Bloco Central? Não, obrigado.
É fácil concluir que o PS está entalado entre a extrema-esquerda e o ónus de providenciar governabilidade. Porém, tal é uma conclusão errada: na realidade, o PS está entalado entre ter perdido de forma quase impossível as eleições por inabilidade de Costa e a urgência decorrente da estrita necessidade de chegar ao poder a tempo de condicionar e instrumentalizar a justiça. “A César o que é de César”, dir-se-á nos corredores entre pilares jónicos adornados por compasso e esquadro.
O Presidente Cavaco Silva, entre algumas trivialidades (como ser necessário um governo que respeite os compromissos internacionais, algo que exclui os pirómanos da extrema-esquerda), acabou por escancarar a porta a uma possibilidade que deve estar a ser equacionada por Passos Coelho neste preciso momento – o governo do bloco central.
Sendo verdade que mais de 70% dos portugueses optaram pela solução que se desenharia posteriormente como de bloco central (ou, como dizem nos media, “arco da governação”), não me parece que os 38 da coligação PSD e CDS tenham sido obtidos na perspectiva de que o governo deva funcionar em compromisso permanente com o PS. Mais precisamente, esses 38 escolheram decididamente um governo minoritário sem a participação do Partido Socialista.
Deve o Partido Socialista aceder em 2015 aos corredores do poder através de uma pasta ministerial, por exemplo, na área da Justiça, atribuída como que por mero acaso e beleza dos olhos do funcionário dedicado? Não.
PSD e CDS devem governar com apoio parlamentar minoritário sob risco do Bloco Central ser interpretado com um golpe de estado constitucional perante os resultados eleitorais bipolarizados que foram obtidos no passado Domingo.
Já se pode falar de Sócrates?

Porra, que o BE e a CDU parecem duas teimosas concubinas à volta do P”S” para terem fugaz prazer de integrarem um governo !…
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Se eles integrarem o governo pelo fugaz prazer, teremos muitos o fugaz ónus de nos pôr na alheta antes do corralito. Incidentalmente, jantei na Segunda Feira com argentinos, família próxima da minha esposa, e o que me contaram desses dias docorralito meteu-
me os cabelos em pé.
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sócrates podia ser perfeitamente vpm
o gajo tem pinta para qualquer cargo
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Especialmente o de presidiário. Caía-lhe especialmente bem.
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Obviamente. Mais vale deixar o governo cair daqui a uns meses e ganhar com maioria absoluta do que deixar o PS apoderar-se novamente da Justiça e destruir o trabalho de limpeza que vem sendo feito.
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Claro e obvio . Governo derrubado novas eleições
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Só daqui a mais de seis meses, para os idos de Maio ou Abril. Até lá nem este presidente nem o próximo podem dissolver a Assembléia nem convocar eleições, nem a AR se pode dissolver.
Pelo artº 172, 1: a Assembleia da República não pode ser dissolvida nos seis meses posteriores à sua eleição, no último semestre do mandato do Presidente da República ou durante a vigência do estado de sítio ou do estado de emergência.
A assembleia pode legislar sobre eleições, mas não sepode dissolver a si própria.
Se o PS vai para o governo agora, o menos com que nos temos de preocupar é a ocorrência de eleições.
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LB,
Correcção: Mais vale deixar o Governo cair daqui a uns meses e dar novamente a palavra aos eleitores para estes decidirem o que querem/merecem a ir contra a vontade expressa desses mesmo eleitores que, colectivamente, disseram que queriam o PSD+CDS a governar em minoria.
António Costa deixou bem claro que um governo PSD+PS era impossível e foi com essa perspectiva que os eleitores votaram.
Não é apenas o PS que terá que assumir as suas responsabilidades caso confirme a sua adesão à “esquerda” histérica, irresponsável e cretina e impeça o Governo de governar. Os eleitores também têm que assumir a sua responsabilidade pela forma como votaram nestas eleições e “corrigir” nas próximas, dando a vitória ao PSD(+CDS?) ou ao PS.
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Seja o que querem fazer, decidam-no depressa. E anunciem a tempo para que eu ea minha família nos ponhamo ao fresco.
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Tudo áreas muito complicadas para pôr na mão do PS:
-Justiça
-Comunicações e Telecomunicações
-Banca
-Energia
-Transportes
-Liberdade de expressão e outros direitos fundamentais
-Comunicação social
-Economia
-Finanças
-Fundos
Complicadas e tóxicas.
As moções foram feitas para estes casos.
Obviamente, vai dar estouro.
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Tudo hoje sugere que há mais de 4 anos o PS acelerou na queda no plano inclinado para o PASOKamento,
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quem lá manda saberá as linhas com que se cozeu, se coze e se PASOKará ou não.
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Sucede as elites de sempre em Portugal mandrionas, vaidosas, acomodadas e imobilistas bebem como de costume os ventos historicos tardiamente. Um País fechado na caserna,
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assim foi na descolonização e basta ir mais atrás ou mais à frente os exemplos são uns atrás dos outros na Poliica.,perdem-se em lucubrações irrealisas e fantasias teorico-oraorio-academicas que acabam sempre também no habiual: ‘aki delrey, deixam tudo à rasca com as calças na mão.
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É a vida, ainda por ora por cá. tudo como dantes no quarel de abrantes
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Estou mesmo baralhado. Então se o país está tão bem, de acordo com a campanha eleitoral , qual a razão de tanto temor do presidente? Querem ver que afinal a PAF e o PS foram derrotados e vão acabar em concubinato e Paulo Portas perde o lugar de vice, sim, 32% é um bocado mais que a votação do PP.
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O Cavaco está a fazer o papel dele, depois destes anos de chumbo quer sair o melhor possivel de Belém. Quanto ao resto: O PS só tem de deixar passar o programa do governo e o OGE/2016. Depois, daqui a um ano já pode chumbar o OGE para 2017 e teremos eleições lá para a primavera de 2017.
É isto que convém à coligação, com a economia a crescer, o desemprego a baixar e as contas publicas controladas, não será dificil recuperar 12 ou 15 deputados. Não sei é se é isto que mais convém ao PS. O Costa, partindo do principio que fica, será sempre um líder fragilizado, e não se entrevê por lá ninguém que queira liderar o partido enquanto faz a travessia do deserto que o PS vai inapelávelmente fazer nos próximos anos.
Por outro lado, se por acaso começarem a passar coisas más pelas cabeças daquela gente lá no Rato e fizerem a tal “frente de esquerda”, o futuro que espera o PS será uma coisa parecida com o que está a acontecer ao PASOK: 5%.
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“… mais de 70% dos portugueses optaram pela solução que se desenharia posteriormente como de bloco central…”
?! Esta’a a querer convencer-nos que todos os portugueses que votaram PS ou na PaF queriam bloco central?
70% dos portugueses nao “optaram” por bloco central algum. A unica coisa que os une e’ o voto no PS ou na PaF. Um conjunto arbitrario de individuos nao tem vontade propria.
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Estou a dizer que a grande maioria dos eleitores votará sempre num conjunto que se pode arquitectar posteriormente como “o bloco central”. Na realidade estou a dizer que não é por essa realidade existir, a da maioria dos eleitores ser centrista, que estes querem que esse bloco central passe a realidade efectiva. Pelo contrário, até.
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O típico á moda do Costa seria o presidente dar prioridade á ponderação de uma solução de governo com quem perdeu as eleições. O ainda líder do PS que se dirija a Belém, como fez Passos, e apresente a sua proposta baseada na esquerda que temos bem a leste da Europa, que Cavaco Silva não deixará de o receber e avaliar por comparação o que será melhor para Portugal. Mexa-se.
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Se o PCP e o BE são a extrema/esquerda parlamentar portuguesa, o CDS é a extrema/direita parlamentar e, Paulo Portas o neofascista.
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“Extrema-direita neofascista” que contribuiu com dois ministros socialistas para o Governo.
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Não são a extrema-esquerda parlamentar portuguesa. São a extrema-esquerda em qualquer parte do planeta excepto cabeças que vêem o mundo pelo ódio ao Portas.
Um gajo inteligente saberia separar o ódio ao Portas da realidade dos comunistas.
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É correr com o PP e dividir 50-50 os ministros entre PSD e PS. PPC como primeiro ministro (apesar do PS ter tido muito provavelmente mais votos que o PSD).
Cavaco vê bem quando vê que um governo minoritário não vai longe.
O resto são várias dor de corno….
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Isso. O do PAN a presidente da AR, Catarina Martins a ministra das artes e Jerónimo a ministro da administração interna.
E suspensão de eleições futuras. Não servem para nada, só atrapalham.
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As eleições não tiveram o resultado que o VC queria…?
Paciência…a democracia é assim…
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Não. Eu bem disse que deviam ter metido o Rui Tavares no início da segunda parte.
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Miguel,
“apesar do PS ter tido muito provavelmente mais votos que o PSD”
Não é muito provavelmente, é mesmo certo (ainda antes de se saber os resultados dos círculos da emigração): o PS teve, sem qualquer margem para dúvidas, muitos mais votos do que o PSD.
O PSD só foi a votos na Madeira, onde obteve 47.228 votos. O PS foi a votos em todos os círculos e já conta 1.742.041 votos. (fonte http://observador.pt/interativo/legislativas-ao-segundo/#/)
Só que houve outra força política que foi a votos e obteve 2.069.978. Assim, o PS não ganhou nada nem faz qualquer sentido que forme Governo.
Quanto a um Governo minoritário não ir longe, aposto que (com estes resultados) irá mais longe do que qualquer Governo maioritário, seja ele PSD+CDS+PS, PSD+PS ou PS+BE+PCP+PEV. Ou acha que alguma destas soluções iria longe?
Quanto às várias dôres de corno, tem razão. Elas começaram quando perceberam que a coligação PSD+CDS ia ganhar as eleições.
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Mas uma coligação quando não tem maioria absoluta (e sendo essa a sua grande razão de formação) continua a ter o mesmo sentido? Cavaco pelos vistos acha que não. Relativamente às dores de corno tem toda a razão. A maior esta no largo do rato (e se bem que a merecem). Mas há mais também…
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Miguel,
PSD e CDS apresentaram-se a votos em coligação com um programa único. Essa coligação ganhou as eleições. Até esses partidos dizerem que já não estão disponíveis para governar juntos com esse programa, a coligação tem exactamente o mesmo sentido que tinha antes e deve ser chamada a formar Governo.
Se a coligação não conseguir acordo com outros partidos e continuar com apoio minoritário no Parlamento, o Presidente poderia optar por dar posse a um Governo de outros partidos que reunissem maioria absoluta no Parlamento. Necessariamente uma coligação PS+BE+PCP.
Acontece que os programas eleitorais destes partidos são completamente incompatíveis, o que significa que qualquer acordo entre eles seria uma traição objectiva a quem neles votou e não teria a mínima hipótese de cumprir a legislatura (pela própria natureza desses partidos).
Restam ao Presidente da República duas opções:
1. dar posse ao Governo PSD+CDS e deixar a responsabilidade pela estabilidade aos partidos com representação parlamentar (foi para isso que se votou neles) ou
2. dar posse a um Governo de iniciativa parlamentar.
A opção 1 muito dificilmente cumprirá a legislatura completa. Se a oposição não lhe der qualquer margem para cumprir os acordos e responsabilidades internacionais (e isso depende exclusivamente do PS), rapidamente “entregará as chaves” ao (próximo) Presidente da República e este que resolva o problema (inevitavelmente através de eleições antecipadas).
Para a opção 2, seria muito difícil encontrar alguém para chefiar o Governo e teria exactamente os mesmos problemas que a opção 1.
António Costa já disse que não fará parte de nenhuma solução de Governo. Fica por saber até que ponto Pedro Passos Coelho está disposto a comprometer o futuro de Portugal (cedendo à demagogia e irresponsabilidade do PS) para prolongar o presente até às próximas eleições (comprar a abstenção do PS para aprovar as medidas indispensáveis para que as taxas de juro não aumentem demasiado).
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Comprar a abstenção do PS, como diz, tem preço. Preço esse que duvido que os eleitores da coligação estejam dispostos a pagar.
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Vitor Cunha,
Os eleitores da coligação e uma boa parte dos que votaram agora no PS e no “protesto” (PAN e até muitos votos no BE).
Pedro Passos Coelho tem agora a possibilidade de mostrar se tem a coragem e a visão para ser o Primeiro-Ministro de que Portugal precisa ou se é só mais um que vai deixar má memória.
Se ceder demasiado ao “pragmatismo”, as próximas eleições (e serão muito próximas) darão um resultado muito semelhante às de domingo passado mas com menos votos “à direita”.
Se fôr demasiado inflexível, perderá as próximas eleições.
A chave está (na minha opinião) em o Governo comprometer o PS, obrigando-o a “mostrar o Excel” e não o deixar ficar por “fizemos as contas e os resultados são estes”. Isso exigirá muito mais coerência e determinação e muito melhor comunicação do que tem tido até agora.
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