As saudades
A língua portuguesa tem a honra duvidosa de, alegadamente, ser a única com uma palavra capaz de expressar o sentimento de “saudade”. Mesmo correndo o risco de qualquer linguista me contradizer, parece-me que a questão está mal abordada. O problema é que “saudade” não é verdadeiramente um sentimento, nem em Portugal, nem em lado algum. Várias línguas expressam melancolia (essa sim, é um sentimento) através de um verbo (I miss my dad), o que implica tratar-se de uma acção ou, em alternativa, de uma mudança de estado, uma alteração em relação ao estado normal. Em Portugal optamos pelo substantivo, algo que nos permite a inacção através do verbo “sentir”. Uma pessoa sente saudades, como sente frio, como sente fome. Além da tendência para o melodramático, atribuir a um verbo que implica uma acção o distinto prazer da subjectividade de um substantivo próprio, ainda por cima (alegadamente) não passível de tradução, permite-nos sentir coisas que não lembram ao Diabo, como etéreas saudades (só isto dispensa definição) de algo que nunca tivemos.
Um inglês diz que lhe falta algo (I miss dad) enquanto um português diz que tem saudades; ou seja, a ausência transforma-se em aquisição, uma pessoa passa a ter algo que não tinha antes. De uma certa forma, parece que se ganha com a perda, algo que me parece um excelente negócio, nem que no mundo da fantasia lírica do português.
Esta é uma das explicações para o frenesim em torno das primárias do PS e da vaga de fumo (imagem apropriada) para o salvador que se anuncia. Temos saudades do PS no governo, saudades do tempo em que se gastavam os impostos actuais e futuros, saudades da mentira como esperança e saudades de ter saudades de alguma coisa que imaginamos ter acontecido quando achávamos que tudo era mau na mesma mas que agora nos parece o Paraíso que nunca reconhecemos.
Por tudo isto, a crise é benéfica. Podem ter perdido rendimento mas, com isso, ganharam algo, passaram a possuir a saudade de quando tinham mais rendimento. Se fosse a vós consideraria começar a aproveitar o Paraíso de hoje porque, muito certamente, e muito em breve, terão saudades de 2014.

“Temos saudades do PS no governo, saudades do tempo em que se gastavam os impostos actuais e futuros, saudades da mentira como esperança”
É válido também para este Governo PSD+CDS – o défice continua, a mentira também.
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Claro que sim. Nada muda, é a mesma coisa de cada vez que acontece.
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A merda e a mesma. So mudaram as moscas.
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Este que um Deus cruel arremessou à vida
Marcando com um sinal da sua maldição
Este que desabrochou com uma erva má
Nascida apenas para os pés ser calcada no chão.
De motejo em motejo arrasta a alma ferida
Sem constância no amor dentro do coração,
Sente, crespa crescer a selva retorcida
Dos pensamentos maus, filhos da solidão.
Longos dias sem sol. Noites de eterno luto.
Alma cega, perdida à-toa no caminho,
Roto casco de nau desprezado no mar
E árvore acabará sem nunca dar um fruto.
E homem há de morrer como viveu:
Sozinho, sem ar, sem luz, sem Deus
Sem fé, sem pão, sem lar.
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“saudades da mentira…”
Hehehehehe…
“Isso é um disparate”. Lembra-se?
Que saudade(s)…
🙂
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“Saudades de 2014” ?
“Saudades” do modo como este governo dirigiu o país e desgraçou centenas de milhar de famílias, as PME’s, a economia de subsistência, o ensino, a assistência à doença, etc.,etc., desde finais de 2011 ?
“Saudades da mentira como esperança” dita regularmente e sem pudor por Coelho & Portas ? — porra, só mentecaptos, asnos, mais os boys, girls, apparatchiks & afins destes P”SD” e PP (muitos adaptam-se aos novos poderes…), podem suspirar de saudades a partir das legislativas de 2015, porque este P”S” (de Seguro ou de Costa) vai vencer mas, não convencer.
Quanto às lutas “socialistas”, não passam de purgas e desonesto assalto ao poder.
Costa merece que alguém “com estatuto” no P”S” (daqueles que como ele têm os favores da comunicação social) o questionasse numa assembleia municipal sobre a sua gestão global da cidade não-turística nem festiva e lhe dissesse que é um dos piores, mais laxistas e desinteressantes presidentes.
A maioria dos tugas “têm o que merecem”.
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Saudades de mim.!
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Sim porque quem realmente mais “desgraçou centenas de milhar de famílias, as PME’s, a economia de subsistência, o ensino, a assistência à doença” foi este Governo e não os anteriores.
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O actual governo teve bastantes milhar de tugas que votando ou não nele, entenderam e deram-lhe apoio na sua tarefa dificílima de recuperar o país duma catástrofe deixada por Sócrates. No entanto, “deu um passo além da perna” abusando, hostilizando, roubando(!) duas classes sociais vitais para o manter e para reerguer o país.
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E os outros é que “mentecaptos” e “asnos”.
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o DIA DE HOJE É PIOR DO QUE O DE ONTEM – MAS MELHOR DO QUE O DE AMANHÃ.
Eu tenho saudades de ver os simpatizantes socialistas. Mortos e enterrados.
Mas é que nem assim deixam de se inscrever e pagar quotas.
Isto não é simpatizar.
Ressuscitar – é sinal de militância! 🙂
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ALMEIDA, JORGE A ALEGRE foram dar aquele abraço amigo e eseencial.
Mas – cadé o merdas-pai?
Deu-lhe o tranglomanglo’?
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está de férias algures numa das três casas que possui e que são guardadas pela GNR.
quanto isto não precisa de se mostrar, basta mandar os fieis serventuários.
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…isto são as saudades…
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Um treinador de bancada… de cabeça perdida!
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Talvez um pouco lateral ao tema mas também no mesmo pacote culturalmente codificado “Saudade&Destino&Tragedia&Imobilismo” tão medieval e obscurantista que em pleno sec XXI ainda justifica ordens de defesa e codigos mentais ‘Vida ou Morte, Decapita ou Enforca ou Suicida” (note-se ainda sobrevive em tantos genes tugas do vertice à base da piramide, em poder ou não, mais ou menos eleitos ou populares, mas amarrados e viciados em odio e vingança donde não se libertam para o Novo):
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> Saudis consider demolishing Prophet Mohammad’s tomb: Report
http://www.presstv.com/detail/2014/09/02/377437/saudis-consider-destroying-prophets-tomb/
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Tenho saudades do tempo em que os media noticiavam histericamente que o Guterres tinha uma namorada e que o Sócrates almoçou com CEM mulheres.
Agora só falam de desgraças.
É pena.
Espero que o Costa faça as pazes com o Seguro e que apareçam de braço dado com o Sócrates e restante tralha republicana a anunciar que vão voltar a pôr o país como ele estava em 2008.
Com o PEC IV e o Espírito Santo a funcionar.
O Robalo também.
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Caro Dias: bora lá ao bem bom! 🙂
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