É a cultura, estúpidos!
Este diploma é bem elucidativo de como o Estado se submete aos interesses de uma oligarquia, mascarando sempre esse facto com um parolo cosmopolitismo de vanguarda.
Nele se pode ver como um multimilionário consegue pôr o Estado ao seu serviço, adaptando um dos espaços mais nobres de Lisboa para “armazenar”, aumentar e valorizar uma colecção e pagando ainda mais de 1,5 milhões de euros por ano para o funcionamento de uma Fundação (vd. Artigos 5º e 6º dos respectivos Estatutos). Para além, claro, dos benefícios fiscais que lhe concede ao abrigo do Estatuto do Mecenato.
E dizia-se que a colecção tinha ficado de borla… Vamos todos pagando.
Estas teias de relações e de interdependência que o Estado vai construindo com alguns, forçam naturalmente interrogações sobre episódios e comportamentos posteriores noutros casos…

Acho isto mais grave que a questão dos projectos do Sócrates dos anos 80. Mas pelos vistos nem um comentário suscitou. Conclusão: os posts do JM são populistas 🙂
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E que me pareça a população de Lisboa e os visitantes da colecção não se têm queixado, e têm afluido em grande número à sua exposição.
Que eu saiba também, o Estado, ou seja o erário público, não gastou um chavo na aquisição de qualquer obra da dita colecção.
Não me parece que o sr. Berardo tivesse a obrigação de ceder a sua colecção, adquirida a suas expensas, de borla, ao Estado.
É certo que o sr. Berardo desperta vários ódios por outros motivos que não este aqui arrolado, de motivos clubisticos a regionalistas, mas isso, de facto, não conta para nada.
O que eu sei é que, se não fosse o sr. Berardo, eu não poderia apreciar as obras que estão expostas quer no CCB que no museu de Sintra.
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Lino José,
“Que eu saiba também, o Estado, ou seja o erário público, não gastou um chavo na aquisição de qualquer obra da dita colecção.”
Já leu com atenção o decreto-lei de que faço link e que inclui os Estatutos da Fundação? Está lá o que o Estado vai pagar nos próximos anos.
“Não me parece que o sr. Berardo tivesse a obrigação de ceder a sua colecção, adquirida a suas expensas, de borla, ao Estado.”
“O que eu sei é que, se não fosse o sr. Berardo, eu não poderia apreciar as obras que estão expostas quer no CCB que no museu de Sintra.”
E porque é que isso tem de ser à minha custa e de todos os outros?
Quem defendeu isso? O que não deve é ser o contribuinte a pagar a manutenção, conservação e até ampliação da colecção. É mais de 1,5 milhões só em cash.
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Eu cá gosto é dos “Membros-Berardo”. Lembrei-me logo de Austin Powers lol
Isto é conversa de longa data, pois o protocolo em que estes termos foram tornados públicos já há muito que é conhecido. Sobre esta massagem ao ego do Sr. Berardo e, também, sobre a festa da música do CCB:
http://fliscorno.blogspot.com/2006/11/em-maro-de-2006-disse-se-httpdn.html
«Só tendo em conta o meio milhão de euros que o Estado tem que desembolsar para o tal fundo
de aquisições para compra de novas obras de arte já a brincadeira fica 110,000.00 euros mais cara do que a Festa da Música. A esta despesa há a somar o disparate da constituição e funcionamento do museu e dos seus 5 administradores e despesas associadas.»
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e eu, na minha estupidez crassa, amigos, dei a volta à exposição do comendador e, a dizer verdade, contra maioria do povo, olhem, topei aquilo uma velhada de um gosto do piorio.
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tamém, não posso ter-me enganado muito, como o confirmei, logo, à saída, quando, casualmente, deparei, com a figura tosca do autor da colecção sem norte nem visível perspectiva.
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O que acho graça é a ser este o mesmo LR que critica a fundação do berardo enquanto que há bem pouco tempo tecia loas e defendia com unhas e dentes a fundação de serralves, apesar de a de serralves ficar muito mais cara ao estado (ou seja a todos nós) que o do berardo.
se calhar é por a de serralves ser no puerto, ou passarem por fundadores os ricalhaços “finos” e o berardo ser ricalhaço “grosso” (ou por ter tramado os gajos da “opus”)
Já nem se pede coerência a este LR, mas ao menos um bocadito de vergonha não lhe ficava mal…
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“vamos todos pagando”
como se cantava na Mocidade Portuguesa: «lá vamos, cantando e rindo / levados levados sim…»
Filhos da P…
Foi para isso que quebraram os contratos com os Certificados de Afôrro.
Ainda não fui ver a colecção, e os meus parentes de Alijó tambem não.
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quem é grande tem sempre razão
os pobres pagam impostos
os desempregados não têm subsídios
PQP
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Vou ali e já venho,
“O que acho graça é a ser este o mesmo LR que critica a fundação do berardo enquanto que há bem pouco tempo tecia loas e defendia com unhas e dentes a fundação de serralves, apesar de a de serralves ficar muito mais cara ao estado (ou seja a todos nós) que o do berardo.”
Não diga asneiras! Aponte-me uma posta em que eu “teça loas e defenda com unhas e dentes a fundação de serralves”. Se bem me lembro, das poucas vezes que escrevi sobre ela e a Casa da Música foi aqui e desafio-o a dizer-me onde está a incoerência com o que agora escrevo.
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Demos graças ao senhor PM,
por não conhecermos passado “cultural” dos recém-laureados Ministro da Cultura e sua Secretária de Estado.
Assim, partindo eles do zerorotundo-zero, tudo o que vierem a fazer “com menos meios”(nóvel ministro dixit!…), é melhor do que (não) se esperava… Logo, deixarão “obra” acima das expectativas.
Fantástico, José ! — SERÁ VERDADE QUE ALGUÉM TROCOU NOMES E NÚMEROS DE TELEFONE E AFINAL QUEM TE SOPROU AO OUVIDO “ANTÓNIO PINTO RIBEIRO” QUERIA “O OUTRO” ?
José, o teu assessor ALEXANDRE MELO que te explique…
—-
E mais não digo, porque sou um simples comentador do Blasfémias. Noutras circunstâncias e lugar, ai, ai, José…
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Os lobbies estão instaurados à partida… De mal a pior! – Da Banca para a Cultura…
É a Cultura… Será?
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Ludo Rex,
a Cultura portuguesa e também a portuguesa-estrangeirada, existem ! E recomendam-se !
Só que, tem sido mal conhecida, deficientemente dirigida e ocasionalmente activada por certos ministros e secretários de estado.
Claro que os lobbies existem também na cultura e nos corredores políticos e económicos interessados na Cultura… Muito interessados mesmo…
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