Caro António-Pedro Vasconcelos
Caro António-Pedro Vasconcelos,
Depois de ter criado uma das mais enigmáticas imagens do cinema português, a da Ana Zanatti a polir o lustro a um Alfa Romeo, é com regozijo que o vejo regressar ao tema da metalização de pinturas através da sua experiência de gestão de empresas de aviação comercial. Durante uns tempos, também eu próprio fui especialista em cinema lá na ONU.

Lugar do morto, expressão usada para designar o passageiro que é transportado no veículo de outrem, que nada faz para providenciar a sua locomoção mas conhecido por queixar-se da forma como é conduzido.
Uma das questões que levanta no seu último guião, sobre se a privatização da TAP originaria o fim das greves por decreto, fez-me recordar o quão a privatização das salas de cinema me permitiu uma intensificação da greve ao cinema português contemporâneo. Não é que o rabo da Soraia Chaves deixe de merecer a minha atenção, porém, não consigo imaginar o que este traria de interesse a um edil, muito mais facilmente corruptível com pratos de cozido à portuguesa do que com a promessa de morte por ataque cardíaco. Isto é o conhecimento do país real, percebe?
Acrescento – às suas inúmeras certezas de gestão aeronáutica substanciadas pela capacidade de síntese de incongruências no discurso apoiado em tontices – apenas uma questão: há algum português cujo rendimento não seja oriundo do orçamento de estado ou de subsídios conexos que queira saber se a TAP é pública ou privada? Se sim, porque não faz um documentário subsidiado sobre ele, em nome da ciência?

Mais um (jovem) gestor de elevado potencial.
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Está difícil, o desmame de dinheiro público. Nem a Troika os conseguiu curar desse vício.
Este génios que acham que o dinheiro cai das árvores são pertinazes.
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Nem o que aconteceu a liberalização das viagens para os Açores -aumento significativo dos passageiros, nem a falta de interessados na compra da TAP consegue calar esta Brigada das Colheres com o dinheiro público.
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viagens essas e para já algum sucesso quanto aos turistas idos, que outrora foram rejeitadas pelo governo de CCésar…
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A Troika esteve por cá a mandar muito pouco tempo…
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O problema não é este. O problema é que são muitos. Mas o mais triste é que estes sabujos não percebem que a árvore está a secar.
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Preliminar: A-PVasconcelos sempre foi um cidadão e cineasta interventivo, polémico, acérrimo defensor das suas conclusões. Desde a década de 1960, fosse o assunto cinema, cultura, ou outro. Com e sem razão, colhendo ou não apoios. Está-lhe no ADN não ficar indiferente. Quem o conhece pode testemunhar isso.
O cidadão A-PVasconcelos tem o direito de intervir na sociedade. Também sobre o caso-bandeira(?) TAP. Sente-se “nacionalista”, patriota, zelador dos interesses tugas. O que eu estranho (não acompanhei tudo o que foi dito e escrito) nesta luta anti-privatização é o A-PV como único “cabeça de cartaz” dum caso que não domina.
Prestou frete a alguém ? Custa-me acreditar. Quer ficar na História da irreversível venda da TAP ? Talvez não se importe. Tem preparado um filme que necessita de apoio estatal ? Obviamente há sempre a perspectiva dum próximo –quase certo– governo liderado pelo amigo ACosta, por si entusiasticamente apoiado desde o “encontro” no Chiado.
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A-P de Vasconcelos deve ter aprendido a gerir empresas de aviação durante as tardes de ócio passadas a polir as cadeiras do Vá-Vá com os amigos, enquanto discutiam as 1001 maneiras de salvar o mundo.
Já em relação ao cinema ele diz que aprendeu em Paris, mas quando começou a fazer filmes não reparou que já estava 20 anos atrasado, coitado, e mesmo assim não passou (e não passa) de um pobre aprendiz de feiticeiro e mau imitador e ainda está convencido que fazer cinema é pôr os actores a dizer palavrões e a dar umas trancadas em cima do capot de um automóvel.
Só me lembro de uma palavra para definir os filmes do A-P: entediantes!
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A-PVasconcelos realizou dois ou três momentos de bom cinema tuga. Nos anos 1970.
Foi um dos cineastas mais activos e teóricos, decisivos para um novo cinema por cá feito e interpretado.
Depois enveredou pelo facilitismo, pela bilheteira.
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MJRB, sabe onde poderei encontrar os elementos que mostrem o custo dos filmes de APV, quanto receberam de subsídios/apoios do estado e qual as receitas de bilheteira. Será que a bilheteira de que fala cobriu os custos dos filmes ?? Entretanto mais €ur 600.000,00 de apoio do ICA para outro filme de APV. Aqui: http://visao.sapo.pt/edgar-pera-e-antonio-pedro-vasconcelos-recebem-apoio-do-ica-para-novos-filmes=f815808
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o filme até que foi um bom filme. O que só prova que um bom cineasta, actor, cantor, escritor etc não é necessariamente um bom activista politico.
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Eu não quero saber da TAP, eu há muito dexei de viajar na TAP
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Sim há. O governo cujos rendimentos são do orçamento de estado, pelos vistos preocupa-se, querem que seja privado. Sempre sobra mais uns cobres para os seus vícios corruptos.
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Não diga à sua mãe que você é público.
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antónio, 19:34
Não tenho esses custos e apoios estatais. Certamente encontrá-los-á num departamento de estado relacionado com atribuição de subsídios ao cinema.
Sei o que toda a gente sabe: quase todo o cinema realizado também pelo A-PV foi subsidiado pelo Estado. A Lei assim o permite. Arranjem outra se a existente não serve.
Mas também é verdade que três ou quatro filmes do A-PV, os comercialões, obtiveram boas receitas de bilheteira
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Não quer antes dizer que a expectativa do ver o rabo da Soraia Chaves gerou receitas de bilheteira? (E muito bem, diga-se de passagem).
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estou no site do ICA a ver a lista dos 40 filmes mais vistos de 2004 a 2015. APV tem lá alguns que não geraram receita para se pagarem a si próprios. APV diz que o cinema Português não é auto-suficiente. Mas este debate é lateral ao post do VC. Creio que a TAP com os prejuízos que acumulou já não se salva sem injecção de dinheiro privado. Era mais confortável ter uma companhia de bandeira ?? Para mim era mas isso infelizmente já não é mais possível. Estou com a idade de 45 anos e não sei quantos anos irei viver ainda mas mesmo sem ter uma bola de cristal penso com toda a sinceridade que nos próximos 20-25 anos esta onda de privatizações irá provavelmente reverter e talvez ainda possa estar vivo para ver isso.
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VCunha, 20:12
registo a sua ironia e grato por me fazer relembrar a Soraia.
Mas de facto três ou quatro filmes do A-PV obtiveram boas receitas de bilheteira, com e sem Soraia.
—-
antónio, 20;29,
note: eu não escrevi que a receita de bilheteira pagaram alguns filmes do A-PV. Tão-só, obtiveram bom público e boas maquias.
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Este país tem cada vez mais gente maluca a (tentar) fazer política: hoje foi legalizado mais um partido, o PURP-Partido Unido dos Reformados e Pensionistas. Então não é que afirmaram que “pensam até em ganhar as eleições” ?
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O problema do número de espectadores dos filmes portugueses resolvia-se se o estado subsidiasse os filmes e depois ficasse com os bilhetes correspondentes ao subsidio. Depois era só sortear os bilhetes na factura da sorte.
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…ou isso. Boa ironia.
O problema do custo da maioria do cinema feito em Portugal já vem do tempo do Estado Novo, então bastante interessado em certo tipo de cinema, algum que por acaso até obteve sucesso de bilheteira. Os tempos, os espectadores eram outros, as ofertas parcas (e algumas censuradas) em relação a hoje, etc, etc.
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Espectadores ou espetadores?
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Dois apontamentos:
A Fertagus não faz greves, tem os comboios limpos de graffiti e cumpre horários.
É privada.
Quando fui agora a Londres em Heathrow à vinda o balcão da TAP era preenchido por um funcionário indiano que não falava uma palavra de português.
E uma ideia:
O problema dos bilhetes vendidos para os filmes que custam balúrdios e ninguém vê, resolvia-se se aplicassem o método Carlos Silva/Sócrates que deu tão bom resultado no livro do segundo.
APV devia ir ao mercado e de cada filme seu comprar 50,000 entradas.
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O A-PV é um pateta que se acha sabedor de coisas que não domina nem com os pés.
Confunde contabilidade e finanças empresariais com contas de merceeiro – com todo o respeito a todos os dignos comerciantes – e junta tudo no mesmo saco a política deste Governo (goste-se ou não) com casos de gestão danosa comprovadamente efectuada durante décadas para chegar a uma suposta conclusão de que a iniciativa privada é a culpada por todos os males do mundo. Só faltou associar a destruição de cidades milenares no Iraque a Passos Coelho. Aquela de dizer que se o Estado venezuelano pagasse a dívida que tem com a TAP seria o suficiente para a TAP ter lucro… meu Deus, nem deve saber o que quer dizer resultado líquido, portanto vai logo para essa figura mítica do lucro (conceito presente no CIRC mas que em lado nenhum em Finanças Empresariais existe).
Para além do mais, a publicação deste lixo após a saída do António Costa só prova a cobardia e falta de honestidade intelectual deste pateta porque agora António Costa não tem como responder e desmontar este boneco.
Aliás, tenho para mim que a saída do António Costa é parte da Ongoing pôr-se a jeito para uma eventual dança das cadeiras governativas… Daqui a umas semanas veremos quem vai para a Direcção. Tenho as minhas suspeitas e logo se verá se se confirmam.
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A P-V: é o maior!
Para ele!
Empatado com o rei-sol, JAS.
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Notícias da crise “austeritária” de Portugal além da crise da “Cultura” e do “Cinema” que não consegue sobreviver:
A sétima aventura da saga ‘Velocidade Furiosa’ a última com Paul Walker (morreu em novembro de 2013 num acidente automóvel), bateu todos os recordes de bilheteira em Portugal.Nos primeiros quatro dias de exibição, levou 238 044 pessoas às salas nacionais, gerando receitas de 1,3 milhões de euros. Assim, o filme dirigido por James Wan entrou para o primeiro lugar da tabela das melhores estreias em Portugal, ultrapassando ‘Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal’. Em 2008, o filme com Harrison Ford obteve 224 893 espectadores no primeiro fim de semana de exibição.
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/cultura/detalhe/velocidade_bate_todos_os_recordes.html
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Onde é que está a crise?
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APV tem vindo a decair ao longo das décadas. De realizador consagrado (com filmes pouco interessantes, no entanto, e francamente maus nos últimos 25 anos), passou por comissário político (IPC), hoje faz filmes medíocres (A Bela e o Papparazi foi o último que tive a infelicidade de ver, jurei nunca mais ver nenhum destes atentados à inteligência, e ao ver o seu envolvimento nesta questão da TAP, o que diz e o que escreve, só me apetece dizer que hoje não deve passar de um tipo “a quem se paga uns cafés para dizer umas coisas”, como ele já teve o desplante de dizer de um cineasta português mil vezes melhor que ele. Em vez de falar de aviação, política e futebol, APV devia limitar-se a falar do que entende. Claro que falar de filha-putice e mediocridade não fica bem a ninguém, mas há públicos para tudo, como ele bem sabe.
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Para falar do que entende tinha de ficar calado.
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O homem é muito bom a escrever; vê-se que leu muito Camilo. Quanto ao mais, enfim…
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