Os clientes
13 Fevereiro, 2016
10 comentários
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João Marques de Almeida: A esquerda nacional recusa-se a reformar o Estado porque ela é, em grande medida, o “Estado”. Por isso, o governo protege os interesses e os privilégios dos seus. O que está em causa não é a defesa do “Estado social”, mas sim de um “Estado clientelar”.
Os partidos de esquerda (e em parte também os de direita) representam hoje principalmente categorias sociais “protegidas” e priviligiadas que vivem directamente à conta do Estado ou que beneficiam indirectamente de um modelo economico assente no despesismo e no intervencionismo do Estado.
Estas categorias encontram-se principalmente nos sectores de bens e serviços não transaccionáveis virados para o mercado interno, a começar pela administração pública mas indo até aos fornecedores do Estado e passando por muitos daqueles que trabalham em actividades que se desenvolveram mais graças aos gastos e às intervenções do Estado.
Estas categorias são principalmente urbanas (mesmo que vivam em pequenos centros), com um nivel de instrução superior à média nacional (nalguns casos, como os dos professores, jornalistas, agentes “culturais”, etc, até muito superior à média), e com niveis de rendimentos e regalias médios e acima da média.
Toda esta gente com os respectivos familiares e próximos representa hoje uma parcela muito significativa da população portuguesa e constitui por isso uma linha de resistência a reformas que possam pôr em causa e alterar o modelo economico vigente.
Ou seja, o interesse imediato e imediatista desta gente é repor e manter este modelo.
Significa isto que a reforma e a mudança sâo impossiveis em Portugal ?
Não necessáriamente. Pelo menos por duas razões.
Em primeiro lugar, mesmo a manutenção a prazo do modelo vigente é impossivel no contexto actual sem algumas alterações que o tornem minimamente sustentável. Uma parte destas pessoas sofre já mais directamente os efeitos das crises do modelo, cada vez mais frequentes e duradouras.
Em segundo lugar, embora ainda e normalmente inconsciente, o interesse bem comprendido de uma parte destas pessoas não é o de apostarem num modelo de desenvolvimento do pais que já mostrou os seus limites. Na verdade, muitas destas pessoas, que até teem qualidades e niveis de preparação elevados, poderiam vir a ser ganhadoras liquidas numa sociedade menos estatalista e económicamente mais dinâmica. Isto é ainda mais verdadeiro relativamente aos filhos e às geraçôes futuras.
A grande questâo é a de saber se, em quanto tempo e de que modo, pode vir a acontecer uma tomada de consciência suficiente destes interesses bem compreendidos para que existam condiçôes politicas para que o nosso pais possa fazer as reformas e as mudanças de que tanto precisa.
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Concordo com tudo o escrito pelo autor e acrescento que só falta recomendar que chamemos novamente o sr Paulo Portas ” o reformador”. O problema não é de esquerda/direita é de partidos, tal como o foi quando Salazar assumiu o poder, parece que o foram buscar duas vezes a Coimbra. Desta vez, no euro, vamos acabar governados pela burocracia de Bruxelas e é se quiserem ter: futebol, fado e fátima.
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Não é uma novidade, mas seria bom que todos os cidadãos estivessem conscientes desta realidade, e das consequências que implica para os bolsos dos que não são remunerados pelo estado.
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Estou de acordo com os diagnósticos atrás referidos. Agora também acrescento que a mudança só é possível se o atual sistema ruir em absoluto, i.e. falhas nos supermercados bancos fechados, desemprego nos máximos e paralelamente seja gerada uma opinião publica e líder(s) capazes de convencer. Penso que já não vejo isso, o dinheiro que por aí existe é ainda muito.
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uma patetice, como uma biógrafa de Salazar bem sabe.
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Concordo …. tem que haver solução so não vejo qual… em votações eleitorais o numero e inquestionavel. A alteraçao cultural dominante existe tempo…
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Não me parece que este governo seja mais ou menos clientelar que todos os anteriores.
Gostei que esta inédita experiência de um governo de esquerda tivesse acontecido e continuo a ter esperança que, no mínimo, tenha uma intencionalidade diferente de todos os anteriores.
Mas o post trouxe-me à memória um episódio de que nunca mais me esqueci.
Aquando de uma medida política que claramente discriminava positivamente a função pública nos Açores, interpelei uma colega açoriana acerca do assunto.
Com a maior naturalidade do mundo, ela tranquilizou-me:
– Não te preocupes. Lá, são todos funcionários públicos.
Sic!
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Elementar meu caro Britson.
Para onde foi Mr Passos trabalhar, depois da saída del gobierno?
Para onde foi trabalhar Mr Sócrates? Este, nem sequer disfarçou, tivesse ido para Bruxelas e deixado estar as ajudas na Suissa.
Para onde irão trabalhar, deixando a sua nobre actividade em S. Bento, uma série de ‘deputados’ do CDS…ao PCP?
Já que falamos dos Açores, para onde foi trabalhar a senhora que Passos ali pescou para o ministério do Colégio de Odivelas, agora garantida em S. Bento até ver?
Também terei gostado da inédita experiência deste governo suposto de esquerda. Condenado a falhar, dada a falta de coragem em ver os pp apoiantes a tomar conta de alguns ministérios.
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A mesma ladainha. A «direita» quando está no poder, o que é que reforma? Talvez os seus barões e dignatários.
Vão mas é sachar batatas, seus liberais da treta!
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Arlindo da Costa : “A «direita» quando está no poder, o que é que reforma?”
Privatiza e concessiona empresas e monopólios públicos, diminui investimento e despesa pública nos limites do que a Constituição e o Tribunal Constitucional permitem, flexibiliza o mercado de trabalho,…
É insuficiente mas é bem mais do que faz a “esquerda”.
Ou melhor, a “esquerda” no poder até faz muito : “reverte” as poucas reformas que a “direita” fez !
A actual esquerda portuguesa, agora toda conluiada para a ocupação do poder, é uma força manifestamente anti-reformista e reaccionária (o regresso ao bom velho modelo do despesismo e do intervencionismo do Estado) !!
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