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Vitória da excepção *

8 Abril, 2008
by

O Norte está mal. Em quase tudo. O desemprego é o maior do País e o que mais aumenta. O nível de riqueza por habitante coloca-nos no último lugar de Portugal e na cauda da Europa – até o Alentejo nos ultrapassou! O investimento público apenas se preocupa com algumas áreas do Litoral e esquece, obscenamente, o Interior cada vez mais deserto de pessoas e proveitos. Os fundos comunitários são as sobras daquilo que a única região do País que está proibida de receber dinheiro da UE (mas que o aufere quase todo) ainda permite, para melhor disfarçar. Um político em Portugal, para ter ambições nacionais, tem de desdenhar tudo aquilo que o Norte representa e camuflar as suas origens e a sua pronúncia.
Também é por isso que o sucesso do FC Porto sabe melhor. Aí não há depressão, Lisboa não dita as regras e o êxito já não é distribuído administrativamente. Por enquanto.

* Correio da Manhã, 7.IV.2008

95 comentários leave one →
  1. tonibler's avatar
    8 Abril, 2008 00:45

    Acho piada a esta coisa de misturar o Norte com o Porto. Anexaram o resto, foi?

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  2. Desconhecida's avatar
    Confrade permalink
    8 Abril, 2008 00:45

    Eu não sou do FCP. Gosto “sensatamente” de futebol. Parabéns ao FCP! Não há outro assunto??

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  3. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    8 Abril, 2008 00:51

    A minha tia Adriana, ao ler este post até disse:
    “Amorim dá-me a tua camisola”.

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  4. Gomorra's avatar
    8 Abril, 2008 00:52

    Conheça aqui o autor da destruição do Sistema de Ensino em Portugal.

    Mais uma revelação espantosa do compadrio desta corja sem vergonha…

    http://asvicentinasdebraganza.blogspot.com/2008/04/infncia-de-lurdes.html#links

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  5. Paulo J. Vilela's avatar
    Paulo J. Vilela permalink
    8 Abril, 2008 01:02

    Caro CAA,

    Estive presente na Fnac Braga no debate com Nuno Melo acerca da regionalização. Esteve muito bem. Não estrague tudo.
    O norte está longe, muito longe, de ser a cidade do Porto e muito menos a vitória de um clube de futebol (seja ele qual for). Não vá por este caminho tão redutor.

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  6. Desconhecida's avatar
    Confrade permalink
    8 Abril, 2008 01:06

    “Não vá por este caminho tão redutor.” nem mais!

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  7. Desconhecida's avatar
    Mialgia de Esforço permalink
    8 Abril, 2008 01:15

    Como devem estar a chegar aqui os do costume mais a sua diarreia, e já que não quero pedir ao CAA (dono do estaminé) para puxar o autoclismo, vou-me deitar que amanhã (hoje) é dia de trabalho.

    Boa noite!

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  8. Meme's avatar
    Meme permalink
    8 Abril, 2008 01:20

    O facto de o argumento do CAA aos olhos de alguns ser tão redutor, não é culpa dele… e só reforça a coerência e oportunidade do post, de facto, os exemplos de sucesso à escala nacional e ou internacional de empresas ou instituições com sede localizada a Norte e sem ou contra o controlo administrativo de Lisboa, são muita poucachinhos…, isso sim, uma realidade cada vez mais redutora!

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  9. johnes's avatar
    johnes permalink
    8 Abril, 2008 01:26

    Por enquanto, que não faltam virgens puras nem figurões desejosos de lhe aplicar castigo grande.

    Mas nem fundos da CEE ajudam grandemente por aí, se omaior caudal vai para Sul, a começar nos poucos grandes agrários que o mamam de graça, praticamente, a cada época da colheita, sem fazer nada, melhor, na condição de não fazerem nenhum. Ao menos no que me transparece do assunto, desde sempre, sem mais significante informação.

    By other side, à vista de mais duas levadas de desempregados, ali para Vila Nova de Gaia, dei-me a lembrar, pobre mortal, senhores, num país que prima pelo desfazamento entre os mais pobres e mais ricos dessa CEE, uma vergonha entre várias outras, que de medidas este governo teria à mão para tomar, desde uma lei que urgisse o desconto de 1%, vá lá 0,5% dos mais ricos e ricos em demasia para um fundo de ajuda a esses desgraçados que de um momento para o outro ficam de mãos a abanar, sem emprego, com a encomenda de permanecerem cidadãos honestos, que não ofendam, não protestem e não roubem do alheio nada…

    Oh, grande injustiça, que se essa pobre gente soubesse a metade da missa e uma pontinha da injustiça que sofrem, escandalosamente, certo iam por aí pôr fogo ao que vissem à frente, sr. Sócrates, sr. ministro do Lavoro, da Administração Interna e das Finanças.

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  10. johnes's avatar
    johnes permalink
    8 Abril, 2008 01:29

    … com a encomenda de terem filhos e de os mandarem à escola, de telemóvel de luxo para apagar, assim até à idade dos 25 a 30 anos, com a ajuda de umas dezenas de euros para ajudar.

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  11. rb's avatar
    8 Abril, 2008 01:36

    Só faltou o remate: viva o FCP caraigo!

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  12. Sokal's avatar
    Sokal permalink
    8 Abril, 2008 01:42

    Desconheço o autor do post, com iniciais CAA, mas, ou está a brincar, ou não deve muito à inteligência.
    Se quer celebrar a vitória do seu clube, celebre. Mas não venha para aqui com parvoíces regionalistas sem sentido.
    Para tratar complexos de inferioridade existem os psiquiatras. Não é necessário aproveitar a vitória do FC Porto para manifestar esses complexos.

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  13. Desconhecida's avatar
    jason statham permalink
    8 Abril, 2008 02:30

    O Palermo também é a honra do sul de Itália de há uns anos para cá. Também o Nápoles de Maradona era a única consolação para aqueles lados mafiosos.

    Corruptos. Tenham vergonha. Cheiram mal que se fartam.

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  14. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    8 Abril, 2008 03:08

    Nalguns blogues e foruns estrangeiros existe uma opção para ignorar comentários de determinados comentadores se assim desejarmos, denominada “ignore list”. Pois eu por vezes quando leio o CAA acho que alguém deveria também inventar um addon para ignorar post’s do próprio autor do blogue usando filtros. Ou seja, o CAA, com todo o meu respeito que aprecio o resto do que escreve, levava logo com o filtro “religiao” e “fcp”, dois filtros distintos embora redundantes.

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  15. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    8 Abril, 2008 04:08

    “mas que o aufere quase todo”

    Gostava de ver dados em relacao a isto….

    Em relacao ao CAA nao poderia concordar mais com o comentador anterior…parece que quando se fala de futebol o sr CAA transforma-se no Mr Hyde.

    Tambem andara a levar as injeccoes de raiva do Sr Pinto da Costa?

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  16. johnes's avatar
    johnes permalink
    8 Abril, 2008 04:25

    Pessoas de bem não hão-de ser tratadas com o respeito que merecem? E se por via disso chegam a amigas, não o merecerão mais ainda? Agora de amigos que dão no pior dos inimigos é ter cuidado, se não fugires deles quanto possas.

    Leva isto ao tempo que Veiga e Vieira, unidos, deram em atacar JNPC, como uns lobos, no mais reles já visto entre nós.
    E deu-se que, vaidade e gosto de bonomia, ai ele é isso?, desligando da inveja ladradora, por rir da coisa, JNPC brincou aos telefones… Irónico, brindou, tá lá?…
    pois não sabia que já um escuta o encomendava de sol a sol, sem dormir, dizem que um ano.
    E veio uma hora, diacho, deu aquela pessegada, era anedota?, mera chalaça ò código moiro?…
    Girada a fita, ò lá repete: “ò fruta ò chocolate, ò fruta ò chocolate… leite claro ò mais mestiço…”
    O que era aquilo?, ò chega aqui, ó patrãozino!…
    E que mistério!…
    Até que, fina e como inspirada, veio a sibila, que é que disse o que se queria, putedo.
    Pois era mesmo, gente da noite, colegas dela, disse. E assentou livro, coisa vingada por encomenda, revista e firmada, com pago a tempo. Que leu a morgada.
    Claro como a água, estava agora decifrado o que a dita p. (pitonisa) lá falou.

    E foi assim, numa de gozo, galhofa, por aliviar da guerra de intriga do Luís da Veiga, que JNPC saltou pà berlinda e ainda pode beliscar-se, se não se defende como não cuidou de resguardar-se.

    Que a inveja é feia, amigos, e vingativa.
    É ter cuidado. Ui, Deus nos livre.

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  17. NunoSioux's avatar
    8 Abril, 2008 04:29

    CAA, porque está tudo tão nervoso com uma simples opinião?
    Anda tudo louco!!!!!
    Ainda rebentas uma guerra Norte/Sul
    Abraço

    http://www.caravanadosloucos.blogspot.com

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  18. essagora's avatar
    essagora permalink
    8 Abril, 2008 07:32

    Ai como eu me divirto com estes comentários de benfiquistas ressabiados.
    Antes ainda nos atiravam com campeonatos e títulos à cara. Hoje em dia já só nos atiram com supostos complexos de inferioridade! A ver se cola, já que mais nada parece funcionar.

    O desespero é tanto que já canonizaram em vida aquela a quem chamavam a meretriz (mas por outras palavras) do Pinto da Costa.

    Qualquer adepto que apoie um grunho que invade em directo um estúdio de televisão tem exactamente aquilo que merece!!!
    Para o vosso mal há umas pomadinhas muito eficazes, aplicadas no cotovelo ajudam a acalmar a dor.

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  19. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    8 Abril, 2008 08:48

    O FCC nao é campeao por causa das pessoas que acham que o Porto esta assim por causa de Lisboa e do centralismo e nao sei do que mais. É à custa das outras.

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  20. Desconhecida's avatar
    Zenóbio permalink
    8 Abril, 2008 09:00

    CAA,

    Com posts como este, você só dá motivos a quem acha que há em cada adepto do FCP, complexo de inferioridade e provincianismo, que vivem toldados pelo apego ao clube, que desesperam na névoa entre futebol e a vida; entre o Porto e o Norte. Felizmente que há muita gente do Norte que não é fundamentalista e sabe colocar cada coisa no seu lugar, que nos momentos de alegria sabem manter a lucidez, e se comportam com normalidade.
    Não há pachorra para tanto cabotinismo.

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  21. chato's avatar
    chato permalink
    8 Abril, 2008 09:20

    É tudo muito chato, na verdade mas bibóooooooooo Puarto, carago!

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  22. rxc's avatar
    rxc permalink
    8 Abril, 2008 09:34

    É triste o país continuar embeiçado pelas excepções. Tivemos a Expo, tivemos o Euro, temos o FCP, Figo e Cristiano e depois? O que representa isso para a vida de cada um de nós em concreto?
    Estamos cada vez mais endividados, cada vez mais afastados da Europa, cada vez mais iludidos pelos nossos “representantes democráticos” e pelas grandes obras e feitos heróicos.
    Excepções haverá sempre, mas no entretanto temos de viver no dia-a-dia, e é com isso que devemos estar preocupados, e não continuar a criar escapes fantasistas.

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  23. Nuno Aleixo's avatar
    8 Abril, 2008 10:07

    Gosto de ler estes posts para atrasado mental engolir! Para alguém que saia da sua toca e saiba o que é país real sabe que acima do Porto – o norte de Portugal – se detesta, acredite Sr. CAA, a cidade do Porto! E nem sequer confunda isto com o FC Porto! A norte acusam a cidade do Porto do mesmo que o Sr. acusa Lisboa. O Porto não é o norte! Nunca foi e nunca será! Se falarmos de futebol e do FC Porto e colocarmos umas palas esquecendo processos por corrupção, digo-lhe que a escolha aqui há uns anos valentes de Pinto da Costa e Pedroto de o clube ser a “bandeira” do Norte contra o Sul, a única “vantagem” que salta à vista é das vitórias do FC Porto serem sempre vitórias regionais. E por escolha vossa. Serão sempre um clube regional, nunca tiveram a inteligência de querer ser nacional quanto mais universal. O FC Porto não ganha simplesmente, ganha sempre contra alguém! Ganha contra Lisboa e o Benfica – porque o outro clube grande de Lisboa aproveita as vossas migalhas e aproveita-as para alimentar a rivalidade deles que é com o… Benfica! – Quem é de facto grande, quando ganha… simplesmente ganha! E isso o FC Porto nunca irá perceber.

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  24. Tomaz's avatar
    Tomaz permalink
    8 Abril, 2008 10:12

    “O Norte está mal. Em quase tudo. O desemprego é o maior do País e o que mais aumenta. O nível de riqueza por habitante coloca-nos no último lugar de Portugal e na cauda da Europa – até o Alentejo nos ultrapassou!”

    Se até o Alentejo ultrapassou o Norte, porventura a culpa será do Norte? Ou insinua-se que há discriminação justamente contra o Norte, e nada mais?

    “O investimento público apenas se preocupa com algumas áreas do Litoral e esquece, obscenamente, o Interior cada vez mais deserto de pessoas e proveitos.”

    O Norte é mais interior que o Alentejo?

    “Os fundos comunitários são as sobras daquilo que a única região do País que está proibida de receber dinheiro da UE (mas que o aufere quase todo) ainda permite, para melhor disfarçar.”

    Certo. Mas gostava de ver a distribuição de fundos (per capita ou total) para o Norte vs. todas as outras regiões que o ultrapassaram.

    “Um político em Portugal, para ter ambições nacionais, tem de desdenhar tudo aquilo que o Norte representa e camuflar as suas origens e a sua pronúncia.”

    E depois? Supostamente são eleitos – para cargos de ambição nacional – aqueles com os quais o maior número de pessoas a nível nacional se identifica. E não os que defendem os valores que o Norte (ou outra qualquer região) representa. E porquê o Norte? Vamos para paralelismos com os beirões, alentejanos, madeirenses, açoreanos, etc?

    Já agora: Parabéns ao FCP como clube dos seus adeptos.

    Já como potencial agregador de descontentamentos da região Norte… Aliás, vejo pequena a relação desejável entre futebol e fundos comunitários.

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  25. O Silva's avatar
    O Silva permalink
    8 Abril, 2008 10:20

    SENHORES DESTE BLOG…

    Tenho notado que nestes ultimos dias, está a ser levada a cabo uma tentativa de menosprezar a vitória do FCPorto em mais um Campeonato. Acho esta atitude bastante baixa, por parte de alguns dos bloggers que aqui regulamente escrevem…

    Por mim, perderam um assiduo leitor.

    Sem mais…

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  26. JLS's avatar
    8 Abril, 2008 10:22

    Enfim, a partir do momento em que mistura futebol, perdão, não o futebol mas o FCP, com regiões e investimento… Ou até cada vez que fala do FCP e de outra coisa

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  27. JLS's avatar
    8 Abril, 2008 10:24

    Enfim, a partir do momento em que mistura futebol, perdão, não o futebol mas o FCP, com regiões e investimento… Ou até cada vez que fala do FCP e de outra coisa qualquer, não fica muito aquém do Miguel Sousa Tavares. E quando começa a pensar no Porto como a grande região Norte-Atlântico do Herman Enciclopédia… esqueça.

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  28. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 10:37

    CAA,

    Vocês estão a passar por uma má fase. Culpa integralmente Vossa, pelo evidente envolvimento com o pior que há em Portugal:

    1. O “patrão” nortenho.
    2. O endeusamento dos “Padrinhos”.
    3. A arrogância do futebol!

    Quanto aos políticos, recordo-lhe apenas o seguinte:

    – Sá Carneiro era do Norte, chegou a Primeiro Ministro.
    – Eanes é de Alcains (Castelo Branco, chegou a PR.
    – Freitas do Amaral é do Norte, foi várias vezes Ministro.
    – Cavaco é de Boliqueime (Algarve), foi PM e é PR.
    – Sócrates é de Alijó (adoptado pela Covilhã), é PM.

    Já não se fala em múltiplos Ministros, Secretários de Estado, PGR, etc.

    Porquê que o CAA e restantes bloggers não criam um Partido? Está a chegar a altura de copiarem o modelo “Pinto da Costa” na política……tem é que os ter….entre as pernas!

    PS Nos negócios, é preciso falar mais do que nos 2 grandes casos de sucesso pós – 25 de Abril (Belmiro e Amorim)?

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  29. Nelson Santos's avatar
    8 Abril, 2008 10:37

    A minha mãe, de Braga, a minha avó de Abadim, em Cabeceiras de Basto é que haviam de gostar de saber que, afinal, o Norte de que falavam com orgulho era o Porto ou, melhor ainda, o Futebol Clube do Porto!

    Será que “O Norte” também gosta de ser comparado com o FCP em todo o resto da sua actuação desportiva e extra-desportiva, ou só com as vitórias do clube?

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  30. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 10:51

    Ó “J” ressabiado, toda a gente já me conhece.

    ”Ser campeão é como fazer amor pela primeira vez

    Ser campeão é um amor de vida. Cada novo título é uma paixão invicta. Se há alguma coisa que podemos imaginar negativa nesta comparação de sentimentos é uma certa infidelidade inerente a cada nova temporada.

    Ser campeão é como fazer amor pela primeira vez , mas o que é mau é que voltar a ser campeão volta a ser como fazer amor pela primeira vez. O que é bom. Cada novo título é um novo amor que nos invade a alma e nos preenche o coração de uma forma arrebatadora , fazendo-nos esquecer tudo o que já tínhamos sentido antes. Incluindo , lamento dizê-lo ( mas apesar de tudo não lamento senti-lo..), a paixão de termos sido campeões no ano anterior. E no ano anterior a esse. E nos anos anteriores a esses.

    Foi assim no ano do Penta e ainda hoje recordo esses cinco anos de paixões que se foram substituindo umas às outras. Foram cinco anos quase sem tempo para respirar. Nós , amantes do F. C Porto, aprendemos todos uma grande lição : não se ama alguém que não é capaz de ser campeão tantas vezes. Pelo menos, de verdade.

    Hoje é o primeiro dia de um novo amor que, de resto, é um velho conhecido. Por outro lado tudo volta a ser novo outra vez. Como se nunca nos tivéssemos deitado com este amor de título. Para acordarmos campeões de novo. É extraordinário como depois de uma noite de amor intenso, como só os amores novos são capazes de provocar, nos levantamos com a sensação que a paixão permanece invicta. Toda nossa , mas incapaz de se deixar vencer. Exactamente porque sabendo que não vai viver connosco toda a vida , só nos dá o que sabe que não lhe fará falta no ano seguinte, onde terá fatalmente que renascer em forma e em toda a sua plenitude. Na nossa cama , ou na vida de outros.

    Como novo amor que é , quanto mais difícil , mais nos apaixonamos. Esta paixão 2007 / 2008 teve todos os condimentos para poder ser tratada como um amor vintage. Disputada pelos outros no campo e noutros campos , arrastada pela lama e pelos tribunais num profundo desdém de quem a queria comprar , esta paixão só foi a mais fácil na aparência de uma contabilidade pouco criativa.

    Temos de agradecer aos nossos adversários as formas engenhosas como nos apimentaram a relação. Criando um malabarismo nas contas que aprimorou a novidade do que para nós , como já vimos ,seria sempre novo , de novo. Devemos desconfiar até se aqueles que nos habituámos a ver como adversários não são afinal os nossos melhores amigos. Quem namora durante o ano inteiro com uma paixão assolapada e na hora em que a podia consumar ainda lhe veste a melhor camisa para que outros a desflorem e desfrutem com mais prazer , não pode ser nosso inimigo. Aliás , viva o futebol , porque na vida que existe para além dele, já não se fazem amigos assim.

    Quem acha que Coimbra ainda é a capital do amor em Portugal tem que ter uma fé inabalável e gostar de viver amores platónicos. O amor hoje em Portugal faz-se um pouco por todo o mundo mas tem a capital no Porto. E até em Lisboa , quando sentirem a terra a tremer , não se assustem porque não é o terramoto : é tão só a energia deste novo amor que chegou ontem e promete ficar até ao ano.

    Claro que se voltarem a sentir os tremeliques daqui a duas jornadas é melhor que fiquem já a saber que essa é uma das novidades desta época : insaciável na sua induzida irreverência, a paixão deste ano exigiu duas noites de núpcias. Como se a união só assim fosse de facto.

    PS . Este texto foi publicado pelo Diário de Notícias na ressaca do TRI.

    Exército de Salvação Nacional

    Batalhão Bússola

    Departamento Desportivo

    Alameda das Antas”

    Manuel Serrão

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  31. Desconhecida's avatar
    honni soit qui mal y pense permalink
    8 Abril, 2008 10:51

    um cházinho para a azia tb não tava nada mal…

    parabens mais uma vez ao FCP , pode continuar nesta lengalenga até ás calendas …

    querem tanto aparecer que já chega de se porem em bicos de pés…afinal alguém não dá ao FCP o devido valor pela vitória deste ano ? quer insistir até quando ?

    sabe que até por tudo, vive-se com muita melhor qualidade de vida no Interior que no Litoral …

    dito por moi um litoralista obrigado

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  32. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 10:55

    ”O QUE A MACROCEFALIA ESTÁ A PROVOCAR

    O centralismo exacerbado está a provocar um cada vez maior distanciamento das pessoas do Norte relativamente a Lisboa.

    Muitos de nós alhearam-se da selecção nacional.

    Movemos montanhas para ir ver um jogo do Porto, mas não alteramos a hora de jantar para ver um jogo da selecção.

    Temos famílias divididas por causa do centralismo.

    Nunca senti vontade de ir a Lisboa mostrar aos meus filhos aquilo que os meus Pais me mostraram.

    Quando me interpelam no estrangeiro de onde sou, respondo – SOU DO PORTO. Podendo completar que é uma cidade situada no Noroeste da Península Ibérica.

    Não digo que não sou português, mas o que espontaneamente respondo é que sou do Porto.

    Já ouvi conversas de café onde nortenhos indignados dizem que preferiam ter a capital em Madrid, pois assim seriam muito menos dependentes de Madrid do que são hoje de Lisboa.

    Ironia da história: toda a região do berço da Nação Portuguesa, refiro-me à zona Norte, é hoje mais dependente de Lisboa do que todas as outras regiões que ficaram sob a alçada de Leão e Castela!

    Lisboa, que é uma cidade muito bonita, é cada vez menos destino preferencial das pessoas do Norte.

    Quando nos sobra algum tempo e dinheiro, preferimos, cada vez mais, ir de carro até à Galiza. Onde nos sentimos em casa. A fronteira natural do Rio Minho não é suficiente para nos afastar, se calhar une-nos. Seguramente que a fronteira politica também não conseguiu afastar-nos…

    Ou então, se houver mais disponibilidade de tempo e de dinheiro, e apesar de todos os boicotes ao aeroporto Sá Carneiro, metemo-nos num avião e vamos a uma cidade europeia por muito menos dinheiro do que o que custa ir a Lisboa de avião.

    Nós estamos a acordar, será que eles vão acordar a tempo?

    Manuel Cerqueira Gomes

    Exército de Salvação Nacional

    Batalhão Bússola

    Pelotão de Co – Produção”

    Manuel Serrão

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  33. tina's avatar
    8 Abril, 2008 10:58

    Grande consolação CAA, se ao menos fosse a liga dos campeões ou qualquer competição a sério!… Não sabe o ditado que diz que em terra de coxos, quem tem perna é campeão da liga?

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  34. tina's avatar
    8 Abril, 2008 10:59

    “Movemos montanhas para ir ver um jogo do Porto, mas não alteramos a hora de jantar para ver um jogo da selecção.”

    mentira.

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  35. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 11:01

    ”O FUTEBOL

    Não faz sentido falar do Norte sem referir o futebol e, muito particularmente, o Futebol Clube do Porto.

    O Futebol Clube do Porto é o exemplo de que quando queremos, conseguimos.

    E lá temos o líder que falta em tudo o resto.

    Quantos de nós já dissemos, ou ouvimos alguém dizer, que o que falta ao Norte é uma voz política como a do Pinto da Costa no futebol?

    Mas ser-se adepto do FC Porto não é só achar piada à cor da camisola.

    A propósito,

    Dizem-me que, quando criança, levado por alguns familiares por maus caminhos, simpatizei com os lampiões.

    Era o período áureo. Inícios da década de 60.

    Um Tio meu, naturalmente que cheio de boa vontade, levou-me, teria eu meia dúzia de anos, ao estádio de Oeiras, julgo que à data Estádio Nacional pois ainda lá jogava a selecção nacional, ao Estádio de Alvalade e ao Estádio da Luz, onde me terá pendurado em cima duma ave para tirar uma fotografia. O meu Querido Tio, por quem, de resto, tenho um especial carinho, também ele natural do Porto mas emigrado em Lisboa, fez tudo isso cheio de boas intenções, mas penso que os problemas de pele que por vezes me apoquentam estarão relacionados com essas visitas.

    Hoje ponderaria uma queixa por maus-tratos caso alguém fizesse isso a um meu filho.

    Na minha adolescência, quando comecei a ganhar consciência das coisas, do que nos rodeia, fiz uma escolha racional pelo Futebol Clube do Porto e iniciei um namoro que, na década de 70, se transformou em paixão.

    Isto ainda antes de ter cessado o jejum dos 19 anos.

    Fascina-me ver alguns “portistas” que me são próximos, daqueles que dizem que antes de nascerem já o eram (mas que nos últimos 10 anos ainda não saíram do sofá para ver um jogo do Porto), dizer entre dentes “o gajo em miúdo não era do Porto” como que decretando que eles têm um estatuto de mais “portistas” do que eu. Meus amigos, tudo o que se passou comigo em matéria criminal até à adolescência não releva – ERA INIMPUTÁVEL. Mas, se houver um medidor de paixão, acho que a grande maioria deles ficará mal. Comigo, um empate dá 6 interrupções do sono durante a noite. Uma derrota, nem se fala. O que vale é que o Porto geralmente ganha!

    Isto tudo para dizer que ser-se do FC Porto é muito mais do que ser só de um clube de futebol….É muito mais do que dizer-mos, em birra de criança, que a cor da camisola do nosso clube é mais bonita do que a do clube do nosso colega de escola ou de que a do clube do nosso vizinho.

    Vai bem mais fundo do que tudo isso… Tem razões sociológicas associadas. Porventura só os adeptos do Atlético de Bilbau ou do Barça nos compreenderão.

    Bom, mas, se na década de 60 era natural que a miudagem fosse atrás dos feitos do clube então reinante, também seria natural que desde há 25 anos a esta parte as crianças fossem atrás dos grandes feitos nacionais e internacionais do FC do Porto.

    Apesar de toda a censura que tem sido feita aos êxitos do Porto, o Porto é, indiscutivelmente, o clube português que mais tem crescido, para além dos outros crescimentos, em matéria de adeptos.

    O Porto só não é, já hoje, o clube português com mais adeptos, porque existe um branqueamento dos feitos desportivos por parte de toda em imprensa, maioritariamente de Lisboa, que censura as façanhas do Porto.

    Se as crianças deste País, ao longo dos últimos 25 anos, vissem retratada, nos jornais expostos nos quiosques ao lado das suas escolas, a verdade desportiva, isto é, que os tais jornais nacionais espelhassem nas primeiras páginas os feitos do grande triunfador destes últimos 25 anos, seguramente que mais de 80% desta nova geração seria adepta do Futebol Clube do Porto.

    Infelizmente, o que vêem as crianças nas tais capas e nos programas desportivos dos canais de televisão (com honrosa excepção do Porto Canal)? Por um lado, e em letras garrafais, o elogio à mediocridade, e por outro, em letras minúsculas, o esconder das façanhas dos melhores.

    Acho que muitas dessas crianças já se terão lembrado da fábula “o rei vai nu”….

    E, infelizmente, também no desporto temos mais uma vez o paradigma do centralismo.

    Vejamos o que Lisboa fez com a selecção nacional.

    Criaram um seleccionador à moda de Lisboa que escolhe os jogadores para jogarem por Portugal.

    Para mais, um seleccionador estrangeiro.

    Que nos recentes anos de ouro do Porto, 2003 e 2004, não se dignou vir às Antas e ao Dragão ver jogos do Porto.

    Que não explicou aos Portugueses, e muito particularmente aos Nortenhos, a razão pela qual não considerava sequer 3ª opção o melhor guarda-redes português – Vítor Baia.

    Limitando-se a dizer que era por razões técnicas que o não convocava.

    Chegando ao cúmulo de não admitir que os jornalistas portugueses, em Portugal e a tratar da selecção nacional de Portugal, lhe fizessem perguntas acerca deste caso.

    Mas a verdade é que Vítor Baia foi considerado no ano de 2004 o MELHOR GUARDA-REDES DA EUROPA.

    Ficaram então todos os portugueses a saber aquilo que nós portistas já há muito sabíamos, ou seja, que não era por questões técnicas que o Vítor Baia não era convocado.

    E então quais foram essas razões?

    Nós só queríamos, e queremos, saber quais! Acho que somos pessoas razoáveis para compreender a decisão caso nos fossem explicadas as razões que, naturalmente, teriam de ser MUITO FORTES.

    ESTÁ POR EXPLICAR E NÓS NÃO NOS ESQUECEMOS.

    Deixo aqui a seguinte pergunta:

    Se o Vítor Baia fosse o guarda-redes de um dos clubes de Lisboa e aparecesse um seleccionador brasileiro que, sem motivo aparente e contra uma realidade evidente (era o melhor), o deixasse de convocar, o que aconteceria?

    Quantas vezes teria ido Gilberto Madail à Assembleia da República, dar explicações acerca disso ?

    Manuel Cerqueira Gomes

    Exército de Salvação Nacional

    Batalhão Bússola

    Pelotão de Co Produção”

    Manuel Serrão

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  36. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 11:01

    Manuel Serrão?

    Preferimos o Prof. Doutor Daniel Serrão. É uma pessoa digna e de elevado trato.

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  37. Desconhecida's avatar
    honni soit qui mal y pense permalink
    8 Abril, 2008 11:02

    J

    que ganda maluqueira pá !!!!

    coma lá umas tripas que isso passa … por amor da Santa

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  38. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 11:07

    ”AQUILO QUE EU GOSTARIA QUE ACONTECESSE

    Que enchêssemos a Avenida dos Aliados sempre que tivéssemos que reclamar contra uma injustiça do governo central.

    Não tivéssemos de aturar os tiques de grandes senhores, dos Senhores Ministros, que de forma sobranceira nos vêm dar esmolas. Ora, com correctivos arrogantes, dizendo que gastámos muito no Metro (já esqueceram as derrapagens da Expo e agora do Metro de Lisboa) quando estão a meio da legislatura, ora com patéticas inaugurações e promessas quando perto das eleições

    Pudéssemos ser nós, no Norte, a decidir, por vezes juntamente com Bruxelas:

    · Da oportunidade da construção de mais uma linha de metro;

    · Da passagem do TGV pelo aeroporto Sá Carneiro;

    · Do estabelecimento de condições aeroportuárias diferentes para um low cost;

    · Da apresentação pelas forças políticas da nossa região, juntamente com empresários do Norte, da candidatura a um grande evento internacional;

    Como eu gostaria de sair de casa ao fim-de-semana e comprar o semanário da minha região, dispensando a compra dos que falam da politiquice dos corredores de Lisboa.

    Como eu gostaria de estar às 7h da manhã a tomar o pequeno almoço com os meus filhos, antes de os levar à escola, e não ter de gramar nas televisões, ditas nacionais, a leitura das primeiras páginas dos jornais desportivos que, invariavelmente, trazem em letras garrafais que o treinador do Benfica está com uma unha encravada, que o jogador tal do Sporting tem joanetes e, agora só em rodapé e em letras minúsculas, que o Porto é cada vez mais primeiro, ou que o Porto teve mais uma grande vitória europeia.

    Como eu gostaria de ver todas as manhãs os portuenses com o Comércio do Porto e/ou com o Primeiro de Janeiro debaixo do braço.

    Como gostaria de ver todos os passageiros dos voos da companhias nacionais pedirem o livro de reclamações de cada vez que nos desviassem um avião do Porto para Lisboa. Ou quando nos vendessem um Porto/Milão Milão/Porto, este com uma escala técnica em Lisboa. Só que a escala técnica transforma-se, invariavelmente, no fim da viagem, obrigando todos os passageiros do Porto a saírem do avião, tirarem os pertences, atravessarem o aeroporto e entrarem num voo Lisboa/Porto. Para mais tudo isto entre as meia-noite e a uma da manhã.

    Como eu gostaria que os nortenhos batessem o pé e exigissem que os seus problemas fossem decididos no norte e não nos corredores do governo central ou à mesa dos restaurantes da capital.

    Como eu gostaria que os nortenhos continuassem a ter orgulho na sua pronúncia do português. Emocionando-se de cada vez que os seus filhos trouxessem da rua alguns “bês” que os pais já não foram capazes de lhes transmitir. Porventura não os incitando a tal, mas, seguramente não os perseguindo com constantes correcções.

    Como eu gostaria de não ter razões para não ter vontade de visitar a bonita cidade de Lisboa.

    Manuel Cerqueira Gomes

    Exército de Salvação Nacional

    Batalhão Bússola

    Pelotão de Co Produção

    Manuel Serrão

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  39. Desconhecida's avatar
    António Lemos Soares permalink
    8 Abril, 2008 11:08

    Meu caro amigo;

    A grande tragédia do Porto é querer ser igual a Lisboa! Lisboa é provinciana que chegue para se querer imitar!
    O “Norte” (expressão que, tirando a óbvia conotação geográfica, nem sequer sei o que quer dizer) é uma construção que, tenho a impressão, deve começar e terminar em Campanhã ou qualquer coisa parecida.
    Eu sou do Douro; o que é que tenho ver com esse “Norte” de que falam tanto? Por exemplo, em relação a Braga ou a Viana do Castelo, já serei do “Sul” que tanto abominam (admiram?) alguns dos do “Norte”?

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  40. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 11:11

    ”A MENTIRA EM QUE VIVEMOS

    Acho, muito sinceramente, que vivemos num país de mentira permanente.

    Existe uma capital que ainda olha para o seu umbigo como capital do Império.

    Criadora de burocratas.

    Que usa os recursos de todos nós para se promover.

    Tudo aquilo que de importante se passa neste país, por decisão dos burocratas, tem de passar pela capital.

    Mega construção do Centro Cultural de Belém nos finais dos anos 80, princípio dos anos 90.

    Lisboa capital europeia da cultura em 1994.

    Expo 98 Lisboa, onde se fizeram obras estruturais que foram pagas por todos nós. Como por exemplo o pavilhão Atlântico que agora serve de palco aos grandes eventos do mundo do espectáculo.

    Em 2001, porque Lisboa não podia repetir, tivemos a capital europeia da cultura no Porto, embora “a meias” com Roterdão.

    Já se fala numa candidatura aos Jogos Olímpicos de Lisboa de não sei quando. Isto porque, pelo que me disseram, só o facto de haver a candidatura obriga a que se façam uma série de obras prévias.

    A capital (mais precisamente a zona de Oeiras) candidatou-se àquilo a que se chama a fórmula 1 dos barcos. Que iria obrigar a avultados investimentos na zona marginal que, por certo, não iriam sair do orçamento da Câmara Municipal de Oeiras.

    O Senhor Primeiro-ministro inaugurou há pouco tempo o Museu Berardo, em Lisboa, regozijando-se com o facto pois, até aí, segundo ele, em matéria de arte contemporânea, só havia Madrid, esquecendo-se, de forma imperdoável, do Museu de Serralves no Porto.

    O autódromo do Estoril, onde se fazem os grandes eventos automobilísticos, está na zona da grande Lisboa.

    A final da Taça dos Campeões Europeus de 1967 entre o Inter de Milão e o Celtic foi no então Estádio Nacional em Lisboa.

    A final do campeonato do Mundo sub 21 em futebol foi em Lisboa.

    A final do Campeonato da Europa de 2004 de futebol foi em Lisboa.

    A final da Taça UEFA de 2005 em Lisboa.

    No resto do país não houve qualquer final importante.

    Bom, mas há quem diga que muitos dos grandes eventos são feitos na zona de Lisboa pela iniciativa particular. O Estoril Open; o próprio autódromo do Estoril. Mas o problema é sempre o mesmo. O centralismo obriga a que a maior parte das pessoas válidas do país vão viver para Lisboa. Onde constituem família e por lá ficam.

    Quem é que, não ouviu já falar de coisas deste género – “agora se quiser subir mais na estrutura (do banco, ou da empresa) tenho de ir para Lisboa”. Não é assim, Júlio Magalhães?

    Até o raio do Tratado tinha-se que chamar de Lisboa… Neste particular lembrei-me logo de Nice e de uma belíssima terra na Holanda que se deu a conhecer ao mundo porque deu nome a um grande Tratado – o de Maastricht.

    Assusta-me a falta de visão global do país por parte das pessoas que nos têm governado!

    Os burocratas de Lisboa mais parecem aqueles meninos caprichosos e mal-educados que têm sempre de ter os melhores brinquedos, esquecendo-se de os repartir, tanto mais que aqueles que deveriam ser contemplados com a repartição são, afinal, seus irmãos.

    Mas enquanto durou a presidência portuguesa da UE, lá foram os ministros fazer umas reuniões pelo país fora, para calar as gentes da província.

    Mas o Tratado, esse, jamais se chamaria de Guimarães, ou de Braga, ou de Faro, ou do Funchal.

    Tinha de ser de Lisboa.

    Tanto provincianismo têm os burocratas de Lisboa…

    Alguns vêm dizer que o País é muito pequeno pelo que é natural que tudo se concentre em Lisboa…

    Só que,

    É unanimemente reconhecido que Portugal é o um dos países mais centralizados na UE.

    Lisboa, embora sendo a capital, é apenas uma cidade entre muitas outras do país, inserida numa região/zona entre muitas outras.

    Falta uma voz política que se faça ouvir e que ponha tudo isto a nu.

    Que interpele o governo central.

    Que exija que este evento, aquela obra, ou aquele empreendimento, venha para o Norte ou para qualquer outra zona do país.

    Que, concertadamente com os banqueiros do Norte, nomeadamente com aqueles que fundaram os dois maiores bancos pós 25 de Abril, batam o pé e exijam que a bolsa de valores fique no Porto (olhem, por exemplo, para Frankfurt e para Milão), ou pelo menos que também fique no Norte.

    Que ajude a criar condições para as sedes dos bancos e seguradoras, que muitas delas historicamente são do norte, tenham efectivamente as administrações, os departamentos de estudo e os principais quadros no Norte.

    Que proteja os empresários do Norte.

    Mas que também lhes peça explicações quando estes vão anunciar a um hotel de Lisboa um grande negócio, quando o deveriam fazer num hotel do Porto, ainda que só tivessem presentes os jornalistas do JN, do Comércio do Porto e do Primeiro de Janeiro.

    Que articule com as Universidades e as empresas os meios necessários para criar uma grande escola de negócios no Norte, impondo-se quando algumas pessoas, por pequenas questões de vaidade, entopem o processo.

    É que há situações incompreensíveis neste país.

    Por que raio é que ainda há pessoas do norte que acham bem ir tratar de assuntos a Lisboa?

    Serão masoquistas?

    Porque raio não podemos tratá-los no Norte?

    Porque razão é que há grandes empresas do Norte que têm as sedes operativas no Sul?

    É mais barato?

    Porque razão, tendo nós no Norte os 2 maiores empresários pós 25 Abril, é que um nortenho que tira um curso relacionado com publicidade tem de ir para Lisboa?

    Se os 2 maiores grupos privados portugueses pós 25 de Abril são do Norte porque é que não há grandes empresas de publicidade no Norte?

    Não me digam que é porque no Sul podem fazer anúncios no Guincho!

    Façam-nos na praia “Emília Barbosa”, ou noutra qualquer de Matosinhos, na Foz ou em Leça, ou então nesse maravilhoso vale do Douro…

    Ouvi, outro dia no Porto Canal uma entrevista com um afamado estilista nortenho que dizia que o grande acontecimento de Moda do nosso País é, PASME-SE, a Moda Lisboa.

    Se isto continuar assim, qualquer dia ainda levam o Museu do Vinho do Porto para Lisboa. Acho que já faltou mais…

    Olho para o nosso País e sinto-me envergonhado com este centralismo.

    Mas quando constato o que se passa aqui ao lado ainda mais revoltado fico.

    Manuel Cerqueira Gomes

    Exército de Salvação Nacional

    Batalhão Bússola

    Pelotão de Co Produção”

    Manuel Serrão

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  41. Rafael Ortega's avatar
    8 Abril, 2008 11:12

    “Que nos recentes anos de ouro do Porto, 2003 e 2004, não se dignou vir às Antas e ao Dragão ver jogos do Porto.”

    Isso não é argumento. Não vai ao estádio do FCP tal como quase não põe os pés em estádio nenhum.
    E quantos jogadores do FCP estavam na equipa que foi ao Euro 2004? Assim de repente lembro-me do Ricardo Carvalho, do Maniche, do Costinha, do Deco, do Paulo Ferreira… Coitadinhos, que ostracizados na selecção que são os jogadores do FCP. Agora só costumam lá ir o Quaresma, o Bruno Alves, o Raul Meireles… Sim, de facto jogadores do FCP é coisa que é proibido na selecção.

    Há com cada um…

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  42. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 11:20

    ”AS RAZÕES DA SITUAÇÃO

    AUSÊNCIA DE VOZ POLÍTICA ORGANIZADA

    O estado a que tudo isto chegou tem culpados que são facilmente identificáveis – TODOS NÓS NORTENHOS.

    É verdade que houve sempre uma certa subserviência relativamente à capital.

    Se recuarmos na História verificamos que sempre nos sacrificámos pelo país, muitas vezes em proveito de Lisboa.

    A história das tripas, na célebre expedição a Ceuta, é paradigmática.

    Tripas essas que, de restos menores do animal, se transformaram num dos ex-libris da gastronomia portuense.

    Mas tudo mudou.

    Já há muito concluímos que não há mais razões para sermos subalternizados relativamente a Lisboa.

    De resto, acho que não há, na maioria das pessoas do Norte, qualquer complexo de menoridade relativamente a Lisboa.

    Noto, isso sim, algum desconforto e dor de cotovelo de muita gente de Lisboa quando o nome do Porto se começa a ouvir cada vez mais e pelas melhores razões, nomeadamente quando se fala:

    · do esmagador êxito, Nacional e Internacional, do FC Porto;

    · dos dois maiores bancos portugueses pós 25 de Abril terem sido fundados no Porto;

    · dos dois maiores empresários do país, no pós 25 de Abril, serem do Norte;

    · de Serralves, como uma referência mundial na gestão de Museus;

    · das ruas do Porto e das estradas do norte cheias de turistas trazidos por companhias estrangeiras (não pela TAP);

    · que os arquitectos do Porto são repetidamente galardoados nos melhores prémios da arquitectura mundial; etc.

    Muitos, geralmente do sul, dizem que nós estamos sempre a dizer mal de Lisboa, por isto e por aquilo.

    Não nos preocupa o que Lisboa tem. O que verdadeiramente nos preocupa é aquilo que não temos e que deveríamos ter caso este país fosse, conforme todos nos prometeram, descentralizado.

    Mas se é evidente que já se nota um despertar das gentes do norte relativamente às injustas assimetrias deste país, também não deixa de ser verdade que ainda não nos insurgimos com a determinação que a situação justifica.

    Pergunto:

    Quantas pessoas vieram para as ruas no Porto, ou em Braga, por causa do traçado e dos timings TGV?

    Na verdade,

    Causa-me grande incomodidade verificar que as Injustiças causadas pela macrocefalia não provocam, ainda, qualquer reacção organizada.

    A não ser uma cobarde resignação de todos nós.

    Por um lado, sofremos para dentro.

    Não explodimos como os espanhóis.

    Por outro, não somos devidamente orientados por uma referência, por um líder, que assumidamente nos defenda.

    Já viram que ao longo de tanto tempo ainda não fomos capazes de criar um líder político que defendesse os nossos interesses?

    Dos políticos que aqui nasceram, muitos deles brilhantes, não houve um sequer que nos dissesse aquilo porque ansiosamente aguardamos: “Sou político, sou do Norte, quero defender a causa dos meus conterrâneos e, sosseguem, a última coisa que quero é ir para Lisboa”.

    Infelizmente todos eles tiveram a mesma tentação fatal, isto é, não descansaram enquanto não chegaram a Lisboa, uns para deputados, outros para o governo…

    E o Norte sente muito isso, só que sofre para dentro, pelo feitio próprio das nossas gentes.

    Para se ver como sofre e não esquece, está o caso paradigmático do castigo que o povo do Porto infligiu ao Dr. Fernando Gomes que, incompreensivelmente, trocou a Presidência da Câmara do Porto pelo ministério da polícia de Lisboa. Como foi possível ter acontecido?

    Acho que as gentes do Porto ficaram desiludidas, sentiram-se atraiçoadas.

    Verificámos que não era aquela a pessoa que precisávamos.

    Com todo o respeito pelo vosso trabalho e com o que é feito noutras iniciativas, julgo que não chegaremos a lado nenhum sem que tenhamos um canal político próprio que possa, de forma sistemática e organizada, defender os interesses do Norte.

    Podem dizer: mas estamos todos fartos dos políticos e dos partidos! Também eu, e é por isso que faz falta quem faça política de forma diferente, uma politica próxima do eleitor e em que este se reveja.

    Já viram o que seria um partido político do Norte que elegesse deputados?

    Que forçasse uma verdadeira regionalização!

    Temo, contudo, que tal não possa ser levado a cabo por impossibilidade legal/constitucional.

    Alguém ainda tem dúvidas que o crescimento de Espanha se deve, em grande parte, à força das regiões autónomas e da vontade que têm de se afirmar?

    A cumplicidade positiva entre as forças vivas de uma determinada zona com o poder político regional que as representa tem sido um dos segredos do crescimento de Espanha.

    Repugna-me ter de continuar a eleger deputados que vão confortavelmente para o hemiciclo dizer que sim a tudo aquilo que o partido impõe, esquecendo, pura e simplesmente, que estão lá para defender os interesses das pessoas que os elegeram.

    Não temos, em conclusão, um verdadeiro sistema representativo!

    Manuel Cerqueira Gomes

    Próximo capítulo ” A mentira em que vivemos ” a postar brevemente

    Exército de Salvação Nacional

    Batalhão Bússola

    Pelotão de Co produção”

    Manuel Serrão

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  43. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 11:24

    CAA,

    Está a ver a “fronda popular”?!

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  44. josé manuel faria's avatar
    8 Abril, 2008 11:25

    Há menos adeptos de futebol do FCPorto no norte do que do Benfica ( detesto o Benfica).

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  45. Rafael Ortega's avatar
    8 Abril, 2008 11:27

    «Dos políticos que aqui nasceram, muitos deles brilhantes, não houve um sequer que nos dissesse aquilo porque ansiosamente aguardamos: “Sou político, sou do Norte, quero defender a causa dos meus conterrâneos e, sosseguem, a última coisa que quero é ir para Lisboa”.

    Infelizmente todos eles tiveram a mesma tentação fatal, isto é, não descansaram enquanto não chegaram a Lisboa, uns para deputados, outros para o governo…»

    Claro, se não houvesse ministros e deputados do norte era uma discriminação intolerável e mais uma prova do sufoco que Lisboa impõe ao norte. Como pessoas naturais do norte vêm para o governo e parlamento, com sede em Lisboa, estão a trair os seus coterrâneos.

    Não há pachorra…

    «Repugna-me ter de continuar a eleger deputados que vão confortavelmente para o hemiciclo dizer que sim a tudo aquilo que o partido impõe, esquecendo, pura e simplesmente, que estão lá para defender os interesses das pessoas que os elegeram.»

    Mas isso tanto são os deputados eleitos pelo norte como pelo centro ou pelo sul. Todos fazem isso. Os eleitos pelos distritos do norte não são mais sem carácter que os outros.

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  46. CAA's avatar
    8 Abril, 2008 11:29

    Caro António Lemos Soares,

    Em primeiro lugar, o ‘Norte’, tout court, é uma construção lisboeta -para eles, na sua visão paroquial, ‘Norte’ é uma espécie de mapa-côr-de-rosa entre Vila Franca de Xira e Helsínquia…

    Mas há o Norte das regiões-plano. Desde há décadas. Não confundo o Porto com o Norte. Nem sequer no prejuízo (as migalhas do Orçamento são temerosamente dadas ao Porto e quase nunca ao resto do Norte na infâmia centralista em que sobrevivemos). Mas não há Norte sem Porto. O Porto não tem é poder para poder beneficiar as zonas mais deprimidas do País como a região de Basto e o Nordeste Transmontano…

    Quanto ao meu amigo ser ‘do Douro’ – desculpe mas não é: o António é lisboeta dos pés à cabeça (sobretudo nesta). Não se é de onde se nasce mas sim de onde se tem o sentido. O meu amigo é fervorosamente centralista, sebastianista e benfiquista – logo, lisboeta dos 4 costados esteja onde estiver e seja natural de onde quer que seja…

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  47. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 11:37

    “DIGA 23

    1- E aí vão vinte e três campeonatos! Já só estamos a oito do Benfica e com cinco de avanço sobre o Sporting: para perceber o impensável que isto era no passado, é preciso ter vivido a infância de portista em Lisboa que eu vivi, sistematicamente a ver o FC Porto ser sovado em Alvalade ou na Luz (e, quando não era, quando aos 20 minutos ainda não estávamos a perder, lá aparecia o inevitável penalty para restabelecer a ordem natural das coisas…). Mas não hei-de morrer sem ver o FC Porto ultrapassar o Benfica em número de campeonatos nacionais — porque, no que respeita a títulos internacionais, há muito que os ultrapassámos, com seis contra dois.

    Sábado à noite, no Dragão, viveu-se um daqueles momentos em que vale a pena ser portista, arrostar com a inveja dos medíocres, com a maledicência dos impotentes, com as calúnias dos incapazes. Estádio cheio, o mais bonito estádio do mundo, o equipamento mais bonito de todos, a alegria de um público habituado a reagir como uma grande família quando está debaixo de fogo, futebol, golos e espectáculo como só nós e, no fim, contra as contas dos pífios apitos dos invejosos, a festa, a nossa festa — digna, bonita, sentida como nenhuma outra.

    Querem-nos tirar seis pontos? Tomem lá seis — seis golos — tomem lá a resposta, em campo, no terreno de todas as verdades. Não chega, querem mais? Venham mais — temos dezoito de avanço! Dezoito, ó tristes gentes que nem perder sabem e cujo treinador até assim se recusa a reconhecer o mérito dos vencedores!

    Foi festejar até fartar e depois um jantar especial: vieiras recheadas com arroz Carolino de pinhões e morgados do Algarve à sobremesa. Repeti seis vezes!

    2- Deixem-me falar do Benfica. Como, julgo, a grande maioria dos portistas da minha geração, eu cresci a temer e respeitar o Benfica. Temer, porque eles eram tremendamente melhores que nós e, apesar dos Porfírios Alves e Carlos Valentes (o Calabote já não é do meu tempo), eles ganhavam-nos quase sempre porque eram melhores. Respeito, porque o Benfica das décadas 60 e 70 era a casa do Eusébio e o orgulho dos portugueses. O meu pai, que era sportinguista, levou-me duas vezes à Luz, naquelas longínquas «noites europeias do inferno da Luz», e ambos torcemos e gritámos pelo Benfica. É verdade, e até levava o meu cachecol do FC Porto!

    Agora, quando oiço Sílvio Cervan dizer que o Benfica é o maior clube do Porto e a maior referência internacional do nosso futebol, sinto um misto de pena deles e, simultaneamente, um reconforto: enquanto os adversários continuarem a guiar-se por ilusões ou propaganda para papalvos, nós continuaremos seguramente a ganhar. Há muitos locais do Porto onde eu encontro facilmente bandeiras do FC Porto penduradas nas janelas ou nas portadas das casas. Mas não me lembro de ver alguma do Benfica e, por favor, não me venham com a necessidade da clandestinidade: se são o maior clube, porque temeriam mostrá-lo? Também ando por aí no mundo e sou capaz de informar o Sílvio Cervan que, da Turquia a Angola e todos os Palop’s, e do Brasil à Tailândia, o que vejo são camisolas do FC Porto e o que oiço falar, quando se fala do futebol português e o interlocutor não tem mais de 50 anos, é do FC Porto e não do Benfica.

    De um lado ao outro do mundo, a gente do futebol sabe quem são o Bosingwa, o Lucho, o Quaresma, o Lisandro, e sabem quem foram o Deco, o Ricardo Carvalho, o Vítor Baía e o calcanhar do Madjer. Mas lamento informar que ninguém sabe quem sejam o Petit, o Di María, o Katsouranis ou o Maxi Pereira.

    O que aconteceu ao meu antigo respeito pelo Sport Lisboa e Benfica — e julgo que aconteceu também com todos os outros adeptos portistas e sportinguistas — é que o fui perdendo aos poucos. O Benfica das últimas décadas — o Benfica de Jorge de Brito, Vale e Azevedo, Filipe Vieira, de gente como João Malheiro, José Veiga ou Carolina Salgado — é um Benfica que eu não vejo razões para admirar. Não porque percam, mas porque não sabem perder. São arrogantes por natureza, como se, por determinação divina, tivessem direito a ganhar sempre ou quase sempre; nunca, jamais, reconhecem o mérito de uma vitória alheia; vivem em busca do conflito, da calúnia, da suspeita não provada jogada aos quatro ventos. Gritam pela justiça do Apito Dourado mas foram eles que se aliaram ao major Valentim para controlar a Liga, no seu pior momento, porque, como explicou Vieira, isso era mais importante do que ter bons jogadores ou jogar bem; clamam que são as virgens virtuosas do futebol, mas esquecem-se de coisas como o caso Paulo Madeira, o jogo comprado ao Estoril para o Algarve ou a forma como foram campeões pela última vez, com todos os golos dos últimos jogos a resultarem de penalties ou livres à entrada da área.

    Não sei se o Sílvio Cervan conseguirá acreditar na sinceridade do que vou dizer: o que o Benfica mais perdeu nas últimas décadas não foram campeonatos. Foi o respeito dos adversários, uma coisa que levara gerações a construir e que representava um imenso capital de prestígio e grandeza. Hoje, o Benfica é um clube que só os seus estimam. Dir-me-ão que o mesmo sucede com o FC Porto e eu respondo que acho que não é bem assim, mas, mesmo que o seja, ao contrário da história do Benfica, nós nunca gozámos de outro estatuto e estamos bem habituados a viver com isso.

    3- No Bessa, o Benfica fez um belo jogo e o suficiente para ganhar folgadamente. Mas teve um grande guarda-redes pela frente, teve falhanços vários e azar muito. Mas também teve sorte, quando Jorge Ribeiro (já anunciado como reforço benfiquista para o ano que vem) não conseguiu acertar um passe lateral fácil para qualquer um de três colegas isolados frente a Quim e cobrou um penalty com a displicência de quem sacode uma mosca. Com toda a falta de sorte que desta vez teve, o Benfica até podia ter acabado a perder o jogo. Já se sabe e foi dito oficialmente, que só não o ganhou por culpa do árbitro. Eu, que sou suspeito, não vi qualquer um dos dois penalties tão reclamados, mas não deixo de sorrir quando vejo Vieira a acusar Lucílio Baptista de «viciar o resultado». É que este é o mesmo Lucílio Baptista a quem todos os portistas desejam ardentemente a reforma, depois de anos a fio a prejudicar sistematicamente o FC Porto, a benefício do Sporting e também do Benfica, que lhe deve uma valiosa colaboração na final da Taça de 2004. Sabendo-se que o homem sempre teve horror ao azul-e-branco e que o FCP, aliás, é parte agora desinteressada da batalha atrás de si, as suspeitas de Vieira, desta vez, só podem apontar para o vizinho do lado — o Sporting, pois claro!

    É verdade, porém, que o V. Guimarães, segundo rezam as crónicas, foi beneficiado com a arbitragem em Paços de Ferreira, e que o Sporting, numa altura em que bem oscilava, viu o árbitro anular misteriosamente um golo ao Sp. Braga, em Alvalade. Mas isso ainda me dá mais vontade de sorrir. É que o arbitro — que é testemunha de acusação no Apito Dourado — é nem mais nem menos do que o célebre Bruno Paixão, do inesquecível Campomaiorense-FC Porto, a mais escandalosa arbitragem a que alguma vez assisti, em que até era preciso o Jorge Costa colar-se às costas do Jardel nos cantos para que ele não fosse sistematicamente agarrado nas barbas do árbitro por um rapaz que o Benfica tinha emprestado ao Campomaiorense (e, por acaso, o jogo viria a valer um campeonato perdido pelo FC Porto). Pelo que, se agora o mesmo árbitro — que, aliás, nunca mostrou categoria para a primeira Liga — descobriu em Alvalade uma falta que nem o Além conseguiria descortinar, e se com isso passou a ser suspeito de prejudicar o Benfica ao ponto de Luís Filipe Vieira pedir à PJ que entre em campo, a mim só me dá vontade de sorrir e pensar que belas testemunhas juntou o Ministério Público para o Apito Dourado!

    Mas, para a semana, tão certo como dois e dois serem quatro, vai haver um erro de arbitragem a favor do Benfica e o Sporting vai achar-se com razões de queixa do árbitro e invertem-se os papéis: um grita e o outro fica muito bem caladinho. São tão previsíveis os nossos rivais!”

    Miguel Sousa Tavares

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  48. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    8 Abril, 2008 11:49

    A política já se livrou da religiao, embora alguns ainda a usem para os seus intentos. Agora ainda nao se livrou de usar o futebol para os seus assuntos de politiquice de treta.

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  49. tina's avatar
    8 Abril, 2008 11:56

    “Foi festejar até fartar e depois um jantar especial: vieiras recheadas com arroz Carolino de pinhões e morgados do Algarve à sobremesa. Repeti seis vezes!” – MST

    Costumes conservadores, futebol, comezaina… Depois queixam-se de estar a ficar para trás!…

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  50. johnes's avatar
    johnes permalink
    8 Abril, 2008 12:15

    “São tão previsíveis os nossos rivais!”

    E é bem verdade que filho de peixe sabe nadar. Sorte para a Bola, também, que, dizem, terça-feira tira mais dez, quinze mil, e está bem.

    O Porto é Portugal, diz minha filha, cujas amigas chamam de Porto, la Pórto, em Bilbao. E sem o Porto, que deu Portugal, naquele berço de Portu e Cale, não era o Sporting nem o Benfica a mouraria, que, tão certo como dois mais dois serem quatro, faria parte de outro país. Olá.

    E só pode ser estulto quem diz mal da raiz.

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  51. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 12:22

    “E só pode ser estulto quem diz mal da raiz”.

    Mas, quem é que diz mal da “raíz”?

    É tão bom comer uma francezinha ou um bife de carne barrosão. É tão bom fazer o Douro do Pocinho até ao Pinhão. É tão bom, ir até à Póvoa.- É tão bom beber um Alvarinho.

    Barcelona, para além de contestar históricamente Madrid, é hoje a cidade mais cosmopolita e avançada de Espanha.

    Vão lá ver, como fazem os Catalães.

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  52. Flaviense's avatar
    Flaviense permalink
    8 Abril, 2008 12:31

    Pois essa coisa de norte e sul so é usada em lisboa, porto e arredores….Sou de Chaves, estudo no Porto, mas por la ninguem chama mouro ao pessoal do sul nem diz ” sou do norte carago”. Desculpem, alguns portitas fazem este tipo de comentarios (eu sou portista). Tambem o Pinto do Costa nao é nenhum senhor fora do circulo de influencia do porto. Va la cima ver se alguem se reve nesses provincianismos que por aqui se gostam estimular e nos disrcursos inflamodos do presidente. Para os senhores o Norte acaba em Gondomar ou em Braga. Nao posso deixar de dar razao quando diz que Porugal e Lisboa, o resto paisagem, mas nao vejo no porto e muito menos em Pinto da Costa a soluçao de coisa alguma. Nao somos do norte, somos transmontanos…. é isto que por la se diz com orgulho.

    P.S. As minhas referencias vao para Pinto da Costa, pois foi ele quem começou com todos estes separatismos Norte – Sul (Porto-Lisboa)

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  53. Ricardo Sebastião's avatar
    8 Abril, 2008 12:33

    Não percebo estes tripeiros, ganham o campeonato e ainda ficam cheios de azia!

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  54. rxc's avatar
    rxc permalink
    8 Abril, 2008 13:07

    Que eu saiba, havia mouros pela Península toda, excepto aquele enclave nas Astúrias, onde começou a reconquista, liderada por Pelágio. Ora que eu saiba, o Porto não pertence às Astúrias, pelo que também chamar “mouro” aos do Sul parece não fazer muito sentido (a menos que seja por uns teriam sido dominados pelos “mouros” durante mais algum tempo do que os outros).

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  55. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 13:32

    CAA,

    Parabéns pelo seu texto. Demonstra que as gentes do Porto (em particular) e do Norte (em geral) nunca viraram a cara à luta nem é agora que a vão virar.

    Há 20 anos Pinto da Costa começou uma “guerra Norte vs Sul”. Ao que parece, e por falta de força política, será uma vez mais ele a chamr à atenção para as diferenças, cada vez mais profundas, no nosso país.

    Para aqueles que se insurgem contra esta mensagem, de CAA, lembro que o Norte não é o Porto. O Norte é muito mais do que o Porto. Em termos académicos temos 2 das melhores faculdades do país (UM e UP), dos melhores cientistas e não é por isso que é criado desenvolvimento na região. Aqui temos duas das maiores empresas nacionais (SONAE e FCP), às quais muitas vezes não é premitido crescer… Sim crescer! Exemplos disso são os constantes “emabrgos” às acções de Belmiro e a tentativa de minimizar conqistas como a Champions League e a Taça UEFA, através do apito dourado (julgado com “sede” em lisboa).
    Não creio que a Regionalização sirva de grande consolo pois continuaremos a pagar impostos para que todo o investimento seja canalizado para a capital macrocéfala que é Lisboa. Contudo esta alegria de sermos os melhores em todos os quadrantes desportivos ninguém nos tira, isto apesar de só na macrocefalia existirem condições de excelência para aprática de todos os desportos.

    Um bem haja e com felicitações para o FCP (em futebol) e para o Vitória Guimarães (em basquetebol) pelas suas conquistas.

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  56. Rafael Ortega's avatar
    8 Abril, 2008 13:40

    “Não creio que a Regionalização sirva de grande consolo pois continuaremos a pagar impostos para que todo o investimento seja canalizado para a capital macrocéfala que é Lisboa.2

    Engraçado que é em Lisboa que se gera mais riqueza. Se as pessoas do norte não querem pagar impostos para desenvolver Lisboa vamos ver aquilo que dizem se algum dia as pessoas da região de Lisboa quiserem deixar de pagar impostos para o resto do país. Se acham que estão mal agora esperem só por esse dia…

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  57. Desconhecida's avatar
    António Lemos Soares permalink
    8 Abril, 2008 13:52

    Meu caro amigo;

    “Quanto ao meu amigo ser ‘do Douro’ – desculpe mas não é: o António é lisboeta dos pés à cabeça (sobretudo nesta). Não se é de onde se nasce mas sim de onde se tem o sentido. O meu amigo é fervorosamente centralista, sebastianista e benfiquista – logo, lisboeta dos 4 costados esteja onde estiver e seja natural de onde quer que seja”

    Interessante análise a sua a meu respeito. Permita-me, contudo, discordar quanto a algumas das suas percepções.

    “Centralista”. Não sou. Pensava eu ter nascido em Portugal, na maternidade do Hospital de Lamego (Douro) no dia 5 de Junho de 1975 às 21 Horas (pontualidade que anda hoje tento manter).
    Fui registado e vivi até aos 17 anos em Tabuaço; vila e sede de Concelho do Distrito de Viseu, (uma terra lindíssima, entre o Douro e a Beira, com uma paisagem de deslumbrar seja quem for, com uma gente do mais acolhedor e uma serenidade que nos aproxima, com vagar, docemente, entre o bucólico das fragas da serra e o azul telúrico do rio Douro, do Paraíso!). Lugar onde vivem os meus Pais e onde repousam os meus antepassados.
    Se visitar Tabuaço, verificará que Lisboa (e o resto do mundo também) fica, psicologicamente, muito longe. Estudei na cidade do Peso da Régua (Douro) e na cidade de Braga (Minho). Vivo e trabalho, como sabe, em Braga (Minho).
    Não sou “fervorosamente centralista” como diz; bem pelo contrário. Já noutra ocasião tive oportunidade de lhe dizer que, quando estudante do 11.º ano, defendi até e publicamente, a regionalização municipalista proposta, entre outros, por Gonçalo Ribeiro Telles. Mudei de opinião com o tempo. Quais as razões?
    O fervoroso – este sim! – processo de Integração Europeia, nunca referendado em Portugal, que limitou (anulou?) as soberanias nacionais;
    O outra vez “fervoroso” mau governo de tantas Câmaras Municipais do País (Lisboa é o exemplo) que muito me preocupa, pois defendo os Municípios;
    Os elevados custos das regiões (o caso de Espanha é paradigmático);
    O aumento da burocracia (há alguns anos, por exemplo, a Comunidade Autónoma de Madrid tinha mais funcionários do que a União Europeia!);
    A possível perda de unidade nacional (em Espanha, para além das tradicionais autonomias basca, catalã e galega, Aragão e as Canárias falam já abertamente em independência);
    A independência política de meras Províncias de Estados europeus, apoiada pela Comunidade Internacional (o Kosovo é o melhor exemplo que se pode dar).
    Ser contra a regionalização não significa que se seja centralista, não lhe parece?

    “Sebastianista”: reconheço que sou um pouco. Haverá algum português – lisboeta o não! – que o não seja? E o que é isso? É um sentimento que se não pode explicar (há algum sentimento que se possa explicar!?) e que se pode resumir num amor sem fim a Portugal; é um misto de pessimismo (por vezes, “recorda-se” um tempo que nem sequer se viveu e que era, de longe, melhor que o actual) e ao mesmo tempo de optimismo (nas manhãs de cerrada névoa, confesso que espreito sorrateiramente pela janela à espera que chegue o “Desejado”).

    “Benfiquista”: de Sempre e para Sempre.

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  58. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 14:02

    ”Dúvida? Não, mas luz, realidade,
    e sonho que na luta amadurece:
    o de tornar maior esta Cidade
    eis o desejo que traduz a prece.
    Só quem não sente
    o ardor da juventude
    poderá vê-la de olhos descuidados,
    Porto – palavra exacta, nunca ilude
    renasce nela a ala dos namorados.
    Deram tudo por nós esses atletas
    seu trajo tem a cor das próprias veias
    e a brancura das asas dos Poetas
    ó fé de que andam nossas almas cheias
    não há derrotas quando é firme o passo
    ninguém fala em perder, ninguém recua
    e a mocidade invicta em cada abraço,
    a si mais nos estreita: a Pátria é sua!
    E de hora a hora cresce o baluarte
    vejo a Torre dos Clérigos às vezes,
    um anjo dá sinal quando ele parte
    são sempre heróis, são sempre Portugueses
    e azul e branca, essa bandeira avança
    azul, branca, indomável, imortal
    como não pôr no Porto uma esperança
    se “daqui houve nome Portugal”?”

    Pedro Homem de Mello

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  59. Piscoiso's avatar
    8 Abril, 2008 14:04

    O senhor Lemos Soares é sebastianista e benfiquista.
    Parabéns.
    Mas olhe que D. Sebastião não era benfiquista.

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  60. maloud's avatar
    maloud permalink
    8 Abril, 2008 14:32

    Se não fosse habitual o disparate com os links na caixa de comentários, deixaria um texto do MEC sobre o Norte.

    CAA
    Na sua caixa consegue-se respirar, sem ter que recorrer ao Zyrtec.

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  61. Manuel Duarte's avatar
    Manuel Duarte permalink
    8 Abril, 2008 14:39

    Então deixe lá ver se entendi: o Porto não é no Litoral, é no interior e tem recebido tanto investimento público como, por exemplo, Bragança ou Beja. E agora consegue dizer issó sem se rir?

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  62. CAA's avatar
    8 Abril, 2008 14:53

    Manuel Duarte,

    Disse – e repeti nos comentários – precisamente o contrário!
    O Porto recebe as migalhas (por medo e não por vergonha); Bragança ou Beja ou Vila Real ou Chaves, nem isso. O Porto é prejudicado porque esta compulsividade centralista lesa o País – mas o Interior é abjectamente lesado e muitas vezes nem se apercebe…

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  63. CAA's avatar
    8 Abril, 2008 14:54

    Caro António,

    Como é que alguém tão inteligente como o meu amigo não percebe que confirmou tudo aquilo que eu referi?

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  64. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    8 Abril, 2008 15:08

    Bem , mas se o Norte está mal , esteja descansado que o resto do país vem por aí abaixo , e há-de ficar ainda abaixo do Norte , não fosse no Norte onde havia mais indústrias e portanto , onde se pagava mais impostos. É que os serviços , sózinhos , não vão a lado nenhum.

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  65. all-fenos's avatar
    all-fenos permalink
    8 Abril, 2008 15:50

    D Sebastião não era benfiquista?
    Como pode lá ser isso?
    Com tantos descendentes…….

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  66. joahna's avatar
    joahna permalink
    8 Abril, 2008 16:08

    Sebastião e benfiquista 4 ever, diz um, tal o pobo em maioria, que em vão acredita em deus, depois que o pobre se foi desta.

    E lembra o meu triste marido, também ele benfiquista, cristão, mon dieu, mas mau chefe de família, ao contrário do provérbio, se mal dá já uma na cama e, então, rendido, barafusta que dantes não era assim. Pois não. E eu mais só atiçá-lo digo, pensa azul, homem de deus!

    E dá-se que, em fúria, vermelho e rosa, às vezes ele ainda funciona. Quando, de bem com o mundo, faz de zangado, sorri.

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  67. Desconhecida's avatar
    acoral permalink
    8 Abril, 2008 16:14

    VINTE ANOS DE MENTIRA DE A a Z
    A justiça do título conquistado pelo F.C.Porto nesta época de 2007-08 é inatacável. Embora beneficiando de dez golos irregulares ao longo da prova – Sporting, U.Leiria (3), P.Ferreira (2), Boavista, Leixões e Belenenses (2) -, cinco expulsões perdoadas (três delas a Bruno Alves em Matosinhos, Alvalade e Amadora, uma a Quaresma e outra a Lisandro nos Barreiros), e pese ainda os treze penáltis subtraídos ao Benfica e descritos em post anterior, tem que se admitir a maior regularidade exibicional dos portistas, a sua maior coesão, e o brilhantismo de alguns dos seus jogadores, nomeadamente os argentinos Lucho e Lisandro, que realizaram uma temporada extraordinária.
    Efectivamente, mesmo sendo – respeitando a tradição – a equipa mais beneficiada da competição, tem que se dizer que o F.C.Porto foi também o melhor conjunto e, sobretudo, que não teve culpa dos erros de águias e leões, que cedo se suicidaram neste campeonato quer dentro quer fora das quatro linhas, com erros crassos de gestão desportiva próprios do mais cândido amadorismo. Sem interferências de arbitragem, possivelmente a festa não tinha ainda sido feita, mas, mais jornada menos jornada, a equipa de Jesualdo confirmaria o merecido título, até porque muitos dos lances referidos (embora nem todos) ocorreram em jogos nos quais os portistas acabaram por vencer folgadamente.
    Isto todavia não apaga, nem pode branquear, todo o caminho histórico percorrido pelos dragões até aqui, designadamente desde o momento em que Jorge Nuno Pinto da Costa assumiu o poder – do F.C.Porto, e do futebol português.
    Desde os anos oitenta muitos foram os casos, muitas foram as suspeitas. Quando vieram a público as escutas do Apito Dourado quase ninguém foi apanhado de surpresa, pois toda a gente mais ou menos ligada ao futebol sabia o que se passava. Tratando-se de situações difíceis de comprovar, e conhecendo-se a rede de influências e interdependências ardilosamente construída ao longo de duas décadas, tornava-se (e torna-se) difícil ver a justiça chegar a bom porto, para mais conhecendo-se a sua dramática lentidão e ineficácia, verificada nestes e noutros casos no nosso país.
    No momento em que se vão julgar em tribunal um F.C.Porto-E.Amadora e um Beira Mar-F.C.Porto, disputados na melhor temporada de sempre dos dragões (com uma grande equipa e um grande treinador), é importante que se perceba que o problema está muito longe de se esgotar nesses dois episódios, nem eles serão certamente os mais relevantes de uma história repleta de mentira, corrupção e tráfico de influências. Pelo contrário, o que deve ser entendido das escutas – mesmo que o tribunal não o possa ou consiga fazer – é um panorama de subversão total e absoluta de uma lógica competitiva de isenção e transparência, que foi sendo a base para benefício de uns e prejuízo de outros, ao longo de muitas temporadas, e que valeu títulos, dinheiro, prestígio europeu, numa espiral que ainda hoje condiciona e subverte a hierarquia competitiva do futebol português.
    É em nome da preservação dessa memória que este texto é publicado. É no fundo o repescar de um conjunto de episódios, factos e, nalguns casos, apenas rumores, que por si pouco poderiam representar, mas que em conjunto reflectem uma realidade à qual não podemos fugir, e a qual ninguém de bom senso deverá ignorar ou fingir que não existe ou existiu. Mesmo que, por questões processuais, a justiça acabe por não conseguir desempenhar o seu papel, a verdade não poderá ser esquecida nem branqueada, pois o que está em julgamento não é mais que a ponta de um iceberg escondendo uma sórdida teia de podridão que alicerçou o futebol português ao longo de mais de vinte anos. É importante que nos lembremos, a cada momento, a cada fim-de-semana, a cada jogo, como é que o F.C.Porto se tornou na máquina de vitórias que hoje é, não desfazendo, obviamente, da qualidade e profissionalismo de muitos dos jogadores e técnicos que passaram pelo clube, e aos quais provavelmente até terá escapado muito do lixo arrecadado nas traseiras dos seus triunfos.
    Fica pois aqui, de A a Z, a memória de duas décadas de mentira:

    A de ACÁCIO – Pouca gente se lembrará deste nome. Trata-se de um guarda-redes brasileiro que passou com discrição pelo Tirsense e pelo Beira Mar, e que só depois de regressar ao Brasil tomou a liberdade de falar sobre a sua aventura europeia. Confessou então que recebera pressões e propostas diversas para facilitar uma vitória do F.C.Porto em Aveiro, que valia (e valeu) o título nacional de 1993. O caso foi pouco falado, vivia-se ainda um clima de medo pré-Apito Dourado. Mas a recordação das suas declarações e desse campeonato permanecem bem vivas no meu espírito. Só não sei se foi nessa ocasião que, também em Aveiro, o jornalista Carlos Pinhão foi barbaramente agredido por elementos ligados ao F.C.Porto.
    Uns anos antes havia sido o belga Cadorin, avançado do Portimonense, a acusar o empresário Luciano D’Onófrio de lhe prometer um bom contrato (em Portugal ou no estrangeiro), caso fizesse um penálti nos primeiros minutos de um Portimonense-F.C.Porto (“depois jogas normalmente”, ter-lhe-á dito). Com a saída do belga do futebol português, o caso acabou por morrer.

    B de BENQUERENÇA – Olegário Benquerença protagonizou duas das mais escandalosas actuações da arbitragem portuguesa dos últimos anos. Na Luz, em Outubro de 2004, dois meses antes da detenção de Pinto da Costa, o árbitro leiriense e o seu assistente Luís Tavares foram os únicos que não viram (mais alguns que não quiseram ver…) uma bola rematada por Petit ser retirada de dentro da baliza portista por um desesperado Vítor Baía. No mesmo jogo já havia feito vista grossa a uma claríssima grande penalidade de Seitaridis sobre Karadas (que daria expulsão do grego no início da segunda parte), e mostrado um vermelho injusto a Nuno Gomes, que havia sido barbaramente agredido por Pepe. Um ano depois, em jogo da Taça de Portugal, foi o Sporting a vítima deste benemérito portista de longa data. Com mais uma exibição de “luxo”, Benquerença colocou os leões fora da Taça, poupando penáltis, e expulsando jogadores até achar necessário. Já antes de 2004 era um árbitro polémico, com arbitragens invariavelmente favoráveis aos portistas. Talvez por isso viu as portas de uma carreira internacional de sucesso serem-lhe escancaradas e, não se sabe bem como, poderá até estar no Euro 2008.

    C de CALHEIROS – Os irmãos Calheiros – quem não se recorda dos gémeos e barbudos fiscais de linha, ladeando Carlos, o irmão mais velho – foram umas das muitas figuras sinistras da arbitragem portuguesa da década de noventa. Recordo particularmente um inacreditável penalti assinalado nas Antas por suposta falta de Mozer no empate 3-3 de 1993-94, bem como um jogo em Aveiro, na época anterior, concretamente na tarde soalheira de 16-5-1993, em que expulsou Yuran e Pacheco por supostas palavras, possibilitando a vitória ao Beira Mar, e dando o título ao F.C.Porto – que à mesma hora via um tal de Marques da Silva, do Funchal, expulsar estranhamente dois jogadores do Desp. Chaves e assinalar um penálti escandaloso que lhe permitiu virar o marcador para de 0-1 para 2-1 na difícil visita a Trás-os-Montes, quando águias e dragões seguiam, a três jornadas do fim, empatados em pontos. Mais do que essa e outras actuações, sempre em benefício dos mesmos, este trio ficou famoso pela célebre viagem ao Brasil, feita através da agência de Joaquim Oliveira, e paga pelo F.C.Porto. A investigação deste caso nunca foi devidamente feita. Com a PJ do Porto e o próprio MP aparentemente alinhados com o sistema, foi difícil durante muitos anos (e continua a sê-lo) avançar pelos caminhos da verdade.
    Ao pé destes meninos, Calabote era possivelmente apenas um ingénuo aprendiz – e diga-se que o suposto e empolado caso Calabote, nos anos cinquenta, redundou apenas num título para o…F.C.Porto.

    D de DUDA – Foi um dos meus primeiros contactos com a suja realidade do futebol português das últimas décadas. Jogava-se, já em plena segunda volta, a liderança do campeonato numa tarde chuvosa na Luz – foi este o célebre jogo em que Toni saiu a chorar por ter involuntariamente partido a perna de Marco Aurélio. O Benfica vencia por 1-0 desde os primeiros minutos com um golo de João Alves, mas já na ponta final do desafio, em recarga a um livre defendido por Bento, o brasileiro Duda em claríssimo fora de jogo, empatou a partida. O F.C.Porto de Pedroto, e já com Pinto da Costa no departamento de futebol, seria campeão.
    No ano antes o F.C.Porto tinha alcançado o título através de um livre duvidoso à entrada da área, que lhe possibilitou o empate (1-1) frente ao Benfica nos últimos minutos de um jogo nas Antas em que estivera em desvantagem desde o terceiro minuto, com um auto-golo de Simões, e em que vira a barra devolver uma bola cabeceada por Humberto Coelho.Era o início de uma longa e podre história.

    E de EXPULSÕES – A dualidade de critérios nos jogos do F.C.Porto foi desde os anos setenta uma constante. Todo o anti-jogo lhes foi sempre permitido (recordo por exemplo os empates a zero na Luz em 1989, 1990 e 1993), as agressões de Frasco, Fernando Couto, Paulinho Santos e Jorge Costa raramente foram punidas – este último quando se sentia pressionado atirava-se para o chão e punha assim fim aos lances -, mas aquilo que talvez tenha sido o emblema desta realidade foram as sistemáticas expulsões de jogadores encarnados sempre que jogavam frente aos portistas. Nos últimos vinte anos foram mostrados 23 (!!!) cartões vermelhos a jogadores do Benfica em clássicos com o F.C.Porto para todas as competições. A saber, e por ordem alfabética: Abel Xavier 94-95, Dimas 94-95, Eder 02-03, Escalona 99-00, Hélder 94-95, Isaías 91-92, João Pinto 94-95, 97-98 e 98-99, Miguel 02-03, Mozer 92-93, Nuno Gomes 04-05, Nelo 94-95, Pacheco 88-89, Ricardo Rocha 02-03 e 03-04, Ricardo Gomes 95-96, Rojas 99-00, Rui Bento 91-92, Tahar 96-97, Vítor Paneira 94-95, Veloso 87-88 e Yuran 92-93. Para se ter uma ideia da força deste número, digamos que nos oitenta anos de história anteriores (1907 a 1987) foram expulsos apenas 10 jogadores do Benfica em jogos com o F.C.Porto, ou seja, em apenas vinte anos foram expulsos mais do dobro dos que haviam sido em toda a restante história do futebol português. Este tem sido um aspecto fulcral da perseguição ao Benfica e da protecção ao F.C.Porto, e que muitas vezes impediu outros resultados, nomeadamente a norte, onde a maioria daquelas expulsões teve lugar. Por vezes foi também em vésperas de deslocações às Antas que as expulsões cirurgicamente ocorreram. Foi o caso de Preud’Homme, em 1995-96 e Miccoli no ano passado, curiosamente dois grandes jogadores que nunca haviam sido expulsos em Portugal, e nunca voltaram a sê-lo depois dessas ocasiões.
    Também os penáltis marcados a favor do F.C.Porto e subtraídos ao Benfica foram uma constante nas deslocações às Antas (por exemplo 89-90, 92-93, 93-94 no primeiro caso; 91-92 no segundo). Mas até na Luz, em jogo decisivo para o título de 1991-92 isso aconteceu, com o marcador a ser aberto já a meio da segunda parte num lance fora da área entre Rui Bento e Rui Filipe, que valeu o primeiro golo portista e a expulsão do benfiquista. O F.C.Porto, a jogar contra dez, venceria por 2-3. O árbitro era Fortunato Azevedo, que já na primeira volta subtraíra uma grande penalidade ao Benfica e expulsara Isaías, em jogo que terminou empatado a zero.
    Os golos anulados a Kandaurov em 1997-98, e Amaral em 1994-95, além do caso Benquerença em 2004-05, também são dignos de figurar neste negro registo de clara e inequívoca parcialidade. Sem falar nas célebres defesas de Vítor Baía fora da área, sem cartão nem punição.

    F de FAMALICÃO – Foi um dos muitos escândalos da era Lourenço Pinto/Laureano Gonçalves (fim de oitentas princípio de noventas) – a pior de todas na arbitragem portuguesa. Com o campeonato de 1992-93 ao rubro, o F.C.Porto deslocou-se ao então difícil recinto do Famalicão. Quase seis minutos depois da hora o árbitro José Guimaro – mais tarde condenado por corrupção no caso Leça – arquitectou um absurdo penálti para dar a vitória ao F.C. Porto. João Pinto converteu e o F.C.Porto, com estas e outras (ver Acácio e lembrar o penálti de Rui Bento sobre Rui Filipe na Luz), alcançou um dos títulos mais nebulosos da história do futebol português.

    G de GERALDÃO – O central brasileiro Geraldão, bem como o lateral esquerdo internacional Branco, eram especialistas na cobrança de livres directos. Como tal, as arbitragens mostravam-se extremamente zelosas sempre que algum jogador portista caía nas imediações da área (e eram muitos a fazê-lo de forma deliberada), assinalando de pronto livres que frequentemente acabavam em golos. O F.C.Porto do início da década de noventa venceu muitos jogos assim. Recordo um Benfica-F.C.Porto de 1990 em que foi assinalada perto de uma dezena de livres nas imediações da área encarnada, quase todos simulados. Por sorte, nesse dia Geraldão estava com a pontaria desafinada, e o resultado acabou em branco. Mas o título voou para norte…

    H de HILÁRIO – Tal como Acácio e Cadorin, o agora guarda-redes do Chelsea foi outra das figuras sobre a qual se ouviram rumores de possível suborno ou pressão quando defendia, por empréstimo do F.C.Porto, as redes do Estrela da Amadora. Neste caso não foi o próprio a assumir, mas sim terceiros a acusar. Foi uma história que também acabou por morrer nos silêncios do medo. Nos últimos anos falou-se também de Rolando do Belenenses, eternamente apalavrado com os dragões.
    Ao longo dos últimos tempos muitos têm sido também os jogadores emprestados pelo F.C.Porto a clubes da primeira divisão (situação que deveria ser proibida), conseguindo com isso atirar algum charme para cima dos seus dirigentes – sempre conveniente na hora das contratações – e simultaneamente amaciar adversários. Durante muitos anos os clubes da Associação de Futebol do Porto (Leça, Leixões, Tirsense, Penafiel, Varzim, Rio Ave, Salgueiros, Paços de Ferreira, etc) foram a este nível verdadeiros parceiros do F.C.Porto na sua rota rumo ao domínio, a bem ou a mal, do futebol português. Isso notava-se com clareza nos resultados e nas exibições. E de certo modo ainda nota, caso estejamos bem atentos.
    Nesta mesma edição da liga, o F.C.Porto tem jogadores emprestados a Sp.Braga, Belenenses, Leixões, V.Guimarães, V.Setúbal, Académica e E.Amadora. Também U.Leiria e Marítimo têm tido relações privilegiadas com os dragões, sem contar a Liga de Honra, território quase todo submerso na rede de interdependências criada pelo F.C.Porto e seus próximos, ou não tivesse sido ela criada mesmo para esse efeito. O Alverca foi filial do Benfica (embora depois tenha servido para retirar jogadores como Deco da Luz e vender-lhe monos a preços de luxo), mas a satelização de clubes da primeira divisão tem sido ao longo dos anos uma das armas do F.C.Porto. Alguns clubes chegaram a receber quase meia equipa emprestada pelos dragões. Refira-se ainda que a quantidade de treinadores ex-jogadores portistas, conotados com o F.C.Porto e imbuídos da cultura do clube, orientando clubes da liga principal nos últimos anos, é extraordinariamente vasta: Carlos Carvalhal (que ainda na Taça da Liga festejou um golo virando-se para o banco encarnado e gritando f..d..p), Carlos Brito, Jaime Pacheco, Jorge Costa, Domingos Paciência, António Sousa, António Conceição, José Mota, Augusto Inácio, Eurico Gomes, Octávio Machado, António Oliveira, Rodolfo Reis, Paulo Alves, José Alberto Costa, para referir apenas os que me vêm no imediato à memória. Se em muitos destes casos seria injusto especular acerca do menor empenho das equipas, percebeu-se quase sempre, nas flash-inteviews, um pudor extremo em falar de arbitragens nos jogos contra os dragões, e uma fúria incontida caso os supostos prejuízos se dessem com outros clubes, designadamente o Benfica.

    I de ISIDORO RODRIGUES – Este árbitro viseense foi um verdadeiro Benquerença da década de noventa. Muitos foram os jogos em que beneficiou o “seu” F.C.Porto, e sobretudo aqueles em que prejudicou o Benfica, por vezes sem sequer se preocupar com as aparências. Recordo com particularidade um Benfica-Boavista (1995-96) em que Isidoro virou o resultado quase sozinho, expulsando três jogadores do Benfica (entre os quais João Pinto), assinalando um penálti fantasma e validando um golo em fora-de-jogo; bem como um Varzim-Benfica para a primeira jornada de 2001-02, em que o árbitro só apitou para o final do jogo quando o Varzim chegou ao empate, nove (!!) minutos depois da hora, e já depois de ter expulsado os benfiquistas Cabral e Porfírio, e marcado o penáltizinho da ordem, começando a liquidar desde logo as aspirações benfiquistas numa época em que muito apostavam (contratações de Simão, Drulovic, Zahovic, Mantorras etc).

    J de JOÃO ROSA – Estava-se em 1985-86 e o campeonato seguia animado com a luta Benfica-F.C.Porto na frente da tabela. Este árbitro eborense foi nomeado para um Salgueiros-Benfica, no qual acabou por só não meter a bola dentro da baliza dos da Luz com as suas próprias mãos. De resto fez tudo para o Benfica perder pontos, acabando por “conseguir” um empate a um golo. O sistema estava a atingir o auge dos seus tempos mais tenebrosos.
    Outro Rosa, mas este Santos (embora apenas de nome…), foi também figura de proa do sistema que construiu a hierarquia do futebol português que hoje temos. Uma vez em Loulé, permitiu a marcação de um livre sem ter apitado nem os jogadores algarvios terem formado barreira. Esse lance valeu uma eliminatória da taça para o F.C.Porto. Hoje continua a fazer alguns favores aos dragões, comentando arbitragem no jornal “O Jogo”.

    K de KANDAUROV – Seria necessário muita pesquisa ou imaginação para encontrar na história do desporto-rei um golo anulado tão limpo como o que este médio ucraniano marcou no Estádio das Antas em 1997-98, num jogo que poderia dar novo rumo a esse campeonato. O F.C.Porto venceu por 2-0, golos de Artur, depois de ser dominado na maior parte do tempo, fruto de uma grande exibição de Poborsky, que se estreava de águia ao peito. Uma arbitragem ultra-tendenciosa de António Costa não permitiu a vitória encarnada.
    Outro golo limpo anulado igualmente célebre foi na Supertaça de 1994-95, também nas Antas (onde, assim, era naturalmente difícil marcar), ao extremo campeão de Riad, Amaral. Sem falar em Benquerença.

    L de LOURENÇO PINTO –O advogado de Valentim Loureiro no início do caso Apito Dourado, o homem que avisou Pinto da Costa das buscas a sua casa e lhe permitiu a fuga, foi, por surreal que pareça, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF no início dos anos noventa, por indicação, claro, da Associação de Futebol do Porto, presidida por o recentemente falecido Adriano Pinto, e que sendo maioritária, pôde sempre optar por manter na sua “posse” aquele “precioso” conselho, em detrimento até mesmo da própria presidência da FPF (que deixava para Lisboa, mas só tratava da selecção nacional). Os seus tempos foram dos piores da história da arbitragem portuguesa, e valeram vários títulos ao F.C.Porto, que tão bem protegido nem precisava de jogar muito para vencer. Com equipas onde pontificavam Vlk, Bandeirinha, Tozé, Paulinho César, Kiki, Raudnei, Barriga ou António Carlos, conseguiu vencer campeonatos ao Benfica de Paulo Sousa, Rui Costa, João Pinto, Vítor Paneira, Futre, Mozer etc. Lourenço Pinto foi pois um verdadeiro Maradona no campeonato português. Laureano Gonçalves e Fernando Marques seguir-lhe-iam o exemplo. Sobre Pinto de Sousa não é necessário acrescentar mais nada aquilo que tem sido veiculado no âmbito do Apito Dourado.
    O caso Francisco Silva – que se terá autonomizado do sistema, depois de ser um dos seus principais interpretes – é algo que merecia ser melhor estudado e investigado, e no qual talvez se encontrassem algumas das origens de todo este tenebroso caminho. O juiz algarvio foi “tramado” por Lourenço Pinto, certamente por saber demais, vendo-se irradiado. Recorde-se que foi apanhado com um cheque na mão no balneário em Penafiel.

    M de MAIA – Quando vejo toda a polémica em torno do Estoril-Benfica de 2005, disputado no Algarve, e me lembro da quantidade de jogos que o F.C.Porto disputou fora de casa na…Maia, até me dá vontade de rir. Com o pretexto das transmissões televisivas – negociadas pela Olivedesportos – o Estádio Municipal da Maia, um bocadinho mais perto das Antas que o Algarve da Luz, serviu para diversas equipas “receberem” o F.C.Porto. Os resultados eram óbvios, e suponho que os portistas nunca tenham perdido um ponto que fosse nessas “deslocações”. Com Damásio na presidência do Benfica, estes eram aspectos que passavam totalmente em claro. Pinto da Costa e o F.C.Porto agradeciam. Foram os anos do “penta”.

    N de NORTE – O povo do norte tem sangue na guelra. Para o melhor o para o pior. Nas Antas, por exemplo, não eram só os jogadores e os árbitros que tinham de enfrentar a pressão de figuras como o Guarda Abel (que exibia armas em pleno túnel de acesso aos balneários), ou os simpáticos “Super Dragões”. Também os jornalistas sofreram na pele sempre que revelaram a coragem de afrontar o super-poder tentacular e mafioso que por ali reinava. Lembro-me de um célebre F.C.Porto-Nacional, em que foram os próprios repórteres televisivos a serem objecto da fúria dos adeptos, sem que ninguém lhes tivesse valido, qual território sem lei, qual fanatismo elevado à potência máxima.
    Fala-se também aqui da agressão a Carlos Pinhão, das ameaças de morte a João Santos e Gaspar Ramos, podia-se falar das agressões a Marinho Neves, a Ricardo Bexiga, a Rui Santos e a muitos outros anónimos que, como inclusivamente eu próprio, já foram objecto de ameaças várias.
    Noutras modalidades, esta pressão intimidatória tem sido e continua a ser uma das armas dos dragões que, ao contrário do que se passa em Lisboa, contam com forças policiais domesticadas (para além do MP, da PJ, também a PSP lá parece funcionar de forma diferente). No Hóquei em Patins já caíram petardos na cabeça de jogadores do Benfica, sem que tivesse acontecido nada. No Basquetebol ainda no ano passado houve distúrbios que passaram impunes.
    O ódio a Lisboa foi sempre uma matriz de Pinto da Costa e do seu F.C.Porto, mistificando o facto de haver muitos benfiquistas no norte, e o Benfica não ser, longe disso, representativo exclusivo da capital portuguesa, onde existem dois clubes grandes. Na verdade, esse ódio – de consequências por apurar na coesão do nosso pequeno país – não foi mais que um instrumento de aglutinação de tropas e manutenção e endeusamento de um poder com laivos fascizantes quanto ao seu fanatismo. Isto virou-se sempre contra a selecção nacional, a qual foi amplamente penalizada pelo desprezo e/ou instrumentalização de que foi alvo. Até chegar Scolari…

    O de OLIVEIRAS – Juntamente com o irmão António, Joaquim Oliveira foi elemento determinante na consolidação do poder portista. Ainda hoje o clube da Luz tem as suas transmissões televisivas extremamente sub-avaliadas, face à popularidade e audiências de que desfruta. Faz-me alguma confusão Joaquim Oliveira ser accionista de referência da SAD benfiquista, e ninguém se preocupar com isso.
    Já o irmão António (o do caso Paula, dos carimbos falsificados no caso N’Dinga, e das polémicas do Coreia-Japão), ex jogador e treinador do clube portista, protagonizou em 1992 um episódio curioso e revelador. Treinava o Gil Vicente e na primeira volta, nas Antas, fez entrar um tal de Remko Boere a um minuto do fim com o resultado em branco. Esse jogador, que quase nunca havia jogado na equipa, nesse minuto apenas, fez um penálti caricato e recebeu ordem de expulsão. O F.C.Porto venceu 1-0. Na segunda volta, em Barcelos, com o F.C.Porto já campeão, o Gil venceu por 2-1 e salvou-se da descida à segunda divisão. Tudo em família portanto…

    P de PROSTITUTAS – Já muito antes de rebentar o Apito Dourado se ouvia falar de orgias de prostitutas com árbitros. Até na segunda divisão isso acontecia, e quem conheça pessoalmente alguém ligado à arbitragem facilmente perceberá do que estou a falar. Marinho Neves também já havia falado dessa realidade, muitos anos antes de António Araújo entrar no mundo do futebol, e de se ouvir falar em Apito Dourado.
    O envolvimento com prostitutas é uma forma de pressão extremamente eficaz. Se por um lado premeia e vicia, por outro permite sempre chantagear, mantendo nas mãos, quais marionetas, quem por uma vez cai nessa rede, nomeadamente através de câmaras de filmar ocultas. Estando muitas das casas de alterne da zona do grande Porto ligadas a Reinaldo Teles, é fácil perceber a potencialidade deste esquema.

    Q de QUINHENTINHOS – Por falar nele, Reinaldo Teles tem passado estranhamente pelo meio dos pingos da chuva do processo Apito Dourado. Mas foi ele que apareceu ligado ao célebre caso dos “quinhentinhos”, em finais dos anos noventa, numa conversa no âmbito do caso Guímaro, que nunca foi devidamente esclarecida. Outro dos casos que se perderam na impunidade com que toda esta temática se debateu ao longo dos anos. Sobre ele, há também quem diga que parte do dinheiro da venda de Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira foi para pagar dívidas suas no casino de Espinho. Mas isso são contas de outro rosário e pouco interessam ao caso.

    R de RAÇA – A equipa do F.C.Porto sempre foi admirada pela sua raça, mas algumas foram as vozes que, à boca pequena, se referiram à natureza dessa “raça”. Luciano d’Onofrio, o bruxo “brasileirinho” e sobretudo o Dr.Domingos Gomes, talvez saibam mais do que a generalidade dos adeptos acerca da capacidade competitiva com que os jogadores do F.C.Porto sempre se apresentaram em campo, mesmo quando muitos deles não apresentavam os mesmos índices, nem pela selecção, nem quando saíam para outros clubes. O Dr. Domingos Gomes era, e é, um dos grandes especialistas europeus em (anti)dopagem, e os jogadores portistas tinham, nos anos noventa, fama de levar frascos dentro dos bolsos do roupão já cheios para o controlo anti-doping.

    S de SPORTING – Sempre me pareceu incompreensível o posicionamento do Sporting em toda esta história. O clube de Alvalade sempre se queixou, e muito, mas nunca percebendo, ou não querendo perceber, onde estava realmente a origem do problema. Apenas Dias da Cunha pareceu a dado passo ter entendido tudo, mas acabou escorraçado da presidência do clube, muito fruto de um pacto que estabelecera com o Benfica a este propósito, e que foi muito mal aceite em Alvalade pelos ortodoxos da rivalidade lisboeta.
    O Sporting, seus adeptos, e muitos dos seus dirigentes, na cegueira de uma fratricida rivalidade com o Benfica, sempre olharam de lado tudo o que se pudesse parecer com corrupção, mas não envolvesse o clube da Luz. Se o Apito Dourado tem atingido o Benfica, outro galo certamente cantaria, pois ferir o Benfica era tudo o que muitos sportinguistas mais quereriam, mesmo não tendo o clube da Luz vencido mais que um campeonato nos últimos catorze anos. Sendo com o Porto, pouco lhes parece interessar. Aliás, parece-me que cada vez mais as vitórias portistas vão sendo compartilhadas pelos leões – só pelo prazer de ver o odiado Benfica perder -, bastando ver o que se passou e Lisboa nas comemorações do tri.
    Compreende-se de algum modo a questão emocional, mas esta postura não encerra qualquer tipo de racionalidade, acabando por ser responsável, por omissão, por muito do que tem sido o futebol português. Exemplo disto foi a época 2004-05, em que com Pinto da Costa no banco dos réus, o Sporting e as suas vozes, ao invés de aproveitarem a ocasião para, juntamente com o Benfica, varrerem de vez toda a porcaria do futebol português, viraram agulhas para um rol de acusações ao Benfica, a Vieira e a Veiga, que acabou por beneficiar objectivamente o F.C.Porto, num momento em que este estava verdadeiramente de gatas, e em risco de tão depressa se não levantar. Resultado: o Benfica foi à mesma campeão, e o F.C.Porto reergueu-se, conquistando este tri, não sobrando nada para Alvalade.
    Os sportinguistas deveriam reflectir sobre isto: Em 1982 o Sporting era claramente o segundo maior clube português, agora é claramente o terceiro…

    T de TÍTULOS – Se o título de 2003-04, com Mourinho, foi de justiça indiscutível, mau grado as investigações terem incidido sobre essa época, outros houve em que as coisas não foram assim tão cristalinas. 85-86, 89-90, 91-92 e 92-93 foram temporadas em que a verdade desportiva foi completamente adulterada, e em que o campeão deveria ter sido, tem que se dizer, o Benfica. No final dos anos 90, já com o poder sedimentado, e fruto da desorganização interna do Benfica, a facilidade com que o F.C.Porto chegou ao penta não permite afirmar que, sem sistema, não fosse igualmente campeão. Mas a embalagem já era grande. Neste século as coisas melhoraram ligeiramente. Ainda assim, as épocas de 2001-02 e 2002-03, talvez por haver um maior temor do Benfica pós-Vale e Azevedo, foram épocas de mentira Lembram-se do Benfica-Sporting 2-2 apitado por Duarte Gomes (o afilhado de Guilherme Aguiar, então director executivo da Liga), ou do Boavista-Benfica 1-0 da semana seguinte apitado por Pedro Proença, em que Simão foi abalroado dentro da área sem que nada acontecesse ?.
    A estratégia foi nesta fase sempre a mesma: beneficiar o F.C.Porto e prejudicar o Benfica nas primeiras dez jornadas (em que com menos dramatismo as coisas passavam melhor…), ganhar vantagem, e assim desmobilizar adversários e galvanizar acólitos.

    U de ÚLTIMOS TEMPOS – A partir de 2004, fruto das vicissitudes do Apito Dourado, a situação melhorou consideravelmente. A incompetência dos árbitros naturalmente não desapareceu por magia, mas passou a haver a sensação de errarem para todos os lados de forma menos discriminada. Contudo, na época de 2004-05, a pressão anti-benfiquista e a respectiva tentativa de condicionamento foi tanta que por pouco não tinha retirado o título aos encarnados, na época de Benquerença, da roubalheira de Penafiel (Pedro Proença não quis ver quatro grandes penalidades !!), do penalti por marcar em Coimbra sobre Sokota, do golo limpo anulado a Nuno Gomes frente ao Marítimo com o resultado em 3-3, do agarrão pelas costas a Nuno Gomes com o Belenenses, do golo sofrido directamente de livre indirecto contra o Nacional, do penálti fantasma marcado por Jorge Sousa em Guimarães num salto de Romeu com Luisão, do penálti sobre Geovanni em Setúbal não assinalado com o resultado ainda em branco, e por outro lado, nos jogos dos dragões, de uma expulsão surrealista de Juninho Petrolina num jogo contra o Belenenses, do golo de Fabiano nos Barreiros dois metros fora-de-jogo, do golo também off-side de McCarthy ao Penafiel em casa, do golo validado após falta de Jorge Costa sobre Ricardo no Porto-Sporting, das agressões impunes de McCarthy, Fabiano, Costinha e Jorge Costa, do penálti escamoteado a Lourenço no Restelo, do domínio com a mão de McCarthy no golo ao Rio Ave, etc etc.
    Em 2006-07 o campeão podia ter sido o Sporting, não fosse o golo com a mão do Paços de Ferreira em Alvalade, e em 2007-08, caso os seis pontos tivessem sido retirados em tempo útil aos portistas, o campeonato poderia ter sido outro. Isto no pressuposto que o clube de Pinto da Costa não tinha descido à segunda divisão na época 2005-06, como teria acontecido se estivéssemos em Itália, França, Espanha, Alemanha ou Inglaterra, e a nossa justiça não tivesse um “quê” de tanzaniana.
    Destaque nestas últimas épocas para as arbitragens do portuense Paulo Costa. Uma na Amadora há dois anos, e uma na Luz recentemente com o Leixões, em que ficou demonstrado existirem ainda resquícios de um tempo que se julgava já passado. Lucílio Baptista nos dois últimos domingos também mostrou algum zelo em deixar essa ideia bem vincada.

    V de VERY-LIGHT – O termo entrou na história na sequência da final da Taça de 1995-96, em que um irresponsável qualquer atirou um para a bancada oposta matando um adepto do Sporting. Sem a mesma gravidade humana, mas com influência desportiva acrescida, houve um caso nas Antas (pois claro), pouco tempo depois, que raia o surrealismo. No momento da marcação de um penálti contra o Farense, com o resultado a zero, cai um very-light sobre a cabeça do guarda-redes nigeriano Peter Rufai. Com ele total e naturalmente desconcentrado, Jardel atirou para o fundo da baliza e o árbitro validou inacreditavelmente o golo, perante os protestos dos atónitos jogadores algarvios. Este caso simboliza o motivo porque técnicos estrangeiros respeitados como Camacho, Koeman ou Trapattoni, sempre disseram ser o F.C.Porto muito “respeitado” nos estádios portugueses.
    Nas Antas aliás passava-se de tudo. Em 1991 no jogo decisivo para o título, os jogadores do Benfica foram obrigados a equipar-se nos corredores, pois o balneário tinha sido empestado de um estranho cheiro tóxico. Nesse dia o presidente João Santos e Gaspar Ramos foram ameaçados de morte pelo guarda-Abel, e a comitiva benfiquista foi apedrejada logo desde a saída do hotel, o que aliás era comum sempre que se deslocava ao Porto – ao contrário, diga-se, do que acontece em Lisboa, onde os jogadores do F.C.Porto se passeiam a pé livremente nas imediações do hotel Altis onde costumam pernoitar.

    X de XISTRA – É um dos artistas da nova vaga. Nas últimas épocas realizou na Luz uma das arbitragens mais escandalosas de que me lembro ultimamente, em jogo do Benfica frente ao Beira Mar no qual expulsou de forma alarve Miccoli, impedindo-o de jogar no Estádio do Dragão na jornada seguinte. Na época anterior viu e assinalou de forma anedótica um penálti a favor do F.C.Porto, quando um jogador do Marítimo cortou com a cabeça uma bola que ia para a baliza. O lance seria corrigido pelo árbitro auxiliar, mas mostrou bem porque é que Xistra começa por X.

    Z de ZÉ PRATAS – Zé Pratas é da minha terra e é bom rapaz. Não creio que tenha estado alguma vez directa e decididamente ligado a corrupção, e talvez por isso nunca chegou a internacional. Chamo-o para aqui por me recordar de uma Supertaça disputada em Coimbra, na qual após assinalar um penálti, Fernando Couto correu metade do campo atrás dele, e ele sempre a recuar, a recuar, sem que sentisse força para tomar a atitude que se exigia: expulsar o irmão da actual directora executiva da Liga de Clubes.
    Essa imagem, define bem o ambiente que se vivia no futebol português da altura. Como uma imagem vale mais que mil palavras (foto no início do post), essa espelhou bem o que era o medo e o poder. O medo terá entretanto desaparecido, mas o poder ainda prevalece. Até quando ?

    http://vedetadabola.blogspot.com/2008/04/vinte-anos-de-mentira-de-a-z.html

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  68. Desconhecida's avatar
    António Lemos Soares permalink
    8 Abril, 2008 16:20

    Meu caro amigo;

    Muito obrigado pelo elogio, sem dúvida exagerado, que não mereço. Explicável será, tão-só, pela nossa boa e tão democrática amizade. Retribuo o cumprimento com sinceridade e agora sem qualquer exagero.
    O que eu quis demonstrar foi que, mais do que outra coisa qualquer, o que penso ser é português! Se isso é ser de Lisboa, seja. Se isso, não é ser do Douro, o que posso fazer!? Andei enganado mais de 30 anos!
    Se, em sua opinião e por exercício meramente teórico, as minhas posições me colocam – como outrora fez certo político de que não me lembro agora o nome – numa suposta lista de “elitistas, sulistas e liberais”, só posso infirmar essa hipótese. Não sou nada dessas três coisas. Sou apenas contra a regionalização e favorável a uma descentralização municipalista!
    Sabe, estou convencido de que, mais cedo ou mais tarde, Portugal será mesmo regionalizado. Ao fim destes últimos 200 anos, só falta mesmo isso!…

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  69. Luís's avatar
    Luís permalink
    8 Abril, 2008 16:38

    Bem tentas ser Dragão, mas como sempre não passas de um ANDRADE, bimbo e provinciano. É curioso como o futebol tem o poder de transformar as pessoas.

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  70. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    8 Abril, 2008 16:49

    Pior que vós só os Açores … com aligeira diferença de que estes têm recebido muitos mais milhões da Vaca Europeia …

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  71. Rui Vales's avatar
    Rui Vales permalink
    8 Abril, 2008 17:04

    Coisas de almeidas.
    Não liguem, que é só despeito.
    Galinholas que já voaram e agora não.

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  72. Piscoiso's avatar
    8 Abril, 2008 17:04

    O esforco que alguns cromos fazem para minimizar a vitória do Porto, se fosse veiculado para fortalecer a equipa do Benfica, ainda tinham hipótese de ficar em segundo.

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  73. Dragão do Sul's avatar
    8 Abril, 2008 17:15

    Ganhamos. O resto é apenas conversa e despeito. Espero que continuem com todo esse ódio. É bom sinal. Para o ano há mais. He he he he he he.

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  74. nem estranho não estranhar's avatar
    nem estranho não estranhar permalink
    8 Abril, 2008 17:26

    O contradossier, in portistasdebancada

    Apito Atrasado
    Quando havia alternância na conquista do título é que o FC Porto magicou tudo para ser ser melhor do que todos. Mais uma bela teoria dos que têm ligação directa do intestino à cabeça…

    Cada título portista é um espinha atravessada na garganta dos fala-barato. Há anos que não têm que dizer dos campeonatos ganhos pelo FC Porto. Bom, “eles” na altura disseram que “era merecido”; mas já esqueceram o que voluntariamente assumiram, escreveram, comunicaram até em rádio e tv.

    Hoje, sem arte, jeito e dinheiro até nos emblemas da sua preferência capital, os croniqueiros do regime buscam no passado o efeito demoníaco da malfeitoria actual. Ah, se o Apito Dourado fosse há 20 anos…

    Como bem lembrou o Fernando Monteiro (Sou Portista com Orgulho), a corrupção como modo de vida do FC Porto não valeu muita coisa. Ou não eram os únicos experts na matéria, ou distraíam-se muitas vezes ou eram mesmo broncos. E quem parte e reparte e não fica com a melhor arte…

    Pois o FC Porto sob a liderança de Pinto da Costa perdeu a bagatela de 11 títulos, 17 taças de Portugal e até 12 supertaças, a gente que pensava que as tinha ganho todas.
    Livra!

    Mas os que usam brilhantina no cabelo, que perdem 5 minutos num programa de diversão futebolística a falar do FC Porto que raramente vêem jogar, acham que um Apito Atrasado fazia falta, sim, naquele tempo. Ai, se um Apito Atrasado valesse, este Apito Dourado não tem lata, se calhar nem 6 pontos custará ao FC Porto, talvez o “cúmulo jurídico” de três. Miserável cenário.

    Prisão perpétua?
    O Apito Atrasado, curiosamente, remontava àqueles tempos sem polémicas em que Mário Luís, de Santarém, acabava de entregar uma Taça de Portugal (1978) ao Sporting antes de viajar com os leões à China. Contemporâneo seguro era Adelino Antunes que, por estes dias em Gondomar e não por causa da ourivesaria, disse ter cometido tantos erros como árbitro susceptíveis de dar “prisão perpétua”.

    Pode crer, Adelino, que nunca o tive em boa conta, como não tive a generalidade dos árbitros desse tempo, mas também não lembro asneiras tão graves para pena tão drástica. Um Bruno Paixão seria irradiado, um Lucílio Baptista preso preventivamente, um João Ferreira deixado na jaula escura, um Pedro Henriques na cela mais húmida e fria que lhe lembrasse o que são as Ilhas Britânicas, enfim o Carlos Xistra o castigo de ler os discursos do conterrâneo José Só…traques.

    A má imagem deixada por Adelino Antunes parece dar razão aos que dizem, hoje, como naquele tempo, sem tv, sem Imprensa plural de que ainda hoje se duvida existir, sem escrutínio de múltiplos analistas a começar por ex-árbitros que no activo foram até melhores do que os comentários hoje assinados, o campeonato era uma vigarice.

    A alternância era má
    Mas é enternecedor saber que se reconhece justeza num campeão de 2008 que leva 18 pontos de avanço…

    E ao mesmo tempo desta hegemonia tão criticada pelo que está para trás vem à memória esse tempo em que nos anos ímpares só os campeões eram justos:
    84 – Benfica
    85 – FC Porto (8/9 pontos de avanço)
    86 – FC Porto
    87 – Benfica
    88 – FC Porto (15 pontos de avanço)
    89 – Benfica
    90 – FC Porto
    91 – Benfica
    92 – FC Porto (aí 10 pontos de avanço)
    93 – FC Porto
    94 – Benfica
    Eram anos danados.

    Ficava-se sempre à espera do ano bom para haver um justo campeão.

    Mas esse deixou de ter pernas para andar.

    Títulos de goleada
    A saga do penta?

    95 – FC Porto
    96 – FC Porto
    97 – FC Porto
    98 – FC Porto
    99 – FC Porto
    em nenhum foi preciso esperar pela última jornada mas estava tudo comprado. As vantagens portistas chegaram a ser pornográficas, até juntaram taças e supertaças, goleadas de 5-0 na Luz, e talvez o mito da puta de vida característico do FC Porto tenha acabado por personificar na Carolina…

    Sporting, Boavista
    O novo milénio foi um saravá: Sporting campeão com Bruno Paixão, o Campo ficou Maior, o ano 2000 que alvitrou Roquette ser o ano em que “a melhor equipa não será campeã”.

    Bem, 2001 deu Boavista. O FC Porto não deixava de ganhar um campeonato em cada dois anos desde 1983-84, continuava com a fama da corrupção mas os Loureiros com a Liga e achou-se o Boavista uma lufada de ar fresco no futebol nacional. Mas não só hoje recusam olhar para esse campeonato atrasado à luz do Apito Dourado, como em 2002, quando o Boavista defendia o título tão elogiado antes, já a equipa de Jaime Pacheco deixara de ser engraçada – por tirar o título ao FC Porto – para passar, subitamente, a uma “equipa de caceiteiros”. Consultem a paródia de Imprensa da época que vão avivar a memória.

    Do mauzinho à infâmia
    Bem, depois tivemos

    2003 – FC Porto (aí uns 15 pontos de avanço)
    2004 – FC Porto (também uns 15 pontos de avanço)
    Já se festejava sem jogar, no hotel, decerto com putas e vinho verde à discrição, já se ganhavam taças europeias mas era tudo mauzinho lá com o Mourinho…

    Ah, o ano bom foi 2005. O Benfica nem ganhou um jogo ao FC Porto, mas foi campeão. Para súmula da infâmia, como ano foi mesmo o melhor.

    Depois, ninguém contestou nem o título com Adriaanse (2006) em que o Benfica voltou a vencer o FC Porto duas vezes no campeonato como não conseguia desde 1977.

    Bem, em 2007 os juízes de campo bem tentaram tirar e dar ao dono do ano ímpar, mas voltaram a não ter pernas.

    E 2008 é o ano natural par do FC Porto. Os 18 pontos dão o lastro suficiente para se achar justo. Parecem fazer-nos um favor, até porque depois lembram que se há 20 anos houvesse um Apito Atrasado…

    Mas mau mesmo era quando havia alternância no campeonato.Isso foi o pior de tudo.

    Os anos 80 e 90 foram a nódoa a que muitos gostariam de voltar e aplicar um Apito Atrasado a sério.

    Etiquetas: Crónicas do Zé Luís

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  75. ze estrela's avatar
    ze estrela permalink
    8 Abril, 2008 17:51

    “Um político em Portugal, para ter ambições nacionais, tem de desdenhar tudo aquilo que o Norte representa e camuflar as suas origens e a sua pronúncia.”
    A excepçao da aulas no porto?
    Lisboa continua a ser a ilha daqueles que nunca viram o mar.!!
    por favor, sobe outra vez e ajuda o norte.

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  76. Desconhecida's avatar
    8 Abril, 2008 17:57

    “O EXEMPLO ESPANHOL

    Não precisamos de ir mais longe na Europa para ver os efeitos positivos da descentralização – Olhemos para Espanha!

    Em Espanha, a Expo 92 não foi em Madrid.

    Foi em Sevilha.

    E a próxima não vai ser em Madrid.

    Vai ser em Saragoça, neste ano de 2008.

    Em Espanha, os Jogos Olímpicos não foram em Madrid.

    Foram em Barcelona em 1992.

    Espanha não se desinteressou do projecto da fórmula 1 dos barcos pelo facto de Madrid não ser uma cidade costeira.

    Valência candidatou-se e ganhou.

    Nos anos 70 fui a Madrid, numa excursão de camioneta, ver uma corrida de fórmula1 a Jarama.

    Hoje já ninguém fala de Jarama e de Madrid no que se refere a fórmula 1.

    Está em Barcelona e em Valência.

    Lembram-se daquela final dramática da Taça dos Campeões Europeus, em Sevilha, no ano de 1986, que o Steaua de Bucareste ganhou ao Super Barcelona?

    A final da Liga dos Campeões de 1999, aquele fabuloso jogo entre o Manchester United e o Bayern de Munique, não foi em Madrid, foi em Barcelona.

    Bom, poderíamos ficar aqui a encher folhas e folhas com o relato de grandes acontecimentos ocorridos em Espanha que não tiveram lugar na capital Madrid.

    É nestes momentos que olho com admiração para a realidade autonómica de Espanha e muito particularmente para os Catalães.

    Um jovem catalão que vai trabalhar para um banco não precisa de sair de Barcelona para chegar ao topo da hierarquia.

    A La Caixa é um exemplo acabado do atrás referido.

    Como, de resto, são todas as Cajas de Ahorros espalhadas por toda a Espanha.

    Os meus amigos catalães e os seus filhos ligam as televisões e não têm de se submeter ao achincalhamento de ver nos noticiários as primeiras páginas dos jornais de Madrid, nomeadamente dos jornais desportivos, dizendo que o jogador x do Real Madrid está com dores de barriga, ou que o jogador Y vai com o cão ao veterinário.

    Porque têm canais de televisão próprios na Catalunha.

    E tem jornais desportivos próprios.

    Já agora, para quando notícias a partir das 7h da manhã no Porto Canal?

    Pelo que me disse um amigo catalão, caso o estatuto autonómico passe no Tribunal Constitucional, a Catalunha só fica dependente de Madrid das forças armadas.

    E de Bruxelas das políticas macroeconómicas.

    De resto é tudo com eles.

    Até Supremo Tribunal de Justiça terão.

    Li numa notícia no Expresso de 8 de Dezembro de 2007 que tinha como título o seguinte: “Galegos seguem exemplo dos bascos e catalães”. E no corpo do artigo referia “…A expressão “direito a decidir” está na moda em Espanha. É neste slogan que se apoiam, ultimamente, as reivindicações independentista latentes nas comunidades autónomas espanholas. A última expressão deste sentimento aconteceu no fim-de-semana em Barcelona, onde mais de 125 mil pessoas se manifestaram contra o caos nas infra-estruturas ferroviárias na Catalunha – atribuído à administração central – e reivindicaram o direito a decidir dos cidadãos sobre as obras públicas da região….”

    Só através de uma organização de cariz político que alerte as pessoas para estes assuntos, as motive e interesse, é que poderemos alcançar, também, o direito a decidir sobre aquilo que nos diz respeito.

    Manuel Cerqueira Gomes

    Exército de Salvação Nacional

    Batalhão Bússola

    Pelotão de Co produção”

    Manuel Serrão

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  77. Nelson Santos's avatar
    8 Abril, 2008 19:52

    Realmente, as citações de Manuel Serrão são um mimo. Porque não juntar as do Emplastro e as do Guarda Abel, que deveriam ser do mesmo calibre.

    Ainda aparece um qualquer benfiquista aí a responder a isto com citações de Leonor Pinhão ou do Barbas! Só para manter o nível!

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  78. DiMartin's avatar
    DiMartin permalink
    8 Abril, 2008 23:13

    “lembra o meu triste marido, também ele benfiquista, cristão, mon dieu, mas mau chefe de família, ao contrário do provérbio, se mal dá já uma na cama e barafusta que dantes não era assim. Pois não. E eu, mais para atiçá-lo, pensa azul, homem de deus!”

    Gostei.

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  79. Desconhecida's avatar
    Pedrito Portugal permalink
    8 Abril, 2008 23:32

    Parabéns a todos os portistas especialmente aos que tornaram possível o Tri-campeonato!

    Obviamente que incluo o Pinto da Costa, o Reinaldo Teles, o chefe da claque Super Dragões, o Olegário Benquerença, o Augusto Duarte, o Lucílio Baptista, o Paulo Paraty, o Pedro Proença, o Pedro Henriques, o Victor Pereira, o Cosme Machado, o Guarda Abel e algumas profissionais do sexo, que por razões óbvias não especificarei os nomes.
    Mais importante que o desfecho do apito dourado ou a eventual punição desportiva (retirar 6 pontos), é a clarividência de atitudes fraudulentas, aliciando árbitros e utilizando técnicas mafiosas (mandar bater – Ricardo Bexiga e Co Adrianse, ameaçar – Carolina Salgado, pegar fogo à agência de viagens que tinha as provas do pagamento de viagens a árbitros – Carlos Calheiros, rasgar camisolas de jogadores adversários – Rui Jorge, utilizar sistemas de comunicação proibidos quando o treinador está castigado – Mourinho, etc, etc, etc…) e depois negar tudo, ou seja, MENTIR!
    Com tudo isto, tenho para mim que no futuro o FC Porto de Pinto da Costa e as suas conquistas desportivas ficarão sempre marcados pela forma suja de as alcançar e essa é a verdadeira justiça – termos consciência que assim não vale!!!

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  80. Sebastião Dias's avatar
    Sebastião Dias permalink
    8 Abril, 2008 23:38

    Que tristeza ver o Porto, dantes uma grande cidade, feita de gente empreendedora e que sabia o valor do trabalho, uma cidade completamente decadente e ressabiada com essa decadência.

    E de quem é a culpa dessa decadência? De lisboa, pois claro. É o centralismo de Lisboa que faz com que a iniciativa privada prefira outros locais que não o Porto para fazer os seus investimentos. É o centralismo de Lisboa que faz com que o empresário do Norte, antes cheio de ideias, iniciativas e vontade de ganhar dinheiro, não invista na sua ideia, na sua região, não crie empregos, não tente chegar mais longe do que a lamúria.

    O inimigo é sempre externo: a culpa é de Lisboa. Lisboa tem as costas largas. Tudo está mal devido a Lisboa. Porto 2001 falhou por causa de Lisboa. Os problemas sociais que se vive dentro de alguns bairros do Porto são culpa de Lisboa. O fogo de artifício da passagem do milénio não aconteceu e a culpa é de Lisboa. O desemprego é culpa de Lisboa. A falta de iniciativa no Porto é culpa de Lisboa. O Porto tem um clima pior porque Lisboa tem um clima melhor. O Porto trabalha, em Lisboa deixa-se crescer as unhas para tocar guitarra e cantar o fado. Tudo o que acontece de mal no Norte deve-se aos sarracenos de Lisboa…

    …mas no futebol somos os melhores.

    O futebol é o que nos enche a alma. Estamos mal em tudo, mas o futebol, o Futebol Clube do Porto, ajuda-nos a viver a ficção de que somos os melhores. É nisto que somos os melhores. No futebol. No que não somos os melhores culpamos os outros. Lisboa.

    Este é o resumo do discurso do Norte, ou melhor, do Porto (sim, porque para a gente do Porto «o Porto é o Norte e o resto é paisagem») divulgado até à exaustão por Fernando Gomes, Pinto da Costa, Narciso Miranda e outros que tais.

    Então e o Santos Silva não é do Porto? E o Meneses? Não são eles do Norte? Não há políticos do Norte a fazer política em lugares chave? Alguém lhes trava a ambição por serem do Norte? Chegam a Lisboa e ficam impróprios para consumo? Transformam-se em zombies apenas devido a uma questão geográfica?

    Esta conversa do Porto já causa náuseas. Mostrem do que são capazes. OK, são melhores com a bola. Agora façam alguma coisa das vossas vidas e não culpem os outros pela desgraça em que cairam. E trabalhem, que sem trabalho nada se consegue.

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  81. Piscoiso's avatar
    9 Abril, 2008 00:01

    O Portugal dos pequenitos, tem destes Peritos.

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  82. Desconhecida's avatar
    Dies Illa permalink
    9 Abril, 2008 03:19

    Só há uma palavra para comentar este artigo:

    R I D Í C U L O !

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  83. Desconhecida's avatar
    António Lemos Soares permalink
    9 Abril, 2008 07:38

    Meu caro amigo;

    Penso que sabe que defendo uma posição que, talvez, possa retirar do seu pensamento o “labéu” de “lisboeta de pensamento” que me dirigiu.
    Sou favorável a que se altere a capital do país. A meu ver, teria todo o interesse que a capital mudasse para outro local. Porquê? Porque agora que o processo de reconquista terminou há muito; agora que já não temos Império, agora seria o momento preciso de Portugal se reencontrar com as suas origens.
    Defendo, pois, que a capital política de Portugal deveria ser em Guimarães. Se desse muita despesa transferir tudo de uma vez (apesar de o já termos feito uma vez, para o Rio de Janeiro) poderia haver duas capitais – como têm, por exemplo, os Países Baixos. Capital administrativa seria Lisboa; capital política seria a já citada “Cidade Berço”.

    P.S – Continuo do Benfica e contra a regionalização!…

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  84. Rafael Ortega's avatar
    9 Abril, 2008 09:27

    acoral Diz:
    8 Abril, 2008 às 4:14 pm

    Penso que nas expulsões se esqueceu da do Léo ainda há uns dois anos.
    Mas essa parte é bem verdade. Só me lembro de ver um jogador do Porto ser expulso contra o Benfica nas Antas/Dragão, foi ha dois anos quando o Benfica ganhou lá por 0-2 e o Bruno Alves ia matando o Nuno Gomes. Já nessa altura era uma besta caceteira. Ele e o Pepe. Se o Scolari leva os dois ao Europeu vai ser bonito vai, não passamos da primeira ronde, que jogar com menos um em grandes provas é a morte do artista e desses dois, numa competição com arbitragem rigorosa, só espero cartões vermelhos. Basta ver que o Pepe já foi expulso a jogar em Espanha e cá era sarrafada a torto e a direito.

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  85. all-fenos's avatar
    all-fenos permalink
    9 Abril, 2008 09:29

    Sebastião….
    Pode trocar no seu texto todo as referencias da cidade do Porto e suas gentes por SLB e seus adeptos?
    Verá que encaixa e o problema é que não encaixa nas poucas centenas de milhares do “Porto” mas sim em seis milhões.
    Descobrirá assim que essa maleita não é exclusiva daquela cidade…os seis milhoes vivem não só em Lisboa mas bem espalhados pelo país.

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  86. Dragão do Sul's avatar
    9 Abril, 2008 09:41

    Já escolhi o nome para o meu próximo filho, que vai nascer em Junho: Jorge Nuno.

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  87. Desconhecida's avatar
    SLB! SLB! SLB! permalink
    9 Abril, 2008 10:11

    Dragão do sul:

    Se nascer menina, chame-a Carolina!…

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  88. CAA's avatar
    9 Abril, 2008 10:44

    Caro António Lemos Soares,

    Toda e qualquer discussão acerca da ‘capital’, da sua localização, factores preferenciais, virtudes e desarranjos, é intrinsecamente centralista. Do ponto de vista de um processo descentralizador isso não faz nenhum sentido. Esse foi um dos segredos dos americanos que Tocqueville tão bem percepcionou.

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  89. Desconhecida's avatar
    António Lemos Soares permalink
    9 Abril, 2008 12:18

    Meu caro amigo;

    Já sabia que me ia responder isso.

    P. S. – A capital também poderia ser no… Porto!

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  90. Nuno Costa's avatar
    Nuno Costa permalink
    10 Abril, 2008 00:10

    «O investimento público apenas se preocupa com algumas áreas do Litoral e esquece, obscenamente, o Interior cada vez mais deserto de pessoas e proveitos»-

    O que é que o liberal CAA está a sugerir? Que o investimento público é eficaz no combate às assimetrias regionais? Que o investimento público deve ser orientado pelo propósito político de garantir a igualdade de rendimentos entre as diversas regiões? Que o investimento público deve ser concentrado massivamente no interior onde vivem menos portugueses, e não onde esse investimento beneficiará directamente mais portugueses? Estou curioso sobre qual é a argumentação liberal que encontramos a suportar esta frase.

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  91. CAA's avatar
    10 Abril, 2008 11:32

    Nuno Costa,

    Num país em que tudo macaqueia o Estado, onde o Estado não está, de onde o Estado foge, não fica lá mais ninguém. Os privados, entre nós, têm uma bússola que aponta sempre para o Estado – se este desaparece os privados imitam-no.

    É uma questão de facto e não de ideologia.

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  92. francisco's avatar
    francisco permalink
    30 Dezembro, 2008 11:52

    Este Cunha Antunes é o mesmo árbitro que VALIDOU (imagine-se) aquele célebre penalty num não menos célebre e DECISIVO Farense- FCPorto em que após a marcação de um penalty DUVIDOSISSIMO, durante esse penalty rebentou um petardo ao lado do Peter Rufai, com o fumo a espalhar-se e o guarda redes meio atarantado, o Domingos marcou o penalty e … ahahahahahaha … foi VALIDADO o golo. É verdade, Foi validado o golo. Nem na Patagónia, nem na Aldeia do Astérix, SÓ MESMO EM PORTUGAL, no tempo do Apito Dourado. E é este árbitro “Coordenador da Formação” na APAF. Qual FORMAÇÃO? Não me façam rir…ahaha

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