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Há petróleo no Beato. Estamos tramados!

31 Maio, 2017

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Não sei quanto tempo mais irá Jerónimo de Sousa aguentar as provocações de António Costa, mas desconfio que a corda poderá partir a qualquer momento. Não falo das cativações nos serviços públicos, do aumento dos impostos indiretos ou dos cortes no investimento estatal, pois a austeridade, com maior ou menor esforço, é sempre passível de ser transformada noutra coisa qualquer através da nobre arte da comunicação profissional (aquela actividade a que o Pinóquio por vezes se dedicava e que lhe fazia crescer o nariz). Falo sim do permanente ataque que o líder socialista dirige às expressões e ditados populares, retirando-lhes o sentido e a oportunidade de utilização. É bem conhecido o carinho que o secretário-geral do PCP nutre pelas máximas construídas ao longo dos séculos pelo povo, colocando-as praticamente ao mesmo nível das que foram transmitidas por Marx e Lenine. Na verdade, nada tenho contra esse afecto; julgo até que o movimento comunista internacional podia ter poupado a humanidade a muitas páginas de maçadora teoria se dele partilhasse. Quantos volumosos tratados foram escritos sobre o insubstituível papel do Partido Comunista como vanguarda do proletariado, quando tudo poderia ter sido facilmente resumido a um progressista “candeia que vai à frente alumia duas vezes” seguido de um pragmático “manda quem pode, obedece quem deve”?

Lamentavelmente para Jerónimo de Sousa, as hostilidades contra a cultura popular foram abertas logo depois das eleições legislativas. Ainda estavam os inocentes filósofos de café a proclamar que “o segundo é o primeiro dos últimos” e já António Costa engendrava um esquema para se sentar na cadeira de Primeiro-Ministro e estuporar o provérbio.

Agora, segundo leio, há um novo dito na calha da irrelevância. Sempre que, num negócio imobiliário, o vendedor exagerava no preço pedido, era certo que seria confrontado pelo comprador com um energético (relativo a energia, note-se) “mas há petróleo debaixo da superfície?!” Eram os tempos pré-Costa, os tempos do ouro negro, tão desejado por todos que se chegavam a travar sangrentas guerras pela sua posse. Na actualidade tudo é diferente, e a simples perspectiva de tal viscosidade poder estar presente no nosso território provoca calafrios no executivo. Por esse motivo, e de acordo com o jornal Sol, o Governo prepara-se para pagar indemnizações às empresas afectadas pela rescisão unilateral dos contratos de prospecção de petróleo assinados no tempo de Passos Coelho, entre as quais se encontra a sociedade de Sousa Cintra. Andava o empresário a alimentar a esperança de, sujando as mãos a trabalhar, enriquecer à custa dos hidrocarbonetos e afinal vai ter de se contentar em, não fazendo nada, enriquecer à custa dos contribuintes. Há pessoas com muito azar!

Quanto às rescisões propriamente ditas, penso que não há nada a apontar. O negócio dos combustíveis fósseis é uma mistura de inconsciência ambiental e ganância que só faz sentido em países do terceiro mundo tais como o Canadá ou a Noruega. E os nossos governantes não podem correr o risco de afugentar algum turista mais sensível à problemática ecológica por causa desta actividade extractiva geradora de fortes lucros; se há turistas a mais, como se vai ouvindo da boca dos mesmos governantes, estes devem ser afugentados recorrendo a estratégias geradoras de vastos prejuízos.

Até hoje existiam no mundo dois tipos de países: os que não tinham petróleo e gastavam dinheiro a comprá-lo e os que tinham petróleo e ganhavam dinheiro a vendê-lo. Com este incumprimento contratual, Portugal inventa um novo grupo só para si: o dos países que, por não o terem, gastam dinheiro em petróleo, ao mesmo tempo que, para não o terem, gastam dinheiro em indemnizações. Ainda dizem que há falta de inovação neste cantinho lusitano…

 

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13 comentários leave one →
  1. Viriato de Viseu permalink
    31 Maio, 2017 12:37

    Uma factura pesada com a importação de petróleo…e com ele aqui tão perto.

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  2. jmpg permalink
    31 Maio, 2017 12:58

    Petróleo não obrigado, nuclear não obrigado . Sol e vento sim, quando não houver nem sol nem vento logo se vê.

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    • 31 Maio, 2017 13:36

      Houve um magnifico tempo, em que a humanidade vivia só de sol e vento, as pessoas eram felizes e prósperas, Chamava-se idade da pedra, do bronze e por aí fora…

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      • licas permalink
        31 Maio, 2017 18:14

        A idade do “bronze” só começou no sec.XX
        porque antes disso osfatos de banho eram completos:
        do pescoço aos joelhos.

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  3. lucklucky permalink
    31 Maio, 2017 14:02

    Acrescentar os que querem afugentar a sua própria população e turistas.

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  4. piscoiso permalink
    31 Maio, 2017 14:17

    Mas afinal há petróleo ou não há petróleo?
    Passos Coelho é do Sporting?

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  5. Barão Marquês permalink
    31 Maio, 2017 15:58

    É só isto, tão simples como isto, e nada mais do que isto.
    Só falta vir o dia em que todos percebam que afinal chegou tardia a visualização de um amanhanço de tamanho gigante.
    Tão foleiro quanto vil e grotesco, em que tudo se resumiu ao auto resgate de um atarantado cadáver politico.
    Tão rastejante como os que lhe ampararam a pantomina.

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  6. Filipe Costa permalink
    31 Maio, 2017 19:38

    O que me parece é que o PS chuta isso para a frente para ganhar posição negocial no OE 2018.

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  7. André Miguel permalink
    31 Maio, 2017 19:40

    Só quando beneficiar aventais é que se avança com isso. Ate lá o povo que aguente, pague e cale.

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  8. Arlindo da Costa permalink
    31 Maio, 2017 21:49

    Os cofres estão a encher-se…finalmente!

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  9. carlos alberto ilharco permalink
    31 Maio, 2017 23:21

    Segundo me parece ter lido, Portugal já produz o petróleo suficiente para as suas necessidades.
    Não cá, que dá poluição mas dos dos furos “lá fora” onde tem importantes quotas.
    Se alguém tiver números ou souber explicar isto melhor, agradecia.

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