O que aprendi com Das Märchen
Algumas pessoas, normalmente a esmagadora maioria dos contribuintes, não estão qualificados para criticar a arte ou sequer para falar de arte.
O problema é particularmente grave com os liberais que, como se sabe, são naturalmente incultos.
A qualidade de uma obra artística não pode ser avaliada nem pelo número de espectadores que se interessam por ela nem pela opinião dos críticos. Só pode ser avaliada por um pequeno número de iniciados auto-nomeados. Cabe ao público em geral pagar e calar.
A arte serve para provocar espanto e confrontar as pessoas com o novo. O que parece implicar que tudo o que provoque espanto e confronte as pessoas é arte subsidiavel.
A qualidade de uma obra artística não pode ser avaliada pelos seus contemporâneos, o que parece implicar que os contemporâneos devem subsidiar aquilo que não gostam e acham que não presta. Como existem algumas grandes obras que foram rejeitadas pelos seus contemporâneos, então todas as obras rejeitadas numa dada época são grandes obras. Só subsidiando aquilo que nos parece lixo é que poderemos gerar grandes obras primas.
Quem mostra uma preocupação, por mínima que seja, com o custo de uma obra só pode ser um inculto. Se quiser continuar a pertencer ao pequeno número de iniciados cultos tem que se desculpar várias vezes e garantir que não é um neo-liberal.
A pertença ao pequeno grupo de iniciados não prepara ninguém para manter uma discussão racional sobre cultura. O nosso leitor prof cvt tem-se esforçado por o demonstrar.

Noutros tempos, também, grandes nomes como Mozart e Bethoven, não viram as suas obras, talvez, porque demasiado inovadoras, foram olhados de soslaio pela crítica e as suas criações não se mostraram populares.
Não estou aqui para defender a obra de Emmanuel Nunes, até porque nem sequer a ouvi, que segundo parece terá sido literalmente intragável.
Apenas quero salientar que o argumento meramente economicista, tal como noutras áreas, não colhe.
GostarGostar
não se pode esperar nada de positivo da republica socialista e suburbana de lisboa (o resto e paisagem de churasqueira)
“fremosa estrevaria”
GostarGostar
João
Imagina que em vez de arte falas de vinho. Se tu não fores um enólogo ou um apreciador de vinhos regular poderás ter algum crédito para dizeres se um determinado vinho é bom ou não? Quando muito podes dizer se te soube bem ou não. Será que isso é a melhor forma de classificar os vinhos? Ou devemos mesmo dar mais valor aos enólogos?
De qualquer modo acho que ninguém aceitaria que se subsidiasse os “vintage” se isso fosse considerado importante para a manutenção da nossa cultura. Quem quer um bom vinho paga-o do seu bolso.
GostarGostar
Mozart e Bethoven vendiam o seu trabalho a quem queria comprá-lo. O subsídio é uma compra forçada a quem paga impostos.
Toda a produção cultural que não se sustente apenas com a venda dos próprios bilhetes não é desejada pela maioria das pessoas.
Parece-me um absurdo e uma injustiça inquantificáveis OBRIGAR todos a pagar pelos gostos culturais de uma minoria. Especilamente quando notamos que:
– o subsídio transfere dinheiro dos contribuintes mais desfavorecidos para sustentar o consumo cultural de uma minoria privilegiada com capital económico e académico;
– essa minoria usa este consumo cultural subsidiado com o dinheiro de todos como factor de destinção e diferenciação social.
Toda a cultura que pede para ser sustentada admite à partida o seu fracasso.
GostarGostar
Bom resumo AMI, concordo com tudo até com a distinção 🙂
GostarGostar
««Imagina que em vez de arte falas de vinho. Se tu não fores um enólogo ou um apreciador de vinhos regular poderás ter algum crédito para dizeres se um determinado vinho é bom ou não? Quando muito podes dizer se te soube bem ou não. Será que isso é a melhor forma de classificar os vinhos? Ou devemos mesmo dar mais valor aos enólogos?»»
Existe algum dado objectivo que nos garanta que os enólogos não nos estão a enganar? Se a qualidade do vinho só pode ser avaliado por enólogos, qual é o avaliador externo à comunidade dos enólogos que valide a opinião dos enólogos?
GostarGostar
Mesmo que não concorde com muito do que se passa no kafkiano universo das políticas culturais, não subscrevo estas críticas, que correspondem no seu geral à falácia do espantalho.
Ninguém defende que uma obra é boa porque foi rejeitada pelo público. Aquilo que vejo defender, e que o João Miranda (quase que parece propositadamente) interpreta mal, é que o facto de uma obra ser rejeitada pelo público não implica que ela seja má.
Defender que A (rejeição pelo público) não implica B (obra de má qualidade) NÃO é o mesmo que defender que A (rejeição pelo público) implica não-B (obra de boa qualidade).
Mesmo quem defende “a novidade” por si como uma vantagem, não defende necessariamente que essa vantagem por si implique que a obra deva ser subsidiada – há outras razões implícitas, e essa pessoa pode estar apenas a salientar uma das qualidades da obra.
Não estou a defender esta ópera, ou sequer a actual política cultural. Apenas a fazer notar que este texto está assente em falácias.
GostarGostar
Alfredo,
Comente o que está escrito no post e não aquilo que acredita que eu disse.
GostarGostar
Eu sou ignorante, não sei nada
Como não sei nada, nada faço
Como nada faço, nunca erro
Como nunca erro, sou um sábio!
.
GostarGostar
“Existe algum dado objectivo que nos garanta que os enólogos não nos estão a enganar?”
Sim. O facto de existirem vários enólogos e de eles não serem subsidiados (ou seja não serem todos ao mesmo tempo beneficiados pelo que escolhem).
“Se a qualidade do vinho só pode ser avaliado por enólogos, qual é o avaliador externo à comunidade dos enólogos que valide a opinião dos enólogos?”
Eu não disse que só eles podem ser os avaliadoes, tenho genuinas dúvidas acerca das respostas ao que perguntei. A avaliação externa seriam todas as outras pessoas reconhecerem que a capacidade dos enólogos é superior à sua para caracterizarem o vinho pela suas qualidades.
GostarGostar
Eu tenho muita capacidade de espantar as pessoas.Dão-me um subsidiozinho?
O problema é que a cultura em portugal visa manter uma série de vacas sagradas por nossa conta e cujo produto final é ouvirmos o seu “conselho” em votar “certo”… aí de 4 em 4 anos…
O MC deveria ser extinto, os monumentos nacionais, colocados debaixo do Min Finanças e acabava-se a grande teta.
GostarGostar
««Sim. O facto de existirem vários enólogos e de eles não serem subsidiados (ou seja não serem todos ao mesmo tempo beneficiados pelo que escolhem).»»
Não se aplica à cultura.
GostarGostar
A qualidade de um vinho determina-se pelo prazer que este dá a quem o bebe.
Como o paladar é uma experiência subjectiva, aos enólogos só se pode pedir para recomendar, não para determinar.
GostarGostar
Beirão,
«O MC deveria ser extinto»,
Concordo plenamente. Mas não deveria ser o único. Todos os Ministérios cuja principal função seja distribuir subsídios deveriam ser extintos o quanto antes. O Ministério da Agricultura e o Ministério da Economia afiguram-se excelentes candidatos.
GostarGostar
Critério de Significação – Os enunciados com sentido podem ser vereficados pela análise logica, enunciados sem sentido são não verificáveis limitam-se a exprimir estados de alma, contribuem para a musica, a arte, poesia.
GostarGostar
Quanto maiores forem os hábitos culturais de um povo, maior é a probabilidade de estarmos perante uma nação na vanguarda do desenvolvimento. Na verdade, existe um nexo de causalidade entre cultura e desenvolvimento. Isto é, um povo que tem hábitos de leitura enraizados, que frequenta salas de teatro, que tem gosto pela pintura, no fundo que tem uma relação estreita com a arte e a reflexão espiritual, está em melhores condições de garantir a sua sobrevivência e desenvolvimento.
GostarGostar
Porque é que são obrigatórios 9 ( já se fala em 12) anos de escolaridade? Porque é que não se dá liberdade aos pais de não colocarem os filhos nas escolas?
GostarGostar
Eu acho que o João Miranda está carregadinho de razão.
Em portugal existe o hábito parolo de se presumir que o que sabe mal faz bem. Se uma peça de teatro é imperceptível, aparece logo alguém a presumir que é muito boa. Só está é ao alcance da percepção de alguns iluminados; se um filme é um aborrecimento pegado é porque deve ser uma grande obra prima, etc, etc.
Eu não assisti à ópera. Mas a crítica é arrepiante e a reacção do público é péssima. Estes dois factores conjugados costumam ser um excelente indício que a obra, de facto, é má.
E se é verdade que existem algumas obras de arte cujo valor só posteriormente foi reconhecido também não deixa de ser verdade que isso são situações excepcionais. A regra é que quando a obra é boa é bem recebida.
Não se pode querer democratizar a cultura através do financiamento com subsídios e ao mesmo tempo querer tornar irrelevante a opinião daqueles que a pagam.
Ás vezes o rei está mesmo nu.
GostarGostar
Note-se que eu não sou, por princípio, contra a ideia de que o estado tem obrigação de promover a cultura. (Desde logo parece-me bem que tenha a obrigação de garantir condições de exibição e divulgação das obras). Mas se a arte é para o público a parte essencial da sua sustentabilidade tem que vir da adesão por parte deste.
O que alguns intelectuais pretendem é fundamentar uma ideia de insindicabilidade da qualidade da arte. No limite, não haveria ninguém, em nenhuma circunstância, capaz de distinguir uma obra prima de um projecto falhado.
GostarGostar
Não me parece sensato discutir a qualidade da obra sem ir vê-la.
Eu fui.
GostarGostar
O João fez um resumo muito preciso dos debates sobre cultura subsidiada, da opinião arrogante e insultuosa dos críticos que se julgam entendidos e das opiniões pouco conhecedoras e mal emanhadas que eles emitem de modo a justificar os gastos em “cultura”. Tudo de muita baixa qualidade, desde os críticos às obras em si. Mas o João Miranda, brilhante como sempre.
GostarGostar
“Não se pode querer democratizar a cultura através do financiamento com subsídios e ao mesmo tempo querer tornar irrelevante a opinião daqueles que a pagam.
Ás vezes o rei está mesmo nu.”
“O que alguns intelectuais pretendem é fundamentar uma ideia de insindicabilidade da qualidade da arte. No limite, não haveria ninguém, em nenhuma circunstância, capaz de distinguir uma obra prima de um projecto falhado.”
Brilhantissimo, Lolozinha. That sums it up!…
GostarGostar
O subsídio só existe para caução ao Regime. Todos os regimes têm os seus artistas para terem um grau de legitimidade. Não é por acaso que o Comunismo ou o Fascismo também tinham os seus artistas, este último até com grande preponderancia (futuristas) nas suas primeiras décadas. Uma vez que a entrada depende das ligações á burocracia do Regime a qualidade desce e a quantidade aumenta de modo que que a clique em frente á sua mediocridade usa o mote “Questionar a Arte” como argumento para esfugentar quem questiona, não passando de um alibi em que cabe lá a tralha toda que se quiser lá meter. Como é óbvio qualquer subsídio ou promoção de “Arte” forçada sobre os contribuintes é imoral.
GostarGostar
Nobre Arte é o pugilismo. Só a Nobre Arte deveria ser subsídiada.
.
GostarGostar
Um exemplo entre a diferença entre boa arte contemporânea e má arte contemporânea. Boa arte contemporânea – Muitos dos filmes “intelectuais” que passam no Quarteto e no King Triplex. Má arte contemporânea – Quase todo o cinema português.
GostarGostar
Um exemplo entre a diferença entre boa arte contemporânea e má arte contemporânea. Boa arte contemporânea – Muitos dos filmes “intelectuais” que passam (ou passavam) no Quarteto e no King Triplex. Má arte contemporânea – Quase todo o cinema português.
GostarGostar
«O que alguns intelectuais pretendem é fundamentar uma ideia de insindicabilidade da qualidade da arte.»
Insindicabilidade, que palavra tão feia!
Todas as pessoas têm o direito de avaliar a qualidade dos produtos artísticos de acordo com as suas experiências subjectivas.
Ainda que subjectivas, as experiências individuais podem revelar-se consensuais.
Quando existe um consenso geral positivo sobre uma determinada obra diz-se que a mesma tem qualidade ou, no caso do consenso geral negativo, o oposto.
Quando não há consenso sobre a qualidade de uma obra de arte (ou qq outra coisa) diz-se que a mesma é controversa.
«No limite, não haveria ninguém, em nenhuma circunstância, capaz de distinguir uma obra prima de um projecto falhado.»
O atribuição do estatuto de obra-prima a um produto artístico não é feita por decreto ou crítica especializada. Resulta do CONSENSO GERAL sobre a qualidade excepcional da mesma.
GostarGostar
Arte, arte, é a de governantes, servis, passando o sacristão e o sabujo, por igual cúmplices do maricano do goulag moderno de Guantanamo.
Arte do princípio ao fim, incluso na nega dos dois mais sujos partidos para debate do assunto na assembleia da hipocrisia.
GostarGostar
Se a arte não fosse subsidiada a Alemanha e a Inglaterra, por exemplo, não estariam a anos luz de Portugal. Ou será que por lá não existe política Portugal.
Na lógica comercial de João Miranda, só aquilo que vende é que deve existir e o Estado não deve fomentar o aparecimento de novos públicos e abrir caminhos à criação artística.
Na lógica comercial de João Miranda, a RTP 2 não devia existir, e os canais de TV deviam passar a todo o tempo telenovelas e filmes comerciais.
Na lógica comercial de João Miranda, os autarcas jamais deviam convidar e contratar concertos de música clássica. Devia ser sempre o miúdo Saúl do Bacalha Caralho.
GostarGostar
Em vez de “política Portugal” queria dizer “política cultural”
GostarGostar
Não vi a ópera, nada direi sobre ela.
Interessante a analogia de Filipe, da ópera com o vinho.
De um lado ás sensibilidades áudio-visuais e do outro as gustativas-olfactivas.
Acontece frequentemente o crítico musical se ralguém que houve muita música e arranjou um tacho a escrever as suas impressões. Ora um enólogo não é um beberolas com tacho.
Sobre o subsidiar ou não, não vejo porque se não deva subsidiar artistas, quando se subsidiam artesãos.
GostarGostar
Sorry, várias gralhas culpadas à posição do teclado.
A mais grave é “houve” em vez de “ouve”
GostarGostar
Red Snapper,
“um povo que tem hábitos de leitura enraizados, que frequenta salas de teatro, que tem gosto pela pintura, no fundo que tem uma relação estreita com a arte e a reflexão espiritual” não vai aparecer por obra e graça de meia-dúzia de peças de arte que não agradam a ninguém. Pelo contrário. Se eu não consumo filmes portugueses é porque aqueles que tive a bela ideia de ir assistir eram realmente confrangedores. Acontece que eu, talvez por ser idiota, não estou interessado em gastar o meu tempo e dinheiro para ir ter uma experiência negativa.
GostarGostar
Como é que sabe que é uma experiência negativa, se não experimentou ?
GostarGostar
Essa agora…
Se eu beber 10 marcas de cerveja e não gostar de nenhuma delas, como posso saber que não gosto de cerveja? Afinal, há tantas outras para provar!
Se eu vejo cinema regularmente e gosto, como posso ver 10 (mais ou menos) filmes portugueses e chegar à conclusão de que não gosto de cinema português?
Quanto à peça em causa, eu não fui lá de facto. Mas estou a partir do princípio, admito que talvez errado, que a maioria daquelas pessoas que saíram a meio da peça não estavam e assistir a uma peça do género pela primeira vez. E que, na generalidade, até gostaram das outras a que assistiram.
GostarGostar
Isto para explicar que uma série de experiências negativas não garantem que a próxima também será, mas garantem que a maior parte daqueles que tiveram uma série de experiências negativas não estarão lá para aferir da qualidade da próxima. E não me parece que seja assim que se consiga criar “um povo que tem hábitos de leitura enraizados, que frequenta salas de teatro, que tem gosto pela pintura, no fundo que tem uma relação estreita com a arte e a reflexão espiritual”.
GostarGostar
AMI,
Em resumo, a arte pode qualificar-se como “obra prima” ou “controversa”, nunca de “má”.
GostarGostar
JM, post brilhante. O respeito das “elites cuturais” (cof, cof, cof) que são mauito mais esclarecidos que o resto da população e conseguem entender “obras de arte” (cof, cof, cof) inentendíveis – como dizia a Lololinhazinha – é bem descrito pelas palavras (reproduzidas apenas parcialmente aqui) do João César Monteiro depois da exibição daquele filme, o Branca de Neve, que foi subsidiado com uns cem mil contos para ter um ecran quase permenentemente sem imagem, apenas com uns sons de vozes e que talvez tenha tido uma dúzia ou duas de espectadores no cinema: “O público que se f….”.
GostarGostar
A “carmex” costumava assinar aqui no blasfémias com o seu nome Maria Marques, mas agora estamos no wordpress que reconhece logo o meu ip (será assim?) e me atribui o meu nick do Farmácia Central.
GostarGostar
E o raio da opera foi subsidiado pelos privados na maior parte. Fará se nao fosse. E barata para opera. Demorou foi muitos anos a nascer desde que foi a encomenda.
GostarGostar
Tina,
Não foi isso que eu disse.
«Quando existe um consenso geral positivo sobre uma determinada obra diz-se que a mesma tem qualidade ou, no caso do consenso geral negativo, o oposto.»
Em resumo, os produtos artísticos são qualificados de acordo com a opinião consensual. Se não existe opinião consensual, diz-se do produto artístico que é controverso.
GostarGostar
Acontece o grande artista estar avançado em relação à época em que vive.
As coisas até se complicam quando o génio até é surdo, como Beethoven, não lhe permitindo uma vida social de conversas.
Passou ontem na TV(MOV) um filme sobre ele, “Paixão Imortal”. Os Joãos Mirandas deram-lhe cabo da vida.
GostarGostar
A lógica comercial é muito respeitável bem mais que a lógica do subsídio. Os artistas se têm valor têm de o provar ao publico e este paga-lhes se achar que têm valor e não obrigarem com a força do Estado alguém que trabalha das 9 ás 18 a pagar-lhes. O resultado dos subsídios forçados é precisamente uma divergência cultural cada vez maior entre as pessoas e os “artistas” em que os happenings e o choque, o chamado “questionar” não são diferentes da “música pimba” na procura de emoções simples, a única diferença é que a “musica pimba” o faz por excessiva próximidade e os “artistas do subsidio” o fazem por total distanciamento -a falha de comunicação destes ultimos é propositada porque a obra justifica-se na própria falha de comunicação, é seguro e basta só dizer que se está “a questionar a arte”, no fim “pimbas” e “artistas” estão juntos na preguiça intelectual com vantagem para os primeiros…
GostarGostar
Exactamente Lucklucky. E enquanto sobre a música pimba se diz que é de mau gosto, sobre a má arte diz-se que é controversa.
GostarGostar
“Acontece o grande artista estar avançado em relação à época em que vive.”
E então? se a sociedade for livre e houver o mínimo de normalisação, mais hipoteses tem de aparecer novas tendências. Numa sociedade em que a escola é toda igual, todos têm de funcionar da mesma maneira não se espere que algo diferente apareça. Luckyluck até deixou de ter um cigarrinho nos lábios…
Com a normalização que o Estado impõe e o subsídio forçado o que resta é pouco mais que zero.
GostarGostar
AMI, desculpe mas o meu julgamento foi apressado baseando-me na atitude geral que existe de nunca se qualificar a arte como má por receio de mostrar ignorância.
GostarGostar
Pela lógica comercial, o tradicional quadro do menino a chorar ou qualquer tela a óleo com três cavalos a galope, é a arte no seu mais elevado expoente.
GostarGostar
eheheh
Boa malha, Micas.
GostarGostar
O prof cvt é prof e é cvt, mas não é isso que interessa. Vamos então pôr os pontos nos ii.
As bojardas pouco educadas («patetas liberais», «bestas» e «incultos», etc) que usei foram (i) proporcionais ao ódio visceral que os liberais sentem pela arte de hoje. Quer dizer não tocam em Mozart nem em Shakespeare, mas a arte de hoje para estes liberais ou é fraudulenta (mistificadora, especulativa, sem sentido) ou subsidiodependente. Viu JM o Sófocles de Luis Miguel Cintra («Filoctetes»)? Não vai ao teatro? Tem hábitos artistico-culturais? Foi um «Filoctetes» de arrepiar, representado por subsidiodependentes (A Cornucópia é a melhor companhia portuguesa). Porquê o desprezo pela arte actual? Saberá explicar e exemplificar? Não?
(ii) Para além das bojardas, desenvolvi alguns argumentos que passaram despercebidos. Porquê? É preciso citar Kant («Crítica da Faculdade de Julgar») para perceber que a audiência não é critério algum?
(iii) Diz JM que aprendeu coisas com a ópera de Emmanuel Nunes. E com o clássico «Filoctetes» da Cornucópia subsidiada o que aprendeu? Gosta dos clássicos? Viu?
O que é que aprendeu com a ópera de Emmanuel Nunes se não a viu? Ou até nem frequenta a ópera? (Que também há ópera noutros lugares, não é só no S. Carlos — passa pela Culturgest? Ou a arte de hoje, de hoje e que se faz hoje, é-lhe completamente desprezível?)
GostarGostar
Sem sombra de dúvida que cabe aos cidadãos questionar a forma como os subsídios são gastos. Um espectáculo de dança, um filme ou uma peça de teatro não são automaticamente sinónimos de criação de cultura, educação ou arte. Por isso é que se deveria pedir contrapartidas – já para não falar do escândalo de serem as elites que recolhem o benefício desse subsídios, em forma directa de bilhetes oferecidos!!
As contrapartidas seriam, por exemplo, impor às companhias de teatro que ajudem a organizar peças nas escolas, com de representação, escrita e direcção. Ou como diz Miguel Coutinho, exigir que se faça uma peça cujo argumento resultaria de um concurso escolar distrital de escrita. Ou organizar espectáculos de declamação de poesia nas escolas, em sintonia com a matéria de Português ensinada. Ou pedir que se façam tournés regulares em zonas fora dos centros urbanos. Ou obrigar à rotação de espectáculos nas diversas salas nacionais de Lisboa e Porto.
GostarGostar
Maria Marques,
O “Branca de Neve” também não me sai da cabeça.
prof cvt,
Não percebo essa do ódio visceral dos liberais pela arte de hoje. Já ouviu algum liberal dizer mal da Paula Rego?
GostarGostar
Bem, parece que o Prof Cvt já aprendeu a falar com maneiras graças aos liberais. Agora deveria aprender a não falar pelos outros como quando diz que os liberais têm um ódio visceral à arte contemporânea. A diferença é que existe boa arte contemporânea e má arte contemporânea e qualquer pessoa mínimamente educada saberá distinguir a diferença. O que os liberais questionam, entre outras coisas, é que se gasta muito dinheiro a subsidiar cultura que acaba por não atingir o objectivo de educar o público já que por ser tão “controversa” ainda acaba por os afastar mais. Portanto, Prof Cvt, para além de continuar a tentar não insultar as pessoas, deve cinjir-se a esta linha de linha de argumentação se quiser manter um debate racional sobre cultura.
GostarGostar
O que é que será para a Tina uma “pessoa mínimamente educada” para reconhecer a arte boa da má ?
Será uma pessoa que sabe a disposição dos talheres ?
GostarGostar
Piscoiso, nós estamos aqui a ter uma discussão muito séria e intelectual, subsidiada à nossa custa (oh, eu que o diga!…), por isso por favor não abandalhe.
GostarGostar
Prefiro esperar que JMiranda responda a algumas questões concretas e decisivas que coloquei no comentário 49. Senão, por aqui me fico.
GostarGostar
ahahaha, o João não lhe vai responder porque o Prof começou a divagar e com o JM consistência e coerência é muito importante, divagar é só perder tempo.
GostarGostar
Há três questões:
(i) Porque é que os liberais detestam a arte de hoje (e se comprazem, e muito, com alguns dos seus fracassos) ??
(ii) Porque é que estes posts começaram com a debandada de audiência da ópera de Emmanuel Nunes ?? (A audiência não é um critério do juízo)
(iii) O que se aprende com o que não se viu?
GostarGostar
A todos os que falam da boa e ma arte contemporanea, aos que falam em distinguir o bom do mau tao facilmente apenas vos peco que nomeiem um ou dois compositores de musica erudita contemporanea que vos agrade. Isto porque os criterios que vejo para ai, de nao agradar ao publico, de ser chocante, etc, etc, sao caracteristicos da grande maioria da musica contemporanea actual (aquela que ‘e tida como boa e tudo!), isto poque o publico simplesmente nao esta habituado a escuta-la. Portanto, antes de mandarem bombas, cheios de certeza, sobre a musica contemporanea, pensem se de facto tem algum tipo de conhecimento sobre o panorama musical contemporaneo que vos permita fazer tais juizos.
Mais uma vez, nao estou a falar de Das Marchen porque nao a ouvi. Parece-me no entanto que ha uma grande confusao e se esta a descarregar nesta obra o que se pensa em geral da musica contemporanea.
GostarGostar
“aos que falam em distinguir o bom do mau tao facilmente apenas vos peco que nomeiem”
É tão fácil distinguir o bom do mau quando se gosta mesmo dessa arte. Eu não poderia falar sobre música, por exemplo, mas sobre cinema sinto-me completamente à vontade. Quando se gosta mesmo de alguma arte torna-se como comida para nós; ora alguém já alguma vez teve dificuldade em distinguir um bom dum mau prato?
GostarGostar
Já agora diga lá uma fita.
GostarGostar
Prof Cvt
Talvez o que os liberais não gostem seja dos subsidios à arte. Penso que em termos estatisticos haverá tantos frequentadores (ou até mais) de teatros, óperas, museus, etc entre os liberais quanto entre os não-liberais.
Prof, penso que o post começou com a debandada do público para realçar que esses subsidios só beneficiam uma minoria pequena.
O Prof entende a arte só como ensino? (“o que se aprende com o que não se viu?”). Não pode ser só fruição?
GostarGostar
Piscoiso, a minha fita favorita de todos os tempos foi “Intimidades entre casais”. Aí é que se aprende mesmo, muito, muito mais do que com Das Marchen, isso posso garantir-lhe.
GostarGostar
«ódio visceral que os liberais sentem pela arte de hoje»
Rossio, 19h30, depois de assistir à apresentação do “Dossier Regicídio” no palácio Almada (Independência).
Na paragem do autocarro, observo uns mamarrachos escultóricos plantados no centro do Rossio.
Arte?
Veem desde a Av da Liberdade e estão ali como obras de arte.
Arte?
Ali está no que dá alguma da arte contemporânia, para não dizer pós moderna.
Arte?
Apenas espero que a CML, ao dar licença para a exposição daqueles mamarrachos, tenha podido reforçar as finanças da autarquia.
Arte?
PS: não sou liberal. Ai não sou não.
GostarGostar
Curiosamente, ainda ninguém se lembrou do Van Gogh, que nem vendeu quadros, nem foi subsidiado.
Quantos Van Goghs perdeu Portugal ?
A resposta, curiosamente, deve ser nenhum.
(Isto sem recuarmos aos paineis de São Vicente, evidente e curiosamente. Têm séculos 🙂 )
Pois nem ninguém compra obras de arte sem serem re-conhecidas (quer liberais quer defensores de artistas)
E nenhuma obra subsidiada, alguma vez foi reconhecido mérito artistico , passados anos. Mesmo décadas.
Falar de Arte em Portugal, é falar sempre de algo que tem valor. Tirando o artistico, tem que ter Ou valor económico garantido (visão liberal), ou valor social reconhecido (cornucópia).
Não conheço nenhum desgraçadinho ou desgraçadinha que alguém tenha dado a mão e comprado umas obras, muito menos dado subsidios.
Só mesmo, o quadro do menino a chorar.
Estamos perante, a falar de assunto nenhum.
GostarGostar
Perdão, errei.
Onde disse ” A resposta é nenhum”, devi ter dito ” A resposta ninguém sabe, podem ter sido muitos ou poucos ou nenhum “
GostarGostar
“Intimidade entre Casais” é o exemplo de arte, que Tina avançou.
Tive de ir ao Google para saber o que era.
É um filme pornográfico.
Prazer em conhecê-la !
GostarGostar
Curiosamente, Piscoiso, cheguei à mesma conclusão. E ri-me imenso com o comentário:-)
Têm um blogue e tudo. Menina Tina, isso é que é contemporaneidade.
GostarGostar
Os artistas são individualidades iguais a todos os outros. A “arte” é “consumida” por quem a desejar. Os subsidios foram inventados para os que os atribuem tirarem vantagem sobre esses brindes. Quais as vantagens? Eles sabem (acreditem).
E se um Artista só é Artista se receber o subsidio então eu também tenho “direito” a ser artista!
GostarGostar
Meu Deus, esta gente é mesmo lenta!…
GostarGostar
O Anónimo das “5:16 am” está enganado quando diz: “Os artistas são individualidades iguais a todos os outros”.
A Tina que lhe diga se um artista porno é igual aos outros.
GostarGostar
Ah, grande Tina!!
GostarGostar
Piscoiso, você é preconceituoso…???.
Já agora, o que é um artista para si?
GostarGostar
lololinhazinha Diz: ” Eu acho que o João Miranda está carregadinho de razão. (…) Ás vezes o rei está mesmo nu ”
Bem dito, lolo. As provas acentuam-se, mas curiosamente, o desfecho vai ser imprevisível. Nem a lolo calcula,
o que só acentura a qualidade do desfecho .
A obra terá que ter grande qualidade, visto que se pretende sine qua non que seja esta seja unânime (e contemporânea). Tudo se acentua para ser atingida, curiosamente, visto ter sido falhada em Guantanamo.
GostarGostar
Caro Anónimo das 7:16 pm
O que é um preconceituoso para si ?
GostarGostar
E sem mais, segue a conclusão do obra – um processo
Provas
” prof cvt Diz: ” três questões:
(i) Porque é que os liberais detestam a arte de hoje (e se comprazem, e muito, com alguns dos seus fracassos) ??
(ii) Porque é que estes posts começaram com a debandada de audiência da ópera de Emmanuel Nunes ?? (A audiência não é um critério do juízo)
(iii) O que se aprende com o que não se viu? ”
E OUTRAS, COMO TINA E MAIS .
INVESTIGADOR : PISCOISO.
ASSISTENCE SOCIAL : LOLOL
O CVT, apoiou desde sempre a arte subsidiada, tendo depois e face aos acontecimentos evidenciados, se tornado na arte do porno. Na sua argumentação, tornou-se prova que o calão típico dos bares e meios do género, era ferramenta para CVT ir enfrentado e talvez mesmo intimidando, os poucos adversários que se lhe opunham, a que chamou de “liberais”. .
Curiosamente, o Prof CVT na sua pergunta, demonstra também colocar se deverá o porno ser subsidiado ?. Note-se a pergunta, sobre um acto, o sexual, que deve ser intimo mas que quer agora ser filme, e arte “(iii) O que se aprende com o que não se viu? ”
Essa arte porno tem muita audiência, e não precisa de subsídios. O CVT concorda quando diz ” (ii) Porque é que estes posts começaram com a debandada de audiência da ópera de Emmanuel Nunes ?? ”
Pois, curiosamente, dos filmes porbo não devem debandar, e percebe-se a intenção . Vejamos :
Parece ver-se o seu plano quando afirma textualmente ” A audiência não é um critério do juízo “, que implica embora não implicitamente, que apesar do êxito do porno, agora chamada arte porno, parece querer abrir as portas para subsídios a filmes porno, curiosamente. Isto segundo várias testemunhas.
A própria TINA, ao falar do seu filme preferido, e de quem não percebe e não vê é lento, demonstra ser uma testemunha, e mais, uma vitima.
à pergunta de Prof CVT “(i) Porque é que os liberais detestam a arte de hoje (e se comprazem, e muito, com alguns dos seus fracassos) ??” fica explicada. Que a quem CVT chama de liberais, não gostam de arte porno, e devem ser contra o lenocínio.
Mas a pergunta implica que tal não deve obstar a que seja subsidiado o porno, apesar de oposição . ” A audiência não é um critério do juízo ” frisou o CVT mais uma vez, citando um autor estrangeiro. Tal citação, não apresenta pag, nem capitulo, pelo que deve ser desentranhada e considerada nula, mais a mais não sendo fundamentada, mas apenas um “statement” obstinado.
Estão assim, as provas formadas, e segue-se a decisão.
CVT deve compreender que porno é porno, e querer que o porno seja subsidiado, perante as evidencias demonstradas, poderá mesmo levar á prática de lenocinio. Pedir subsídios, não implica a legalização do lenocínio, nem da prostituição, nem parece ser um destino útil para o Dinheiro dos contribuintes. Mais , quando se tem um pedido de socorro, de uma vitima presente – tina.
O que curiosamente, e perante a Lei , se for vitima, e tendo em conta o actual código penal, é crime e lenociio
Deverá por isso , CVT
– pedir desculpas a TINA.
– restringir os contactos com JMiranda,
– deixar de apoiar o que tem apoiado, sob pena do afirmado.- o grave, mais a mais quando se é professor e se tem contacto com maiores e deveras, é-se teimoso.
Perante as provas demonstradas, e falta de remorso , não resta senão dar por declarado o culpado do sbt , e até, dar por finda a arte porno.
Pague-se a vitima – Tina – as custas do processo.
Seguirá para Guantanamo, atendendo que não foi contra ela, quand teve oportunidade
GostarGostar
Caro Piscoiso, você ao pedir à tina para me explicar se um “artista porno” é igual aos outros pareceu-me sarcástico. Se não, porque é que chamou “artista” a um “artista porno”?
Sinceramente não compreendi. (mas deve ser pura ignorância minha!) mil perdões…!
GostarGostar