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Mercado da dívida visto pela esquerda

26 Dezembro, 2012

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Taxa de juro da dívida a 10 anos no mercado secundário.

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55 comentários leave one →
  1. JDGF permalink
    26 Dezembro, 2012 19:55

    Calma! A ‘montanha russa’ – que o gráfico expressa – ainda não acabou…

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  2. Portela Menos 1 permalink
    26 Dezembro, 2012 19:55

    coloca aí um gráfico com a evolução do Desemprego nos últimos 18 meses, sff.

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  3. Trinta e três permalink
    26 Dezembro, 2012 19:58

    “Visto pela esquerda”? Por onde tem andado o João Miranda? É que a inevitabilidade da “restruturação da dívida” (com este ou outro nome) é o assunto mais consensual do momento.

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  4. Grunho permalink
    26 Dezembro, 2012 19:59

    E outro com a evolução da dívida que está a diminuir a olhos vistos.

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  5. Duarte permalink
    26 Dezembro, 2012 20:04

    Para o inexcedível JM entender o que se passa, recomendo a seguinte leitura

    O BCE e o Fed ao serviço dos grandes bancos privados

    A atividade do Banco Central Europeu e do Fed |1|
    Os bancos europeus entraram numa fase crítica a partir de junho de 2011. A situação era quase tão grave como após a falência do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. Muitos deles estavam à beira da asfixia, porque as suas enormes necessidades de financiamento a curto prazo (alguns bilhões de dólares) deixaram de ser satisfeitas pelos money market funds americanos, que consideravam que a situação dos bancos europeus era cada vez mais arriscada |2|.

    Os bancos foram confrontados com a ameaça de não conseguirem pagar as dívidas. Foi então que o BCE, na sequência de uma cúpula europeia, que se realizou de urgência a 21 de julho de 2011 para fazer face a uma série de possíveis falências bancárias, recomeçou a comprar, em grandes quantidades, títulos de dívida pública grega, portuguesa, irlandesa, italiana e espanhola, para fornecer liquidez aos bancos e aliviar o peso de uma parte dos títulos que tinham comprado avidamente no período anterior. Mas não foi suficiente.

    A derrocada do preço das ações dos bancos na bolsa continuava. Para os patrões dos bancos, agosto foi o mês de todos os perigos. A abertura pelo BCE, em setembro de 2011, de uma linha de crédito ilimitada, em concertação com o Fed, o Banco de Inglaterra e o Banco da Suíça, foi decisiva para manter à tona os bancos europeus: os bancos com falta de dólares e de euros foram colocados sob observação. Começaram a respirar outra vez, mas a medida foi insuficiente. A descida aos infernos continuava.

    Entre 1º de janeiro e 21 de outubro de 2011, a atividade da Société Générale caiu 52,8%, a do BNP Paribas, 33,3%, a do Deutsche Bank, 28,8%, a do Barclays, 30,5%, a do Credit Suisse, 36,7%. O BCE teve de utilizar a sua bazuca LTRO (Long Term Refinancing Operation): emprestou mais de um bilião de euros, a um prazo de três anos e a um juro de 1%, a mais de oitocentos bancos, entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2012.

    O Fed fez praticamente o mesmo, desde 2008, a uma taxa oficial ainda menor: 0,25%. Na verdade, como revelou, em julho de 2011, um relatório do GAO (equivalente nos Estados Unidos ao Tribunal de Contas), o Fed emprestou 16 trilhões de dólares a uma taxa de juro inferior a 0,25% |3|. O relatório mostra que, ao agir desse modo, o Fed não respeitou as suas próprias regras prudenciais e não informou o Congresso sobre o sucedido.

    De acordo com uma comissão de inquérito do Congresso dos Estados Unidos, o conluio entre o Fed e os grandes bancos privados era evidente: «O diretor-geral do JP Morgan Chase era membro da Reserva Federal de Nova Iorque, na altura em que o “seu” banco recebia ajuda financeira do Fed, no valor de 390 mil milhões de dólares. Além disso, o JP Morgan Chase servia também de intermediário para o crédito de urgência concedido pelo Fed |4|».

    De acordo com Michel Rocard, ex-primeiro-ministro francês, e Pierre Larrouturou, economista, que se baseiam numa investigação realizada pela agência financeira nova-iorquina, Bloomberg, o Fed teria emprestado parte da quantia acima mencionada a um juro ínfimo: 0,01%. Michel Rocard e Pierre Larrouturou afirmam no jornal Le Monde: «Depois de ter desbravado 20.000 páginas de vários documentos, a Bloomberg mostra que a Reserva Federal emprestou secretamente a bancos em dificuldades a quantia de 1,2 trilhões, a juros incrivelmente baixos, de 0,01%» |5|.

    Os autores perguntam: «É normal que, em caso de crise, os bancos privados, que habitualmente se financiam a juros de 1% junto dos bancos centrais, possam beneficiar de taxas de 0,01%, quando alguns estados em plena crise são obrigados a pagar juros 600 ou 800 vezes mais elevados?»

    Os principais bancos europeus também tiveram acesso a empréstimos do Fed até ao início de 2011 (o Dexia recebeu 159 bilhões de dólares de empréstimos |6|, o Barclays recebeu 868 bilhões de dólares, o Royal Bank of Scotland, 541 bilhões de dólares, o Deutsche Bank, 354 bilhões de dólares, o UBS, 287 bilhões de dólares, o Credit Suisse, 260 bilhões de dólares, o BNP Paribas, 175 bilhões de dólares, o Dresdner Bank, 135 bilhões de dólares, a Société Générale, 124 bilhões de dólares). O fato de o financiamento dos bancos europeus, via Fed, ter secado (nomeadamente sob pressão do Congresso norte-americano) foi uma das razões que levou também os money market funds norte-americanos a fecharem a torneira dos empréstimos aos bancos europeus, a partir de maio-junho de 2011.

    Quais as consequências da entrega de 1 trilhão de euros aos bancos pelo BCE?

    Em 2012, os bancos, a nadarem em liquidez, compraram, em grandes quantidades, títulos de dívida pública dos seus países. Vejamos o exemplo de Espanha. Os bancos espanhóis pediram emprestado ao BCE 300 bilhões de euros, a três anos, com um juro de 1%, no âmbito do LTRO |7|. Com uma parte desse montante, aumentaram drasticamente as suas compras de dívida, emitida pelas autoridades espanholas. A evolução é impressionante: em finais de 2006, os bancos espanhóis detinham títulos públicos do seu país no valor de apenas 16 bilhões de euros. Em 2010, aumentam as compras de títulos públicos espanhóis. Detinham 63 bilhões.

    Em 2011, a compra volta a aumentar. Os títulos espanhóis, na posse dos bancos, atingem o montante de 94 bilhões. E devido ao LTRO, as aquisições explodem literalmente. O montante duplica no prazo de alguns meses, alcançando os 184,5 bilhões de euros, em julho de 2012 |8|. Convém dizer que se trata de uma operação muito rentável para os bancos. Pedindo emprestado a 1%, compram títulos espanhóis, a 10 anos, com juros que variam entre 5,5 e 7,6%, no segundo semestre de 2012.

    Em seguida, vejamos o exemplo de Itália. Entre finais de dezembro de 2011 e março de 2012, os bancos italianos pedem emprestado ao BCE 255 bilhões de euros no âmbito do LTRO |9|. Em finais de 2010, os bancos italianos detinham títulos públicos do seu país no valor de 208,3 bilhões de euros, mas o montante aumenta para 224,1 bilhões no final de 2011, poucos dias após o início do LTRO. Logo de seguida, utilizam a enorme quantidade de créditos que recebem do BCE para comprarem títulos italianos. Em setembro de 2012, os bancos detêm títulos italianos no valor de 341,4 bilhões de euros |10|. Como no caso espanhol, trata-se de uma operação muito rentável: pedem emprestado a 1% e comprando títulos italianos a 10 anos conseguem um juro que varia entre 5 e 6,6% no segundo semestre de 2012.

    O mesmo fenômeno aconteceu na maioria dos países da zona euro. Houve relocalização de uma parte dos ativos dos bancos europeus para os países de origem. Em concreto, constata-se em 2012, em cada país, um aumento significativo da fatia de dívida pública na posse de instituições financeiras desse mesmo país. Essa evolução tranquilizou os governos da zona euro, em especial os de Itália e de Espanha, porque descobriram que enfrentavam menos dificuldades vendendo aos bancos os títulos públicos que emitiam. O BCE parecia ter descoberto a solução – emprestando grandes quantias aos bancos privados, salvava-os de uma situação crítica e poupava alguns Estados a lançarem-se em novos planos de resgate bancário. O dinheiro emprestado aos bancos era, em parte, utilizado na compra de títulos de dívida pública de Estados da zona euro, o que fez parar a subida das taxas de juro dos países mais frágeis e até provocou uma diminuição das taxas de juro nalguns países.

    É fácil de ver que, do ponto de vista do interesse da população dos países em questão, teria sido necessário adotar uma abordagem completamente diferente: o BCE deveria emprestar diretamente aos Estados a menos de 1% (como acontece com os bancos privados desde maio de 2012) ou mesmo sem juro. Dever-se-ia também socializar os bancos, sob controle cidadão.

    Em vez disso, o BCE resolveu proteger os bancos privados, abrindo uma linha de crédito ilimitada, a taxas de juro muito baixas (entre 0,75 e 1%). Os bancos privados deram diferentes usos a esse maná de financiamento público. Como acabamos de ver, por um lado compraram títulos soberanos de países que, sob pressão dos próprios bancos, aceitaram pagar juros altos (entre 5 e 7,6%, a 10 anos), como aconteceu em Espanha e Itália. Por outro lado colocaram uma parte do crédito concedido pelo BCE… no BCE…! Entre 300 e 400 bilhões são depositados pelos bancos, todos os dias, no BCE, a uma taxa de 0,25%, no início de 2012, e a 0%, desde maio de 2012. E por que fazem isso? Porque querem mostrar aos outros banqueiros e aos outros prestadores privados de crédito (money market funds, fundos de pensões, companhias de seguros) que têm cash, em permanência, para fazerem face à explosão de bombas ao retardador que se encontram nas suas contas. Porque se não tivessem esse cash disponível, os potenciais credores afastar-se-iam ou imporiam taxas muito elevadas. Com o mesmo objetivo de tranquilizar os credores privados, compram também títulos soberanos de Estados que não representam risco a curto ou médio prazo: Alemanha, Holanda, França… Os bancos privados são a tal ponto sôfregos que esses Estados podem dar-se ao luxo de lhes vender títulos a dois anos, a uma taxa de 0% ou até mesmo com um rendimento ligeiramente negativo (sem ter em conta a inflação).

    Os juros pagos pela Alemanha e pelos outros países considerados financeiramente sólidos caíram significativamente, devido à política do BCE e ao agravamento da crise nos países da periferia. Houve uma fuga de capital da periferia europeia para o centro. Os títulos alemães são tão fiáveis, que, no caso de ser necessário cash, podem ser vendidos, de um dia para o outro, sem perdas. Os bancos adquirem-nos, não com o objetivo de ganharem dinheiro, mas para terem permanentemente, no BCE ou sob a forma de títulos com liquidez, quantidades de dinheiro disponíveis a fim de darem uma impressão (muitas vezes falsa) de solvência e de estarem prontos para qualquer eventualidade. Os bancos obtêm lucro emprestando a Espanha e a Itália e isso compensa as perdas que possam ter com os títulos alemães. É muito importante notar que os bancos não aumentaram os seus empréstimos a famílias e empresas, apesar de um dos objetivos oficiais dos empréstimos do BCE ser fazer crescer esses créditos para relançar a economia.

    Qual o balanço a fazer da atividade do BCE na perspetiva das elites?

    Coloquemo-nos, por um instante, no lugar do 1% mais rico, para avaliarmos a atividade do BCE. O discurso oficial considera que o BCE foi bem sucedido na transição do seu antigo presidente, o francês Jean-Claude Trichet, para o novo presidente, Mario Draghi |11|, ex-governador do Banco de Itália e antigo vice-presidente da Goldman Sachs Europa. O BCE e os dirigentes dos principais países europeus conseguiram negociar uma redução da dívida grega, convencendo os bancos privados a aceitarem uma diminuição de cerca de 50% dos seus créditos e assegurando que o governo grego implementaria um novo plano radical de austeridade, que incluísse privatizações em massa, e que concordaria em abrir mão de boa parte da soberania do país.

    Desde março de 2012, os membros da Troika instalaram-se nos ministérios de Atenas para acompanharem de perto as contas do Estado. Os novos empréstimos concedidos à Grécia passam agora diretamente por uma conta controlada pelas autoridades europeias, que a podem, portanto, bloquear. Cereja no topo do bolo, os novos títulos de dívida grega deixaram de ser competência dos tribunais gregos. As novas obrigações emitidas ao abrigo desse programa são regidas por lei inglesa e os conflitos entre o governo grego e os credores privados são arbitrados no Luxemburgo |12|.

    Mas não é tudo: sob pressão do BCE e de dirigentes europeus, o governo Pasok, de George Papandreou, muito submisso, mas cada vez mais impopular, foi substituído por um governo não eleito de unidade nacional, Nova Democracia-Pasok, sendo os lugares-chave entregues a ministros provenientes da banca.

    Pode-se completar o quadro com mais três boas notícias para o BCE e para os dirigentes europeus:

    1. Silvio Bersluconi foi forçado a demitir-se e foi substituído por um governo de técnicos, aparecendo à cabeça Mario Monti, antigo comissário europeu, muito próximo da banca e capaz de impor aos italianos um aprofundamento das políticas neoliberais |13|.

    2. Na Espanha, o presidente do governo, Mariano Rajoy, do Partido Popular, há alguns meses no cargo, está também pronto a radicalizar as políticas neoliberais do seu antecessor, o socialista José Luis Zapatero.

    3. Os dirigentes europeus |14| chegaram a acordo sobre um pacto de estabilidade, que vai deixar para a posteridade a austeridade fiscal, a perda de soberania nacional por parte dos Estados-membros e uma dose extra de obediência à lógica do capital privado.

    Finalmente, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) vai, em breve, ser acionado, permitindo ajudar mais os Estados e os bancos |15| nas próximas crises do setor bancário, que vão continuar a ocorrer, e dos Estados-Membros que lutam para se financiarem.

    Os diferentes exemplos mostram que os líderes europeus, ao serviço do grande capital, conseguem marginalizar o poder legislativo, ignorando as escolhas das eleitoras e dos eleitores. Além disso, onde fica a democracia, quando as eleitoras e os eleitores que pretendem recusar em massa a austeridade já não têm oportunidade de expressar o seu voto, ou quando veem o seu sentido de voto ser anulado, porque a escolha dos eleitores não coincide com a dos governantes, como em 2005, em França e na Holanda, após o «não» ao Tratado Constitucional Europeu, como na Irlanda e em Portugal após as eleições de 2011 e como em França e na Holanda de novo, após as eleições de 2012. Tudo é feito para que a margem de manobra dos governos nacionais e dos poderes públicos seja limitada por um enquadramento europeu cada vez mais restritivo. Trata-se de uma tendência muito perigosa, a menos, é certo, que os governos, apoiados pela população, decidam desobedecer.

    Se nos colocarmos, por um instante, na posição de Mario Draghi, dos principais dirigentes europeus e dos bancos, podemos concluir que, em março-abril de 2012, tinham motivos para sorrir. Tudo decorria como previsto.

    Os entraves ao sucesso do BCE e dos governos europeus

    As nuvens negras chegam depois. A situação complica-se, a partir de maio de 2012, quando o Bankia, o quarto banco espanhol, dirigido pelo ex-diretor-geral do FMI, Rodrigo de Rato, entra em falência técnica. Segundo as fontes, as necessidades dos bancos espanhóis em termos de recapitalização variam entre 40 e 100 bilhões de euros e Mariano Rajoy, que não quer recorrer à ajuda da Troika, está numa posição muito difícil. A juntar a isso, o fato de se sucederem vários escândalo bancários em nível internacional. O caso da manipulação da taxa Libor, a taxa interbancária londrina, é o mais sonante e envolve uma dúzia de grandes bancos.

    Acrescente-se ainda o caso da conduta danosa do HSBC, que envolve lavagem de dinheiro da droga e outros negócios criminosos.

    Na França, a maioria dos eleitores afasta Nicolas Sarkozy. François Hollande é eleito em 6 de maio de 2012, mas a mudança não preocupa as instituições financeiras internacionais, que contam com o pragmatismo dos socialistas franceses e dos outros partidos socialistas europeus para darem continuidade à austeridade. Embora convenha ter sempre presente que o povo francês é muito propenso a excessos e suscetível de acreditar que é preciso uma verdadeira mudança.

    Na Grécia, a situação é mais tensa para o BCE, pois o Syriza, coligação de esquerda radical que promete revogar as medidas de austeridade, suspender o pagamento da dívida e desafiar as autoridades europeias, está à beira duma vitória eleitoral. Para os defensores da austeridade europeia é preciso impedir a situação a todo custo. Na noite de 17 de junho de 2012 respira-se de alívio no BCE, na sede dos governos europeus e nos conselhos de administração das grandes empresas: o partido de direita, a Nova Democracia, passa à frente da Syriza. Até o novo presidente socialista francês saúda o resultado da eleição. E no dia seguinte os mercados respiram – vão poder manter a via da austeridade, da estabilização da zona euro e do saneamento das contas dos bancos privados.

    (continua…)

    A parte 3 desta série debruça-se sobre os dois objetivos pretendidos pelos dirigentes europeus: levar a bom porto a maior ofensiva contra os direitos sociais desde a segunda guerra mundial e evitar um novo crash financeiro/bancário, que poderia revelar-se ainda pior do que o crash de setembro de 2008.

    Tradução Maria da Liberdade, revisão de Rui Viana Pereira

    Eric Toussaint, professor na Universidade de Liège, é presidente do CADTM Bélgica (Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, http://www.cadtm.org) e membro do conselho científico da ATTAC França. Escreveu, com Damien Millet, AAA. Audit Annulation Autre politique, Seuil, Paris, 2012.

    Notas

    |1| O Banco de Inglaterra e outros bancos centrais seguem, grosso modo, a mesma política.

    |2| Desde agosto de 2011 que descrevo a situação, numa fase em que poucos comentadores financeiros falavam do assunto. Veja-se a série No Cerne do Ciclone: a crise da dívida na União Europeia: «Os bancos financiaram e continuam a financiar os seus empréstimos aos Estados e às empresas europeias graças aos empréstimos que contraem nos money market funds dos EUA. Ora estes ganharam medo pelo que acontece na Europa […]. A partir de julho de 2011, esta fonte de financiamento a juros baixos quase secou, principalmente à custa dos grandes bancos franceses, o que precipitou uma queda no mercado bolsista e aumentou a pressão exercida pelos bancos sobre o BCE, para que este comprasse títulos fornecendo assim dinheiro fresco. Em resumo, temos aqui mais uma prova da amplitude dos vasos comunicantes entre a economia dos EUA e a dos países da UE. Daí os contactos incessantes entre Barack Obama, Angela Merckel, Nicolas Sarkozy, o BCE, o FMI… e os grandes banqueiros, do Goldman Sachs ao BNP Paribas, passando pelo Deutsche Bank… Uma ruptura dos créditos em dólares, que trazem muito benefício aos bancos europeus, pode provocar uma crise muito grave no velho continente, da mesma maneira que a dificuldade dos bancos europeus em reembolsar os emprestadores norte-americanos pode precipitar uma nova crise na Wall Street» (http://cadtm.org/No-cerne-do-ciclon…).

    Um estudo recente do Banco Natixis confirma a angústia que experimentaram os bancos franceses durante o verão de 2011: Flash Economie, «bancos franceses no turbilhão dos mercados monetários», 29 de outubro de 2012. Lê-se também: «De junho a novembro de 2011, os fundos monetários norte-americanos retiraram, de repente, a maior parte do seu financiamento aos bancos franceses. […] Foram cerca de 140 mil milhões de dólares de financiamento, a curto prazo, que os bancos franceses não receberam, no final de novembro de 2011, e nenhum foi poupado» (http://cib.natixis.com/flushdoc.asp…). O fechar da torneira afetou também a maioria dos outros bancos europeus, como mostra o estudo publicado por Natixis.

    |3| GAO, Federal Reserve System, Opportunities Exist to Strengthen Policies and Processes for Managing Emergency Assistance, julho de 2011, http://www.gao.gov/assets/330/321506.pdf. O relatório do Tribunal de Contas (GAO = United States Government Accountability Office) foi realizado devido a uma alteração da lei Dodd-Frank (ver mais à frente), introduzida pelos senadores Ron Paul, Alan Grayson e Bernie Sanders, em 2010. Bernie Sanders, senador independente, tornou-a pública (http://www.sanders.senate.gov/imo/media/doc/GAO%20Fed%20Investigation.pdf).

    Além disso, de acordo com um estudo independente do Instituto Levy, onde colaboram economistas como Joseph Stiglitz, Paul Krugman e James K Galbraith, os créditos do Fed atingiram um montante superior ao revelado pelo GAO. Não seriam 16 biliões, mas 29 biliões. Veja-se James Felkerson, «$29,000,000,000,000: A Detailed Look at the Fed’s Bailout by Funding Facility and Recipient», http://www.levyinstitute.org/pubs/wp_698.pdf

    |4| «The CEO of JP Morgan Chase served on the New York Fed’s board of directors at the same time that his bank received more than $390 billion in financial assistance from the Fed. Moreover, JP Morgan Chase served as one of the clearing banks for the Fed’s emergency lending programs», http://www.sanders.senate.gov/newsroom/news/?id=9e2a4ea8-6e73-4be2-a753-

    |5| Michel Rocard e Pierre Larrouturou, «Pourquoi faut-il que les Etats payent 600 fois plus que les banques?», Le Monde, edição de 3 de janeiro de 2012.

    |6| Ver o relatório do GAO, mencionado mais acima, na p. 196, que refere empréstimos ao Dexia no valor de 53 bilhões de dólares, o que representa apenas uma parte dos empréstimos concedidos ao Dexia pelo Fed.

    |7| Financial Times, «Banks plot early repayment of ECB crisis loans», edição de 15 de novembro de 2012, p. 25.

    |8| Retirado do diário económico espanhol El Economista

    |9| Financial Times, ibid.

    |10| Ver: Banco da Itália.

    |11| Mario Draghi assumiu a presidência do BCE a 1 de novembro de 2011.

    |12| Ver http://fr.wikipedia.org/wiki/Crise_…. Ver também Alain Salles e Benoït Vitkine, «Fatalisme face à un sauvetage échangé contre une perte de souveraineté», Le Monde, edição de 22 de fevereiro de 2012, http://www.forumfr.com/sujet448690-….

    |13| Mario Monti, primeiro-ministro desde 13 de novembro de 2011, foi nomeado senador vitalício pelo presidente da república, Giorgio Napolitano. Devido à sua nomeação, deixou vários cargos de responsabilidade: a presidência da mais prestigiada universidade privada italiana, a Bocconi, a presidência do departamento Europa, a Trilateral, um dos mais importantes círculos da elite oligárquica internacional, o comité de direção do clube Bilderberg e a presidência do think tank neoliberal Bruegel. Monti foi conselheiro internacional da Goldman Sachs, entre 2005 e 2011 (na qualidade de membro do Research Advisory Council do Goldman Sachs Global Market Institute); foi nomeado Comissário Europeu do Mercado Interno (1995-1999) e foi comissário europeu da Concorrência, em Bruxelas (1999-2004). Foi membro do Senior European Advisory Council da Moody’s e conselheiro da Coca-Cola. É ainda um dos presidentes do Bussiness and Economics Advisory Group do Atlantic Council (um think tank americano que promove a liderança dos EUA) e faz parte da presidência dos Friends of Europe, influente think tank com sede em Bruxelas.

    |14| Com exceção do Reino Unido e da República Tcheca.

    |15| Numa cimeira europeia, em 21 de junho de 2012, foi decidido que o MEE seria também usado para salvar os bancos. Na ocasião, foi apresentado por Mariano Rajoy como uma vitória, permitindo à Espanha escapar às novas condições impostas pela Comissão Europeia ou pela Troika. Rajoy explicou que a ajuda, que seria concedida pelo MEE aos bancos espanhóis, não seria contabilizada na dívida pública espanhola, o que levou dirigentes de vários países da zona euro (Alemanha, Holanda, Finlândia…) a protestar, assim como o FMI. No final de novembro de 2012, ainda não havia consenso sobre essa questão.

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  6. Joaquim Amado Lopes permalink
    26 Dezembro, 2012 20:20

    Duarte,
    Teria sido mais fácil publicar apenas o link http://cadtm.org/O-BCE-e-o-Fed-ao-servico-dos.
    Por acaso achou que o nome “Comité para a Anulação da dívida do Terceiro Mundo” e os outros artigos publicados nesse site comprometeriam a credibilidade do artigo que reproduziu?

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  7. pedro permalink
    26 Dezembro, 2012 20:31

    Dr joão Miranda : qual esquerda? Números são números e mostram a nossa desgraça. A dívida pública em 2011(185MM/105%do pib); dívida pública em 2012(197MM/120%do pib).Isto é insustentável para a esquerda ou para a direita.E, espere pela pancada dos dados do último trimestre deste ano e do 1º trimestre de 2013 .Já agora: o pib em 2011(171mm) e em 2012(166MM) e em 2013 depende da recessão.

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  8. Lucas Galuxo permalink
    26 Dezembro, 2012 20:36

    Um dias destes a taxa de juro da dívida volta ao que era antes do teatro do chumbo do PEC IV.

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  9. JoaoMiranda permalink*
    26 Dezembro, 2012 20:36

    Pedro,
    .
    Explique lá porque é insustentável. Já agora, em que momento percebeu que é insustentável?

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  10. antonio permalink
    26 Dezembro, 2012 20:50

    eh,eh,eh…..o socialismo não tem emenda…sempre a deitar foguetes à custa de quase todos.

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  11. Pinto permalink
    26 Dezembro, 2012 20:54

    Trinta e Três,
    É que a inevitabilidade da “restruturação da dívida” (com este ou outro nome) é o assunto mais consensual do momento”
    .
    Para si o Artur Baptista da Silva, o Nicolau Santos e o Ricardo Costa juntos chamam-se “consensualidade”.
    .
    Duarte, desenvolva mais o assunto. Foi demasiado sucinto e não se consegue perceber a ideia.

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  12. serrano permalink
    26 Dezembro, 2012 21:16

    Esta esquerdalha nojenta,qual cigarras desvairadas é que nos levaram a esta situação.

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  13. Trinta e três permalink
    26 Dezembro, 2012 21:28

    Pinto:
    Tente mais estes: Bagão Félix, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Rui Moreira, Ângelo Correia. Como vê, tudo gente de “esquerda”. Ou será que o Pinto só lê o Blasfémias?

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  14. Tiro ao Alvo permalink
    26 Dezembro, 2012 21:35

    O Duarte é o dono deste espaço?

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  15. Norberto Alves permalink
    26 Dezembro, 2012 21:38

    É ainda possível organizar o gráfico em duas eras. A primeira é a era do obsessão pelo défice, um período onde a dívida pública sobe descontroladamente sem qualquer preocupação com o seu pagamento. A segunda é a era do não pagamos, onde se queixam que a dívida que foi contraída para pagar os défices não foi contraída pela malta da esquerda e assim ou não pagam ou querem pagar amanhã.

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  16. Carlos permalink
    26 Dezembro, 2012 21:43

    Duarte

    Vou imprimir o seu texto e usá-lo num sítio de grandes e inadiáveis necessidades.
    Para si, o meu sincero agradecimento.

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  17. Duarte permalink
    26 Dezembro, 2012 21:58

    Para baralhar ainda mais o expert JM
    RISCO DE INCUMPRIMENTO SOBE MAS JUROS DESCEM

    Porque será?

    Tal como se verificara ontem, a probabilidade de incumprimento num horizonte de cinco anos da dívida portuguesa continua a subir. Os efeitos da decisão do Eurogrupo de dar luz verde à recompra de dívida pela Grécia e de salientar os avanços no memorando de entendimento com vista a um plano de resgate a Chipre apenas continuam a bafejar os dois países envolvidos, cujo risco de incumprimento tem descido ou permanecido estável.

    O mesmo não acontece com os restantes países “periféricos” – Portugal, Espanha, Itália e Irlanda. Nestes quatro casos, o risco de incumprimento agravou-se hoje.

    Amanhã a atenção dos investidores nos mercados da dívida estará dirigida para a reunião mensal do Banco Central Europeu em Frankfurt, seguida da tradicional conferência de imprensa de Mário Draghi, o seu presidente.

    Subida de risco português prossegue

    Na segunda-feira, o risco de incumprimento da dívida portuguesa havia descido de 34,37% no fecho de sexta-feira (e último dia de negociação do mês de novembro) para 31,93%, usufruindo do contágio positivo da decisão da Grécia de avançar com uma recompra de dívida bem recebida pelos investidores, segundo dados da CMA DataVision.

    Mas esta trajetória inverteu-se na terça-feira com o risco a fechar em 32,21%, subida que prosseguiu hoje, fechando em 33,12%. Portugal mantém-se na 7ª posição do “clube” dos 10 países com mais alto risco de default.

    No entanto, nas yields dos títulos do Tesouro no mercado secundário, a situação é mais diversifica entre os “periféricos”. As yields subiram em todas as maturidades nos casos das obrigações espanholas e dos títulos do Departamento do Tesouro italiano, bem como nos títulos gregos de referência a 10 anos (que foram fruto da troca operada na reestruturação de dívida de março e abril passados).

    A agência de notação Standard & Poor’s anunciou hoje que cortou o rating da Grécia do nível CCC (que significa bancarrota iminente ou inevitável) para SD, de default selectivo, em virtude da operação em curso de recompra de dívida. Se esta operação correr bem – o que só se saberá na sexta-feira ao final da tarde -, a notação será revista, devendo subir, de novo, para CCC.

    Mas juros descem

    Mas, no caso das obrigações do Tesouro (OT) português, assistiu-se hoje a uma descida das yields em todos os prazos, o que não se verificara ontem. Na maturidade a dois anos, as yields permanecem abaixo de 4% e nas maturidades a sete e a dez anos continuaram a descer no patamar dos 7%., segundo dados da Bloomberg. No caso do prazo a sete anos – que é o prazo médio residual da dívida portuguesa -, as yields das OT aproximam-se do limiar simbólico dos 7%, tendo fechado hoje em 7,298%.

    A situação portuguesa continua a não ser clara acerca da renegociação de alguns aspetos – comissões, prazos de reembolso e período de carência – do memorando de entendimento com a troika e de um eventual benefício futuro derivado do novo programa de compra de dívida no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (conhecido pelo acrónimo inglês OMT e lançado por Mário Draghi no verão).

    O presidente da República emitiu hoje uma opinião claramente contrária ao “recuo” de Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, e do ministro das Finanças e do primeiro-ministro portugueses a propósito da inoportunidade de discutir a extensão a Portugal de algumas revisões de condições ocorridas com a Grécia.

    E, depois de ontem Joerg Asmussen, membro da Comissão Executiva do BCE, ter afirmado ao “Jornal de Negócios” que, para o recurso ao programa OMT, era condição necessária, mas não suficiente, que o IGCP, a agência de gestão da dívida portuguesa, emitisse “quantidades razoáveis de obrigações com prazos mais longos”, o presidente daquele organismo, João Moreira Rato, declarou hoje ao “The Wall Street Journal” que não haveria “precipitação” da parte portuguesa, admitindo que se poderá realizar, no início do ano, uma nova operação de extensão de maturidades como a que ocorreu a 3 de outubro.

    Ler mais: http://expresso.sapo.pt/divida-juros-descem-mas-risco-sobe=f771813#ixzz2GCJ6CvnW

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  18. Paulo permalink
    26 Dezembro, 2012 22:03

    Miranda
    O comportamento dos juros é muito interessante, mas o que precisamos é de saber a visão e as etapas.
    E já agora que alguns dos objetivos anunciados seja efetivamente cumprido.
    Porque esta coisa Gaspariana de ir fazendo cortes sucessivos e nunca atingir nenhum objetivo não gera confiança nenhuma, mesmo que os juros desçam até zero (de que nos serve juros baixos se não tivemos rendimento nenhum?).
    .
    É que alguns vivem do pé de meia que os progenitores lhes proporcionaram, mas muitos outros estavam a começar a construir os alicerces da vida, e ficaram com as fundações a meio.

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  19. Expatriado permalink
    26 Dezembro, 2012 22:10

    Citaçao
    .
    “……..Quantas figuras temos nós em Portugal, com cargos muito elevados, que dizem torrentes de disparates que não são sequer verificados pelos jornalistas? Quantas vezes há uma enorme dificuldade de separar o trigo do joio no espaço público? Recordemos três exemplos.
    .
    O primeiro exemplo e paradigma máximo é o antigo primeiro-ministro José Sócrates. Ao pé dele, Artur Baptista da Silva não passa de um principiante, não tanto em termos de currículo publicado, em que também havia umas névoas, mas sobretudo pela sua extraordinária capacidade de faltar à verdade e fazer malabarismos com meias verdades.
    .
    O segundo exemplo ocorreu em 2009, ainda antes das eleições legislativas, quando tivemos um duelo público relativo a obras públicas. Foi publicado um primeiro manifesto, de respeitados economistas e ex-ministros das Finanças a pedir uma reavaliação das obras públicas. Portugal apresentava não só das mais altas taxas de investimento como um dos mais baixos crescimentos da produtividade, uma combinação que deveria alarmar qualquer um. Relembre-se que o crescimento da produtividade é uma condição essencial para o desenvolvimento económico e um requisito imprescindível de um crescimento sustentado dos salários reais.
    .
    Houve duas prontas respostas, a primeira também dominada por professores universitários, mas envolvendo ligações à esquerda mais radical, que nunca pertenceu ao governo nem parece empenhada em fazê-lo, tal o irrealismo das suas propostas.
    .
    O terceiro documento pode ser descrito como o “manifesto dos interesses”, assinado sobretudo por gestores públicos com fortes ligações ao sector da construção e das obras públicas……”
    .
    http://www.ionline.pt/opiniao/fraudes-autoridades

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  20. Portela Menos 1 permalink
    26 Dezembro, 2012 22:12

    e quando é que JM coloca um gráfico – sustentável – com a evolução do Desemprego nos últimos 18 meses?

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  21. 26 Dezembro, 2012 22:38

    JM , diga lá ao Gaspar que voltar aos mercados antes da legislatura acabar é miragem , vão voltarr para o lugares donde sairam como vieram . temos pena..mas pronto ,. sertão cconhecidos por serem o único governo pós 25 de abril que não coneguiu ir ao pote. de certeza que querem encher o pote para depois o PS o esvaziar ? pensem bem….dá lá uma folga , Gasparito. é que não vai serr o PSD a gozar destas poupanças e sacrificios todos , topas ?

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  22. Duarte permalink
    26 Dezembro, 2012 22:48

    Reparei ,sem surpresa devo dizer, que alguns comentadores que vão desde a direita mais boçal à mais modernaça neoliberal , acharam o texto que enviei dum blog brasileiro, muito longo. Reconheço que dá muito trabalho entender as coisas e também reconheço que a direita portuguesa provinciana e mandriona nunca gostou de trabalhar. Devo , no entanto dizer, que isso não me preocupa muito. Uns não leram, outros ficaram perturbados à medida que iam lendo dada a fraca qualidade dos neuronios afectados e só habituados a ler os discursos do Dr. Relvas ou as mensagens no facebook do Dr.Coelho e que ainda outros vão usar para como disseram satisfazer necessidades urgentes, entendo que estando ranhosos , se vão assoar. Já serviu portanto para se manter um certo nível de asseio neste espaço.

    Gostaria ainda de notar que esta mudança do discurso da direita , esta nova narrativa com ênfase no acesso aos mercados, não representa mais que a derrota já assumida de que não se vai alcançar o deficit, que se vai entrar em recessão, que o desemprego vai aumentar, que Portugal vai empobrecer, que a emigração forcada vai continuar , ou seja , que se esta a destruir um Pais.

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  23. Duarte permalink
    26 Dezembro, 2012 23:16

    Ainda para ajudar o JM a entender as coisas

    Os economistas alertam-nos sempre para o seguinte: lá porque duas variáveis estão (co)relacionadas entre si, isso não implica que uma cause a outra.

    Dois exemplos ilustrativos: a) Com o passar do tempo, observamos primeiro o cantar do galo e uns minutos depois o nascer do sol – mas isso não quer dizer que é o cantar do galo que causa o nascer do sol; e b) Muitos casais compram um carrinho de bebé antes do seu filho nascer – mas isso não quer dizer que é a compra que causa o nascimento .

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  24. tric permalink
    26 Dezembro, 2012 23:31

    mas isso interessa para alguma coisa!!!!???? o que interessa é…o endividamento…e a destruição económica interna da produção nacional… aumentaram com taxas a 10 anos baixissimas…como tambem com taxas a 10 anos altissimas…

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  25. tric permalink
    26 Dezembro, 2012 23:41

    A restruturação da divida não é inevitável, é uma certeza!!! a bem ou a mal…com taxas a 10 anos baixas ou altas…

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  26. javitudo permalink
    26 Dezembro, 2012 23:50

    J. M. na mouche. Só que PPC vai de braço dado com o socialismo. Essa a verdadeira razão que irrita o inseguro.
    Só o socialismo interessa às oligarquias mundiais, quem se afastar é punido. O inseguro fica assim colocado numa situação ridícula. O 1º ministro avança para políticas socialistas e ele que se diz socialista é obrigado a criticá-lo para justificar uma oposição pútrida. Toda a gente sabe que ele não está no poder, não por ser socialista mas por ser incompetente, como de resto toda a maralha rosa actual. O da cadeirinha de rodas vai buscar quem quer que seja desde que faça o que ele (s) manda (m).
    O Duarte pôs o dedo na ferida. Monti é o paradigma e vai voltar a governar a Itália. PPC é um aprendiz. O gaspar um amanuense, ainda assim há que acredite neles. Nos outros ninguém acredita. Cuidado com o ordenado ao fim do mês!
    “Mario Monti, primeiro-ministro desde 13 de novembro de 2011, foi nomeado senador vitalício pelo presidente da república, Giorgio Napolitano. Devido à sua nomeação, deixou vários cargos de responsabilidade: a presidência da mais prestigiada universidade privada italiana, a Bocconi, a presidência do departamento Europa, a Trilateral, um dos mais importantes círculos da elite oligárquica internacional, o comité de direção do clube Bilderberg e a presidência do think tank neoliberal Bruegel. Monti foi conselheiro internacional da Goldman Sachs, entre 2005 e 2011 (na qualidade de membro do Research Advisory Council do Goldman Sachs Global Market Institute); foi nomeado Comissário Europeu do Mercado Interno (1995-1999) e foi comissário europeu da Concorrência, em Bruxelas (1999-2004). Foi membro do Senior European Advisory Council da Moody’s e conselheiro da Coca-Cola. É ainda um dos presidentes do Bussiness and Economics Advisory Group do Atlantic Council (um think tank americano que promove a liderança dos EUA) e faz parte da presidência dos Friends of Europe, influente think tank com sede em Bruxelas”.

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  27. Portela Menos 1 permalink
    27 Dezembro, 2012 00:00

    Javitudo,
    isto são horas de andar por aqui a vender contrabando ideológico?

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  28. tric permalink
    27 Dezembro, 2012 00:14

    …num Estado Liberal…o Estado controla a Banca…ou é a Banca que controla o Estado? nenhum politico, nem nenhum regime, pode assinar em nome de Portugal a integração numa União Bancária, a não ser através de referendo !!! era só o que faltava Portugal ser gerido por uma união de bancos…já não basta a porcaria que a união da banca privada portuguesa fez!!!???? como tambem o Banco de Investimento Europeu…que só investiu, na destruição e no endividamento de Portugal…

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  29. 27 Dezembro, 2012 00:32

    e a imagem do PSD morreu , né ? morreu , matadinha. vão deixar o povo no fio da navalha ,, pobre que nem um rato , com um qualquer mito de banarrota , de ser evitada nem sequer o evitamento será gozado pelos evitadoress..políticos de meia tigela , nem sequer são capazes de pensar a médio prazo.

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  30. Cardoso permalink
    27 Dezembro, 2012 00:39

    Não batam mais no Duarte! O homem é um intelectual de esquerda! Tenho quase a certeza que ele consultor do Banco Mundial e acessor do grupo de estudos da ONU sobre os pobrezinhos. Haja respeito! Seus neo-liberais duma figa!

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  31. tric permalink
    27 Dezembro, 2012 00:55

    a existência de Portugal deve-se à Igreja Católica por causa da Cristandade no Médio-Oriente….e não aos “Mercados”=Judeus+Sauditas….quando Portugal fica subjugado à Lei dos Mercados…não admire que a sua diplomacia fique subjugada a tais interesses…vão de joelhos aos Sauditas pedir dinheiro…os Judeus dominam o panorama cultural em Portugal…até colocaram o Judeu do Viegas como Ministro da Cultura de Passos Coelho…que após ter assinado os cheques para a promoção da cultura Israelita em Portugal com o dinheiro da Cristandade Portuguesa!!!??? depois de ter assinado os cheques…saiu, com a missão cumprida…judeu!!! Abaixo a Judearia ! Viva a Cristandade Portuguesa !!!!!!
    .

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  32. Joaquim Amado Lopes permalink
    27 Dezembro, 2012 01:03

    Duarte,
    “Tal como se verificara ontem, a probabilidade de incumprimento num horizonte de cinco anos da dívida portuguesa continua a subir”
    Porque a dívida continua a subir e porque a “esquerda” continua a insistir no aumento da despesa, transmitindo aos mercados a certeza de que os problemas estruturais do país nunca serão resolvidos.
    .
    E fala o Duarte em “entender as coisas” quando pretende “explicá-las” reproduzindo artigos de quem não as entende.

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  33. Expatriado permalink
    27 Dezembro, 2012 01:03

    Ouvi dizer que cerca de Junho de 2010 so’ havia cacau para 3? meses de despesa do Estado.
    .
    E’ verdade??

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  34. 27 Dezembro, 2012 01:03

    Portela,

    o que é um gráfico sustentável?

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  35. Jose Luís Kendall permalink
    27 Dezembro, 2012 01:09

    A falsa esquerda portuguesa ( PS ) tem uma relação de grande cumplicidade com a Divida Publica. Das três vezes que Portugal teve que recorrer à caridade externa do FMI foram os socialistas que lhes fizeram “as honras da casa”.
    Esta obsessão pelo endividamento está no código genético dos socialistas, que gostam de desbaratar dinheiro em tudo o que dá votos, mas de preferencia naquilo que dá comissões.
    Deixaram nos o Pantano, depois a Bancarrota…engordaram um estado social totalmente incomportável, mas que também vota, e construíram uma divida publica praticamente impossível de se pagar! E, nao contentes com a falência do País, ainda queriam mais… TGV, Auto- Estradas, mais Pontes, Aeroportos, Túneis, etc, etc, etc….
    Num exílio dourado em Paris , José Sócrates ( uns anos depois de outro bon vivant socialista, Mário Soares ) diz- nos que ” as dividas nao sao para se pagar” …. Tu é que sabes Zé!!!

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  36. tric permalink
    27 Dezembro, 2012 01:44

    “Ouvi dizer que cerca de Junho de 2010 so’ havia cacau para 3? meses de despesa do Estado.
    .
    E’ verdade??”
    .
    e já ouviu dizer que em Dezembro de 2012, muitas, mas muitas PME´s não têm cacau nem para um mês, quanto mais para três…

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  37. tric permalink
    27 Dezembro, 2012 01:52

    “E, nao contentes com a falência do País, ainda queriam mais… TGV, Auto- Estradas, mais Pontes, Aeroportos, Túneis, etc, etc, etc….”
    .
    os Passos Coelho até queriam um cluster do TGV….e o passista do Luís Filipe Meneses, para alem de ter ido gritar para o El País , contra a ideia de acabar com o TGV, há pouco tempo apresentou uma dos seus objectivos programaticos para o Porto…a construção de três novas pontes sobre o Douro…deve ser para transferir o endividamento de Gaia para o Porto…é tanto, que são necessários três pontes…

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  38. Carlos Dias permalink
    27 Dezembro, 2012 02:01

    Caro J. Miranda.
    A sua análise está completamente errada, se ler com atenção o conceituado Nicolau Santos (aquele que tem um laço) do conceituado “Expresso” (não o do café) verá que o conceituado Artur Baptista da Silva da nossa conceituada praça de comentadores tem uma conceituada opinião completamente diferente da çua.
    Já o conceituado Duarte tem uma conceituada opinião a qual penso que ninguém terá paciência para a ler.
    Mas isto são apenas conceitos que já estamos fartos de ouvir.

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  39. Portela Menos 1 permalink
    27 Dezembro, 2012 02:31

    Aladdin Sane…com este blog – e com JM – tem que estar mais atento às ironias 🙂
    JoaoMiranda, Posted 26 Dezembro, 2012 at 20:36

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  40. Portela Menos 1 permalink
    27 Dezembro, 2012 02:34

    Aladdin Sane..
    por exemplo Carlos Dias at 02:01 e a “çua” tem o seu próprio paradigma para ironizar 🙂

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  41. Jose Luís Kendall permalink
    27 Dezembro, 2012 03:17

    Resposta ao Sr.ou Sra. Tric (…)
    Quando alguém vem hoje dizer que a culpa de Portugal estar no estado em que está, é de Pedro Passos Coelho ou do Vitor Gaspar, das duas uma, ou não é serio ou está a ser hipócrita.
    Depois de treze anos ruinosos de desgovernaçao socialista, em que uns nos deixaram o Pântano e o País de tanga, e os outros a Bancarrota, os socialistas vêm agora dizer que a culpa é de quem veio apagar o fogo que eles atearam…
    É bom que os portugueses entendam de uma vez por todas, o mal que José Sócrates e os seus camaradas – que deveriam estar todos presos – fizeram a Portugal vai demorar muitos anos a sarar.
    PS: Portugal tem dois graves problemas para resolver no imediato: A mentalidade portuguesa e a falta de uma estratégia nacional. Enquanto nao se conseguir resolver estes dois problemas, nao conseguiremos resolver os muitos outros.

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  42. piscoiso permalink
    27 Dezembro, 2012 07:15

    Se em vez do Sócrates tivesse sido Platão, e em vez do Coelho fosse uma Vaca, a situação económica de Portugal não seria muito diferente.
    Basta olhar à volta.

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  43. neotonto permalink
    27 Dezembro, 2012 07:56

    O JM trasmutado agora en expert contabilista poderia informarnos agora do custo real destes experimentos p
    por mes em euritos reais?
    Claro. Porque nao parece que seja o me
    smo pagar ao 5% do mes em que a divida era 80% do PIB como pagar agora 5% em que a divida alcanca o 120%.
    e o custo total do experimento revertido a euracos ou dolares que tsnto da alcanca um total a pagar em corto ou largo prazo de X

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  44. neotonto permalink
    27 Dezembro, 2012 07:59

    Ou seja.Tatase de averiguar o custo total de essa incognita e descohecida X?

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  45. Ricciardi permalink
    27 Dezembro, 2012 09:16

    Eu gostava que o caro JM comentasse o grafico da evolução da divida publica GREGA que segue exactamente o mesmo padrão que a portuguesa e inferisse a mesma conclusão. É possivel?
    .
    Gostava ainda que colocasse o mesmissimo grafico com as intervenções do BCE no mercado secundario.
    .
    Rb

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  46. Tiradentes permalink
    27 Dezembro, 2012 09:25

    Pronto o Kendall tocou na VACA sagrada do pisco.A reacção pavloviana dá-se caso seja vaca rosa ou boi azul.
    Sagrado é sagrado e quem se mete….leva (versão política tuga).

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  47. Tiradentes permalink
    27 Dezembro, 2012 09:29

    Já por mim gostava que se fizesse a sobreposição da dívida pública e sua progressão entre 2005 e 201o e a taxa desemprego para podermos ver quanto ele diminuiu por cada tranche de mil milhões até chegarmos aos 90 mil milhões.
    Deve ter valido a pena deve.

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  48. 27 Dezembro, 2012 10:58

    Portela, chuta aí um gráfico com as PPP’s que o PS blindou. Chuta aí um gráfico com a 1ª a 2ª bancarrota de Portugal. Chuta aí um gráfico com a autogestão que as nacionalizações levaram no berço. Olha já agora, chuta um gráfico com a dívida pública, défice, défice verdadeiro e contas públicas verdadeiras que o teu PS e o PSD camuflou ao longo dos anos.
    Se quiseres chuto-te um gráfico com o preço da eletricidade. Fruto das tuas ideias.
    R.

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  49. Portela Menos 1 permalink
    27 Dezembro, 2012 13:22

    Rogerio,
    Tens que fazer esse pedido aos votantes/apioantes do PS e bloco central.
    Por mim, agora, estou preocupado com o meu Sporting!

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  50. lucklucky permalink
    27 Dezembro, 2012 23:32

    “Tente mais estes: Bagão Félix, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Rui Moreira, Ângelo Correia. Como vê, tudo gente de “esquerda”. ”
    .
    E se a renegociação da dívida for a sua Segurança Social a arder? ainda gosta?
    E se for o seu Banco a arder? continua gostar?
    .
    🙂 Sobre esses personagens ainda não aprendeu o conceito de direita soci@lista?
    Não se destinguem em nada do PS e pouco do PCP,BE…
    Como é obvio é tudo gente que quer continuar com défice. Ou seja pedir a emprestado.
    E mais que os 6% deste incompetente governo.
    om inteligência ao nível do Expresso “O FMI já não vem” não admira que julguem que é possível continuar a fazê-lo com 120% de Dívida.
    .
    Já agora julga que a privatização da ANA socializando todos os aeroportos num monopólio não é um acordo com a CGTP? Não é um Pacto Molotov-Ribbentrop entre o Governo CDS/PSD e a Esquerda PC/PS de modo a não existir mercado livre em Portugal e sim manter o mesmo de sempre: a sua cultura social-corporativa?

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  51. Buiça permalink
    27 Dezembro, 2012 23:36

    faltam as etiquetas:
    “há vida além do défice”
    “é hora de reforçar o Estado Social”
    “a velha bruxa da Manela é fatela”
    “o mundo mudou”
    “este PEC será o último”
    “FMI jamais”

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  52. Trinta e três permalink
    29 Dezembro, 2012 12:16

    lucklucky:
    Grande filme!

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  53. Trinta e três permalink
    29 Dezembro, 2012 12:22

    lucklucky:
    Chega de análises feitas pela rama, como quem olha uma folha de caixa, sem perceber o que possa estar por detrás do “deve” e do “haver”. Em primeiro lugar, não há países sem défice. Em segundo, um maior equilíbrio das nossas contas, pressupõe uma alteração completa da política económica, o que, por sua vez, pressupõe uma atitude completamente diferente da nossa presença na UE. Em terceiro lugar, apesar dos esforços de muitos, convém não esquecer que a Segurança Social sempre foi o “saco azul” para os desvarios dos diversos governos.

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  54. Trinta e três permalink
    29 Dezembro, 2012 15:51

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  55. manuel vicente permalink
    5 Janeiro, 2013 17:49

    Há muita gente que se tem orientado economicamente devido ás accções de corrupção que tem protagonizado. Um dos exemplos mais marcantes é o actual presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Carlos Pinto actualmente o homem mais rico da Covilhã.

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