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Assim Não Saímos da Cepa Torta

15 Março, 2018

Não sou nem serei nunca apologista de impostos. Porque tal como a palavra indica, imposto é impor.  É sacar parte do nosso suor diário a trabalhar ou a empreender sem pedir licença. Mas compreendo que para ter um Estado Social seja necessário contribuir para o sustento dele. O problema é que há décadas que legalmente os políticos deste país metem a mão nos dinheiros arrecadados das famílias portuguesas e empresas, para o distribuir por eles próprios, suas famílias, amigos e clientelas criando um Estado mamão insaciável que além de crescer desmesuradamente, sacrifica cada vez mais quem trabalha. E isso é extorquir.

Com a desculpa de que faz falta mais dinheiro para acudir ao Estado Social e mais outras tantas tretas para burro comer, não se limitam a cobrar impostos já existentes. Aumentam e inventam mais uns quantos. É a máquina fiscal do Estado ladrão a triturar a economia para sobreviver. Ele e quem manda nele. Como não há na Constituição nenhum limite à cobrança de impostos, é só ter imaginação e vítimas para taxar. Isto não é governar. É roubar! Para que este roubo fiscal tivesse uma justificação válida teria no mínimo, na mesma proporção, de ter retorno na sociedade. Ou seja, pagar impostos , mesmo que altos, mas em contrapartida ter serviços de saúde, educação, segurança e protecção social  de excelência para todos, bons salários e reformas. Como acontece nalguns países. Mas por cá, zero! O que temos é uma carga fiscal das mais pesadas da Europa para ter gente a morrer em listas de espera para tratamentos e cirurgias, ou cirurgias suspensas por falta de assistentes operacionais, ou Centeno a suspender pagamentos a fornecedores de Hospitais a provocar falência técnica do SNS ou congelar entrada de especialistas ou deixar escolas sem auxiliares, enquanto contratam mais 10 000 pessoas no Estado sem sabermos muito bem para quê se onde fazem falta não existem.

O nosso Primeiro Ministro está tão orgulhoso com seu desempenho nesta arte de (des)governar onde criou um conceito único  de “fim de austeridade e reposição de rendimentos”, com aumento brutal de impostos em três OE (mas que génio!) desde Gaspar no período da Troika, que até já foi propor a fórmula à UE com a criação de mais impostos que, segundo ele, não vão recair sobre os cidadãos europeus (só sobre os marcianos). Palavra – que não vale nada – dada. Ou seja, mais roubo.

Ora temos de reverter rapidamente este caminho de empobrecimento. Se temos salários baixíssimos não podemos ter impostos altos.  Mas também não é possível ter salários  mais altos com impostos pesados sobre quem cria postos de trabalho.  Nenhuma economia sobrevive  assim sem se endividar e consequentemente, empobrecer. É preciso importar bons exemplos de governação e aplicá-los. Por muito que alguns tentem negar, há uma relação evidente entre qualidade de vida  e o pagamento de impostos. Países que cobram menos e simultâneamente melhor aplicam os impostos cobrados,  proporcionam melhores condições de vida aos cidadãos. Porque não é o valor do salário que conta (há países com salário elevadíssimo e não chega para nada) é sim o valor que fica depois do que se desconta em impostos e despesas básicas de sobrevivência. No caso de Portugal: nadinha. Estamos na 29ª posição em qualidade de vida (dados OCDE) em 38 países avaliados. Quase no fundo da tabela. Uma vergonha.  

Analisando dados disponíveis da OCDE constatamos que o Top 10 dos países com mais qualidade de vida é constituído por países como Noruega, Austrália, Dinamarca, Suiça, Canadá, Suécia, Nova Zelândia, Finlândia, EUA e Islândia, países que, com excepção da Suécia, Finlândia e Dinamarca estão também no Top dos países que menos cobram impostos. Ou seja, são países onde menos se sacrifica as famílias e empresas com o retorno dos seus impostos bem aplicados na sociedade em prol do seu bem estar.

E é este um dos  caminhos para tirar este país do lodo.

 

 

 

 

 

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13 comentários leave one →
  1. 15 Março, 2018 20:08

    Deviamos estabelecer as funções que um Estado deve ter, mudar a mentalidade dos jovens e dizer-lhes que X% dos descontos são para capitalizar, deixar o principio distributivo das reformas ir caindo até ZERO. Isto é um pequeno exemplo.

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  2. Arlindo da Costa permalink
    15 Março, 2018 20:16

    Em todos os países que indicou – em especial os países nórdicos – são aqueles que os contribuintes per capita e por percentagem do rendimento bruto, pagam mais impostos, incluído o «liberal» EUA.

    Vá para a Dinamarca e vê lá como aquilo funciona.

    A grande diferença é que esses países – em especial os nórdicos, a Islândia e a Suiça – são países civilizados e os seus povos são cultos e prudentes, ao contrário dos portugueses que sempre foram uns chico- espertos e que sempre quiseram viver à custa do Estado, isto é, de todos, em especial os «capitalistas» e acabando nos liberais da treta que vegetam nas repartições públicas…e nos blogues 🙂

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  3. carlos alberto ilharco permalink
    15 Março, 2018 20:21

    O que aqui está escrito, já foi escrito por outros milhares de vezes.
    Nada que tire valor a esta exposição.
    Infelizmente nada mudou e nada vai mudar.
    O povinho português na sua esmagadora maioria é um pequeno furo acima da completa ignorância misturada com uma iliteracia assustadora condimentado com um passividade bovina.
    E do restante uma esplêndida parte vive desta mama.
    Portanto as esperanças de que algo mude, são iguais à possibilidade de a limpeza da floresta ser um êxito.

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  4. ANTONIO MANUEL PAIXAO AFONSO permalink
    15 Março, 2018 20:54

    O PM disse hoje que o povo era o culpado pelas 122 mortes dos incendios do verão passado. Ninguem na Assembleia miou, nem esquerda nem direita. Logo esta tudo bem. Nós vivemos num País de pessoas sem coluna direita.

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    • Luis Gonçalves permalink
      15 Março, 2018 21:03

      Qual a diferença entre impostos e juros?

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    • carlos alberto ilharco permalink
      15 Março, 2018 21:35

      E fizeram muito bem em ficar calados.
      Todos, absolutamente todos, têm culpa total do que aconteceu.
      O órgão máximo de poder em Portugal é a Assembleia da República, logo sentadinhos e em respeito.

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  5. Mario Figueiredo permalink
    15 Março, 2018 22:39

    Correcção: Ele já não diz que os portugueses não vão pagar. Com 32,31% dos votos dos portugueses, foi ontem dizer no parlamento europeu que Portugal estava disposto a aumentar a sua contribuição para o orçamento europeu.

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  6. 15 Março, 2018 22:52

    O AC-DC é um atarantado. Sem nível político, social, intelectual. Continua com o rei na pança. Pensa que todos são parvos, acéfalos, bovinizados militantes ou simpatizantes do P”S”.
    Estes tipos e tipas do P”S” sempre sacaram via impostos. E autoprotegem-se, claro !

    A propósito: a colossal dívida do P”S” como está desde que usurpou e instalou-se no governo via geringonça ?

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  7. José Domingos permalink
    15 Março, 2018 23:47

    Mas os portugueses, querem sair do lodo? O cidadão português, gosta de viver assim, não quer saber do futuro dos filhos ou dos netos, as dividas alguém vai pagar se é que pagam, na pior das situações, o estado ajuda.
    O português quer é créditos e almoçar fora fazer figura de rico.
    O português, quer é parecer, doutor, professor, engenheiro um bem sucedido self made man, pertencer a uma “elite” citadina, o que quer que isso seja e ir confraternizando com a plebe, quando apetece.
    Vota em quem lhe dá mais aumentos e mais retornos, o partido dele é o da carteira.
    Os partidos políticos, há muito que perceberam isso e limitam-se a alimentar os animais com restos, porque não estão minimamente interessados no povo, todos eles têm o seu próprio programa, que começou com a constituição, que blindava o acesso de independentes ao parlamento e não só.
    Portugal não vive numa democracia, vive-se numa partidocracia, onde tudo é combinado.
    Esta naçãozinha, não tem futuro, já está hipotecado.

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  8. André Miguel permalink
    16 Março, 2018 06:43

    A ignorância dos nativos alimenta a voracidade dos governantes e a comunicação social ajuda à festa.
    Pesquisem informação sobre o esforço fiscal em Portugal face à OCDE e UE… era correr à paulada com esta trupe de políticos de merda que temos há mais de 40 anos.

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  9. Miau permalink
    16 Março, 2018 10:53

    Cristina Miranda,
    «… ou cirurgias suspensas por falta de assistentes operacionais»

    Tanto quanto sei (uma vida no HSM) assistentes operacionais são as antigas empregadas de copa, depois empregadas auxiliares. Não me diga que fazem falta num bloco operatório. Só para limpar o chão e recolher o lixo (compressas, plásticos,v,g,) após uma cirurgia.
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