Começamos o dia a comer baratas

Voltemos a elas.
As ideias da troika entraram em Portugal pela porta do cavalo, por causa de uma conjugação muito infeliz de circunstâncias.
Giro. Vamos ver.
Falemos apenas das internas.
Está bem.
Em primeiro lugar, a opinião pública – incluindo redacções e jornalistas – que menos conhece economia carecia de um porto onde ancorar o desespero de ver uma economia a funcionar mal;
Pois, havia problemas.
em segundo lugar, o candidato a primeiro-ministro e depois primeiro-ministro que nada sabia de economia – nem de governação – precisava de uma ideia para vender;
Pois, mas havia problemas, lembra-se?
em terceiro lugar, toda uma geração de deserdados dos liceus da revolução precisavam de uma ideia para vingar o bullying ideológico a que foram sujeitos; finalmente, as pessoas que estavam verdadeiramente aflitas com o dinheiro – os donos e gestores dos bancos, com o BES à cabeça, e das empresas altamente endividadas, com a EDP na frente – precisavam de uma ideia que escondesse as suas dificuldades.
Pois, mas havia problemas, lembra-se? Foi no mesmo parágrafo que o disse, essa cabeça não pode funcionar assim tão mal.
Esta lista é necessariamente incompleta e somos livres de a discutir, alterar e melhorar.
Ai somos?
Mas é isto.
Logo vi que não.
Ora, esta conjugação dificilmente se repetirá.
Pois, dificilmente se repetirá, dificilmente se repetirá, se repetirá…
Todavia,
Todavia… pode repetir-se. Vamos ver.
as ideias da troika são antigas e andam por aí há muito tempo, à espera de oportunidade.
Mas esta conjugação dificilmente se repetirá, se repetirá, se repetirá, recorde.
Um dia, haverá a tentativa de regresso, que terá seguramente outra configuração.
Todavia… Lá está, pode repetir.
Estejamos, portanto, atentos.
Isso, sempre alerta.
E recordemos apenas uma coisa dessas ideias, bem exemplar.
OK. Vamos lá.
É assim.
OK.
Do FMI veio a grande ideia de salvar o euro que era a de substituir a desvalorização da moeda por “desvalorização interna” (menos salários) e “reformas estruturais” que dão mais flexibilidade.
Ridículo. Aliás, tenho a certeza que o salário do professor Lains é reduzido para a diversão que nos traz. Diria até que seria um salário impagável.
Cansados?
Nem por isso.
Sim, também eu, mas é pelo cansaço que as coisas voltam.
Sim, esqueça que as circunstancias que nunca mais se repetirão, como ainda agora disse, que isso não interessa nada.
A ideia fazia sentido,
Oops.
como não se pode desvalorizar, é preciso (erro) que as economias sejam (erro) mais competitivas e flexíveis para se adaptarem a circunstâncias adversas.
Isto é óbvio. É perfeitamente claro que é preciso que as economias sejam menos competitivas e mais rígidas para se adaptarem a circunstâncias adversas. Quem disser o contrário é um todavia que não percebe nada de economia da boa.
Um dos resultados dessa brilhante análise foi a lei das rendas.
Foi. Estragaram a ordem do Salazar.
Ora, pensavam os nossos arautos, se a economia tem de ser mais flexível, as pessoas têm de mudar mais facilmente de sítio e por isso tem de haver um mercado” de arrendamento.
Claro que não. Podemos perfeitamente dormir no Prós e Contras ou comprar um buraco em Paris.
Isto é vendido com modelos econométricos com duas ou três pequenitas variáveis, algumas simplesmente inventadas, e muitas observações de países por todo o mundo.
Pois, pois, é, pois.
E as rendas foram “liberalizadas”, assim como tudo o que dissesse respeito a alugueres.
Meu Deus, banditismo. Salazar dá voltas no túmulo.
Resultados? O que está à vista, nenhuns ou coisas piores, como o fecho de muitas lojas que não foram ainda substituídas.
Uma hipótese era uma loja de entretenimento em que académicos liam os seus blogs em público. Eu pagava para ver.
Mas havia outra coisa a acontecer.
Havia.
O turismo da Internet levou ao aumento da oferta de alugueres de curta duração, o que tem feito diminuir a oferta de casas para alugar para residência e, naturalmente, encarecido os preços.
Que horror. E os turistas aparecem nesse pardieiro para visitar o quê? A miséria da austeridade, só pode. Ide embora, fora, fora. Raus!
São estas coisas que os imaginativos modelos da troika e companhia jamais conseguem captar.
Pois são. Turistas. Nunca se imaginou tal coisa.
No mundo civilizado, as coisas são feitas de outra forma.
Burundi? Chad? Eritreia?
Como em Berlim,
Ah, Berlim, Alemanha, o mundo civilizado. Peço desculpa.
por exemplo, onde as rendas são altamente regulamentadas, no passado e no futuro.
São, e a regulamentação no passado está e continuará a originar grandes benefícios no passado que nos estão a abrir os olhos.
A terra de Merkel, ironia do destino, não é?
Também é a terra da Heidi Klum. E do Boris. Um Boris qualquer. Não interessa. Adiante.
E com ganhos para todos, pois a falta de regulação também não é boa para os investidores.
Pois não. Porque haveria o senhorio receber 1000 quando pode receber 100? Ou melhor ainda, porque não podemos simplesmente regular o salário dos professores universitários em 100€? Em alguns casos já me parece demais, mas pronto.
Para que as ideias da troika não voltem, ajudará um pouco mais de cosmopolitismo,
Turistas, não; queremos casas na Baixa para emigrantes da Serra Leoa.
no governo,
Precisamos de um esquimó no governo.
na opinião pública,
Chega de professores universitários brancos.
nas redacções,
Um urso pardo.
no conhecimento económico.
Caracas.
Não foram muitos os países da Europa em que as ideias da troika entraram com esta facilidade.
Não. Vai-se a ver, já lá estavam, não foi preciso. Mas, que sei eu? Não sou professor universitário com pretensões a perceber de economia da boa. O que sei é que um gajo vê-se à rasca para alugar uma casa em Roma. Deve ser por causa da regulação anti-turismo.

o monhé, o entertainer e a esquerda no poder ou a votar
parecem baratas tontas
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Olha o grande Tom Waits!
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Qualquer carroça velha rebuscada na sucata atada com arames podres pode fazer umas curvas na estrada da beira. E ao som da chiadeira por falta de ser untada nos eixos com sabão macaco lá enCOSTArá á beira da estrada.
Por ser festa de campeão dá para plagiar o futebol.
Durante quanto tempo mais é que o sô árbitro Marcelo vai continuar a fechar os olhos a sucessivas caneladas dentro da área fatal de um sarrafeiro que toda a gente já topou menos o juiz das partidas. Nem jogo da mala nem jogo duplo. A conivência também deve ser severamente punida em todo o lastro da condenação de promiscuidade sinistra.
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Bom proveito, amigos.
Não invejo os vossos gostos.
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Continua a apanhar sabonetes, filho.
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Este é o meu tótó esquerdalho favorito!
Nunca vi um asno tão falante e tão solene!
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Menos,
” Roupa desenhada por Beyoncé feita por pessoas que ganham 5 euros por dia ”
Esta seria a economia perfeita onde tu e a quadfrilha gostaria de estar, mas por muito que tentes tens sempre uma CGTP a morder-te os calcanhares
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Ainda voltei atras, mas olha que mesmos assim…
Alemanha oferece aos refugiados ‘mini-empregos’ de 1 euro por hora.
Simplesmente fascista
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Fascista? Eu diria que é até lilás.
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Você recebe mais de 150€ para comentar em blogs? Ando a ser explorado.
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1 euro por hora? Quanto ganhavam lá de onde vieram?
Por 1 euro/hora metade da Roménia perguntaria onde se assina
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Não fiques com ciúmes, Bolota.
Também te acho um tótó esquerdalho muito interessante!
Não és bem falante, nem solene, mas asneiras com igual eficiência.
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vc,
Mesmo que trabalhem 24 horas…com 24€ por dia na Alemanha, faz um vidão. Alemenha que é um dos causadores de toda esta catrastofe.
Lilás?!! Eu diria antes CRIME.
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Isso da culpa da Alemanha é verdade. Se os gajos não fizessem carros e maquinaria que a malta quer, nada disto acontecia e andávamos de mula.
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