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O caldo entornou-se e isto pode não ter remédio

14 Setembro, 2012
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Hoje, no Público, disse que Passos Coelho perdeu o país no dia em que comunicou as medidas. Não sei se vai conseguir recuperá-lo. E não consigo imaginar as consequências.

Previa-se mau tempo para Setembro. Mas declarou-se uma tempestade sem fim à vista. E o pior de tudo é que quem devia estar a segurar o leme não parece ter percebido a dimensão da borrasca.

O que aconteceu na sexta-feira foi uma ruptura psicológica. Antes de o primeiro-ministro falar, os portugueses encaravam com ansiedade o regresso à normalidade depois do Verão; depois da sua desastrada comunicação, estavam em estado de choque. Naqueles minutos, Passos Coelho perdeu o país. Não sei como vai conseguir recuperá-lo. E não consigo imaginar que consequências isso terá.

Os erros políticos do Governo entram pelos olhos dentro. Porque é que Passos decidiu falar à pressa, antes de um jogo de futebol? Porque não anulou a ida a um espectáculo? Quem se lembrou da patética mensagem no Facebook? Porque é que não disse tudo o que tinha a dizer e deixou metade das notícias para o ministro das Finanças? Porque é que este também não disse logo tudo de uma vez? E por aí adiante. Mas que ninguém se iluda: mais habilidade – ou menos incompetência – na comunicação poderia ter aliviado os sintomas do mal-estar, mas não mudaria o essencial. E o essencial é que o Governo há meses que estava a perder o país porque há meses que estava a perder o debate político. Por erros próprios e por males antigos, pois não chega uma ameaça de bancarrota para mudar a forma de pensar de um país habituado, há séculos, à dependência do Estado.

Há pouco mais de um ano ninguém em Portugal – à excepção dos lunáticos da esquerda radical – duvidava que precisávamos de uma cura de austeridade e que fazer emagrecer um Estado que tinha crescido desmesuradamente ia ser um processo difícil e demorado. Passado pouco mais de um ano, todos gritam que a “austeridade falhou” e que o modelo “não funciona”. Há um ano era claro para quem tivesse os olhos abertos que, depois de uma “década perdida” sem crescimento, o velho modelo de “estímulos à economia” não se podia repetir e que era preciso procurar outros caminhos. Agora todos parecem reivindicar “políticas de crescimento” baseadas exactamente nas mesmas fórmulas que só nos deixaram dívidas e estagnação económica. Este paradoxo teve uma boa expressão pública, nos últimos dias, na insensata entrevista de Manuela Ferreira Leite, que chegou ao ponto de sugerir que a austeridade era como um xarope desagradável que não se podia pedir ao doente para voltar a tomar.

Passámos o mês de Agosto a ouvir declarações sobre os limites da austeridade, a impossibilidade de novos impostos ou de mais cortes nas despesas públicas. Líder da oposição, Presidente da República e dirigentes destacados dos partidos da coligação contribuíram para a ilusão, uma ilusão fatal. O primeiro-ministro, com dois discursos inúteis no Pontal e em Portalegre, também não se isenta de responsabilidades.

Ninguém avisou para o que ia acontecer apesar de se acumularem os sinais da borrasca. O Tribunal Constitucional dera uma machadada na política orçamental, abrindo um buraco de difícil solução. A diminuição das receitas dos impostos tornara o orçamento irrealizável. E a troika estava a chegar para nova avaliação. Estava-se mesmo a ver que iria haver mortos e feridos, mas só se escutavam discursos delicodoces. Pior ainda: a decisão do Banco Central Europeu, que pode ajudar Portugal a regressar aos mercados mas só isso, foi apresentada por muitos como o “fim da austeridade”.

Criou-se uma espécie de dissonância cognitiva: de um lado, um problema orçamental que se tornara mais difícil de resolver; do outro, um discurso facilitista “antiausteritário”. Estavam reunidas as condições para uma “tempestade perfeita”.

 

Há uma semana, a propósito de outras discussões, lembrei que faz parte da natureza humana reagir primeiro emocionalmente e, depois, procurar argumentos para as emoções. Pior: a primeira reacção emocional bloqueia muitas vezes a capacidade de escutar todo e qualquer argumento que contrarie o instinto inicial. O que se passou em Portugal nestes dias foi exactamente isto. Apenas dois exemplos, de duas entrevistas. Uma é de Vítor Gaspar ao Diário de Notícias. Ao longo de quatro páginas, o jornalista só parece querer saber como é que o ministro vai lidar com a opinião pública em fúria, nunca procura conhecer o racional das medidas governamentais (Vítor Gaspar também não sai deste espartilho e só repete frases vazias). A outra é a de Abebe Selassie, o chefe de missão do FMI, ao PÚBLICO. Apesar de ser a primeira defesa inteligente e sustentada das medidas adoptadas, nenhum dos seus argumentos surge nos títulos escolhidos ou nos resumos feitos pelos outros órgãos de informação, tendo ido a preferência toda para frases que dão a ideia que o FMI se distancia dessas medidas, algo que o conteúdo da entrevista desmente categoricamente.

Esta recusa sem sequer escutar argumentos faz parte, repito, do que somos como seres humanos, mas ela condiciona de forma gravíssima a possibilidade de voltar a chegar a um ponto interessante de consenso político e social. O que me preocupa não é a dissensão do PS: ela era preparada há muito, estava escrita nas estrelas. Como não me inquieta demasiado o fogo-fátuo do CDS, uma construção politiqueira e sem dimensão de Estado para conseguir a quadratura do círculo de estar ao mesmo tempo a favor e contra a austeridade. O que me preocupa é o estado de apoplexia do país.

Este estado de apoplexia provocou uma espécie de “fechamento das mentes”, de recusa de raciocínio. Um exemplo: estando aparentemente todos contra a solução da TSU, ninguém (ou quase ninguém) discutiu uma alternativa séria para ultrapassar o problema colocado pelo Tribunal Constitucional. Cortava-se antes no 13.º mês subindo o IRS? O tão temido “efeito recessivo” sobre o consumo seria ainda pior. E se se subisse o IVA? Idem. Devolviam-se então os subsídios aos funcionários e pensionistas? Nem com “mais tempo” (que vamos ter), nem com “mais dinheiro” (que também vamos ter via BCE) se conseguiria acomodar tal buraco nas contas públicas. Como correctamente assinalou Selassie: “Não há nenhuma bala mágica, não há uma única medida que não tivesse causado também debate e discussão. Se o IRS ou o IRC tivessem sido aumentados, as pessoas teriam dito: mas porquê o IRS, porquê o IRC? Se fosse o IVA também se queixariam. Qual seria a alternativa? E não vejo isso no debate”.

Na discussão sobre a TSU também se formou uma estranha unanimidade. De repente toda a gente defende que um produto vai ficar mais barato (o custo do trabalho desce para os empregadores), mas que isso não terá qualquer impacto no consumo desse produto (ou seja, não se reflectirá nos níveis de emprego). Não imagino outro país do mundo onde esta unanimidade fosse possível.

Outro ponto surreal da discussão é o da aparente unanimidade de que se podem fazer outros cortes nas despesas públicas – a mesma unanimidade que rejeita “cortes cegos” e protesta contra todos os cortes concretos, estejamos a falar de uma fundação, de um tribunal, de um túnel no Marão, de uma urgência ou de professores sem alunos para ensinar. O argumento eterno é o das PPP – as mesmas PPP por que muitos sufragaram em 2009, no tempo da euforia das SCUT e do “cheque-bebé”. Eu também acho – e acho desde 2009, não desde ontem – que se têm de renegociar as PPP, mas não atiro areia para os olhos: o custo líquido das PPP rodoviárias em 2013 será de pouco mais de 500 milhões de euros, o pacote de medidas agora apresentado é de 4,5 mil milhões. Mas o pior é que não se poderiam cortar esses 500 milhões, já que o grosso da factura não são as “rendas excessivas”, é mesmo o pagamento de auto-estradas que foram construídas e não deviam ter sido. Estão lá e, gostemos ou não, temos de pagá-las. Em contrapartida, neste ano de 2012 já se cortaram mil milhões nos custos da Saúde e 600 milhões nos da Educação, as duas maiores facturas do Estado. É pouco, mas sabemos a discussão que tem dado.

Podia continuar a dar exemplos. O problema não foi de comunicação. O problema também não é de estas medidas serem muito piores do que as alternativas, pois nem conhecemos as alternativas. O problema é que, ao contrário do que diz Vítor Gaspar na sua entrevista ao DN, já não existe consenso sobre a necessidade de corrigir as contas públicas e fazer sacrifícios. O Governo tem muita culpa nisso. E Portugal continua a ser Portugal – mais parecido com a Grécia do que com a Suécia.

Público 2012-09-14

 

44 comentários leave one →
  1. Aladdin Sane's avatar
    Aladdin Sane permalink
    14 Setembro, 2012 20:59

    Amanhã vou lá estar! Fora com a troika! Xô! E levem o dinheiro que nos emprestaram! O dinheiro aparece sempre. Orgulhosamente sós.

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  2. jonas's avatar
    jonas permalink
    14 Setembro, 2012 21:17

    Bah, e depois essa coisa como poderia ir direita, ser credível, ser honesta, da política à justiça, se é torta, enviezada toda, ao que se diz, esparramada numa central de negócios, autêntica máfia de padrinhos e nepotes ?
    http://pt.scribd.com/doc/105817387/LISTA-NEGRA-DE-MACONS-PORTUGUESES

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  3. fredo's avatar
    fredo permalink
    14 Setembro, 2012 21:20

    O tempo em que os comunistas comiam o pequeno almoço às criancinhas acabou.
    E era uma metáfora.
    Realidade dura e crua é este governo comer o pequeno almoço aos idosos e inválidos ao roubar-lhes 2 meses de pensão de reforma.
    (ontem foi-me censurado um comentário de igual teor, num dos seus posts. Irá acontecer o mesmo a este?)

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  4. cão com pulgas's avatar
    cão com pulgas permalink
    14 Setembro, 2012 21:34

    Tem calma Manel enquanto houver salários na função pública e pensões de reforma os tempos mais próximos estão salvaguardados, a margem de erro ainda é grande, deixa de ser Velho do Restelo.

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  5. jonas's avatar
    jonas permalink
    14 Setembro, 2012 21:39

    De resto, antes ainda deste governo, nós já sabíamos:
    “Os ricos não são como nós, pagam menos impostos” (Peter R. de Vries, jornalista de investigação).
    http://dererummundi.blogspot.pt/2012/09/a-corrupcao-o-abuso-de-poder-e-os.html

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  6. MJRB's avatar
    14 Setembro, 2012 21:43

    JMFernandes,
    Ontem coloquei-lhe uma questão ; Vc. respondeu-me e aconselhou-me a ler este se artigo no Público.
    De acordo com quase tudo.
    Desde Sexta-feira passada, o governo perturbou imenso a sua existência e os seus “planos”. Não recuará (não saberia como recuar) nas intenções e objectivos, quaisquer que sejam as reacções do PR, do Tribunal Constitucional, da Assembleia da República. Ao eleitorado que nele não votou, juntou-se já milhares de pessoas que não votarão nas Legislativas’2015 no PSD. Perdeu a confiança de quase todos os portugueses, incluindo habituais simpatizantes do PSD.
    Espero que este governo tenha o discernimento suficiente para concluir que falhou ! Caso contrário estamos perante governantes teimosos e por tal perigosos.

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  7. Cáustico's avatar
    Cáustico permalink
    14 Setembro, 2012 21:48

    jmf:
    A meu ver, mais grave do que aquilo que parece ser um desastre comunicacional e político do governo, é alguns ainda acreditarem que é só um problema cénico, que não há problema na substância e que, não há, tampouco, alternativa às medidas comunicadas.
    E isso é que é grave. Muito grave.
    Um governo com estreiteza de vistas e sem um único plano de contingência, à primeira contrariedade, fica com as calças na mão.
    E isso, pese embora o folclore e os preparativos para a procissão, não é bom para o país.
    Nem é bom, nem oportuno, para o PS, que deve evitar, a todo o custo, a salivação precoce.

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  8. zazie's avatar
    zazie permalink
    14 Setembro, 2012 21:52

    Pois, é tudo péssimo e jmf 57 a escrever ainda é pior.

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  9. zazie's avatar
    zazie permalink
    14 Setembro, 2012 21:54

    Ah, ok. Isto foi um artigo vendido.
    .
    A granel de letras para render mais.

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  10. jonas's avatar
    jonas permalink
    14 Setembro, 2012 21:54

    Sim, da forma que as coisas vão agora, passa das marcas,
    “Como as coisas andam, a política nada mais é que corrupção” (Jonathan Swift, 1667-1745).

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  11. CA's avatar
    14 Setembro, 2012 21:55

    Quais os nomes dos países onde a desvalorização fiscal funcionou?
    É que baixar salários e esperar mais empregos é como o estado gastar dinheiro e esperar que a economia cresça. Só que desta vez é o dinheiro dos trabalhadores que o estado usa para “incentivar” o emprego.
    Se uma empresa não tem trabalho para dar aos que já lá tem, vai contratar mais porque agora é mais barato?

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  12. jonas's avatar
    jonas permalink
    14 Setembro, 2012 21:55

    “O caldo entornou-se”, bem pode dizê-lo.
    Quando, insensíveis, presunção e vaidade se comprazem do abuso, é cegueira certa.
    E “pode não ter remédio” .

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  13. Sousa Pinto's avatar
    Sousa Pinto permalink
    14 Setembro, 2012 21:57

    A Manif de amanhã não vai ser sucesso nenhum. E sabem porquê?
    As revoltas não se inventam.
    A grande causa desta espécie de agitação resulta do discurso do Passos Coelho.
    E os agentes que causaram a agitação foram e são os Orgãos de Comunicação Social e os políticos mamões que finalmente estão a começar a pagar uma parte da crise.
    Acham que a Manuela Ferreira Leite é alguém preocupado com os problemas dos mais desfavorecidos?
    O Tozé Seguro, representante do partido que mais agravou a situação do país até à pouco mais de UM ANO, é agora um defensor dos trabalhadores?
    O Marcelo Rebelo de Sousa, esse campeão do regabofe, que já foi presidente do PSD defende os mais necessitados?
    O Bagão Félix, um cobardolas, tem alguma coisa a ver com o povo que trabalha?
    Não tenham ilusões.
    Nós estamos a ser vítimas da política dessa gente que mandou no país nas últimas dezenas de anos.
    O Passos Coelho é um homem popular a sério, bem intencionado e que está a tentar acabar com a política ruinosa que nos tem tramado.
    Não vão em cantigas mais ou menos bem cantadas.
    Quem é o gaiatolas do José Gomes Ferreira? Um jornalista de meia tijela que está a ver o tacho dele a diminuir e que fala assim porque tem as costas quentes do patrão, Francisco Pinto Balsemão, que é da mesma laia dos que referi anteriormente.
    O Passos Coelho tem castigado, numa primeira fase os mais fracos, porque os tubarões são mais difíceis de caçar, mas é a eles que ele mais vontade tem de chegar. Não tenham dúvidas.
    O Passos Coelho é dos bons, embora aos mais distraídos não pareça.
    Devemos ter calma, o homem foi eleito pelos portugueses, isto estava muito torto e não é fácil endireitá-lo.
    Vamos ter cabeça fria para ver bem as coisas.
    CERTO?

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  14. zazie's avatar
    zazie permalink
    14 Setembro, 2012 21:59

    E o Público não tem corrector. Já se sabe que o jmf 57 escreve com os pés mas era suposto existir quem corrigisse antes de se publicar esta vergonha.
    .
    « Eu também acho – e acho desde 2009, não desde ontem – que se têm de renegociar as PPP»
    .
    Que se têm? o sujeito da oração são as PPPs? e elas é que se vão renegociar a elas próprias?

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  15. MJRB's avatar
    14 Setembro, 2012 21:59

    Perante uma praticamente garantida vitória do P”S” nas Legislativas’2015 (se o actual executivo continuar a aniquilar vidas e empresas, a não conseguir reestruturar mercados, estabilizar minimamente a economia, etc,), temos mais um PM (AJSeguro ? outro, quem, E COLOCADO COMO LÍDER POR QUEM ?) que nao nos garante dias tranquilos. Fará tábua-rasa de muitas decisões do actual executivo, contrariará a Troyka, recuperará privilégios para os seus (e que privilégios perdidos !…), etc.
    “Má sina”, suportar este tipo de governantes…

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  16. zazie's avatar
    zazie permalink
    14 Setembro, 2012 22:03

    E a unanimidade de que se podem fazer cortes. Phónix! e foi director de um jornal.
    .
    Mais uma prova que ser de esquerda servia para tudo. Até para isto.

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  17. jojoratazana's avatar
    jojoratazana permalink
    14 Setembro, 2012 22:04

    Sousa Pinto, para ti envio-te um balde de gelo.
    Estás a delirar, ou então estás a ver o tacho a acabar.
    Como te entendo.

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  18. Tim's avatar
    Tim permalink
    14 Setembro, 2012 22:09

    O que aconteceu na sexta-feira foi o suícidio do governo em directo. Este governo poderá manter-se em câmara ardente, e até supor que nada aconteceu; mas para um Portugal significativo o governo morreu.
    Passos Coelho demonstrou uma inabilidiade e incompetência política grosseira, que nem os seus maiores críticos esperavam. Alguns ainda tentaram disfarçar o ocorrido como uma «trapalhada», um «erro de comunicação»… Mas não: tratou-se pura e simplesmente de um colossal erro político.
    A entrevista de ontem só veio reforçar uma ideia central: este governo morreu mesmo e agora percebeu-se a naturalidade de tal morte. Hirto e obsessivo, Passos Coelho há pouco mais de um ano no cargo de primeiro-minsitro remeteu-se e justapôs-se já para o cadáver socrático de 2011. Preferiu, notória e notavelmente, agarrar-se à teimosia dogmática e ao finca pé infantil, cedendo a racionalidade para quem a quiser…
    Este governo estava condenado de ínicio: autênticos caloiros governamentais (na generalidade) para assumir a governação numa fase muito séria do país, recordando pára-quedistas voluntaristas que até pensam poder prescindir dos… pára-quedas. Para mais, tendo de conviver e governar com alguém do quilate malsão de Paulo Portas. Semel sepultus, bis mortus.

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  19. Pedro M's avatar
    Pedro M permalink
    14 Setembro, 2012 22:12

    Caro comentador Sousa Pinto:
    ERRADO!

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  20. MJRB's avatar
    14 Setembro, 2012 22:13

    Sousa Pinto,
    O seu último parágrafo é preocupante. Por tudo isto estar tão torto, parece que para PPassos Coelho já não “é fácil”, nem capaz de “endireitá-lo” !? A “cabeça” está “fria” ? Porra, que noites e dias terríveis terá o quarentão cidadão-PM…

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  21. MJRB's avatar
    14 Setembro, 2012 22:17

    Tim,
    Óptimo !

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  22. Pedro M's avatar
    Pedro M permalink
    14 Setembro, 2012 22:17

    Isto já não tem mesmo remédio.
    A confiança de muitos que votaram neste governo (como eu, para correr com o vígaro que lá estava antes) foi-se, e de vez. O governo falhou e teima no disparate. Uns meros inventores ignorantes e experimentalistas, que vivem da fé.
    Este gajo PPC está a mostrar ser igualzinho ao aldrabão do Sócrates, versão PSD.
    Safa!

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  23. MJRB's avatar
    14 Setembro, 2012 22:43

    Pedro M,
    Tem remédio : um valente cagaço eleitoral dado pelos cidadãos aos partidos que habitualmente estão em S.Bento ! Não esquecendo as autárquicas, europeias e presidenciais !
    ABSTENÇÃO ! 90% ! — mas faltam tomates aos que mamam na teta do Estado ou das autarquias quando o “seu” partido vai para o poder… Faltam tomates aos pedantes e voláteis novos-“ricos”… Faltam tomates a quem se contenta por viver “remediadamente”… Faltam tomates e (cultura) aos desgraçados que são atormentados pelos carrascos que re-elegem…

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  24. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    14 Setembro, 2012 22:44

    “O problema também não é de estas medidas serem muito piores do que as alternativas, pois nem conhecemos as alternativas.”
    O governo tem uma alternativa. Basta cumprir o programa apresentado nas eleições!
    Ou então terá de assumir que não percebia nada do assunto. Chegou ao governo a dizer que salvaria o país da bancarrota. Bancarrota, repito. Agora diz que não sabia que o país estava assim? Assim, como? Pior do que na bancarrota?
    De resto, nestas medidas só critico o golpe nos mais carenciados e na classe média baixa. Mas quem está a pôr o governo abaixo não são estes. São os reformados ricos que andaram pelos areópagos do poder, os amigos e encostados ao poder. Os nogueiras leites, as ferreiras leites, os freitas dos amarais, os miras amarais…

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  25. jonas's avatar
    jonas permalink
    14 Setembro, 2012 23:02

    E pode ser que o homem seja melhor do que parece, Sousa Pinto, malgrado o seu hirtismo, a pose presunçosa, gabarolas e leviandade com que mente.
    Mas tem de descer à terra, ser prudente, que o grau de esperança que lhe deu o poder já foi espezinhado, calcado, vezes de mais, grosseiramente.
    E ou toma boa dose de humildade, bom-senso, para ouvir parceiros sociais e engendrar maneira de provar que não estar a gozar connosco ou nem milagre já o salva. Nem dos grandes .

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  26. FilipeBS's avatar
    FilipeBS permalink
    15 Setembro, 2012 00:15

    Caro JMF, só para lhe agradecer o artigo. Excelente!
    Os políticos têm certamente muita culpa do buraco que estamos metidos. Mas os portugueses, como um todo não estão isentos de culpa, de maneira alguma! As pessoas vislumbraram a realidade por momentos, em 2011. Mas não foi preciso mais de um ano para se voltarem a iludir completamente. A Merkel que pague a fatura. O dinheiro aparece sempre, como disse aí um honorável comentador. Orgulhosamente sós. Enfim… Esta gente deve ter como ideal países como o Zimbabué, Venezuela ou mesmo Coreia do Norte. Ou então esta gente acha que se não cumprirmos os compromissos internacionais vamos continuar a ter crédito e dinheiro para manter o actual nível de vida. Não queria dizer isto, mas não restam dúvidas. As pessoas são mesmo mesmo muito burras. Quase apetece dizer: os portugueses estão a cavar a sua sepultura. E merecem-na, porra!
    Por todos os sectores da sociedade há uma cegueira negra e um cinismo de meter medo por parte dos políticos que não estão no governo! Como é possível dizer que este modelo falhou e propor uma via que não passe pelo cumprimento dos compromissos?

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  27. jonas's avatar
    jonas permalink
    15 Setembro, 2012 01:32

    Os políticos têm certamente culpa … FilipeBS
    .
    É boa. “E para terminar, que ideias é que tem para dar a volta a isso?
    Acabar com a corrupção política, de que advém a nossa dívida, dívida pública, derivada logo da corrução política, como privada, devida em maioria à especulação fraudulenta de terrenos que logrou enganar os privados, consecutivamente, atirando-os para encargos hoje incomportáveis, mais vezes (min. 10:50). Que é que devia ser posto em questão, desde início. Tudo o mais é ainda corrução, sofisma e logro, não mais que isso”:

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  28. jonas's avatar
    jonas permalink
    15 Setembro, 2012 01:36

    E merecem-na, porra, ó FlipeBS,
    se atrás da cenoura da democracia é que votam
    nos mesmos mânfios, patifes .

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  29. Trinta e três's avatar
    Trinta e três permalink
    15 Setembro, 2012 07:37

    O governo quer criar condições para se poder demitir. As medidas anunciadas vão parar, inevitavelmente, ao Tribunal Constitucional, onde serão chumbadas. Isso permitirá a rábula do “não nos deixam trabalhar”. Na hipótese (provável) de serem marcadas novas eleições, o Coelho trava a disputa interna no PS e vai a votos com o Seguro, o único a quem terá alguma hipótese de vencer. Depois, fará uma campanha orientada para a revisão constitucional.

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  30. CC's avatar
    15 Setembro, 2012 09:37

    Os erros de comunicação não são o mais importante mas têm importância, sobretudo quando se decidem medidas desta natureza sem consultar parceiros e agora vir mostrar-se admirado com as reações! Não havia alternativa?? Perguntaram a alguém?? Não ouvimos todos já várias alternativas? Acabei de ouvir uma noticia sobre aumentos de despesa com gabinetes e assessores do governo!! Espero que não sejam assessores de imagem e comunicação, porque se for estão a deitar dinheiro, nosso, para o lixo! O TC não disse que tinham que devolver os subsídios, certo. Mas disse que tinha que haver equidade nos sacrifícios. Acha que assim estamos iguais?? O público tem que ser mais castigado que o privado porque são funcionários do estado e o estado é que fez as asneiras?? Onde é que o governo tem enterrado o dinheiro?? Nos bancos públicos ou nos privados? Nas fundações de quem? Do estado?? Decide então o governo piorar a situação dos funcionários públicos, dos reformados, piorar bastante menos a dos funcionários privados e melhorar a situação das empresas, a bem da taxa de desemprego, quando os patrões, os que teoricamente dariam emprego, vêm dizer que assim não empregam ninguém, antes pelo contrário!!! Serão os patrões todos de esquerda?? E, pasme-se, anunciam-se estas medidas em turbilhão apenas algumas horas depois de se dizer que estamos no bom caminho, recuperámos, e em 2013 haverá sinais de retoma!!! Se estava tão bem, deixassem ficar para continuarmos no bom caminho! Se é para cortar, corte-se! Mas proporcionalmente. Subsidios para todos, publicos e privados. 1 subsidio para todos, se calhar tinha a mnesma receita. Suba-se o IVA, imposto apenas para quem consome, de bens de luxo, ou não essenciais: tabaco, bebidas alcoolicas, viaturas de luxo, embarcações de recreio, viagens de turismo, hoteis de luxo. Apliquem-se impostos mais severos aos grandes rendimentos, taxem-se as mais valias de quem investe fortunas em aplicações financeiras apenas para fazer mais dinheiro. Mas isso é dificil, eu sei, algumas até tecnicamente complicadas, mas possiveis, outras mais dificeis porque se mexem com poderes. É complicado, imaturo e desonesto alterar contratos em vigor assumidos no âmbito das PPP mas já não é nada disso quando se rasgam compromissos assumidos com pessoas que se contrataram para trabalhar para o estado, quando se obrigam pessoas a descontar durante 40 anos da sua vida, que entregam de boa fé o seu dinheiro à guarda do estado e agora esse mesmo estado lhes nega o direito ao que lhes tinha prometido!
    O povo é manso, já todos sabemos. Por isso é que continuamos a ser espremidos, e vamos ser mais porque deixamos, porque ainda temos uma codea de pão para roer!

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  31. Fenris's avatar
    Fenris permalink
    15 Setembro, 2012 09:40

    Em grosso, até vou concordando mais ou menos com o que é vertido neste artigo mas é este mais ou menos que inquieta.
    .
    Ontem vi o tipo a falar da televisão que me parecia mesmo o Catroga…mas depois de ver passei a ouvir e não me parecia o mesmo tipo que havia discutido o plano da Troika e que falou dos pintelhos. A EDP faz milagres da China.
    Esta renegociação da Troika mudou o défice aceitável de 3 para 2.5%. É verdade que deu mais um ano mas de onde aparecem estes 2.5%?
    Daquilo que me lembro, o Governo falhou as previões de uma maneira estrondosa, digna de um espectáculo de 1º mundo. Porquê?
    .
    Isto não é apenas uma questão de comunicação.
    Não é aceitável, independentemente daquilo que se tenha de fazer, que seja reduzido o SMN. Não é aceitável e ponto!
    A questão das PPP não resolvia tudo? De acordo. Mas, então, deixa-se andar? Além de números há uma ideia de justiça no sentido de que deveria haver gente na cadeia e deveria analisar-se tudo para entender se há ou não há pagamentos indevidos e, no caso de cadeia, corrupção e anulação do negócio.
    .
    Ah, e não acredito que quando Portugal ouviu dizer que o PM ia aparecer esperava boas notícias.
    O pessoal até pode ser parvo mas não é burro.
    Eu, pelo sim pelo não, fui colocar a carteira no quarto e vim ver o comunicado para a sala.

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  32. politologo's avatar
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    15 Setembro, 2012 10:33

    …erros políticos ? … e outros que são muito mais graves !!!

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  33. SM's avatar
    15 Setembro, 2012 11:10

    é muito engraçado ver como jmf e hm estrebucham ao ver que as suas belas vidas estão em risco de se ruir

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  34. zé portuga's avatar
    zé portuga permalink
    15 Setembro, 2012 12:13

    Fredo,

    Não comiam as criancinhas ao pequeno almoço , isso é historia. Comiam eram os pais das criancinhas.Não se sabia nem se via porque o muro não deixava.

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  35. Tim's avatar
    Tim permalink
    15 Setembro, 2012 12:38

    Fenris,
    exactamente.
    Também pensei que aquele CATROGA fosse um gémeo ou primo do original… Confesso que quando comecei a ouvir o biltre cheguei a pensar que ele estava a falar chinês… Hesitei sobre se seria cantonês ou mandarim… Depois dei por mim a concluir que aquilo era só um pesadelo…

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  36. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    15 Setembro, 2012 22:08

    Este artigo parece “encomendado”. Quer medidas para “salvar” o país? Dou-lhe já umas tantas, que o senhor, “colado” como está a uma certa força política, não vai, claro, gostar de ouvir. O desemprego começa por se combater dizendo “não” às grandes superfícies e ao grande retalho e reactivando novamente, e em força, o pequeno comércio. Tem o senhor noção dos milhares de desempregados produzidos pela abolição da pequena mercearia, drogaria ou pronto-a-vestir de bairro? Concerteza que não tem porque as dores de não ter ordenado ao fim do mês não são no seu excelentíssimo traseiro!
    Um forte governo, que “os tenha no sítio”, tem forçosamente de negociar com a Europa. Reactivemos as pescas, a agricultura e a agropecuária e acabemos com as minhoquices europeias de que não se pode matar o porco, fazer enchidos caseiros ou usar colher de pau.
    Acabe-se com as mordomias dos deputados. São quantos? 230? 250? Para quê? Como alguém disse e bem há tempos, a maioria não sabe o que lá anda a fazer e o resto funciona como uma central de negócios. Digamos, então, que se reduza para 100 o número de deputados e não precisamos de mais. Faça as contas, mesmo por alto, ao que o Estado não pouparia. Já dava concerteza para mais algumas centenas de professores.
    Acabe-se “à bruta” com as fundações. Quem prestar serviço útil tem de o provar… públicamente!
    Reduzam-se em 2/3 os vencimentos de todos os gestores públicos, corte-se em 2/3 o número de assessores, sub-secretários e secretários, sejam do Estado ou de Organismos Públicos.
    Promoções? Claro! Claras e por mérito! Com avaliação trimestral de desempenho.
    Acabe-se com as comissões reguladoras: o que se passa com os combustíveis é um escândalo!
    E vote-se PCP! Quando o PCP tiver 27 ou 30% dos votos, estou convicto que os verdadeiros socialistas e sociais-democratas (e não os ladrões que nos roubam!) aparecerão, com medo que o país vire à esquerda! E aí, sim, talvez surja alguém competente, que não seja “jotinha” e que não “navegue à vista”!
    Quanto é que o meu amigo aufere por mês? Um dia destes faça a experiência de no seu agregado familiar só poder contar com 350 euros mensais durante seis meses! Depois descreva-me a experiência! É que enquanto as dores não forem no nosso traseiro, não sabemos realmente como elas são!
    Cumprimentos

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  37. albuquerque's avatar
    albuquerque permalink
    15 Setembro, 2012 22:35

    A Constituição da República Portuguesa não é algo que o PPP possa ou deva ignorar. A maneira como os impostos são aplicados não é algo que seja uma mera questão de pormenor. A solidariedade social não pode ser mantida por estas políticas à Sheriff de Nottingham que singularmente penalizam os que menos podem para manter os benefícios dos que podem. Tal como na história a razão do desfalque é sempre alheia mas o dinheiro vai para os bolsos do costume. Ora o pobre Rei João tem de pagar o resgate do irmão dele que foi preso e está numa cadeia Austríaca. Mas sabe-se lá como o resgate está cada vez a ficar maior e o rei Ricardo nunca mais sai da prisão.
    As medidas para taxar os mais ricos anunciadas pelo Ministro das Finanças são ridículas. Barcos? O mais provável é que nem estejam registados cá. Idem para os aviões. Casas? Podem sempre fazer à Larry Ellison e dizer que a mansão deles é avaliada em menos que o terreno em que se situa. É só buracos para fugir à cobrança.
    Se querem que os cidadãos paguem as dívidas que têm não lhes devem retirar a capacidade de as poder pagar. Grande parte da actual crise deve-se às políticas macro-económicas do BCE com taxas irrealmente baixas que induziram a população ao sobreconsumo e endividamento. Também podemos agradecer à UE que nos deu como prémio de bons alunos a abertura do mercado da UE à entrada de artigos asiáticos que levou à ruína da nossas indústrias do têxtil e do calçado. Mas claro que para a Alemanha e a sua indústria automóvel continuam a haver as restrições às importações do costume. Com políticas destas era de esperar outra coisa?

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  38. PMF's avatar
    16 Setembro, 2012 09:34

    Basicamente de acordo. De resto pude acompanhar quase a par e passo o sucedido com algumas pessoas ligadas à res publica e, curiosamente, a incapacidade para sentirem que a borrasca estaria iminente, antes mesmo da desastrada e, até agora, injustificada (ou melhor, incompreensível) comunicação de Passos Coelho, era patente. A análise à situação – em resumo, à situação de se estar em cima de um barril de pólvoro e ter-se inadvertidamente acendido o fósforo – é, na minha opinião , muito certeira.
    Há, no entanto, um dado que retira, ainda, capacidade negociual sobretudo a Vitor Gaspar: o propalado objectivo do défice (dos 4,3 %) – que mal ou bem tinha sido fixado e nos tinha sido garantido que seria atingido – FALHOU. É um dado incontornável. A partir daqui – e, sobretudo, a partir do ar de espanto com que V. Gaspar anunciou a quebra de receitas fiscais – ficou muito fragilizado para voltar a insistir, SEM EXPLICAÇÕES CONVINCENTES, em medidas que, aos olhos do país “que perdeu”, são mais do mesmo (que o levou a falhar, nesse ponto).

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  39. zazie's avatar
    zazie permalink
    16 Setembro, 2012 09:36

    SM: a vida dele é a de funcionário público. Portanto, deduzo que o problema é a ruína dos funcionários públicos.

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  40. zazie's avatar
    zazie permalink
    16 Setembro, 2012 09:37

    Ah, a desses 2 é igual à dos que convocaram a manif. Chegaram onde estão do mesmo modo. Não existe grande diferença.

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  41. zazie's avatar
    zazie permalink
    16 Setembro, 2012 09:38

    Uns com quinta na margem sul, outros com quinta na margem norte. Nada de muito diferente. Pelos jornais e pelos espectáculos.

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  42. zazie's avatar
    zazie permalink
    16 Setembro, 2012 09:40

    Ana Carla Gonçalves, Ana Nicolau, António Costa Santos, António Pinho Vargas, Belandina Vaz, Bruno Neto, Chullage, Diana Póvoas, Fabíola Cardoso, Frederico Aleixo, Helena Pato, Joana Manuel, João Camargo, Luís Bernardo, Magda Alves, Magdala Gusmão, Marco Marques, Margarida Vale Gato, Mariana Avelãs, Myriam Zaluar, Nuno Ramos de Almeida, Paula Marques, Paulo Raposo, Ricardo Morte, Rita Veloso, Rui Franco, Sandra Monteiro, São José Lapa, Tiago Rodrigues.
    .
    BEs. comunas, cripto comunas e tolinhos à boleia.

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  43. Pedro Paulo's avatar
    17 Setembro, 2012 01:45

    Gostei muito do seu artigo. Obrigado. Eu penso que não é Coelho o maior responsável pela situação. O primeiro grande golpe no Governo veio do TC. Isso é surpreendente. Os juizes deviam ter percebido a situação complicada das nossas contas e não criar mais problemas ao Governo. A Situação era demasiado má. Mas eles escolheram chumbar as medidas dizendo até que os privados deviam também partilhar os sacrificios. Ao mesmo tempo os vendedores de ilusões martelavam as pessoas . Seguro, Louçã afirmavam que esta politica do Coelho estava errada. Ninguém deu plano credivel alternativo. Só se descredibilizava Coelho. As pessoas acabam por acreditar em quem lhes oferece a ilusão de que outro caminho menos doloroso é possivel. Deixam de acreditar em Coelho. Por fim a RTP dá a machadada final. Durante uma semana a RTP é passerelle dos criticos de Coelho. A Entrevista do elemento da Troika a que se refere não teve destaque na RTP. Dá-se voz é aos bota abaixo. O resultado está à vista. Um pais desgovernado. Tanto se critica o timoneiro que já não se sabe o rumo da caravela.

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    • politologo's avatar
      politologo permalink
      17 Setembro, 2012 12:23

      Artigo 104.º da Constituição da República Portuguesa (Impostos)
      1. O imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e
      progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar.
      O que pretende o Governo fazer ? p.e.
      REFORMADOS
      (antes)
      Tributação do Rendimento Pessoal (global/único/progressivo)
      Ro = outros rendimentos
      R = Reforma (inclui dois subsídios)
      Imposto Único e Progressivo sobre (Ro+R) taxa IRS(1 escalão em tabela única)
      (agora ficam sem os dois subsídios taxados isoladamente com 100% !…)
      FUNCIONÁRIO PÚBLICO
      Agora a louca ideia dum louco PPC que depois do discurso foi cantar para o Tivoli e do feirante Portas que “mui feliz…” se “pavoneia” no Brasil… , seria real se não fosse inconstitucional :
      Uma situação obviamente discriminatória :
      Ro + S2 (1 subsídio) com a taxa de IRS (1 escalão em tabela única)
      S1 (1 subsídio) com a taxa de 100 %
      S2 (1 subsídio pago em duodécimos com uma carga parafiscal de 7%/mês)
      com taxa de 84%+taxa de IRS > 100 % (!…)
      É evidente que estão violados os princípios constitucionais da UNICIDADE e PROGRESSIVIDADE (artigo 104º) ; IGUALDADE(versus equidade) (artigo 13º) ; e LEGALIDADE (e os seus corolários PROPORCIONALIDADE , CONFIANÇA LEGÍTIMA/SEGURANÇA JURÍDICA e INTANGIBILIDADE dos SUBSÍDIOS (artigo 3º) .
      Havendo ainda o ónus governativo de provar a inexistência de alternativa , previsto no nº 4 do artigo 282º da CRP , se fôr o caso. Note-se , também , o argumento do interesse público está agora enfraquecido com as recentes medidas do BCE .E à margem disto ainda vão mexer (como?) no IRS e dar créditos fiscais a quem eventualmente é analfabeto fiscal e até não paga IRS !… (mais uma distorsão fiscal !…) Pura Demagogia !…
      Lamenta-se a IGNORÂNCIA FISCAL do Tribunal Constitucional e do Governo a par da generalidade dos comentadores , Juizes abusivamente televisivos e Marcelo incluidos (com excepção para MST) que apenas referem a igualdade (=equidade ) e desconhecem “ad minus” a progressividade e a unicidade .
      É esta Santa Ignorância que governa Portugal: Retornados e Nativos luxuosamente reformados , que vendem o património nacional aos ora ex-Colonizados(!) e outros estrangeiros , que lhes garantem
      proveitosos lugares nas respectivas administrações .
      Mas, “em Portugal , os Politicos não são corruptos” e a JUSTIÇA é cega ,surda e muda e outras coisas mais…
      P.S. Na pós adesão à CEE , confrontado um autor da CRP sobre a necessidade de alterar a CRP (o que já havia acontecido em Espanha e viria a acontecer necessariamente em Portugal apenas alguns anos depois) , ficou como a cara do aluno mais estúpido que ele reprova !…

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