O enigma do Brexit
Numa colaboração do Blasfémias com o respeitado think-tank Centre for Policy Studies, fundado por Margaret Thatcher, partilhamos artigo de Oliver Wiseman.
Os Conservadores passaram os últimos dias enfrentando uma série de questões difíceis: Apoio o projecto da Primeira-Ministra para acordo do Brexit? Tenho confiança na Primeira-Ministra? Tal como bem documentado nas primeiras páginas dos jornais, alguns deputados já se decidiram sobre estes temas. Muito mais, suspeito, permanece incerto.
O imediatismo e a importância daquelas questões apenas aumentam à medida que se aproxima a data para o Brexit. Já ao virar da esquina, votos muito relevantes – e grandes decisões – se aguardam. E, dada a posição dos Unionistas, do Partido Trabalhista e do grupo de deputados mais eurocépticos favoráveis a um “Brexit duro”, a Primeira-Ministra enfrentará uma batalha difícil para consegui passar o seu acordo na Câmara dos Comuns, se e quando o momento chegar.
Por detrás destes dilemas históricos está uma série de igualmente difíceis e complicadas questões secundárias: Está a Primeira-Ministra certa quando diz que existem apenas três opções: o acordo dela, um não-acordo ou um não-Brexit? É correcto os apoiantes do Brexit no Executivo dizerem que se poderia voltar à mesa de negociações? Quão mau seria um Brexit sem acordo? Que novas concessões poderiam ser obtidas de Bruxelas por um hipotético novo Primeiro Ministro? Não existem respostas directas nem decisões fáceis nos intrincados caminhos do Brexit.
Estivesse eu na posição de apoiante do governo nas próximas semanas e estaria tentado pela alternativa de um acordo tipo EFTA apresentada entre outros pelo deputado George Freeman. Este lembra que foi uma solução que agradou a Lady Thatcher. Foi algo que uniu os trabalhistas Steven Kinnock e Frank Field na sua defesa – o primeiro um destacado europeísta, o segundo um apoiante do “leave”.
Falhando isso, seria para mim difícil discordar de Liam Fox, Secretário do Comércio que, numa inversão de uma frase da Primeira Ministra, diz agora que um acordo é melhor que um não acordo.
O acordo em cima da mesa tem muitas falhas, e rumores de que Bruxelas quer que os termos não satisfatórios do “backstop” sejam a base para o futuro relacionamento do Reino Unido com a União Europeia apenas aumentarão os receios de que a Grã Bretanha terá dificuldades em se colocar numa posição que maximize as oportunidades criadas pelo Brexit.
A alternativa, todavia, é um não-acordo.
Mesmo a versão “suavizada” apresentada por Iain Martin na sua coluna do Times não é suficientemente agradável. Tornou-se ainda menos apelativa pela forma pouco séria como o governo se preparou para uma eventualidade destas.
Contudo existe uma razão superior pela qual votar contra qualquer acordo que seja apresentado nos Comuns seja um risco assim tão grande.
Dizer não ao acordo de May significaria colocar a economia britânica na completa incerteza, independentemente de quem fosse líder da oposição. Mas o facto de Jeremy Corbyn e John McDonnell poderem vir a ser poder em caso de queda do governo deveria alterar os cálculos políticos dos Conservadores.
No advento da crise financeira, à medida que as famílias britânicas sentiam os efeitos de uma aguda recessão, McDonnell declarou orgulhosamente: “Eu sou um Marxista. Isto é uma clássica crise da economia. Esperei por isto uma geração inteira.”
Tudo o que ele e Corbyn fazem sugere que vêem um não-acordo do Brexit como uma oportunidade semelhante. Só que desta vez não são deputados obscuros, mas estão sim na liderança do partido Trabalhista.
O custo do Brexit correr mal é assim mais do que o impacto imediato no comércio ou na confiança na economia. Uma saída desordenada não é só uma machadada no PIB a curto e médio prazo. Também dá à extrema esquerda a oportunidade de tomar o controlo da economia britânica – e provocar um estrago permanente. Isso é algo que os deputados Conservadores não deveriam perder de vista durantes as próximas decisivas semanas.
Editor CapX.
Artigo original publicado em CapX.

Acho totalmente disparatado estar mais preocupado com a possibilidade de os Trabalhistas subirem ao poder do que com o dano que uma saída sem acordo trará.
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“Também dá à extrema esquerda a oportunidade de tomar o controlo da economia britânica”.
Portanto, o Partido Trabalhista é a extrema esquerda…
Para o autor do artigo, Miterrand deve ter sido a reencarnação de Lenine, ou quiça mesmo de Estaline!
E Olof Palme?! Sim, Olof Palme, esse farol da esquerda radical! Uma reencarnação de Trotsky?
Recordam-se de Willy Brandt? Era a personificação do diabo! Aquele de quem o Passos tanto medo tem.
Por favor, não sejam ridículos!
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“Portanto, o Partido Trabalhista é a extrema esquerda…”


…”Por favor, não sejam ridículos!”…
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Exacto. O perigo é o comuna do Corbyn ganhar e espatifar a Inglaterra
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espatifar o que o Brexit espatifou… menos por menos dá mais ! eu apostava nisso !
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