou não. Cada um de nós puderá ter uma opinião sobre o assunto. É o funcionamento do mercado livre.

    – Um Ministro do Governo, tem de ser bom ministro, e correcto e ter uma postura correcta e democratica. È por isso que as pessoas o elegem, para representar e dirigir os destino do Pais. Nestas funções, TEM DE ter uma postura e desempenho á prova de qualquer duvida. Este é a sua obrigação!

    Destas duas permissas, é obvio que:

    – podemos todos opiniar se o Publico é bom ou mau, mas quanto a isso nada a fazer.
    – Não podemos aceitar nem permitir que exista um Ministro do Governo, que use o seu poder, para pressionar e condicionar quem quer que seja.

    (custa-me muito concluir, que esta analise simples e linear, seja tão esfarrapadamente “esquecida” e “evitada” por tanta e tanta gente. É basicamente uma questão de cultura democratica, uma questão sobre o que somos e o que queresmos Ser, como pais livre e democratico.)

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  4. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    25 Maio, 2012 13:53

    De onde se conclui que um bom colador de cartazes, não é necessariamente um bom ministro.

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  5. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    25 Maio, 2012 19:46

    .
    p D s
    Posted 25 Maio, 2012 at 13:28 | Permalink
    *****
    D’ac.
    .

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  6. zazie's avatar
    zazie permalink
    25 Maio, 2012 21:06

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