“Polícia! Estão cercados, saiam com as mãos no ar e deitem-se na balança”

Deu entrada na Assembleia da República uma petição contra o peso excessivo das mochilas escolares assinada por cerca de cinquenta mil portugueses. É muita assinatura! É como se durante um jogo do Sporting no Estádio José Alvalade, daqueles com casa cheia, todos os adeptos presentes colocassem o seu nome num papel com o intuito de salvaguardarem as colunas vertebrais dos seus filhos. E estou certo que os pais sportinguistas, não fosse o caso de os piquenos se deslocarem para o colégio de motorista, o fariam sem hesitações.
No texto dessa petição podemos ler que a Organização Mundial de Saúde recomenda que a mochila deve ter, no máximo, 10% do peso da pessoa que a transporta. Pelas minhas contas, baseadas no saudoso papel azul de 25 linhas, são necessárias duas mil folhas para acomodar cinquenta mil assinaturas, o que corresponde a quatro resmas de papel de escritório com 2,5 kg cada. O meu primeiro desejo, portanto, é que os 10 kg de papel utilizados na petição não tenham sido transportados para o Parlamento numa mochila. Ou então, a terem sido, que a pessoa responsável pela entrega pese no mínimo 100 kg. Claro que, nesse caso, sugiro-lhe que vigie a tensão arterial e o estado das coronárias.
Em relação à possibilidade de o legislador se intrometer nos sacos da criançada, não obstante a minha desconfiança generalizada a respeito do bom senso dos nossos deputados, parece-me bem. Já é tempo, depois de tantos séculos de discriminação, de conferir aos gordinhos uma vantagem competitiva no ambiente escolar. Quando estiver um polícia armado com uma balança e uma calculadora à porta do liceu, a pesar os alunos e a determinar os respectivos 10%, as faltas de material vão começar a atingir com muito mais intensidade os magros, deixando os roliços com mais hipóteses de sucesso escolar. É até provável que os pais mais exigentes, ansiando por bons resultados académicos, engordem os filhos à força para que estes possam transportar os livros de todas as disciplinas (e aqui está um aspecto que a OMS, certamente, se esqueceu de considerar). Tendo feito grande parte do meu percurso educativo na qualidade de gordo, gostava muito de ter contado, nessa altura, com uma lei deste tipo. Até imagino as miúdas mais giras (e magras) da minha turma a pedirem-me com voz suave: “Serginho, minha bolinha adiposa, leva por favor os meus cadernos na tua pasta que eu já estou nos 17% e tenho medo de ir presa; eu depois compenso-te com um beijo nas traseiras do pavilhão de Educação Física”.
Se alguma coisa há a apontar a esta petição é, sem dúvida, o seu âmbito demasiado restritivo. Toda a atenção é dada às mochilas escolares, descurando outros tipos de receptáculos com alças como, por exemplo, as mochilas de campismo. Já vi passar, à minha porta, grupos de escuteiros a caminho dos bosques, carregados com verdadeiras monstruosidades. É evidente que passar duas ou três noites a dormir no meio da natureza exige uma multiplicidade de equipamento, vestuário e alimentação que nunca ficará abaixo dos 10% do peso dos jovens campistas. Penso por isso ser necessário exigir ao Governo a instalação de cacifos nas diversas matas do país, para que os escuteiros lá possam deixar o material de um acampamento para outro.
Como não há bela sem senão, o alargamento do espectro legislativo vai provocar, quase de certeza, efeitos negativos noutras áreas. Estou a lembrar-me, mais especificamente, da música. Sabendo-se do peso de um violoncelo, de uma tuba ou mesmo de uma guitarra, é de esperar que os nossos jovens se concentrem na aprendizagem de instrumentos mais leves. Em resumo, vamos continuar ao som do cavaquinho e da gaita-de-beiços, tocados ao ritmo dos ferrinhos. Pelo menos enquanto formos um povo com falta de peso.

Republicou isto em O LADO ESCURO DA LUA.
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Se é para ter piada, não tem. As mochilas pesam muito e os escuteiros não andam armados em campistas 5 dias por semana – e nem compare o peso, as dos escuteiros são maiores mas pesam menos (você nem faz idéia do que é um escuteiro ou um aluno). O Sr. Sérgio devia experimentar a do meu filho durante 15 dias, podia ser que lhe sevisse de workshop contra a estupidez.
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Foi pena que na AR não se tivessem preocupado com o peso excessivo dos sacos que o Perna levava a Paris, só porque o destinatário desconfiava dos bancos.
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O que eu tenho verificado várias vezes é que o escuteiro
em vez de suportar o peso da mochila nos ombros alargando-os
ao máximo comprimindo toda a coluna verterbral (e portanto permitindo
uma respiração profenda) prefere dobrar-se para a frente curvando-se
feito velho de 90 anos. FALTA de juízo, talvez de informação.
AGORA PARA PIRAÇA (atenção, modelados ao “politicamente correcto”)
Vejam as fotos dos anos 30 e 40 dos jóvens da Alemanha Nazi
transportando as suas mochilas de campistas . . .
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Palerma- acaso ser escuteiro é uma obrigação como a escolaridade e a puta dos livros obrigatórios que têm de transportar?
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A questão aqui é a do volume versus peso. O papel é muito pesado para o volume. Pesa tanto como pedras, pesa mais que tijolos. Uma mochila de estudante chega quase aos 10 Kg. Um saco-cama não pesa muito. E o José Silva tem razão, há disciplinas que só servem para empregar professores.
Enquanto a UE, sensível às costas delicadas dos estivadores e agricultores reduz o peso das sacas de adubo, os miúdos alombam com chumbo. Como muitos dos nossos políticos tem cursos tirados ao fim‑de‑semana podem olhar de alto para uma geração que já vai crescer curvada ao peso da iliteracia oficial.
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Isto nada tem a ver com escuteiros. Tem de se levar ao Parlamento precisamente pelo facto da treta da escola ser questão ministerial (seja pública, seja privada), assim como a obrigação da tralha dos livros que têm de levar.
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Como escreveu acima o comentador ABC, se era para ter piada, não teve.
Enfim, como diz o ditado, no melhor pano cai a nódoa.
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Se em vez de crianças fossem cãezinhos não brincavam.
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Movimento dos Pioneiros
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Movimento de Pioneiros agrupa organizações juvenis relacionadas com os partidos comunistas pelo geral em estados socialistas. As crianças ingressam nestas organizações no início da escola primária e continuam nelas até a adolescência, momento em que que podem se filiar à juventude do Partido propriamente dita, como o Komsomol soviético. O principal distintivo dos pioneiros, cuja filiação é voluntária mas intensamente promovida, é um lenço — quase sempre vermelho — amarrado no pescoço.
Isto de Ditaduras, têm sempre o mesmo objetivo: a juventude simbolicamente “levar no cu”
Veja-se a nossa Mocidade Portuguesa, certinho.
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Ó parvinha aí de cima: estava-me a referir à maneira
saudávelmente correta de transpoetar-se uma mochila.
Não chegas lá, não é?
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Vai trepar a um galho e desorelha
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Imbecil- alguém ia agora enviar petição à Assembleia por causa de fulano e sicrano que não sabem pegar nas mochilas de escuteiros?
Pareces mongo e és.
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coitadinha, q ual foi a última vez que tiveste de recorrer a um Psiquiatra?
Vá diz…
Tendo eu lembrado de que há maneira de transportar o peso de uma mochila
sem que de tal decorra malefícios para as pessoas: escuteiros, Pides, Revolucionários, Legionários, jóvens, etc. vem-me com a parvoice
das “Mochilas de escuteiros”, os quais por o serem voluntariamente, segundo
a tua brilhante observação, já não há que ter cuidados…
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Eu sei bem onde é “que te doi”
Basta “meter-me” com o Salazarismo . . .
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A ti doi-te a peida e eu também adivinho o motivo.
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“que a pessoa responsável pela entrega pese no mínimo 100
ehehehehe!!! muita bom.
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Excelente artigo! É de loucos a intromissão do estado e do legislador na vida do indivíduo! Mais uma vez parabéns pelo excelente artigo! Até dentro do espaço privado, como a estória do cigarro dentro do carro quando há crianças! Ou obrigar ciclistas a usarem capacete! Até onde vai esta loucura estalinista? As restrições regulatórias têm de ser realizadas do lado da oferta (produtores, distribuidores, comerciantes) e jamais do lado do indivíduo.
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Lá vem o ciclope com a “estória”.
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A Petição veio do lado do “indivíduo”. É uma Petição Pública, assinada por indivíduos. Não tem a ver com um espaço privado – o automóvel – mas com um serviço público. Duvido é que um tipo que fuma no carro com crianças lá dentro ou que ande de bicicleta sem capacete perceba alguma coisa de civilidade. Se calhar também conduz sem cinto de segurança e embriagado?
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Estamos cercados, com e sem mochilas.
Não se sai deste tipo de situações sem partir a loiça.
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A questão não é o peso da mochila mas dos livros. Acho mesmo que os livros deviam ter na contra-capa a indicação do peso e dos ingredientes.
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BRILHANTE, sim, senhor !!!
E nós, os blasfemos, a julgar que era o peso da mochila . . .
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O estado em vez de se preocupar com o peso da mochilas e os idiotas inuteis que disso se ocupam… como os da petição, ou como o autor da prosa supra.
Mostrariam um pouco mais de inteligência criticando o numero de matérias tranformadas em disciplinas. São mais de uma dezena, e cada uma com seu livro, o seu professor, as suas especifidades … enfim as suas tretas.
Acham mesmo necessário 12 ou 13 disciplinas?
Horarios que podem obrigar a mais de 30 horas na escola… e ainda trabalhos de casa?
Quem paga? Os contribuintes e os pais contribuintes!
Existe mais de 50%, que recebe e nem retribui em empenho. E para estes mochilas cheias de pedra! (na aula de natação)
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Havendo acesso a e-livros escolares, bastava um telemóvel com eles. Ah é verdade, os telemóveis não podem entrar na aula. Há o recurso às pen-drives, mas se o aluno não tem portátil, nem a sala tem pcs, TILT.
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Se o ensino do sítio não estivesse cercado pelos sindicatos, pelos livreiros e pelos alunos que não querem aprender nada – 50º aproximadamente. haveria forma de transpor dificuldades. o peso das mochilas nem +e das maiores embora possa causar danos.
https://www.qinetwork.com.br/4-vantagens-do-uso-de-tablets-nas-salas-de-aula
Não vai ser com a geringonça com certeza. O magalhães foi o que se viu. A américa latrina a funcionar cá no sítio.
Os alunos partiam tudo, olhavam para aquilo como boi para palácio, queriam era jogar qualquer coisinha, os professores sem apoio foram incapazes de coordenar projectos, sobrecarregados como estão com a burocracia opressiva do costume.
A qualidade do brinquedo era fraca, avariava muito. Houve, também “falta de liderança, envolvimento e incentivo por parte dos directores dos agrupamentos, falta de salas apetrechadas com tomadas e com ligação à internet, falta de assistência técnica aos portáteis, que avariam com frequência e facilidade, e falta de modelos/tipos de planificação que integrem o Magalhães nas actividades lectivas e nos currículos dirigidos aos alunos do 1º ciclo do ensino básico”. A peçonha do estado socialista, por todos conhecida, que enche os bolsos aos seus amigos funciona sempre.
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zazie PERMALINK
22 Março, 2017 16:58
Tu +e que deves estar a precisar que te tratem do buraco redondo
porque o rasgado está em estado tal que já não arranjas “fregueses” . . .
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Deves estar a imitar o que o teu pai dizia à tua mãezinha.
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Pois, pois, puta encarquuilhada . . .
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A tua filha é que sofre quando tu é referida. . .
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Finalmente aparecem gajas boas!
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