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São Pedro Gordo

2 Abril, 2018

mr

 

– Dá para entrar, São Pedro?

– Não te conheço, meu filho, não deves ser cliente habitual. Como te chamas?

– Sou o Manuel Reis, cheguei agora mesmo de Lisboa.

– É melhor tentares noutro dia, Manel, não estás na lista de convidados e a casa está cheia.

– Bolas, São Pedro, o 007 é que entrou num filme chamado “Morre noutro dia”! Isto aqui não é cinema, estou um bocado limitado nas opções!

– Ehehehe, já me tinham dito que eras um gajo bem-humorado. Ok, podes passar, são 240 euros.

– 240 euros?! Mas acabaste de pedir 12 euros à última pessoa que entrou! É que nem na Venezuela a inflação está tão descontrolada!

– Misteriosos são os caminhos do Senhor, Manel. E, por vezes, caros…

– Eu li algures que o Limbo tinha acabado, gostava de saber para onde vou com estes valores celestes de consumo mínimo.

– Oh meu filho, estou a brincar, claro que podes entrar sem problemas. É fácil de perceber que tu és um tipo impecável, estava só a pegar contigo por causa deste tipo de traquinices que tu fazias lá em baixo.

– É a “política da porta”, São Pedro, não é por mal. Isso faz-se em todo o mundo e é obrigatório para o sucesso do negócio. Pergunta ao teu patrão omnisciente, ele sabe disso.

– Sabemos todos, Manel. E compreendemos a situação. Aliás, aqui na Igreja também temos uma espécie de “política da porta” relacionada com o sacerdócio: achamos que a nossa actividade pode ser melhor desenvolvida se não permitirmos a ordenação feminina.

– Pronto, ainda bem que entendes a minha situação.

– Claro que sim. O que não entendo é a veneração que te dedicaram nos últimos dias, uma vez que foi feita, quase sempre, por pessoas que nos azucrinam a cabeça diariamente por causa da discriminação que levamos a cabo!

– Vocês andam a discriminar mal, isto tem de ser feito com arte. É uma encenação como outra qualquer.

– Achas que estamos a precisar de um sommelier da discriminação? Podias dar-nos umas dicas, Manel…

– O mais importante é nunca discriminares os profissionais da luta contra a discriminação. É pessoal muito chato, devem ser mimados com regularidade. O resto vem por acréscimo: discriminação no cu dos outros é refresco.

– Não me parece que isso chegue. Bolas, Manel, falemos a sério! Prestaram-te um culto, lá na tua terra, como eu já não via desde as aparições da Cova da Iria!

– Dá-lhes um desconto, São Pedro, lembra-te do Eclesiastes: “vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. Na maior parte dos casos, quando estão a falar de mim não estão a falar de mim; estão a falar deles. Vamos lá mas é à festa. Quem é que está a pôr música hoje?

 

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14 comentários leave one →
  1. Artista português permalink
    2 Abril, 2018 14:57

    Mais pena tenho desta menina do Papá …

    https://www.msn.com/pt-pt/financas/empresas/isabel-dos-santos-defende-se-%E2%80%9Co-meu-forte-n%C3%A3o-s%C3%A3o-as-contas%E2%80%9D/ar-AAvn3Q3?li=BBoPWjC

    …que diz não saber fazer contas. Estava mal habituada pois era o pai que lh’as fazia. O pai, para sua desgraça (e dela), só sabia fazer contas de subtrair.

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  2. André Miguel permalink
    2 Abril, 2018 15:03

    Um país cuja assembleia da república (assim mesmo, em minúsculas) aprova um voto de pesar por um taberneiro merece todas as misérias que o afligem. Nem no 3° mundo…

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  3. Aventino permalink
    2 Abril, 2018 16:12

    O importador do gel para homens vai receber o prémio Nobel da química.
    A assembleia dos frouxos vai prestar uma emotiva homenagem a quem teve a visão de
    importar 16 contentores de gel para o cabelo, contribuindo desta forma para melhorar
    o visual dos portugueses, tornando-os mais sofisticados e mais evoluídos.
    “Haverá sangue”

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  4. 2 Abril, 2018 16:20

    Manuel Reis, pessoa extraordinária ! RIP.
    Há a Lisboa nocturna, cultural e não só, antes e após MReis ! Com algumas cidades (Porto, Coimbra, Braga…) a assimilarem e criarem espaços a partir do “modelo” Frágil e Lux-Frágil.

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    • André Miguel permalink
      2 Abril, 2018 16:56

      Explique-nos lá que “modelo” é esse e em que difere do modelo anterior de um bar ou discoteca quaisquer…

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      • 2 Abril, 2018 17:07

        Terá de se informar. Depois volte aqui e tente comparar diferenças e “modelos” adoptados.
        O Frágil não foi e o Lux-Frágil não é…”bar ou discotecas quaisquer”.

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      • 2 Abril, 2018 17:44

        O modelo adoptado e depois assimilado designa-se “ambiente seleccionado”

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      • André Miguel permalink
        3 Abril, 2018 10:02

        Mjrb,
        Continuo a aguardar que nos mostre qual a diferença do modelo. É assim tão difícil?!

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  5. 2 Abril, 2018 18:24

    RC,

    Também Vc. terá de informar-se muito melhor. Não foi só pelo “ambiente seleccionado”. O que interessou a proprietários de bares, discotecas, noutras cidades, foi uma ruptura tendo como “modelo”, o Frágil e o Lux-Frágil.

    André Miguel e RC,
    se quiserem ler na net textos sobre o MReis (por ocasião da sua morte), encontrarão o importante trabalho que realizou e…proporcionou a outros.
    (E não foi tudo dito sobre a sua influência e apoios).

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  6. carlos alberto ilharco permalink
    2 Abril, 2018 18:43

    Na maior parte dos casos, quando estão a falar de mim não estão a falar de mim; estão a falar deles.

    Esta aqui tudo explicado, de uma maneira definitiva e brutal.
    A Câncio não lhe cabe um feijão no cú, hoje volta à carga com mais uma crónica no desgraçado DN que anda sem director.

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  7. Churchill permalink
    2 Abril, 2018 20:00

    Aleluia
    O homem morreu, não me causa nenhum sentimento positivo, maior ou menor que milhões de outros. Mas parem lá com o endeusamento
    O Frágil era uma casa de gays arrogantes e provocadores, com aquela gorda escabrosa na porta a seleccionar pessoas com a indignidade própria do circo romano (sim, da época do César).
    O Lux de vez em quando tinha uns concertos interessantes, com uma acústica merdosa e preços de acordo com a disposição dos “seleccionadores de ambiente”.
    Se mudou Lisboa? talvez, assim como as casas de alterne do Intendente

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    • Euro2cent permalink
      2 Abril, 2018 22:05

      indignidade própria do circo romano (sim, da época do César)

      Por acaso acho que na altura a coisa era bem mais digna.

      Os merceeiros tendem a espremer o respeito próprio dos proletas até níveis tão baixos que deixariam o mais miserável pedinte da Subura boquiaberto: “Eles fazem o quê na televisão?!!”

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  8. 3 Abril, 2018 10:48

    André miguel,

    vc. é que tem de demonstrar que o MReis mais o Frágil e o Lux não foram importantes nem influenciaram.
    É assim tão difícil ?

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  9. carlos alberto ilharco permalink
    3 Abril, 2018 11:22

    O Frágil não foi importante?
    Ora essa, pelo menos para a porteira que foi subindo, primeiro a ajudar coitadinho, depois a ajudar-se a ela própria como Presidente de uma Junta de Freguesia que tinha lá dentro uma empregada que posou como desempregada nuns cartazes.
    Para não falar na ex-namoradinha de Portugal que entrou lá com 19 anos e logo naquela noite saiu com a experiência de quarenta.
    E que dizer dos larilas que já se podiam beijar com linguado sem serem incomodados?
    Esta parte eu não sei, quem o diz é a Câncio.
    Nunca lá fui, não tinham o Glenfiddich Janet Sheed Roberts Reserve 1955.

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