Pôr as coisas em perspectiva
Às vezes dá-me para isto: olhar para os números, fazer umas contas, e ver como elas coincidem, ou não, com algumas narrativas dos tempos correntes.
Primeira conta: quanto nos custou a austeridade?
Quem leia os jornais ou veja televisão achará que o país está mais pobre do que nunca e que a nossa austeridade foi a pior de todas, porventura com excepção da grega. Vamos então ver quanto é que o rendimento nacional caiu desde o último ano sem crise, 2007. Os números são os seguintes, começando pelos países onde a recessão foi maior (base de dados AMECO):
| Grécia | -20,96% |
| Luxemburgo | -14,65% |
| Irlanda | -10,26% |
| Croácia | -9,85% |
| Itália | -9,22% |
| Islândia | -9,18% |
| Eslovénia | -6,40% |
| Lituânia | -6,13% |
| Portugal | -6,01% |
| Finlândia | -4,54% |
| Espanha | -4,32% |
| Reino Unido | -2,65% |
Ou seja, há oito países onde o rendimento nacional bruto caiu mais do que em Portugal no período que vai do início de 2008 ao fim de 2013. Seis por cento é bastante, mas menos do que se imaginaria face à temperatura do debate pública. E é, sobretudo, menos do que o sofrido por outros países onde a troika nem chegou a pousar.
O que me leva à segunda conta: o que é nos aconteceu desde que entrámos no terceiro milénio? Ou seja, desde 2000. Os números, e a ordanação dos países, ficam bem diferentes:
| Itália | 3,14% |
| Portugal | 3,37% |
| Grécia | 8,12% |
| Luxemburgo | 10,47% |
| Dinamarca | 15,45% |
| Holanda | 17,12% |
| França | 18,54% |
| Bélgica | 19,17% |
| Malta | 22,56% |
| Alemanha | 22,68% |
| Espanha | 25,30% |
| Islândia | 25,67% |
Agora Portugal já é o segundo pior. No período que vai de 2000 a 2013 só a Itália cresceu menos do que nós. O que significa que, se calhar, os nossos problemas não derivam só, nem sobretudo, da austeridade recente. Têm raízes mais antigas.
Chegou assim à terceira conta: e o que foi que aconteceu até a crise estalar no final de 2007? Aqui estão os números para o período que vai do início de 2000 ao final de 2007:
| Portugal | 9,97% |
| Noruega | 13,09% |
| Itália | 13,61% |
| Estados Unidos | 15,13% |
| Malta | 16,86% |
| Alemanha | 17,06% |
| Bélgia | 17,43% |
| França | 17,82% |
| Dinamarca | 17,98% |
| Holanda | 19,93% |
| Áustria | 21,83% |
| Suíça | 23,38% |
Aqui é que se vê o nosso real problema: no tempo em que o crédito era barato, em que o investimento público era abundante, em que os pensionistas e os funcionários públicos não se queixavam, em que o país inteiro andava a comprar casa e a trocar de carro, ou a encomendar o novo plasma, a economia não crescia. Nem com SCUT’s, nem com estádio do Euro 2004, nem com capitais da cultura a economia era capaz, se quer, de acompanhar o ritmo das outras economias europeias. Foi nessa altura que ficámos em último lugar – não foi com a austeridade.
É bom ver as coisas com algum sentido de perspectiva.

Por as coisas em perspectiva é muito interessante mas comporta alguns riscos… Está a insinuar que afinal o Sócrates não foi o culpado?
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Muito pelo contrario, dá para ver bem que terá sido um dos maiores…
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pois… mas o mais importante é o ponto de partida é muito pior tirar 5% de 500 do que 10% de 3000… ou seja embora percentualmente alguns tenham empobrecido mais, continuam muito (mais) ricos, não se pode jogar com as estatísticas.
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Chica. Nao sei que car**** pintao os Estados Unidos da terceira conta. Sera que pretendia dizer Reino Unido ou sera que ha de aplicarse com razao o dito esse que a cabra sempre tira para o monte…
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Brilhante análise! Isto sim, é serviço público!
O que me leva a colocar a seguinte questão:
– As dezenas (centenas?) de comentadores políticos e/ou economistas não conhecem estes números? Ou fingem ignorar e manipulam os mesmos em função dos seus interesses e simpatia política?
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quem leia jornais ou veja tv,achara que portugal esta mais pobre que nunca…este é o inicio da frase deste comentador e é precisamente esse o problema,nem este comentador nem os nossos governantes saem do escritorio,do ar condicionado,e baseiam-se em estatisticas,em numeros,que muitas das vezes servem apenas para mera propaganda.alias foi por isso que vitor gaspar deu o resultado que deu,ou seja um desastre
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Eu não percebo é algumas coisas …
Como estão alguns estádios cheios?? principalmente de um clube que dizem ser do povo …
E concertos ?? festivais … quase esgotados? teremos tantos ricos que os seus filhos cheguem para encher tais recintos ??
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As estatisticas e os numeros são uma chatisse, não é verdade ?…
A politica de austeridade aplicada inicialmente por Vitor Gaspar e continuada por Maria Luis Albuquerque não deu em nenhum desastre. Desastre teria sido a bancarrota, ou a espiral recessiva, ou um novo resgate, ou a saida do Euro, ou o não regresso aos mercados, etc …
O que os numeros mostram é que a austeridade em Portugal foi bem menor do que se pinta (do estrito ponto de vista do ajustamento da economia teria até sido melhor que fosse mais … mas paciencia !) e que, apesar da austeridade, graças à austeridade, o pais evitou a bancarrota, voltou ao crescimento, regressa aos mercados com taxas de juro historicamente baixas.
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Você anda a fumar umas ervas interessantes. Então, qual era o ponto de partida, quando se compara Portugal com o Luxemburgo ou até com a Irlanda? E que alterações estruturais encontra, hoje, na nossa economia, quando homens como João Salgueiro há muito alertaram que, sem elas, a austeridade não serve para nada? Sim, era preciso uma mudança de paradigma quer nas contas públicas, quer nas prioridades económicas. Como o futuro irá mostrar de forma violenta, nada disso foi conseguido por este governo.
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Almeida,
Falando de alucinações … onde é que Vc me vê “comparar Portugal com o Luxemburgo ou até com a Irlanda” ?!!…
“A austeridade não serve para nada” ?… Olhe, para já serviu para Portugal evitar a bancarrota … Acha pouco ?… Não fosse a austeridade e já estariamos fora do Euro e muito mais pobres. O problema não é que não serve, é que não chega, é necessária ainda mais austeridade.
Voltando às alucinações … onde é que Vc me vê falar de “alterações estruturais” ?… Falo de “ajustamento”, que não é propriamente a mesma coisa, para lamentar que não tivesse sido maior.
É preciso mais do que austeridade, é preciso mais do que ajustamento, é ainda preciso fazer alterações estruturais na economia e no Estado ?…
Sem duvida.
Este governo não fez nada ?… Erradissimo.
O desequilibrio “estrutural” entre o sector não transaccionável, que inclui o Estado, tem vindo a perder peso relativo a favor do sector transaccionável, com mais exportações e menos importações. A parte das exportações passou de menos de 1/4 do Pib antes da crise para cerca de 40% hoje. Esta é uma alteração na macro-estrutura da economia, invertendo a tendencia das ultimas décadas. Fala-se pouco mas este é um dos resultados mais importantes da politica de ajustamento seguida nestes ultimos anos. Esta é uma “alteração estrutural” nas “prioridades economicas”.
O saldo orçamental primário “estrutural”, que foi cronicamente negativo desde há muitos e muitos anos, passou a ser positivo a partir de 2012 e foi de 1,5% do Pib em 2013. Esta é uma “mudança de paradigma nas contas publicas”.
O que está sobretudo por fazer são as famigeradas “reformas estruturais” no Estado : sistema de pensões, Serviço Nacional de Saude, Sistema de Ensino, etc. Não é fácil, as resistencias (inclusivé institucionais) são muitas, não se faz em 3 anos, ainda menos com uma crise financeira para resolver a curto prazo. Não sei se, com uma situação mais estabilizada e com mais tempo pela fente, algum governo vai conseguir avançar nesta direcção. O que sei é que se o governo actual perder as proximas eleições legislativas, os que vierem a seguir não vão de certeza.
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** O desequilibrio “estrutural” entre o sector não transaccionável, que inclui o Estado, e o sector transaccionavel, que potencia as exportações e a substituição de importações, tem vindo a diminuir.**
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Aquilo a que a esquerda chama “o resultado destas politicas”, ou seja o estado de pobreza em que uma parte significativa da população portuguesa vive, já existia em grande parte antes da troika. Quem os ouve até pensa que Portugal antes de 2011 era assim uma espécie de Suécia, e que agora se transformou numa espécie de Burkina Fasso. É evidente que o PAEF exigiu grandes sacríficios, mas os que mais se queixam são os que menos sofreram: funcionários públicos e pensionistas da função pública. E são esses, antes de todos, que vão ver repostos os seus níveis de rendimento, mais uma vez à custa dos que produzem e criam riqueza e empregos; uma vergonha!
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João, está então a dizer que os numeros e as estatisticas nada representam e que a governação deve ser feita em função das vozes que reclamam, da força com que o fazem e da intensidade com que o fazem?
As decisões devem então ser tomadas com base nisso?
… o poder caiu à rua….
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Algumas frases reveladoras da ignorância seletiva e do ódio que de há muito atinge o jornalismo e certos partidos na vertente numérica: “de matemática não percebo nada”, “eu não sou economista, mas acho que…”, “as pessoas não são números”, “o homem sonha e o dinheiro aparece”. E desaparece.
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Exactamente … “as pessoas não são numeros” … excepto quando se fala em cortes de vencimentos e pensões, em aumentos de impostos, em queda do consumo e do Pib, em aumento do desemprego, etc, etc …
O retorno destas frases “anti-economicistas” é um bom sinal de que os numeros traduzem uma real melhoria da situação financeira e economica (baixa do desemprego) do pais e que isto que não dá jeito nenhum aos “matematicos” e previsionistas da catástrofe anunciada de há ainda pouco tempo.
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Não sei qual a razão da importação de dados da AMECO.
Por cá existem indicadores ‘produzidos’ pela Pordata.
Assim no rendimento nacional disponível bruto per capita, em 2012, na UE, depois de nós só: Bulgária, Eslováquia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Republica Checa, Croácia, …
Alinhamos pelo Leste. Falta saber que ‘perspectiva’ tem Putin sobre ‘isto’….
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Neste País nunca faltaram números para justificar qualquer ideologia…. embora a esquerda tenha a preponderância em vendê-los nos mídia à sua maneira, algo que a direita sempre teve dificuldade de explicar e sair por cima.
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Porque nos midia, pura e simplesmente so os compram à canhota
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🙂
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Assim se vê a “obra” dos ranhosos xuxas que andam por aí armados em virgens. Do beiçolas guterres ao badameko socas, passando pelo incrível cenoura (um “gentleman”).
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Sócrates viu a merda que tinha feito, fez birra como fez o Soares, o Guterres e saiu de mansinho. Os xuxas fogem quando a coisa se complica, os comunas matam.
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Quando menos se sobe menor é a queda! Em termos absolutos e não em termos relativos.
Por isso é que o economistas medem a queda relativamente ao crescimento potencial. Alguém tem esses para comparar com estes?
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1. A dimensão da Crise não se avalia só com um indicador (veja o desemprego)
2. Vejo que decidiu avaliar com esse indicador os resultados do período de austeridade, que enquadra com o período da crise desde o ano de 2008, no entanto 2008 não foi um ano de austeridade nem 2009 o foi particularmente. Ainda hoje se fala do aumento dos FP por Sócrates em vésperas de eleições.
Faça a mesma analise com o período sobre o qual tira as suas conclusões, será uma analise unidimensional mas mais rigorosa
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Se o rendimento nacional caiu 6,01% não sei… mas os funcionários públicos viram o seu rendimento cair 40%. Que contas são essas?
Um país que aceita que os seu médicos, professores, polícias, etc. aqueles que trabalham para o país sejam tratados como os criminosos de um crime que não cometeram, terão no futuro a saúde, a educação e a protecção que merecem….
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Entretanto…
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/francisco-assis-e-inutil-discutir-quem-trouxe-a-troika
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O artigo não é intelectualmente honesto.
Para começar compara países diferentes em cada quadro, provavelmente escolhidos de acordo com o que quer provar.
Depois, já ninguém se lembra, mas estamos em crise desde… o discurso da tanga do Barroso. Mais até tivemos o Santana em 2005 a declarar oficialmente o fim da austeridade.
Os investimentos mencionados foram efetivamente mal feitos mas tinham como objetivo tirar o país do marasmo (enchendo uns bolsos pelo caminho à boa maneira lusitana).
Comparar percentagens pode ter um interesse técnico mas é na realidade estúpido quando se trata de avaliar impactos. O Luxemburgo tem um ordeando mínimo de 1800 €, as pessoas que o ganham suportam a crise deixando de trocar de TV, provavelmente.
Depois o grande problema não é o que perdemos em PIB, é o que perdemos para o futuro. A debandada dos jovens e dos menos jovens com valor. Um país estrangulado com o os maiores impostos do mundo para rendimentos médios, A impossibilidade de atrair investimento estrangeiro que não se baseie em mão de obra muito barata, A insustentabilidade da pirâmide demográfica invertida, e last bu not least a provável incapacidade de atrair emigrantes.
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Afinal o Sócrates tinha razão.
A Troika entrou em Portugal porque o PSD assim o quis.
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Até eu quis a Troika.
Com meninos mimados só um papá mandão!
O problema é que continuamos a apontar agulhas para o polo magnético (a atração do abismo!) em vez do polo geográfico.😃
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Deviam é tentar explicar como é que com uma dívida de 90% do PIB e com um produto interno bruto de 170 M foi necessário um resgate que resultou numa dívida de 129% do PIB com um produto interno bruto de 145 M? Reajustamos a economia? Melhoramos os processos de produção? Encolhemos a máquina central do Estado, pois não devemos confundir com as funções do Estado ( educação, saúde, segurança social)? Quanto á segurança social devemos acentuar desde já porque a união europeia também o exige grande parte é financiamento privado ( trabalhadores, patronato) e só uma parte diminuta vem do orçamento ( pensões de sobrevivência, etc) e que tem tido sempre um superávit o que faz diminuir o desfite.
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Isto é que é a tal iniciativa privada na educação?!…
«Estudo mostra que colégios inflacionam notas (Expresso)
Investigadores da Universidade Porto analisaram mais de três milhões de classificações em exames e notas internas.»
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Se vem no Expresso é porque deve ser verdade. E se foi o departamento do professor Teixeira dos Santos na Universidade do Porto que fez o tal estudo, então é mesmo verdade. A verdade a que eles têm direito!
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Mesmo que seja verdade, o incentivo e a probabilidade de aldabrice, por parte dos estabelecimentos privados como dos publicos, de resto, é tanto maior quanto menos concorrencia exista no sistema.
A concorrencia faz com que os diplomas tenham valor apenas em função da qualidade e da credibilidade do estabelecimento de ensino. Os utentes, que devem utilizar os seus recursos limitados para escolher as melhores opções, estão mais atentos à qualidade e ao resultado. Um estabelecimento que seja apanhado a aldrabar perde clientela.
Num sistema dominantemente publico e “tendencialmente gratuito”, em que o Estado concentra 70% da oferta e os privados apenas 30%, não há verdadeira e suficiente concorrencia. O valor dos diplomas depende mais de decisões e avaliações administrativas e centralizadas pelo que as manipulações e as aldrabices se tornam mais fáceis e prováveis.
Em todos os dominios, em todos os mercados, quanto mais dominante for a posição do Estado maior é a tentação e a possibilidade de aldrabices, de tráfico de influencias e de corrupção activa por parte dos privados.
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O problema é que já estávamos abaixo -30% some mais -6% não esqueça que já eramos dos países mais pobres da europa
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Não há nada melhor para um país sair da pobreza, do que sofrer três bancarrotas em 40 anos. Caso único no mundo!
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do que sofrer três bancarrotas em 40 anos.
.
Nos EUA seria sintoma de bom empreendedor…Cair e levantarse novamente.
Isso alem do charco. Pois. Claro.
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Exactamente … apesar do enorme crescimento do Estado “Social” e do endividamento … continuámos pobres e ainda tivémos mais uma bancarrota … Tudo aquilo apenas para isto !!
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Quando tiverem um acidente e baterem com as costas numa urgência de hospital, espero que os funcionários públicas que não produzem nada os deixem morrer descansados.
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Como foram escolhidos os 12 países de cada uma das comparações? Estados Unidos?? Croácia, Reino Unido, Eslovénia e Lituânia aparecem apenas na primeira e depois desaparecem? Estranha forma de analisar os números…
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Gostaria que o autor do Post, jmf1957, explicasse o que é concretamente o “rendimento nacional” que os números abordam.
É o PIB ? São os ordenados médios ? É ao certo o quê?
Que é isso de rendimento nacional ?
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Senão faz lembrar aqueles números que falam da “produtividade” , para se pensar que é a quantidade que se trabalha, quando é o rendimento por trabalhador, eheh.
Um bom embuste. (não digo que seja o caso)
É que quando se sabe que a Produtividade Macroeconómica é a rentabilidade por trabalhador, e esta desceu, chega-se à conclusão que não é preciso trabalhar mais, é preciso é mais Poder de Compra , para que a rentabilidade seja maior.
Doutro modo, em período de crise, por vezes deflação (queda de preços) e falências, é evidente que a Produtividade Macroeconómica (ou rentabilidade) é menor.
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Isto é fácil de perceber, nos estabelecimentos que baixaram os preços. Conheço vários.
Baixam os preços para os clientes continuarem a comprar. Para não falirem. É a única medida que vêem para compensar a falta de Poder de Compra dos Portugueses.
Mas de certeza que a Rentabilidade / Trabalhador (ou produtividade macroeconómica) está a descer.
Mas há quem queira confundir as pessoas (e a economia), e leva-las a pensar que Produtividade (Macroeconómica) é a quantidade de trabalho.
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