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País de papel

20 Abril, 2015

No Observador escrevi sobre o país de papel: O que esteve em causa nesta crise foi o país de papel, esse país que se desenhou decreto a decreto, portaria a portaria, artigo a artigo nesse ano de 1975 e, para sermos justos, nos que se lhe seguiram. Até que chegou 2011 e a crise amarrotou o país de papel. Ou melhor ficou desbotado e antigo como as fotografias em Kodacolor que fazíamos há quarenta anos e que agora já não fazemos mas entrevemos como quem folheia um velho álbum em cada acórdão do Tribunal Constitucional e em cada declaração anti-austeridade.

10 comentários leave one →
  1. balde-de-cal's avatar
    balde-de-cal permalink
    20 Abril, 2015 09:28

    nunca fui adepto de qualquer socialismo incluindo o fascismo.
    no tempo do fascismo (nasci em 31) éramos pobres por herança da I república.
    nesta republiqueta social-fascista somos mais pobres e endividados.

    fujam! porque vêm aí em força o socialismo em versão monhé

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    • Luís's avatar
      Luís permalink
      20 Abril, 2015 14:19

      E na Primeira República éramos pobres por herança da Monarquia Constitucional.

      Não sou Historiador nem Economista. De leituras que tenho feito creio que nos últimos 250 anos a economia só esteve razoável nas últimas décadas do século XVIII e durante o Estado Novo. Posto isto, saltam à vista dois nomes, o Marquês de Pombal e o Prof. Salazar.

      As limitações à liberdade individual, o diletantismo das elites políticas, a cunha, o compadrio, a corrupção e o tráfico de interesses, a captura do poder político por interesses económicos, financeiros e corporativos, a elevada carga fiscal, os monopólios, concessões e condicionamentos: eis muitas das causas do atraso.

      Um doente só se cura depois de ter consciência da doença. Em Portugal não há tal consciência e os mecanismos responsáveis pelo nosso atraso continuam em força. Alguns até foram reforçados por este Governo. Outros, trazidos pelos inenarráveis e perversos Governos de Sócrates, não foram eliminados.

      Um exemplo recente destes mecanismo está na Lei da Cópia Privada. Outro está no processo da Televisão Digital Terrestre portuguesa. A «economia social» das IPSSs esconde pormenores maquiavélicos. Etc, etc, etc.

      Em todos os aspectos da Governação, em todas as áreas públicas, há portugueses que introduzem mecanismos imorais. Até existem na Educação, com as médias internas «vendidas» por colégios privados para facilitar o acesso a Medicina, ou a outros cursos de média mais elevada.

      Conhecendo o povo e as elites, e as suas tendências, o poder político deveria avançar com uma Reforma abrangente que prevenisse a corrupção, o compadrio, a cunha, a captura. Não há consciência em Portugal da possibilidade da prevenção destes crimes e destes comportamentos e atitudes imorais.

      Assim, continuaremos a esperar por outro homem providencial, ou seja, por outro líder totalitários, que ponha ordem no país, continuaremos a ouvir políticos diletantes a defender o combate à corrupção e grandes planos e desígnios nacionais para «andar com o país para a frente», e continuaremos a lamentar-nos que afinal o país não cresce, o endividamento não desce, o PIB per capita continua a ser bem inferior ao dos nossos vizinhos da Europa Ocidental.

      Somos um país de emigrantes e de andarilhos, pois esta terra é madrasta para aqueles que não dependem de ninguém, que querem vingar sozinhos. E nada muda.

      Temos dois séculos de erros económicos e políticos nos países ibéricos e na América Latina. Facilmente se conclui que o socialismo, a social-democracia, o Estado hipertrofiado, nada disso traz progresso a estas culturas. Mas em Portugal, da Esquerda à Direita, continuam a insistir no erro.

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  2. murphy's avatar
    murphy permalink
    20 Abril, 2015 11:56

    O drama, é verificar que os cidadãos que habitam o “país real” correm sérios riscos de ficar subordinados e condenados a sustentar, os cidadãos bem instalados no “país de papel” de que fala HM…

    Permanece um verdadeiro “tabu”, o conflito entre dois modelos de sociedade e de desenvolvimento existentes em Portugal:

    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2014/07/o-elefante-no-meio-da-sala-que-os.html

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  3. Luís's avatar
    Luís permalink
    20 Abril, 2015 14:25

    A máquina da Justiça em Portugal está bem desenhada para engordar as contas bancários dos advogados.

    Há processos bloqueados vinte anos que deveriam ser resolvidos em dois ou três.

    Quando mete imobiliário e construções ilegais nada é demolido, não há execução das penas.

    Talvez outra geração ponha termos a esta estupidez provinciana chamada Escola de Direito de Coimbra.

    Copiaram o Direito alemão com requintes de chico-espertice saloia.

    A começar logo pela Constituição, tem de ser tudo novamente escrito, sem o toque ideológico, sem paternalismo e sem a marca do favorecimento a interesses corporativos. Em nome, portanto, de um conceito desprezado pelas elites portuguesas: o bem comum.

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  4. manuel branco's avatar
    manuel branco permalink
    20 Abril, 2015 18:31

    A sua formação universitária não deve ser História. Veja a quarta dinastia, o liberalismo novecentista, o salazarismo. todo este país não é mais que papel. Não foi papel o tratado com os ingleses, o do vinho e dos tecidos? Não foram papéis as constituições liberais? Não foi papel o aventureirismo da primeira república? Salazar vivia sem o diário do governo? E se o papel não serve para nada para que quero eu um governo, uma câmara? Eles não bastam, mas sem papel ou é a anarquia ou é a oligarquia.

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    • Luís's avatar
      Luís permalink
      20 Abril, 2015 18:58

      Não é História, mas vou tentando ler e compreender. E com frequência o papel surge justificado com intenções muito nobres e vanguardistas, mas lá no meio das entrelinhas vem a defesa do «interesse» político, económico, financeiro ou corporativo, em prejuízo dos interesses dos portugueses ou mesmo dos altos interesses da Nação.

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    • Luís's avatar
      Luís permalink
      20 Abril, 2015 19:01

      Quanto à anarquia…

      Durante séculos e séculos houve inúmeras aldeias comunitárias, mormente no Norte do país. O povo local «entendia-se»… sem papel. Havia uma ordem imposta por uma moral comum que não estava regulada por decreto-lei…

      Um caso a estudar por sociólogos, economistas e antropólogos.

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  5. eirinhas's avatar
    20 Abril, 2015 18:38

    Muitas árvores se poupariam,a bem da natureza,se fôssemos mais parcos a gastar papel.Mas,infelizmente,não é assim.Dou um exemplo:quantas folhas A 4 se gastam num simples acórdão dum tribunal.Uma dada altura estive quase um a hora a ler um que argumentava sobre um transgressor a um sinal stpop numa estrada quase caminho vicinal!
    Chegado aqui,pergunto-me: o que fez este governo das gorduras a esta e tantas outras situações semelhantes?Estávamos mal,não estamos melhor e,certamente,assim continuaremos!
    E o que fez?Entreteve-se com os reformados e os funcionários públicos! O resto ficou à “solta”com os danos que todos conhecemos!
    Enganei-me mas,desta vez,vou ficar em casa.

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    • Luís's avatar
      Luís permalink
      20 Abril, 2015 19:06

      Em 1990 um vizinho dos meus avós construiu um mamarracho que invadia uma parte de um largo da minha família. O processo arrastou-se vinte anos em Primeira Instância. A autarquia dizia que o espaço era público! Os documentos da Conservatória do Registo Predial de nada serviram e gerou-se um processo barroco com depoimentos de inúmeros testemunhas. Situações destas são comuns e demonstram a ineficácia da máquina judicial. Para quê testemunhas quando existem documentos que comprovam a propriedade de um imóvel? Porquê vinte anos? Por que não dois ou três? Os advogados saem obviamente a ganhar e aumentam assim notoriamente as suas contas bancárias, por culpa de um sistema complexo, lento e… injusto.

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  6. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    20 Abril, 2015 22:11

    O papel dá inúmeros empregos a gente que não quer saber fazer mais nada.

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