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Método Galamba

30 Novembro, 2015

Situação inicial

Armando Tosco produz caixinhas. Recebe 600€ de salário mensal líquido que, para simplificar, consideramos ser 60% do custo mensal deste empregado ao seu empregador, o aristocrata Barão Afonso de Sottomayor, que tem a despesa mensal de 1000€ para que Armando Tosco pague o IRS, Segurança Social e seguros variados para o risco de se produzirem caixinhas. Armando trabalha 22 dias por mês, 8 horas por dia, e produz, em média, 5 caixinhas por hora, perfazendo um total mensal de 880 caixinhas.

Do ponto de vista do Barão Afonso de Sottomayor, 880 caixinhas custam 1000€. Desprezando custos de inventário, armazenamento, logística, etc., cada caixinha custa 1,14€ a fazer. As caixinhas são vendidas por 2€ levando a que, grosso modo, uma vez que Barão Afonso de Sottomayor também tem que pagar impostos, amealhe 0,86€ de lucro por caixinha. Supondo que vende todas as caixinhas que Armando Tosco produz, o Barão Afonso de Sottomayor tem um lucro mensal de 756,80€.

Método Galamba

O método Galamba consiste em assegurar que Afonso Tosco recebe mais dinheiro mensalmente produzindo o mesmo número de caixinhas, algo que, magicamente, fará com que Afonso Tosco tenha mais dinheiro para iPads e, portanto, seja mais feliz. O método Galamba diz que deve haver um aumento de 10% no salário líquido de Armando Tosco, que passará a receber 660€ mensais. O Barão Afonso de Sottomayor passa a gastar mensalmente com Afonso Tosco 1100€, o que faz com que as 880 caixinhas mensais custem 1100€, ou, com valor unitário, 1,25€ por caixinha. Como queremos que Afonso Tosco tenha mesmo mais dinheiro para “o consumo” que queremos incentivar, não convém que o Barão Afonso de Sottomayor aumente o preço de venda das caixinhas (se aumentar o preço de venda das caixinhas, não se incentiva o consumo de caixinhas, que custam o mesmo para um trabalhador em percentagem do seu rendimento mensal). Assim, para manter o preço de 2€, o Barão passa a lucrar 0,75€ por caixinha ou, mensalmente, 660€ mensais em vez dos 756,80€. O Barão atingiu a igualdade com Afonso Tosco. Recebem ambos o mesmo porque o aumento salarial de 10% de Afonso Tosco originou uma perda para o Barão Afonso de Sottomayor de 96,8€ mensais, correspondentes a uma quebra de 12,8% do seu rendimento. A produtividade de Afonso Tosco baixou substancialmente, produzindo o mesmo número de caixinhas por um custo mais elevado. Segundo o método Galamba, isto é bom e vão vender-se paletes de caixinhas, apesar do Barão Afonso de Sottomayor já ter enviado o CV para uma fabrica de caixinhas para passar a ser ele próprio um empregado cujo consumo de caixinhas é incentivado pelo método Galamba.

91 comentários leave one →
  1. cdascgil's avatar
    cdascgil permalink
    30 Novembro, 2015 10:16

    Mas o Tim Cook, com o aumento de rendimento provocado pelo aumento da venda de iPads para o Armando Tosco, vai decidir comprar muitas caixinhas o que também vai aumentar o rendimento do Barão Afonso!
    E todos viveram felizes para sempre!!!

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    • Rodolfo's avatar
      Rodolfo permalink
      30 Novembro, 2015 12:16

      Mas para fazer ‘muitas caixinhas’ é preciso ter mais máquinas de fazer caixinhas, sendo portanto necessário que a empresa do Barão tenha capital para o fazer. Se o estado se endividou a pedir ao banco para o Tim Cook e o Armando Tosco poderem comprar mais caixinhas e iPads, depois o banco não tem poupanças para emprestar ao Barão. Ou seja, não há mais máquinas para fazer caixinhas e portanto não há mais caixinhas.

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      • PiErre's avatar
        PiErre permalink
        30 Novembro, 2015 15:31

        Ó Rodolfo, as caixinhas não são feitas à máquina.

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  2. João Lopes's avatar
    João Lopes permalink
    30 Novembro, 2015 10:34

    Como se diz na minha terra, cada tiro cada melro. Este turco nunca desilude com a sua “verdade absoluta”. Ao menos faz rir a malta.

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  3. Sérgio's avatar
    Sérgio permalink
    30 Novembro, 2015 10:36

    E qual o efeito no crescimento económico, de um 1º ministro “contratar” os “préstimos” do Galamba por ajuste direto num valor superior a 34 mil euros?

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  4. Artista Português's avatar
    Artista Português permalink
    30 Novembro, 2015 10:39

    …e para haver mesmo mais produtividade e mais consumo, enfim, a felicidade total, o Galamba proporia ao barão e ao primo Tosco que produzissem antes caixões.

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  5. CsA's avatar
    CsA permalink
    30 Novembro, 2015 10:44

    Uma vez Keynes, para sempre Keynes! Tamanha burrice.

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  6. Sousa Pinto's avatar
    Sousa Pinto permalink
    30 Novembro, 2015 10:53

    Carlos César e António Costa.
    Estes senhores andam a brincar com o esforço dos portugueses.

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  7. Pipo's avatar
    Pipo permalink
    30 Novembro, 2015 11:12

    Alguém devia perguntar ao Galamba então por que motivo não aumentar o salário mínimo para €3000 por mês. O crescimento iria disparar, não?

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  8. Lufra's avatar
    Lufra permalink
    30 Novembro, 2015 11:12

    A Segunda Lei da Economia de Bentley: a única coisa mais perigosa que um economista é um economista amador.

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  9. Ga lambe's avatar
    Ga lambe permalink
    30 Novembro, 2015 11:15

    Se o tosco ganhar mais 10% vai produzir mais 20% pela motivação. A ideia segue o que se pratica em países ricos. Não é tão tola como isso…

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    • vitorcunha's avatar
      30 Novembro, 2015 11:17

      Melhor ganhar mais 1000%, assim produz mais 2000%.

      Pena que essa teoria implica aceitar que o Armando é um valente calão num país com péssima produtividade, que é precisamente o que se quer evitar.

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    • Fernando S's avatar
      Fernando S permalink
      30 Novembro, 2015 12:14

      Nos paises mais ricos produz-se mais não porque os trabalhadores estejam mais “motivados” por salarios mais elevados mas porque a produtividade é maior.
      E é por a produtividade ser maior que os salarios podem ser mais elevados.
      Ou seja, historicamente, nestes paises, o aumento da produtividade precedeu o aumento de rendimentos e não o contrario.
      Portugal precisa de seguir os paises mais ricos criando primeiro condições para que a produtividade aumente.
      O cerne da questão esta no lado da produção, da oferta.
      E não, como pensam os neo-keynesianos, do lado da procura.
      Procurar aumentar a procura com aumentos de rendimentos que não resultam de um efectivo aumento da produção leva a uma transferencia de recursos do investimento para o consumo e, portanto, a uma produção menos importante do que seria se a economia tivesse podido seguir a logica e o bom senso que são intuitivos na generalidade dos agentes economicos : produzir mais para poder distribuir mais.
      Os aumentos artificiais de rendimentos agravam os custos da micro-economia e desequilibram a macro-economia pelo que, mais cedo ou mais tarde, vai ser inevitavel ajustar e, deste modo, reduzir rendimentos numa proporção maior do que os aumentos iniciais (“ceteris paribus”, obviamente).

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  10. LTR's avatar
    LTR permalink
    30 Novembro, 2015 11:20

    “PaF acha q aumento d rendimento é resultado d crescimento; nós achamos que é o oposto: condição necessária para tal ocorrer”

    Este tipo não é formado em economia?!
    Em que “escola” tirou o curso?

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    • Lebowski's avatar
      Lebowski permalink
      30 Novembro, 2015 12:38

      Na Universidade Nova de Economia, o problema deve ter sido na disciplina de Ética…

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    • Ervedalense's avatar
      Ervedalense permalink
      30 Novembro, 2015 14:13

      Se é tão bom a criar riqueza, porque não se torma empresário e provando e comprovando a sua categoria.
      Esse artista, se não fosse a bandeirinha morria de fome.

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  11. André Miguel's avatar
    André Miguel permalink
    30 Novembro, 2015 11:29

    Em pleno sec. XXI, num país desenvolvido, haver gente que acredita que é possível enriquecer sem produzir é algo deveras fascinante. Ou não, bem vistas as coisas gente desse calibre nunca produziu realmente nada, mas o euros aparecem sempre… Esmifrando quem produz, mas isso não interessa para nada. Há algo de patológico, nisto, não há?

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    • Oavlag's avatar
      30 Novembro, 2015 19:26

      Está tudo grosso! o que aconteceu foi que o barão comprou uma máquina de fazer caixinhas que caga caixinhas aos milhares por dia e ao preço de 0,50 €. Como isto aconteceu há cerca de 1 ano, o Barão já comprou um BMW à Sra Merkel e pediu um empréstimo a fundo perdido para fazer nova fábrica. Diz que é para exportar!

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  12. Castrol's avatar
    Castrol permalink
    30 Novembro, 2015 11:32

    Excelente análise! Então se o patrão for o Estado, em que o emprego está assegurado para a vida, independentemente do n.º e qualidade das caixinhas produzidas, todos os Barões de Sottomayor vão querer ser empregados.

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  13. basto_eu's avatar
    basto_eu permalink
    30 Novembro, 2015 12:21

    O Tosco ao ver que conseguiu de graça um aumento que não mereceu e de que não estava à espera, vai exigir mais e mais pelo mesmo preço…
    E se o cartonageiro vai passar a ser o Barão, o que vai acontecer ao Tosco?…

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  14. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Novembro, 2015 12:24

    João Galamba : “PaF acha q aumento d rendimento é resultado d crescimento; nós achamos que é o oposto: condição necessária para tal ocorrer”

    E aumentam-se os rendimentos com o quê ?
    Desviando recursos do investimento ?
    Com endividamento insustentavel (para consumo improdutivo) que vai ser preciso depois pagar com juros elevados ?
    (Aviso : Com a criação de moeda que não representa riqueza real ja não é possivel !… Nem seria desejavel porque os efeitos seriam preversos.)

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  15. Carlos Finório's avatar
    Carlos Finório permalink
    30 Novembro, 2015 12:36

    Este rapaz Galamba está na política só para escoicinhar, não é ?
    Como a História ensina, os regimes também acabam com o descrédito dos seus servidores!

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    • xpt0's avatar
      xpt0 permalink
      30 Novembro, 2015 14:14

      Porque escoceia (só as cavalgaduras o fazem), este rapaz está na política. Acho eu…

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  16. Jorge Gaspar's avatar
    Jorge Gaspar permalink
    30 Novembro, 2015 13:14

    Os liberais/libertários e conservadores que estão certos que o salário minímo provoca desemprego, deveriam, agora que a esquerda está toda no poleiro, defender o seguinte: aumento do salario minímo para um milhão de euros por mês.
    Quem for contra esta medida laboral de apoio aos trabalhadores será obviamente um reaccionário fascista ultra neo liberal, amante da austeridade.

    Neste momento, ser um infantil esquerdista, é muito gratificante.

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  17. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Novembro, 2015 13:20

    O que é espantoso, e preocupante, é que o “método Galamba” já foi aplicado em Portugal, sobretudo a partir do final do século passado, com o aumento custo do trabalho e o sobre-endividamento, e o resultado foi uma quase estagnação da economia durante uma década e, no final, uma grave crise financeira e economica.
    Replicar um modelo que mostrou as suas fragilidades e os seus limites seria sempre um erro.
    Mas faze-lo depois de se ter corrigido e ajustado parcialmente em sentido contrario e quando mesmo assim o pais ainda está em convalescença e a recuperar, é simplesmente sinal de uma grande inconsciencia da parte de quem propoe e de todos aqueles que o aceitam !!
    Quem é que disse que as pessoas aprendem sempre com as experiencias passadas, más e boas ?!…

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    • António Costa é o Salvador's avatar
      António Costa é o Salvador permalink
      30 Novembro, 2015 14:23

      Imaginem se o SM estivesse indexado à inflação

      Inflação SM (em linha com a inflação)
      2000 318,2 2,9%
      2001 334,2 4,4% 327,43
      2002 348,0 3,6% 341,83
      2003 356,6 3,2% 354,14
      2004 365,6 2,4% 365,48
      2005 374,7 2,3% 374,24
      2006 385,9 3,1% 382,85
      2007 403,0 2,5% 394,72
      2008 426,0 2,6% 404,58
      2009 450,0 -0,8% 415,11
      2010 475,0 1,4% 411,78
      2011 485,0 3,7% 417,55
      2012 485,0 2,8% 443
      2013 485,0 0,3% 445,12
      2014 485,0 -0,3% 446,64
      2015 505,0 445,12

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      • António Costa é o Salvador's avatar
        António Costa é o Salvador permalink
        30 Novembro, 2015 14:30

        Por muito que seja duro dizer, o salário mínimo hoje em Portugal está 60€ acima do que se tivesse sido indexado à Inflação

        2000
        2001 327,43
        2002 341,83
        2003 354,14
        2004 365,48
        2005 374,24
        2006 382,85
        2007 394,72
        2008 404,58
        2009 415,11
        2010 411,78
        2011 417,55
        2012 443
        2013 445,12
        2014 446,64
        2015 445,12

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      • anti-comuna's avatar
        anti-comuna permalink
        30 Novembro, 2015 14:58

        Estimado ACS, isso prova que é possível aumentar a competitividade e com um aumento do salário minimo. 😉

        E também prova que pertencer ao Euro beneficia as populações com mais baixos rendimentos, em especial os fixos. 🙂

        Aumentos dos salários minimos não são preocupantes. São-no apenas quando crescem muito acima da produtividade. Se crescerem acima da produtividade mas não exageradamente, ganhamos todos.

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      • António Costa é o Salvador's avatar
        António Costa é o Salvador permalink
        30 Novembro, 2015 15:21

        Eu não sou completamente contra a existência do Salário Mínimo, apenas acho que o mesmo deve estar indexado à inflação é à produtividade. Se tal for feito, deixa de estar dependente do estado de humor e populismo da classe política.

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      • anti-comuna's avatar
        anti-comuna permalink
        30 Novembro, 2015 15:37

        “Eu não sou completamente contra a existência do Salário Mínimo, apenas acho que o mesmo deve estar indexado à inflação é à produtividade.”

        Preferivelmente deveria estar sempre associado à produtividade.

        Infelizmenete surgiu uma teoria que ligava os aumentos dos salários minimos a aumentos de desemprego, quando os números mostram o contrário, no caso americano. Foi quando deixaram de indexar os aumentos dos salários minimos aos aumentos da produtividade que o desemprego esteve mais presente.

        Esta imagem é um horror e um crime contra a sociedade toda:

        O resultado? Um endividamento colectivo maior para manter o estilo de vida que deixou de ser sustentado pelo aumento dos rendimentos.

        É verdade que a inflação caiu mas não por causa da interrupção dos aumentos dos salários ao nível do crescimento da actividade. Na verdade, a procura agregada continou a subir mas à custa de um elevado endividamento.

        O resultado? Economias a sofrer problemas estruturais de com a procura agregada, devido a múltiplos factores, mas dois assassinos: estagnação do nível e brutal aumento do endividamento colectivo.

        É preciso é desligarmo-nos do pensamento mágico e ideológico. 😉

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  18. JP Ribeiro's avatar
    JP Ribeiro permalink
    30 Novembro, 2015 14:01

    Isto lembra, com saudade, os escritos do jcd.

    Se o Galamba valesse mais do que um caracol teria ido para Ministro da Economia. Assim resta-lhe fazer de palhaço para manter o(a)s esganiçado(a)s assanhado(a)s, e ir inventando temas fracturantes que entretenham a malta dos jornais.

    Mas não haja duvidas que propor salario minimo de 600 euros é um insulto aos trabalhadores. Vindo PS então é um escândalao. No mínimo dos mínimos 2.000 euros para começar a conversar, e apenas com a obrigatoriedade de se inscreverem previamente no partido. Com esta simples medida podiam até, quem sabe, um dia ganhar as eleições.

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  19. anti-comuna's avatar
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    30 Novembro, 2015 14:42

    Um país de ilusionistas e vigaristas no governo:

    “Magical thinking is the attribution of causal relationships between actions and events which seemingly cannot be justified by reason and observation. In religion, folk religion, and superstitious beliefs, the correlation posited is often between religious ritual, prayer, sacrifice, or the observance of a taboo, and an expected benefit or recompense.”

    in http://tinyurl.com/mwrrekw

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  20. Sousa Pinto's avatar
    Sousa Pinto permalink
    30 Novembro, 2015 14:51

    O Galamba tem um ar agitado e usa brinco. Os olhos têm um brilho estranho.
    O homem não anda a automedicar-se?

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    • António Costa é o Salvador's avatar
      António Costa é o Salvador permalink
      30 Novembro, 2015 15:19

      Ele auto medica-se, daquela mediação que entre pelas fossas nasais.

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    • Luis's avatar
      Luis permalink
      30 Novembro, 2015 15:24

      As velhinhas da minha terra e as mulheres da minha casa dizem isto.

      Galamba: bonita figura mas cara de gaseado, não deve bater bem da cabeça.

      Costa: sorriso enrilhado de velhaco, é falso e tem duas caras.

      A voz do povo costuma ser certeira.

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    • Tiro ao Alvo's avatar
      Tiro ao Alvo permalink
      30 Novembro, 2015 19:53

      Já ando a dizer isso há muito. Para mim o Galamba é meio maluco e a família deve sofrer com isso. A malta do PS que eu conheço também não o têm em boa conta; os maiores do PS é que parece que não, servindo-se dele como um elemento de tropa de choque.

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  21. Luis's avatar
    Luis permalink
    30 Novembro, 2015 15:18

    O problema dos salários é um problema de produtividade e organização da economia portuguesa. É um problema que demorará décadas a resolver e cuja resolução depende não da vontade política mas da participação de todos. Aumentar os salários vai criar outros problemas que acabarão por impedir no futuro o crescimento da economia e consequentemente novos aumentos salariais. Para compreender este tema não bastam modelos numéricos ou teorias. É fundamental conhecer a realidade e contactar com a mesma. É isso que falta aos Galambas da vida, que ainda por cima estão imersos nas suas crendices ideológicas de cariz esquerdista, desconectadas da realidade.

    Vejamos um exemplo prático.

    1) O senhor João tem uma padaria no Alentejo e emprega 10 padeiros. Cada padeiro custa ao patrão 800 a 1000 euros, pois além do salário o patrão paga a Seg. Social, seguros, Medicina no Trabalho. O senhor João vende cada pão a 1 euros mas para ter lucros mais satisfatórios que lhe permitissem comprar um novo forno que custa 40 mil euros e novas máquinas deveria aumentar o preço para 1, 20 euros. Contudo, na região, existem inúmeras pequenas padarias familiares. Nessas padarias não se pagam salários pois trabalha toda a família. Estão isoladas em aldeias e a ASAE não põe lá os pés. Vendem ao domicílio e conseguem portanto fugir aos impostos. O senhor João, que vende para supermercados e restaurantes, não tem hipótese de fuga. As pequenas padarias familiares vendem cada pão a 0,70 cêntimos e o senhor João não pode baixar o preço pois não conseguiria pagar salários e impostos, e ainda ter algum lucro.

    Portanto este é um problema de organização do país e da sua economia. Sobredimensionamento de alguns sectores como restauração, cafés, panificação, comércio. Excesso de pequenos empresários, muitos praticando métodos de concorrência deslear e com elevados níveis de endividamento. Por que tal sucede? Falta de instrução financeira dos envolvidos, acima de tudo, mas não só. Que sucederia se não houvesse sobredimensionamento nestes sectores? Os salários poderiam certamente subir pois as empresas mais saudáveis teriam mais lucros quando desaparecessem as empresas doentes. Contudo há dificuldades de cariz cultural. Há o culto do coitadinho, da vítima. Acabar com os pequenos inviáveis? Isso significaria favorecer os malvados dos ricos fássistas.

    Uma das causas históricas para a pobreza galega que está bem estudada é a pequena propriedade. Portugal tem problema idêntico em inúmeras regiões do país. Eis outro problema estrutural que dificulta a implementação de projectos viáveis e modernos de agricultura e silvicultura a nível local.

    A excessiva regulamentação e carga fiscal sobre as empresas maiores desincentiva o seu crescimento, Por isso muitas empresas não crescem e não exportam, permanecem pequenas. Outra causa para os baixos salários.

    Muitas empresas familiares estão bloqueadas por causa das heranças indivisas. A Justiça portuguesa nestes casos pode ser lenta e as leis são por vezes excessivamente complexas.

    Portanto o problema do salários baixos tem múltiplas causas cuja resolução implica reformas em múltiplas frentes e uma discussão pública desapaixonada e racional sem as palas ideológicas que enfermaram o espaço mediático português.

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    • anti-comuna's avatar
      anti-comuna permalink
      30 Novembro, 2015 15:41

      Cuidado ao criticar o pensamento mágico alheio e cair no mesmo erro. Por exemplo, dizer-se que existem pequenos empresários a mais e associando-os à evasão fiscal, quando Portugal começa hoje a ser dos países europeus onde menos evasão fiscal existe.

      Cuidado com os pensamentos mágicos.

      Vc. descreve alguns problemas mas não caia no mesmo erro dos Galambas.

      Outra coisa. Pode-se aumentar a produtivvidade com um maior aumento de custos, não é verdade?

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  22. Luis's avatar
    Luis permalink
    30 Novembro, 2015 15:28

    O salário mínimo na Europa de Leste é geralmente inferior a 400 euros. Ora muitos destes países têm um PIB já idêntico ao nosso, e não têm os nossos problemas de endividamento. Então o foco da discussão deveria ser outro. O nível de vida em Portugal é demasiado caro para a economia que temos. Porquê? Falta concorrência em alguns sectores. E os preços de alguns bens e serviços estão excessivamente altos. Quais? Habitação, electricidade, energia e telecomunicações. Para além disso, o esforço fiscal é excessivamente alto. E há despesas que poderiam ser eliminadas rapidamente das contas das famílias, da taxa audiovisual aos livros escolares. Este deveria ser sim o cerne da discussão, A troika referiu várias vezes estes problemas.

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    • António Costa é o Salvador's avatar
      António Costa é o Salvador permalink
      30 Novembro, 2015 15:34

      Nem mais. Os juros baixos proporcionados pelo euro, foram utilizados na inflação de certos sectores ligados ao consumo invés de serem utilizados em investimento e modernização do tecido produtivo.

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    • anti-comuna's avatar
      anti-comuna permalink
      30 Novembro, 2015 15:42

      “O salário mínimo na Europa de Leste é geralmente inferior a 400 euros. Ora muitos destes países têm um PIB já idêntico ao nosso, e não têm os nossos problemas de endividamento. ”

      A República Checa é dos países onde as familias mais estão endividadas. Nem tudo o que parece é.

      A produtividade não se aumenta apenas focando nos custos.

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  23. procópio's avatar
    procópio permalink
    30 Novembro, 2015 15:30

    Andará a auto medicar-se, só de viver entre os ratos já recebe a sua dose.
    Nada obsta que venha mais dia menos dia a receber o prémio Nobel da economia.
    Vocês têm é muita inveja, tipos como o galamba não se encontram em qualquer lixeira.
    Por agora siga-se o ilusionista.
    Calma, calma, muita calma, ele glosa a estabilidade, o marcelo fala em estabilidade, o marques quer estabilidade, o sampaio deseja estabilidade, a belém aposta na estabilidade.
    É altura, assim como não quer a coisa, de tirar as poupanças do banco, que por acaso até nem dá juros. Preparados para o que der e vier.

    Para já os bilderberguers estão contentes.
    Até os bancos ajudam.
    http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/editorial/andre_verissimo.html

    Os mais espertos, os amigos dos amigos, os amigos dos primos e até das primas dos amigos, os cunhados das ex e as mãezinhas dos amigos, sempre prezaram a amizade.
    Para eles está sempre tudo bem.
    A amizade é um sentimento de “esquerda” que não está ao alcance de qualquer um.
    Há amizades prolongadas que vão da carteira suiça até ao fundo das calças.
    Vocês que são de “direita” não apreciam certas práticas, tanto pior, lembrem-se dos isis, ou conversão ou…

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  24. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Novembro, 2015 15:41

    Caro anti-comuna,

    “Aumentos dos salários minimos não são preocupantes. São-no apenas quando crescem muito acima da produtividade. Se crescerem acima da produtividade mas não exageradamente, ganhamos todos.”

    Eu não estaria em desacordo com esta perspectiva se o nosso pais fosse mais desenvolvido e tivesse uma economia ainda mais ajustada do que agora.
    Neste caso, os ganhos de produtividade poderiam (fazendo “ceteris paribus” de outros aspectos) ser distribuidos pelos diferentes factores e o trabalho poderia até ser proporcionalmente mais beneficiado do que outros.
    Mas a verdade é que, apesar do que foi conseguido nestes ultimos anos, o pais ainda tem muitos desequilibrios : um Estado pesado e sobre endividado, empresas endividadas, descapitalizadas e com fraco investimento, familias com forte propensão para o consumo de bens importados, etc, etc.
    Não nos esqueçamos também que o salario minimo, para além do impacto directo que tem, acaba ainda por influenciar outros rendimentos e preços.
    No contexto actual, e enquanto não tivermos melhorias mais significativas na produtividade global (e na competitividade, que não depende apenas da produtividade), quanto menos se aumentar o salario minimo melhor é.
    Obviamente que nada disto impede que as empresas que estejam em condições para o fazer paguem os seus trabalhadores acima do salario minimo legal.
    Mas nada que seja imposto pelo Estado ou sequer pela “concertação social”.

    (Peço desculpa por responder aqui e fora do sitio mas não gosto do sistema actual)

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    • anti-comuna's avatar
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      30 Novembro, 2015 15:48

      “(Peço desculpa por responder aqui e fora do sitio mas não gosto do sistema actual)”

      Eu também não gosto, mas é o que temos. 😉

      “Neste caso, os ganhos de produtividade poderiam (fazendo “ceteris paribus” de outros aspectos) ser distribuidos pelos diferentes factores e o trabalho poderia até ser proporcionalmente mais beneficiado do que outros.”

      Isto num país com uma das maiores desigualdades da Europa? 😉

      O principal erro tem sido sempre este: proteger actividades rentistas e ligadas ao Estado e consumo a ele associado. Esta é a grande pecha Portuguesa. É confundir investimento rentista com o dito “produtivo”. Que as nossas ditas inteligências confundem.

      Salvo erro, o Avelino de Jesus chama à atenção para uma crónica deficiência Portugal: o baixo stock de capital investido. (E mesmo ele não o segregando, percebe-se que grande parte dele está em imobiliário. E não devia ter sido assim.)

      Nós precisamos de “um choque de mercado”, que o Passos Coelho fez em grande parte. E precisamos de endeusar o investimento e os… Investidores. Coisa que não se faz. Pelo contrário, com este novo governo, menos investimento.

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  25. Luis's avatar
    Luis permalink
    30 Novembro, 2015 15:50

    Estando nós dentro da moeda única ao aumentarmos o salário mínimo, ao repormos vencimentos da FP e pensões estaremos apenas a estimular as importações. Este não é seguramente o caminho. Não podemos estar no euro e ao mesmo tempo viver assim. Portanto como tudo se ajusta, no longo prazo acabaremos por sair do euro ou ter mais austeridade. A terceira via implica ficar no euro com múltiplas reformas em inúmeras frentes, da Justiça à Saúde, da Administração Central e Local à SS. Como muitas destas reformas estariam bloqueadas pela Constituição ou por interesses corporativos poderosos, sobram as outras alternativas. Vamos sair do euro em breve ou teremos novo plano de austeridade com cortes cegos e aumentos de impostos.

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  26. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Novembro, 2015 15:53

    Atenção, aumento de produtividade e redução do custo laboral não são exactamente a mesma coisa e podem até divergir.
    Durante estes anos de ajustamento a produtividade não melhorou muito. O que se verificou foi sobretudo uma diminuição do custo médio do trabalho (que por sua vez não depende apenas dos salarios ; pode, nomeadamente, também resultar de uma afectação de recursos humanos mais eficiente ao nivel das empresas).

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    • anti-comuna's avatar
      anti-comuna permalink
      30 Novembro, 2015 16:09

      “Atenção, aumento de produtividade e redução do custo laboral não são exactamente a mesma coisa e podem até divergir.”

      Claro. Mas eu só vejo malucos a escrever, em Portugal, que os aumentos dos salários minimos são preocupantes e até contraproducentes em relação ao desemprego, sem sequer focarem a questão da produtividade.

      Aliás, a HBR escreve isto recentemente:

      “Take for example the airline industry. Players share the same terminals and use the same planes, but customer satisfaction differs widely across carriers. When we measured the total motivation of employees of four major airlines, and compared their cultures with an outcome like customer satisfaction (as measured by the ACSI / University of Michigan), we saw that an organization’s culture (as measured by ToMo) tightly predicted customer satisfaction.

      https://hbr.org/resources/images/article_assets/2015/11/W151106_MCGREGOR_HIGHERCUSTOMER-700×1061.png

      in http://tinyurl.com/o9wvlvh

      E ainda:

      “And the impact isn’t limited to customer satisfaction. In one hedge fund, the highest performing portfolio managers had higher total motivation. And in one retail organization we worked with, we found that the difference between a low-ToMo and high-ToMo sales associate was 30% in revenues.”

      Este artigo foca-se na cultura empresarial para explicar diferenças entre a produtividade em sectores relativamente homogéneas. E em Portugal?

      Vejamos as coisas desta maneira. Quantas vezes não nos deslocamos a um front office e somos atendidos por mal encarados, mal educados, arrogantes, etc.? E mais preocupados em mostrar o interesse da empresa que nos nossos próprios interesses? Mais preocupados em imporem as “regras das empresas” do que em servir os nossos interesses como clientes?

      Porque tal acontece? A cultura empresaria e social do país, além da própria cultura política, influenciam esta forma de sermos atendidos. O resultado? Menores produtividades.

      E quando uma elite empresarial pensa que se podem e devem focar apenas nos cortes dos custos (e os mais fáceis costumam ser os salariais, o que é paradoxal com a rigidez das leis laborais Portuguesas) para aumentar a competitividade, logo à cabeça a massa salarial…

      E basta ver o debate corriqueiro sobre os aumentos salariais. Uma espécie de luta de classes que só destroi ainda mais as já más culturas empresariais, que podem explicar grande parte da diferença de produtividades (e rentabilidades) entre empresas de sectores economicos relativamente homogeneos.

      Penso que vale a pena ler o artigo que eu linko em cima. E meditar na coisa.

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  27. Luis's avatar
    Luis permalink
    30 Novembro, 2015 16:01

    Disseram- me uns socialistas que não temos nada que temer pois dentro do euro nenhum país irá falir e nunca ninguém será expulso. Portanto mesmo que a dívida aumente para valores insustentáveis o BCE, os alemães e os franceses resolverão o problema como resolveram aos gregos. Como tenho boas fontes sei que esta ideia circula dentro do PS embora não caia na comunicação social sob a forma de notícia ou artigos de opinião. Mas será mesmo assim?

    Não é. Vejamos as implicações de constantes «perdões» aos gregos e aos portugueses.

    1) No auge da crise grega o «não» à UE esteve em máximos históricos no Reino Unido. Uma nova crise na zona euro gerada pela irresponsabilidade grega ou portuguesa será aproveitada pelos populistas do UKIP e pelos eurocépticos dos Partido Conservador. Uma vez que a opinião pública sobre a UE anda volúvel no Reino Unido, poderia ocorrer um fortalecimento da campanha favorável à saída, coisa que não interessa na realidade nem aos Conservadores mais centristas, nem ao Labour, nem à City, nem a Bruxelas.

    2) A Finlândia anda em crise económica contudo tem mantido a sua dívida pública controlada e já admite que tem uma ou duas décadas perdidas. Tem aplicado voluntariamente medidas de austeridade e de liberalização do mercado. Novos apoios ao Sul fortalecerão a Direita populista finlandesa.

    3) Os eleitores da Europa de Leste perguntar-se-ão por que motivo têm pensões e salários mais baixos e menos regalias sociais que os gregos e os portugueses. Mas o PIB não é muito diferente, vivem com mais frugalidade, não têm nada de sustentar os vícios e a má vida dos outros. Será este o argumento da Direita populista que como se sabe está fortíssima na Polónia ou na Hungria e a crescer em todo o Leste.

    4) As elites alemãs andam com a paciência esgotada com os gregos, e mais depressa ainda se fartarão dos portugueses. A Grécia não saiu do euro por burrice da Merkel e por insistência do Hollande. Mas a Grécia tem uma importância geoestratégica que Portugal não tem. Não lidarão connosco como lidaram com os gregos.

    Portanto brincar com o fogo será meio caminho andado para termos uma Albânia encrava no extremo ocidental da Europa.

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    • vitorcunha's avatar
      30 Novembro, 2015 16:14

      Para os socialistas é um imperativo moral sacar euros ao BCE uma vez que acreditam que o euro é uma ferramenta para a igualdade através da “solidariedade europeia”. Isto significa efectivamente que Alemanha e todos os outros têm que empobrecer através de transferências que igualem os rendimentos em todos os países. Sabem que é uma cena irrealista e irresponsável mas, enquanto a UE permitir comportamentos desviantes, podem salvar-se do crime atribuindo culpas à política dos outros.

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        30 Novembro, 2015 16:44

        Concordo com a aproximação feita pelo Vitor.
        A questão é a de saber quais são os mecanismos que permitem essas transferencias e quais poderão ou não vir a ser utilizados.
        Os fundos estruturais, certamente, mas perderam peso e tenderão a perder ainda mais.
        Os perdões de divida são cada vez menos provaveis (até por algumas das razões que o Luis refere num comentario em cima).
        Através do BCE é ainda uma mera hipotese mas nada permite nesta altura dizer o que vai acontecer. Repar-se que o BCE não se tem mostrado disponivel (esta impedido estatutariamente) para perdoar divida publica. Digamos que o BCE tem aguentado as taxas de juro baixas. Mas um dia, para equilbrar o seu Balanço e não deixar a inflacção disparar, vai ter de começar a vender activos (divida publica). E as taxas de juro de algumas dividas soberanas vão voltar a subir se os respectivos paises não tiverem entretanto posto a casa em ordem.

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      • anti-comuna's avatar
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        30 Novembro, 2015 16:56

        “Mas um dia, para equilbrar o seu Balanço e não deixar a inflacção disparar, vai ter de começar a vender activos (divida publica). E as taxas de juro de algumas dividas soberanas vão voltar a subir se os respectivos paises não tiverem entretanto posto a casa em ordem.”

        Pois eu acho que não. 😉

        Mas ninguém sabe com razoabilidade, não é?

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        30 Novembro, 2015 16:46

        Vitor, é impressão minha ou os comentarios aos comentarios saem cronologicamente invertidos ?!… (isto é também um teste … 🙂 )

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        30 Novembro, 2015 16:47

        Bom, pelo menos este saiu no sitio certo … 😦

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  28. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Novembro, 2015 16:09

    anti-comuna,
    Pela sua resposta anterior fiquei com a impressão de que ou eu não percebi o que o anti-comuna disse ou o anti-comuna não percebeu o que eu disse … 🙂
    Eu até admito que em principio os ganhos de produtividade até possam ser repartidos dando mais ao trabalho do que ao capital e a outros factores empresariais (releia a citação que fez do meu comentario !… 😉 ).
    Portanto, contribuindo para alguma diminuição da desigualdade (muito embora eu considere que as principais causas da desigualdade não se relacionam com a oposição trabalho/capital nem considere que a desigualdade de rendimentos seja um mal em si).
    O que digo é que, na situação em que o pais se encontra, a prioridade deve ser dada não ao aumento imediato dos rendimentos do trabalho mas antes à recomposição das condições de investimento e competitividade das empresas.
    Portanto, concordo com o anti-comuna (e com o Avelino de Jesus, cujas posições conheço bem e com quem estou de um modo geral até muito de acordo) quando diz que a é importante que as politicas favoreçam o aumento do stock de capital investido pelas empresas.

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    • Luis's avatar
      Luis permalink
      30 Novembro, 2015 16:14

      Exacto.

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    • anti-comuna's avatar
      anti-comuna permalink
      30 Novembro, 2015 16:16

      “O que digo é que, na situação em que o pais se encontra, a prioridade deve ser dada não ao aumento imediato dos rendimentos do trabalho mas antes à recomposição das condições de investimento e competitividade das empresas.”

      Ah! No curto prazo. Ok. 😉

      Mas eu acho que há factores mais importantes que explicam esta descapitalização empresarial. O maior deles todos? A falta de um mercado aberto, livre e com poucas barreiras à entrada (e saída, naturalmente). Ou seja, quando a competição é desvirtuada e os próprios incentivos são maus…

      Veja isto desta forma de ver a coisa. A banca Portuguesa. Durante anos andaram convencidos que despedindo os velhotes e metendo juventude com mais estudos, resolviam problemas de produtvidade e rentabilidade. Durante anos viveram na ilusão que encostando-se aos sectores protegidos da concorrência, tinham as margens garantidas. O tempo veio mostrar que se engaram redondamente. Os novos trabalhadores, cheios de cursos, não tinham aquilo que os mais velhos tinham: saberem relacionar-se com os clientes. Em especial os mais rentáveis.

      E como hoje está a banca Portuguesa? Cheia de caga-livros mas verdadeiros cepos a lidarem com os clientes. Depois queixam-se do país. lol

      Ou, caro Fernando, se formos ainda mais radicais a ver as coisas desta forma: de que vale apostar no capital humano se uma cunha de um político vale muito mais em termos financeiros? 😉

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  29. Luis's avatar
    Luis permalink
    30 Novembro, 2015 16:17

    O PCP e o BE estão-se nas tintas para tudo e todos.

    A dívida não é para pagar.

    Se sairmos do euro e da UE com o calote dado não vem mal ao mundo.

    O caminho é o paraíso comunista com um mercado interno fechado ao comércio global e corporações protegidas da concorrência interna e externa e reguladas pelo Estado.

    Dentro do PS muitos têm esta visão e andam paulatinamente a sair do armário.

    É isto que os portugueses querem? Esta discussão está a ser feita? Não está e a culpa é da maior parte do nosso jornalismo com uma RTP e um Balsemão a cabeça. Protegem há décadas o comunismo e não faltam porreiraços com um Ricardo Araújo Pereira para mostrar às massas que ser comunista é fixe.

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  30. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    30 Novembro, 2015 16:54

    Já agora, dou outro dado interessante, sobre a cultura empresarial que ainda vigora em Portugal.

    Recentemente estive interessado em adquirir uns equipamentos, para um dado sector industrial. Sabendo que Portugal lidera em alguns aspectos tecnológicos destes equipamentos e com uma relação produtividade/custo interessantes, priviligiei nos contactos iniciais, alguns fabricantes Portugueses.

    A amostra foi cerca de 12 inquirições iniciais, distribuidas por cerca de 40% de empresas Portuguesas, as restantes internacionais, excluindo asiáticas. Priviligiei a logistica (fabricantes europeus), a distancial cultural (inclui uma fabricante brasileira) e, naturalmente, a minha nacionalidade.

    Das 5 empresas contactas Portugueses, só uma respondeu em tempo útil à abordagem inicial. lol

    O que isso me ensinou? Que nas empresas Portuguesas desprezam os primeiros responsáveis pelas vendas e, consequentes, produtividades. 😉

    O que isso me revelou também? Não basta priviviligiar os caga-livros (que são necesários, sem dúvidas nenhumas) mas é preciso apoiar e motivar quem recebe um contacto inicial de um potencial cliente. (E notem que os equipamentos em questão envolviam significativas quantinas monetárias.)

    Portanto, quando se fala de produtividade, salários, cortes de custos, etc., convém pensar em que não se aumenta a produtividade focando-se apenas nos custos.

    O que me intrigou ainda mais foi que, uma empresa Portuguesa só me contactou passados uns meses largos (de memória, salvo erro, oito meses), após o meu primeiro contato. E várias vezes, quando já tinham perdido qualquer hipótese de fazerem negócio comigo. O que mostra o que muit há que mudar nas empresas Portuguesas, e pouco têm a ver com políticas macroeconómicas. Pelo menos, no imediato.

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    • Fernando S's avatar
      Fernando S permalink
      30 Novembro, 2015 17:14

      anti-comuna : “Portanto, quando se fala de produtividade, salários, cortes de custos, etc., convém pensar em que não se aumenta a produtividade focando-se apenas nos custos.”

      Bom, uma das razões para o nosso pais precisar ainda de se preocupar com os custos do trabalho, onde se incluem os salarios, é precisamente por a produtividade não aumentar por si o suficiente.
      Como a produtividade é ainda baixa e aumenta muito lentamente as empresas, para serem competitivas, não aguentam salarios mais elevados.
      Mas é o que temos e não serve de nada, antes pelo contrario, por a carroça à frente dos bois !…

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    • Manuel's avatar
      Manuel permalink
      30 Novembro, 2015 17:34

      O problema de alguns dos nossos empresários vem do século XVIII. Mesmo na década de 60 e 70, do século XX, dos crescimentos à volta de 10%, o grande impulsionador da industrialização do país nos anos de 1958 a 1962, Ferreira Dias, lamentava a qualidade dos nossos empresários e foi com a adesão à EFTA e muito capital estrangeiro que demos o grande salto. Temos de ir novamente por aí e também com investimento público. No meu entender: ferrovia e portos, particularmente o porto de Sines devia ser aumentado para super-contentores e funcionar com porto de transbordo para toda a Europa e competir com o Espanhol de Algeciras. Na ferrovia deve dar-se prioridade ás mercadorias e no sentido de Espanha e com ligação à Europa.

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    • André Miguel's avatar
      André Miguel permalink
      30 Novembro, 2015 17:56

      Anti,
      Infelizmente é a pura realidade. A malta ainda pensa que é o patrão que paga o salário e não o cliente.
      Eu ando pelo estrangeiro há quase uma década, ligado ao comércio internacional, e é uma perda de tempo enviar um mail a uma empresa em Portugal a solicitar uma reunião comercial. É lamentável. Ninguém responde! E marcar uma reunião em Portugal? A resistência começa logo na recepção, porque o sr. Doutor não está ou o sr. Eng. está reunido, etc e tal… Portugal business friendly?! Não me lixem! O business friendly não está na facilidade de criar uma empresa ou em exportar, mas sim em fechar negócios! E isso em Portugal, pelo vistos, só é fácil com políticos…

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      • anti-comuna's avatar
        anti-comuna permalink
        30 Novembro, 2015 18:37

        “E marcar uma reunião em Portugal? A resistência começa logo na recepção, porque o sr. Doutor não está ou o sr. Eng. está reunido, etc e tal…”

        Está a ver, como há problemas culturais para resolver? 😉

        Isto terá que ir a martelo. Ou à força. heheheheheh

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  31. Manuel's avatar
    Manuel permalink
    30 Novembro, 2015 16:54

    Excelentes comentários. Deviam ser discussões deste teor que os partidos PSD e PP deviam estar a conduzir internamente para se afirmarem como alternativas ao governo do Costa. Deixem lá o brinco na orelha e o que o sr fuma e vamos combatê-los no campo das ideias. Parabéns aos comentadores. Será que os partidos(PSD e PP) têm massa crítica para elaborarem planos credíveis para uma boa governação? Pois….

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    • Luis's avatar
      Luis permalink
      30 Novembro, 2015 17:09

      Os que foram para lá com boas ideias, o Álvaro e o Gaspar, foram corridos ao fim de dois anos.

      O Adolfo Mesquita Nunes também as tem e é bem odiado no espaço mediático tuguinha.

      Como bem me disse um conhecido professor universitário, em Portugal os maus abafam totalmente os bons.

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      • Manuel's avatar
        Manuel permalink
        30 Novembro, 2015 17:13

        São sempre uma reserva para uma governação de emergência que estará ao virar da esquina, mas não vamos lá com” reformas do estado” como a do sr Portas.

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      • Manuel's avatar
        Manuel permalink
        30 Novembro, 2015 17:19

        Relativamente ao Adolfo Mesquita Nunes, não sei se foi consequência da sua governação, mas o sector do turismo conhece um vigor que faz lembrar a década de 70 dos crescimentos a 10%. Penso que também estará ligado com a guerra em todo o norte de Àfrica.

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      • Luis's avatar
        Luis permalink
        30 Novembro, 2015 17:23

        Houve alterações na estratégia de marketing que funcionaram. Houve mérito do Adolfo.

        Contudo é odiado porque mexeu com interesses corporativos. Os hotéis queriam uma regulamentação que matasse a concorrência dos alojamentos locais, dos «hostels» e das casas arrendadas no Verão, e não tiveram a vontade feita.

        Os casinos e a Santa Casa não queria o fim dos monopólios no jogo e nas apostas desportivas.

        Os taxistas não querem concorrência da UBER e dos tuk tuk.

        A campanha mediática contra o Adolfo Mesquita Nunes é feita na sombra por interesses corporativos que queriam proteccionismo.

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      • Luis's avatar
        Luis permalink
        30 Novembro, 2015 17:19

        O sr. Portas deu um golpe palaciano em parte para meter o amigo de infância a Ministro. Pires de Lima prometia um Ministério assim e assado mas a montanha do Dr. Lima pariu um rato. Ainda assim, o Dr. Lima vai deixar saudades face ao descalabro xuxa que se avizinha.

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      • Manuel's avatar
        Manuel permalink
        30 Novembro, 2015 17:38

        Totalmente de acordo e estou a sentir pessoalmente os efeitos dos “Hostels” em Lisboa. É qualquer coisa de impressionante, segundo li no Expresso, somos o 11º país do mundo em alojamentos desse género.

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  32. Luis's avatar
    Luis permalink
    30 Novembro, 2015 17:07

    Caro anti-comuna, deixo outro exemplo.

    Recentemente quis comprar flor de sal do sr. Simeão. Um das melhores do mundo. Escrevi no Google a palavra chave e entrei no site pensando que havia uma loja online onde pagávamos com Paypal ou com o cartão de crédito. Nada disso. Primeiro, o vendedor tem de ser contactado por e-mail. Só envia depois do pagamento, o que faz sentido. Mas aí é que a porca torce o rabo. Acabei por pedir a um conhecido da zona para ir ao escritório fazer o pagamento. Depois disso o envio foi rápido. Tenho tentado comprar outros produtos portugueses sem sucesso. E fica esta conclusão: inúmeras empresas portuguesas não se adaptaram ao comércio online e não estão preparadas para esta realidade. Por que motivo não têm boas lojas online com pagamento por cartão de crédito ou por carteira electrónica? Custa assim tanto?

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    • anti-comuna's avatar
      anti-comuna permalink
      30 Novembro, 2015 18:40

      “E fica esta conclusão: inúmeras empresas portuguesas não se adaptaram ao comércio online e não estão preparadas para esta realidade. Por que motivo não têm boas lojas online com pagamento por cartão de crédito ou por carteira electrónica? Custa assim tanto?”

      Precisam de fechar. Quando houver uma cultura em que se deixam as empresas falir, sem andar o estado com protecções…

      Mas nos últimos anos já fecharam bastantes empresas mas ainda sobrevivem muitas que ainda estão naquela que é preciso um doutoramento em felicidade para se aceder a determinadas posições. Leia-se, o filho do patrão ou um dos seus amigos. 😉

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  33. Riccardi's avatar
    Riccardi permalink
    30 Novembro, 2015 17:20

    Portanto, oh Vítor, o argumento é que um aumento salarial ao Tosco diminui os lucros ao Barão.
    .
    Não há, pois, qualquer hipótese do Tosco sonhar com um aumento de salário. Cada aumento é uma diminuição de lucros. Seja qual for a produtividade e os salários praticados na concorrência, um aumento num lado, diminui noutro.
    .
    Os salários só têm relevância em termos relativos com o exterior e com a concorrência.
    .
    Contratar Toscos já formadinhos e subtrai-los ao Barao por meia dúzia de tostoes é o melhor dos mundos. Os gringos e os alemães apostam nisso há muiiito tempo.
    .
    A nível macro, a coisa não é tão simples assim. Se os Toscos estiverem endividados não sei se é boa prática económica reduzir-lhes rendimento de supetao. Pode ser útil ao Barão no curto prazo, mas aposto que os credores dos toscos não acham o mesmo.
    .
    A julgar pelos níveis de incumprimento à banca, que bate recordes sucessivos, retirar rendimento aos toscos provocou um buraco de 15% nos respectivos balancos. Ou um acréscimo de 12% para ser mais preciso.
    .
    E depois, bem, e depois é preciso perceber o que é que o barão faz com os lucros. Se for para torra-los num jaguar então seria melhor que os toscos pudessem ter rendimento para pagar um fiat.
    .
    A menos que o Barao seja motivado a investir os lucros.
    Rb

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    • Luis's avatar
      Luis permalink
      30 Novembro, 2015 17:24

      Agora compreendo por que motivo a Zazie não o suporta.

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    • vitorcunha's avatar
      30 Novembro, 2015 17:36

      A minha proposta perante esta metodologia é que os aumentos salariais sejam financiados por diminuição salarial dos funcionários públicos. Nada devem temer, porém: após um mês de sacrifício toda a gente poderá ser aumentada outra vez, graças aos multiplicadores.

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      • anti-comuna's avatar
        anti-comuna permalink
        30 Novembro, 2015 18:41

        lol

        Bem vista, essa. 🙂

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  34. Luis's avatar
    Luis permalink
    30 Novembro, 2015 17:27

    Quando a casa cair terão de ir buscar aflitos o Rui Rio, o Miguel Cadilhe ou o Vitor Bento.

    Aguardem…

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  35. SRG's avatar
    SRG permalink
    30 Novembro, 2015 18:41

    É a primeira vez que vejo neste blog, uma discussão com elevação, debatendo um tema glosado mas com comentários inteligentes, onde se debitam conhecimentos de louvar.
    Pena que tenhamos políticos que apenas debitam bacoradas sem saberem aquilo que dizem. Ia fazer o meu comentário sobre o tema, mas os interventores esplanaram na perfeição e melhor do que eu o faria, por isso os meus parabéns.

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    • antónio's avatar
      antónio permalink
      30 Novembro, 2015 19:02

      O problema é quando no meio de um debate interessante aparecem os Riccardi da patrulha esquerdalha e estragam tudo. Por essa razão não se vê mais debates interessantes por aqui.

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      • Rasputine's avatar
        1 Dezembro, 2015 03:56

        Não se vê mais debates interessantes por aqui porque o que nos chega diariamente pelos merdia é completamente fraco, inútil ou ridículo.

        “O fraco rei faz fraca a forte gente.” (Camões)

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  36. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Novembro, 2015 19:30

    Manuel : “a qualidade dos nossos empresários”

    Os nossos empresarios teem as limitações que tu e outros amigos aqui referiram. Essas e outras.
    Mas é o nivel de um pais com o grau de desenvolvimento do nosso. Globalmente e em média, os nossos empresarios não são nem piores nem melhores do que muitos outros. Nos detalhes são melhores nalguns aspectos e piores noutros.
    Dito isto, não os podemos trocar nem há nenhuma receita milagre para os reeducar ou forçar a serem “bons” empresarios.
    O que compete à politica não é substituir ou substituir-se aos empresarios concretos que temos.
    Nem sequer através do investimento publico e da intervenção dos ministérios e departamentos estatais na vida das empresas e nos negocios.
    Já vimos que acaba por ser dinheiro mal gasto e que pior do que um empresario analfabeto é um funcionario publico a dizer-lhe o que pode e deve fazer para ser um “bom” empresario.
    O que compete à politica é criar condições macro-economicas para que as empresas, com os empresarios concretos que as constituem e fazem funcionar, possam livremente gerar emprego e criar mais riqueza.
    De resto, alguns dos defeitos do nosso empresariado veem precisamente de maus habitos, que dominaram e perduraram ao longo do tempo, ligados ao excesso de intervencionismo do Estado na economia.
    A abertura da economia ao exterior e a atracção de investimento estrangeiro são precisamente formas de não apenas compensar as insuficiencias de gestão e capital dos nossos empresarios mas ainda, e até principalmente, de lhes permitir evoluir em contacto e em sã concorrencia com métodos e culturas empresariais mais evoluidas e eficientes.
    O nosso problema principal não é a qualidade dos nossos empresarios mas antes as más politicas publicas, as mais das vezes por serem captadas por “elites” não (e até anti)empresariais e servirem interesses particulares e corporativos.

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    • anti-comuna's avatar
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      30 Novembro, 2015 19:43

      “. Globalmente e em média, os nossos empresarios não são nem piores nem melhores do que muitos outros. Nos detalhes são melhores nalguns aspectos e piores noutros.”

      Gobalmente são bons. Melhores que os concorrentes externos. Mas são aqueles que brotaram das condições iniciais e existentes. E eles são fruto da sociedade Portuguesa. Se a eles foem exigidas as mesmas coisas que aos do exterior, bastantes deles deixarão de ser empresários, mas bastantes deles serão muito melhores e capazes de competir nos mercados internacionais.

      Mas eles também são fruto da sociedade e cultura em que vivem. Não brotam do acaso.

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    • Manuel's avatar
      Manuel permalink
      30 Novembro, 2015 19:50

      Concordo de uma forma geral com as tuas ideias, mas não podemos escamotear a realidade, sou do tempo em que as empresas eram ricas e os empresários pobres. Como sabes os capitais próprios das empresas não existem e depois temos os bancos falidos cheios de lixo( créditos às empresas) e a precisarem de novo resgate. Temos de seguir o exemplo da Irlanda e dos países com baixos impostos e depois tornando célere a justiça, combatendo a corrupção/burocracia( irmãs siamesas) e estabelecendo um quadro previsível e estável para quem investe, estão criadas as condições para o capital estrangeiro, sem este desiderato não vamos lá. Numa fase inicial é necessário investimento público com efeito multiplicador: reabilitação urbana, portos e ferrovia. O monstro Estado tem de ser reformado para que o corte na despesa seja repercutida na descida de impostos e assim a economia possa respirar, mas se nem Passos e Portas fizeram a reforma, quem a fará?

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      • anti-comuna's avatar
        anti-comuna permalink
        30 Novembro, 2015 20:02

        “sou do tempo em que as empresas eram ricas e os empresários pobres. ”

        Em Portugal? lol

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    • Fernando S's avatar
      Fernando S permalink
      30 Novembro, 2015 20:28

      Manuel,

      Também concordo com varias das tuas observações.
      Não te sigo tanto no que se refere ao investimento publico.
      Claro que ha lugar para investimento publico em certas infra-estruturas. De resto, apesar do que aconteceu com muitas PPs em Portugal, continuo a pensar que é preferivel o Estado fazer parcerias com os privados.
      Acontece que o nosso pais, bem ou mal, em parte muito mal, ja investiu muito em diversas areas e agora não tem dinheiro para continuar. Antes pelo contrario, tem de procurar gerar excedentes para poder ir diminuindo a enorme divida publica acumulada que temos. Agora é tempo para obter retornos reais e financeiros dos investimentos ja realizados.

      Concordo ainda com a tua posiçõ de principio relativamente à necessidade de reformar o Estado para cortar despesa e reduzir impostos.
      Mas não te sigo no que dizes a seguir.
      Passos Coelho e Portas não foram mais longe na reforma do Estado principalmente porque nos ultimos 4 anos a prioridade foi sair da emergencia financeira e porque a reforma do Estado exige tempo, continuidade na governação, e algumas condições politicas que não existiram até agora.
      Uma coisa é certa : no quadro politico actual, tendo em conta as ofertas politivas existentes e com alguma viabilidade, se não for uma coligação como aquela que foi formada e liderada por Passos Coelho aliado a Portas, não vejo mais ninguém para a fazer !… (as alternativas conhecidas dentro do PSD e do CDS e com algum peso politico são contrarias a verdadeiras reformas do Estado).

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  37. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    30 Novembro, 2015 19:40

    No outro dia, uma série de artigos interessantes foram publicados. Como este aqui:

    “Even the CEO’s job is susceptible to automation, McKinsey report says”

    in http://tinyurl.com/nfod2rh

    Mas um dos artigos focava-se naquilo que a banca Portuguesa fez e errou. (Eu gosto do exemplo da banca Portuguesa porque fez aquilo que as modas de gestão mandavam fazer e espatifaram-se ao comprido.)

    Um dos artigos dizia o seguinte, que era irónico. Numa economia em que a tcnologia era cada vez mais endeusada, pelas potencialidades que permite (desde data ming automático, para aumentar as vendas; até à automação das actividades ditas repetitivas dos blue collors, tipo contabilistas ou até mesmo consultores juridicos) e pela produtividade que promete, as pessoas com melhores qualificações não são as técnicas mas as que implicam saber-se relacionar com outras pessoas. E num dos artigos até referiam que, ou aparente incapacidade de aumentar a produtividade com esta autêntica revolução tecnológica prenede-se com mutações de ta forma, que os instrmentos de medidas estão ultrapassados no tempo; ou todas estas maravilhas tecnológicas não conseguem mesmo aumentar a tendência de crescimento da produtividade. Mas eu acho que tem a ver com a crise da banca Portuguesa.

    Se se lembrarem, aqui há uns anos, a banca Portuguesa “modernizou-se”. Leia-se, despediu milhares mas milhares de trabalhadores sem as qualificações formais na moda, desde economista a advogado, por exemplo, e começou a contratar gente nova, com altas qualificações formais e até bastantes “dottores”. Ao mesmo tempo, esta modernização implicou uma forte aposta em modernas tecnologias, com o BCP a ter sido o primeiro a usar estrategicamente as novas tecnologias de computação para crescer e roubar quotas de mercado aos seus concorrentes instalados.

    De tal forma a banca Portuguesa mudou, que ela encheu-se de doutores e gente dita do melhor que há em termos de qualificações formais. Tal como as modas mandam. (E bastante suportadas pelos empregados do Estado, em especial a classe dos professores, em que endeusam a educação formal porque implica mais tachos e salários entre eles.)

    Também a banca Portuguesa, a dada altura, não foi há bastante tempo, tecnologicamente era das mais avançadas do mundo. Desde técnicas de classificação naive bayes a atentedores telefónicos automáticos, vulgo máquinas, a banca Portuguesa era da melhor da Europa. No entanto, os resultados?

    O problema é que tanta tecnologia e tanta gente altamente formada em termos universitários não foi capaz de utilizar estas ferramentas de forma eficaz e aumentarem a produtividade. Faltou-lhes, como diria um outro americano famoso, faltou-lhe o toque humano. Isto, tanto as lideranças foram fracas em termos estratégicos (como servirem sobretudo clientes com menos risco, em termos teóricos, como as grandes empresas, familias com créditos à habitação; imobiliáras e, claro está, o próprio Estado), como a cultura bancária piorou bastante. Os bancários cheios de cagança mas falta de capacidade emocional para lidarem com os seus clientes, em especial os mais rentáveis, em vez de aumentar as rentabilidades, criou foi um monstroso balanço cheio de activos tóxicos, leia-se, calotes. lol

    Hoje as sociedades/economias estão a sofrer do mesmo problema. Bastante gente com alta formação académica, mas autênticos cepos a lidar com o factor humano. Com os demais seres humanos. E a não terem capacidade para avaliarem os demais, sem ser pela gravata, pelo carro estacionado, ou pelo título académico. Têm ferramentas formidáveis para gerar mais valor, em teoria, na prática, fazem cagadas do piorio. Como maltratar o cliente que lhes é rentável mas que não se insere no mesmo tipo de cultura/facade/fachada, desta gente com cursos superiores mas autênticos cepos a gerir o risco, tanto pessoal em termos de relacionamento, até em termos de crédito, em que se acreditam mais nas máquinas que no instinto humano para saber quem merece a confiança de obter um empréstimo. Já os velhinhos bancários (alguns até iam de galochas para as sucursais mas conheciam por tu quase todos os bons clientes), sem tanta capacidade para lidar com novas tecnologias e sem títulos académicos, era bem melhores a avaliar os clientes e até o seu risco de crédito, que os novos caga-livros.

    Serve isto para dizer que a banca Portuguesa é uma espécie de indicador avançado do que estamos a viver actualmente. Adoramos novas e modernas tecnologias, modernas técnicas de criar e até gerir bases de dados, mas o dito toque humano ficou para trás. Temos robots, máquinas fantásticas, gente com altos conhecimentos cientificos mas continuam cepos a saberem aproveitar estas modernas maravilhas da criação humana, daí que a produtividade medida aparente está encalhada, segundo alguns estudiosos do assunto.

    O pior de tudo é que isto é cultural e está a espalhar-se por cada vez mais países. Temos bastantes tecnólogos mas pouca gente ajuízada que saiba usar estes instrumentos todos para criar valor. A banca Portuguesa é um exemplo claro deste fenómeno. Bastante gente altamente qualificada, com bastantes tecnologias ao seu dispôr, mas não são capazes de rentabilizar estes meios todos ao seu dispôr. E estas tecnologias são fantásticas. Desde máquinas cada vez mais produtivas, a software que até guia os carros. Desde ferramentas informáticas fantásticas a algoritmos malucos, que até adivinham quando eu vou às putas. Mas depois, estes tecnólogos todos, não sabem lidar com o seu semelhante e criar valor, rentabilizar bem este capital todo investido e criar organizações empresariais altamente produtivas. E basta ver autênticas “vacas sagradas” do capitalismo americano a começarem a desaparecer e/ou em risco de extinguir-se ou passarem a serem sofríveis, em termos de rentabilidade.

    A baca Portuguesa é um exemplo do que está a acontecer pelo mundo. E quando as elites empresariais pensam que os seres humanos são máquinas e, portanto, com mais máquinas e menos custos com os humanos, aumentam as produtividades e rentabilidades… lol

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    • anti-comuna's avatar
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      30 Novembro, 2015 20:49

      The affluent American Homo Economicus: http://tinyurl.com/obff85n

      Mas não se julgue que isto se limita à sociedade americana. Por vezes acontece em países onde o consumo é idolatrada e mesmo incentivado, para manter o “Estado do Bem Estar”, que depende deste consumo, como pão para a boca, para se sustentar financeiramente.

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  38. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    30 Novembro, 2015 19:52

    Riccardi : ” o argumento é que um aumento salarial ao Tosco diminui os lucros ao Barão … [] seja qual for a produtividade e os salários praticados na concorrência”

    Se a produtividade não aumentar é efectivamente o que acontece.
    E se os lucros da empresa já não forem muitos o que pode acontecer é o Barão não investir, reduzir a produção e o pessoal, fechar.
    Os salarios praticas na concorrencia teem uma importancia relativa. Cada empresa é uma combinação produtiva de diferentes factores e em diferentes contextos pelo que o nivel de salarios adequado pode ser diferente de uma para outra. Uma dificuldade pode aparecer quando há uma concorrencia das empresas pelos mesmos trabalhadores no mercado. Certas empresas poderão até ter alguma dificuldade em acompanhar outras. Em certa medida foi o que aconteceu em Portugal, pelo menos até 2011, quando as empresas do sector de bens não transaccionaveis, onde se incluem os serviços publicos e as empresas publicas, conseguiam pagar salarios mais elevados a pessoal mais qualificado do que muitas empresas do sector transaccionavel, sujeitas à concorrencia internacional. Este facto contribuiu bastante para a perca de competitividade das empresas exportadores e substituidoras de importações e para o desequilibrio entre os dois sectores. Com as consequencias conhecidas.
    Por isso é importante que o Estado não intervenha para fazer subir artificialmente os niveis salariais (através dos vencimentos, do salario minimo, e da legislação laboral).

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  39. Riccardi's avatar
    Riccardi permalink
    30 Novembro, 2015 21:56

    Vítor, propor não custa nada. Vc propõe que a 500 mil pessoas (fps) seja diminuido o salário para que 4,1 milhões (privados) possam ter um aumento.
    .
    Como deve compreender não é possivel. E se for não dá para aumentos significativos.
    .
    Eu proponho coisa diferente:
    Que os aumentos de salários aos toscos seja feito pela emissão dum cheque.
    .
    Um cheque temático que nao pusesse em causa os precos relativos com o exterior. O Tosco seria aumentado sendo-lhe atribuído um cheque especial de corrida. Esse cheque podia ser usado exclusivamente para a educacao, para a saude indoor, para subscrever ou reforcar um ppr, para compra dum produto nacional/codbarra.pt num qualquer supermercado ou loja.
    .
    Sendo assim que problemas poderiam advir dum aumento do rendimento disponível?
    .
    Rb

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