Boa, essa do “enólogo” aqui referido.
Para mim, Dom Sampaio 1º o Mole.
Se ontem percebi bem, agora a reclamar eleições.
Antes de ontem, a encolher os ombros para com
o abandono do agora refugiado em Bruxelas.
Mais um dos bem instalados do regime,
na defesa da auto estima.
E do seu excelso papel quando em Belém,
de olhos pouco abertos (o contrário de Adriano).
Já vai sendo tempo de os abrir.
“Em cima da mesa” ou em baixo, uma decisão dessas seria a única forma desta espécie de governantes que vamos tendo, mostrarem um mínimo de respeito pelo povo português. É curioso como no momento de se agarrarem ao poder que nem lapas, não há qualquer diferença entre P. Coelho e J. Sócrates.
Trinta e três (24 Maio, 2013 08:42) : “É curioso como no momento de se agarrarem ao poder que nem lapas, não há qualquer diferença entre P. Coelho e J. Sócrates.”
.
Mas qual “agarragem ao poder” ??!!…
Tanto um como o outro exerceram e exercem as suas funções legitimamente, em resultado de eleições, com maiorias parlamentares, no quadro constitucional.
Por que carga d’agua é que se deveriam demitir ou ser demitidos ?
No caso presente de Passos Coelho, a maioria parlamentar é absoluta e esta-se ainda e apenas a meio da legislatura.
As sondagens ?
Se os governos se formassem e caissem em função das sondagens não haveria governação possivel. Neste momento, muitos dos governos em exercicio teriam de cair (a começar pelo de François Holande em França ; mas não apenas).
A democracia constitucional e representativa existe como tal precisamente por isto.
Chame-lhe o que quiser. Para mim, o importante é que ninguém seja eleito com promessas que, depois, não cumpre e até contraria. “Ah, isso é o que todos fazem”. Pois, importa que não o possam fazer.
Diz bem, para si !
Por exemplo, para mim, e para muitos outros cidadãos, não é assim.
Não vejo sequer quais são essas tais “promessas não cumpridas e depois até contrariadas” a que faz referencia.
Serão as promessas daqueles que falaram e falam da saida da crise sem austeridade ??!!…
Mas nem é isto o que interessa aqui.
O que conta é que numa real democracia não sou eu nem é o Trinta e tres quem decide o que são ou não “as promessas não cumpridas e depois até contrariadas” nem quais devem ser as consequencias politicas dessa e de outras avaliações : são os eleitores de acordo com mecanismos institucionais constitucionalmente estabelecidos (e não quando eu ou o Trinta e tres acham que deve ser) !
Errado, Fernando. De uma maneira ou de outra, tem que haver mecanismos de controlo dos poderes. Por exemplo, deve saber por que motivo temos um Presidente da República diretamente eleito pela população e não por um colégio eleitoral como já foi. Também deve saber, que objetivos tem a separaçaõ dos poderes. A sua interpretação é uma completa perversão da democracia.
“Não vejo sequer quais são essas tais “promessas não cumpridas e depois até contrariadas” a que faz referencia”. Desculpe. Pensava que estava a falar com alguém que tenha vivido em Portugal nos últimos- digamos- dez anos.
Desculpem meter-me na conversa, mas, sendo curto e grosso: O governo é ilegítimo! Ilegítimo na medida em que mentiu e aldrabou muitos dos que nele votou. mesmo correndo o risco de ser um bocado simplista, basta ir a Youtube ver o que dizia antes de ser eleito.
Agora, essa de “Não vejo sequer quais são essas tais “promessas não cumpridas e depois até contrariadas””, não passa de prosopopeia flácida para tentar acalentar quem pensam ser bovinos.
A minha resposta ao Trinta e tres no final da caixa de comentarios. Não gosto destes espaços demasiados estreitos, ainda mais quando os comentarios são mais longos.
Ainda havemos de ver o futuro conselheiro de estado, Cavaco Silva, com posições semelhantes.
Nem Sampaio, nem Cavaco, viram bem o que nos trouxe
a última grande esperança nacional, JSS (o revolucionário José Socialista Sócrates):
As grandes obras…a começar a pagar em 2013.
Pena e à semelhança do túnel do Marão,
não estarmos agora com a TTT a meio.
Por outra parte, também em 2013 sabemos que “In April 2013, Rogoff was at the centre of worldwide attention with Carmen Reinhart (coauthor of the book This Time is Different) when their widely cited study “Growth in a Time of Debt” was shown to contain computation errors which critics claim undermine its central thesis that too much debt causes recession”
.
Mais também, por outro lado, ja estamos avisados de que nao há que fazer demasiado caso destes economistas que dao em aplicar a folha Excel para tudo.
Quando um governo não presta deita-se fora.
Continuar a ingeri-lo é morte certa.
Quem muda (e tem coragem de mudar) Deus ajuda.
A D. Helena, como enóloga, tem futuro na região dos vinhos verdes!
Consta que o anfitrião num malabarismo quis mudar a ementa e os fregueses não gostaram. Pudera, após oitos horas a empatar os estomagos deveriam estar sensiveis sabendo-se como o silva é um unhas com fome. A Leite, habituada as estas andanças, costuma andar equipada com os ovos, mas mesmo assim apresentou uma reclamação por escrito porque apesar de ser freguesa assidua da casa cavaco para aquele repasto não tem lugar. Aquilo parece que esteve tão bravo que até o Jardim aliou-se aos cubanos e esteve quase a começar uma guerra mundial mas como as facções eram tantas para tão poucas fatias de broa e sandes bateram com a porta e agora andam todos a vomitar tão vil tratamento quebrando o voto de irmandade exigido à entrada.
Helena,
Que sensaboria!
“Sentam-se à volta de uma mesa e toca a dizer mal do Governo e das políticas de austeridade.”
O que é que tem contra os prazeres da vida?
Erradissimo Trinta e tres !!
Não percebeu como funcionam a separação de poderes e os mecanismos de controlo.
Não é de admirar porque o Trinta e tres pertence a uma corrente politica e ideologica que, assumidamente e coerentemente, sempre se opos à democracia, considerada “burguesa” e “formal”, e, logo, sempre se esteve nas tintas para a separação dos poderes e os mecanismos de controlo.
Mas vejamos neste caso concreto.
Primeiro, o Presidente da republica não pode fazer o que quer. Esta na Constituição.
O ponto mais importante é que, em condições normais, o PR não pode demitir um governo com uma clara maioria no Parlamento.
Existem efectivamente duas situações excepcionais que podem justificar que o PR possa decidir demitir um governo :
a do governo em questão não se sujeitar e não respeitar as normas constitucionais, sobretudo no que se refere às liberdades e direitos fundamentais ;
a de se verificarem acontecimentos muito graves que tornem impossivel a actuação do governo em funções.
De qualquer modo, esta avaliação e qualquer decisão compete exclusivamente ao PR, que tem naturalmente a possibilidade e a obrigação de consultar as diferentes instituições e forças politicas.
Segundo, o governo actual tem uma maioria clara no Parlamento, confirmada pelo facto de ter sempre visto aprovadas todas as suas propostas legislativas e recusadas todas as moções de censura.
Terceiro, não se verifica hoje nenhuma das circunstancias excepcionais que poderiam justificar uma demissão do governo. Acrescento desde ja que o argumento da declaração de inconstitucionalidade de alguns pontos nalgumas das propostas legislativas apresentadas pelo governo, não serve para este efeito. Estas situações fazem parte do funcionamento normal das instituições, verificam-se em praticamente todas as legislaturas, e, o mais importante, o governo actual sempre acatou as decisões do TC.
Terceiro, não se verificam actualmente acontecimentos graves que impeçam a acção do governo e imponham uma iniciativa excepcional do PR.
Eu sei que o Trinta e tres e outros da sua criação gostariam muito que fosse o caso e fazem os possiveise os impossiveis para que assim seja. Mas a verdade é que, felizmente, e para desespero de muitos, não é.
Ja agora, e muito embora não seja o determinante, é também de lembrar que nem as sondagens nem a auscultação empirica da opinião publica mostram que os portugueses, embora maioritariamente descontentes com a politica de austeridade do governo, desejem a demissão do mesmo e a realização de eleições antecipadas. Sabem perfeitamente que neste momento seria o pior para o pais e não acreditam muito nas soluções milagrosas que são propostas em alternativa.
Quarto, o actual PR, que por sinal até foi eleito com o apoio das forças politicas que apoiam o actual governo, e que até pode como cidadão não concordar com aspectos essenciais da politica do governo (não digo que seja o caso), não considera que o pais esteja perane as circunstancias excepcionais e graves que justifiquem o uso daquela sua perrogativa constitucional.
Eu sei que ha um precedente que encheu de alegria o pessoal de esquerda e que serve de modelo para a situação actual : a decisão do então PR Jorge Sampaio de demitir o governo Santana Lopes, que tinha uma maioria no Parlamento e sem que não existisse nenhuma das razões excepcionais que o justificassem.
Mas este foi um péssimo exemplo do que deve ser o papel de um Presidente da Republica. Foi um acto de parcialidade politica, de um homem politico de esquerda a favor do seu campo e contra uma parte dos portugueses que, embora não o tivessem eleito, ele tinha a obrigação de respeitar.
Esperemos, para bem da democracia em Portugal, que uma vergonha destas nunca se volte a repetir !
Fernando S.:
A melhor resposta ao seu (longo) comentário, é dado por si, quando refere as circunstâncias em que o PR, constitucionalmente, pode demitir o governo. Logo a primeira:”a do governo em questão não se sujeitar e não respeitar as normas constitucionais, sobretudo no que se refere a (…) direitos fundamentais” . Mas, o mais curioso do seu comentário, é estar convencido (sinceramente, acredito), que o PR, como disse, não pode fazer o que quer, mas o governo PODE. Usando o seu poder adivinhatório sobre as minhas opções políticas, arrisco dizer que o Fernando faz parte, não de uma corrente de direita, mas tão somente daqueles que apostaram neste governo e estão a ver o edifício ruir, sem confiarem no tal povo que só deve ter direito a pronunciar-se de quatro em quatro anos. Para esses, todo o mundo é de esquerda, a começar por Bagão Félix, Adriano Moreira, Manuela Ferreira Leite, Silva Peneda e tantos outros perigosíssimos bolcheviques
No meu “(longo) comentario” (aproveito para apresentar as minhas desculpas a quem isso incomoda, relativamente a todos o meus comentarios, passados, presentes e futuros) ja respondi, até por antecipação, a estes seus argumentos “constitucionais”. Não serve de nada estar a repetir-me (longamente 😉 )
Quanto à sua ideia de eu e de outros que apoiam o governo actual e o essencial da sua politica de austeridade não fazer parte duma “corrente de direita”, parece-me algo estranha…
O que quer dizer com isso ?
Para si o governo actual e a sua politica “ultraneoliberal” (não sou eu quem o diz) não são de “direita” ?!…
Interessante. O que é ser ou não de « direita » ?
Quanto ao “edificio a ruir” tenho a impressão de que o Trinta e tres toma os seus desejos pela realidade.
Os franceses costumam dizer : “Não vendas a pele do urso antes de o matares !”
A mim parece-me é que no seio dos que se opõem com raiva à actual politica de austeridade ha muita gente (não digo que seja o caso do Trinta e tres) que sente que esta politica, ao mudar muita coisa no modelo économico que tem vigorado, põe verdadeiramente em causa privilégios e interesses que alguns julgavam estarem bem instalados e garantidos para sempre !
Eu sou dos que pensam que, em democracia, um governo eleito, com maioria no Parlamento, deve poder governar até ao fim do seu mandato.
O Trinta e tres não ??!!…
Claro que ha gente da chamada “direita”, inclusivé do CDS e o PSD, que é contra a politica do governo actual.
Isto não demonstra coisa nenhuma, a não ser que estas personalidades se posicionam agora como a generalidade das esquerdas.
Admito e suspeito que, para além de convicções demasiado « sociais democratas » e iliberais, exista alguma dose de oportunismo politico e de interesses corporativos !
Mais do que de direita, este governo é incompetente (característica que não tem cor política). Incompetente na mensagem, na definição de prioridades, no exemplo.? O “ir para além da troika”, a incompreensão do papel das micro, pequenas e médias empresas, o deixar intocável o aparelho administrativo central do Estado, enquanto abria uma guerra com simples funcionários públicos e pensionistas, são exemplos dessa incompetência. Chegaram a reconhecerem-se espantados com o desemprego que provocaram, lembra-se?
E já nem vale a pena falar na forma inábil (suspeita, até) como se “esqueceram” de atacar os setores que sempre viveram à sombra do Estado, as PPP, as fundações. Recorde-se do triste episódio da demissão do secretário de estado da energia.
O que é um governo “competente” numa situação dificilissima como a nossa, com fogos em todo o lado ?…
Este governo, com mais ou menos competencia, pelo menos fez e esta a fazer o que tinha e tem de ser feito, algo que não aconteceu com o governo Socrates e que provavelmente não aconteceria agora com outro governo !
Lamento desiludi-lo ainda mais, mas eu também era (e sou, na medida do politicamente possivel) por “ir para além da troika”. A Troika faz o serviço minimo. O nosso interesse bem compreendido é fazer a consolidação orçamental e os ajustamentos o mais rapidamente possivel.
Quanto às “micro, pequenas e médias empresas”, não vejo o que é que o governo podia ter feito de especifico.
Fez e esta a fazer algo de muito importante para todas as empresas e familias : respeitando os compromissos com a Troika, dando prioridade à consolidação orçamental, reformando a economia, evitou uma ruptura total do financiamento à economia.
Vou dizer algo de “politicamente muito incorrecto” : em certos sectores (comércio, construção, restauração, serviços, etc) foi bom que muitas pequenas e médias empresas tenham fechado ou reorientado a sua actividade e é ainda preciso ir mais longe.
Agora vem o que o Trinta e tres chama “retorica” (no seu caso é “actuação pratica” ?!… 😉 ) : o ajustamento é precisamente muitos destes e outros recursos entretanto “libertados” aparecerem depois na forma de novas pequenas e médias empresas noutros sectores (industria, agricultura, etc ; tenho a certeza de que gostaria deste resultado 😉 ). A melhor ajuda que o governo pode dar às PMEs é ter a economia em ordem o mais rapidamente possivel.
Quanto ao aparelho administrativo central do Estado. Acho muito bem que seja “atacado”. No fim de contas, é também isso a Reforma do Estado. Mas o que é “atacar” este aparelho sem diminuir departamentos e despedir funcionarios ? Esta “guerra” é bem maior do que aquela que diz actualmente respeito aos funcionarios e pensionistas. Vendo bem, o grosso das despesas do Estado esta nos vencimentos, nas pensões e nas prestações sociais. Nenhuma reforma do Etado e nenhum corte significativo das despesas publicas podem ser conseguidos sem “atacar” (a palavra é sua) estas rubricas. De outro modo é passar ao lado da verdadeira solução, é demagogia.
Quanto ao desemprego. Mas, numa situação de crise e recessão como a nossa, quem é que podia prever exactamente até onde iria o desemprego ? Ainda hoje é dificil. As previsões com décimas são e serão completamente ridiculas. Claro que era previsivel que o desemprego subisse, e muito. Trata-se de uma consequencia inevitavel da recessão e do processo de ajustamento da economia. A variação do emprego é uma componente essencial do ajustamento.
Aqui vai mais “retorica” ( 🙂 ) : quanto mais profundo e rapido for o processo de ajustamento menores e menos duradouras são as razões economicas que fazem subir o desemprego e mais cedo começa o recrutamento da mão-de-obra disponivel nos sectores com maior potencial de recuperação.
PPPs ? O pessoal anda tão distraido a dizer mal do governo que nem repara que neste dominio as economias ja conseguidas (sem romper unilateralmente contratos, o que poria em causa os principios do direito economico, tão importantes para motivar investidores, nomeadamente estrangeiros) permitem que em em 2013 os encargos totais representem pouco mais de metade (53,7%) do valor de 2011.
Pode-se fazer mais e melhor ? Certamente. O governo continua a negociar, ameaça as concessionarias com a arma fiscal se não forem feitos mais progressos, e tem pressionado a UE no sentido de serem adoptadas regras que favoreçam estas negociações.
Fernando:
Repare que reproduz no seu comentário, todos os erros que apontei à atual maioria. Também o Fernando acredita ser possível interferir com a sociedade, aplicando princípios teóricos gerais, sem ter em conta as consequências (completamente previsíveis!) e as reações dos grupos afetados. O que disse sobre o tecido empresarial português é um bom exemplo. Quer o Fernando, quer o governo caiem na contradição de, por um lado, dizerem pretender “tirar o Estado da economia” e depois, justificarem algumas das intervenções mais violentas e disparatadas com o “apontar do caminho” para uma “libertação de recursos” que, tal como o sol nascente, hão de aparecer na linha certa e justa e (esqueceu-se desta!) com a “escala adequada”. Os “cérebros” do governo, detetntores de toda verdade e conhecimento, apontam o rumo! Lamento, mas este é um dos exemplos que revela o tal desconhecimento do “mundo real” de que se acusa o governo. Primeiro ponto: não houve nenhuma reorientação do investimento de quem quer que fosse, de modo a criar maior escala nos setores afetados. Esses setores eram, em muitos casos, empresas familiares que desempenhavam dois papeis fundamentais: garantiam a subsistência dessas pessoas, sem necessidade de recorrer a apoios do Estado (desemprego, reformas antecipadas, RSI, etc.) e, por isso mesmo, era uma “almofada” fundamental para evitar o avolumar dos problemas. Foram avisados. Salvo erro, foi Silva Peneda quem primeiro alertou para os efeitos perversos, aquando do monumental disparate do aumento do IVA para a restauração. O que se passou, de facto, é que os “iluminados” do governo, não faziam a mais pequena ideia do peso do setor na sociedade portuguesa. E se, de imediato, há consequências já percetíveis na redução de impostos coletados e no aumento dos apoios do Estado, outras de não menos importância vão sê-lo a prazo, com consequências graves no ordenamento do território (que não tem coluna no Excel, mas que se paga caro), como o brutal despovoamento do interior. Havia necessidade de dar sinais para uma reorientação de investimento? Havia, mas era precisamente onde nada foi feito: setor da distribuição e outros resguardados pelos apoios estatais, as famosas PPP. Diz que uma intervenção maior nesse setor poria em causa “principios do direito economico, tão importantes para motivar investidores, nomeadamente estrangeiros”? Está enganado. Se trabalhasse no setor privado (o tal de valor acrescentado e exportador que o governo gosta de exibir), sabia que um dos problemas que encontra para convencer investimento estrangeiro, é o sermos encarados como uma espécie de Angola da Europa, onde só vinga quem é apoiado pela fação que ocupa o governo!
O que é atacar o aparelho administrativo central do Estado, “sem diminuir departamentos”? Mas, é precisamente isso que estão a fazer! estão a despedir, mas não estão a reformar. São coisas diferentes. Com exceção da Saúde, onde acredito que haja uma estratégia, nos restantes é o “pequenino”, o pessoal do terreno que está a ser afetado, pondo em causa o funcionamento e não eliminando as tais “gorduras”. Direções gerais e regionais, grupos de trabalho, comissões disto e daquilo… Este aspeto é particularmente ridículo, porque alguns dos ministros atuais, foram anteriormente comentadores cheios de certezas. Dou-lhe dois exemplos: Álvaro Santos Pereira e Nuno Crato. Este último chegou a dizer ser necessário “implodir o ministério da Educação”. Pelo que se vai lendo, até agora só conseguiu mudar o nome às direções regionais (apesar de ter aberto guerras e guerrinhas com o pessoal do terreno). O primeiro produziu “teoria” sobre a desborucratização, sobre as “rendas” do setor energético, sobre a reorientação do investimento. Na prática foi humilhado pelo Mexia que lhe despediu um secretário de Estado e, ao fim de dois anos, lá conseguiu (porque o edifício está a ruir…) um pacotesito de medidas… com prazo de seis meses.
Concluindo, porque isto está excessivamente longo: imaginemos que, por milagre, a crise acabava amanhã. O que é que, no dia seguinte, tinha mudado de fundamental em relação ao passado? Nada!
(Fica por falar na falta de uma estratégia europeia, na importância de promover investimento em setores que reduzam importações- e não só nas exportadoras- e no desemprego. Diz ser impossível prever números? Então, tome lá: o desemprego REAL – sem truques manhosos como o das ações de formação- ultrapassa, já, os 20%).
Trinta e tres,
Peço desculpa mas, por uma questão de espaço, coloco a minha resposta (tardia, é verdade) ao seu comentario acima no final da caixa de comentarios.
Previno-o que é bem mais longa do que a sua (que para si ja era “excessivamente longa” !… 😉 ).
Se não tiver pachorra para ler tudo e responder … compreendo-o e não levo a mal !…. 🙂
Não vou comentar o tom grosseiro que utiliza no final do seu comentario !
No que se refere às “promessas” quero lembrar que, nas ultimas eleições, Pedro Passos Coelho foi de todos os dirigentes politicos quem menos prometeu “mundos e fundos”. Quanto ao essencial, Passos Coelho prometeu que um governo seu aplicaria com determinação o programa da Troika, então ja acordado pelo anterior governo.
Sabemos que este programa previa austeridade, cortes nas despesas publicas, aumentos de impostos.
Quando pressionado para dizer se aumentaria impostos e reduziria prestações sociais disse que faria o que estava previsto e acordado com a Troika, nem mais nem menos.
Sempre disse que a situação critica deixada pelo PS exigiria sacrificios aos portugueses mas que o seu governo faria tudo para os minorar.
Mais uma vez, os outros prometeram muito mais, prometeram aquilo que todos sabemos não seria possivel cumprir.
Em particular, Socrates, ignorando o que tinha ja assinado, acusou o PSD de querer cortar no “Estado Social” e prometeu que as despesas publicas e os investimentos publicos não seriam diminuidos. A maioria dos eleitores não o seguiu.
Efectivamente, a realidade acabou depois por ser muito mais dificil do que era na altura previsivel.
Assim sendo, a Troika e o governo português tiveram de aceitar rever o programa e reforçar as medidas de austeridade.
Não o fazer teria sido perfeitamente irresponsavel e suicidario.
Globalmente, o que foi feito pelo governo português correspondeu e corresponde perfeitamente ao mandato que a maioria dos eleitores lhe deram : respeitar os compromissos assumidos para garantir a assistencia financeira, fazer as reformas necessarias, fazer o necessario para salvar o pais da bancarrota.
O governo de Passos Coelho não tem feito outra coisa.
Bem ou mal, pior ou melhor, pode-se discutir, pode-se concordar ou discordar.
Mas não ha nenhuma razão para dizer que Passos Coelho “mentiu”. Antes e agora, foi sempre o dirigente partidario que mais disse a verdade sobre as dificuldades da situação e sobre a dureza das medidas a tomar.
Quem vendeu e vende ilusões (não sei se “mentem” ou se não é antes ignorancia, cegueira, sectarismo idéologico, defesa de interesses corporativos e individuais) são aqueles que prometeram e prometem sair da crise sem sacrificios e sem austeridade.
Crise que foram os proprios a criar seguindo e apoiando politicas erradas e perfeitamente irresponsaveis.
Trinta e três (24 Maio, 2013 15:34) : “Pensava que estava a falar com alguém que tenha vivido em Portugal nos últimos- digamos- dez anos.”
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Quem viveu em Portugal nos ultimos dez anos devia saber perfeitamente que não foi Pedro Passos Coelho que fez uma politica que levou o pais a ter uma das taxas de crescimento potencial mais baixas do mundo e para uma quase bancarrota financeira !
Mas, claro, sabemos bem que a memoria é muitas vezes demasiado curta !!
Mais uma vez, errado, O problema começou muito antes do Sócrates e, até, do Guterres. Começou quando se chamou crescimento ao desperdício massivo de capitais em bens não transacionáveis e, ao mesmo tempo, se dizia com o ar mais sabedor deste mundo. “Para quê produzir o que outros produzem melhor e mais barato do que nós”. Lembra-se quem foi?
Tem razão quando diz que “o problema começou muito antes”.
Tem ainda razão quando fala no “desperdício massivo de capitais em bens não transacionáveis.”
Quanto ao resto esta, mais uma vez, errado : o nosso problema não foi falta de proteccionismo e intervencionismo ; foi antes falta de concorrencia e excesso de despesismo do Estado.
“Para quê produzir o que outros produzem melhor e mais barato do que nós”.
Esta ideia continua a ser valida hoje : devemos produzir melhor e mais baratos do que os outros, sempre que possivel e onde for possivel (isto é, quando e onde e conseguirmos ter vantagens competitivas).
Mas atenção, não é o Estado que deve dizer o que é que devemos produzir, onde devemos produzir, como devemos produzir, tudo isto através de proteccionismos, intervencionismos e subsidios discriminatorios.
Uma das principais taras do modelo économico anterior, que precisamente, entre outras consequencias negativas (desequilibrio das contas publicas, perda de competitividade externa, etc), contribuiu para o desequilibrio na produção entre bens transaccionaveis e bens não transaccionaveis (e deste modo para a degradação da balança comercial e de pagamentos), foi o excesso de protagonismo do Estado na economia e o excesso de despesismo publico. Não nos esqueçamos que o Estado é o principal sector de bens e serviços não transaccionaveis e que os gastos e investimentos publicos tendem naturalmente a desequilibrar a procura interna a favor destes sectores, tanto os publicos como os privados.
De resto, é um facto que a actual politica de austeridade e ajustamento, sem proteccionismos nem subsidios, tem contribuido para a melhoria das contas externas (menos importações e mais exportações) e, em simultaneo, para um começo de reequilibrio entre os sectores de bens transaccionaveis por um lado e os sectores de bens não transaccionaveis pelo outro.
Lamento, mas isso não passa de retórica. Aliás, característica que se encontra abundantemente no actual governo. Quando se vai governar um país, a primeira condição é conhcê-lo. Ora, desde há muito que temos desequilíbrios em setores fundamentais (quase todo o setor alimentar, a indústria, o ordenamento do território, a produção de energia) que deviam ter sido os beneficiados com os fundos europeus. Era esse o seu objetivo. Nestes setores era necessária alguma intervenção do Estado, porque a iniciativa privada ou não estava em condições de responder, ou pura e simplesmente não estava interessada. O que aconteceu? Alimentou-se a negociata, orientando os mais fortes grupos económicos para o betão, para setores como a distribuição que inevitavelmente agravou o défice, para o financeiro (deixo de lado as vigarices puras e duras que apenas pretenderam caçar fundos). Nesta situação, a entrada no euro foi um suicídio. Pretender começar a história do nosso descalabro ignorando o seu começo é pura mistificação. Ignorar como perdemos empresas como a Sorefame, ou como se montou, recentemente, o negócio das renováveis (que, bem montado, fazia todo o sentido), é baixa política. Claro que alguns vão mais longe e dizem que acreditar que no norte da Europa ninguém sabe ler jornais portugueses, de modo a não serem surpreendidos com as asneiras que fazíamos, é acreditar no Pai Natal.
Porque nenhuma política económica responsável, pode ignorar as reservas estratégicas dum país. Essa frase matou o que restava de setores como a agricultura e as pescas. Veja o que representam nas atuais importações.
Trinta e tres,
Estamos efectivamente em campos opostos.
Eu sou pela reforma do modelo économico anterior introduzindo mais liberdade.
Vc é por mais do mesmo, mais Estado, mais intervencionismo, mais despesa publica, logo (como diria o rr), mais impostos.
Não há “mais do mesmo”. Mais do mesmo, é proteger grupos económicos que só vivem à sombra do estado, pervertendo a essência da concorrência. Foi isso que se fez até agora. Nada mais.
Exactamente, “à sombra do Estado” !
O que vc diz aqui em cima é precisamente o que se passou com o modelo economico que esta agora em crise e que esta a ser progressivamente mudado com o actual processo de ajustamento.
Por isso é que os “grupos economicos” (empresariais e outros, incluindo categorias socio-profissionais) que mais viveram e vivem à sombra do Estado estão fundamentalmente contra a actual politica de austeridade e participam abertamente na campanha visando a queda deste governo.
Ja reparou na posição dos representantes das principais associações empresariais ?
Uma das poucas excepções é a Banca, que esta nesta fase a beneficiar da ajuda da Troika e do BCE. Veremos mais para a frente.
Atenção, não se trata de fazer a guerra aos “grupos economicos”. A nossa economia precisa de grupos e empresas com dimensão e musclo. Mas devem existir e actuar no quadro duma economia mais concorrencial e menos dependente dos gastos e do intervencionismo do Estado.
Passos Coelho, prometeu não aumentar impostos e só tocar em gordurinhas,e fazer a consolidação através da redução da despesas.Foi isto que aconteceu efetivamente,independentemente das simpatias politicasEstão o Trinta e Três e o Zé errados? Sim,talvez a solução deles seja pior.Mas isso não torna menos óbvio nem desvaloriza que Passos Coelho fez promessas que não cumpriu, quer queiramos quer não.Prometeu A mas acabou por faser B.Nesse aspeto, mudámos de governantes, mas não mudámos de politicas,nem de atitudes.Estar o PS ou o PSD no governo, não faz a menor diferença.
Aliás, Passos Coelho, se bem me recordo, apoiou as politicas do PS,antes de entrar para a liderança do Partido, como esta frase mostra claramente, preto no branco.Passo a citar:”O Governo tem estado bastante bem nas respostas que tem encontrado para a crise financeira, que, de resto, não são respostas muito originais, são concertadas ao nível europeu, mas que têm funcionado bem em Portugal’.”
Foi em 2008
Parece-me perfeitamente óbvio que mudança, só no papel.Há piores? Há.O pcp e o be.De resto, é como a Coca Cola e a pepsi
Já agora 8e á margem do que interessa), qual é a minha opção política? critiquei Sócrates e apoiei a mudança (penso que esteve tempo excessivo), como, perante situações idênticas, apoio a demissão imediata do atual governo.
Trinta e Três, posso estar enganado, mas mostra-se um opositor de liberalizações e de descidas de despesa, ou seja, a sua opção politica situa-se na esquerda..
É claro que vamos ter de cortar no estado social, nos funcionários publicos, para não aumentar mais impostos.
rr /anonimo / etc…,
Não estrague este pequeno e fugaz momento de acordo !… 🙂
Vc nunca quiz acreditar no que eu sempre disse mas eu nunca disse nada de diferente.
Por multiplas e diversas razões, continuamos naturalmente em profundo desacordo quanto aos tempos e modalidades das medidas de ajustamento. da nossa economia.
Pode ser assim como diz, mas não estou convencido que o governo e os seus elementos tenham essa boa fé.Aqui em Portugal , quando se aumentou impostos nunca se baixou.Nunca.E, por muito que me custe dize-lo, isso apenas seria um milagre,não vejo porque haveria de acontecer agora.E uma questao de fé
O discurso até pode vir num detemrinado sentido liberal, mas a forma de agir é social-democrata.O Fernando fala de reformas, fala de que a direita tem defendido a reforma do estado e a liberalização.Mas, olhando para o feito,as palavras ainda não passaram para os actos.Os funcionários publicos e o estado continuam intactos,mais ou menos.Enfim.Uma oportunidade perdida para mudar o pais.
Não duvido da sua boa fé, agora do governo tem todas as reservas possiveis!
Depende. Se falamos de serviços estratégicos ou em regime de monopólio, sim, sou contra a privatização. Se falamos de levar a iniciativa privada a fornecer serviços socialmente úteis mas dificilmente lucrativos (transportes), não sou contra, mas não acredito que haja interesse. Se queremos abrir à iniciativa privada serviços concorrenciais com os do Estado (saúde, por exemplo), só peca por tardio. Mas, atenção: eu disse concorrenciais e não serviços a funcionar à pala do Estado, como aconteceu no escândalo dos colégios privados.
E já nem vale a pena falar na forma inábil (suspeita, até) como se “esqueceram” de atacar os setores que sempre viveram à sombra do Estado, as PPP, as fundações. Recorde-se do triste episódio da demissão do secretário de estado da energia.
Ja discutimos anteriormente e longamente esta questão das “promessas”. Inclusivamente com as citações.
Passos Coelho não prometeu não aumentar os impostos. Tanto mais que o programa da Troika, que, esse sim, Passos Coelho prometeu aplicar, previa aumentos de impostos.
Passos Coelho disse apenas que não aumentaria mais do que era necessario e estava previsto pelo programa.
De resto, mesmo que PPC tivesse subestimado a dimensão dos aumentos e da austeridade em geral, e de algum modo foi o que aconteceu, poderia quando muito ser acusado de não ter percebido a verdadeira gravidade da situação e de ter errado nas previsões.
Mas quem é que não errou ? Previsões são previsões e a realidade impõe-se sempre. Toda a gente errou, então e depois, a começar pela Troika e tantos outros intervenientes externos e a acabar nas forças politicas e nos comentadores que agora dão lições.
O que aconteceu é que a crise, por razões internas e externas (crise do Euro, desacelaração do crescimento do resto do mundo, etc), acabou por ser mais forte e duradoura do que se pensou a certa altura.
O facto da situação ser mais séria do que a previsão inicial justificava e justifica um reforço das medidas de austeridade. Como aconteceu. E não o contrario. Como defenderam e defendem a generalidade dos criticos da austeridade e da politica do governo.
A citação que faz das declarações de Passos Coelho são de 2008, na sequencia da crise dos subprimes e referem-se portanto a uma situação enterior e diferente.
Naquela altura, é verdade que foi dominante, primeiro nos Estados Unidos e depois até na propria Europa, de que o combate à crise exigia medidas anti-recessivas de tipo keynesiano.
Passos Coelho limitou-se a concordar com esta orientação geral.
Na verdade, as medidas então tomadas por muitos governos foram inapropriadas, relançaram efectivamente as economias mas custaram muito dinheiro a Estado ja relativamente endividados e acabaram por ser ineficientes.
No caso português, o que foi feito foi ainda mais gravoso tendo em conta a situação das contas publicas, ja então muito desequilibradas, e a falta de competitividade da economia nacional. Portugal não tinha sequer a margem finaceira e o potencial produtivo de outros paises desenvolvidos.
Foi um erro enorme do governo portugues e, ao dizer o que disse, Pedro Passos Coelho esteve do lado errado.
Dito isto, não me parece suficiente para dizer que PPC ” apoiou as politicas do PS”, em particular as que se referem aos anos anteriores à crise de 2008 e aos anos posteriores.
Tanto mais que, na altura, Passos Coelho era ja dentro do PSD um defendor e um representante de uma linha politica mais liberal.
Admito e espero que PPC, tal como muitos outros que na alturam apoiaram aquele tipo de politicas, ja percebeu que foi um erro.
Constato que o rr, muito embora ja admita que “talvez” (!!!…) a “solução” do Trinta e Três e do Zé Paulo “seja pior”, continua mais preocupado e ocupado em juntar-se a eles na oposição sem tréguas ao governo actual e à politica de austeridade do que em criticar aqueles que, como o Trinta e Três e o Zé Paulo, defendem o abandono da austeridade e o regresso às politicas despesistas e intervencionistas do passado recente !
Caro fernando, não é verdade..Passos Coelho prometeu sim, claramente,com todas as letrinhas, não aumentar impostos, e faze-lo apenas da redução da despesa.E mesmo que não tivesse sido isso o que ele disse, pelo menos o programa eleitoral não previa isso.O Fernando acredita na bondade e na pureza do primeiro-ministro,tem confiança, mas eu não caio em tal ingenuidade.É uma hipótese benévola, um wishful thinking.Passos Coelho fingiu-se apenas do que não é,um soCial-democrata como todos os outros, com discurso liberal., que não corresponde ao que faz., um mentiroso, é essa a explicação.Tal como os restantes politicos portugueses.Enganou e mentiu.
O que é certo é que apoiou essas politicas,e isso mostra que não duvida em dar as maiores piruetas politicas, o habitual troca-tintismo português.Mas não esperava outra coisa.
Não sei no que é que se pode basear para dizer que Passos Coelho representava uma linha liberal.No limite, ele pertence a uma corrente menezista, que antes vi incorrerem numa ambiguidade, dizendo num dia a favor do socialismo e do estado social, e no dia seguinte liberais.Dia sim, dia não.
Eu não me junto á oposição.O problema é que o governo na realidade não mostrou diferenças relevante face á oposição, nem implementou politicas diferentes da oposição, e não é por acaso que o PS tem dificuldades para fazer oposição ao governo! Não vejo aonde está o “neoliberalismo”
Salvo algumas diferenças, a verdade é que a politica deste governo , no que é essencial, não é muito diferente dessas politicas despesistas da oposição!
Uma coisa pode ser o discurso.Mas o dizer é diferente do fazer.E na realidade, o governo mantem o Estado Social intacto, os gastos públicos continuam,podia ser o governo de Tony Blair ou de Schroeder..É uma terceira-via.Nao tenho sentido as diferenças nesse aspecto..Portanto, meu caro, a oposição em Portugal, é na verdade, uma farsa teatral.
Quanto às “mentiras” do Passos Coelho, ponha aqui as citações, como ja fez noutras alturas, e vamos discuti-las (como ja fizémos noutras alturas).
Para ja, recordo o seguinte :
– Eu sempre lhe disse que PPC, de entre todos os dirigentes partidarios, sempre foi aquele que menos prometeu e que mais falou verdade sobre o que era a situação portuguesa e sobre o que tencionava fazer. E, no essencial, fez e continua a fazer o que disse. Muitos dos mais criticos consideram que é teimosia cega. Claro que PPC teve de “por muito vinho na sua agua”, mas isso foi porque as circunstancias o exigiram e seria insensato e irresponsavel não o fazer.
– Eu nunca lhe disse que PPC nunca fez declarações infelizes, excessivamente optimistas, imprudentes, ambiguas, etc, etc… Como, no fim de contas, aconteceu e acontece com qualquer pessoa que tenha um protagonismo politico importante. Mas dai a concluir que “enganou e mentiu” !…
– Mas, mesmo admitindo a pior das suas versões, continuo a não perceber porque é que os eventuais calculos de comunicação de Passos Coelho, as tais “mentiras”, são assim tão graves ao ponto do rr perder qualquer sentido das nuances, perder de vista que as alternativas a Passos Coelho, inclusivé à direita, são ainda piores, e acabar assim por juntar a sua voz à campanha da esquerda contra os unicos que defendem e teem a possibilidade de aplicar uma politica de redução do papel e do peso do Estado na economia, condição indispensavel para qualquer politica viavel e sustentavel de redução estrutural de impostos.
O rr diz que não acredita. Apenas 2 anos depois da entrada em funções deste governo, numa situação extremamente dificil e critica. Mas porque não lhe da o beneficio da duvida ? (não diga que deu no inicio porque não é verdade ; eu discuto consigo ha bastante tempo para o saber)
O rr parece por vezes, tal como toda a esquerda (incluindo “a esquerda da direita”), desejar a queda imediata do actual governo. Mas o rr tem a noção que se tal acontecer, qualquer alternativa que venha sera certamente ainda menos liberal, ainda menos favoravel à reforma do Estado e à diminuição das despesas e dos investimentos publicos, ainda menos favoravel às privatizações, ainda menos favoravel à liberalização do mercado de trabalho, ainda menos favoravel ao aumento da concorrencia nos sectores protegidos, ainda menos comprometido com a consolidação orçamental e o contrôle da divida, ainda menos reticente a aumentar impostos, etc, etc, … tudo aquilo que o rr como “liberal” parece desejar e defender ????
Essa sua tese de que a “oposição” ao governo actual é uma mera “farsa teatral” é verdadeiramente sui generis !…
Para a tentar justificar vc diz coisas verdadeiramente incriveis.
Por exemplo, que o governo actual é despesista como os anteriores quando foi o primeiro desde ha muito a cortar as despesas publicas em valor absoluto.
Poderia ter feito mais e mais rapidamente ? Talvez. Pelo menos sabemos que teria ido mais longe e mais depressa se o Tribunal Constitucional não o tivesse impedido.
Mas dizer que não fez nada e que neste aspecto não ha uma diferença “relevante” relativamente aos governos anteriores, é verdadeiramente espantoso.
Ha varios outros exemplos, que eu inclusivamente ja lhe referi (longamente 🙂 ) noutras ocasiões, mas o rr continua a insistir sempre no mesmo : este governo é tão socialista como os de Socrates. Ok, nada a fazer. Desisto ! (pelo menos por agora 😉 )
Posto isto,teremos então que discordar sobre as boas intenções dele e a sua honestidade ou falta dela.A situação não é inédita em Portugal.Tal como outros primeiros ministros, Passos Coelho tinha um discurso na oposição, e teve outro no governo.Como Sócrates, como Durão, como Guterres.Todos eles, sem excluir Passos mentiram em campanha eleitoral.Será que as circunstâncias também mudaram para eles? É a conclusão que a sua lógica conduz.
Os tais calculos devem-se a motivos eleitoralistas meu caro.E quanto ás alternativas, não me parece nem melhor, nem pior, sinceramente nesta altura, parece-me o mesmo.Eu não junto a minha voz á esquerda, mas sim, penso que o governo, com maior ou menor medida, na realidade faz parte dessa esquerda,e 2º:porque inclusive,não vejo qual é a base para se dizer que o governo defende a redução do estado, e que as orientações não são essas.Para ser mais preciso, não vejo nenhuma razão nem bases para uma critica ao governo desde uma perspectiva de esquerda.O governo tem sido na realidade, fiel ás suas raizes sociais-democratas do PSD.Eu sei que sou céptico, que sou muito pessimista, mas não vejo com base no quê é que se pode acreditar no alegado liberalismo do governo, que ainda não descobri onde está.Invejo a sua estoica capacidade de confiança,confesso.
É verdade que sempre critiquei o volte-face politico que deram, mal chegaram ao governo.Mas mesmo tendo sido um critico, esperei pelos resultados.Mas o tempo mostrou-me que tinha razão.Podia até haver um ou outro sinal, que o governo estava decidido a cortar despesa estrutural, a liberalizar, a baixar impostos.Mas esses sinais não existem.
E sinceramente(não me leve a mal) não vejo pior alternativa, no limite, vejo a mesma essencialmente.Como o Fernando sabe, o BE e o PCP, estão excluidos do jogo.Sobra o PS.Ora,sinceramente,a julgarn pela hist+oria politica, não vejo o PS pior que o PSD(ou se quiser, da actual maioria) nesses aspectos,,não vejo um governo com vontade de fazer a reforma do estado, vejo um governjo que tem protegido os poderes corporativos da economia(energia,poderes municipais, só para dar dois exemplos muito concretos).
É trágico que assim seja, mas é a realidade politica de Portugal.Não é sui generis, simplesmente os partidos á esquerda não pararam para pensar que as suas criticas não teem razão nenhuma de ser.Quando vejo o pcp a criticar o “neoliberalismo” comparo essas palavras com a realidade, e não vejo qual é a razão de ser das palavras.
Efetivamente é o que penso,e o tempo tem-me dado cada vez mais razão para continuar a pensar assim! 🙂
Caro rr,
O que eu “queria” mesmo era uma citação inédita, que eu desconhecesse !…
Este link com algumas afirmações de Passos Coelho ja o rr aqui tinha apresentado ha mais de 1 ano … Portanto, nada de novo !
Respondi-lhe na altura.
Desculpe a economia de esforços ( 😉 ) mas coloco esta resposta de novo aqui (no final da caixa de comentarios, por ser mais comodo).
De qualquer modo, ja lhe tinha respondido por antecipação aqui em cima.
Vendo bem, a unica coisa em que eu evolui um pouco é que agora, com mais distancia e com mais elementos entretanto acumulados, até acho que na altura Passos Coelho, no contexto politico existentee e com a informação disponivel … dificilmente poderia ter dito algo de muito diferente !!
O que conta é que ele disse preto no branco: não aumentarei impostos,de qualquer espécie, ou mais dos que alguém lhe impôs.É essa a verdade.
Pois, e os seus antecessores também não sabiam e podiam ter feito algo de muito diferente! É uma repetição de muitos casos, portanto eu desconfio muito da sua explicação.Eu tenho outra forma de ver o assunto: Ele precisava de um isco para pescar o peixe(eleitorado),para depois, dar o fim que normalmente se dá aos peixes…
rr : “O que conta é que ele disse preto no branco: não aumentarei impostos,de qualquer espécie, ou mais dos que alguém lhe impôs.”
Não é o que é dito na citação que linkou aqui.
Procure outra melhor !
Não percebo como é que Passos Coelho “pescou” eleitorado quando era o PS e os outros partidos à esquerda que prometiam uma saida da crise sem austeridade ?!!?…
Nem percebo porque é que o rr não votou nestes partidos, em vez de votar no PSD de Passos Coelho, visto que prometiam (e prometem ainda) o que o rr deseja : uma saida da crise sem austeridade !!
O presidente do PSD rejeitou, quarta-feira, “mais aumento de impostos” se vier a ser primeiro-ministro após as eleições legislativas de 5 de Junho e acusou o adversário socialista de ser “exímio em dizer o que não é”. ”
Foi isto que ele disse. E que não ia aumentar mais impostos do que aqueles que estavam previstos pelo anterior governo.Ponto
Porque prometeu uma politica diferente da do PS,que fizesse o caminho através do corte da despesa(não especificada, mas eram umas gorduras), e não através de aumentos de impostos,,dos quais o eleitorado estava, cansado.Do BE ou PCP, talvez tenham rejeitado,, já o PS nunca a rejeitou,pelo menos,dos quais o eleitorado estava, cansado.Dai a minha convicção que houve um engano ao eleitorado.Prometeu como todos os politicos fazem.
E para sua grande informação eu não defendo a rejeição da austeridade.Defendo sim, outro tipo de austeridade concentrada na redução da despesa estrutural em vez do atual e passo a citar as palavras de Henrique Raposo,”Sodoma Fiscal”.
Boa Noite
rr : E que [Passos Coelho] não ia aumentar mais impostos do que aqueles que estavam previstos pelo anterior governo.”
Deve completar a declaração : “… por este Governo (…) e no documento que assinámos com a ‘troika’ da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional …”
Defender uma austeridade apenas baseada em redução da despesa estrutural, inviavel técnicamente e politicamente e condenada ao falhanço, é a mesma coisa que ser contra uma austeridade viavel e realista.
De resto, a esquerda não diz uma coisa muito diferente quando considera que é possivel reduzir o déficit orçamental sem aumentos de impostos e reduzindo apenas as “gorduras” do Estado.
Defender uma austeridade apenas baseada em redução da despesa estrutural, inviavel técnicamente e politicamente e condenada ao falhanço, é a mesma coisa que ser contra uma austeridade viavel e realista.
De resto, a esquerda não diz uma coisa muito diferente quando considera que é possivel reduzir o déficit orçamental sem aumentos de impostos e reduzindo apenas as “gorduras” do Estado.”
Mas inviável e condenada ao falhanço porque,senão foi ainda tentada?? É porventura menos inviável do que uma austeridade quase exclusivamente virada para os aumentos da carga fiscal,deixando o estado intacto.
Está bem,está bem..
Não a esquerda apenas se referiu aos (poucos) cortes que o governo fez, não aos aumentos de impostos, que não contestou nem nunca a esquerda por natureza podia contestar, uma vez que não sabe reduzir despesa
De resto, sei bem que o corte das gorduras é muito insuficiente,e que o governo tem de cortar, inclusivamente no aspecto social.
rr : ” a esquerda apenas se referiu aos (poucos) cortes que o governo fez, não aos aumentos de impostos, que não contestou nem nunca a esquerda por natureza podia contestar,”
Alguns exemplos entre muitos, relativos unicamente a Antonio José Seguro.
Contra aumentos de impostos :
“é profundamente injusto que o Governo tenha sido lesto a tributar extraordinariamente os rendimentos do trabalho dos portuguesesl”. (Agosto 2011)
A favor de baixas de impostos :
” «O aumento do IVA na restauração é um disparate e vamos tentar corrigir a situação». (Maio 2012)
“Em relação ao IRC, o PS apresentou uma proposta, no âmbito do Orçamento do Estado para 2012, no sentido de que os primeiros 12.500 euros de lucros de pequenas e médias empresas pudessem ser tributadas não a 25 mas 12,5 por cento, tendo em vista promover a recapitalização das empresas”. (Janeiro 2013)
Agora é a minha vez de lhe dizer que essa sua conversa sobre « o desconhecimento do mundo real » … é pura « retorica ». Não sejamos pretenciosos : cada um tem a sua percepção do « mundo real » e a sua ideia sobre a melhor maneira de intervir ou não sobre ele para melhorar o estado das coisas ; cada um tem a sua experiencia de vida e a sua visão das coisas. Não servem argumentos de autoridade, do género, « eu sei porque trabalhei numa empresa do sector privado e voce não ». De resto, quem é que lhe diz que eu não trabalhei e trabalho em e com empresas do sector privado ?!..
Falemos antes sobre as nossas convergencias (que, felizmente, também existem, senão não faria grande sentido estarmos aqui a debater) e as nossas divergencias (que são mais de fundo).
Uma das nossas convergencias é a ideia de que o modelo economico que vigorou em Portugal nas ultimas décadas acabou por provocar uma série de desequilibrios e de bloqueios.
Em particular, dois desses desequilibrios preocupam sobremaneira o Trinta e tres (e a mim também) : o desequilibrio entre o sector dos não transaccionaveis, que cresceu fortemente, e o sector dos transaccionaveis, que se foi atrofiando ; o desequilibrio das contas externas, com um crescimento das importações superior ao das exportações, e que é de certo modo uma consequencia do desequilibrio anterior.
Admira-me que o Trinta e tres não pareça estar tão preocupado com outro grande desequilibrio, que é uma das principais causas de tudo o resto, senão mesmo a principal causa, e que é o das contas publicas. Sendo que este desequilibrio, financeiro, remete para outro desequilibrio, mais economico (os que mais parecem preocupar o Trinta e tres), que é o excessivo peso do sector Estado relativamente ao sector privado.
Um outro ponto de acordo é a ideia de que, ao longo deste longo periodo, o Estado interveio mal na economia, distribuindo mal fundos e subsidios, apoiando certas empresas e interesses privados e não apoiando outros. Como diz a paginas tantas “só vinga quem é apoiado pela fação que ocupa o governo!”
Trata-se de uma causa intermédia, na medida em que é ainda necessario explicar por que razão o Estado reagiu assim ou, inversamente, o que é que teria permitido evitar ou minorar este tipo de comportamento por parte do Estado.
Onde divergimos é na explicação cas causas de fundo, estruturais, deste estado de coisas.
Para o Trinta e tres foi pouco Estado e mau Estado.
Para mim foi excesso de Estado. Nem sequer mau, porque o Estado faz o que pode e sabe, coitado ! Foi pura e simplesmente excesso.
Para se ter uma ideia, desde 1974 até à actualidade, em cerca de 4 décadas, menos de uma geração, talvez não muito longe da idade média doscomentadores neste Blog, o peso do Estado na economia mais do que duplicou (as despesas publicas em percentagem do PIB passaram de pouco mais de 20% para quase 50%). Pelo Estado passa hoje metade da riqueza criada (e pedida anualmente em empréstimo) em Portugal.
Não foi portanto por falta de Estado que o modelo economico portugues ganhou as assimetrias e os bloqueios que mostra hoje. Foi o contrario.
Os gastos do Estado foram a causa principal do crescimento do sector dos bens e serviços não transaccionaveis, virados sobretudo para o mercado interno. Desde logo, o Estado é o maior “produtor” de não transaccionaveis. Além disso, através das suas despesas e investimentos, representa uma procura importante para os outros não transaccionaveis (construção, serviços, energia, combustiveis, financeiros, transportes, telecomunicações, etc). Mas também contribui, directamente pelos seus gastos, indirectamente pelos rendimentos que distribui a milhões de familias, para a importação do exterior de muitos bens, sobretudo de consumo mas também de investimento. Ou seja, pela sua politica despesista, directa e indirectamente, o Estado canalizou uma parte muito significativa dos recursos disponiveis para o sector dos não transaccionaveis e para a importação de bens transaccionaveis estrangeiros. No fim de contas, duma parte importante destes recursos foram privados outros sectores de actividade, em particular muitos daqueles que produzem bens e serviços transaccionaveis para o mercado interno (cedendo partes de mercado à importação de produtos estrangeiros) e para a exportação (para que exportar se é mais facil e rentavel trabalhar para o mercado interno ?). Estamos a falar de grande parte da industria manufactureira e da agricultura. As maiores procuras de não transaccionaveis fizeram subir os preços relativos destes sectores relativamente aos dos transaccionaveis. Incluindo bens e serviços que são intermédios e auxiliares nas produções dos transaccionaveis, como o trabalho qualificado, a energia, os transportes, os equipamentos, as matérias-primas, etc. Ou seja, aumentaram os custos de produção dos transaccionaveis. Esta configuração de preços relativos desequilibrados foi um dos mecanismos de transferencia, através do simples funcionamento do mercado, de recursos dos sectores transaccionaveis para os não transaccionaveis. O outro mecanismo, administrativo, foi o fiscal, através duma carga de impostos, cada vez maiores, destinados a financiar as necessidades crescentes do Estado. A partida, o aumento de impostos afecta todos os sectores privados da economia. Mas a verdade é que, de um modo geral, os beneficios fiscais e as ajudas e subsidios do Estado acabam por ser dirigidos sobretudo para os não transaccionaveis. Os transaccionaveis suportam assim condições e custos mais desfavoraveis. Uma das principais consequencias foi o crescimento muito rapido das actividades de serviços (incluindo o comércio) e uma relativa estagnação da industria manufactureira “tradicional”, anteriormente mais virada para o mercado externo e para um mercado interno mais receptivo aos produtos “nacionais”. Outra consequencia importante foi um maior atrofiamento da agricultura e do mundo rural, incluindo todas as actividades economicas e administrativas que lhes estão associadas. Este desequilibrio explica em boa medida uma parte importante e a rapidez da urbanização do litoral e em torno das principais cidades e a paralela “desertificação” do interior.
No essencial, todo este processo teve lugar independentemente das politicas publicas de apoio especifico à industria, à agricultura, ao desenvolvimento regional. Estas politicas até existiram, drenando meios e fundos importantes. Por exemplo, no caso da agricultura, o ministério de tutela sempre teve um quadro de pessoal enorme e levou a cabo um sem numero de programas, em parte com dinheiros da Europa, mas não apenas. Exemplos do mesmo género poderiam ser dados relativamente à industria, às PMEs, ao ordenamento do territorio, etc, etc.. Estas politicas não resultaram e representaram um grande desperdicio de meios. Pior ainda, foram marcadas pelo trafico de influencias, pelo clientelismo, pela corrupção. Tudo aquilo que o Trinta e tres, justificadamente, denuncia. O Trinta e tres dira que estes maus resultados se devem à incompetencia e à desonestidade das pessoas envolvidas, a começar pelos governantes. Claro, este aspecto também tem a sua importancia. Sem incompetencia não haveria erros e sem desonestidade não haveria oportunismos e roubos. Mas o mais importante não é isto. Quase tudo aconteceu porque todos estes programas com dinheiros publicos criaram as condições de base para tal. “A tentação faz o ladrão !”. O gigantismo do Estado é a principal causa do clientelismo e da corrupção.
Ou seja, o factor determinante, tanto para o aparecimento e agravamento de desequilibrios estruturais na economia como para o falhanço e o desperdicio das politicas publicas, foi o excesso de Estado, o crescimento extremamente rapido da parte da riqueza nacional que ficou na dependencia de quem governa e de quem gere esses dinheiros.
Assim sendo, o que fazer ?
Em primeiro lugar, a situação mais urgente a resolver é o grave desequilibrio das contas publicas e o risco de ruptura brutal e quase total do financiamento à economia e ao Estado.
Esta urgencia é “nacional”, é prioritaria relativamente aos problemas de fundo e estruturais do nosso modelo economico, não é um objectivo de direita ou de esquerda.
A austeridade é inevitavel e indispensavel. Pode-se discutir se deve passar mais por cortes na despesa ou mais por aumentos de impostos. Mas tem mesmo de passar por aqui. E não há austeridade, seja ela qual for, que não tenha consequencias, em termos de consumo, de recessão, de desemprego, de rendimentos das familias. Alguns dos aspectos negativos que o Trinta e tres indica e cuja responsabilidade atribui ao governo actual mais não são que consequencias inevitaveis da austeridade. Mas a austeridade é uma consequencia do despesismo. Se quer reclamar acho que o deve fazer junto dos responsaveis pelos governos anteriores e daqueles que defenderam as politicas irresponsaveis que nos trouxeram para a crise actual.
No seu comentario o Trinta e tres parece reconhecer que é necessario reformar o Estado e reduzir a despesa publica. Optimo. Mas mostra uma grande frustração pelo facto do governo actual cortar onde não deve (reduzir vencimentos, despedir funcionarios) e não cortar onde deveria (“gorduras”, PPPs, etc). Não vou discutir em detalhe os seus argumentos, que por vezes tenho até uma certa dificuldade em acompanhar. Vou apenas lembrar que, independentemente de algumas das suas criticas e sugestões até poderem ser pontualmente justas, o Trinta e tres fala duma parcela da despesa primaria que grosso modo não representa mais de 20% e deixa de fora os 80% que se referem precisamente a vencimentos, pensões, prestações sociais, etc. Não digo que seja o seu caso, mas esta é normalmente a argumentação daqueles que, sendo contrarios à reforma e à redução do peso do Estado, avançam com hipotéticas economias pontuais em areas pouco importantes para melhor poderem recusar cortes com real e maior impacto na despesa total. Em matéria de redução da despesa publica, aqueles que sempre foram e ainda hoje são por um Estado pesado e omnipresente deviam ter vergonha de vir dar lições de catedra sobre como … cortar na despesa !… O governo actual, apesar de todas as suas limitações, hesitações, incompetencias, dependencias de interesses instalados, e tudo o mais que se queira, já cortou mais despesa publica do que qualquer outro governo desde há muitas décadas !!
Em segundo lugar, para além de do tratamento de emergencia da crise das finanças publicas, é necessario e conveniente reformar o modelo economico vigente. Por duas razões intimamente ligadas. Primeiro, para que a economia portuguesa possa fazer os ajustes necessarios e voltar a crescer e a criar emprego. Segundo, para que este crescimento seja sustentavel e não volte a acontecer no futuro uma nova crise do género da actual.
A reforma do modelo economico resume-se numa ideia chave : reduzir o peso e o intervencionismo do Estado na economia, baixar a carga fiscal. Com as devidas proporções, porque nestas coisas não há simetrias, trata-se de fazer o contrario do que foi feito ao longo das ultimas décadas.
Este processo de reforma e ajustamento não é facil, é doloroso, leva o seu tempo, é progressivo, e não implica necessariamente deitar fora tudo o que foi feito e voltar ao ponto de partida (que, no fim de contas, não existe, nem em 1974, nem antes, nem depois), por exemplo, aos 20% do Pib em despesa publica. O importante é que a orientação do ajustamento seja a boa. As modalidades e as metas quantitativas e qualitativas deverão ir sendo definidas, revistas, ajustadas, à medida que se for avançando. O Estado não tem de ser “desmantelado”, o “Estado Social” não tem de desaparecer. Mas deve ser reformado e redimensionado. Não vou, naturalmente, entrar aqui no detalhe do que deve e pode ser este processo de reformas. O que conta é que evoluamos para menos e melhor Estado e para uma economia mais equilibrada e competitiva.
De certo modo, melhor ou pior, mais ou menos rapidamente, este processo já esta em curso. Desde a crise de 2008 e, sobretudo e mais acentuadamente, desde a adopção de uma politica de austeridade em 2011. O ajustamento é feito pelo Estado, através de medidas de consolidação orçamental e de reformas estruturais, e pela generalidade dos agentes privados, empresas e familias, em resposta à crise e à austeridade.
Alguns resultados já são visiveis, nomeadamente no que se refere aos principais desequilibrios acima referidos : diminuição do déficit publico em resultado de aumentos de impostos e cortes nas despesas e investimentos publicos ; diminuição do consumo publico e privado, sobretudo de bens e serviços não transaccionaveis ; diminuição das importações, sobretudo de bens de consumo final e de de bens de investimento para os sectores não transaccionaveis ; aumento das exportações ; etc (e não destaco aqui varios outros ajustamentos, nomeadamente relativos a mercados, preços, salarios, poupança, estrutura do consumo e do investimento, etc).
O Trinta e tres vai-me dizer que os resultados visiveis são também a diminuição do rendimento médio das familias, a falencia de muitas empresas, o desemprego elevado. Sem duvida. Ja acima disse que é inconcebivel um ajustamento com austeridade sem sacrificios e sofrimentos. Quando o nosso pais tinha ainda alguma margem para ajustar com mais tempo e menos sacrificios … não a aproveitou !… Agora temos de fazer mais e em muito menos tempo.
O importante é que estas mudanças (com tudo isto, que o proprio Trinta e tres aponta e denuncia, como é que pode dizer que se a crise acabasse amanhã estaria tudo na mesma ?…) são o meio e a consequencia da enorme transferencia de recursos que deve acontecer entre sectores para que os desequilibrios da nossa economia sejam corrigidos. Teem fechado muitas micro e pequenas empresas na restauração, na construção, no comércio, nos serviços às pessoas, etc ? Sim, mas outras terão ainda de fechar, para reduzir o excedente de recursos acumulados nestes sectores. Significa isto que todos estes recursos, humanos e materiais, se vão perder e ficar inativos para sempre ? Claro que não, ficam disponiveis para serem utilizados doutras maneiras, noutras actividades e noutras empresas, existentes ou a criar, normalmente em sectores com maior potencial tendo em conta os novos padrões de consumo e investimento e as novas configurações de preços relativos. Estas actividades e estes sectores são naturalmente e predominantemente (mas não exclusivamente) de bens transaccionaveis, na substituição de importações, nas exportações, na produção de meios de produção, na produção de novos produtos de consumo, etc. Em termos mais simples, na industria, na agricultura, em serviços produtivos. Até agora tem acontecido sobretudo a fase dita de “destruição de valor”, de desinvestimento, de despedimentos, de fecho de empresas, de aumento da recessão… Mas há já alguns indicadores que mostram que se esta em zona de inversão de tendencia. O mais visivel é naturalmente o aumento das exportações, tanto mais impressionante quanto acontece numa fase relativamente desfavoravel da actividade nos nossos principais destinos comerciais. Outro indicador interessante, mais estrutural, é a continuação uma melhoria da qualidade do investimento, com uma maior proporção de maquinas e equipamentos (ver sobre este ponto o excelente artigo do Professor Avelino de Jesus no JN de 15/04/2013). Depois de ter tocado um minimo de 17% em 1995 (25% na UE), a partir de 2008 registou progressos importantes passando para cima da média europeia, com 28,9% em 2011e 31,5% em 2012. Mas o indicador conjuntural mais encorajante é o do mais recente indice da produção industrial, que regista um crescimento em 3 meses seguidos, de 5,3% no primeiro trimestre deste ano. Este resultado, que deve naturalmente ser ainda confirmado nos proximos tempos, é tanto mais significativo quanto é o mais favoravel na UE (1% na UE e 0,9% no conjunto dos 27). Estas e outras evoluções positivas são ainda manifestamente demasiado modestas para que os seus efeitos se possam fazer sentir em termos de Pib e emprego. Trata-se de um processo que esta ainda numa fase inicial e que vai levar o seu tempo, certamente alguns anos. As modalidades e os ritmos dependerão de um cem numero de factores e contingencias, impossiveis de prever e antecipar nesta altura. O que é certo é que a orientação geral tem necessariamente de ser esta.
Neste processo o papel dos governos não é o de definir as actividades e os sectores que se devem desenvolver nem é o de distribuir “apoios” discricionariamente a favor de uns e excluindo outros. Os agentes economicos estão bem melhor vocacionados do que o Estado para perceberem quais são as necessidades, quais são os sectores onde faz sentido investir, quais os recursos, quais os métodos, etc. O papel dos governos é apenas, e já é muito se for feito e bem feito, o de criar as melhores condições para que este processo de ajustamento “natural” da economia se possa fazer com rapidez e eficiencia. A trave mestra destas condições é seguramente a redução estrutural do peso e do intervencionismo do Estado na economia.
rr,
Segue então o meu comentario de Janeiro de 2012 sobre as declarações de Passos Coelho que o seu link reporta.
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Pedro Passos Coelho disse então, durante a campanha eleitoral : “”O PSD acha que o aumento de impostos que já está previsto por este Governo (demissionário e liderado pelo socialista José Sócrates) e no documento que assinámos com a ‘troika’ da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional já é mais do que suficiente.”
Em rigor, o que ele disse é que não aumentaria impostos para além do que na altura “ja estava previsto” no plano da troika. Acontece que o plano da troika previa aumentos de impostos e que PPC sempre disse que um governo liderado por si aplicaria plenamente este plano.
É o que o seu governo tem estado a fazer. Contra tudo e contra todos, incluindo aqueles que assinaram o plano mas que defendem algo de muito diferente.
Claro que o plano não fixava em detalhe todas as medidas que eram necessárias para o implementar e para respeitar os objectivos e as grandes linhas do percurso proposto. Deixava naturalmente alguma margem de manobra ao governa na concretização das medidas e nas diferentes dosagens. Porque um plano do género pode dar grandes orientações mas não pode prevêr exactamente as condições concretas da governação quotidiana. Porque o contexto, interno e exter, evolui ao longo do tempo e o plano deve ser ajustado e aplicado tendo em conta esta evolução.
Pedro Passos Coelho poderia ter sido mais sóbrio e mais prudente nas declarações que fez ? Podia, já o disse muitas vezes. Subestimou a gravidade da situação e as consequências da crise e do plano de ajustamento. Mas não mentiu. De todos os candidatos foi até aquele que mais falou verdade sobre a situação do país e que mais disse que seriam necessários sacrificios para corrigir os erros do passado e tirar o país da crise.
A verdade é que, naquela altura, ninguém sabia exactamente ao certo como é que a situação evoluiria, tanto internamente como internacionalmente. A crise interna revelou-se ainda mais profunda. As resistências dos interêsses instalados e a falta de cooperação de algumas instituições e do PS foram enormes e dificultaram a tarefa do governos no sentido de cortar ainda mais na despesa pública. A crise do Euro agravou-se, a economia mundial cresceu menos, a Europa estagnou. Perante todas estas dificuldades, o que é que deveria ter feito PPC ? Não tomar as medidas necessárias para respeitar os objectivos fixados pelo programa da Troika ? PPC fez o que tinha que fazer, teve a coragem de tomar medidas duras e sempre impopulares onde quer que seja. De resto, os representantes da Troika nunca sugeriram que o governo português estaria a desrespeitar e a ultrapassar o que estava previsto pelo programa e foram sempre aprovando as medidas que foram sendo aplicadas, incluindo o aumento de impostos. Mais, por vontade de alguns dos representantes da Troika ter-se-ia subido ainda mais o IVA, ao que PPC se opôs, ou ter-se-iam aumentado as cotizações sociais dos trabalhadores para financiar uma descida da TSU paga pelas empresas, que PPC procurou fazer mas sem sucesso.
Nesta história, os que “mentem” aos portugueses são sobretudo muitos daqueles que afirmam a pés juntos que seria possivel fazer face à crise em que o pais se encontra cortando apenas nas “gorduras” do Estado e não subindo, baixando mesmo, impostos.
Já lhe respondi em cima, não vi antes o seu último comentário:
Tal como o meu link mostra, ele sempre negou esses aumentos.Sempre.O governo tem uma maioria, para governar, para impor as politicas, e não precisa coisa nenhuma da colaboração do PS.Pois eu acho que o governo sabia bem de como estavam, e se não sabiam,,deviam ter feito por saber.Enganou-nos,ponto final.Se o Fernando acredita na inocência de Passos Coelho, é uma convicção sua, respeitando-a naturalmente, mas não acredito nem um segundo nessa versão.Passos coelho já antes tinha dado muitas cambalhotas politicas.Por mim,nem sequer devia ter apoiados os anteriores pecs,
Não foi coragem do governo, foi antes cobardia, ao não se ter centrado nas verdadeiras causas do problema nacional, mantendo essas causas completamente intactas.Coragem teria sido diminuir os funcionários publicos, diminuir desde logo a despesa estrutural.Vejo antes medo, pânico, pavor! .Foi a mesma receita de todos os anteriores governos, de esquerda ou direita.
E se não fez antes Fernando, não será agora ou depois que fará.É um otimismo dizer que alguma vez acontecerá
Retomo a citação de Passos Coelho que linkou :
““O PSD acha que o aumento de impostos que já está previsto por este Governo (demissionário e liderado pelo socialista José Sócrates) e no documento que assinámos com a ‘troika’ da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional já é mais do que suficiente.”
Como se pode ver PPP não disse “preto no branco: não aumentarei impostos”.
Disse que aumentaria o que ja estava previsto no programa da Troika.
Na altura partia naturalmente do principio que era “suficiente”.
A realidade posterior mostrou a todos, incluindo a Troika, que não era suficiente.
Não ter feito nada teria sido insensato e irresponsavel.
Mas tudo bem, aproveitando a sua frase : se o rr acredita na culpabilidade de Passos Coelho, é uma convicção sua, respeitando-a naturalmente.
Dito isto, a não ser que haja novos elementos, não creio que sirva andarmos eternamente à volta deste argumento.
Como ja lhe disse noutras ocasiões, o que me preocupa não são as criticas do rr, que não são politicamente influentes, mas sim as dos que à esquerda se opõem à politica de austeridade e às reformas estruturais.
O que eu quis dizer, foi que disse que não ia aumentar mais do que estava previsto no plano da troika.Uma coisa era ser ele a propor,outra era os impostos serem da iniciativa da troika.
Mas enfim, o Fernando acredita, credulamente, nas boas intenções e nessa história.Respeito-a também, mas, para ser coerente, devia também dizer que quando os outros primeiros-ministros chegaram ao governo, também encontram uma realidade muito pior do que pensaram, e que a história das promessas não existe.
Fernando, vamos lá ver se nos entendemos quanto á esquerda.A esquerda em Portugal não existe, nem a direita existe sequer.Porque: o be e o pcp estão isolados, e as diferença entre ps e pcp são minimas.O Cds-PP é um partido charneira do PSD, que nem sequer vale a pena ser referidos.
Dito isto, a divisão que está a fazer é errada.Gostaria de não dizer isto, mas a politica de austeridade deste governo “liberal” não é muito diferente do que aquela que Sócrates aplicou em 2005 e em 2010, ou se quiser até, de Soares.Pode dizer que é passageiro e não permanente, mas é evidente que existe semelhança entre as medidas.Por isso, não acredito que o PS seja sinceramente contra a austeridade , porque aquilo que este governo faz,foi também o que o PS fez antes, com maior ou menor aspecto secundario.A esquerda não tem argumentos nem motivos para protestar contra o governo.Nenhuns.Eu pelo menos não encontro um sequer.Se fosse o Jerónimo de Sousa, estaria em grandes apuros politicos.E é por isso até que Seguro não tem um plano alternativo ao governo.Não estou no lado insignificante, os governo de Sócrates e Passos Coelho é que estão no lado errado
Ah mas previa ou não previa? O que eu vi é que não ia aumentar mais do que aqueles que já estavam previstos no memorando,isso sim.Também o memorando previa que fosse 2/3 pela despesa..
Existe o nada Fernando.Um grande Centrão.
Pois, digamos que os protestos da esquerda são com base, digo eu, ou num grande equivoco,ou então não passam de puro show-off.
Tal como essas reduções que o Seguro propõe não passam de politiquice para inglês ver, quando o PS em 38 anos de democracia nunca baixou impostos.Não me parece que faça isso(eu acho que a austeridade não é um plano, é uma forma de viver, temos que ter mais receitas que despesas sempre!),até porque os governos socialistas,regra geral, nunca tomaram medidas nesse sentido.Puro folclore.
De resto, nem ele defende reduções significativas(respondendo ao seu comentário acima) nem ele defende a redução do estado, como eu defendo.O mal não está em pedir a redução de impostos(algo que alguém genuinamente liberal não recusaria), mas sim,faze-lo a troca de mais défice e divida, que eu liminarmente rejeito.
Pela sua lógica, também o Fernando e o governo social-democrata do momento governam de forma semelhante a Sócrates, porque tal como ele, também aumentaram impostos
rr : “Uma coisa era ser ele [PPC] a propor,outra era os impostos serem da iniciativa da troika.”
O acordo com a Troika previa aumentos de impostos e Passos Coelho sempre disse que aplicaria o programa.
O programa da Troika não detalhava nem quantificava exactamente as medidas (não é um “Plano” !) deixando ao governo a faculdade de as preparar e propor.
Desde o inicio que o programa da Troika admitia a possibilidade das medidas serem ajustadas em função da evolução da situação. Se não fosse assim seria cego e inapropriado.
A Troika sempre aprovou as medidas propostas pelo governo português.
rr : “A esquerda em Portugal não existe, nem a direita existe sequer.”
Pois … existe o que ??!!…
rr : “A esquerda não tem argumentos nem motivos para protestar contra o governo.Nenhuns.Eu pelo menos não encontro um sequer.Se fosse o Jerónimo de Sousa, estaria em grandes apuros politicos.E é por isso até que Seguro não tem um plano alternativo ao governo.”
Ou seja, a esquerda (afinal existe !…) não tem motivos para protestar … Mas não faz outra coisa !… Mistérios da politica !!
Seguro tem um plano alternativo ao governo : acabar com a austeridade e tomar medidas que sustentem o rendimento e o consumo dos portugueses.
Exceptuando a redução das despesas publicas, o resto não difere muito daquilo que o rr defende !
De resto, para ser minimamente coerente com aquilo que tem defendido aqui, nas proximas eleições o rr ou se abstem ou vota no PS !
Ah, já agora, respondi-lhe logo um lugar em cima, a esse comentário.Mas.. infelizmente não me resta outra coisa se não abster-me.Quando não vale a pena votar, não se vota
O memorando da Troika é percebido de diferentes maneiras consoante o que cada um quer por ou tirar …
Na minha opinião, o rr, como tantos outros, da esquerda à direita, não percebeu nem a filosofia nem os termos do memorando. A sua leitura é ideologica e extremamente rigida.
De qualquer modo, os Srs da Troika e as instituições que estão por detras são certamente os interpretes mais legitimos e avisados do conteudo do memorando.
Acontece que os “fiscais” do programa aprovaram todas as medidas fiscais do governo português.
O rr pode dar as voltas que quizer mas daqui não se pode sair doutra maneira !
A questão que verdadeiramente interessa é saber se o programa da Troika, para além de representar as condições do credor, era ou não apropriado para a situação portuguesa.
Eu penso que sim.
Se não fosse imposto do exterior, os portugueses ainda mais dificilmente aceitariam fazer os sacrificios e as reformas que são indispensaveis para sair da crise e relançar a economia em condições de maior eficiencia e sustentabilidade.
Tenho a sensação que por vezes o rr ja acha que não !
Portugal sem a Troika ?!!…
“Existe o nada”
os protestos da esquerda são com base, digo eu, ou num grande equivoco,ou então não passam de puro show-off.”
“essas reduções que o Seguro propõe não passam de politiquice para inglês ver”
“Puro folclore.”
….
rr, não leve a mal, mas tenho uma certa dificuldade em continuar a responder a considerações tão psicologistas como estas suas aqui em cima.
Dir-se-ia que para si a politica em Portugal é um teatro com actores que representam papeis que não teem nada a ver com as respectivas vidas reais !
“O PSD acha que o aumento de impostos que já está previsto por este Governo (demissionário e liderado pelo socialista José Sócrates) e no documento que assinámos com a ‘troika’ da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional já é mais do que suficiente. Não é preciso fazer mais aumento de impostos”, disse Pedro Passos Coelho, à margem de uma visita ao distrito de Vila Real, no qual é cabeça de lista dos sociais-democrata”
O Fernando que interprete esta frase como quiser e bem entender.A ilação que tiro desta citação é que não ia aumentar mais do que aqueles que tinham sido do anterior governo e que estariam previstos no memorando.Não estou dar nenhuma volta,estou a dizer o que na altura foi dito, independentemente da necessidade de se aumentar mais ou não..Essa necessidade já é um outro assunto a ser debatido.Mas que não cumpriu o que disse, isso parece-me bem claro.
E o Fernando incorre num falso dilema, de “ou se é A ou B”, em que qualquer critica ao governo , significa “estar do lado da esquerda, e ser contra o memorando”,como se ser a favor do memorando fosse apoiar a politica do governo, ou ser de esquerda.
Como o Fernando sabe, existem na blogosfera, entidades como o Insurgente, para dar um exemplo, que criticam a esquerda, mas também o governo.Porque este mostra não ser uma alternativa forte e credivel á esquerda
Já vi que o Fernando tem uma aversão a “libertários” e a “radicais”.Pois sou.Porque a liberdade só há uma, sem meio termo.
Volto a dizer-lhe: não é uma questão de se estar num lado errado.O Fernando faz uma separação entre a esquerda anti-austeridade, e um supostos governo-próausteridade, quando quer se queira quer não, o governo está mais do lado da esquerda e do socialismo, do que de uma politica dita liberal de direita,que combata a superioridade moral da esquerda.
Eu gostaria imenso de concordar consigo, mas infelizmente não posso.
Os outros partidos estão errados, mas em grande parte dos aspectos, o governo não está mais certo do que a esquerda está.
Em Suma, não há lados insignificantes.O governo e a oposição estão num lado, eu e outros estamos no outro.Ou seja, existindo essa divisão, as pessoas é que estão nos lugares errados 🙂
Por último, não percebo a razão desse adjetivo de “psicologista”.Não.Trata-se da pura e simples constatação, de que as oposições dizem uma coisa na oposição, e teem outra no governo.Ou seja, o PS faria a mesma coisa que este governo faz, como o PSD faz a mesma coisa que o PS fez, como Sócrates não se diferenciou de Durão Barroso e Santana Lopes.Talvez o Fernando veja um PS diferente do meu, mas na minha opinião, não tenho visto propostas politicas diferentes das do governo, da parte do PS.E será por isso que o PS provavelmente não ganhará as proximas eleições.
Julgo que até há um texto do João Miguel Tavares no Público chamado “Neoliberal é a Avozinha”, do qual não tenho acesso para linká-lo a si(é pago)
E também a constatação, de que o “neolberalismo” de que a esquerda fala, não existe.
Tudo isso de facto, faz com que a politica portuguesa não passe de um gigantesco Teatro D.Maria II,onde todos fingem o que não são.
É Triste, mas.. ainda não é possivel aos bebés terem a opção de nascer no pais que acharem melhor 😀
Bom Fim de Semana para si também
Boa, essa do “enólogo” aqui referido.
Para mim, Dom Sampaio 1º o Mole.
Se ontem percebi bem, agora a reclamar eleições.
Antes de ontem, a encolher os ombros para com
o abandono do agora refugiado em Bruxelas.
Mais um dos bem instalados do regime,
na defesa da auto estima.
E do seu excelso papel quando em Belém,
de olhos pouco abertos (o contrário de Adriano).
Já vai sendo tempo de os abrir.
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“Em cima da mesa” ou em baixo, uma decisão dessas seria a única forma desta espécie de governantes que vamos tendo, mostrarem um mínimo de respeito pelo povo português. É curioso como no momento de se agarrarem ao poder que nem lapas, não há qualquer diferença entre P. Coelho e J. Sócrates.
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Trinta e três (24 Maio, 2013 08:42) : “É curioso como no momento de se agarrarem ao poder que nem lapas, não há qualquer diferença entre P. Coelho e J. Sócrates.”
.
Mas qual “agarragem ao poder” ??!!…
Tanto um como o outro exerceram e exercem as suas funções legitimamente, em resultado de eleições, com maiorias parlamentares, no quadro constitucional.
Por que carga d’agua é que se deveriam demitir ou ser demitidos ?
No caso presente de Passos Coelho, a maioria parlamentar é absoluta e esta-se ainda e apenas a meio da legislatura.
As sondagens ?
Se os governos se formassem e caissem em função das sondagens não haveria governação possivel. Neste momento, muitos dos governos em exercicio teriam de cair (a começar pelo de François Holande em França ; mas não apenas).
A democracia constitucional e representativa existe como tal precisamente por isto.
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Se a “democracia representativa” se limitasse ao que diz, seria uma ditadura por quatro anos.
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Tirnta e tres,
Ja percebi que para si a “democracia” não é representativa mas é antes “popular” !!…
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Chame-lhe o que quiser. Para mim, o importante é que ninguém seja eleito com promessas que, depois, não cumpre e até contraria. “Ah, isso é o que todos fazem”. Pois, importa que não o possam fazer.
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Diz bem, para si !
Por exemplo, para mim, e para muitos outros cidadãos, não é assim.
Não vejo sequer quais são essas tais “promessas não cumpridas e depois até contrariadas” a que faz referencia.
Serão as promessas daqueles que falaram e falam da saida da crise sem austeridade ??!!…
Mas nem é isto o que interessa aqui.
O que conta é que numa real democracia não sou eu nem é o Trinta e tres quem decide o que são ou não “as promessas não cumpridas e depois até contrariadas” nem quais devem ser as consequencias politicas dessa e de outras avaliações : são os eleitores de acordo com mecanismos institucionais constitucionalmente estabelecidos (e não quando eu ou o Trinta e tres acham que deve ser) !
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Errado, Fernando. De uma maneira ou de outra, tem que haver mecanismos de controlo dos poderes. Por exemplo, deve saber por que motivo temos um Presidente da República diretamente eleito pela população e não por um colégio eleitoral como já foi. Também deve saber, que objetivos tem a separaçaõ dos poderes. A sua interpretação é uma completa perversão da democracia.
“Não vejo sequer quais são essas tais “promessas não cumpridas e depois até contrariadas” a que faz referencia”. Desculpe. Pensava que estava a falar com alguém que tenha vivido em Portugal nos últimos- digamos- dez anos.
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Que “tivesse vivido”. As minhas desculpas.
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Desculpem meter-me na conversa, mas, sendo curto e grosso: O governo é ilegítimo! Ilegítimo na medida em que mentiu e aldrabou muitos dos que nele votou. mesmo correndo o risco de ser um bocado simplista, basta ir a Youtube ver o que dizia antes de ser eleito.
Agora, essa de “Não vejo sequer quais são essas tais “promessas não cumpridas e depois até contrariadas””, não passa de prosopopeia flácida para tentar acalentar quem pensam ser bovinos.
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A minha resposta ao Trinta e tres no final da caixa de comentarios. Não gosto destes espaços demasiados estreitos, ainda mais quando os comentarios são mais longos.
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Ainda havemos de ver o futuro conselheiro de estado, Cavaco Silva, com posições semelhantes.
Nem Sampaio, nem Cavaco, viram bem o que nos trouxe
a última grande esperança nacional, JSS (o revolucionário José Socialista Sócrates):
As grandes obras…a começar a pagar em 2013.
Pena e à semelhança do túnel do Marão,
não estarmos agora com a TTT a meio.
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Por outra parte, também em 2013 sabemos que “In April 2013, Rogoff was at the centre of worldwide attention with Carmen Reinhart (coauthor of the book This Time is Different) when their widely cited study “Growth in a Time of Debt” was shown to contain computation errors which critics claim undermine its central thesis that too much debt causes recession”
.
Mais também, por outro lado, ja estamos avisados de que nao há que fazer demasiado caso destes economistas que dao em aplicar a folha Excel para tudo.
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Quando um governo não presta deita-se fora.
Continuar a ingeri-lo é morte certa.
Quem muda (e tem coragem de mudar) Deus ajuda.
A D. Helena, como enóloga, tem futuro na região dos vinhos verdes!
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Mas porque é que continuam a dar ouvidos a estes gagás com uma dor de corno do tamanho da Sé de Braga. Dêm um posto à mumia que ela cala-se.
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Nem mais.
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Um posto ou uma fundação…
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Consta que o anfitrião num malabarismo quis mudar a ementa e os fregueses não gostaram. Pudera, após oitos horas a empatar os estomagos deveriam estar sensiveis sabendo-se como o silva é um unhas com fome. A Leite, habituada as estas andanças, costuma andar equipada com os ovos, mas mesmo assim apresentou uma reclamação por escrito porque apesar de ser freguesa assidua da casa cavaco para aquele repasto não tem lugar. Aquilo parece que esteve tão bravo que até o Jardim aliou-se aos cubanos e esteve quase a começar uma guerra mundial mas como as facções eram tantas para tão poucas fatias de broa e sandes bateram com a porta e agora andam todos a vomitar tão vil tratamento quebrando o voto de irmandade exigido à entrada.
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É Pá! Não insultem os enólogos e os estrategas…
Estes dois, mais não são mais do que respeitáveis séniores, às voltas com o Alzheimer…
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Helena,
Que sensaboria!
“Sentam-se à volta de uma mesa e toca a dizer mal do Governo e das políticas de austeridade.”
O que é que tem contra os prazeres da vida?
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Erradissimo Trinta e tres !!
Não percebeu como funcionam a separação de poderes e os mecanismos de controlo.
Não é de admirar porque o Trinta e tres pertence a uma corrente politica e ideologica que, assumidamente e coerentemente, sempre se opos à democracia, considerada “burguesa” e “formal”, e, logo, sempre se esteve nas tintas para a separação dos poderes e os mecanismos de controlo.
Mas vejamos neste caso concreto.
Primeiro, o Presidente da republica não pode fazer o que quer. Esta na Constituição.
O ponto mais importante é que, em condições normais, o PR não pode demitir um governo com uma clara maioria no Parlamento.
Existem efectivamente duas situações excepcionais que podem justificar que o PR possa decidir demitir um governo :
a do governo em questão não se sujeitar e não respeitar as normas constitucionais, sobretudo no que se refere às liberdades e direitos fundamentais ;
a de se verificarem acontecimentos muito graves que tornem impossivel a actuação do governo em funções.
De qualquer modo, esta avaliação e qualquer decisão compete exclusivamente ao PR, que tem naturalmente a possibilidade e a obrigação de consultar as diferentes instituições e forças politicas.
Segundo, o governo actual tem uma maioria clara no Parlamento, confirmada pelo facto de ter sempre visto aprovadas todas as suas propostas legislativas e recusadas todas as moções de censura.
Terceiro, não se verifica hoje nenhuma das circunstancias excepcionais que poderiam justificar uma demissão do governo. Acrescento desde ja que o argumento da declaração de inconstitucionalidade de alguns pontos nalgumas das propostas legislativas apresentadas pelo governo, não serve para este efeito. Estas situações fazem parte do funcionamento normal das instituições, verificam-se em praticamente todas as legislaturas, e, o mais importante, o governo actual sempre acatou as decisões do TC.
Terceiro, não se verificam actualmente acontecimentos graves que impeçam a acção do governo e imponham uma iniciativa excepcional do PR.
Eu sei que o Trinta e tres e outros da sua criação gostariam muito que fosse o caso e fazem os possiveise os impossiveis para que assim seja. Mas a verdade é que, felizmente, e para desespero de muitos, não é.
Ja agora, e muito embora não seja o determinante, é também de lembrar que nem as sondagens nem a auscultação empirica da opinião publica mostram que os portugueses, embora maioritariamente descontentes com a politica de austeridade do governo, desejem a demissão do mesmo e a realização de eleições antecipadas. Sabem perfeitamente que neste momento seria o pior para o pais e não acreditam muito nas soluções milagrosas que são propostas em alternativa.
Quarto, o actual PR, que por sinal até foi eleito com o apoio das forças politicas que apoiam o actual governo, e que até pode como cidadão não concordar com aspectos essenciais da politica do governo (não digo que seja o caso), não considera que o pais esteja perane as circunstancias excepcionais e graves que justifiquem o uso daquela sua perrogativa constitucional.
Eu sei que ha um precedente que encheu de alegria o pessoal de esquerda e que serve de modelo para a situação actual : a decisão do então PR Jorge Sampaio de demitir o governo Santana Lopes, que tinha uma maioria no Parlamento e sem que não existisse nenhuma das razões excepcionais que o justificassem.
Mas este foi um péssimo exemplo do que deve ser o papel de um Presidente da Republica. Foi um acto de parcialidade politica, de um homem politico de esquerda a favor do seu campo e contra uma parte dos portugueses que, embora não o tivessem eleito, ele tinha a obrigação de respeitar.
Esperemos, para bem da democracia em Portugal, que uma vergonha destas nunca se volte a repetir !
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Fernando S.:
A melhor resposta ao seu (longo) comentário, é dado por si, quando refere as circunstâncias em que o PR, constitucionalmente, pode demitir o governo. Logo a primeira:”a do governo em questão não se sujeitar e não respeitar as normas constitucionais, sobretudo no que se refere a (…) direitos fundamentais” . Mas, o mais curioso do seu comentário, é estar convencido (sinceramente, acredito), que o PR, como disse, não pode fazer o que quer, mas o governo PODE. Usando o seu poder adivinhatório sobre as minhas opções políticas, arrisco dizer que o Fernando faz parte, não de uma corrente de direita, mas tão somente daqueles que apostaram neste governo e estão a ver o edifício ruir, sem confiarem no tal povo que só deve ter direito a pronunciar-se de quatro em quatro anos. Para esses, todo o mundo é de esquerda, a começar por Bagão Félix, Adriano Moreira, Manuela Ferreira Leite, Silva Peneda e tantos outros perigosíssimos bolcheviques
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No meu “(longo) comentario” (aproveito para apresentar as minhas desculpas a quem isso incomoda, relativamente a todos o meus comentarios, passados, presentes e futuros) ja respondi, até por antecipação, a estes seus argumentos “constitucionais”. Não serve de nada estar a repetir-me (longamente 😉 )
Quanto à sua ideia de eu e de outros que apoiam o governo actual e o essencial da sua politica de austeridade não fazer parte duma “corrente de direita”, parece-me algo estranha…
O que quer dizer com isso ?
Para si o governo actual e a sua politica “ultraneoliberal” (não sou eu quem o diz) não são de “direita” ?!…
Interessante. O que é ser ou não de « direita » ?
Quanto ao “edificio a ruir” tenho a impressão de que o Trinta e tres toma os seus desejos pela realidade.
Os franceses costumam dizer : “Não vendas a pele do urso antes de o matares !”
A mim parece-me é que no seio dos que se opõem com raiva à actual politica de austeridade ha muita gente (não digo que seja o caso do Trinta e tres) que sente que esta politica, ao mudar muita coisa no modelo économico que tem vigorado, põe verdadeiramente em causa privilégios e interesses que alguns julgavam estarem bem instalados e garantidos para sempre !
Eu sou dos que pensam que, em democracia, um governo eleito, com maioria no Parlamento, deve poder governar até ao fim do seu mandato.
O Trinta e tres não ??!!…
Claro que ha gente da chamada “direita”, inclusivé do CDS e o PSD, que é contra a politica do governo actual.
Isto não demonstra coisa nenhuma, a não ser que estas personalidades se posicionam agora como a generalidade das esquerdas.
Admito e suspeito que, para além de convicções demasiado « sociais democratas » e iliberais, exista alguma dose de oportunismo politico e de interesses corporativos !
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Mais do que de direita, este governo é incompetente (característica que não tem cor política). Incompetente na mensagem, na definição de prioridades, no exemplo.? O “ir para além da troika”, a incompreensão do papel das micro, pequenas e médias empresas, o deixar intocável o aparelho administrativo central do Estado, enquanto abria uma guerra com simples funcionários públicos e pensionistas, são exemplos dessa incompetência. Chegaram a reconhecerem-se espantados com o desemprego que provocaram, lembra-se?
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E já nem vale a pena falar na forma inábil (suspeita, até) como se “esqueceram” de atacar os setores que sempre viveram à sombra do Estado, as PPP, as fundações. Recorde-se do triste episódio da demissão do secretário de estado da energia.
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O que é um governo “competente” numa situação dificilissima como a nossa, com fogos em todo o lado ?…
Este governo, com mais ou menos competencia, pelo menos fez e esta a fazer o que tinha e tem de ser feito, algo que não aconteceu com o governo Socrates e que provavelmente não aconteceria agora com outro governo !
Lamento desiludi-lo ainda mais, mas eu também era (e sou, na medida do politicamente possivel) por “ir para além da troika”. A Troika faz o serviço minimo. O nosso interesse bem compreendido é fazer a consolidação orçamental e os ajustamentos o mais rapidamente possivel.
Quanto às “micro, pequenas e médias empresas”, não vejo o que é que o governo podia ter feito de especifico.
Fez e esta a fazer algo de muito importante para todas as empresas e familias : respeitando os compromissos com a Troika, dando prioridade à consolidação orçamental, reformando a economia, evitou uma ruptura total do financiamento à economia.
Vou dizer algo de “politicamente muito incorrecto” : em certos sectores (comércio, construção, restauração, serviços, etc) foi bom que muitas pequenas e médias empresas tenham fechado ou reorientado a sua actividade e é ainda preciso ir mais longe.
Agora vem o que o Trinta e tres chama “retorica” (no seu caso é “actuação pratica” ?!… 😉 ) : o ajustamento é precisamente muitos destes e outros recursos entretanto “libertados” aparecerem depois na forma de novas pequenas e médias empresas noutros sectores (industria, agricultura, etc ; tenho a certeza de que gostaria deste resultado 😉 ). A melhor ajuda que o governo pode dar às PMEs é ter a economia em ordem o mais rapidamente possivel.
Quanto ao aparelho administrativo central do Estado. Acho muito bem que seja “atacado”. No fim de contas, é também isso a Reforma do Estado. Mas o que é “atacar” este aparelho sem diminuir departamentos e despedir funcionarios ? Esta “guerra” é bem maior do que aquela que diz actualmente respeito aos funcionarios e pensionistas. Vendo bem, o grosso das despesas do Estado esta nos vencimentos, nas pensões e nas prestações sociais. Nenhuma reforma do Etado e nenhum corte significativo das despesas publicas podem ser conseguidos sem “atacar” (a palavra é sua) estas rubricas. De outro modo é passar ao lado da verdadeira solução, é demagogia.
Quanto ao desemprego. Mas, numa situação de crise e recessão como a nossa, quem é que podia prever exactamente até onde iria o desemprego ? Ainda hoje é dificil. As previsões com décimas são e serão completamente ridiculas. Claro que era previsivel que o desemprego subisse, e muito. Trata-se de uma consequencia inevitavel da recessão e do processo de ajustamento da economia. A variação do emprego é uma componente essencial do ajustamento.
Aqui vai mais “retorica” ( 🙂 ) : quanto mais profundo e rapido for o processo de ajustamento menores e menos duradouras são as razões economicas que fazem subir o desemprego e mais cedo começa o recrutamento da mão-de-obra disponivel nos sectores com maior potencial de recuperação.
PPPs ? O pessoal anda tão distraido a dizer mal do governo que nem repara que neste dominio as economias ja conseguidas (sem romper unilateralmente contratos, o que poria em causa os principios do direito economico, tão importantes para motivar investidores, nomeadamente estrangeiros) permitem que em em 2013 os encargos totais representem pouco mais de metade (53,7%) do valor de 2011.
Pode-se fazer mais e melhor ? Certamente. O governo continua a negociar, ameaça as concessionarias com a arma fiscal se não forem feitos mais progressos, e tem pressionado a UE no sentido de serem adoptadas regras que favoreçam estas negociações.
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Fernando:
Repare que reproduz no seu comentário, todos os erros que apontei à atual maioria. Também o Fernando acredita ser possível interferir com a sociedade, aplicando princípios teóricos gerais, sem ter em conta as consequências (completamente previsíveis!) e as reações dos grupos afetados. O que disse sobre o tecido empresarial português é um bom exemplo. Quer o Fernando, quer o governo caiem na contradição de, por um lado, dizerem pretender “tirar o Estado da economia” e depois, justificarem algumas das intervenções mais violentas e disparatadas com o “apontar do caminho” para uma “libertação de recursos” que, tal como o sol nascente, hão de aparecer na linha certa e justa e (esqueceu-se desta!) com a “escala adequada”. Os “cérebros” do governo, detetntores de toda verdade e conhecimento, apontam o rumo! Lamento, mas este é um dos exemplos que revela o tal desconhecimento do “mundo real” de que se acusa o governo. Primeiro ponto: não houve nenhuma reorientação do investimento de quem quer que fosse, de modo a criar maior escala nos setores afetados. Esses setores eram, em muitos casos, empresas familiares que desempenhavam dois papeis fundamentais: garantiam a subsistência dessas pessoas, sem necessidade de recorrer a apoios do Estado (desemprego, reformas antecipadas, RSI, etc.) e, por isso mesmo, era uma “almofada” fundamental para evitar o avolumar dos problemas. Foram avisados. Salvo erro, foi Silva Peneda quem primeiro alertou para os efeitos perversos, aquando do monumental disparate do aumento do IVA para a restauração. O que se passou, de facto, é que os “iluminados” do governo, não faziam a mais pequena ideia do peso do setor na sociedade portuguesa. E se, de imediato, há consequências já percetíveis na redução de impostos coletados e no aumento dos apoios do Estado, outras de não menos importância vão sê-lo a prazo, com consequências graves no ordenamento do território (que não tem coluna no Excel, mas que se paga caro), como o brutal despovoamento do interior. Havia necessidade de dar sinais para uma reorientação de investimento? Havia, mas era precisamente onde nada foi feito: setor da distribuição e outros resguardados pelos apoios estatais, as famosas PPP. Diz que uma intervenção maior nesse setor poria em causa “principios do direito economico, tão importantes para motivar investidores, nomeadamente estrangeiros”? Está enganado. Se trabalhasse no setor privado (o tal de valor acrescentado e exportador que o governo gosta de exibir), sabia que um dos problemas que encontra para convencer investimento estrangeiro, é o sermos encarados como uma espécie de Angola da Europa, onde só vinga quem é apoiado pela fação que ocupa o governo!
O que é atacar o aparelho administrativo central do Estado, “sem diminuir departamentos”? Mas, é precisamente isso que estão a fazer! estão a despedir, mas não estão a reformar. São coisas diferentes. Com exceção da Saúde, onde acredito que haja uma estratégia, nos restantes é o “pequenino”, o pessoal do terreno que está a ser afetado, pondo em causa o funcionamento e não eliminando as tais “gorduras”. Direções gerais e regionais, grupos de trabalho, comissões disto e daquilo… Este aspeto é particularmente ridículo, porque alguns dos ministros atuais, foram anteriormente comentadores cheios de certezas. Dou-lhe dois exemplos: Álvaro Santos Pereira e Nuno Crato. Este último chegou a dizer ser necessário “implodir o ministério da Educação”. Pelo que se vai lendo, até agora só conseguiu mudar o nome às direções regionais (apesar de ter aberto guerras e guerrinhas com o pessoal do terreno). O primeiro produziu “teoria” sobre a desborucratização, sobre as “rendas” do setor energético, sobre a reorientação do investimento. Na prática foi humilhado pelo Mexia que lhe despediu um secretário de Estado e, ao fim de dois anos, lá conseguiu (porque o edifício está a ruir…) um pacotesito de medidas… com prazo de seis meses.
Concluindo, porque isto está excessivamente longo: imaginemos que, por milagre, a crise acabava amanhã. O que é que, no dia seguinte, tinha mudado de fundamental em relação ao passado? Nada!
(Fica por falar na falta de uma estratégia europeia, na importância de promover investimento em setores que reduzam importações- e não só nas exportadoras- e no desemprego. Diz ser impossível prever números? Então, tome lá: o desemprego REAL – sem truques manhosos como o das ações de formação- ultrapassa, já, os 20%).
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Trinta e tres,
Peço desculpa mas, por uma questão de espaço, coloco a minha resposta (tardia, é verdade) ao seu comentario acima no final da caixa de comentarios.
Previno-o que é bem mais longa do que a sua (que para si ja era “excessivamente longa” !… 😉 ).
Se não tiver pachorra para ler tudo e responder … compreendo-o e não levo a mal !…. 🙂
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Zé Paulo (24 Maio, 2013 16:43),
Não vou comentar o tom grosseiro que utiliza no final do seu comentario !
No que se refere às “promessas” quero lembrar que, nas ultimas eleições, Pedro Passos Coelho foi de todos os dirigentes politicos quem menos prometeu “mundos e fundos”. Quanto ao essencial, Passos Coelho prometeu que um governo seu aplicaria com determinação o programa da Troika, então ja acordado pelo anterior governo.
Sabemos que este programa previa austeridade, cortes nas despesas publicas, aumentos de impostos.
Quando pressionado para dizer se aumentaria impostos e reduziria prestações sociais disse que faria o que estava previsto e acordado com a Troika, nem mais nem menos.
Sempre disse que a situação critica deixada pelo PS exigiria sacrificios aos portugueses mas que o seu governo faria tudo para os minorar.
Mais uma vez, os outros prometeram muito mais, prometeram aquilo que todos sabemos não seria possivel cumprir.
Em particular, Socrates, ignorando o que tinha ja assinado, acusou o PSD de querer cortar no “Estado Social” e prometeu que as despesas publicas e os investimentos publicos não seriam diminuidos. A maioria dos eleitores não o seguiu.
Efectivamente, a realidade acabou depois por ser muito mais dificil do que era na altura previsivel.
Assim sendo, a Troika e o governo português tiveram de aceitar rever o programa e reforçar as medidas de austeridade.
Não o fazer teria sido perfeitamente irresponsavel e suicidario.
Globalmente, o que foi feito pelo governo português correspondeu e corresponde perfeitamente ao mandato que a maioria dos eleitores lhe deram : respeitar os compromissos assumidos para garantir a assistencia financeira, fazer as reformas necessarias, fazer o necessario para salvar o pais da bancarrota.
O governo de Passos Coelho não tem feito outra coisa.
Bem ou mal, pior ou melhor, pode-se discutir, pode-se concordar ou discordar.
Mas não ha nenhuma razão para dizer que Passos Coelho “mentiu”. Antes e agora, foi sempre o dirigente partidario que mais disse a verdade sobre as dificuldades da situação e sobre a dureza das medidas a tomar.
Quem vendeu e vende ilusões (não sei se “mentem” ou se não é antes ignorancia, cegueira, sectarismo idéologico, defesa de interesses corporativos e individuais) são aqueles que prometeram e prometem sair da crise sem sacrificios e sem austeridade.
Crise que foram os proprios a criar seguindo e apoiando politicas erradas e perfeitamente irresponsaveis.
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Trinta e três (24 Maio, 2013 15:34) : “Pensava que estava a falar com alguém que tenha vivido em Portugal nos últimos- digamos- dez anos.”
.
Quem viveu em Portugal nos ultimos dez anos devia saber perfeitamente que não foi Pedro Passos Coelho que fez uma politica que levou o pais a ter uma das taxas de crescimento potencial mais baixas do mundo e para uma quase bancarrota financeira !
Mas, claro, sabemos bem que a memoria é muitas vezes demasiado curta !!
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Mais uma vez, errado, O problema começou muito antes do Sócrates e, até, do Guterres. Começou quando se chamou crescimento ao desperdício massivo de capitais em bens não transacionáveis e, ao mesmo tempo, se dizia com o ar mais sabedor deste mundo. “Para quê produzir o que outros produzem melhor e mais barato do que nós”. Lembra-se quem foi?
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Tem razão quando diz que “o problema começou muito antes”.
Tem ainda razão quando fala no “desperdício massivo de capitais em bens não transacionáveis.”
Quanto ao resto esta, mais uma vez, errado : o nosso problema não foi falta de proteccionismo e intervencionismo ; foi antes falta de concorrencia e excesso de despesismo do Estado.
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Onde é que falei de protecionismo? Aí, essa cassete…
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“Para quê produzir o que outros produzem melhor e mais barato do que nós”.
Esta ideia continua a ser valida hoje : devemos produzir melhor e mais baratos do que os outros, sempre que possivel e onde for possivel (isto é, quando e onde e conseguirmos ter vantagens competitivas).
Mas atenção, não é o Estado que deve dizer o que é que devemos produzir, onde devemos produzir, como devemos produzir, tudo isto através de proteccionismos, intervencionismos e subsidios discriminatorios.
Uma das principais taras do modelo économico anterior, que precisamente, entre outras consequencias negativas (desequilibrio das contas publicas, perda de competitividade externa, etc), contribuiu para o desequilibrio na produção entre bens transaccionaveis e bens não transaccionaveis (e deste modo para a degradação da balança comercial e de pagamentos), foi o excesso de protagonismo do Estado na economia e o excesso de despesismo publico. Não nos esqueçamos que o Estado é o principal sector de bens e serviços não transaccionaveis e que os gastos e investimentos publicos tendem naturalmente a desequilibrar a procura interna a favor destes sectores, tanto os publicos como os privados.
De resto, é um facto que a actual politica de austeridade e ajustamento, sem proteccionismos nem subsidios, tem contribuido para a melhoria das contas externas (menos importações e mais exportações) e, em simultaneo, para um começo de reequilibrio entre os sectores de bens transaccionaveis por um lado e os sectores de bens não transaccionaveis pelo outro.
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Lamento, mas isso não passa de retórica. Aliás, característica que se encontra abundantemente no actual governo. Quando se vai governar um país, a primeira condição é conhcê-lo. Ora, desde há muito que temos desequilíbrios em setores fundamentais (quase todo o setor alimentar, a indústria, o ordenamento do território, a produção de energia) que deviam ter sido os beneficiados com os fundos europeus. Era esse o seu objetivo. Nestes setores era necessária alguma intervenção do Estado, porque a iniciativa privada ou não estava em condições de responder, ou pura e simplesmente não estava interessada. O que aconteceu? Alimentou-se a negociata, orientando os mais fortes grupos económicos para o betão, para setores como a distribuição que inevitavelmente agravou o défice, para o financeiro (deixo de lado as vigarices puras e duras que apenas pretenderam caçar fundos). Nesta situação, a entrada no euro foi um suicídio. Pretender começar a história do nosso descalabro ignorando o seu começo é pura mistificação. Ignorar como perdemos empresas como a Sorefame, ou como se montou, recentemente, o negócio das renováveis (que, bem montado, fazia todo o sentido), é baixa política. Claro que alguns vão mais longe e dizem que acreditar que no norte da Europa ninguém sabe ler jornais portugueses, de modo a não serem surpreendidos com as asneiras que fazíamos, é acreditar no Pai Natal.
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Trinta e tres : “Nestes setores era necessária alguma intervenção do Estado …”
Mas foi o Estado que distribuiu os fundos europeus, foi o Estado que deu subsidios à esquerda e à direita,… e qual foi o resultado ??!!
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Pois foi. E só por ingenuidade podemos considerar os detentores de cargos públicos, imunes a pressões. Daí a necessidade de serem muito controlados.
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Menos Estado, menos tentações, menos trafico de influencias, menos corrupção, menos desperdicio !
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Trinta e tres : “Onde é que falei de protecionismo?”
.
Então porque é que critica uma frase que apenas defende a liberdade economica ?!!…
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Porque nenhuma política económica responsável, pode ignorar as reservas estratégicas dum país. Essa frase matou o que restava de setores como a agricultura e as pescas. Veja o que representam nas atuais importações.
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Trinta e tres,
Estamos efectivamente em campos opostos.
Eu sou pela reforma do modelo économico anterior introduzindo mais liberdade.
Vc é por mais do mesmo, mais Estado, mais intervencionismo, mais despesa publica, logo (como diria o rr), mais impostos.
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Não há “mais do mesmo”. Mais do mesmo, é proteger grupos económicos que só vivem à sombra do estado, pervertendo a essência da concorrência. Foi isso que se fez até agora. Nada mais.
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Exactamente, “à sombra do Estado” !
O que vc diz aqui em cima é precisamente o que se passou com o modelo economico que esta agora em crise e que esta a ser progressivamente mudado com o actual processo de ajustamento.
Por isso é que os “grupos economicos” (empresariais e outros, incluindo categorias socio-profissionais) que mais viveram e vivem à sombra do Estado estão fundamentalmente contra a actual politica de austeridade e participam abertamente na campanha visando a queda deste governo.
Ja reparou na posição dos representantes das principais associações empresariais ?
Uma das poucas excepções é a Banca, que esta nesta fase a beneficiar da ajuda da Troika e do BCE. Veremos mais para a frente.
Atenção, não se trata de fazer a guerra aos “grupos economicos”. A nossa economia precisa de grupos e empresas com dimensão e musclo. Mas devem existir e actuar no quadro duma economia mais concorrencial e menos dependente dos gastos e do intervencionismo do Estado.
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Passos Coelho, prometeu não aumentar impostos e só tocar em gordurinhas,e fazer a consolidação através da redução da despesas.Foi isto que aconteceu efetivamente,independentemente das simpatias politicasEstão o Trinta e Três e o Zé errados? Sim,talvez a solução deles seja pior.Mas isso não torna menos óbvio nem desvaloriza que Passos Coelho fez promessas que não cumpriu, quer queiramos quer não.Prometeu A mas acabou por faser B.Nesse aspeto, mudámos de governantes, mas não mudámos de politicas,nem de atitudes.Estar o PS ou o PSD no governo, não faz a menor diferença.
Aliás, Passos Coelho, se bem me recordo, apoiou as politicas do PS,antes de entrar para a liderança do Partido, como esta frase mostra claramente, preto no branco.Passo a citar:”O Governo tem estado bastante bem nas respostas que tem encontrado para a crise financeira, que, de resto, não são respostas muito originais, são concertadas ao nível europeu, mas que têm funcionado bem em Portugal’.”
Foi em 2008
Parece-me perfeitamente óbvio que mudança, só no papel.Há piores? Há.O pcp e o be.De resto, é como a Coca Cola e a pepsi
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Já agora 8e á margem do que interessa), qual é a minha opção política? critiquei Sócrates e apoiei a mudança (penso que esteve tempo excessivo), como, perante situações idênticas, apoio a demissão imediata do atual governo.
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Interessa sempre … 😉
Mas criticou como e apoiou a mudança para onde ?!…
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Trinta e Três, posso estar enganado, mas mostra-se um opositor de liberalizações e de descidas de despesa, ou seja, a sua opção politica situa-se na esquerda..
É claro que vamos ter de cortar no estado social, nos funcionários publicos, para não aumentar mais impostos.
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rr,
Palpita-me que não esta enganado (mas o Trinta e tres é que pode ajudar a esclarecer) e concordo com o que diz no seu ultimo paragrafo ! 🙂
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Ainda bem Fernando, folgo em ver que está de acordo comigo nesse aspecto.Mas já vem tarde.
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rr /anonimo / etc…,
Não estrague este pequeno e fugaz momento de acordo !… 🙂
Vc nunca quiz acreditar no que eu sempre disse mas eu nunca disse nada de diferente.
Por multiplas e diversas razões, continuamos naturalmente em profundo desacordo quanto aos tempos e modalidades das medidas de ajustamento. da nossa economia.
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Pode ser assim como diz, mas não estou convencido que o governo e os seus elementos tenham essa boa fé.Aqui em Portugal , quando se aumentou impostos nunca se baixou.Nunca.E, por muito que me custe dize-lo, isso apenas seria um milagre,não vejo porque haveria de acontecer agora.E uma questao de fé
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O discurso até pode vir num detemrinado sentido liberal, mas a forma de agir é social-democrata.O Fernando fala de reformas, fala de que a direita tem defendido a reforma do estado e a liberalização.Mas, olhando para o feito,as palavras ainda não passaram para os actos.Os funcionários publicos e o estado continuam intactos,mais ou menos.Enfim.Uma oportunidade perdida para mudar o pais.
Não duvido da sua boa fé, agora do governo tem todas as reservas possiveis!
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Depende. Se falamos de serviços estratégicos ou em regime de monopólio, sim, sou contra a privatização. Se falamos de levar a iniciativa privada a fornecer serviços socialmente úteis mas dificilmente lucrativos (transportes), não sou contra, mas não acredito que haja interesse. Se queremos abrir à iniciativa privada serviços concorrenciais com os do Estado (saúde, por exemplo), só peca por tardio. Mas, atenção: eu disse concorrenciais e não serviços a funcionar à pala do Estado, como aconteceu no escândalo dos colégios privados.
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E já nem vale a pena falar na forma inábil (suspeita, até) como se “esqueceram” de atacar os setores que sempre viveram à sombra do Estado, as PPP, as fundações. Recorde-se do triste episódio da demissão do secretário de estado da energia.
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O meu comentário anterior está repetido e mal colocado. As minhas desculpas.
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rr,
Ja discutimos anteriormente e longamente esta questão das “promessas”. Inclusivamente com as citações.
Passos Coelho não prometeu não aumentar os impostos. Tanto mais que o programa da Troika, que, esse sim, Passos Coelho prometeu aplicar, previa aumentos de impostos.
Passos Coelho disse apenas que não aumentaria mais do que era necessario e estava previsto pelo programa.
De resto, mesmo que PPC tivesse subestimado a dimensão dos aumentos e da austeridade em geral, e de algum modo foi o que aconteceu, poderia quando muito ser acusado de não ter percebido a verdadeira gravidade da situação e de ter errado nas previsões.
Mas quem é que não errou ? Previsões são previsões e a realidade impõe-se sempre. Toda a gente errou, então e depois, a começar pela Troika e tantos outros intervenientes externos e a acabar nas forças politicas e nos comentadores que agora dão lições.
O que aconteceu é que a crise, por razões internas e externas (crise do Euro, desacelaração do crescimento do resto do mundo, etc), acabou por ser mais forte e duradoura do que se pensou a certa altura.
O facto da situação ser mais séria do que a previsão inicial justificava e justifica um reforço das medidas de austeridade. Como aconteceu. E não o contrario. Como defenderam e defendem a generalidade dos criticos da austeridade e da politica do governo.
A citação que faz das declarações de Passos Coelho são de 2008, na sequencia da crise dos subprimes e referem-se portanto a uma situação enterior e diferente.
Naquela altura, é verdade que foi dominante, primeiro nos Estados Unidos e depois até na propria Europa, de que o combate à crise exigia medidas anti-recessivas de tipo keynesiano.
Passos Coelho limitou-se a concordar com esta orientação geral.
Na verdade, as medidas então tomadas por muitos governos foram inapropriadas, relançaram efectivamente as economias mas custaram muito dinheiro a Estado ja relativamente endividados e acabaram por ser ineficientes.
No caso português, o que foi feito foi ainda mais gravoso tendo em conta a situação das contas publicas, ja então muito desequilibradas, e a falta de competitividade da economia nacional. Portugal não tinha sequer a margem finaceira e o potencial produtivo de outros paises desenvolvidos.
Foi um erro enorme do governo portugues e, ao dizer o que disse, Pedro Passos Coelho esteve do lado errado.
Dito isto, não me parece suficiente para dizer que PPC ” apoiou as politicas do PS”, em particular as que se referem aos anos anteriores à crise de 2008 e aos anos posteriores.
Tanto mais que, na altura, Passos Coelho era ja dentro do PSD um defendor e um representante de uma linha politica mais liberal.
Admito e espero que PPC, tal como muitos outros que na alturam apoiaram aquele tipo de politicas, ja percebeu que foi um erro.
Constato que o rr, muito embora ja admita que “talvez” (!!!…) a “solução” do Trinta e Três e do Zé Paulo “seja pior”, continua mais preocupado e ocupado em juntar-se a eles na oposição sem tréguas ao governo actual e à politica de austeridade do que em criticar aqueles que, como o Trinta e Três e o Zé Paulo, defendem o abandono da austeridade e o regresso às politicas despesistas e intervencionistas do passado recente !
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As minhas desculpas pelos varios erros de escrita no meu comentario acima. Pressas !…
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Está bem, está. É uma cervejinha por cada erro.
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😉
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Caro fernando, não é verdade..Passos Coelho prometeu sim, claramente,com todas as letrinhas, não aumentar impostos, e faze-lo apenas da redução da despesa.E mesmo que não tivesse sido isso o que ele disse, pelo menos o programa eleitoral não previa isso.O Fernando acredita na bondade e na pureza do primeiro-ministro,tem confiança, mas eu não caio em tal ingenuidade.É uma hipótese benévola, um wishful thinking.Passos Coelho fingiu-se apenas do que não é,um soCial-democrata como todos os outros, com discurso liberal., que não corresponde ao que faz., um mentiroso, é essa a explicação.Tal como os restantes politicos portugueses.Enganou e mentiu.
O que é certo é que apoiou essas politicas,e isso mostra que não duvida em dar as maiores piruetas politicas, o habitual troca-tintismo português.Mas não esperava outra coisa.
Não sei no que é que se pode basear para dizer que Passos Coelho representava uma linha liberal.No limite, ele pertence a uma corrente menezista, que antes vi incorrerem numa ambiguidade, dizendo num dia a favor do socialismo e do estado social, e no dia seguinte liberais.Dia sim, dia não.
Eu não me junto á oposição.O problema é que o governo na realidade não mostrou diferenças relevante face á oposição, nem implementou politicas diferentes da oposição, e não é por acaso que o PS tem dificuldades para fazer oposição ao governo! Não vejo aonde está o “neoliberalismo”
Salvo algumas diferenças, a verdade é que a politica deste governo , no que é essencial, não é muito diferente dessas politicas despesistas da oposição!
Uma coisa pode ser o discurso.Mas o dizer é diferente do fazer.E na realidade, o governo mantem o Estado Social intacto, os gastos públicos continuam,podia ser o governo de Tony Blair ou de Schroeder..É uma terceira-via.Nao tenho sentido as diferenças nesse aspecto..Portanto, meu caro, a oposição em Portugal, é na verdade, uma farsa teatral.
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rr,
Quanto às “mentiras” do Passos Coelho, ponha aqui as citações, como ja fez noutras alturas, e vamos discuti-las (como ja fizémos noutras alturas).
Para ja, recordo o seguinte :
– Eu sempre lhe disse que PPC, de entre todos os dirigentes partidarios, sempre foi aquele que menos prometeu e que mais falou verdade sobre o que era a situação portuguesa e sobre o que tencionava fazer. E, no essencial, fez e continua a fazer o que disse. Muitos dos mais criticos consideram que é teimosia cega. Claro que PPC teve de “por muito vinho na sua agua”, mas isso foi porque as circunstancias o exigiram e seria insensato e irresponsavel não o fazer.
– Eu nunca lhe disse que PPC nunca fez declarações infelizes, excessivamente optimistas, imprudentes, ambiguas, etc, etc… Como, no fim de contas, aconteceu e acontece com qualquer pessoa que tenha um protagonismo politico importante. Mas dai a concluir que “enganou e mentiu” !…
– Mas, mesmo admitindo a pior das suas versões, continuo a não perceber porque é que os eventuais calculos de comunicação de Passos Coelho, as tais “mentiras”, são assim tão graves ao ponto do rr perder qualquer sentido das nuances, perder de vista que as alternativas a Passos Coelho, inclusivé à direita, são ainda piores, e acabar assim por juntar a sua voz à campanha da esquerda contra os unicos que defendem e teem a possibilidade de aplicar uma politica de redução do papel e do peso do Estado na economia, condição indispensavel para qualquer politica viavel e sustentavel de redução estrutural de impostos.
O rr diz que não acredita. Apenas 2 anos depois da entrada em funções deste governo, numa situação extremamente dificil e critica. Mas porque não lhe da o beneficio da duvida ? (não diga que deu no inicio porque não é verdade ; eu discuto consigo ha bastante tempo para o saber)
O rr parece por vezes, tal como toda a esquerda (incluindo “a esquerda da direita”), desejar a queda imediata do actual governo. Mas o rr tem a noção que se tal acontecer, qualquer alternativa que venha sera certamente ainda menos liberal, ainda menos favoravel à reforma do Estado e à diminuição das despesas e dos investimentos publicos, ainda menos favoravel às privatizações, ainda menos favoravel à liberalização do mercado de trabalho, ainda menos favoravel ao aumento da concorrencia nos sectores protegidos, ainda menos comprometido com a consolidação orçamental e o contrôle da divida, ainda menos reticente a aumentar impostos, etc, etc, … tudo aquilo que o rr como “liberal” parece desejar e defender ????
Essa sua tese de que a “oposição” ao governo actual é uma mera “farsa teatral” é verdadeiramente sui generis !…
Para a tentar justificar vc diz coisas verdadeiramente incriveis.
Por exemplo, que o governo actual é despesista como os anteriores quando foi o primeiro desde ha muito a cortar as despesas publicas em valor absoluto.
Poderia ter feito mais e mais rapidamente ? Talvez. Pelo menos sabemos que teria ido mais longe e mais depressa se o Tribunal Constitucional não o tivesse impedido.
Mas dizer que não fez nada e que neste aspecto não ha uma diferença “relevante” relativamente aos governos anteriores, é verdadeiramente espantoso.
Ha varios outros exemplos, que eu inclusivamente ja lhe referi (longamente 🙂 ) noutras ocasiões, mas o rr continua a insistir sempre no mesmo : este governo é tão socialista como os de Socrates. Ok, nada a fazer. Desisto ! (pelo menos por agora 😉 )
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Como queira:http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1849470
Posto isto,teremos então que discordar sobre as boas intenções dele e a sua honestidade ou falta dela.A situação não é inédita em Portugal.Tal como outros primeiros ministros, Passos Coelho tinha um discurso na oposição, e teve outro no governo.Como Sócrates, como Durão, como Guterres.Todos eles, sem excluir Passos mentiram em campanha eleitoral.Será que as circunstâncias também mudaram para eles? É a conclusão que a sua lógica conduz.
Os tais calculos devem-se a motivos eleitoralistas meu caro.E quanto ás alternativas, não me parece nem melhor, nem pior, sinceramente nesta altura, parece-me o mesmo.Eu não junto a minha voz á esquerda, mas sim, penso que o governo, com maior ou menor medida, na realidade faz parte dessa esquerda,e 2º:porque inclusive,não vejo qual é a base para se dizer que o governo defende a redução do estado, e que as orientações não são essas.Para ser mais preciso, não vejo nenhuma razão nem bases para uma critica ao governo desde uma perspectiva de esquerda.O governo tem sido na realidade, fiel ás suas raizes sociais-democratas do PSD.Eu sei que sou céptico, que sou muito pessimista, mas não vejo com base no quê é que se pode acreditar no alegado liberalismo do governo, que ainda não descobri onde está.Invejo a sua estoica capacidade de confiança,confesso.
É verdade que sempre critiquei o volte-face politico que deram, mal chegaram ao governo.Mas mesmo tendo sido um critico, esperei pelos resultados.Mas o tempo mostrou-me que tinha razão.Podia até haver um ou outro sinal, que o governo estava decidido a cortar despesa estrutural, a liberalizar, a baixar impostos.Mas esses sinais não existem.
E sinceramente(não me leve a mal) não vejo pior alternativa, no limite, vejo a mesma essencialmente.Como o Fernando sabe, o BE e o PCP, estão excluidos do jogo.Sobra o PS.Ora,sinceramente,a julgarn pela hist+oria politica, não vejo o PS pior que o PSD(ou se quiser, da actual maioria) nesses aspectos,,não vejo um governo com vontade de fazer a reforma do estado, vejo um governjo que tem protegido os poderes corporativos da economia(energia,poderes municipais, só para dar dois exemplos muito concretos).
É trágico que assim seja, mas é a realidade politica de Portugal.Não é sui generis, simplesmente os partidos á esquerda não pararam para pensar que as suas criticas não teem razão nenhuma de ser.Quando vejo o pcp a criticar o “neoliberalismo” comparo essas palavras com a realidade, e não vejo qual é a razão de ser das palavras.
Efetivamente é o que penso,e o tempo tem-me dado cada vez mais razão para continuar a pensar assim! 🙂
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Caro rr,
O que eu “queria” mesmo era uma citação inédita, que eu desconhecesse !…
Este link com algumas afirmações de Passos Coelho ja o rr aqui tinha apresentado ha mais de 1 ano … Portanto, nada de novo !
Respondi-lhe na altura.
Desculpe a economia de esforços ( 😉 ) mas coloco esta resposta de novo aqui (no final da caixa de comentarios, por ser mais comodo).
De qualquer modo, ja lhe tinha respondido por antecipação aqui em cima.
Vendo bem, a unica coisa em que eu evolui um pouco é que agora, com mais distancia e com mais elementos entretanto acumulados, até acho que na altura Passos Coelho, no contexto politico existentee e com a informação disponivel … dificilmente poderia ter dito algo de muito diferente !!
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O que conta é que ele disse preto no branco: não aumentarei impostos,de qualquer espécie, ou mais dos que alguém lhe impôs.É essa a verdade.
Pois, e os seus antecessores também não sabiam e podiam ter feito algo de muito diferente! É uma repetição de muitos casos, portanto eu desconfio muito da sua explicação.Eu tenho outra forma de ver o assunto: Ele precisava de um isco para pescar o peixe(eleitorado),para depois, dar o fim que normalmente se dá aos peixes…
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rr : “O que conta é que ele disse preto no branco: não aumentarei impostos,de qualquer espécie, ou mais dos que alguém lhe impôs.”
Não é o que é dito na citação que linkou aqui.
Procure outra melhor !
Não percebo como é que Passos Coelho “pescou” eleitorado quando era o PS e os outros partidos à esquerda que prometiam uma saida da crise sem austeridade ?!!?…
Nem percebo porque é que o rr não votou nestes partidos, em vez de votar no PSD de Passos Coelho, visto que prometiam (e prometem ainda) o que o rr deseja : uma saida da crise sem austeridade !!
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O presidente do PSD rejeitou, quarta-feira, “mais aumento de impostos” se vier a ser primeiro-ministro após as eleições legislativas de 5 de Junho e acusou o adversário socialista de ser “exímio em dizer o que não é”. ”
Foi isto que ele disse. E que não ia aumentar mais impostos do que aqueles que estavam previstos pelo anterior governo.Ponto
Porque prometeu uma politica diferente da do PS,que fizesse o caminho através do corte da despesa(não especificada, mas eram umas gorduras), e não através de aumentos de impostos,,dos quais o eleitorado estava, cansado.Do BE ou PCP, talvez tenham rejeitado,, já o PS nunca a rejeitou,pelo menos,dos quais o eleitorado estava, cansado.Dai a minha convicção que houve um engano ao eleitorado.Prometeu como todos os politicos fazem.
E para sua grande informação eu não defendo a rejeição da austeridade.Defendo sim, outro tipo de austeridade concentrada na redução da despesa estrutural em vez do atual e passo a citar as palavras de Henrique Raposo,”Sodoma Fiscal”.
Boa Noite
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rr : E que [Passos Coelho] não ia aumentar mais impostos do que aqueles que estavam previstos pelo anterior governo.”
Deve completar a declaração : “… por este Governo (…) e no documento que assinámos com a ‘troika’ da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional …”
Defender uma austeridade apenas baseada em redução da despesa estrutural, inviavel técnicamente e politicamente e condenada ao falhanço, é a mesma coisa que ser contra uma austeridade viavel e realista.
De resto, a esquerda não diz uma coisa muito diferente quando considera que é possivel reduzir o déficit orçamental sem aumentos de impostos e reduzindo apenas as “gorduras” do Estado.
Boa noite.
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Defender uma austeridade apenas baseada em redução da despesa estrutural, inviavel técnicamente e politicamente e condenada ao falhanço, é a mesma coisa que ser contra uma austeridade viavel e realista.
De resto, a esquerda não diz uma coisa muito diferente quando considera que é possivel reduzir o déficit orçamental sem aumentos de impostos e reduzindo apenas as “gorduras” do Estado.”
Mas inviável e condenada ao falhanço porque,senão foi ainda tentada?? É porventura menos inviável do que uma austeridade quase exclusivamente virada para os aumentos da carga fiscal,deixando o estado intacto.
Está bem,está bem..
Não a esquerda apenas se referiu aos (poucos) cortes que o governo fez, não aos aumentos de impostos, que não contestou nem nunca a esquerda por natureza podia contestar, uma vez que não sabe reduzir despesa
De resto, sei bem que o corte das gorduras é muito insuficiente,e que o governo tem de cortar, inclusivamente no aspecto social.
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rr : ” a esquerda apenas se referiu aos (poucos) cortes que o governo fez, não aos aumentos de impostos, que não contestou nem nunca a esquerda por natureza podia contestar,”
Alguns exemplos entre muitos, relativos unicamente a Antonio José Seguro.
Contra aumentos de impostos :
“é profundamente injusto que o Governo tenha sido lesto a tributar extraordinariamente os rendimentos do trabalho dos portuguesesl”. (Agosto 2011)
A favor de baixas de impostos :
” «O aumento do IVA na restauração é um disparate e vamos tentar corrigir a situação». (Maio 2012)
“Em relação ao IRC, o PS apresentou uma proposta, no âmbito do Orçamento do Estado para 2012, no sentido de que os primeiros 12.500 euros de lucros de pequenas e médias empresas pudessem ser tributadas não a 25 mas 12,5 por cento, tendo em vista promover a recapitalização das empresas”. (Janeiro 2013)
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Caro Trinta e tres,
Agora é a minha vez de lhe dizer que essa sua conversa sobre « o desconhecimento do mundo real » … é pura « retorica ». Não sejamos pretenciosos : cada um tem a sua percepção do « mundo real » e a sua ideia sobre a melhor maneira de intervir ou não sobre ele para melhorar o estado das coisas ; cada um tem a sua experiencia de vida e a sua visão das coisas. Não servem argumentos de autoridade, do género, « eu sei porque trabalhei numa empresa do sector privado e voce não ». De resto, quem é que lhe diz que eu não trabalhei e trabalho em e com empresas do sector privado ?!..
Falemos antes sobre as nossas convergencias (que, felizmente, também existem, senão não faria grande sentido estarmos aqui a debater) e as nossas divergencias (que são mais de fundo).
Uma das nossas convergencias é a ideia de que o modelo economico que vigorou em Portugal nas ultimas décadas acabou por provocar uma série de desequilibrios e de bloqueios.
Em particular, dois desses desequilibrios preocupam sobremaneira o Trinta e tres (e a mim também) : o desequilibrio entre o sector dos não transaccionaveis, que cresceu fortemente, e o sector dos transaccionaveis, que se foi atrofiando ; o desequilibrio das contas externas, com um crescimento das importações superior ao das exportações, e que é de certo modo uma consequencia do desequilibrio anterior.
Admira-me que o Trinta e tres não pareça estar tão preocupado com outro grande desequilibrio, que é uma das principais causas de tudo o resto, senão mesmo a principal causa, e que é o das contas publicas. Sendo que este desequilibrio, financeiro, remete para outro desequilibrio, mais economico (os que mais parecem preocupar o Trinta e tres), que é o excessivo peso do sector Estado relativamente ao sector privado.
Um outro ponto de acordo é a ideia de que, ao longo deste longo periodo, o Estado interveio mal na economia, distribuindo mal fundos e subsidios, apoiando certas empresas e interesses privados e não apoiando outros. Como diz a paginas tantas “só vinga quem é apoiado pela fação que ocupa o governo!”
Trata-se de uma causa intermédia, na medida em que é ainda necessario explicar por que razão o Estado reagiu assim ou, inversamente, o que é que teria permitido evitar ou minorar este tipo de comportamento por parte do Estado.
Onde divergimos é na explicação cas causas de fundo, estruturais, deste estado de coisas.
Para o Trinta e tres foi pouco Estado e mau Estado.
Para mim foi excesso de Estado. Nem sequer mau, porque o Estado faz o que pode e sabe, coitado ! Foi pura e simplesmente excesso.
Para se ter uma ideia, desde 1974 até à actualidade, em cerca de 4 décadas, menos de uma geração, talvez não muito longe da idade média doscomentadores neste Blog, o peso do Estado na economia mais do que duplicou (as despesas publicas em percentagem do PIB passaram de pouco mais de 20% para quase 50%). Pelo Estado passa hoje metade da riqueza criada (e pedida anualmente em empréstimo) em Portugal.
Não foi portanto por falta de Estado que o modelo economico portugues ganhou as assimetrias e os bloqueios que mostra hoje. Foi o contrario.
Os gastos do Estado foram a causa principal do crescimento do sector dos bens e serviços não transaccionaveis, virados sobretudo para o mercado interno. Desde logo, o Estado é o maior “produtor” de não transaccionaveis. Além disso, através das suas despesas e investimentos, representa uma procura importante para os outros não transaccionaveis (construção, serviços, energia, combustiveis, financeiros, transportes, telecomunicações, etc). Mas também contribui, directamente pelos seus gastos, indirectamente pelos rendimentos que distribui a milhões de familias, para a importação do exterior de muitos bens, sobretudo de consumo mas também de investimento. Ou seja, pela sua politica despesista, directa e indirectamente, o Estado canalizou uma parte muito significativa dos recursos disponiveis para o sector dos não transaccionaveis e para a importação de bens transaccionaveis estrangeiros. No fim de contas, duma parte importante destes recursos foram privados outros sectores de actividade, em particular muitos daqueles que produzem bens e serviços transaccionaveis para o mercado interno (cedendo partes de mercado à importação de produtos estrangeiros) e para a exportação (para que exportar se é mais facil e rentavel trabalhar para o mercado interno ?). Estamos a falar de grande parte da industria manufactureira e da agricultura. As maiores procuras de não transaccionaveis fizeram subir os preços relativos destes sectores relativamente aos dos transaccionaveis. Incluindo bens e serviços que são intermédios e auxiliares nas produções dos transaccionaveis, como o trabalho qualificado, a energia, os transportes, os equipamentos, as matérias-primas, etc. Ou seja, aumentaram os custos de produção dos transaccionaveis. Esta configuração de preços relativos desequilibrados foi um dos mecanismos de transferencia, através do simples funcionamento do mercado, de recursos dos sectores transaccionaveis para os não transaccionaveis. O outro mecanismo, administrativo, foi o fiscal, através duma carga de impostos, cada vez maiores, destinados a financiar as necessidades crescentes do Estado. A partida, o aumento de impostos afecta todos os sectores privados da economia. Mas a verdade é que, de um modo geral, os beneficios fiscais e as ajudas e subsidios do Estado acabam por ser dirigidos sobretudo para os não transaccionaveis. Os transaccionaveis suportam assim condições e custos mais desfavoraveis. Uma das principais consequencias foi o crescimento muito rapido das actividades de serviços (incluindo o comércio) e uma relativa estagnação da industria manufactureira “tradicional”, anteriormente mais virada para o mercado externo e para um mercado interno mais receptivo aos produtos “nacionais”. Outra consequencia importante foi um maior atrofiamento da agricultura e do mundo rural, incluindo todas as actividades economicas e administrativas que lhes estão associadas. Este desequilibrio explica em boa medida uma parte importante e a rapidez da urbanização do litoral e em torno das principais cidades e a paralela “desertificação” do interior.
No essencial, todo este processo teve lugar independentemente das politicas publicas de apoio especifico à industria, à agricultura, ao desenvolvimento regional. Estas politicas até existiram, drenando meios e fundos importantes. Por exemplo, no caso da agricultura, o ministério de tutela sempre teve um quadro de pessoal enorme e levou a cabo um sem numero de programas, em parte com dinheiros da Europa, mas não apenas. Exemplos do mesmo género poderiam ser dados relativamente à industria, às PMEs, ao ordenamento do territorio, etc, etc.. Estas politicas não resultaram e representaram um grande desperdicio de meios. Pior ainda, foram marcadas pelo trafico de influencias, pelo clientelismo, pela corrupção. Tudo aquilo que o Trinta e tres, justificadamente, denuncia. O Trinta e tres dira que estes maus resultados se devem à incompetencia e à desonestidade das pessoas envolvidas, a começar pelos governantes. Claro, este aspecto também tem a sua importancia. Sem incompetencia não haveria erros e sem desonestidade não haveria oportunismos e roubos. Mas o mais importante não é isto. Quase tudo aconteceu porque todos estes programas com dinheiros publicos criaram as condições de base para tal. “A tentação faz o ladrão !”. O gigantismo do Estado é a principal causa do clientelismo e da corrupção.
Ou seja, o factor determinante, tanto para o aparecimento e agravamento de desequilibrios estruturais na economia como para o falhanço e o desperdicio das politicas publicas, foi o excesso de Estado, o crescimento extremamente rapido da parte da riqueza nacional que ficou na dependencia de quem governa e de quem gere esses dinheiros.
Assim sendo, o que fazer ?
Em primeiro lugar, a situação mais urgente a resolver é o grave desequilibrio das contas publicas e o risco de ruptura brutal e quase total do financiamento à economia e ao Estado.
Esta urgencia é “nacional”, é prioritaria relativamente aos problemas de fundo e estruturais do nosso modelo economico, não é um objectivo de direita ou de esquerda.
A austeridade é inevitavel e indispensavel. Pode-se discutir se deve passar mais por cortes na despesa ou mais por aumentos de impostos. Mas tem mesmo de passar por aqui. E não há austeridade, seja ela qual for, que não tenha consequencias, em termos de consumo, de recessão, de desemprego, de rendimentos das familias. Alguns dos aspectos negativos que o Trinta e tres indica e cuja responsabilidade atribui ao governo actual mais não são que consequencias inevitaveis da austeridade. Mas a austeridade é uma consequencia do despesismo. Se quer reclamar acho que o deve fazer junto dos responsaveis pelos governos anteriores e daqueles que defenderam as politicas irresponsaveis que nos trouxeram para a crise actual.
No seu comentario o Trinta e tres parece reconhecer que é necessario reformar o Estado e reduzir a despesa publica. Optimo. Mas mostra uma grande frustração pelo facto do governo actual cortar onde não deve (reduzir vencimentos, despedir funcionarios) e não cortar onde deveria (“gorduras”, PPPs, etc). Não vou discutir em detalhe os seus argumentos, que por vezes tenho até uma certa dificuldade em acompanhar. Vou apenas lembrar que, independentemente de algumas das suas criticas e sugestões até poderem ser pontualmente justas, o Trinta e tres fala duma parcela da despesa primaria que grosso modo não representa mais de 20% e deixa de fora os 80% que se referem precisamente a vencimentos, pensões, prestações sociais, etc. Não digo que seja o seu caso, mas esta é normalmente a argumentação daqueles que, sendo contrarios à reforma e à redução do peso do Estado, avançam com hipotéticas economias pontuais em areas pouco importantes para melhor poderem recusar cortes com real e maior impacto na despesa total. Em matéria de redução da despesa publica, aqueles que sempre foram e ainda hoje são por um Estado pesado e omnipresente deviam ter vergonha de vir dar lições de catedra sobre como … cortar na despesa !… O governo actual, apesar de todas as suas limitações, hesitações, incompetencias, dependencias de interesses instalados, e tudo o mais que se queira, já cortou mais despesa publica do que qualquer outro governo desde há muitas décadas !!
Em segundo lugar, para além de do tratamento de emergencia da crise das finanças publicas, é necessario e conveniente reformar o modelo economico vigente. Por duas razões intimamente ligadas. Primeiro, para que a economia portuguesa possa fazer os ajustes necessarios e voltar a crescer e a criar emprego. Segundo, para que este crescimento seja sustentavel e não volte a acontecer no futuro uma nova crise do género da actual.
A reforma do modelo economico resume-se numa ideia chave : reduzir o peso e o intervencionismo do Estado na economia, baixar a carga fiscal. Com as devidas proporções, porque nestas coisas não há simetrias, trata-se de fazer o contrario do que foi feito ao longo das ultimas décadas.
Este processo de reforma e ajustamento não é facil, é doloroso, leva o seu tempo, é progressivo, e não implica necessariamente deitar fora tudo o que foi feito e voltar ao ponto de partida (que, no fim de contas, não existe, nem em 1974, nem antes, nem depois), por exemplo, aos 20% do Pib em despesa publica. O importante é que a orientação do ajustamento seja a boa. As modalidades e as metas quantitativas e qualitativas deverão ir sendo definidas, revistas, ajustadas, à medida que se for avançando. O Estado não tem de ser “desmantelado”, o “Estado Social” não tem de desaparecer. Mas deve ser reformado e redimensionado. Não vou, naturalmente, entrar aqui no detalhe do que deve e pode ser este processo de reformas. O que conta é que evoluamos para menos e melhor Estado e para uma economia mais equilibrada e competitiva.
De certo modo, melhor ou pior, mais ou menos rapidamente, este processo já esta em curso. Desde a crise de 2008 e, sobretudo e mais acentuadamente, desde a adopção de uma politica de austeridade em 2011. O ajustamento é feito pelo Estado, através de medidas de consolidação orçamental e de reformas estruturais, e pela generalidade dos agentes privados, empresas e familias, em resposta à crise e à austeridade.
Alguns resultados já são visiveis, nomeadamente no que se refere aos principais desequilibrios acima referidos : diminuição do déficit publico em resultado de aumentos de impostos e cortes nas despesas e investimentos publicos ; diminuição do consumo publico e privado, sobretudo de bens e serviços não transaccionaveis ; diminuição das importações, sobretudo de bens de consumo final e de de bens de investimento para os sectores não transaccionaveis ; aumento das exportações ; etc (e não destaco aqui varios outros ajustamentos, nomeadamente relativos a mercados, preços, salarios, poupança, estrutura do consumo e do investimento, etc).
O Trinta e tres vai-me dizer que os resultados visiveis são também a diminuição do rendimento médio das familias, a falencia de muitas empresas, o desemprego elevado. Sem duvida. Ja acima disse que é inconcebivel um ajustamento com austeridade sem sacrificios e sofrimentos. Quando o nosso pais tinha ainda alguma margem para ajustar com mais tempo e menos sacrificios … não a aproveitou !… Agora temos de fazer mais e em muito menos tempo.
O importante é que estas mudanças (com tudo isto, que o proprio Trinta e tres aponta e denuncia, como é que pode dizer que se a crise acabasse amanhã estaria tudo na mesma ?…) são o meio e a consequencia da enorme transferencia de recursos que deve acontecer entre sectores para que os desequilibrios da nossa economia sejam corrigidos. Teem fechado muitas micro e pequenas empresas na restauração, na construção, no comércio, nos serviços às pessoas, etc ? Sim, mas outras terão ainda de fechar, para reduzir o excedente de recursos acumulados nestes sectores. Significa isto que todos estes recursos, humanos e materiais, se vão perder e ficar inativos para sempre ? Claro que não, ficam disponiveis para serem utilizados doutras maneiras, noutras actividades e noutras empresas, existentes ou a criar, normalmente em sectores com maior potencial tendo em conta os novos padrões de consumo e investimento e as novas configurações de preços relativos. Estas actividades e estes sectores são naturalmente e predominantemente (mas não exclusivamente) de bens transaccionaveis, na substituição de importações, nas exportações, na produção de meios de produção, na produção de novos produtos de consumo, etc. Em termos mais simples, na industria, na agricultura, em serviços produtivos. Até agora tem acontecido sobretudo a fase dita de “destruição de valor”, de desinvestimento, de despedimentos, de fecho de empresas, de aumento da recessão… Mas há já alguns indicadores que mostram que se esta em zona de inversão de tendencia. O mais visivel é naturalmente o aumento das exportações, tanto mais impressionante quanto acontece numa fase relativamente desfavoravel da actividade nos nossos principais destinos comerciais. Outro indicador interessante, mais estrutural, é a continuação uma melhoria da qualidade do investimento, com uma maior proporção de maquinas e equipamentos (ver sobre este ponto o excelente artigo do Professor Avelino de Jesus no JN de 15/04/2013). Depois de ter tocado um minimo de 17% em 1995 (25% na UE), a partir de 2008 registou progressos importantes passando para cima da média europeia, com 28,9% em 2011e 31,5% em 2012. Mas o indicador conjuntural mais encorajante é o do mais recente indice da produção industrial, que regista um crescimento em 3 meses seguidos, de 5,3% no primeiro trimestre deste ano. Este resultado, que deve naturalmente ser ainda confirmado nos proximos tempos, é tanto mais significativo quanto é o mais favoravel na UE (1% na UE e 0,9% no conjunto dos 27). Estas e outras evoluções positivas são ainda manifestamente demasiado modestas para que os seus efeitos se possam fazer sentir em termos de Pib e emprego. Trata-se de um processo que esta ainda numa fase inicial e que vai levar o seu tempo, certamente alguns anos. As modalidades e os ritmos dependerão de um cem numero de factores e contingencias, impossiveis de prever e antecipar nesta altura. O que é certo é que a orientação geral tem necessariamente de ser esta.
Neste processo o papel dos governos não é o de definir as actividades e os sectores que se devem desenvolver nem é o de distribuir “apoios” discricionariamente a favor de uns e excluindo outros. Os agentes economicos estão bem melhor vocacionados do que o Estado para perceberem quais são as necessidades, quais são os sectores onde faz sentido investir, quais os recursos, quais os métodos, etc. O papel dos governos é apenas, e já é muito se for feito e bem feito, o de criar as melhores condições para que este processo de ajustamento “natural” da economia se possa fazer com rapidez e eficiencia. A trave mestra destas condições é seguramente a redução estrutural do peso e do intervencionismo do Estado na economia.
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rr,
Segue então o meu comentario de Janeiro de 2012 sobre as declarações de Passos Coelho que o seu link reporta.
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Pedro Passos Coelho disse então, durante a campanha eleitoral : “”O PSD acha que o aumento de impostos que já está previsto por este Governo (demissionário e liderado pelo socialista José Sócrates) e no documento que assinámos com a ‘troika’ da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional já é mais do que suficiente.”
Em rigor, o que ele disse é que não aumentaria impostos para além do que na altura “ja estava previsto” no plano da troika. Acontece que o plano da troika previa aumentos de impostos e que PPC sempre disse que um governo liderado por si aplicaria plenamente este plano.
É o que o seu governo tem estado a fazer. Contra tudo e contra todos, incluindo aqueles que assinaram o plano mas que defendem algo de muito diferente.
Claro que o plano não fixava em detalhe todas as medidas que eram necessárias para o implementar e para respeitar os objectivos e as grandes linhas do percurso proposto. Deixava naturalmente alguma margem de manobra ao governa na concretização das medidas e nas diferentes dosagens. Porque um plano do género pode dar grandes orientações mas não pode prevêr exactamente as condições concretas da governação quotidiana. Porque o contexto, interno e exter, evolui ao longo do tempo e o plano deve ser ajustado e aplicado tendo em conta esta evolução.
Pedro Passos Coelho poderia ter sido mais sóbrio e mais prudente nas declarações que fez ? Podia, já o disse muitas vezes. Subestimou a gravidade da situação e as consequências da crise e do plano de ajustamento. Mas não mentiu. De todos os candidatos foi até aquele que mais falou verdade sobre a situação do país e que mais disse que seriam necessários sacrificios para corrigir os erros do passado e tirar o país da crise.
A verdade é que, naquela altura, ninguém sabia exactamente ao certo como é que a situação evoluiria, tanto internamente como internacionalmente. A crise interna revelou-se ainda mais profunda. As resistências dos interêsses instalados e a falta de cooperação de algumas instituições e do PS foram enormes e dificultaram a tarefa do governos no sentido de cortar ainda mais na despesa pública. A crise do Euro agravou-se, a economia mundial cresceu menos, a Europa estagnou. Perante todas estas dificuldades, o que é que deveria ter feito PPC ? Não tomar as medidas necessárias para respeitar os objectivos fixados pelo programa da Troika ? PPC fez o que tinha que fazer, teve a coragem de tomar medidas duras e sempre impopulares onde quer que seja. De resto, os representantes da Troika nunca sugeriram que o governo português estaria a desrespeitar e a ultrapassar o que estava previsto pelo programa e foram sempre aprovando as medidas que foram sendo aplicadas, incluindo o aumento de impostos. Mais, por vontade de alguns dos representantes da Troika ter-se-ia subido ainda mais o IVA, ao que PPC se opôs, ou ter-se-iam aumentado as cotizações sociais dos trabalhadores para financiar uma descida da TSU paga pelas empresas, que PPC procurou fazer mas sem sucesso.
Nesta história, os que “mentem” aos portugueses são sobretudo muitos daqueles que afirmam a pés juntos que seria possivel fazer face à crise em que o pais se encontra cortando apenas nas “gorduras” do Estado e não subindo, baixando mesmo, impostos.
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Já lhe respondi em cima, não vi antes o seu último comentário:
Tal como o meu link mostra, ele sempre negou esses aumentos.Sempre.O governo tem uma maioria, para governar, para impor as politicas, e não precisa coisa nenhuma da colaboração do PS.Pois eu acho que o governo sabia bem de como estavam, e se não sabiam,,deviam ter feito por saber.Enganou-nos,ponto final.Se o Fernando acredita na inocência de Passos Coelho, é uma convicção sua, respeitando-a naturalmente, mas não acredito nem um segundo nessa versão.Passos coelho já antes tinha dado muitas cambalhotas politicas.Por mim,nem sequer devia ter apoiados os anteriores pecs,
Não foi coragem do governo, foi antes cobardia, ao não se ter centrado nas verdadeiras causas do problema nacional, mantendo essas causas completamente intactas.Coragem teria sido diminuir os funcionários publicos, diminuir desde logo a despesa estrutural.Vejo antes medo, pânico, pavor! .Foi a mesma receita de todos os anteriores governos, de esquerda ou direita.
E se não fez antes Fernando, não será agora ou depois que fará.É um otimismo dizer que alguma vez acontecerá
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Retomo a citação de Passos Coelho que linkou :
““O PSD acha que o aumento de impostos que já está previsto por este Governo (demissionário e liderado pelo socialista José Sócrates) e no documento que assinámos com a ‘troika’ da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional já é mais do que suficiente.”
Como se pode ver PPP não disse “preto no branco: não aumentarei impostos”.
Disse que aumentaria o que ja estava previsto no programa da Troika.
Na altura partia naturalmente do principio que era “suficiente”.
A realidade posterior mostrou a todos, incluindo a Troika, que não era suficiente.
Não ter feito nada teria sido insensato e irresponsavel.
Mas tudo bem, aproveitando a sua frase : se o rr acredita na culpabilidade de Passos Coelho, é uma convicção sua, respeitando-a naturalmente.
Dito isto, a não ser que haja novos elementos, não creio que sirva andarmos eternamente à volta deste argumento.
Como ja lhe disse noutras ocasiões, o que me preocupa não são as criticas do rr, que não são politicamente influentes, mas sim as dos que à esquerda se opõem à politica de austeridade e às reformas estruturais.
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O que eu quis dizer, foi que disse que não ia aumentar mais do que estava previsto no plano da troika.Uma coisa era ser ele a propor,outra era os impostos serem da iniciativa da troika.
Mas enfim, o Fernando acredita, credulamente, nas boas intenções e nessa história.Respeito-a também, mas, para ser coerente, devia também dizer que quando os outros primeiros-ministros chegaram ao governo, também encontram uma realidade muito pior do que pensaram, e que a história das promessas não existe.
Fernando, vamos lá ver se nos entendemos quanto á esquerda.A esquerda em Portugal não existe, nem a direita existe sequer.Porque: o be e o pcp estão isolados, e as diferença entre ps e pcp são minimas.O Cds-PP é um partido charneira do PSD, que nem sequer vale a pena ser referidos.
Dito isto, a divisão que está a fazer é errada.Gostaria de não dizer isto, mas a politica de austeridade deste governo “liberal” não é muito diferente do que aquela que Sócrates aplicou em 2005 e em 2010, ou se quiser até, de Soares.Pode dizer que é passageiro e não permanente, mas é evidente que existe semelhança entre as medidas.Por isso, não acredito que o PS seja sinceramente contra a austeridade , porque aquilo que este governo faz,foi também o que o PS fez antes, com maior ou menor aspecto secundario.A esquerda não tem argumentos nem motivos para protestar contra o governo.Nenhuns.Eu pelo menos não encontro um sequer.Se fosse o Jerónimo de Sousa, estaria em grandes apuros politicos.E é por isso até que Seguro não tem um plano alternativo ao governo.Não estou no lado insignificante, os governo de Sócrates e Passos Coelho é que estão no lado errado
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Ah mas previa ou não previa? O que eu vi é que não ia aumentar mais do que aqueles que já estavam previstos no memorando,isso sim.Também o memorando previa que fosse 2/3 pela despesa..
Existe o nada Fernando.Um grande Centrão.
Pois, digamos que os protestos da esquerda são com base, digo eu, ou num grande equivoco,ou então não passam de puro show-off.
Tal como essas reduções que o Seguro propõe não passam de politiquice para inglês ver, quando o PS em 38 anos de democracia nunca baixou impostos.Não me parece que faça isso(eu acho que a austeridade não é um plano, é uma forma de viver, temos que ter mais receitas que despesas sempre!),até porque os governos socialistas,regra geral, nunca tomaram medidas nesse sentido.Puro folclore.
De resto, nem ele defende reduções significativas(respondendo ao seu comentário acima) nem ele defende a redução do estado, como eu defendo.O mal não está em pedir a redução de impostos(algo que alguém genuinamente liberal não recusaria), mas sim,faze-lo a troca de mais défice e divida, que eu liminarmente rejeito.
Pela sua lógica, também o Fernando e o governo social-democrata do momento governam de forma semelhante a Sócrates, porque tal como ele, também aumentaram impostos
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rr : “Uma coisa era ser ele [PPC] a propor,outra era os impostos serem da iniciativa da troika.”
O acordo com a Troika previa aumentos de impostos e Passos Coelho sempre disse que aplicaria o programa.
O programa da Troika não detalhava nem quantificava exactamente as medidas (não é um “Plano” !) deixando ao governo a faculdade de as preparar e propor.
Desde o inicio que o programa da Troika admitia a possibilidade das medidas serem ajustadas em função da evolução da situação. Se não fosse assim seria cego e inapropriado.
A Troika sempre aprovou as medidas propostas pelo governo português.
rr : “A esquerda em Portugal não existe, nem a direita existe sequer.”
Pois … existe o que ??!!…
rr : “A esquerda não tem argumentos nem motivos para protestar contra o governo.Nenhuns.Eu pelo menos não encontro um sequer.Se fosse o Jerónimo de Sousa, estaria em grandes apuros politicos.E é por isso até que Seguro não tem um plano alternativo ao governo.”
Ou seja, a esquerda (afinal existe !…) não tem motivos para protestar … Mas não faz outra coisa !… Mistérios da politica !!
Seguro tem um plano alternativo ao governo : acabar com a austeridade e tomar medidas que sustentem o rendimento e o consumo dos portugueses.
Exceptuando a redução das despesas publicas, o resto não difere muito daquilo que o rr defende !
De resto, para ser minimamente coerente com aquilo que tem defendido aqui, nas proximas eleições o rr ou se abstem ou vota no PS !
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Ah, já agora, respondi-lhe logo um lugar em cima, a esse comentário.Mas.. infelizmente não me resta outra coisa se não abster-me.Quando não vale a pena votar, não se vota
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rr,
O memorando da Troika é percebido de diferentes maneiras consoante o que cada um quer por ou tirar …
Na minha opinião, o rr, como tantos outros, da esquerda à direita, não percebeu nem a filosofia nem os termos do memorando. A sua leitura é ideologica e extremamente rigida.
De qualquer modo, os Srs da Troika e as instituições que estão por detras são certamente os interpretes mais legitimos e avisados do conteudo do memorando.
Acontece que os “fiscais” do programa aprovaram todas as medidas fiscais do governo português.
O rr pode dar as voltas que quizer mas daqui não se pode sair doutra maneira !
A questão que verdadeiramente interessa é saber se o programa da Troika, para além de representar as condições do credor, era ou não apropriado para a situação portuguesa.
Eu penso que sim.
Se não fosse imposto do exterior, os portugueses ainda mais dificilmente aceitariam fazer os sacrificios e as reformas que são indispensaveis para sair da crise e relançar a economia em condições de maior eficiencia e sustentabilidade.
Tenho a sensação que por vezes o rr ja acha que não !
Portugal sem a Troika ?!!…
“Existe o nada”
os protestos da esquerda são com base, digo eu, ou num grande equivoco,ou então não passam de puro show-off.”
“essas reduções que o Seguro propõe não passam de politiquice para inglês ver”
“Puro folclore.”
….
rr, não leve a mal, mas tenho uma certa dificuldade em continuar a responder a considerações tão psicologistas como estas suas aqui em cima.
Dir-se-ia que para si a politica em Portugal é um teatro com actores que representam papeis que não teem nada a ver com as respectivas vidas reais !
Bom fim de semana ! 🙂
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“O PSD acha que o aumento de impostos que já está previsto por este Governo (demissionário e liderado pelo socialista José Sócrates) e no documento que assinámos com a ‘troika’ da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional já é mais do que suficiente. Não é preciso fazer mais aumento de impostos”, disse Pedro Passos Coelho, à margem de uma visita ao distrito de Vila Real, no qual é cabeça de lista dos sociais-democrata”
O Fernando que interprete esta frase como quiser e bem entender.A ilação que tiro desta citação é que não ia aumentar mais do que aqueles que tinham sido do anterior governo e que estariam previstos no memorando.Não estou dar nenhuma volta,estou a dizer o que na altura foi dito, independentemente da necessidade de se aumentar mais ou não..Essa necessidade já é um outro assunto a ser debatido.Mas que não cumpriu o que disse, isso parece-me bem claro.
E o Fernando incorre num falso dilema, de “ou se é A ou B”, em que qualquer critica ao governo , significa “estar do lado da esquerda, e ser contra o memorando”,como se ser a favor do memorando fosse apoiar a politica do governo, ou ser de esquerda.
Como o Fernando sabe, existem na blogosfera, entidades como o Insurgente, para dar um exemplo, que criticam a esquerda, mas também o governo.Porque este mostra não ser uma alternativa forte e credivel á esquerda
Já vi que o Fernando tem uma aversão a “libertários” e a “radicais”.Pois sou.Porque a liberdade só há uma, sem meio termo.
Volto a dizer-lhe: não é uma questão de se estar num lado errado.O Fernando faz uma separação entre a esquerda anti-austeridade, e um supostos governo-próausteridade, quando quer se queira quer não, o governo está mais do lado da esquerda e do socialismo, do que de uma politica dita liberal de direita,que combata a superioridade moral da esquerda.
Eu gostaria imenso de concordar consigo, mas infelizmente não posso.
Os outros partidos estão errados, mas em grande parte dos aspectos, o governo não está mais certo do que a esquerda está.
Em Suma, não há lados insignificantes.O governo e a oposição estão num lado, eu e outros estamos no outro.Ou seja, existindo essa divisão, as pessoas é que estão nos lugares errados 🙂
Por último, não percebo a razão desse adjetivo de “psicologista”.Não.Trata-se da pura e simples constatação, de que as oposições dizem uma coisa na oposição, e teem outra no governo.Ou seja, o PS faria a mesma coisa que este governo faz, como o PSD faz a mesma coisa que o PS fez, como Sócrates não se diferenciou de Durão Barroso e Santana Lopes.Talvez o Fernando veja um PS diferente do meu, mas na minha opinião, não tenho visto propostas politicas diferentes das do governo, da parte do PS.E será por isso que o PS provavelmente não ganhará as proximas eleições.
Julgo que até há um texto do João Miguel Tavares no Público chamado “Neoliberal é a Avozinha”, do qual não tenho acesso para linká-lo a si(é pago)
E também a constatação, de que o “neolberalismo” de que a esquerda fala, não existe.
Tudo isso de facto, faz com que a politica portuguesa não passe de um gigantesco Teatro D.Maria II,onde todos fingem o que não são.
É Triste, mas.. ainda não é possivel aos bebés terem a opção de nascer no pais que acharem melhor 😀
Bom Fim de Semana para si também
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