Mobilidade social em países igualitários

A primeira coisa que salta à vista neste gráfico publicado no Arrastão: mas então há mobilidade social em países igualitários?

Mobilidade de onde para onde? Num país igualitário o Joaquim é igual ao João, e passados 20 anos o João é igual ao Joaquim.

68 Comentários

  1. man
    Posted 3 Março, 2010 at 13:53 | Permalink

    Talvez por as distâncias serem menores, o caminho se faça mais rapidamente.

  2. helenafmatos
    Posted 3 Março, 2010 at 14:00 | Permalink

    Na melhor das hipóteses acabam todos igualmente pobres.

  3. Posted 3 Março, 2010 at 14:02 | Permalink

    Nómadas ou sedentários?
    Um país com muitos ciganos, tem mais mobilidade social.

  4. Jorge Paulo
    Posted 3 Março, 2010 at 15:12 | Permalink

    Ficamos a saber que para os trotzkistas travestidos de social-democratas, os paises nordicos mais a Alemanha e o Canadá, são assim uma especie de Albania do sec XXI. E os Estados Unidos e a Inglaterra, estão a ficar parecidos com a Albania do sec XX. Realmente fico espantado como é que a Impresa do Sr Balsemão oferece dois empregos ao Daniel de Oliveira, para ele dizer, e escrever baboseiras como esta.

  5. Observador da decadência
    Posted 3 Março, 2010 at 15:21 | Permalink

    Co-como?

  6. simon
    Posted 3 Março, 2010 at 15:33 | Permalink

    Boa carta. Gostei da linha bissectriz e fui ver, respigando um coment que lá fiz e já me havia esquecido:

    “Estamos bem, a par do RU, dos US, só nos faltando a economia de armamento e de guerra para a irmanação funcionar. Pois que vocação não nos falta, a olhar pela seita de partidos do centrão que nos governa, quais agências de colocação de boys.

    Ou perguntem-no a sokas, a loureiros, coelhos e santanas, para exemplo, da Galp à EDP, PT, Correios e engis, aos bcps, cgds, bcps, bpns e que tais. Depois que a democracia deu na partidocracia de militantes à tacharia central.

    E é bem vista a pergunta “como explicar que países tão diferentes como Portugal, os EUA ou o Reino Unido exibam uma performance tão medíocre em termos de indicadores sociais?”

    Por cá, que se saiba, além de imitação presunçosa, de instinto e roubalheira, é vocação mafiosa, ganância aliada à sacrista hipocrisia de colonizadores do Sul da Itália, de Nápoles à Sicília, que se não extinguiu mais, para a nossa sorte.”

  7. tina
    Posted 3 Março, 2010 at 16:07 | Permalink

    “Na melhor das hipóteses acabam todos igualmente pobres.”

    Não foi hoje Durão Barroso apresentar um novo plano para salvar a Europa do “declínio económico”?

  8. Cáustico
    Posted 3 Março, 2010 at 16:15 | Permalink

    O que vai naquelas cabeças…
    Causa, consequência, cultura, história, recursos – tudo triturado na discussão de modelos económicos.

  9. Joaquim
    Posted 3 Março, 2010 at 16:27 | Permalink

    ó João, gostavas de ser como o Joaquim?

  10. Posted 3 Março, 2010 at 17:01 | Permalink

    Há 25 anos a União Soviética era o Sol da Terra para o Daniel Oliveira. Agora é a Suécia, a Noruega e a Finlândia. Este último país é um Sol comum ao 1º ministro. Não houve aqui mobilidade nenhuma, porque a URSS desapareceu e outros continuam onde já estavam antes de o Daniel Oliveira os descobrir.
    Em relação aos EUA e RU também não há mobilidade: continuam a ser o demónio.

  11. Posted 3 Março, 2010 at 17:03 | Permalink

    Batota, João Miranda. O que se diz no “Arrastão” e o gráfico mostra, é que a “mobilidade social” é maior, em países onde a diferença entre rendimentos é menor.

    Ó Helena Matos: Basta olhar para os países que estão no topo do gráfico, para concluirmos que estão todos em risco de empobrecimento… Por favor!

  12. Jorge Paulo
    Posted 3 Março, 2010 at 17:16 | Permalink

    Os paises do topo do grafico tem sido governados desde há longos anos por partidos de esquerda: comunistas, trotsquistas, marxistas-leninistas, etc. Para subir na vida a extrema esquerda portuguesa já deita mão de tudo: agora paises CAPITALISTAS, que vivem em economia de mercado há longuissimos anos, é que lhes servem de exemplo, e até já são igualitarios. A pouca vergonha não tem limites.

  13. Palhaço Batatinhas
    Posted 3 Março, 2010 at 17:21 | Permalink

    Dados relevantes:

    Em 3 cidades da Noruega residem 25% dos noruegueses.
    Em 6 cidades da Suécia residem 25% dos suecos.
    Em 5 cidades da Finlândia residem 25% dos finlandeses.
    Em 3 cidades da Dinamarca residem 25% dos dinamarqueses.
    Em 3 cidades do Canada residem 25% dos canadianos.
    E agora:
    Em 42 cidades da Alemanha residem 25% dos alemães
    Em 24 cidades do Reino Unido residem 25% dos ingleses, gauleses, escoceses e norte-irlandeses.
    Em 194 cidades dos EUA residem 25% dos estado-unidenses.

    Quando se fala de mobilidade na escandinavia, fala-se de quê?

    http://impressoesdigitais.posterous.com/E-tao-facil-falar-de-mobilidade-e-meter-treta

  14. JHB
    Posted 3 Março, 2010 at 18:05 | Permalink

    Isso só quer dizer que se você nascer pobre tem uma muito boa probabilidade de vir a ter uma vida decente. Apesar de.

  15. JoãoMiranda
    Posted 3 Março, 2010 at 19:18 | Permalink

    ««Batota, João Miranda. O que se diz no “Arrastão” e o gráfico mostra, é que a “mobilidade social” é maior, em países onde a diferença entre rendimentos é menor.»»

    E eu pergunto: que mobilidade social é que pode haver em países em que a diferença entre rendimentos é baixa?

  16. simon
    Posted 3 Março, 2010 at 19:20 | Permalink

    #11

    “Ó Helena Matos: Basta olhar para os países que estão no topo do gráfico, para concluirmos que estão todos em risco de empobrecimento… Por favor!”

    Ai, ele há frases, ditos simples, que valem um blog, um tratado inteiro.

  17. Posted 3 Março, 2010 at 19:22 | Permalink

    É só gente que muda de casa para outra a 1000 km de distância para receber mais 3€ por mês!

    É muito difícil de entender!

  18. Posted 3 Março, 2010 at 19:36 | Permalink

    Caro João,

    Um gráfico com 8 pontos em que 4 se referem a países esccandinavos é uma piada. Mas acho que o mais relevante aqui, é o conceito de “Mobilidade Social”. “Mobilidade social” não implica uma melhoria da qualidade de vida. Se passar a viver pior também está a contribuir para a aumentar a “mobilidade social”.

  19. João Vasco
    Posted 3 Março, 2010 at 19:45 | Permalink

    «E eu pergunto: que mobilidade social é que pode haver em países em que a diferença entre rendimentos é baixa?»

    Esse argumento teria sentido se a diferença de rendimentos fosse nula. Mas não é.

    Por exemplo: na sociedade actual existem menores diferenças de rendimentos do que no feudalismo medieval. E é bastante claro que existe maior mobilidade social, na medida em que o rendimento dos antepassados de um cidadão hoje está menos correlacionado com o seu rendimento do que aquilo que acontecia no feudalismo. Assim, apesar de podermos dizer que a diferença de rendimentos hoje é baixa face à diferença de rendimentos que ocorria na Europa feudal, ainda assim é relevante dizer que a mobilidade social é muito mais elevada.

  20. João Vasco
    Posted 3 Março, 2010 at 19:48 | Permalink

    Mas concordo que mostrar só 8 pontos é “manhoso”, cheira a cherry picking.

    Seria interessante ver todos os países da OCDE, para verificar se realmente esta relação existe, ou se está tudo na escolha dos pontos certos.

    A minha suspeita é que a relação exista, mas mais ténue.

  21. Posted 3 Março, 2010 at 20:30 | Permalink

    eheheheh…

    e, vá lá, por acaso, apesar das distâncias sociais serem menores a percorrer e portanto mais fáceis de atingir, não será maior o número dos que se movimentam, que permitem concluír que há maior mobilidade social?

    o JM faz-me rir, com alguns dos seus racioçínios e conclusões!…

  22. Palhaço Batatinhas
    Posted 3 Março, 2010 at 21:00 | Permalink

    #21

    As distâncias sociais (mobilidade social) estão amplamente relacionadas com migrações. Isto porque as pessoas movem-se de onde não há emprego para onde há (uma vez que é o emprego que lhes dá o dinheiro).
    As populações que procuram emprego vão cair nos sítios onde há emprego (em Lisboa, não em Vila Velha da Caça).
    Se um país tem a sua população concentrada em menos pontos que outro país, as migrações ocorrem entre menos pontos. Esses mesmos pontos tem um patamar menos variável de dispersão salarial que os pontos fora da equação (mais dispersão, menos standard).

    Quem vê mobilidade social sem movimentos migratórios e, como tal, sem análise dos pontos migratórios, não está a ver nada. Imagine que as empresas em Lisboa desaparecem e aparecem novas em torno do porto de Sines. O que acontece aos filhos de quem trabalhava em Lisboa? Vão para Sines.

    Quando meterem variáveis populacionais à mistura deixa o gráfico de ser propaganda sem sentido.

  23. Palhaço Batatinhas
    Posted 3 Março, 2010 at 21:26 | Permalink

    Desculpem novamente mas o estudo citado para a mobilidade decidiu não tomar em conta factores tão desinteressantes como a inflação, valor variável da moeda, educação versus prestações sociais, etc.

    Por exemplo, um agricultor analfabeto do Minho que veio para Lisboa em 1970 e teve um filho que fez um curso de latim e agora recebe o rendimento mínimo será considerado “subir na escada social”. Recebe mais do que o pai recebia com as batatas, tem mais estudos e, comparativamente, é apenas mais um elemento não produtivo.

    (http://cep.lse.ac.uk/about/news/IntergenerationalMobility.pdf)

  24. simon
    Posted 3 Março, 2010 at 21:31 | Permalink

    Certo, percebido ainda que a maioria bota sentença sem cuidar de saber o que diz João Rodrigues.

    E eu insisto, volto à consideração, ao espanto em interrogação retórica: “como explicar que países tão diferentes como Portugal, os EUA ou o Reino Unido exibam uma performance tão medíocre em termos de indicadores sociais?”

    Atrasados por igual, será, ó João, se não se explica?!

  25. tina
    Posted 3 Março, 2010 at 21:39 | Permalink

    Nos páises nórdicos há mais igualdade entre classes porque simplesmente não aceitam emigrantes. Ou aceitam muito poucos. Os noruegueses fazem tudo para estimular a reprodução da sua espécie e dão muitos incentivos à maternidade. É esse o modelo de sociedade que a esquerda portuguesa tanto admira.

  26. Posted 3 Março, 2010 at 21:54 | Permalink

    caros comentadores, não confundam mobilidade social com mobilidade geográfica!…

  27. Posted 3 Março, 2010 at 22:14 | Permalink

    25 # Tina

    Isso e não só. Esta questão da “distribuição da riqueza” é uma falsa questão. A palavra “distribuição” implica logo à partida a sua transferência de alguém que a produz para alguém que não a produz. Se não for assim, não faz sentido falar em distribuição. Este é o toque que a Esquerda Alegre portuguesa adora tocar. Para disfarçar o facto de defender um sistema em que uns não produzem e recebem na mesma, inventa uma série de “direitos adquiridos”, e mais grave do que isso, inverte as coisas: propaga aos quatro ventos que quem na realidade produz a riqueza, não a produz, e vive à conta da exploração dos trabalhadores.
    O gráfico que o Miranda colocou só revela 2 coisas: nos Estados Unidos quem move a economia e é empreendedor tem rendimentos, quem anda na ronha, não tem rendimentos. E os primeiro não estão para pagar para os segundos, nem os segundos estão para trabalhar para ficar iguais aos primeiros.
    Nos países nórdicos a diferença de rendimentos não é muita e a mobilidade social é a que o Miranda descreveu: mudar para ficar igual. A não ser que se fale em mobilidade entre profissões. Com todo o respeito: mudar de varredor para professor universitário, e ganhar o mesmo. É disto que falam?

  28. Posted 3 Março, 2010 at 22:29 | Permalink

    e-ko,

    Mobilidade social é directamente relacionada com mobilidade geográfica: as pessoas movem-se fisicamente de onde não há emprego para onde há. Ficarem sempre no mesmo sítio implica que o emprego se mantém no mesmo sítio e, como tal, tanto empregou o pai como o filho.
    Há aliás um relatório da Comissão que estabelece que na Europa as diferenças de mobilidade social são cerca de 70% para movers contra 30% para stayers.

  29. tina
    Posted 3 Março, 2010 at 22:47 | Permalink

    “e mais grave do que isso, inverte as coisas: propaga aos quatro ventos que quem na realidade produz a riqueza, não a produz, e vive à conta da exploração dos trabalhadores.”

    Levy,

    Exactamente. É esta lavagem cerebral que tem feito vingar tantas políticas de esquerda em Portugal (leis laborais, leis de arrendamento, etc) e só levaram ao atraso do país. Alegre, Soares e outros que tais são directamente responsáveis por Portugal descer todos os anos vários lugares na tabela do PIB a nível mundial.

  30. Posted 3 Março, 2010 at 22:57 | Permalink

    1 – o post não era meu
    2 – há 25 anos tinha 15 anos e mesmo assim a URSS (e muito menos a Albânia – há gente pouco conhecedora das substilezas das várias correntes comunistas e que mesmo assim se atira para a frente) não era para mim o Sol na terra.

  31. Posted 3 Março, 2010 at 23:10 | Permalink

    30 #

    Da maneira como escreve dá a entender que com 15 anos tinha outras coisas com que se preocupar. Coisas de jovens. Mas a verdade é que com 13 anos já estava enfiado no PCP.

  32. Posted 3 Março, 2010 at 23:31 | Permalink

    @VC,

    no absoluto, quando sociologicamente se fala de mobilidade geográfica designa-se o que se passa quando as pessoas activas se movimentam no espaço geográfico para trabalhar independentemente de passarem a desempenhar funções laborais melhor remuneradas; hoje há quem se mova para ganhar o mesmo, só para não perder o emprego e que se mova porque não tem emprego e vá ganhar menos do que ganhava no emprego precedente…

    a mobilidade geográfica pode estar associada à mobilidade social, mas, não é a condição sine qua non, para que se verifique a mobilidade social… quando os emigrantes portugueses saiem ou saíram do país para ganharem duas ou três vezes o que ganham ou ganhavam, a mobilidade social deu-se, não em relação à sociedade de acolhimento, mas em relação à sociedade do país que deixaram…

  33. Posted 3 Março, 2010 at 23:59 | Permalink

    @JoaoMiranda

    Tenho uma espécie de resposta para a sua pergunta.
    E tenho outra pergunta.
    Aqui: http://bit.ly/9ePwTD

  34. VC
    Posted 4 Março, 2010 at 00:07 | Permalink

    E-ko,

    Para o gráfico fazer o sentido pretendido, relaciona o típico dinamarquês com o seus pais. E diz que o típico dinamarquês “subiu na escada social” mas recebe o mesmo que o seu pai. Isto é um aparente paradoxo. Só não o é se considerar que o seu pai é um imigrante que chegou ao país para varrer ruas e o seu filho se tornou médico. Ou, no meu caso, que é um camponês que nos anos 70 foi trabalhar numa industria em Copenhaga. Em qualquer dos casos há movimentações de populações. Esta movimentação acontece ou porque a industria mudou ou porque outras condições levam à concentração ou dispersão por outros locais. No caso escandinavo, como se demonstra, com a população centrada em, no máximo, meia dúzia de pólos populacionais, a variabilidade de movimentações geográficas é contrária às evidências. Copenhaga continua a crescer (assim como Lisboa) em detrimento de outras áreas que perdem principalmente no sector primário.

    Como é que pode ter o pai e o filho a receberem o mesmo dinheiro (porque o Gini ou o que quer que tenha sido utilizado para medir desigualdade) e, ao mesmo tempo, o filho “subiu imensamente” na escala social?

    No seu exemplo, se considerar que a mobilidade social é medida no país que deixou, os refugiados de qualquer país devastado por genocídio fazem com que este esteja a par dos escandinavos neste gráfico (os seus filhos vão receber muito mais dinheiro no país de acolhimento e vão deixar de ser sem terra para serem varredores). O que subverte o sentido de propaganda que pretende divulgar.

    Em síntese, este gráfico podia ter sido feito na URSS com exactamente o mesmo propósito.

  35. Posted 4 Março, 2010 at 00:15 | Permalink

    João Miranda:

    “E eu pergunto: que mobilidade social é que pode haver em países em que a diferença entre rendimentos é baixa?”

    A mobilidade que resulta de passar para o escalão seguinte, de ter acesso a outros bens de consumo, outros tipos de formação, de ocupação dos tempos de lazer… Ou será que o João Miranda defende que quanto mais desigualdades forem promovidas, maior é o estímulo?

  36. VC
    Posted 4 Março, 2010 at 00:18 | Permalink

    Zé Bonito,

    Se o pai e o filho ganham o “mesmo”, o pai acede aos mesmos bens de consumo que o filho. Só se não quiser. Mas esses desejos não estão estão expressos no gráfico.

  37. Posted 4 Março, 2010 at 00:33 | Permalink

    mas a mobilidade social não diz respeito unicamante à diferença de remuneração entre o pai e o filho mas à mudança do estatuto social…

  38. VC
    Posted 4 Março, 2010 at 00:38 | Permalink

    E-Ko,

    Há mesmo algum “estatuto social” que não seja devido a dinheiro? Desde a pré-história?
    Quantos médicos esfarrapados vagabundos é que são tidos como estando num estatuto social superior ao taxista que toma banho?
    Ou terra, ou dinheiro, ou escravos, ou gado, ou a segurança da Santa Sé, ou… algo que possa ir a mercado.

    Aqui é que um tipo que mete “engenheiro” à frente é que acha que isso serve para alguma coisa.

  39. simon
    Posted 4 Março, 2010 at 00:39 | Permalink

    #33

    Vão lá ver, espreitar quem sabe, o beijoquense, a que me rendi (me perdone) desta forma:

    “Quem maneja assim os beta (b) e os épsilon (e), como os alfa (a) e após nova resposta deslinda tão ‘mestralmente’ a ‘telemobilidade’ não pode esperar mais coment que o espanto de um ainda maior obrigado. E isto, sim, que é saber falar da matéria.”

  40. Cáustico
    Posted 4 Março, 2010 at 00:58 | Permalink

    Pretender discutir seja o que for a partir de uma regressão construída com 8 pontos num gráfico sem escala de abcissas nem de ordenadas, apenas com uns vagos “high” e “low”, sem referir o coeficiente de correlação linear, é uma de duas coisas: desonestidade intelectual ou burrice.
    Inclino-me para esta última hipótese.

  41. João Vasco
    Posted 4 Março, 2010 at 00:59 | Permalink

    Levy e Tina:

    A mobilidade social quer apenas dizer que o rendimento de um cidadão está pouco correlacionado com o rendimento dos seus ascendentes. Ou seja, que a probabilidade – por exemplo – de ser rico depende mais das decisões do próprio indivíduo do que dos rendimentos dos seus pais e avôs.

    Nos países nórdicos existem diferenças de rendimento suficientes para que as pessoas prefiram estar nos percentis superiores da distribuição de rendimento, e estejam dispostas a produzir riqueza de forma útil para o conseguir. Por isso é que existe elevada competitividade e produtividade nestes países.

    Eu prefiro viver numa sociedade como a Sueca, em que existe riqueza, mas existe menos criminalidade, maior esperança média de vida, mais coesão social, mais mobilidade social. Tenho maior probabilidade de ser feliz numa sociedade assim, se nascer numa família aleatória, do que por exemplo nos EUA (ou Portugal), onde se nascer no seio de certas famílias ou comunidades tenho uma probabilidade muito mais baixa de ter uma vida digna.
    Mas isso é injusto para quem produz mais riqueza? É uma discussão antiga, mas não me parece. Nós condenamos o furto porque a sua permissão é contrária ao bem comum. Ora a ausência de redistribuição também o é. Se é legítimo (e parece-me que é), em nome do bem comum e da maioria que considera o furto imoral (contra uma minoria que possa achar o furto legítimo), tributar coercivamente as pessoas para pagar a polícia que impõe castigos para quem furta; então, da mesma forma será legítimo, em nome do bem comum e da maioria que considera a ausência de solidariedade imoral (contra uma minoria que pensa que a solidariedade coagida é imoral) tributar coercivamente as pessoas para auxiliar os mais fracos.

    Mas essa discussão de valores não pode ser decidida numa discussão de um blogue. Simplesmente fico feliz que a maioria dos portugueses não se reveja numa teoria que veja na redistribuição parcial da riqueza a alimentação de parasitas. Portugal não está bem, mas faremos melhor se tivermos a Suécia como exemplo do que os EUA, onde existem mais homocídios, mais criminalidade, mais pobreza (em termos absolutos), e menor esperança média de vida que na Suécia. Resumindo, na Suécia, onde a solidadriedade é parte da equação (a criação da riqueza é outra) vive-se melhor que nos EUA.

  42. Cáustico
    Posted 4 Março, 2010 at 01:04 | Permalink

    #25
    Tina

    Fiquei a saber que os noruegueses são uma espécie.
    Eles bem que podiam tentar uns cruzamentos interespecíficos com os emigrantes, mesmo sem contraceptivos.
    Afinal, na pior das hipóteses, lá saíam uns híbridos inférteis…

  43. João Vasco
    Posted 4 Março, 2010 at 01:05 | Permalink

    « mais pobreza (em termos absolutos)»

    Queria dizer, a pobreza medida de forma absoluta, e não de forma relativa ao redimento médio, mas falo obviamente da pobreza em proporção da população.

  44. Posted 4 Março, 2010 at 01:27 | Permalink

    @VC,

    ah… mas, como neste país, o facto de ter um dr., ou, um eng., antes do nome, tem ainda uma importância mágica, que seja real ou de faz de conta… é um pouco como os títulos nobiliárquicos no sec 19, quem tinha ou ganhava muito dinheiro e que não tinha título, tentava comprar um, para ser aceite na “sociedade” que contava na época…

    é provincianismo, mas um provincianismo persistente e generalizado em que ninguém abdica de mostrar que tem título, real ou de faz de conta, em que todos se tratam de drs. e engs. que de título passam a identificantes… algumas anedotas podia contar a propósito de tal ridícula atitude!…

  45. VC
    Posted 4 Março, 2010 at 01:30 | Permalink

    E-Ko,

    Acho que é a minha deixa para dizer em que é que sou licenciado!

    Isto já nos levaria para a recente promoção académica disfarçada de Bolonha transformando automaticamente licenciados em mestres…

  46. Posted 4 Março, 2010 at 01:35 | Permalink

    já agora, o facto de me dizer em que é licenciado, não me obriga a passar a tratá-lo por dr. nem que, tenha passado a mestre, pelo truque de passe-passe de Bolonha…

  47. Posted 4 Março, 2010 at 02:12 | Permalink

    A mobilidade social ascendente não consiste apenas nem principalmente na aquisição de um maior rendimento, mas também e sobretudo na aquisição de estatuto – ou seja, para sermos brutalmente francos, de poder político.

    E não se mede apenas nem principalmente pela quantidade de riqueza ou de poder que uma pessoa isolada pode adquirir, mas também e sobretudo pela probabilidade de o conseguir.

    Numa sociedade igualitária não haveria lugar, naturalmente, a qualquer espécie de mobilidade social. Mas, como não há nem nunca houve sociedades igualitárias, dizer isto é o mesmo que não dizer nada.

    O que há, é sociedades mais igualitárias que outras, quer em termos de riqueza, quer de poder. E mesmo as mais igualitárias são suficientemente desiguais para haver nelas margem de mobilidade social.

    Um país como a Suécia, suficientemente desigual para que as pessoas sejam incentivadas a subir na vida, mas não tão desigual que sejam impedidas de o fazer, está obviamente no ponto certo. É o que os estudos existentes indicam. Já se sabe que estes estudos têm ainda muitas fragilidades e pontas soltas, mas não se conhecem estudos mais sólidos que indiquem o contrário.

  48. simon
    Posted 4 Março, 2010 at 02:28 | Permalink

    #47

    Sublinhar, tomar nota:
    “A mobilidade social ascendente não consiste apenas nem principalmente na aquisição de um maior rendimento, mas também e sobretudo na aquisição de estatuto – ou seja, para sermos brutalmente francos, de poder político.”

    Mais:
    “Um país como a Suécia, suficientemente desigual para que as pessoas sejam incentivadas a subir na vida, mas não tão desigual que sejam impedidas de o fazer, está obviamente no ponto certo.”

    E como admiro que sabe e o explica assim direito!

  49. simon
    Posted 4 Março, 2010 at 02:29 | Permalink

    “quem sabe”, digo

  50. simon
    Posted 4 Março, 2010 at 02:37 | Permalink

    E então poderia dizer-se, “questão de cultura, de princípios de honestidade”, eis o que distingue as sociedades, na variável de mais circunstâncias. Lao Tze

  51. Posted 4 Março, 2010 at 02:51 | Permalink

    bom, vou dormir com o Lao Tze… já há muito que não o fazia!

  52. tina
    Posted 4 Março, 2010 at 09:48 | Permalink

    “mas faremos melhor se tivermos a Suécia como exemplo do que os EUA, onde existem mais homocídios, mais criminalidade, mais pobreza (em termos absolutos), e menor esperança média de vida que na Suécia.”

    João Vasco,

    A Suécia e os outros países nórdicos não querem ajudar mais ninguém, têm muitos poucos emigrantes. E é entre os emigrantes que há maior pobreza e violência. Se os EUA empregassem a mesma política egoísta dos países nórdicos, também haveria menos crime. Eu preferia mil vezes viver numa sociedade acolhedora e multiracial dos EUA do que numa Suécia fria e indiferente.

  53. anónimo
    Posted 4 Março, 2010 at 10:15 | Permalink

    “A Suécia e os outros países nórdicos não querem ajudar mais ninguém, têm muitos poucos emigrantes”.

    Meu Deus. Que desgraça ter que coincidir com a Zazie que poe a Tina de monga, analfabruta…e além de tudo preguiçosa.

    Porque aquí

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Demografia_da_Su%C3%A9cia

    nao conseguiría esclareçer o que é que fazem 15.000 somalíes em um pais tao frio como a Suecia. Precissaría de ir a outro tipo de lugares muito mais enciclopédicos para documentarse melhor.

  54. anónimo
    Posted 4 Março, 2010 at 10:18 | Permalink

    Aqui

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Demografia_da_Su%C3%A9cia

  55. Posted 4 Março, 2010 at 11:00 | Permalink

    #39

    Obrigado.

  56. tina
    Posted 4 Março, 2010 at 11:44 | Permalink

    E o que é isso, seu burro, comparado com os 30% da população emigrante dos EUA?

  57. VC
    Posted 4 Março, 2010 at 12:22 | Permalink

    Tina,

    Mas a população emigrante sueca é de 18%. É assim tão pouco? O que está a dizer é que há um número entre 10 e 20 que é óptimo e 30 é demais?

  58. Posted 4 Março, 2010 at 12:36 | Permalink

    Segundo a TIME Magazine desta semana, a UE é em todo o mundo o espaço económico mais generoso em matéria de ajuda externa. Esta média não é devida, com certeza, à contribuição de Portugal nem da Grécia; é devida à contribuição da Holanda e dos países escandinavos.

    Quanto à imigração, pergunto a mim mesmo o que é mais generoso: admitir imigrantes em grande quantidade para os encerrar em guetos, ou admiti-los em pequena quantidade para os integrar eficazmente, com o efeito colateral de os transformar num grupo social quase invisível?

    Já agora, Tina: não fazia ideia, e fico muito admirado com a sua informação, que 30% dos americanos estão emigrados noutros países.

  59. João Vasco
    Posted 4 Março, 2010 at 12:36 | Permalink

    Tina:

    Essa explicação não colhe: é verdade que existem mais imigrantes nos EUA do que na Suécia (em proporção da população), mas ambos os países aceitam um elevado número de migrantes: estão ambos nos primeiros 50 lugares no ranking mundial (que inclui 201 países).
    Assim sendo, é injusto dizer que a menor criminalidade na Suécia se deve à menor imigração. Na verdade, Portugal actualmente aceita mais migrantes per capita que os EUA (estamos imediatamente acima) e a nossa taxa de homicídios é muito inferior – http://www.geographyiq.com/ranking/ranking_net_Migration_Rate_dall.htm.

    Existe uma correlação muito alta entre a dispersão dos rendimentos e a criminalidade. Seria de esperar que isso acontecesse, parece-me.

  60. Posted 4 Março, 2010 at 12:41 | Permalink

    Já sei, Tina, já sei: quando escreveu população emigrante queria dizer população imigrante. Diga-me uma coisa: como é que chegou a esse número de 30%? Inclui nele só os legais ou também os ilegais? Só os estrangeiros ou também os naturalizados? Só a primeira geração, ou também a segunda, a terceira ou as seguintes?

  61. tina
    Posted 4 Março, 2010 at 13:24 | Permalink

    “Na verdade, Portugal actualmente aceita mais migrantes per capita que os EUA”

    actualmente, pode ser. Por isso o índice de criminalidade também tem vindo a aumentar. Agora, imagine como não seria em Portugal se tivesse uma história de acolhimento de imigrantes como os USA têm?

  62. tina
    Posted 4 Março, 2010 at 13:25 | Permalink

    “Quanto à imigração, pergunto a mim mesmo o que é mais generoso: admitir imigrantes em grande quantidade para os encerrar em guetos, ou admiti-los em pequena quantidade para os integrar eficazmente,”

    vá perguntar isso aos boat people.

  63. tina
    Posted 4 Março, 2010 at 13:28 | Permalink

    “Mas a população emigrante sueca é de 18%”

    Bastante inferior. E em termos absolutos, estamos a comparar milhões com milhares.

  64. João Vasco
    Posted 4 Março, 2010 at 13:39 | Permalink

    Tina:

    Em Portugal existem mais crimes per capita entre migrantes do que entre naturais. Especulou-se que pudesse ser devido ao facto dos emigrantes se encontrarem na faixa etária mais propensa à criminalidade, e existirem desproporcionadamente mais homens (estatisticamente mais propensos à criminalidade).
    Aquilo que se verificou, note-se que isto é apenas relativo à realidade portuguesa, é que controlando estes factores existe menor criminalidade entre emigrantes (ou seja, comparando cada sexo e faixa etária apenas com a população desse sexo e dessa faixa etária), embora o valor seja quase idêntico.
    Isto surpreendeu-me porque eu imaginaria que para obter este resultado seria também necessário controlar o rndimento. Mas nem isso. Em Portugal, apesar de mais pobres os emigrantes são menos propensos à criminalidade que outros portugueses da mesma idade e sexo.
    Para mim foi surpreendente.

    Não sei quanto aos EUA e à Suécia, e imagino que isto não ocorra por lá, mas parece-me claro que a razão fundamental pela qual a Suécia tem menor criminalidade é mesmo o facto da distribuição de rendimentos ter uma dispersão menor. Isto porque a correlação entre estes factores (criminalidade e dispersão) é elevadíssima, pelo menos no âmbito da OCDE, para a qual cheguei a conhecer os valores.

  65. João Vasco
    Posted 4 Março, 2010 at 13:40 | Permalink

    Onde escrevi “emigrantes” na última mensagem referia-me obviamente a “imigrantes”.

  66. simon
    Posted 4 Março, 2010 at 15:11 | Permalink

    #61
    Tina

    Tina tem a cabeça pequenina, os US acolhem imigrantes porque precisam deles, de povoamento para o território imenso, porque é um país jovem, recente, comparatovamente a portugal e qualquer país da Europa. Agora, a Tina entende só que é a bondade estadunidense que sobrepuja a toda a mais gente. E essa bondade é que faz que vão colonizar quantas terras podem, invadir quantos mais povos, quanto maior for a riqueza que daí arrebanhe.

    E é tontinha de ingénua a tininha.

  67. tina
    Posted 4 Março, 2010 at 15:37 | Permalink

    E o Simon que gosta de desdizer dos outros representa todos aqueles que dizem mal dos USA mas são eles os primeiros a demonstrarem comportamentos deploráveis. Sintomático.

  68. tina
    Posted 4 Março, 2010 at 15:41 | Permalink

    ” mas parece-me claro que a razão fundamental pela qual a Suécia tem menor criminalidade é mesmo o facto da distribuição de rendimentos ter uma dispersão menor”

    e eu expliquei que isso se deve à grande percentagem de imigrantes nos EUA, que estes são mais pobres e é aqui entre estes que se regista mais violência. Não é preciso ir aos EUA para verificar isso, basta ver os bairros sociais em Portugal, em que residem muitos imigrantes e há rusgas da polícia constantemente.


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