O poder das rattings é filha da…regulação

Isto é só rir. Desesperadas, as elites responsáveis por  décadas de despesismo irresponsável, recusam-se a reconhecer a bancarrota. E culpam as agências de ratting. E mais, exigem imediata regulação da sua actividade.

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Sucede que as ditas agências só tem poder por causa precisamente da regulação. Em 1975, uma entidade federal norte-americana, a U.S. Securities and Exchange Commission passou a exigir, para certas operações de crédito a avaliação de risco por empresas de rating. 7 empresas foram creditadas por essa agência federal. Com o passar dos anos e mediante processo de aquisição e fusão, restavam 3, pelo que a mesma agência federal creditou nos últimos anos 5 outras empresas (1 canadiana, duas japonesas e mais duas  norte americanas).
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Por seu turno, o Banco Central Europeu, instituição pública controlada pelos governos da União Europeia exige igualmente a avaliação das agências de ratting para determinadas operações, apenas aceitando 4: Standard & Poor’s, Moody’s, FitchRatings e DBRS.

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Note-se que existem centenas de agências similares, embora provavelmente de menor dimensão, com qualidade variável como é natural e desejável. Mas são as autoridades públicas que dão crédito às opiniões e avaliações que agora tanto criticam. Exigem mesmo o seu parecer para a concessão de crédito. Evidentemente, se as autoridades públicas não estão satisfeitas, podem sempre mudar de fornecedores. Mas creio mesmo que o probema é a mensagem que não agrada ao cliente.

18 Comentários

  1. leão verde
    Posted 7 Julho, 2011 at 20:02 | Permalink

    Hoje o BCE disse à “poorings” que fosse mamar na 5ª pata do cavalo.

  2. Eber
    Posted 7 Julho, 2011 at 20:13 | Permalink

    Este gajo é parvo!
    Ri-te ri-te, daqui a um ano quero ver se ainda estás com o riso

  3. Fincapé
    Posted 7 Julho, 2011 at 20:42 | Permalink

    Uma das agências foi criada por volta de 1900 para avaliar o investimento nos caminhos de ferro americanos. E depois? O que é que isso tem a ver com o facto de elas terem provocado a maior crise planetária de sempre por andarem a avaliar lixo como caviar? E também com o facto de de não terem rosto (agora já surgem alguns nomes), de não mostrarem as continhas que fazem, de estarem na mão de capitalistas com interesses directos nas pseudo-avaliações? É pô-las a andar, de preferência com um chuto. Se Alberto João Jardim o fizer, talvez reveja o que penso dele. Como diz o leão verde, chupem na tal pata ou mesmo na terceira de um bípede. Os braços “armados” do capitalismo selvagem têm de ser algemados.

  4. Pi-Erre
    Posted 7 Julho, 2011 at 20:51 | Permalink

    Ó Fincapé
    É assim mesmo, pá! Vira-lhes o cu, manda-os f.d.r.

  5. Posted 7 Julho, 2011 at 20:55 | Permalink

    Parece que Portugal também tem uma empresa de rating, a CPR. Acho que só temos que propor que o BCE substitua a Moody’s pela CPR.

  6. Fincapé
    Posted 7 Julho, 2011 at 21:01 | Permalink

    Pi-Erre,
    Dá-te lá por vencido, mas não necessitas de denunciar os teus vícios privados. E não venhas com falinhas mansas que eu sou bípede, mas não estou disponível. ;)

  7. Posted 7 Julho, 2011 at 21:18 | Permalink

    Ataque concertado à Moodys (acto 1º)
    http://www.facebook.com/event.php?eid=214459695264048
    use
    http://paginas.fe.up.pt/~ee07252/works/files/autoRefresh.html
    insert refresh http://www.moodys.com/ every 5 secs

  8. Fincapé
    Posted 7 Julho, 2011 at 21:31 | Permalink

    Boa, ADzivo! :)

  9. castanheira
    Posted 7 Julho, 2011 at 22:09 | Permalink

    Custa-me ver um país inteiro em estado de negação com o dedo em riste contra o mensageiro , pois indicia que não está focado na verdadeira resolução do problema .
    Todos sabemos que o estado está sobreendividado e gastou e continua a gastar muito mais do que a riqueza produzida .Ninguém consegue pagar as suas dividas se continuar a gastar mais do que ganha , como é o caso do governo potuguês . Por isso onde está o problema do rating?

  10. Arlindo da Costa
    Posted 7 Julho, 2011 at 22:14 | Permalink

    Agora até Cavaco fala contra as agências.
    Mas no tempo de Sócrates aconselhava que não devíamos reclamar ou ir contra as sentenças das Ratings!
    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades , como dizia eloquentemente Camões!
    Mas os «liberais» tugas não fazem nenhum reparo…..

  11. Fincapé
    Posted 7 Julho, 2011 at 22:22 | Permalink

    Não há nada como um comentador da RTP para explicar o que disse uma agência de rating (no caso, a Moddys), já que elas explicam pouquito e por comunicados.

  12. ping pong
    Posted 7 Julho, 2011 at 22:44 | Permalink

    O BCE, através do seu presidente Trichet, classificou de lixo a última avaliação da Moody’s sobre Portugal.
    Aguardemos os próximos capítulos.

  13. licas
    Posted 7 Julho, 2011 at 22:47 | Permalink

    A Síria de Al-Assad (filho) é um estado intitulado de socialista,
    A Líbia de Khadafi, idem
    Mais Cuba
    E o Vietname do Norte . . .
    SERÁ POLITICAMENTE CORRECTO AFIRMAR-SE QUE O SOCIALISMO
    É ______________TENDENCIONALMENTE DITATORIAL?

  14. Lawrence
    Posted 7 Julho, 2011 at 23:42 | Permalink

    O licas esqueceu a Venezuela, a China, a Coreia do Norte…..
    Quanto às agências de rating, são farinha do mesmo saco dos nossos políticos!
    Se uns andaram a dizer que nos EUA aquilo era tudo AAA e depois foi o que se viu, na Europa são os políticos a dizer que está tudo AAA e depois é o que se vê!
    É tudo malta que andou no MIT e outras “escolas” do género, que não dão formação no terreno!
    É tudo nos gabinetes!
    Só que a pu*# da vida cá fora dói!
    Isto está TUDO ZZZZZZZZZZZZ!!!!!

  15. Luis Carlos
    Posted 8 Julho, 2011 at 01:21 | Permalink

    “Custa-me ver um país inteiro em estado de negação com o dedo em riste contra o mensageiro , pois indicia que não está focado na verdadeira resolução do problema .
    Todos sabemos que o estado está sobreendividado e gastou e continua a gastar muito mais do que a riqueza produzida .Ninguém consegue pagar as suas dividas se continuar a gastar mais do que ganha , como é o caso do governo potuguês . Por isso onde está o problema do rating?”

    Manipulação de mercado.
    É verdade que a dívida portuguesa é lixo mas existem outras que são tão lixo como a portuguesa que recebem AAA.

    Aliás, isto só chateia um bocado porque vários países e bancos centrais decidiram incluir nas suas regras/leis que só podiam investir se o rating fosse x ou y.

    Na verdade os únicos a comprar dívida portuguesa são os bancos portugueses com dinheiro do BCE assim como os únicos a comprarem dívida dos EUA é o FED e mais um banco ou outro.

    Aliás, a maioria da dívida emitida hoje em dia é dívida a curto prazo porque ninguém se mete a comprar dívida a longo prazo, independentemente de ser AAA ou lixo.

    O mundo ocidental está quase todo com os pés virados para a falência e o sistema monetário à beira do colapso mas depois divertem-se com ratings para aqui e para acolá.

  16. neotonto
    Posted 8 Julho, 2011 at 08:44 | Permalink

    O poder das rattings é filha da…regulação? Ai, sim Gabriel.

    E nao será mas bem o que se está ao contrario do que afirma e que passa pelos excesos de uma lasidade desregulativa ou de uma certa desregulacao? Olhe que Segundo o professor F. Partnoy (Professor de Direito e Economia, Universidade de San Diego), a legislação (norte-americana) das agências de calificación de risco feita pela Securities and Exchange Commission (SEC) e o Sistema de Reserva Federal (FED) eliminou a concorrência entre as agências e tem praticamente obrigado aos actores do mercado a utilizar aos serviços das tres grandes agencias, Standard and Poor’s, Moody’s y Fitch…

  17. JMLM
    Posted 8 Julho, 2011 at 09:49 | Permalink

    Já que dá tanta credibilidade às agências de raiting, gostava de ver a sua opinião sobre aquilo que se passou nos EUA com o patrocínio dessas mesmas empresas. Será que elas estão mesmo ao serviço da economia em geral ou só de alguma economia?

  18. Posted 8 Julho, 2011 at 10:04 | Permalink

    É mais filha da incompetência. Porque, uma entidade que avalia clientes, dá resultados de acordo com o seu peso (dos clientes). Claro que, nestas condições, não “regula” coisa alguma.


2 Trackbacks

  1. Por Râtingue | ma-schamba em 8 Julho, 2011 às 09:38

    [...] o assunto li dois textos curtos: “A saga dos ratings”, de Vítor Bento e “O poder das rattings é filha da regulação”, de Gabriel Silva. Também opiniões, claro. Sendo eu totalmente leigo não posso ajuizar da verdadeira qualidade, [...]

  2. Por filhas da p…olítica « O Insurgente em 8 Julho, 2011 às 14:11

    [...] “(…) Desesperadas, as elites responsáveis por  décadas de despesismo irresponsável, recusam-se a reconhecer a bancarrota. E culpam as agências de rating. E mais, exigem imediata regulação da sua actividade (…) Mas são as autoridades públicas que dão crédito às opiniões e avaliações que agora tanto criticam. Exigem mesmo o seu parecer para a concessão de crédito. Evidentemente, se as autoridades públicas não estão satisfeitas, podem sempre mudar de fornecedores. Mas creio mesmo que o problema é a mensagem que não agrada ao cliente.”, Gabriel Silva no Blasfémias. [...]

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