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Resposta de taberna a um pensador de tabernas

20 Janeiro, 2016

O “original”, com aspas porque de original tem pouco pela repetição nauseabunda de fantochada, está aqui.

Os exames excitam os discursos e as críticas ao actual governo. A favor dos exames, basta o senso comum e a ignorância. Contra, é preciso entrar em grandes explicações.

Então vamos lá, venham as grandes explicações.

Para mim, a questão é simples:

Ninguém lhe perguntou fosse o que fosse. Ia dar grandes explicações e começa com “para mim”? Isso é uma opinião, quando muito.

os exames são um mecanismo criado no interior do sistema que revela uma concepção de Escola.

Uma concepção de escola em que escola se escreve com maiúscula.

Dum lado, a Educação Para Todos com valorização do trabalho dos professores e procura de caminhos para assegurar aprendizagens exigentes face aos desafios do presente e do futuro e, do outro, a escola que conhecemos no passado, que exclui quem vem dos meios sociais mais pobres e das culturas “não eruditas”, uma escola de competição, de stress e de individualismo em que só a memória – auxiliar precioso – faz as vezes de inteligência.

Educação também merece maiúscula. O que merece minúscula é trabalho. Depois, escola passa a minúscula e começamos a achar este texto demasiado desleixado.

Que caraças é uma escola com “valorização do trabalho dos professores”? Não é suposto ser com valorização do trabalho dos alunos? Essa inversão do ónus da coisa, mostra a concepção da socióloga: escola existe para valorizar professores, não para ensinar alunos.

É uma questão de fundo: como queremos educar os mais novos?

Eu quero educar os meus “mais novos” de forma diferente da proposta pela senhora para o colectivo que julga consensual. Temos impasse. Vamos a votos.

Para um mundo com mais conhecimento e cultura, solidariedade e participação cidadã?

Não, nem por isso.

Ou queremos jovens que vivem sem sentido crítico,

Sentido crítico é uma avaliação intrínseca sobre algo. Não éramos contra avaliações?

absortos desde cedo no “cada um para si”,

Não há perigo imediato de sociólogos que pensam estas cenas perderem o emprego público. Não desespere.

aceitando tudo o que se lhes impõe?

A senhora é quem quer impor. Recorde o que escreveu: “É uma questão de fundo: como queremos educar os mais novos?”

A escola é, sem dúvida, a instituição que a todos marca, socializa e educa, promovendo ou excluindo.

E?

Os exames foram introduzidos nos 9.º, 6.º e 4.º anos de escolaridade por governos do PSD e PSD/PP.

Bandidos!

Que haja provas finais no 12º ano, termo da escolaridade obrigatória, aceito.

Ainda bem. As consequências de não aceitar seriam avassaladoras para a sociedade como um todo.

Mas o primeiro-ministro da educação a criar os exames do 9º ano depois de 1974 (antes havia apenas 6 anos de escolaridade obrigatória, é bom lembrar) foi David Justino, no XV Governo (2002–2004). O agora presidente do Conselho Nacional de Educação organiza, por estes dias, um seminário cujo título, para além de inaceitável, lhe fica muito mal: “Chumbar” melhora as aprendizagens? È que “chumbar” é matar!

Grave é o uso de acento grave em “é”. Isso mata. Isso anda a matar a senhora por dentro. Deixe-se disso.

Depois, veio Nuno Crato e criou os exames em todos os finais de ciclo.

Bandido!

Aí, lamentavelmente, poucas vozes se levantaram contra a destruição da escola pública.

A que anda a ser destruída desde 1974. Há uma história chamada “Pedro e o lobo” que…

Com efeito, os exames vieram com um “pacote” de medidas,

Vamos lá ver, então.

desde o aumento do número de alunos por turma,

Bandidos! Olhe a socialização!

a desconfiança crescente contra os professores,

Qual desconfiança? Então não eram “poucas” as “vozes” que “se levantaram contra a destruição da escola pública”?

os dias escolares esmagados de burocracia,

Da qual a senhora é parte integrante.

a selecção precoce dos que não atingem uns objectivos chamados “metas curriculares”,

Está mal, está mal. Porquê excluirem à partida a hipótese de chegaram a sociólogos que pensam estas coisas?

uma pedagogia uniforme,

Mas, não era a senhora que há pouco perguntava “É uma questão de fundo: como queremos educar os mais novos”?

sem qualquer espaço para áreas interdisciplinares nem tempo para reflectir e aprender,

É o exame. Um gajo vai lá e perde duas horas que seriam usadas para reflectir e aprender.

tudo formatado para que as pessoas não possam ser diferentes

Mas, não era a senhora que há pouco perguntava “É uma questão de fundo: como queremos educar os mais novos”?

e qualquer diferença traga estigma e se transforme em desigualdade.

É, a diferença que se transforma em desigualdade. Você lê o que escreve? Você pensa sequer antes de escrever?

Foi o fim da Educação Para Todos (UNESCO).

Nota-se por este texto.

A direita rejubilou com a sua “escola”. Nem o “eduquês” lhes fez diferença.

Qual o significado disso?

Cuspir nos outros é sempre mais fácil do que ver-se ao espelho.

Como ainda não parou de demonstrar.

Se, no mundo da medicina (mero exemplo) há novos conceitos e conhecimentos que devemos aprender,

Eu rogo para que não aprenda medicina (mero exemplo).

isso não é possível em educação.

Pois. É uma chatice.

Aí, o tempo parou.

Em 1917.

Todos sabem sempre tudo e, como dizia a minha amiga do bairro “fosse eu uma semana para o Ministério da Educação que punha tudo direitinho”.

Mas não pôs.

Evoluir e mudar em educação? Impossível. Para a direita a escola deve ser como era nos “bons velhos tempos”.

Os bons velhos tempos que permitiram que a senhora concluísse um curso superior. Mais inclusivo não consigo imaginar.

Os filhos dos ricos e instruídos estudam e os outros aprendem o mínimo e uma profissão.

Os seus pais eram ricos e instruídos?

Se algum destes mostrar que “merece” melhor, aí estão eles com o seu maravilhoso sentido democrático para os aceitar.

O que, claramente, não foi o caso aqui.

Que o fim dos exames do 4.º e 6.º anos tenha sido decidido na urgência, não me parece ideal

Que é que isso importa? O Bem não tem horário de trabalho.

mas é o tempo possível.

Claro, claro. Para o próximo ano seria impossível pelo ataque de marcianos.

Apoio, por isso, o actual ministro.

Pois claro que apoia. Está até a escrever um texto sobre a necessidade de “entrar em grandes explicações” sem adiantar nenhuma, só podia ser um apoio patético ao pateta do ministro.

E é curioso que alguns comentadores, de direita e de esquerda, venham dizer que devia haver mais continuidade nas políticas.

É, é curioso.

Quando, há anos, foi elaborada uma proposta de “Pacto Educativo para o futuro”, procurando estabilizar orientações políticas para uma escola pública de qualidade que precisa de tempo para ser construída, a maioria de então no Parlamento respondeu: NÃO.

Vai-se a ver, tinha motivos para isso.

Talvez se devesse voltar, agora, a uma proposta actualizada.

Como acabou de demonstrar: se quer “actualizar” o “pacto para o futuro” é porque não era grande espingarda para o futuro, não é?

Estranho o baixo nível e a ausência de “memória” no que se ouve e se lê.

Estranha? É o que eu digo: não lê o que escreve.

Estranho a desvalorização mediática e social da educação num país que tanto sofreu e sofre com o analfabetismo e com os baixos níveis de literacia.

Como a senhora tanto se esforça por demonstrar.

Sou contra os exames desde que estudei,

Claro que é.

investiguei

O quê?

e conheci os trabalhos internacionais que revelam que os exames são o modo mais pobre de avaliação das aprendizagens, o mais selectivo, o que mais desvaloriza o trabalho dos professores,

Lá está, que se lixem os alunos, isto é sobre professores.

o que sufoca qualquer inovação na escola,

Não necessariamente. Podemos, por exemplo, realizar os exames enquanto nus. É inovador.

o que faz os alunos correrem atrás do tempo, confundindo memória com inteligência.

Duas coisas que a senhora não consegue possuir.

Aliás, nunca as aprendizagens dependeram de exames mas sim do trabalho feito no dia-a-dia da escola e os países mais avançados sabem-no muito bem.

É, lá não há exames.

Os exames reforçam o individualismo e a competição.

Em vez de reforçarem o colectivismo e a preguiça, como devia ser.

Outros modos de conhecer as aprendizagens foram sendo criados, entre os quais as provas de aferição

Ah, exames!

(seria bom que os comentadores, pelo menos os que são pagos, soubessem do que falam, já que são tão defensores dos “trabalhos de casa”).

É verdade, é verdade, minha senhora (pagam-lhe, não é verdade?)

Ouvir J.M.Tavares dizer um chorrilho de asneiras criticando o facto de os exames terem agora passado para os 2.º, 5.º e 8.º anos é insuportável.

Primeiro: entre os pontos e a letra seguinte há um espaço obrigatório. Vem nos livros. Segundo, não há ponto entre o número e o indicador ordinal: também vem nos livros.

Deixei de ver o programa e de o ler e espero não ter sido a única.

Espera. Porque se incomoda com o que os outros vêem.

E assim vai o país.

Vai. Qualquer chanfrado pode escrever nos jornais.

É a raiva da direita contra um governo inesperado.

É.

Nem a OCDE e os trabalhos que publicou, no virar de século, sobre a “Escola de Amanhã” dizem a estes personagens que a escola do passado não nos serve.

Pois. Bandidos.

Há eleições presidenciais daqui a dias, e esta “gritaria” é uma das razões – não a única, evidentemente – por que voto Marisa Matias.

Claro que vota. Claro que vota.

Quem nunca se preocupou com as políticas públicas da Educação de Qualidade para Todos não terá o meu voto.

Claro que não. Claro que não.

Socióloga, socialista

Claro que sim. Claro que sim.

24 comentários leave one →
  1. Andreu's avatar
    Andreu permalink
    20 Janeiro, 2016 10:38

    Só um pormenor: há mesmo ponto entre o número e o ordinal. Tudo o resto, muito bem!

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  2. Abre-latas's avatar
    Abre-latas permalink
    20 Janeiro, 2016 10:42

    Brilhante.
    Eu também quero e educo os meus “mais novos” de forma diferente da proposta pela senhora para o colectivo que julga consensual.
    Cá em casa esta senhora não tem voto na matéria!
    Ela que vá educar para os concertos do Tony.

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  3. Juromenha's avatar
    Juromenha permalink
    20 Janeiro, 2016 10:44

    Bicharel, lurdinhas ( que foi “ministra” desta mesma coisa),nóvoa , esta tonta.
    Perguntem-lhe pela aquisição do “diploma” na Suíça…

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  4. PiErre's avatar
    PiErre permalink
    20 Janeiro, 2016 10:51

    Vale a pena perder tempo com esta sucióluga de cano de esgoto?

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  5. Dário's avatar
    Dário permalink
    20 Janeiro, 2016 11:21

    É SS – Socialista & Socióloga. Mais palavras para quê?

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    • Rasputine's avatar
      20 Janeiro, 2016 16:02

      O Hitler tinha as SS (Secções de Segurança).
      Nós temos estas merda de SS (Socialista & Socióloga).

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  6. Colono's avatar
    Colono permalink
    20 Janeiro, 2016 11:21

    O PS e a sua corte….

    Odeiam exames de consciência!

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  7. antónio's avatar
    antónio permalink
    20 Janeiro, 2016 11:24

    O texto desta Benavente é um expoente da razão de Portugal ser uma nação falhada também na educação. Quanto ao texto da Benavente nem valerá sequer a pena perder muito tempo. A destruição da escola começou depois do 25 de Abril pela mão de Rui Grácio e continua nos dias de hoje com ideologia de muitas Benaventes desta vida. O que choca é existir em Portugal um Jornal, perdão, uma madrassa chamada Público que abre as páginas a conteúdos do tipo produzido pelas Banaventes desta falhada e falida nação.

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    • Manuel's avatar
      Manuel permalink
      20 Janeiro, 2016 22:13

      Muito bem visto. Quando os ideólogos(as) descem ao povoado, devemos ficar seriamente preocupados. Parece que estão a desenterrar o marxismo e ainda teve o despudor de atacar o JMT que também escreve na folha de couve. Será que vou assistir outra vez à luta de classes?

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  8. Baptista da Silva's avatar
    Baptista da Silva permalink
    20 Janeiro, 2016 11:35

    Faltou falar da educação sexual, da igualdade de género, da não descriminação de alunos com pais gay e da proteção de professores e alunos com tendências homossexuais.

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  9. procópio's avatar
    procópio permalink
    20 Janeiro, 2016 12:08

    É simples: Cn,p= n!/p!.(n-p)! An,p= n!/(n-p)! Pnp= n!/p!
    Vai tudo dar a zero=0
    Em breve saberão.

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  10. fado alexandrino's avatar
    20 Janeiro, 2016 12:13

    Sou contra os exames desde que estudei,

    Eu também, podia agora ser doutor, bastava ter pago as propinas.
    Com um bocadinho de sorte até estava agora no lugar daquele senhor muito bem apessoado que tirou um curso (sem exames) na Suíça.

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    • Rasputine's avatar
      20 Janeiro, 2016 16:09

      Se fizessem o levantamento de tantos filhos/as da puta que nos anos dourados do PREC tiveram direito a passagem administrativa(*) e os lugares que actualmente ocupam, iam ficar de queixos caídos!

      (*) Passavam a vida em reuniões gerais de alunos, greves às aulas, universidades fechadas durante meses e, ainda assim, transitavam de ano com nota positiva a disciplinas/cadeiras que nunca frequentaram nem foram avaliados! Claro, que eram e são felizes!

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      • João de Brito's avatar
        20 Janeiro, 2016 18:06

        Esse é um dos maiores problemas do nosso ensino e, certamente, o mais difícil de resolver.
        Conto fazer a minha análise do assunto, quando aqui surgir o tema da formação de professores.
        Oxalá não tarde!

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  11. JgMenos's avatar
    JgMenos permalink
    20 Janeiro, 2016 14:25

    Intragável ladaínha de cretinos militantes!!!!!!

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  12. Rasputine's avatar
  13. Pipo's avatar
    Pipo permalink
    21 Janeiro, 2016 00:01

    “É uma questão de fundo: como queremos educar os mais novos? Para um mundo com mais conhecimento e cultura, solidariedade e participação cidadã?”

    Não.
    Isto é responsabilidade dos pais e não da escola.
    A escola é para outras coisas: Matemática, Química, História, Português, Inglês, etc…

    Esta ideia de que o Estado é o guardião/paizinho/professor da moral “boa” e dos valores “bons” tem longa tradição. E é uma tradição desastrosa.

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  14. André's avatar
    André permalink
    22 Janeiro, 2016 16:17

    Vítor, obrigado por fazer o mundo + feliz, uma pessoa de cada vez (sem qualquer ironia).

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