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Lombas e lombinhas nas ruas do Porto

19 Julho, 2023

A Câmara do Porto deixou ontem os carros oficiais estacionados e fez deslocar a pé o seu executivo e respectivas equipas de apoio até ao centro histórico da cidade para anunciar um programa que passará, dizem, a dar prioridade aos peões e a modos suaves de mobilidade.

Em cerca de 30 quilómetros de arruamentos estabelece-se uma velocidade máxima de circulação automóvel de 20 quilómetros por hora e irão ser colocadas nas ruas e pavimentos sinalética e lombas para, dizem, “acalmar o trânsito”.

Nas palavras de um vereador a ideia é “limitar o interesse que os automobilistas têm em entrar nestas zonas” e nas palavras do edil portuense “os automobilistas vão ter de perceber que só poderão circular a velocidades que compatibilizem o uso do automóvel com bicicletas e peões”, ao que acrescenta que a Câmara irá controlar a situação com a presença da Polícia Municipal.

Alguma pessoa menos familiarizada com o estilo comunicacional dos autarcas poderia sentir nestas afirmações do presidente da câmara alguma tendência para educador do povo, mas o que é extraordinário é que Rui Moreira se mostra crente que se os motoristas circularem a um máximo 20 km/h “as pessoas vão sentir-se à vontade para poderem andar no meio da rua e as bicicletas vão poder circular”.

Curiosamente, desloco-me eu próprio com frequência ao local que os autarcas escolheram para a passeata de ontem, e posso-vos assegurar que na zona Vitória o estado dos pavimentos e condições de circulação são já tão maus que não há um único automobilista que, mesmo que quisesse, conseguisse circular a mais de 20Km/h.

Imaginar bicicletas e trotinetes a circular em ruas de empedrado extremamente irregular e com declives assinaláveis é um momento de humor único se não mesmo cínico. Os turistas jovens que andam por aquela zona ainda se safam e evitam torcer os pés no piso miserável das ruas e dos passeios. Já os moradores que restam no local, na maioria idosos e com restrições de mobilidade, não têm hipótese de usar cadeiras de rodas e arriscam diariamente perigosos tropeções e quedas.

O Jornal de Notícias reportava a este propósito a surpresa do morador José Marcos por serem instaladas lombas em ruas que não têm movimento, a queixa de Lucinda Bento, de 85 anos, que informava já ser a segunda vez que caía ali por causa do mau piso e a lembrança de Júlio Pereira sobre a falta de condições para passar com carrinhos de bebé ou cadeiras de rodas.

Com franqueza, em vez de programas e cerimónias que servem para comunicar o grande cosmopolitismo e progressismo dos nossos autarcas, preferia mil vezes que a câmara gastasse dinheiro a compor as ruas que estão há imensos anos sem manutenção e em estado lastimável, em vez de inventar modernices parolas inúteis se não mesmo contraproducentes.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

4 comentários leave one →
  1. freakonaleash's avatar
    freakonaleash permalink
    20 Julho, 2023 10:11

    Verdade. Não há melhor controlo de velocidade que um piso todo rebentado, só mesmo tolos é que pisam o pedal!
    Tão bom não viver no meio da cidade! Ou ter de deslocar-me à cidade!

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  2. Jorge's avatar
    Jorge permalink
    20 Julho, 2023 14:32

    Idiotas que julgam que são modernos. Não percebem que mais lombas prejudicam toda a gente , a começar pelas ambulâncias que têm que ir devagar e aos saltos, passando pelas bicicletas e trotinetas etc….

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  3. Mário Marques's avatar
    Mário Marques permalink
    20 Julho, 2023 17:50

    Essas asnos que são sustentados (essa é a verdadeira sustentabilidade sUcialista) por todos nós são tão burros, que não entendem que se deixarmos de andar de automóvel menos receitas tem a máfia que nos desgoverna.
    E aqueles que compram automóveis da moda (a pilhas), não pensem que quando proibirem o consumo de combustíveis fósseis o monstro glutão governativo não se vai virar para eles, porque na altura em que houver menos receitas fiscais eles vão ser tributados em dobro ou mais. Para além de que os automóveis elétricos são mais pesados, na sua fabricação é utilizado mais metais como cobre lítio e outros metais mais raros, baterias com um tempo de vide de maia dúzia de anos, para além de que com o aumento da procura desses veículos vai fazer subir em flecha o preço dos referidos metais, logo o preço desses veículos vão-se tornar incomportáveis, portanto o pessoal vai passar a andar a pé ou de bicicleta, pois pequenos veículos a baterias vão ser utilizados nas cidades e apenas pela elite parasitária governativa.
    Sobre o fim dos combustíveis fósseis, desde o principio dos anos setenta que ouço que vão brevemente esgotarem-se, é outra patranha como o buraco do osono/aquecimento global/alteração climática/emergência climática/etc./etc. e mais umas quantas aldrabices que a elite cria para amedrontar o povo, condicionando-o e controlando.

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  4. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    24 Julho, 2023 18:51

    Rui Moreira mais um a seguir a moda do ódio ao automável.

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