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A rua tem consequências anti-rua

22 Junho, 2013

O problema dos protestos que originam cedências por parte dos decisores políticos, como os que se observam agora no Brasil, está na capacidade dos decisores em usarem poder para interferir directamente com exigências dos sectores.

Uns querem mais escolas, outros querem mais hospitais, outros querem ainda transportes gratuitos. Como se conjugam esses interesses com recursos finitos?

Com intervencionismo não se conjugam: o que é alocado para transportes não é alocado para educação e vice-versa. O crescimento da carga fiscal necessária para suportar mais e mais estruturas torna-se incomportável e o propósito artificial de redução de desigualdade, perversamente, apenas a acentua: mais e mais impostos são usados – retirando-os aos que podem criar emprego para suportar funcionários públicos, que não geram riqueza, como forma de suportar esse estado social – isto fazendo com os que têm menos recursos percam a possibilidade de os obterem com a única forma verdadeiramente eficaz de distribuição: através de salários.

O que estamos a assistir é o socialismo a engolir-se a si próprio. E é só a 765ª vez na história recente. A consequência disso é tornar-se necessário conter o descontentamento disperso, não liderado, ultra-revindicativo, com formas crescentemente repressivas. Não há nem nunca houve refeições gratuitas.

47 comentários leave one →
  1. Grunho permalink
    22 Junho, 2013 12:58

    Pois é.
    O que é preciso é que haja rendas para os fazendeiros e para as multinacionais.

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  2. 22 Junho, 2013 13:02

    É fim de semana, vamos mas é descontrair um bocadinho: http://lishbuna.blogspot.pt/2013/06/blog-post_8298.html

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  3. Francisco permalink
    22 Junho, 2013 13:05

    Mas vai haver dinheiro para a Copa… Passou-se o mesmo aqui há uns anos atrás.

    Está a ver, Vítor? Hum? Daqui por uns anos os Vítores brasileiros vão indignar-se porque os professores brasileiros vão requerer condições de trabalho e os vítores vão achar que fazem mal… Que pagam impostos e que quem paga impostos é que sabe quanto é que se paga a um professor (se bem que não se importe com o preço de um estádio…). Já agora: Portugal chegará ao Brasil? O que é que acha Vítor?.

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    • vitorcunha permalink*
      22 Junho, 2013 13:09

      Leu-me ontem e pensa que me conhece. Fantástico, só não transporte essas certezas para a sala de aula.

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      • Francisco permalink
        22 Junho, 2013 13:15

        Ó Vítor, eu não tenho certeza nenhuma. A mim aflige-me o destino do Óscar Cardoso… O homem irá para o FCP? Hum? Bolas…

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 13:19

        Experimente aqui, pode ler durante as féria… a greve.

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    • JoaoMiranda permalink*
      22 Junho, 2013 13:38

      Agora fez-me lembrar das grandiosas manifestações dos professores contra o euro 2004

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      • Trinta e três permalink
        22 Junho, 2013 14:04

        Dos professores, dos talhantes dos médicos… não. Mas houve quem se pronunciasse contra. Muitos. E o João Miranda?

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  4. 22 Junho, 2013 13:11

    Com todo o respeito, o “enredo” acima é k7… O que o “povo” procura é um “socialismo futuro”, decorrente da natureza humana social e gregária. Como os modelos clássicos ruíram, o novo “design” irá ser definido até à próxima tomada da Bastilha… Algo que ocorre ciclicamente quando a paciência se esgota…
    E não é fenómeno brasileiro. Olhando bem, começa a ocorrer por todo o lado, e sempre na mesma forma “espontânea” sem lideres nem programa… Quem tem os dias contados é o capitalismo desenfreado, essa coisa suja e sem escrúpulos, que tem a mania de se apropriar dos recursos dos outros…

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    • alberto permalink
      22 Junho, 2013 13:46

      Sim senhor, até que enfim alguém escreve alguma coisa de jeito: “Quem tem os dias contados é o capitalismo desenfreado, essa coisa suja e sem escrúpulos, que tem a mania de se apropriar dos recursos dos outros…”.
      Como já andei por paraísos socialistas, uns, no estertor, outros,recem-nascidos, confirmo as sua razão: deixa de haver recursos para se apropriarem. E os que existem ficam retidos no comité central para não corromperem o povo.
      E a história dá-lhe também razão, em:” O que o “povo” procura é um “socialismo futuro”, decorrente da natureza humana social e gregária”
      Remexendo nos meus fracos conhecimentos, recordo Roma – que pela sua tese, foi de certeza socialista – que garantia um “cabaz” à borla a cada família patrícia (além do lanche reforçado oferecido a cada espectador do circo). Daí que a expansão romana se limitasse aos territórios produtores de cereais, para encher o dito “cabaz”.
      Tal “socialismo” era a garantia do poder não ser chateado. Tal como o PT faz no Brasil.
      Só que os “cabazes” estão em perigo… pois tal como os almoços, também têm que ser pagos

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      • 22 Junho, 2013 14:03

        Deixe-se da conversa fiada do psico-liberalismo-tuga-dândi, o socialismo morreu, está bem enterrado, e não faz faltinha nenhuma. O que está na frente é novo. E de certezinha que não vai ser neoliberalismo (esse abcesso de gente cínica e emproada do século passado). O valor dos almoços está em quem lhes define o preço.

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  5. Francisco permalink
    22 Junho, 2013 13:35

    Ora aí está uma coisa útil: um link para a Bola. Vítor, amigo, você ainda se faz um homenzinho. Abraço.

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    • vitorcunha permalink*
      22 Junho, 2013 13:37

      Abraço, velhinho cuja pensão dependerá das contribuições dos homenzinhos.

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  6. 22 Junho, 2013 14:03

    “Como se conjugam esses interesses com recursos finitos?”
    os que têm menos recursos percam a possibilidade de os obterem com a única forma verdadeiramente eficaz de distribuição: através de salários.
    Sendo o salário um recurso finito e muito limitado para a maioria da população como é que que essa fatia vai ter recursos para ter acesso a todos os ramos de distribuição?

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    • vitorcunha permalink*
      22 Junho, 2013 14:09

      Produzindo, criando valor.
      A alternativa é roubar (que é o que diz o texto).

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      • 22 Junho, 2013 15:07

        Mas se os recursos são finitos como se pode produzir mais? Parece que os alemães vão montar uma fábrica de reciclagem de betão.

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 15:15

        Arranje forma de produzir com menores custos. Substituindo prensas por computadores e cavalos por camiões. É deixar a história andar, ela anda sozinha.

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  7. Trinta e três permalink
    22 Junho, 2013 14:24

    Longe de mim querer escolher a “linha editorial” do vitorcunha. Mas, mais do que registar a 765ª morte do socialismo, talvez não fosse mau saber qual o caminho da sobrevivência do capitalismo, porque me parece ser isso que está em causa. Ora, assim sendo, talvez valha a pena refletir sobre algumas questões:
    .
    1º) Tendo em conta que o sistema exige um constante crescimento, como consegui-lo num contexto de renascimento do protecionismo?
    .
    2º) Se, pelo contrário, forem travadas as tendências protecionistas, como organizar a economia dos países mais desenvolvidos e de mais elevados custos do trabalho? Financeirização?
    .
    3º) Tendo em conta o desenvolvimento tecnológico e a inevitável deslocalização de empresas provocada pela globalização, como responder ao aumento do desemprego?
    .
    4º) Ainda relacionado com a questão anterior- e porque estamos na casa de liberais- como convencer a iniciativa privada a investir em “respostas sociais” que, sem incentivos, não lhe interessam? Recorde-se, a propósito do debate da educação, que a integração da escolaridade obrigatória de 9 anos nas escolas privadas, só foi conseguida através de subsídios do Estado.

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    • 22 Junho, 2013 14:30

      “o sistema exige um constante crescimento” – este é realmente um problema sem solução à vista…
      Nota: “iniciativa privada” e apóstolos do neoliberalismo são coisas muito diferentes. Os primeiros trabalham, os últimos “botam” discurso teórico.

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      • neotonton permalink
        22 Junho, 2013 14:41

        Nota: “iniciativa privada” e apóstolos do neoliberalismo são coisas muito diferentes. Os primeiros trabalham, os últimos “botam” discurso teórico.

        .

        Bingo. E sobretudo, sobretudo quando o que estamos a ouvir é continuamente..neotontismo

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 14:47

        Este comentário foi enviado do computador desenvolvido pelo socialismo, do puro.

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    • vitorcunha permalink*
      22 Junho, 2013 14:45

      O capitalismo é aquela coisa de um neandertal ir caçar enquanto a fêmea fica a cozinhar umas coisas mal amanhadas para as crias.

      Cedo perceberam que havia um grupo de gajos que recebiam uns bifes de javali por emprestar a fêmea (ou macho, não vamos discriminar) ao vizinho (ou vizinha, pelo mesmo motivo), não tendo assim que ir caçar.

      Da mesma maneira, um tipo (ou tipa) com mania que sabia desenhar, fazia umas tretas nas paredes de Foz Côa enquanto outro batia calhaus à espera do relâmpago. Não lidavam bem quando outros brutamontes chegavam à gruta porque, sei lá porquê, rapidamente desenvolveram a ideia de propriedade privada.

      Agora, se está a falar de cronyismo como sendo “capitalismo”, grande apanágio das sociedades que se consideram defensoras da Tribo Social, tenho a certeza que não há ninguém neste blogue que se oponha ao seu fim o mais rapidamente possível.

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      • 22 Junho, 2013 14:48

        Não complique.

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 14:50

        Estava a correr tão bem o discurso do computador socialista, vem este gajo estragar-lhe o esquema com complicações. Recomecemos a civilização. É já hoje!

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    • Trinta e três permalink
      22 Junho, 2013 15:02

      vitorcunha:
      Ok, sabemos como apareceu (temos uma ideia…). Agora trata-se de saber como o vamos manter. Tem algum contributo? E não, ninguém está de cronyismo. Mas, a esse respeito, pode dizer-nos como o evitar.

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 15:13

        Não há nada a manter. Tem que começar a aceitar a ideia que a Europa já não é o centro do mundo. Sem temer, porém: os europeus ainda vivem melhor que 80% da população mundial portanto, no seu tempo de vida, terá privilégios que a maioria da população não tem.

        Acabar com cronyismo? Quanto menor for a possibilidade de poucos poderem decidir em nome de muitos, menos cronyismo tem. É reduzir estado a pequenino, pequenino. É ler o Blasfémias.

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      • Trinta e três permalink
        22 Junho, 2013 15:21

        Muito bem, vitorcunha. Estou de acordo com o que diz sobre a Europa, mas sobre o cronyismo há um problema: como separa a esfera económica da política? É que se não o fizer, não consegue. É por isso que, quanto mais leio o Blasfémia, mais me convenço de que são uns- digamos. “poetas”.

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 15:24

        Acabe com o ministério da economia. E o da agricultura. E o da cultura (esse já foi, felizmente). Recuse conversas sobre “clusters” e “investimento estratégico”. Tudo isso é lixo que termina com ventoinhas em cima dos montes e uma conta para os consumidores de electricidade que não lhe interessa ter. Devagarinho, revoluções são a conversa do tipo que quer controlar alguma coisa.

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      • Trinta e três permalink
        22 Junho, 2013 16:40

        Acabo, sim senhor e mesmo assim nada resolvo: o poder fica nas mãos de quem domina o capital? E quanto ao desemprego, que me diz? Dizer que temos que recuperar profissões de fogueiro, maquinista de comboios a vapor, etc., não vale.

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 16:48

        Não vale porque estava a ser irónico.

        O poder… É disso que se trata? Ver quem é o imperador?
        Mobilidade social só existe se a sociedade não for igualitária. Que não é, nunca foi, nunca será.

        Começar por aqui. É de borla e tudo.

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      • Trinta e três permalink
        22 Junho, 2013 17:13

        Muito bem. É sempre importante “visitar” os clássicos. Mas, esse era o tempo em que 90% da população dependia da agricultura e era mais fácil ir de Lisboa ao Porto de barco do que pela estrada…

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 17:16

        100% da população depende da agricultura. Ainda é mais fácil chegar a Beja de burro que de avião.

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      • Trinta e três permalink
        22 Junho, 2013 17:28

        vitorcunha:
        Os meus exemplos referiam- se a diferenças que alteram todas as premissas. São os tais “equilíbrios” de que falava Keynes e que o vitorcunha acredita puderem ser conseguidos, apenas, pelo funcionamento do mercado.

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 17:41

        O mercado funciona, é o mercado. Todas as pessoas sabem isso de forma intrínseca desde que trocam coisas. O nível de abstracção de moedas fiduciárias é que deixaram de perceber.

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      • Trinta e três permalink
        22 Junho, 2013 17:30

        É por isso que é importante saber “quem é o imperador”. Sobretudo, saber como é escolhido (por vontade de um qualquer deus, claro).

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      • Trinta e três permalink
        22 Junho, 2013 17:50

        Seja como for, é capital. E, como dizia o outro, “dinheiro faz dinheiro”, ou seja, o capital tende para a concentração. Quem o tem, manda. Até pode mandar em quem “manda”. E aqui temos um problema.

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 18:08

        Só é um problema se quem “manda” manda no que não deve. Como é o caso.

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  8. Simão Cardoso permalink
    22 Junho, 2013 14:39

    Isto de pensar, na senda de todos os utopismos, que um campo produz batatas indefinidamente, sem trabalho, sem espera e muita paciência, só pode dar no que deu. Tal como em Portugal, agora no Brasil, anteriormente na mais que defunta URSS. Ou, dito de outro modo, construir grandes palácios sobre areia, e areia movediça… è só, somente só, SHOWOF. Trabalhinho, meus amigos, paciência e semear sempre para colher depois. Eu também sonhava ter este mundo e o outro, ter um carrão, dispor de tudo o que me apetecesse, mas… o meu trabalho e agora os rendimentos da minha reforma não dão mais que para um citroen médio. E graças a Deus, não me queixo. Sinto-me feliz porque tudo o que tenho e sou o devo ao meu esforço. Dos meus pais herdei princípios e valores, a maior das minhas riquezas. A despropósito?!… Para bom entendedor …

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  9. 22 Junho, 2013 14:53

    Vitor, mude de computador. Ou então de K7.

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  10. Dédé permalink
    22 Junho, 2013 15:21

    Vitor, não te estiques que tens umas calças muito curtas para estas cenas.

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    • vitorcunha permalink*
      22 Junho, 2013 15:27

      “Te” é conversa de quem não sabe o que é esticar. Boa tentativa, pá.

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  11. YHWH permalink
    22 Junho, 2013 15:23

    Mais um sonho húmido de VC…

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    • vitorcunha permalink*
      22 Junho, 2013 16:22

      Basta-me o título. Temos que ressuscitar profissões como telefonista, apresentadora de continuidade na RTP e cocheiro. Para combater o desemprego.

      Piloto de zeppelin é uma área estratégica e pode enquadrar-se no cluster aeronáutico.

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      • 22 Junho, 2013 17:13

        Não se deixe enganar pelo título.
        Por acaso já há profissões muito parecidas com o de telefonista, navegador ou pesquisador na NET e os zeppelin, de algum modo, conseguiram sobreviver http://en.wikipedia.org/wiki/Zeppelin_NT

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      • vitorcunha permalink*
        22 Junho, 2013 17:14

        Há profissões que desaparecem todos os dias.
        Há novas profissões que aparecem todos os dias.

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  12. Buiça permalink
    22 Junho, 2013 22:04

    Há pouca música melhor para os ouvidos da clique que ocupa o governo da Dilma (e arredores, sobretudo arredores…) do que um povo inteiro a exigir mais investimento público. Com a corrupção a sugar 2 estádios por cada um que constrói, vai ser bonito.
    A conta depois pode ser paga de duas maneiras: se optarem por dívida externa (têm muita folga para isso) pagam os impostos das gerações futuras, se optarem por continuar a imprimir dinheiro pagam os mais pobres via inflação.

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