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“História” concisa, aproximada e descontraída de Portugal (5)

8 Fevereiro, 2019

Sack_of_Rome_by_the_Visigoths_on_24_August_410_by_JN_Sylvestre_1890

 

A romanização do território deixou marcas que resistiram ao tempo, da Ponte de Trajano, que mantém em pleno século XXI toda a sua utilidade para os habitantes de Chaves, ao Direito Romano, cuja influência ainda se faz notar na nossa legislação. Outras, como as ruínas de Conímbriga ou o Templo de Évora, servem nos nossos dias para deleite dos olhos, para lições de História ao ar livre e para sacar importantíssimos euros aos turistas estrangeiros.

Os romanos, ao contrário de outros povos que os antecederam, não se limitaram a fazer da Hispânia um mercado para os negócios. Durante mais de quinhentos anos marcaram a região com a sua cultura e conhecimentos técnicos, civilizando-a à sua imagem. Tal como foi explicado com humor pelos Monty Python, se excluirmos os aquedutos, o saneamento, as estradas, a ordem pública e mais uma série de coisas, os romanos não fizeram nada por nós.

No século IV começam as grandes movimentações dos povos instalados nas fronteiras do império. Os hunos pressionam os godos, que acabam por atravessar o Danúbio e, uns anos depois, entram na Itália pela primeira vez. Em 406, vândalos, suevos e alanos cruzam o Reno e metem a Gália de pantanas; não satisfeitos, passam os Pirenéus e repartem a Hispânia entre si, deixando, no entanto, algumas áreas para os hispano-romanos.

Entretanto, Alarico e os seus godos conseguem saquear a cidade de Roma, extinguindo, nas palavras de São Jerónimo, a “luz mais brilhante de todo o mundo”. Uns anos depois, a sua “secção” ocidental, conhecida pelo nome de visigodos, estabelece um acordo com o governo romano e fixa-se na Aquitânia, a região gaulesa que fazia fronteira com a Ibéria.

Quando os alanos e os vândalos começam a atacar os territórios peninsulares que restavam a Roma, esta, ao abrigo do acordo que com eles tinha firmado, pede ajuda aos visigodos. Depois de muitos anos de escaramuças entre os diferentes povos bárbaros, a situação estabiliza-se da seguinte forma: os vândalos, acompanhados dos poucos alanos que sobrevivem ao embate com os visigodos, atravessam o estreito de Gibraltar e vão armar confusão para África; os suevos, a partir da cidade de Braga, controlam o noroeste da Península; e os visigodos, passo a passo, estendem o seu poder sobre tudo o resto, da Ponta de Sagres ao coração da Gália.

 

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5 comentários leave one →
  1. Velho do Restelo permalink
    8 Fevereiro, 2019 11:13

    O que terá acontecido para que essa “capacidade organizativa” dos Romanos se tenha extinto ? Terão crescido rápido de mais ? Ou foi uma consequência indirecta da sua expansão ? Será pura coincidência o cristianismo surgir precisamente nessa época ?

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    • 8 Fevereiro, 2019 21:30

      São Paulo, o grande codificador do cristianismo, morreu em 67, antes da construção do coliseu de Roma, já com o cristianismo bem implantado no império na parte grega. Isto 31 anos antes do consulado de Trajano, 50 anos antes de Adriano, 94 anos antes de Marco Aurélio, 240 anos antes de Constantino e 343 antes da tomada de Roma por Alarico. Onde é que está mesmo a coincidência? Será que a condenação de Gilles deRais em 1440 coincidiu e foi causa da revolução francesa? A capacidade organizativa da Igreja cristã permitiu que o mundo clássico não tivesse desaparecido de vez na onda bárbara que varreu o império e que lançou a Europa numa idade das Trevas que no entanto não coincidiu com a totalidade da Idade Média devido, e repito, à capacidade organizativa romana que emergiu pela mão da Igreja, iluminando essas trevas.

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      • Velho do Restelo permalink
        8 Fevereiro, 2019 22:20

        Dei 3 hipóteses, sendo que 2 são próximas. A 3ª é mais uma insinuação, mas tendo em conta que a “velocidade” dos acontecimentos na época era bastante menor que agora (o Socas conseguiu algo semelhante em 4 – 8 anos), o que são 470 anos ? E eu disse cristianismo, não Cristo ! A coisa demorou algum tempo a alastrar e a consolidar-se, daí a minha hipótese.
        Tendo em conta o período negro que se segue, só nos resta tentar “adivinhar”!

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      • 9 Fevereiro, 2019 00:58

        “…já com o cristianismo bem implantado no império na parte grega.”

        E desde então a Grecia nunca mais se recuperou…

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  2. Leunam permalink
    8 Fevereiro, 2019 23:26

    “Tal como foi explicado com humor pelos Monty Python, se excluirmos os aquedutos, o saneamento, as estradas, a ordem pública e mais uma série de coisas, os romanos não fizeram nada por nós.”

    Esqueceu a língua latina, um bem inestimável que nos permite ainda hoje, 20 séculos depois, ter um léxico soberbo, em extensão e substância, falado por muitos milhões de seres humanos ao redor do Mundo.

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