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A Hipocrisia do Salário Mínimo

27 Janeiro, 2017

É claro que todos queremos as melhores condições de vida possível mas a pergunta é: estamos a fazer o que é correcto para obter isso? O problema do salário mínimo é que é uma imposição e tudo o que é imposto só cria miséria. Se fosse esse o caminho, não teríamos a miséria de salários que temos.

O problema começa no facto do salário mínimo não ser mínimo para o patronato. Com efeito, aos 557€ somam-se imensos custos. Primeiro  23,75% para a TSU que o eleva para 690. Depois há que somar o custo de 3 meses de salário pagos pelo empregador de férias, subsídio férias e subsídio de natal. Acresce ao custo o facto destes valores corresponderem a apenas 11 meses efectivos de trabalho o que eleva já para 877€ o valor do SMN. Mas há mais: a este valor somam-se custos variáveis com seguro de acidentes trabalho, medicina de trabalho e formações contínuas. Ou seja, no final são mais de 900€ pagos de SMN por cada trabalhador! São cerca de 343€ (variáveis) de encargos fixos além do salário. Assim, é fácil de ver quem é o responsável por este diferencial tão grande e que  promove a precariedade: o Estado.

Sugador de impostos, opressor da economia, castrador de liberdades,  o Estado, tal como o conhecemos, impede a prática de salários decentes ao taxar  e condicionar exageradamente as empresas que, emaranhadas em novelos de impostos e obrigações sufocantes, arriscam a sobrevivência agarrando-se aos mínimos dos mínimos como tábua de salvação.

Se não houvesse hipocrisia política, os mesmos que impõem salário mínimo aos privados em vez de os estimular a pagar melhor e contratar mais, não estariam eles mesmos a promover dentro do Estado, a precariedade crónica recorrendo a tarefeiros dentro do sector público, mantendo ainda, por exemplo,  professores  agarrados por décadas  a contratos a termo certo! Como queremos ter melhores empregadores se o mau exemplo vem de cima?

O caminho para melhores salários são os  estímulos e as liberdades. Estimular através de redução de encargos fiscais a quem aposta em salários acima dos mínimo.  Deste modo, todo o financeiro estará atento a essas benesses e fará contas. Se por cada 10 ou 20€ que aumente, tiver 1 retorno financeiro satisfatório, será ele mesmo e querer promover melhores salários. Ao mesmo tempo, é preciso dar mais  liberdade contratual. Permitir contratos flexíveis, negociáveis entre as partes, que permitam a ambos ir  ao encontro das suas necessidades sem abusos nem atropelos à dignidade humana mas claramente mais abertos à contratação. Porquê? Porque OBRIGAR a manter à força quem não serve, quem não produz, só porque é lei, em vez de manter porque é bom, só irá retrair o patronato na hora de aumentar ao pessoal. Forçado a ficar com quem não se esforça e dá prejuízo, estará a retirar muitos lugares a quem é competente. Mesmo precisando deles…

Devidamente estimulado e com mais liberdade contratual, o empresário irá reflectir esse bem estar nos seus funcionários através do “salário emocional” que passa por dar “soft benefits” como horários flexíveis de acordo com as conveniências do empregado, permitir trabalho à distância, espaços de lazer dentro da empresa, creches e benefícios sociais para a família, pequenas atenções personalizadas, entre  muitas outras.

Claro, dirão os mais cépticos “ah! e tal se lhes dermos mais benefícios (aos patrões), mais enchem os bolsos..”. Como em qualquer área, haverá sempre alguém mau profissional. E aqui alguns empresários não escapam. Mas se a política de estímulos também premiar fiscalmente quem reverte lucros em prol do bem estar dos seus funcionários, apostando fortemente nos “soft benefits”, acredito que serão poucos aqueles que não farão contas e não queiram também eles seguir pelo mesmo caminho do progresso contra a precariedade laboral.

É só fazer as contas…

 

 

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47 comentários leave one →
  1. Alain Bick permalink
    27 Janeiro, 2017 17:39

    o prec desta ditadura social-fascista
    pretende rebentar com as sobras nacionais do rectângulo
    e entregar isto aos estrangeiros

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  2. PMBB permalink
    27 Janeiro, 2017 18:08

    Há vários custos escondidos; faltou o custo de despedir

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  3. Arlindo da Costa permalink
    27 Janeiro, 2017 18:27

    Já sei… se não houvesse «salário mínimo» decretado oficialmente os trabalhadores portugueses a esta hora – e devido à liberalização laboral – deviam já estar a ganhar pelo menos 800 euros como fronteira mínima.

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    • 27 Janeiro, 2017 19:45

      E o Sr Arlindo já admitiu quantos empregados na sua empresa a ganhar mais de 800 euros por mês?

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    • André Miguel permalink
      27 Janeiro, 2017 19:57

      E porque não é decretado oficialmente o salário mínimo de mil Euros?!

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    • Sem Norte permalink
      28 Janeiro, 2017 04:18

      Camarada Arlindo, quando é que a sua cgtp cria pelo menos uma empresa para mostrar aos capitalistas, aos fachos e ao patronato como se gere uma empresa e se paga salários milionários?
      É que em 43 anos estou farto de ver o Arlindo, a sua cgtp e o seu partido comunista dizerem aos outros como devem gerir as empresas, e nunca vi um corno de um comuna criar uma empresa, pagar salários milionários e não explorar o cliente. Dê o exemplo e deixe de dizer como os outros devem de fazer.

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      • Arlindo da Costa permalink
        28 Janeiro, 2017 19:28

        É verdade. A cgtp não cria empresas, enquanto as confederações patronais criam sindicatos para as defender.

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    • JP Ribeiro permalink
      28 Janeiro, 2017 18:03

      Já ganham mais do que isso. Você não sabe ler, então porque opina?

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  4. Filipe Costa permalink
    27 Janeiro, 2017 19:54

    O unico problema são mesmo os maus empresários, aproveitam a oportunidade para despedir quem mais ganha para contratar a metade do preço. O que eles não sabem é o preço que pagam por isso, nos EUA já aprenderam a preservar os melhores há dezenas de anos, aqui ainda se preveligia a cunha e o amigismo principalmente em tudo o que é Publico.

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  5. Cipião Numantino da Boina, anti comunofóbico. permalink
    27 Janeiro, 2017 20:08

    Como empregador e apenas para clarificar as ideias da bloguer, a minha empresa não paga um único cêntimo por trabalhador, se o custo do trabalhador for de 1.000 Euros é esse valor que recebe, depois de deduzidas todas as despesas para a empresa.
    O trabalhador recebe 557 Euros, temos pena eu pago-lhes mil euros.
    E vou mais longe revelo aquilo que muitos lhes escondem, nenhuma empresa em portugal paga tantos impostos como o trabalhador por conta de outrem.
    Agora podem contar a (estória) como quiserem.
    Se não for desta maneira é mentira.

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    • Filipe Costa permalink
      27 Janeiro, 2017 23:04

      “se o custo do trabalhador for de 1.000 Euros é esse valor que recebe”, certo, concordo, mas se o funionário lhe retribuir mais que os 1000, se subir para 1200 e a rentabilidade desaparecer o que faz?

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      • Cipião Numantino da Boina, anti comunofóbico. permalink
        27 Janeiro, 2017 23:23

        Se o trabalhador passar para 1200, e a sua rentabilidade continuar a ser superior a este valor, não tenho qualquer problema.
        Se isso não acontecer fecho a empresa, sou contra falências fraudulentas e não sou de andar a pedir empréstimos para a o meu bolso e contribuir para o crédito mal parado.
        Que depois é pago por todos, tanto pelos ricos que beneficiaram dele e como tal ainda tiveram lucro, e por todos os outros que são honesto e vivem uma vida sem esquemas e de trabalho.
        Achei graça a sua preocupação para comigo e não tenha tido uma palavra sobre o trabalho pagar mais de impostos, que o capital empresa.

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  6. 27 Janeiro, 2017 20:16

    • O Estado quando descobriu o custo que tinha o Salário Mínimo para arcar com actualizações das prestações sociais várias (que estavam indexadas ao SMN), que fez?…
    • Inventou um indexante (IAS), que durante anos não teve nenhum aumento (nem quando o SMN era aumentado)…
    • Deve ser por acaso que o IAS é inferior ao SMN…

    Os Privados não se podem dar a esses artifícios (habilidades chamam-lhes eles)…

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    • Filipe Costa permalink
      27 Janeiro, 2017 23:06

      Exactamente, o indexante SMN tinha que ser libertado para poderem comprar votos.

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  7. 27 Janeiro, 2017 20:34

    e desta vez vai mesmo aumentar o desemprego.. vão ver. a alguns funcionários vai ser pedido que façam umas horas extra e uns poucos irão para a rua.
    e manobra mesmo manhosa foi a descida do subsidio de desmprega já a contar com a subda do smn. chamem-lhes parvos.

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  8. javitudo permalink
    27 Janeiro, 2017 21:33

    É fácil enganar, mais difícil vai ser sustentar a utopia. Nesse dia fogem todos.
    Geringonças nunca asseguram melhor nível de vida a ninguém, a não ser aos amigos.
    Está no ADN. Eles são os primeiros a saber disso.
    Enquanto o pau vai folgam as costas, as nossas costas.

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  9. Anónimo permalink
    27 Janeiro, 2017 21:58

    Hipocrisia da boa é a notícia do busto de Churchill “restaurado”.

    Na Sala Oval, de trabalho dos PR nos EUA, estava um busto de Churchill.
    Obama, comunista que se preza, resolveu devolver aos Ingleses o busto de Churchil. Como Prémio Nobal da Paz (!) que era provavelmente achava-se bem acima do personagem …

    Uma das primeiras medidas de Trump, mesmo antes de empossado, foi pedir aos Ingleses a “devolução” do busto. No primeiro dia de trabalho o busto já estava no seu local original, na Sala Oval.

    Jornalistas (!?) da Tv e da rádio conseguem falar deste episódio sem falar em Obama. Cinísmo primário ?. Infantilidade primária absolutamente simples ?.
    E utilizam como tradução de “devolvido” o “restaurado”. Tratou-se portanto de uma peça “restaurada”.
    Depois admiram-se de serem alvo de chacota e que não se leve a sério semelhantes profissionais e os seus meios de comunicação.

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    • Filipe Costa permalink
      27 Janeiro, 2017 23:10

      Espera o quê dos média? São controlados ao pormenor, repare nos donos dos grandes grupos de comunicação, estamos controlados.

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    • lucklucky permalink
      28 Janeiro, 2017 00:30

      Quando perceber que a maior parte dos jornalistas não são jornalistas mas avençados políticos e que os Jornais e TV’s não existem para dar notícias mas para fazer proselitismo de esquerda…

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  10. Rui Pereira permalink
    28 Janeiro, 2017 00:38

    Minha cara senhora, vive em que país? Norte da Europa, suponho. Em Portugal não temos empresários, temos patrões! Pagam apenas o que são obrigados a pagar e, não pagam menos porque a maldita Lei não deixa. Pagam salários miseráveis e ainda dizem que os empregados são um chulos e não se esforçam. Gostaria de saber se também se esforçava e dedicava ao seu trabalho com patrões e salários deste calibre. O que apregoa pode ser realidade no País das Maravilhas, o da Alice, mas não é certamente no nosso Portugal real. Empresários temos alguns mas, mesmo assim basta ver o que ganham os funcionários dos hipermercados… O bom português só faz o é realmente obrigado a fazer e, mesmo assim, na nobre arte do desenrasca, há sempre uma maneira de contornar as situações. Tudo o resto é música para os meus ouvidos.

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    • Cristina Miranda permalink
      28 Janeiro, 2017 10:06

      Quem anda fora da realidade empresarial portuguesa, é você. Eu fiz parte dela. Sei do que falo. Os empresários de hoje, não são os ontem. Sim, houve evolução cá também. Muita gente nova a empreender com espírito empresarial muito diferente dos pais ou avós. O que digo no texto é que, para chegar ao nível superior de salários, não é continuando a estimular o SMN mas sim DAR BENEFÍCIOS FISCAIS a quem não recorre a ele. Ou seja, ele (SMN) deve continuar a existir como base, é só. Digo ainda que se deve igualmente premiar fiscalmente todas as empresas para que invistam nas melhorias condições de trabalho. É simples. Havendo retorno financeiro, com redução de impostos, para quem aposta na qualidade das condições de trabalho, até o MAIS BRONCO fará contas e aproveitará essas benesses. É básico. Diga ANTES que é o ESTADO que gosta de promover a precariedade ao não ir por este caminho porque lhe reduz nas receitas. No entanto, sendo como dizem, 1 Estado Social, é o seu dever criar condições PARA TODOS poderem, em conjunto, atingir essa meta. O nosso país é dos que tem maior carga fiscal sobre empresas. Assim, não se chega lá.

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  11. Ricciardi permalink
    28 Janeiro, 2017 09:04

    Não percebi o argumento referente ao preço do salário mínimo. Refere a postadora que o custo do sm é de 900 euros para a entidade patronal para 557 euros recebidos pelo trabalhador.
    .
    A diferença portanto fica quase toda para o estado.
    .
    Sendo assim faz sentido que seja a parte de leão (o estado) que reduza as contribuições. O que dá razão ao governo.
    .
    Donde se concluiu que para a esquerda o sm é baixo e para a direita é alto.
    .
    Ora, Eu não acho que o sm seja alto ou baixo. Depende de cada empresa.
    .
    Em termos médios está acima do que devia estar. Em termos reais está acima nuns casos e abaixo noutros.
    .
    Isto significa que, não podendo o sm acabar, porque há leis no país, a definição do sm deve ser feita com mais variáveis que possam ajustar o nível do sm à realidade micro. Introduzir por exemplo factores como a interioridade, o sector, a idade etc como se pratica, por exemplo, na Suíça.
    .
    O ideal seria não haver sm, mas isso, além de não ser possível neste enquadramento jurídico, também não criaria bons incentivos a ganhos de produtividade empresárias focados em factores como a inovação, marca, etc.
    .
    Rb

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  12. R. Sousa permalink
    28 Janeiro, 2017 10:13

    Deixem os empregadores construirem espaços de laser, creches, trabalho à distância no quentinho para os seus colaboradores, chocolates, excursões à Eurodisney, etc. Eu acho que o Estado é mau por não deixar os empregadores fazer isto aos seus colaboradores, concordo, Cristina.

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    • Cristina Miranda permalink
      28 Janeiro, 2017 19:08

      Pelo seu comentário, você pertence ao mesmo grupo de pessoas que produzem miséria no país. Nunca criou 1 empresa. Não entende do assunto mas é mestre em apoiar medidas retrógradas de pseudo-apoio ao desenvolvimento das condições laborais. É por isso que temos o país que temos.

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      • R. Sousa permalink
        28 Janeiro, 2017 21:53

        Quer tornar o assunto pessoal? Já trabalhei por conta própria, já emigrei, e trabalho agora a recibo verde, não é raro trabalhar mais de doze horas por dia, e nunca recebi um centimo de subsídio do estado para mim, ou para quem trabalhou comigo. E a Cristina?

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      • Cristina Miranda permalink
        30 Janeiro, 2017 15:54

        Olha só a coincidência… Muito parecido com meu percurso… Sendo assim, Só não entendo é a forma como se refere ao assunto… estranho… muito estranho…

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      • R. Sousa permalink
        30 Janeiro, 2017 19:13

        Estranho mesmo é você fazer apreciações sobre mim, sem me conhecer de lado nenhum.

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      • Cristina Miranda permalink
        30 Janeiro, 2017 21:44

        Pois não… Mas li seu comentário… Ou pensa diferente do que escreveu, ou não se lembra do que escreveu

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      • R. Sousa permalink
        30 Janeiro, 2017 23:32

        Penso exactamente o que escrevi. Queria é que me explicasse como é que contribui para a miséria do país, eu que toda a vida trabalhei no duro. Mas já que se permitiu fazer apreciações sobre a vida de quem não conhece, gostaria de saber também qual o percurso profissional da Cristina.

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    • Cristina Miranda permalink
      31 Janeiro, 2017 16:24

      “Deixem os empregadores construirem espaços de laser, creches, trabalho à distância no quentinho para os seus colaboradores, chocolates, excursões à Eurodisney, etc. Eu acho que o Estado é mau por não deixar os empregadores fazer isto aos seus colaboradores, concordo, Cristina.” Este foi o seu comentário que despoletou toda esta conversa. Foi com base neste comentário que disse o que disse e reitero. Percebeu? Quanto a mim, fui docente do ensino público 6 anos e depois directora financeira de empresas até 2009. Dessa data até hoje sou trabalhador independente. Esclarecido?

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      • R. Sousa permalink
        31 Janeiro, 2017 17:35

        Não, não percebi, tem que ser um pouco mais concreta, já que é da minha vida que fala. Como é que concluiu daí que produzi miséria?

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  13. castanheira antigo permalink
    28 Janeiro, 2017 13:03

    SMN é mais uma fantasia dum estado controlador ,manipulador e opressor .
    Com uma carga burocratica avassaladora e uma carga de impostos muitissimo superior á admissivel ao nosso grau de desenvolvimento , o “estado” age como se os problemas fossem de geração espontãnea e não causados por uma miriapede de leis , regulamentos e imposições que os politicos no poder aprovam afim de manterem esse mesmo poder ;
    E para aqueles que dizem que os nossos males estão nos nossos empresarios que são maus são patrões , digo que já não estamos na idade media e que se houver condiçoes de liberdade economica e moderação fiscal e burocratica os investimentos aparecem vindos de todos os cantos do mundo .Ninguém sente qualquer confiança com comunistas e socialistas no poder cujo foco é a riqueza existente e não a riqueza a criar .

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  14. ABC permalink
    28 Janeiro, 2017 13:49

    Eu fiz as contas. E a Cristina esqueceu algumas parcelas. Não são 14 salários para 11 meses, há que contar feriados e fins de semana, mais atrasos e faltas ocasionais que dão tanto trabalho a reportar que o melhor é deixar passar. Para um salário líquido para o trabalhador, a despesa para o patrão é muito perto do dobro, em tempo efectivo de trabalho. Muitas vezes é preferível fazer outsourcing.
    O mercado de trabalho está tão parvo que um conhecido meu aumentou os empregados e foi mesmo ameaçado por outros patrões do ramo. A partir daí teve de procurar soluções para aumentar os empregados sem ninguém dar por isso. Acontece que cada empresa é um caso, umas podem pagar mais, outras menos, e outras nem podem pagar. O salário devia sempre ser o que o gestor entende, nunca imposto, porque não faz sentido. O gestor sabe que o salário é uma motivação importante para o trabalhador, se puder dar mais, dá.
    Exceptuando na função pública, onde o salário está totalmente desligado da produtividade, trabalhadores bem pagos dão um lucro maior do que os mal pagos e sem vontade de colaborar.

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    • R. Sousa permalink
      28 Janeiro, 2017 14:47

      trabalhadores bem pagos dão um lucro maior? Por acaso, não. Se eu for pago dois euros à hora, e o patrão cobrar ao cliente quatro, o lucro é maior do que se pagasse mais. Da mesma maneira, se pagar 10% de comissão, e não 20%, o patrão tem mais lucro, e se me pagar 500 em vez 600, lucra mais. Sabe o que dá a vontade de “colaborar”? É ter família para alimentar.

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      • ABC permalink
        28 Janeiro, 2017 19:50

        O que você está a dizer é que para um trabalho idêntico, é-lhe indiferente ganhar 10 ou 100? Quer ganhe 10 ou 100 vai trabalhar com a mesma disposição? É que nesse caso você mesmo se coloca na posição em que não vale a pena pagarem-lhe mais.

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      • R. Sousa permalink
        28 Janeiro, 2017 20:59

        Não me é indiferente, nem vou com a mesma disposição, mas tenho que trabalhar na mesma e o lucro que dou ao patrão é igual. Ele sabe que não tem de me pagar mais, tem razão. Não entendo o raciocínio que está a fazer.

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      • ABC permalink
        28 Janeiro, 2017 22:00

        Tem a ver com a produtividade. Eu dou-lhe um exemplo que conheço;
        Dois operadores de empilhadores. Um faz uma carga em 15 minutos, nas calmas, e outro faz o mesmo em 30, e sempre a forçar a máquina. Ao fim do dia, da semana, do mês, do ano, a diferença nota-se. Devem ganhar o mesmo?

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      • R. Sousa permalink
        29 Janeiro, 2017 10:26

        Não, o mais rápido deve ganhar mais. E o patrão paga mais ao que é mais rápido? Simplesmente não precisa. Não brinque comigo. o mundo do trabalho não é um manual de gestão.

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      • ABC permalink
        29 Janeiro, 2017 20:19

        Não estou a brincar consigo. Nem estou a falar por falar. Um bom operador ganha mais ou vai-se embora. Não sei se você conhece a realidade. Há factores que pesam – por exemplo um tipo pode ser novato mas ter vontade de aprender. Pode não ser tão eficiente mas vê-se que se esforça por ser. A realidade, precisamente por não ser um manual, admite que colegas de trabalho com níveis de produtividade diferentes ganhem o mesmo sem que se zanguem uns com os outros e com o chefe. Na realidade as broncas só se dão quando não há competência nem vontade.

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      • R. Sousa permalink
        30 Janeiro, 2017 09:13

        Se diz que é assim nessa actividade, eu aceito, porque não a conheço bem. Um trabalhador que diz ao patrão que, ou lhe paga melhor ou se vai embora para outra empresa que lhe paga melhor, está longe de acontecer em todas as actividades, como imagina. Ou então, a economia vai bem melhor do que toda a gente pensava ;). Já agora, quanto é que pagam em média nessa atividade?

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  15. Arlindo da Costa permalink
    28 Janeiro, 2017 19:30

    Vamos fazer como o Trump. Comprar português e priveligiar a produção nacional. Os salários irão subir e o emprego crescerá.

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  16. Rui permalink
    29 Janeiro, 2017 02:32

    Eu concordo com alguma desregulamentação face aos despedimentos. Efetivamente o custo de despedir um trabalhador incompetente é tão grande que isso leva a que muitas empresas mantenham trabalhadores incompetentes devido a esse mesmo custo o que obviamente tem custos para a economia nacional.

    Contudo acho que efetivamente que trabalha deve ter direito a uma remuneração que permita levar uma vida decente, pelo que até acho que os 557 euros são curtos e penso que face aos números enormes de desempregados o poder negociar está tão concentrado nas mãos de quem contrata que faz sentido impôr limites.
    Agora o que eu acho é que devia haver uma discussão séria sobre os custos extra-vencimento sobre quem contrata. Acho que um bom programa para o país seria procurar reduzir os custos para as empresas que pagam vencimentos médios mais elevados pois é esse o tipo de empresas que devíamos tentar atrair para o país.

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    • Cristina Miranda permalink
      30 Janeiro, 2017 15:56

      Foi exactamente isso que eu defendi neste texto.

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  17. JCA permalink
    30 Janeiro, 2017 02:42

    .
    Nem mas Cristina Miranda,
    .
    bastaria isentar os Empregados e Empregadores da totalidade dos descontso para a S seguranca Social e imputar-lhe o excesso provocado em IVA, IRS etc que o Estado cobraria jusante
    .
    para o salario minimo nacional subir prãra os cerca de 750 €
    .
    acelerando fortemente o PIB e o consumo interno, natralmente tb a divida externa em termos de % do PIB, e basta aritmetica simples em vez de Oratorias&Teorias&supostasIdeologias, Tretas e C Lda.
    .
    ficando em termos de receitas do Estado e de Seguranca Social praticamente inalteravel e sem quaisquer prejuizos para Empresarios,
    .
    muito menos para a Balanca de Transacoes Externa, estamos a tratar duma faixa salarial com uma componente minima de Importacao para consumo praticamente inexistente,
    .
    a partir da minima quanto mais elevada a faixa salrial maior o peso nas Importacoes de produtos de consumo, luxo e prazer, salvo os endinheirados espartanos que hoje em dia contam-se pelos dedos;
    .
    mas ha-os com centenas de milhares e milhoes que nunca compraram um carro novo, deslocam-se em carros com mais 5/10 anos com centenas de milahres de quilometros, perfumes sao oos do sabao azul e na rua passam absolutamente despercebidos, nao por precisarem, apenas porque sao assim por educacao do berco e cultura do trabalho contrarios ao ‘niovo riquismo’ estatista.
    .
    Mas a Vida e assim.
    .

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