Epstein: Como Trump abriu a caixa de Pandora

Durante décadas, a rede de Jeffrey Epstein esteve cercada de silêncio, impunidade e cumplicidades discretas. Políticos, bilionários, académicos e celebridades orbitavam um sistema criminoso sofisticado que prosperava não pela invisibilidade, mas pelo acordo tácito de que o Estado não interviria de forma completa. E ele não interveio.
Obama, Clinton e Biden tiveram diante de si uma escolha simples, mas de consequências colossais: poderiam enfrentar a rede e expor os cúmplices poderosos – ou preservar a estabilidade institucional e evitar que o sistema entrasse em colapso. Escolheram a estabilidade. Protegeram-se a si próprios. Preservaram o silêncio, garantindo que a impunidade continuasse a ser a regra. Não perpetuaram diretamente os crimes, mas perpetuaram as condições que permitiam que eles continuassem a existir sem consequências. As vítimas? Ficam em segundo plano, ignoradas, com o Estado a priorizar a sua própria sobrevivência.
É aqui que a presidência de Donald Trump se destaca. Por razões que podemos questionar politicamente, mas que não se podem ignorar factual e estrategicamente, Trump não priorizou a autoproteção institucional. Mas podia tê-lo feito tal como seus antecessores. O sistema, habituado a proteger-se em bloco, encontrou um choque inesperado: um presidente disposto a romper os protocolos, a aceitar o risco político de expor elites poderosas, e, com isso, criar espaço para que a rede Epstein deixasse de ser contida.
Não estamos a falar de “bondade” ou de heroísmo moral simplista. Trump não libertou diretamente vítimas nem fez justiça sozinho. Mas o efeito da sua postura foi concreto: permitiu que milhões de páginas de documentos viessem à tona, que nomes e padrões fossem expostos, e que a verdade começasse a ser conhecida internacionalmente. As vítimas beneficiaram da exposição – da validação pública e do reconhecimento de décadas de abuso – algo que o sistema nunca lhes ofereceu voluntariamente.
O ponto central é simples e brutal: o Estado não é uma “pessoa de bem”. Não protege as vítimas de crimes hediondos por defeito; protege-se a si próprio. Durante décadas, isso significou que o silêncio e a impunidade eram prioridade. E quando o sistema entra em crise – quando alguém rompe com a lógica de autoproteção – é então que a justiça, mesmo que parcial, se torna possível.
Hoje, com o caso Epstein nas notícias de todo o mundo, devemos reconhecer este ponto de inflexão. O mérito não é de um gesto altruísta, mas da ruptura de um padrão institucional que manteve criminosos poderosos intocados por anos. E esse ponto de inflexão veio na forma de uma presidência disposta a desafiar o consenso de autoproteção que manteve a rede viva por tanto tempo.
Se há algo a louvar neste cenário sombrio, é que a rutura institucional permitiu que a verdade começasse a ser exposta – mesmo que tarde e de forma caótica. As vítimas não esperaram por gestos de bondade do Estado; elas beneficiaram de um choque político que obrigou o sistema a mostrar as suas cartas. E essa exposição é, hoje, inegavelmente de louvar.
Esta crónica é a primeira de muitas que serão dedicadas a este tema, dada a imensidão de documentos vazados que, quanto mais informação revelam, mais denso e macabro torna este processo.
Próxima publicação: “Por que não usaram estes ficheiros contra Trump?”

Esta lavagem que tenta fazer a Trump não tem grande justificação. O atual POTUS fez tudo o que pode, abaixo de assassinar todos os que tiveram acessos aos ficheiros, para evitar que o seu nome fosse arrastado pela lama devido às ínumeras vezes que é mencionado nos mesmos.
Não esquecer as vezes que respondeu aos jornalistas quando interpelados sobre os ficheiros com tiradas sobre “fake news” e isto não interessa a ninguém ou que não havia nada de especial nos mesmos.
Não esquecer, também, que a procuradora geral do estado, Pam Bondi, escolhida a dedo por Trump para o cargo, tem feito de tudo para denegrir, atrasar, interromper o processos de escamoteamento dos ficheiros.
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Com todo o respeito, o meu texto não é sobre “lavagem de Trump”. Isso é DETURPAR completamente a mensagem. Vá reler com mais atenção. Abraço
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Com respeito e vou citar as passagens que me dão a impressão que quer pintar Trump com cores mais quentes do que aquelas que a personagem verdadeiramente merece:
“É aqui que a presidência de Donald Trump se destaca. Por razões que podemos questionar politicamente, mas que não se podem ignorar factual e estrategicamente, Trump não priorizou a autoproteção institucional.”
“Não estamos a falar de “bondade” ou de heroísmo moral simplista. Trump não libertou diretamente vítimas nem fez justiça sozinho. Mas o efeito da sua postura foi concreto: permitiu que milhões de páginas de documentos viessem à tona, que nomes e padrões fossem expostos, e que a verdade começasse a ser conhecida internacionalmente“
Ainda por cima com estes negritos.
Mas repare não critico a Cristina por, eventualmente, ser uma simpatizante de Trump. Crítico por colocar o Donald quase como num pedestal como responsável máximo pela divulgação, ainda que fortemente censurada, dos ficheiros.
Eu também nutro simpatia por Trump por obrigar a UE tomar passos rumo à federalização, passos rumo a uma UE forte como verdadeira 3ª potência, passos rumo à UE com um exército conjunto. Bem haja Donald por nos obrigar a abrir os olhos.
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Não, nada disso. Esteja atento às próximas crónicas sobre o tema. Sobre este em concreto, o único objectivo e respectiva mensagem é esta: independentemente das razões ou métodos, Trump abriu uma caixa de pandora q NINGUÉM até ao momento teve coragem (ou outra razão qualquer) para o fazer. E isso deveria deixar-nos profundamente a reflectir em vez de discutirmos clubismos (q da minha parte, não há). Abraço
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Foi o presidente dos EUA o principal responsável pela divulgação de toda esta informação??????
Poderia evitar a publicação dos documentos?????????
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Sim, foi. E claro q podia. Tanto q TODOS os presidentes anteriores assim fizeram. Abraço
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Caramba! Trump fez campanha a dizer que ia abrir os ficheiros Epstein, mas assim que chegou ao poleiro mandou a sua procuradora abafar e denegrir o processo chegando ao ponto em que Pam Bondi dizia que ou não existiam ou não tinham nada de matéria judicial relevante para ver. Andamos a fingir ou é memória de peixe!?
Trump foi empurrado pelos republicanos mais moderados para abrir os ficheiros e mesmo assim apenas porque o nome dele está associado ao de Epstein de uma forma que tresanda.
Trump pode não ser muita coisa, mas que gosta delas novinhas disso ele admitiu várias vezes, se é pedofilia ou abuso ou ambos isso não sei mas o homem gaba-se de ter acesso ao backstage de beauty pageants onde desfilam raparigas novíssimas.
Acho que podemos ter direita conservadora e patriota em Portugal sem nos ajoelhar-nos ao altar de Trump…mas isso é a minha opinião.
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Ninguém se está a ajoelhar, seja a quem for. Essa interpretação distorcida é tendenciosa. Desculpe a sinceridade. Bom fim de semana
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sr.ª Cristina, como diz o freakonaleash, o texto fala por si….. só faltou mesmo um parágrafo a criminalizar o Putin por ter invadido a Ucrânia
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Cada um aqui, vê o que QUER VER no texto. Mas, só há UMA mensagem: a que quis transmitir. Grande abraço
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Como é óbvio, a pessoas que partilham do seu pensamento, os civis ucranianos, nomeadamente os de bucha, são os criminosos.
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Oh meu Deus! Não invente. 🤦♀️
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A minha resposta foi dirigida ao Rafael e não a si Cristina. A não ser que também seja da opinião como o Rafael que o Putin é um inocente e foi forçado a massacrar civis ucranianos não fosse o exército nazi da Ucrânia apoiado pela maléfica UE invadir a Rússia.
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A ignorância de alguns comentadores, quase sempre anónimos, em relação à política nos EUA, a sua credulidade para com toda a propaganda pró-Partido Democrata e a sua disponibilidade para a papaguearem nunca deixará de me surpreender. Factos: Donald Trump não só não participou nos abusos sexuais de menores promovidos por Jeffrey Epstein como foi um dos primeiros a denunciá-los, alertando a polícia na Flórida depois de expulsar o dito cujo de Mar-a-Lago e assim se tornando um dos «whistleblowers» deste caso. Considere-se isto: alguma vez os seus opositores, quando no poder e controlando a Casa Branca, o Departamento de Justiça e o FBI, deixariam de revelar eventuais provas comprometedoras e irrefutáveis contra ele se as mesmas existissem, em especial antes das eleições de 2016 e de 2024?
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Sou anónimo pois não confio os meus dados muito menos o meu, ainda bom nome, às internets. É raro fazer login.
Quanto à minha “credulidade” foi tiro na água. Em Portugal voto Ventura, o partido democrata e eu temos afinidade quase inexistente… mesmo os republicanos não os gramo pois ambos defendem a selvajaria libertária que permite estados tão ricos terem milhões de sem abrigo a deambular pelas zonas urbanas…ambos põe as temidas forças militares acima de um SNS…mais não me estico.
Relativamente a achar que se Trump estava metido nos ficheiros Epstein então porque é que os antecessores governantes democratas não agiram…a resposta é simples, o partido democrata também tem muitos nomes envolvidos no escândalo e eu não acredito em nada do que sai da boca da cliente número a fazer encomendas na suicide hotline: Hilary Clinton. Embora tenha fé que quem mandou matar Epstein terá sido a realeza britânica.
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