Sobre a curva de Laffer
1. Tentar argumentar que o Estado não deve aumentar os impostos por causa do efeito de Laffer (há um ponto a partir do qual se as taxas aumentarem a receita desce) é um beco sem saída. Salvo em casos extremos, a evidência empírica sugere que o Estado tem conseguido aumentar a receita aumentando as taxas.
2.Fazendo-se pequenas alterações à fiscalidade em cada momento tem sido possível aumentar progressivamente a receita pelo que o argumento da curva de Laffer fica limitado à ideia de que se fizermos uma alteração colossal da fiscalidade mudamos o regime de crescimento e conseguimos aumentar a receita descendo os impostos. Esta é uma alegação extraordinária que requer provas extraordinárias.
3. O argumento da curva de Laffer sugere que é bom que o Estado maximize a colecta de impostos. Não é por acaso que a esquerda o tem usado cada vez mais. Para eles faz sentido que a política fiscal tenha como objectivo maximizar as receitas.
4. Os estatistas não precisam de lições sobre como maximizar a receita do Estado. Toda a estrutura fiscal foi montada com esse objectivo.
5. O que deve interessar é a carga fiscal que maximiza o rendimento da sociedade civil. Essa é bastante mais baixa que a que maximiza a receita do Estado.

Como no meu percurso académico não fui confrontado com nenhuma curva de Laffer, fui ver à Wiki, para poder comentar este post.
Vi que Laffer fez parte da equipa de Reagan e que a tal Curva é uma relação entre o valor arrecadado com impostos e todas as possíveis razões de taxação.
Está-se mesmo a ver que estas “possíveis razões de taxação” são elásticas, dependendo do que é considerado possível ou impossível, ou simplesmente do que não é considerado, por razões políticas ou de interesses dos lobies.
Tenho de interromper porque a minha tia Nadine está a chamar-me porque deixou cair o telemóvel e abriu-se em dois.
GostarGostar
É caso para perguntar o que realmente interessa? A maximização do rendimento da sociedade civil ou as das receitas do Estado? Porque será que o Estado não tem limites nos seus orçamentos, e estes não estão indexados à carga fiscal que maiximiza o rendimento da sociedade? As nossas universidades poderiam lançar os valores reais desta “carga fiscal eficiente” anualmente. Seria uma forma de mostrar à sociedade civil que o Estado poderia ser mais eficiente, o que tornaria as suas políticas mais eficazes.
GostarGostar
Piscoiso.
Os meus parabéns pelo valor crítico do seu comentário, rigorosamente adaptado, penso eu, à qualidade do post.
GostarGostar
Excelente análise! Esta última frase “O que deve interessar é a carga fiscal que maximiza o rendimento da sociedade civil. Essa é bastante mais baixa que a que maximiza a receita do Estado” deveria mesmo fazer parte dum tipo de juramento de bandeira que todo os politicos deveriam fazer quando fazem parte de um qualquer governo. O sentido da frase poderia até ser mais lacto e sair da esfera da carga fiscal, por exemplo:
“O que deve interessar é o que maximiza o rendimento da sociedade civil. Isso é bastante mais importante do que o que maximiza os beneficios do Estado.”
GostarGostar
joao miranda
a esquerda é que sempre defende o aumento dos impostos .O ps lembro-lhe de 2005 a 2007 baixou o defice, recorrendo ao aumento de impostos
GostarGostar
A curva de Laffer
e a incompetência do Ministro das Finanças Victor Louçã Gaspar
Para maior mal dos nossos pecados , Pedro Passos Coelho , além de termos um aldrabão e mentiroso , ainda um incompetente quer do ponto de vista político quer económico-financeiro . Com uma gestão danosa da coisa pública . A saber , apenas com quatro exemplos . Primeiro , uma nebulosa incapacidade política em privatizar a tão deficitária R.T.P. (já não basta o B.P.N.!…) ; segundo , os contribuintes continuam a pagar principescamente os luxuosos e repetitivos abortos !… Subsidio aborto ? Sim !… Subsidio maternidade ? Não … Num País também com elevado deficit de natalidade !…
Terceiro , o “dinheiro” da venda aos chineses da EDP e seu “know-how” , é
desbaratado como é hábito e sem qualquer incidência positiva no tão carecido crescimento económico ; e finalmente , o quarto exemplo : o exagerado aumento do IVA sobre a “restauração” de 13% para 23% !… Isto num País que se quer desenvolver com o “turismo” . Na verdade , não obstante um aumento de 76% na taxa (13>23) houve apenas um insignificante aumento(+9%) na receita deste IVA numa duzia de milhões de euros (no primeiro trimestre de 2012 relativamente ao periodo homologo de 2011) .
Mas certa ignorante Comunicação Social não diz que a actividade deste sector desceu para cerca de 50% . Resultado : o Desemprego atinge 50% em certas zonas do País ; Uma cessação generalizada da actividade ; Significativa redução nas receitas de IRS e IRC ; Menores contribuições para a Segurança Social . Mais reformas sem contribuição …
E quais são os custos sociais e financeiros deste Desemprego ?
Tudo certamente superior aos 12 milhões de euros que Pedro Passos Coelho foi cobrar com este estupido aumento do IVA .
E como estes valores mensalmente ultrapassam os 4 milhões de euros, fica assim provada a incompetência deste desastrado Ministro das Finanças.
q.e.d.
GostarGostar