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Vitor Gaspar versus Varoufakis

1 Março, 2015

Um país que entrou em bancarrota tem os seguintes problemas:

1. Despesas têm que ser reduzidas e os impostos aumentados.

2. A falta de liquidez do Estado impede a gestão racional dos bens, empresas e departamentos públicos. Actividades que poderiam beneficiar de um reforço de capital mantêm-se num limbo de improdutividade e ineficiência.

3. O sector bancário fica sem crédito. Investidores não emprestam a bancos de países em bancarrota porque estes são alvo fácil por parte do Estado falido em caso de necessidades urgentes de fundos.

4. O sector privado fica paralisado, por falta de crédito bancário e devido ao risco de o Estado recorrer a medidas extorcionárias para resolver os seus problemas.

A estratégia de Vitor Gaspar visou resolver todos estes problemas. Vitor Gaspar fez o seguinte:

1. Reduziu a despesa do Estado cortando nas pensões e aumentou impostos, focando-se nas reduções com efeitos distorcidos (e.g. IVA da restauração e energia).

2. Utilizou a transferência das pensões para pagar dívidas de curto prazo do Estado e para reforçar o capital de instituições públicas.

3. Aplicou um programa de capitalização da banca, reforçando a confiança os investidores estrangeiros e dos depositantes nacionais nos bancos portugueses. Esta medida permitiu ainda reduzir o tempo em que o sector privado ficou sem crédito.

4. Lançou um programa de privatizações rápido e transparente (ao melhor preço, sem outras preferências) de forma a atrair investimento estrangeiro (ligações empresariais, novas vias de acesso ao crédito) e a captar dinheiro reforçar a liquidez do Estado.

5. Medidas direccionadas a tornar o país mais atractivo, as empresas mais competitivas e reduzir o crescimento do desemprego. Essencialmente medidas de desvalorização interna e liberalização do mercado de trabalho.

6. Resistiu a todas as pressões para fazer um default externo mesmo que encapotado (caso das propostas de impostos sobre as  PPP) de forma a preservar a imagem de país que respeita o investimento externo.

6. Procurou criar uma imagem externa, perante os investidores internacionais, de país cumpridor, nunca tendo ameaçado publicamente com defaults nem com ataques ao investimento externo.

Resultados: Portugal voltou aos mercados dentro do prazo pretendido e crédito à economia está normalizado.

Por  contraste, o governo do Syriza está a fazer o seguinte:

1. Insultar os credores oficiais.

2. Ameaçar cancelar privatizações e não fazer mais nenhuma.

3. Ameaçar com default.

4. Colocar a banca grega a financiar o Estado desviando crédito da economia.

5. Prometer aumentos do salário mínimo  e outras alterações que revertem a desvalorização interna.

6. Sugerir um imposto sobre os ricos no momento de fuga dos depósitos para o estrangeiro.

7. Criar um ambiente de incerteza para investidores externos e empresas gregas.

8. Vedar o acesso dos bancos gregos ao crédito mais barato do BCE.

Resultados: não sabem como se vão financiar em Março

56 comentários leave one →
  1. manuel's avatar
    manuel permalink
    1 Março, 2015 17:15

    Essa narrativa é muito interessante, mas vamos fazer um” suponhamos”: se a Grécia sair do euro e as nossa taxas de juro a 10 anos passarem para 7%, seremos solventes? Ou, em alternativa, teremos de repetir o brilhante feito do 44 e chamar a troika? Como ainda faltam 6 meses para passar o embrulho ao Costa, eu recomendava prudência nas discussões com Atenas. A dívida pública e privada é um barril de pólvora. A banca nacional também não se recomenda, ontem foi o Banif com mais 295 milhões de prejuízo!

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    • anti-comuna's avatar
      anti-comuna permalink
      1 Março, 2015 17:30

      Se a Grécia sair do euro, as taxas de juro Portuguesas poderão começar a ser negativas. O melhor que poderia acontecer a Portugal, hoje, era a saída da Grécia do euro.

      Deus lhe oiça, estimado Manuel. Deus lhe dê ouvidos. 😉

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    • Pedro S's avatar
      2 Março, 2015 01:54

      O facto é que perante as ameaças da Grecia, as taxas de juro de Portugal nem mexeram. Pelo que o cenario que coloca so sucederia se tivermos entretanto um Antonio Costa a seguir as politicas socratistas que o proprio apregoa…

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        2 Março, 2015 02:28

        Pedro S,
        Até mexeram … baixaram para minimos historicos dos ultimos 5 anos !…
        Porque ?
        Porque, por exemplo, o governo português em vez de ficar na expectativa de ir à boleia de uma eventual cedencia à Grécia se demarcou claramente da estratégia e das exigencias gregas e anunciou inclusivamente a intenção de começar a reembolsar o empréstimo do FMI …
        Desde ha muito que se percebeu que o melhor método para ter financiamento abundante e barato é … não pedir nenhum tratamento de favor (perdões, mais dinheiro, menos juros, etc) e mostrar claramente a determinação em pagar o que se deve !…
        Claro que, inversamente, o pior que se pode fazer é precisamente o que fez o novo governo grego : ameaças e chantagens !…
        Como é que, para além dos “gregos” de serviço, ainda haja quem não tenha percebido o que é obvio ?!…

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  2. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    1 Março, 2015 17:28

    Interesante como hoje é possível avaliar-se bem io quanto foi útil a Portugal ter tido um Ministro das Finanças como Vitor Gaspar. Conseguiu o dito impossível. Inverter o colapso financeiro, não apenas do Estado, como do tecido produtivo, que se asfixiava sem acesso a liquidez, que no exterior não emprestavam.

    Hoje é fácil compreender o quão dificil foi para ele governar o país, numa altura em que a economia Portuguesa colapsava, vozes pediam que ele desse calote aos investidores externos, que poderia asfixiar ainda mais a economia Portuguesa. Não apenas uma asfixia sobre o Estado, mas sobretudo do sector privado, que estava a ser asfixiado por um risco sistémico assustador, oriundo do Esado.

    O homem foi muito mal compreendido mesmo junto da direita Portuguesa mas hoje podemos agradecer ao Vitor Gaspar a sua passagem pelo Governo. Muita da actual credibilidade Portuguesa foi herdada pelo que ele construiu e conseguiu no exterior. E em que um Ministro das Finanças Português era mesmo ouvido, tanto por políticos europeus, como e sobretudo, investidores internacionais. Relembro-me de quando ele foi a Washingtong “vender” Portugal, perante o cepticismo geral em Portugal, e começaram as primeiras compras de Dívida Pública Portuguesa por parte de alguns hedgefunds.

    Há um outro ponto que se pode retirar da sua passagem pelo governo. Foi também uma acção firme do Passos Coelho que soube rodear-se de gente competente e capaz, mesmo fora dos meandros da política. Tanto Vitor Gaspar como Alvaro Pereira foram cruciais para mudar a imagem de Portugal no mundo e atrair dinheiro para a economia Portuguesa. Pena que depois tenham caído por causa das tricas políticas inerentes a um partido populista.

    Ainda hoje, por muito que muitos se admirem com a subida nas sondagens da coligação, face ao colapso de António Costa, isto ocorre porque Passos Coelho soube rodear-se de gente honesta mas competente a governar Portugal. E soube sempre proteger os Ministros da fúria populista contra eles, ao dar o seu peito às baltas oposicionistas. Daí que, Passos Coelho tem uma verdadeira equipa governativa, com ideias a sério para mudar Portugal e mesmo nas pequenas remodelações que fez, conseguiu atrair mais gente competente para as suas equipas governativas. Como este exemplo o demonstra:

    http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=808326&tm=9&layout=123&visual=61

    Passos Coelho ao sacrificar a sua imagem pública para defender os seus ministros, pagou um elevado preço impopular (e insultos constantes a qualquer lado que se dslocasse) mas conseguiu salvar a sua equipa governativa ou mesmo a reforçar com novas caras, dando ao país uma imagem de haver governo a sério em Portugal. Esta lição de Passos Coelho mostra aos Portugueses que, mal ou bem, o tipo está bem rodeado e pode-se contar com eles. Noutros partidos, à mínima escorregadela, despedem-se membros das equipas ou até mesmo líderes. Talvez isto ajude a explicar porque a eleição de António Costa faz disparar a imagem de Passos Coelho junto dos Portugueses.

    Vitor Gaspar foi um excelente Ministro. Todos nós Portugueses só lhe temos a agradecer o seu contributo para salvar Portugal da bancarrota. Ao passo que outros, noutros países, são mesmo o mau exemplo a evitar.

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    • manuel's avatar
      manuel permalink
      1 Março, 2015 17:59

      Gaspar, homem sério, fez o que pode. Falta a reforma do estado, condição necessária para sermos viáveis como estado.

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      • anti-comuna's avatar
        anti-comuna permalink
        1 Março, 2015 18:04

        Concordo consigo. Mas uma reforma descentralizadora, é para mim evidente. Este Maduro é capaz de estar no bom caminho. Vamos dar tempo ao tempo, como se deveria ter dado ao Vitor Gaspar. 😉

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    • Euro2cent's avatar
      Euro2cent permalink
      1 Março, 2015 20:57

      > conseguiu atrair mais gente competente para as suas equipas governativas

      Isto é tudo muito idílico, mas fedelhos das jotas, com cursilhos de relações internacionais e estagiários dos escritórios de advogados, a enxamear os ministérios como assessores pagos principescamente, borram um bocado a pintura.

      Mas são bons em publicidade, para quem não saiba da miséria a que está reduzido o aparelho de Estado não-fiscal. O regabofe dos escritórios está preparado para continuar em caso de alternância (se calhar alterne era mais descritivo).

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  3. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    1 Março, 2015 17:35

    “” suponhamos”: se a Grécia sair do euro e as nossa taxas de juro a 10 anos passarem para 7%”

    Os mercados já anteciparam a possibilidade/probabilidade da Grécia falir.
    As taxas de juro portuguesas teem vindo a descer e estão em minimos historicos de 5 anos.

    O governo grego já tentou (ingénuamente) fazer esse tipo de chantagem mas, como era previsivel, não resultou.
    Antes pelo contrario, transformou-se num boomerang !

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    • anti-comuna's avatar
      anti-comuna permalink
      1 Março, 2015 17:40

      “Antes pelo contrario, transformou-se num boomerang !”

      Ora nem mais. Hoje as taxas de juro gregas exigem ainda muito mais austeridade do que seria necessário se tivessem tido um Vitor Gaspar em vez dos constantes maus ministros nas finanças. Cada vez que um ministro das finanças grego se arma em engaçadinho com os mercados, mais austeridade é necessária para evitar a sangria económica que vivem. E enquanto os gregos não perceberem que ameaçar com calotes não leva a menos austeridade ou mais, aquele país nunca sairá da cepa torta.

      Este actual sacana grego aumentou ainda mais a agonia e dependência política da Grécia. E quanto mais se armar em “heroi” mais o povo grego irá sofrer para conseguir viver em normalidade. Vc. tem toda a razão, caro Fernando.

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    • manuel's avatar
      manuel permalink
      1 Março, 2015 17:41

      Atenção que a saída da Grécia implica um incumprimento geral(consequência de um não à renegociação) e neste caso, acredita mesmo que o sistema financeiro vai continuar com taxas quase ou mesmo negativas?

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      • JoaoMiranda's avatar
        JoaoMiranda permalink*
        1 Março, 2015 17:43

        A Grécia praticamente não tem credores privados.

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      • anti-comuna's avatar
        anti-comuna permalink
        1 Março, 2015 17:47

        Pelo contrário, sobe a credibilidade da restante dívida europeia. Logo, menores taxas de juro exigidas. Daí que, para Portugal ambicionar taxas de juro negativas, basta continuar as políticas actuais e esperar que os gregos se decidam por sair do euro.

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  4. manuel's avatar
    manuel permalink
    1 Março, 2015 17:46

    Este governo grego, como é evidente, está a forçar uma renegociação da dívida e, ou consegue, ou terá de demitir-se e dar voz ao povo, pedindo um mandato para a saída do euro, palpite meu. Vai chegar a hora da verdade, ainda antes de este governo ser substituído.

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    • Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
      Alexandre Carvalho da Silveira permalink
      1 Março, 2015 18:58

      O manuel ainda não percebeu uma coisa: Varoufakis recuou em toda a linha, quando percebeu que a saída da Grécia do euro era praticamente irrelevante para a zona euro, porque todos (BCE e mercados) já anteciparam esse cenário que vai acontecer mais cedo ou mais tarde.
      As cretinices que o Tsipras anda a bolsar em Atenas são a prova que já está desesperado, e não sabe como é que há-de explicar o seu fracasso aos gregos que acreditaram nele. Até porque muitos deles já andam na rua aos gritos.

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  5. Pedro Perdigão's avatar
    1 Março, 2015 17:53

    Esta narrativa saudasista de perante Vítor Gaspar a mim não me convence … Acho que foi um bom ministro, porque de números percebe. Agora de politica nem por isso, e o PM nao soube medir as coisas. Também, essa foi a função de Gaspar, aplicar e sair. Porem, de números podenoa ate parecer melhor, ou a melhorar, porque melhor não estamos. Mas as pessoas, essas estão bem piores. Ao menos na Grécia, sentem se respeitados!

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    • anti-comuna's avatar
      anti-comuna permalink
      1 Março, 2015 18:07

      ” Agora de politica nem por isso, e o PM nao soube medir as coisas.”

      Cheios de políticos politiqueiros andam os Portugueses cheios. Para isso existe um Primeiro-Ministro e um partido que o sustenta. Passos Coelho fez bem o seu papel mesmo quando Vitor Gaspar errava. É isso que se pede a um bom Primeiro-Ministro, que saiba rodear-se de gente competente e dê ele o peito às balas da fúria popular.

      E o que é certo é que foi ele que nos começou a baixar as taxas de juro. Goste-se ou não dele.

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    • Nuno's avatar
      Nuno permalink
      1 Março, 2015 20:17

      A política de Vitor Gaspar foi abortada quando o impediram de baixar a TSU e fazer uma desvalorização fiscal. A partir daí o governo passou a correr atrás dos acontecimentos, ao invés de ter um rumo. Não se reformou grande coisa, tentou fazer-se o mesmo com menos dinheiro.

      Ainda assim é um governo bem melhor que o anterior. E há toda uma mudança de atitude muito positiva. O simples facto de não se terem inaugurado obras ridículas como a do aeroporto de Beja é um grande avanço. E o colapso do BES e da PT com intervenção mínima do estado é motivo para ter esperança no futuro. Mesmo que o motivo de tudo isso seja que quem não tem dinheiro não tem vícios.

      Entre um Costa que não consegue apontar o dedo à governação do 44 e isto, a escolha é fácil.

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  6. manuel's avatar
    manuel permalink
    1 Março, 2015 17:53

    João Miranda: então se não é privada, teoricamente, o BCE podia assumir a parte da dívida que está nos mecanismos europeus e a Grécia assumir a dívida junto do FMI e junto dos credores internos, por acaso, é o que quer Varoufakis. Esta pretensão grega implicava a extensão do mesmo critério a todos os países com dívidas astronómicas.

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    • anti-comuna's avatar
      anti-comuna permalink
      1 Março, 2015 17:56

      Mas destruia a credibilidade do euro e a mutialização das dívidas. Coisa que nunca funcionará. Isso implicava a destruição do euro e voltarmos ao velhinho Escudo e taxas de juro malucas.

      Eu aceito pagar as Dívidas da Madeira, não dos gregos, espanhois ou até mesmo dos alemães. E só enquanto a Madeira for Portugal, pois se fosse Independente, que paguem eles as suas dívidas.

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      • manuel's avatar
        manuel permalink
        1 Março, 2015 18:00

        Em breve, quando a” Mamadeira” pedir uma renegociação, o que vai responder Passos?

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      • Simão's avatar
        Simão permalink
        1 Março, 2015 23:16

        “mutialização das dívidas.”

        Mas a mutualização já existe. E os alemães “chuparam e engoliram” (para desgosto de muitos).
        O BCE imprime moeda (enquanto estou a escrever devem ter impresso uns bons maços) para…..comprar dívida soberana. Não é mutualização. Não são bem eurobonds.
        É a semântica. Chamam-lhe quantitative easing.
        É assim a modos de como a troika passou a “insittuições” e o memorando a “documento”.
        Até lhes poderiam chamar mesa, cadeira, baltazar ou cigarreira.
        A semãntica não muda a essência do que existe.
        Poeira p’rós olhos dos otários.
        🙂

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    • JoaoMiranda's avatar
      JoaoMiranda permalink*
      1 Março, 2015 18:00

      Mas o BCE não está interessado. Nem tem mandato para isso.

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      • manuel's avatar
        manuel permalink
        1 Março, 2015 18:32

        Pois, também não podia, mas já pôs as impressoras a trabalhar, em breve, o euro estará ao valor do dólar!

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      • Simão's avatar
        Simão permalink
        1 Março, 2015 23:17

        If you don’t have money…..print some.
        It’s just Fiat Currency, printed out nothing, backed by nothing.

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    • JoaoMiranda's avatar
      JoaoMiranda permalink*
      1 Março, 2015 18:38

      O facto de a pretensão grega implicar a sua extensão a outros países torna-a impossível de aceitar.

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  7. PiErre's avatar
    PiErre permalink
    1 Março, 2015 18:41

    “Vitor Gaspar versus Varoufakis”
    .
    É keynesianismo versus marxismo.
    Em qualquer dos casos é sempre estatismo.

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  8. Me's avatar
    1 Março, 2015 19:33

    o JM eh um pandego :a economia esta normalizada !!!!j 😈😃😃😃😃😃😃😃 por favor , tenha um pouco de pudor.

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    • Fernando S's avatar
      Fernando S permalink
      1 Março, 2015 19:46

      O que esta normalizado é … o crédito à economia !
      Claro que o “normal” não é nem o crédito sem critério e sem garantias suficientes como no tempo das vacas gordas nem a “secura” de financiamento que se seguiu à quase bancarrota de 2011 !
      Hoje o crédito é dado … a quem tem condições para o custear e reembolsar !

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      • manuel's avatar
        manuel permalink
        1 Março, 2015 20:01

        Não discordando de nada, diga-me lá que euro é este em que a Alemanha se financiou a – 0,08% a 5 anos, nesta semana. Em breve, estão a vender Mercedes em Portugal com juro 0% e lá se vai o nosso saldo externo. Nada disto tem sentido económico.

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      • Simão's avatar
        Simão permalink
        1 Março, 2015 21:15

        “Nada disto tem sentido económico.”

        Ora nem mais.
        Mas há tontinhos (de diversas tendências) que acham que estamos no melhor dos mundos.
        Só falta a teoria do “Oásis”.

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        1 Março, 2015 21:29

        A Alemanha pode financiar-se a taxas praticamente nulas porque há aforradores que, em tempos de alguma instabilidade financeira, preferem a segurança à rentabilidade.
        Se Portugal e outros paises menos virtuosos do Euro puserem as suas contas em ordem e ajustarem as respectivas economias, os investidores passarão também a estar dispostos a emprestar a taxas mais baixas do que as actuais. Ao mesmo tempo, naturalmente, pela lei da oferta e da procura, as taxas alemãs tenderão a ser menos baixas. Com todas as economias em equilibrio a tendencia será para as taxas serem relativamente identicas, positivas, a niveis inferiores às actuais portuguesas (mas não muito mais, porque existirão então outras alternativas de aplicação relativamente segura e mais atractivas do que as dividas publicas).

        As pequenas diferenças nas baixas taxas de juro alemãs não teem qualquer impacto efectivo sobre a venda de Mercedes em Portugal.
        Tanto mais que é um produto de luxo, procurado pela qualidade e não pelo preço.
        O nosso saldo externo depende de outros factores e produtos muitissimo mais importantes.
        O que é certo é que quanto mais as nossas contas publicas estiverem em ordem, quanto mais baixas estiverem as nossas taxas de juro, melhor vai estar a nossa economia, mais competitivos vão ser os nossos bens e serviços, e tudo isto apenas pode ser bom para as nossas contas externas.
        De qualquer modo, quanto mais exportarmos (não tem de ser forçosamente para a Alemanha) e quanto mais pudermos substituir algumas das nossas importações, mais Mercedes (e tantos outros artigos) poderemos importar sem comprometer o nosso saldo externo.

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  9. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    1 Março, 2015 21:32

    “Mas há tontinhos (de diversas tendências) que acham que estamos no melhor dos mundos.”

    Está a falar de quê ??!!…

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    • Simão's avatar
      Simão permalink
      1 Março, 2015 21:44

      Da Economia Mundial como um TODO e da situação geopolítica mundial.
      É preciso enxergar para além da politiquice europeia (ou caseira) e do “campanário da terreola”.

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        1 Março, 2015 21:54

        Está a falar de que ??!!…

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    • Simão's avatar
      Simão permalink
      1 Março, 2015 23:10

      Não adianta.
      É melhor falar de futebol ou, melhor ainda, falar de política e economia com “clubite aguda”, com “palas” e com a apurada visão das touperias, como é apanágio neste “sítio” que, há cerca de 40 anos, se transformou “nisto”…

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        1 Março, 2015 23:17

        Também acho … pequenas frases genéricas que insinuam dizer tudo sem dizer nada de preciso não permitem qualquer discussão minimamente estruturada …

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  10. manel z's avatar
    manel z permalink
    1 Março, 2015 22:27

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  11. Carlos III's avatar
    Carlos III permalink
    1 Março, 2015 23:55

    Há aqui um paradoxo que não entendo. Não sei que sistema contabilístico se usa na UE, mas, em princípio, se a Grécia não pagar a dívida às “instituições”, estas deveriam rasurar esse crédito, ou seja, eliminar um vasto volume de meios de pagamento. Se ficássemos por aí – uma massa monetária menor para representar um mesmo volume de bens e serviços – surgiria ainda mais austeridade, como me pareceu que o Manel quis insinuar acima ao pôr a hipótese de uma subida das taxas de juro. Mas suponhamos que as “instituições” se resolvem pagar a si próprias a dívida monetarizando o crédito que era para ser eliminado (nem têm que imprimir espécies monetárias, basta alterar os zeros das folhas Excel). Aí assistiríamos quase de certeza a um berreiro enorme dos gregos a dizer que lhes tínhamos “roubado” a dívida (algo caricato, diga-se de passagem). Em resumo: se soubermos distinguir o que é Finanças do que é Economia, a questão da dívida acaba por ser irrelevante, como me pareceu ser a essência da última postura do Varoufakis. Ou será que não estou a ver bem a questão?

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  12. Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
    Alexandre Carvalho da Silveira permalink
    2 Março, 2015 01:49

    O Varoufakis especialista na teoria dos jogos já risca pouco:

    http://observador.pt/2015/03/01/como-o-chefe-eurogrupo-encostou-grecia-parede/

    Por outro lado, quem te avisa teu amigo é:

    http://observador.pt/2015/03/02/alemanha-e-eurogrupo-avisam-grecia-sem-reformas-nao-ha-dinheiro/

    Parece que o recreio se está mesmo a acabar. De acordo com a 1ª página do Publico o Tsipras já veio dizer que foi mal interpretado. Afinal quem tem cú tem medo, não é?

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  13. JCA's avatar
    JCA permalink
    2 Março, 2015 03:17

    .
    Um pouco de História para pacificar o ambiente;
    o Rei Minos, o/a(s) 18 virgens, o Labirinto, o Minotauro e a Morte do Rei no mar Egeu:
    .
    The Legend of Aegeus – The Mistake of a Son and the Death of a King
    http://www.ancient-origins.net/myths-legends-europe/legend-aegeus-mistake-son-and-death-king-002710
    .
    Os gregos saberão resolver-se.
    Resta-nos mais sábios sermos pragmáticos. Os Passados são muito diferentes. Mesmo os recentes do sec XX. O nosso XX foi mais pacifico, muito menos destrutivo em termos da II que formou emoção e cultura gregas que não sentimos. Escapam-nos, o que sugere não avalisar bastante opiniões ou “clubites agudas” embora obrigue a estarmos bem atentos aos nossos interesses. É suposto assim ser. Creio.
    .

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  14. Nuno Magalhaes's avatar
    Nuno Magalhaes permalink
    2 Março, 2015 08:49

    Um ministro que nunca acertou ans contas, que se teve de pirar por ser um fracasso total, que destruiu a economia com impostos, que até os empresários gostaram de evr pelas costas.

    É esta procaria que a direita tem para apresentar como herói ?

    Têm uns heróis muito pobrezinhos vocês.

    O gajo parece o mister Beam, não só fisicamente, mas principalmente a nível das asneiradas.

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    • Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
      Alexandre Carvalho da Silveira permalink
      2 Março, 2015 09:56

      Tem razão, é mesmo uma procaria! Mas o que é parecido com o Mr Beam é o outro, que deixou o país de tanga quando foi ministro das finanças desse competentìssimo governo liderado pelo Guterres, e agora é, imagine-se, presidente do Tribunal de contas: Guilherme d’Oliveira Martins de sua graça. E, de acordo com algumas mentes nada obtusas, presidenciável.
      Quanto ao nosso pobre herói, o Victor, o Magalhães/Abrantes, que deve ser funcionário publico, devia-lhe estar muito grato por ainda ter emprego e receber o imerecido ordenado ao fim do mês.

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      • Nuno Magalhaes's avatar
        Nuno Magalhaes permalink
        2 Março, 2015 19:30

        Caro Alexandre. Esteja descansado, sempre trabalhei no privado, onde fui alegremente roubado por todos os patrões que tive. Desde falências fraudulentas até faltas de pagamento á segurança social, violações do código de trabalho etc. Já passei por tudo, para grande alegria de gajos como tu. Simplesmente, o facto de ter de ser roubado pelos vossos heróis, não quer dizer que o deseje aos outros. Eu não sou invejoso. Se os funcionários públicos têm melhor condições de trabalho, ainda bem para eles.

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  15. ocamareiro's avatar
    2 Março, 2015 17:18

    Só para dizer que até o Vitor Gaspar admitiu que estava errado…

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    • Fernando S's avatar
      Fernando S permalink
      2 Março, 2015 17:50

      O Vitor Gaspar, que não foi propriamente um sucesso em comunicação, até podia ter dito estar errado e não estar efectivamente errado … Acontece com poucos, mas acontece !
      Mas, na verdade, apesar de ter escrito uma carta algo alambicada, nunca disse que estava errado.
      Disse que estava perturbado pelo facto da politica de austeridade e ajustamento ter provocado um aumento do desemprego, em particular o jovem, maior do que ele esperaria inicialmente (errou na previsão e psicologicamente encaixou mal este efeito).
      E disse ainda que era dificil continuar o processo de consolidação das contas publicas sem diminuir ainda mais os gastos do Estado e, por isso, aumentando ainda mais os impostos.
      Não errou, tinha e ainda tem razão.
      Vitor Gaspar não saiu por a sua politica ter falhado. Saiu por razões pessoais, onde se inclui certamente uma certo desconforto politico com Paulo Portas.
      Saiu fora de tempo. Se tivesse continuado, prosseguindo a politica até então levada a cabo, que foi exactamente o que fez o novo Ministro das Finanças, Maria Luis Albuquerque, pessoa da sua propria equipe e com as mesmas ideias, teria pouco tempo depois começado a ver os resultados mais positivos desta politica. Incluindo, uma queda importante do desemprego (mesmo o jovem também já começou a descer) !

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    • Nuno Magalhaes's avatar
      Nuno Magalhaes permalink
      2 Março, 2015 19:36

      Ná. Os direitinhas deste blog dizem que tudo o que os seus chefes dizem tem de ser “relativizado”.

      Se um líder direitista diz “preto”, isso pode ser interpretado como “amarelo”, “verde”, “azul” etc etc. Consoante dê jeito á propaganda deles,

      Se o Passos, por exemplo, disse que não ia aumentar impostos, na realidade queria dizer que ia aumentá-los para o dobro.

      A gente é que não percebe nada destes “relativismos”.

      Temos de tirar um curso, dado por ex presidiários condenados por burla, para perceber a linguagem “profissional” destes gajos.

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    • Fernando S's avatar
      Fernando S permalink
      2 Março, 2015 22:51

      Os esquerdinhas como o Nuno de Magalhães gostam de escrutinar os discursos dos “direitinhas”, descobrir neles hipotéticas contradições entre promessas de campanha e as acções de governo, e depois dar lições de moral sobre a coerencia e a honestidade.
      O cumulo do cinismo !… Como se o que é proprio destes esquerdinhas não fosse precisamente prometerem o paraiso socialista e comunista na terra para, uma vez chegados ao poder, fazerem tudo o que é preciso para o resultado pratico ser precisamente o inverso.
      Em termos de promessas não cumpridas a esquerda não pode dar lições a ninguém.

      No caso concreto de Portugal nestes ultimos anos …
      Antes e durante a campanha para as eleições legislativas de 2011, quando o pais já estava práticamente falido, os esquerdinhas de todos os quadrantes, incluindo os do Partido Socialista, cujo governo acabara de assinar um memorando com a Troika que previa um programa de austeridade de 3 anos bastante drástico, prometiam que tudo se resolveria sem austeridade, sem subidas de impostos, sem reduzir os investimentos e as despesas do Estado, sem cortes nos salarios e nas pensões, sem nada do que estava ja previsto no programa da Troika. Os partidos mais à esquerda, PCP e BE, esses “amigos do povo” iam mesmo mais longe prometendo aumentos de salarios, vencimentos, pensões, mais investimentos publicos, mais dinheiro gasto pelo Estado para a saude, a educação, a cultura, o ambiente, etc, etc, etc.
      De resto, a esquerda acusa sistematicamente os partidos de direita de pretenderem sempre empobrecer as pessoas, acabar com os serviços publicos, sobrecarrega-las de impostos,… Ou seja, o exacto contrário do que a esquerda quer, promete, garante !
      Mas, alto lá, parece que desta vez Passos Coelho teria feito concorrencia desleal à esquerda e teria também prometido “o paraiso na terra” … Ou, pelo menos, teria dito que também não aumentaria impostos.
      Bom, que Passos Coelho tivesse dito algo do género até se poderia compreender : sendo oposição não imaginava a verdadeira dimensão do descalabro das finanças publicas, não era bruxo para saber como é que a situação de crise nacional e internacional evoluiria, não contava então com uma repentina mudança de atitude do Tribunal Constitucional chumbando cortes nas despesas do Estado e encorajando aumentos de impostos, tinha de se defender da campanha demagogica dos partidos de esquerda que prometiam fundos e diziam que o PSD iria fazer o piorio, incluindo o aumento de impostos …
      Mas a verdade é que Passos Coelho nem disse que não iria aumentar impostos.
      Disse exactamente : «O aumento de impostos previsto por este Governo [socialista] no documento que assinámos com a UE e o FMI é mais do que suficiente».
      Ou seja, disse que procuraria não aumentar impostos mas que se fosse necessario aumentá-los não iria além do que estava previsto no acordo com a Troika.
      Na verdade, a grande diferença de fundo entre as promessas dos esquerdas, incluindo o PS, e as promessas de Passos Coelho, é que este foi o unico que disse claramente que, se fosse governo, iria fazer tudo para aplicar até ao fim o programa da Troika e para tirar o pais da situação de resgate em que se encontrava.
      Ora acontece que, passados mais de 3 anos, Passos Coelho cumpriu o essencial do que prometeu !

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  16. Simão's avatar
    Simão permalink
    3 Março, 2015 15:39

    Deixemos as “histórias de crianças” e vamos passar aos “contos de fadas”:

    http://www.theglobalist.com/the-fairy-tale-of-portugals-successful-turnaround/

    Destaco:

    “Portugal is no less bankrupt than Greece. The country’s government debt, at 124% of GDP, might be lower than in Greece. However, government debt is just one – even though important – part of the full debt picture.

    On an aggregate level, Portugal’s overall debt level — at 381% of GDP when also including private households and non-financial corporations — is well above Greece’s total debt level (286% of GDP).

    So while Greece’s problems mainly manifest themselves via government debt, Portugal suffers from too much debt in all three sectors of the economy.”

    🙂

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  17. Simão's avatar
    Simão permalink
    3 Março, 2015 16:30

    “Debt aside, Portugal faces other quite extraordinary challenges: It has the lowest birth rate in the Eurozone, has to contend with an exodus of the young people to other countries, the lowest overall level of qualifications of its population in Europe, as well as low productivity levels.

    With just nine patents per one million inhabitants, Portugal performs better than Greece (with four patents per million). However, it lags significantly behind countries such as Italy with 70 and Germany with 277. What about competing on price alone? That is a difficult proposition for a European country with high debt levels.

    Thus, I arrive at two conclusions: First, Portugal will never be in a position to serve its debt. Second, having access to the capital market is only the result of ECB policies and not the result of successful macro or micro policies pursued inside Portugal. But what will this lead to?2

    LMFAO!

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    • Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
      Alexandre Carvalho da Silveira permalink
      3 Março, 2015 17:17

      É na divida externa (estado+familias+empresas) que está o maior problema dos portugueses; deve estar actualmente em +/- 750 mil milhões, sendo que 200 e poucos são divida publica, +/-180 das familias e o resto das empresas.
      Mas nas dividas privadas o estado não tem de meter o bedelho: quem fez as dividas que as pague.
      O nosso desastre colectivo começou quando um sec de estado da “defesa do consumidor” de um governo socialista disse aos portugueses para se endividarem à vontade, porque se não pudessem pagar, o governo pagaria. Chamava-se Acácio Barreiros.

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      • Simão's avatar
        Simão permalink
        3 Março, 2015 17:24

        Vou mais longe.
        O nosso “desastre colectivo” (como muito bem lhe chama) começou numa madrugada de Primavera, corria o ano de….1974.
        😉

        (a partir daí foi o desvario que se viu)

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  18. Simão's avatar
    Simão permalink
    3 Março, 2015 17:26

    ” Acácio Barreiros”

    Lembro-me dele ainda nos tempos em que andava na UDP…….e lembro-me da Zita Seabra da altura, camisa ao xadrez, tremelicante de fúria no Parlamento.
    🙂

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  19. Simão's avatar
    Simão permalink
    3 Março, 2015 17:27

    2deve estar actualmente em +/- 750 mil milhões, sendo que 200 e poucos são divida publica, +/-180 das familias e o resto das empresas.”

    Básicamente: estamos falidos.

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  20. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    3 Março, 2015 22:18

    Simão,
    O artigo que cita recorda algumas evidencias mas também adultera factos e aponta para soluções erradas.
    Dizer que Portugal está tão falido como a Grécia é uma negação da realidade. Não me vou alongar sobre indicadores. Basta ver qual é a avaliação que os mercados fazem hoje da situação financeira dos dois paises.
    O maior perigo vem da bancarrota do Estado e da vulnerabilidade do sistema financeiro. Nestes planos a Grécia está muito pior. O endividamento dos privados, em particular das empresas e das familias, tem uma natureza diferente. O dividamento das empresas tem basicamente a ver com o financiamento da actividade. O endividamento das familias tem uma forte componente patrimonial, a compra de casa. Estes dois tipos de financiamento teem garantias de reembolso que dependem dos proprios, do produto das suas actividades, do rendimentos dos seus trabalhos. O Estado não. O Estado não gera riqueza, coleta uma parte da riqueza criada pelas familias e pelas empresas para custear serviços publicos e fazer transferencias sociais. Precisamente por estas razões, o Estado deveria viver quase exclusivamente dos impostos e endividar-se apenas excepcionalmente e pouco.
    Dito isto, e falando agora apenas de Portugal, é verdade que, para além da divida do Estado, também a divida dos privados é excessiva e, tal como a do Estado, deve ser reduzida. De resto, os privados teem vindo globalmente a reduzir as suas dividas e um ritmo bem mais rápido do que o Estado. Mas o que é importante perceber é que o excesso de endividamento dos privados está em boa medida ligado ao excesso de endividamento do Estado. O despesismo do Estado, o rápido e enorme crescimento do investimento e das despesas publicas, sobretudo ao longo dos ultimos 20 anos, a enorme expanção e generosidade de um Estado Providencia cada vez maior e cada vez mais presente, tudo isto criou no conjunto dos agentes economicos uma espécie de ilusão de prosperidade facil e permanente que os levou a encarar o futuro sem preocupações e a enveredarem pela obtenção de crédito facil e abundante. Ou seja, os agentes economicos privados limitaram-se a seguir os indicios de contexto favoraveis ao endividamento que foram basicamente criados pelo despesismo e pelo excessivo endividamento do Estado. No fim de contas, foram as politicas publicas e o modelo économico que delas resultou que determinaram o excessivo endividamento dos privados. Toda esta explicação poderia obviamente ser mais desenvolvida e detalhada, nomeadamente articulando-a com o desequilibrio entre os sectores de bens e serviços não transaccionáveis (Estado, serviços, comércio, construção, etc) e transaccionáveis (exportações, importações substituiveis, etc).
    Alguns dos outros factores e desafios mencionados no artigo como sendo sintomaticos das dificuldades de fundo que afectam Portugal são naturalmente reais (demografia, educação e formação, produtividade, etc). Mas são factores estruturais, que existem historicamente desde ha bastante tempo, não são de hoje nem decorrem das politicas de austeridade e ajustamento dos ultimos anos. Antes pelo contrário, talvez apenas com a excepção da demografia, que depende de circunstancias essencialmente culturais, o facto de alguns deles, como a fraca formação e a baixa produtividade, permaneceram e acentuaram-se nas duas ultimas décadas, é também uma consequencia do modelo economico centrado num Estado despesista e intervencionista que referi acima. Ora precisamente por esta razão, a consolidação das contas publicas e o ajustamento da economia podem agora contribuir para algumas melhorias naqueles factores.
    Dito isto, a conclusão final do artigo, de que Portugal, tanto ou mais do que a Grécia, não vai nunca conseguir servir e reduzir a sua divida, é precipitada e pouco fundada. Portugal, ao contrário da Grécia, e tal como a Irlanda e a Espanha, já conseguiu controlar a sua divida e tudo indica que o seu peso no Pib comece a baixar a partir deste ano. De resto, o excelente comportamento das taxas de juro portuguesas mostra que os mercados e os credores acreditam que Portugal tem a situação controlada.
    Claro que, para se chegar aqui, foi importante, e continua a ser, o apoio do FMI e das instituições europeias, incluindo o BCE. Mas não faz qualquer sentido dizer que as taxas portuguesas descem apenas pela acção do BCE. As gregas, por exemplo, não descem, apesar da Grécia ter tido mais apoios. De resto, actualmente, a acção do BCE tem mais a ver com o financiamento dos Bancos do que com a compra de divida publica (a operação já decidida ainda não começou).
    O que é certo é que se Portugal não tivesse aplicado uma politica de austeridade e ajustamento e não tivesse tido a ajuda da Troika, então é que a divida portuguesa teria ficado definitivamente insustentável e as perspectivas de futuro apresentar-se-iam hoje tão negras como parecem ser as da Grécia !

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