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A gargalhada*

30 Junho, 2008

Não, não foram as estradas bloqueadas. Nem os piquetes de pescadores revistando os carros de quem por ali passava. O sinal de que o espelho se partira chegou naquela gargalhada. Quase dois mil assistentes lançaram uma sonora gargalhada quando ouviram um secretário de Estado anunciar mais um estupendo desígnio para daí a poucos anos. O governante em questão ocupa-se das matérias da educação e no caso concreto proclamou aos técnicos presentes naquele encontro que, em 2013, a escola será totalmente inclusiva. Esta gargalhada é a mais dura resposta e o mais terrível sinal dado até agora a qualquer governante em Portugal.

Ninguém se levantou, ninguém pediu a palavra para dizer ao secretário de Estado que os presentes, ou pelo menos alguns deles, não consideram que a integração nas escolas comuns seja benéfica para todas crianças deficientes. Não aconteceu nada daquilo que seria previsível numa democracia. Simplesmente os presentes desataram a rir. Este riso é o mais claro sintoma do descrédito que se instalou na sociedade portuguesa.

Há algum tempo as palavras do secretário de estado Valter Lemos teriam sido glosadas por alguns dos presentes que teceriam loas à escola inclusiva. Aliás boa parte do encontro teria sido passado com os mil e setecentos presentes acenando as cabecinhas diante duns esquemas em que setas diligentes antecipavam os maravilhosos resultados que decorreriam da implementação daquela proposta. Todas as perguntas provenientes da assistência seriam uma espécie de mote para que os senhores do ministério produzissem ditirâmbica prosa poética sobre a inclusão. Caíria imediatamente o Carmo e a Trindade em cima de alguém que no meio desta radiosa antevisão comentasse os abusos de escolas e famílias que não hesitaram em colocar levianamente o rótulo das necessidades especiais aos seus filhos e alunos, para assim terem acesso aos apoios devidos a estas crianças. Outras discussões sobre o assunto ficavam também imediatamente arrumadas, pois só por masoquismo alguém enveredaria por questionar o dogma básico da própria escola inclusiva, ou seja a estratégia que leva a que, para ilustrar o nosso superior apego à igualdade, se obriguem, contra o parecer das famílias e dos técnicos, crianças com determinadas deficiências a frequentar o ensino regular.

Agora que o sortilégio se quebrou, os outrora beatíficos assistentes riem. Não por falta de educação. Muito menos por desprezo. Riem com aquele riso que se cruza com o choro e que nos diz que já não há nada a fazer. O secretário de Estado, coitado, tentou emendar a coisa e ainda declarou que as pessoas riam porque estavam de tal modo habituadas a que as promessas não fossem cumpridas que desatavam a rir quando ouviam um governante traçar metas tão ambiciosas. Não serei eu quem vai censurar Valter Lemos. Qualquer vaia ou apupo é uma manifestação de afecto ao lado da gargalhada com que foram recebidas as suas palavras.

O secretário de Estado não percebe ou não quer perceber que aquilo que se desfez à sua frente foi o cenário da enorme representação em que se transformou o poder político. O discurso político começou por se desfazer da ideologia e acabou reduzido a uma espécie de livro de auto-ajuda. Daqueles que garantem que se acreditarmos muito numa coisa ela acontecerá. Pode pasmar-se com a dose de credulidade necessária para que alguém acredite que se desejar muito uma coisa ela acabará por se tornar realidade mas na verdade é esta espécie de panaceia que rege hoje quem nos governa. E não apenas em Portugal. Os irlandeses rejeitaram o Tratado de Lisboa e imediatamente se tem de fazer de conta que o Não há-de vir a ser um Sim. Um dia destes, num qualquer país da UE, uma gargalhada ecoará quando uma versão europeia de Valter Lemos estiver a desenhar o futuro radioso que há-de nascer da aplicação duma qualquer directiva. Ou pior ainda quando estiver a falar de direito de voto.
Entretanto os cidadãos estão presos entre as gargalhadas duns e as milícias dos outros. Mas ao contrário do que José Sócrates declarou na Assembleia da Republica, o Estado não está frágil. O Estado simplesmente esvaziou-se das suas funções tradicionais, o que levou a que os mais fracos não só ficassem ainda mais fracos como a que se instaurasse um sentimento de impunidade. Este é o Estado que não só não consegue ter uma justiça credível como fez da negação do crime uma verdade oficial. Um Estado que reduziu os cidadãos à condição de contribuintes. Um Estado que não consegue ter um discurso adulto e claro sobre o papel das suas forças armadas. O Estado que detesta as pequenas e médias empresas mas que adora atribuir estatutos PIN à meia dúzia dos seus eleitos.

O Estado que Sócrates sentiu frágil é o Estado forte que faz andar as suas forças policiais de café em café a ver se alguém está a fumar mas que depois é de facto incapaz de impedir um bloqueio de estradas. Até há algumas semanas seria mais provável que o Estado português se assanhasse para apurar a cor das facas, a qualidade do carvão, o tipo de grelhadores e a marca dos detergentes usados no churrasco feito pelos camionistas para celebrar o fim do bloqueio do que com o bloqueio propriamente dito. O Estado não só não está frágil como tem usado e abusado da sua força contra os cidadãos. O que era e é frágil, muito frágil mesmo, são as ideias que residem na cabeça de quem nos tem governado. Na verdade nem são ideias. São simplesmente castelos erguidos pela propaganda. A realidade murcha-os e o sopro duma gargalhada fá-los ruir.

 *PÚBLICO

23 comentários leave one →
  1. 30 Junho, 2008 10:25

    Mas o caso da educação em Pt não é para morrer a rir às gargalhadas?

    http://criticademusica.blogspot.com/

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  2. helenafmatos permalink
    30 Junho, 2008 10:37

    iNFELIZMENTE NESTE caso talvez seja mais para chorar: em nome duma alegada igualdade pretende-se que todas as crianças mas mesmo todas frequentem as mesmas escolas e as mesmas aulas.
    Ninguém sabe sequer se isto é o melhor para algumas dessas crianças/jovens mas dizem que querem acreditar que será. Porquê? Porque assim todos serão iguais.

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  3. 30 Junho, 2008 11:03

    ainda bem que gargalhou e está feliz por isso…

    o seu artigo demonstra isso, sem que se perceba a causa, a ideia que o motiva,

    se é que alguma existe para um arrazoado sem finalidade razoável que se descortine…

    nota-se que não tem dúvidas e eventualmemte estará povoada de amplas certezas quanto ao assunto versado…

    educação e creanças problemáticas, discutem-se em função de experiencias anteriores,

    com análise, bom senso e sentido de ir melhorando problemas e soluções alternativas correspondentes

    não com dogmas ou vontades de dizer mal…

    mas está feliz a senhora e gargalha…

    é uma postura na vida!

    abraço

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  4. Expasmo permalink
    30 Junho, 2008 11:05

    “Mas o caso da educação em Pt não é para morrer a rir às gargalhadas?”

    Desculpe-me caro comentador, mas não percebeu nada.
    A educação em Pt não é para morrer a rir às gargalhadas.
    Para rir às gargalhadas é tudo o que este governo já fez, está a fazer, e pelos vistos, fará.
    É a gargalhada de tristeza desesperada, o último cigarro do condenado.

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  5. 30 Junho, 2008 11:15

    Helena:

    Claro! Na verdade c este ensino, c esta taxa de natalidade (produzir filhos para serem uns portugueses beoncos e corruptos ou terem de conviver c os broncos e corruptos? Jamé! -> alguém dixit…), e tb c este avanço da desertificação, Portugal vai desaparecer, c a gargalhada geral dirigida à mais velha nação da Europa (Alegre dixit) que pensava que n poderia desaparecer… exactamente por ser a mais velha!!! Ha ha ha!

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  6. Anónimo permalink
    30 Junho, 2008 11:32

    Só por milagre. Tinham de mudar a maioria dos professores retrogados e os das gargalhadas

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  7. helenafmatos permalink
    30 Junho, 2008 11:58

    De JOÃO LOPES, universidade do Minho, recebi este comentário por mail. Um comentário cuja leitura me parece indispensável:

    Do meu ponto de vista, a gargalhada dos professores de educação especial face à declaração, revela mera incredulidade quanto ao atingimento do objectivo da “escola inclusiva” em 2013 e não a qualquer questionamento quanto à bondade do mesmo. Os trabalhos que eu e outros temos feito (em Portugal e no estrangeiro) sobre a perspectiva dos professores e administradores educativos quanto àquilo que se chama (erradamente) de “inclusão educativa” mostram que, no caso dos alunos com deficiência mental, as opiniões são tanto mais favoráveis à “inclusão” quanto as pessoas estão longe do terreno. E os professores da educação especial, que com a “inclusão educativa” viram os alunos ser entregues a professores do ensino regular, cujas salas eles visitam feitos caixeiros-viajantes, já parecem longe do terreno e por isso, em geral, defendem a “inclusão” sem quaisquer reservas. O resultado disto é que os alunos deficientes deixaram de ter os apoios devidos e as salas de aula regulares são cada vez mais locais caóticos em que os professores fazem de conta que ensinam e muitos alunos já nem sequer fazem de conta que aprendem. Como diz Alvin Liberman, isto configura uma espécie de casamento em que “nós, educadores especiais, nos esquecemos de convidar a noiva (os professores do ensino regular)”
    O meu ponto é o seguinte: com grande probabilidade qualquer professor de educação especial presente na reunião tomaria medidas ainda mais tresloucadas (se é que isso é possível) do que as que os ministérios da educação têm vindo a adoptar ao longo dos anos. Basta estar 30 segundos com um professor da educação especial para perceber que a palavra “inclusão” é um puro tique vocálico. Disparam-na por tudo e por nada. Para eles, “inclusão” é um local; se os alunos deficientes que são despejados nas salas de aula regulares têm ou não têm apoio, não é matéria que os comova. E quem levanta dúvidas sobre o modelo, é crucificado como “segregacionista”.
    A gargalhada, neste contexto, significa muito provavelmente e ao contrário do que o seu artigo sugere, que os professores querem medidas ainda mais tresloucadas e mais penalizadoras para os deficientes (e para os outros) do que aquelas que estão a ser tomadas. Mais ainda. Em Portugal, talvez cheguem os dedos de uma só mão para contabilizar aqueles que têm direito a dar “aquela” gargalhada. E não sei se haverá professores do ensino especial aí incluídos. E é por isso que, ao contrário de si, interpretei aquela gargalhada como trágica ou como sintoma de uma mera guerra de alecrim e manjerona.
    Estou firmemente convicto de que o único ponto de oposição dos professores da educação especial às políticas actuais do Ministério se prende com a utilização da CIF. E é uma contestação completamente errada do ponto técnico, porque a CIF constitui um significativo avanço na caracterização da deficiência, das incapacidades, etc., relativamente a estruturas tradicionais como os DSMs ou até as classificações da AAMD (American Association of Mental Deficiency), pelo menos no caso da deficiência mental. O que se passa é que este modelo, aplicado à educação e ao ensino regular, como diz o meu colega e amigo Jim Kauffman, constitui uma pura aberração. Mas – sublinhe-se de forma muito veemente – a sua aplicação aos contextos de ensino regular resulta pura e simplesmente das políticas de “inclusão educativa”, que misturam o que não é miscível. Como os professores de educação especial são os grandes mentores e defensores deste modelo, não é aceitável que se queixem só porque se encontrou um modelo melhor – para aos deficientes, claro, não para os outros. O que os professores de educação especial não querem aceitar é que os restantes alunos não precisam deles e, pior ainda, que a utilização estes professores com alunos normais com problemas de aprendizagem ou problemas afins, releva de pura ignorância.
    Note-se que a CIF é uma classificação médica, logo, a ser utilizada por médicos e não por professores. Com a ajuda destes eventualmente, tal como de outros profissionais ou até não-profissionais, mas sendo eles a conduzir o processo. Não por acaso o modelo foi elaborado pela Organização Mundial de Saúde e não por um qualquer organismo educativo. E note-se ainda que os professores do ensino especial, que “se riem” do secretário de estado, são dos principais responsáveis pela medicalização e pela patologização da normalidade (uma perfeita aberração), ao mesmo tempo que pretendem negar a patologia de quem a tem (como se isso ajudasse alguém).

    As ideias que aqui deixo de forma absolutamente sucinta estão desenvolvidas num livro que eu e o meu colega Jim Kauffmann publicámos no ano passado e cuja referência é a seguinte:Kauffman, J. & Lopes, J. Pode a educação especial deixar de ser especial? Braga: Psiquilíbrios.

    Neste livro defendemos que a tentativa de acabar com o ensino especial e em particular a eliminação em curso das escolas especiais, colocando todas as crianças em salas de aula regulares, constitui um atentado aos direitos destas crianças. E esta é uma ideia que os tão sarcásticos professores da educação especial não aceitam sequer discutir porque para eles a “inclusão” é sagrada (e pelos vistos o que é sagrado não pode ser discutido). Mesmo sem apresentarem dados que sustentem as suas posições.

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  8. Anónimo permalink
    30 Junho, 2008 12:05

    Vou escrever na esperança de alguém com um mínimo de responsabilidade na máquina do Estado e na política o ler: existe no sistema de ensino nacional uma hierarquia que tem algumas escolas e agrupamentos a funcionar como sistemas tampão semi-políticos que impedem que a informação sobre violência circule e saia dos muros da escola, como aliás se viu em recente reportagem da TVI com testemunho de professora na primeira pessoa; existe em portugal um problema com Bullying e reprodução de lutas de Wrestling da televisão que está a causar problemas graves na escola primária sem que ninguém mexa uma palha, estando escolas, professores, agrupamentos, direcções regionais e inspecções à espera que a nossa senhora de fátima cá venha resolver o problema; muito provavelmente já existem em portugal milhares de crianças que estão e ficarão traumatizadas por estes problema e eu tenho uma cá em casa. Os mecanismos para resolver de facto os problemas através dos pais estão completamente indexados à sua vontade e de resto valem ZERO e deles resulta NADA senão a continuação e agravamento das situações. Os poucos que actuam de facto fazem-no por conta própria e com risco. Alguns responsáveis chegam a declarar que “não há nada a fazer” e que à medida que as crianças forem passando de ano e de escola os problemas de violência se agravarão. Depois, há o discurso. Queria finalmente agradecer ao cidadão Jorge Sampaio a encomenda que nos mandou. Obrigado.

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  9. Anónimo permalink
    30 Junho, 2008 12:20

    “Vou escrever na esperança de alguém com um mínimo de responsabilidade na máquina do Estado e na política o ler”

    ó anónimo, o senhor acha que mais ninguém sabe o que se passa nas escolas primárias? Nao invente.

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  10. Lololinhazinha permalink
    30 Junho, 2008 12:26

    Excelente texto, Helena.

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  11. Anónimo permalink
    30 Junho, 2008 12:27

    “Bullying e reprodução de lutas de Wrestling ”

    desconfio que o anonimo pensa que bullying é quando as crianças andam aos encontroes umas às outras.

    Dantes as lutas de wrestling no outro tempo , era aquele jogo palerma de saltarem todos para as costas uns dos outros em filinha. Lembra-se? Ficava um encostado à parede e vinham os outros todos a saltar para cima… até cairem todos ao chao. Ninguém se queixava de violencia.

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  12. Anónimo permalink
    30 Junho, 2008 13:31

    Caro 13,

    Já foi só isso e do resto desconfia mal, como se percebe. Está exactamente no estado da ministra: nem sabe, nem desconfia, está convencida e perante qualquer relato, nega. A reprodução não é obviamente uma simples reprodução, é muito mais do que isso, mas não se aflija, porque mais ano menos ano o resultado vai aparecer, bastando que aqueles que agora não falam sintam que há ministério. Não sei se tem filhos menores, dando-me a impressão que não, mas se tiver e for chamado de emergência para o ir lá buscar num estado psicológico lastimável, ou for lá ter com a equipe do INEM que o assiste, como relatado na tal reportagem, pode ser que compreenda como é que agora se joga esse tal jogo do empurrão, como diz. Provavelmente até nunca terá ouvido falar no jogo das cabeçadas nas paredes, no jogo das facas e outros que vão aprecendo em substituição do tradicional. Paciência. É sempre bom viver na ausência daquilo que mais nos pode incomodar.

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  13. 30 Junho, 2008 15:10

    São simplesmente castelos erguidos pela propaganda. A realidade murcha-os e o sopro duma gargalhada fá-los ruir.”

    Foi a melhor frase de auto-crítica que alguma vez li, de HM.

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  14. 30 Junho, 2008 17:14

    Excelente texto Helena, e enorme complemento de João Lopes… de facto, eu que me considero uma cidadã informada, não faço a menor ideia em que situação se encontram hoje as escolas portuguesas, fala-se dos professores e penso nos alunos… mas pouco se sabe deles, um tabu recente a querer mais atenção dos “aministrados” visto aqueles que ao ministério pertecem estão mais preocupados em mostrar os gráficos com as “novas técnologias”.

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  15. roídodefundo permalink
    30 Junho, 2008 17:19

    O caso de que vou falar é real e está a acontecer agora, num Agrupamento de Escolas situado do Concelho de Loures.
    Para arranjar espaço para criar duas salas de aulas, uma para Jardim de Infância e outra para uma Unidade Integrada de Autismo, foi cozinhada uma solução entre a DRELVT (Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo) e a Direcção do Agrupamento de Escolas, que consiste em enviar duas turmas de cada uma de duas escolas de Ensino Básico 1, para a Escola de Ensino Básico 2+3 do mesmo agrupamento. Nesta resolução os pais não foram tidos nem achados, e só lhes foi comunicado após as aulas terem terminado.
    Ora, existem em ambas as escolas EB1 duas turmas de 3º ano e duas de 4º ano, turmas essas que não têm horário completo, ou seja cada turma só frequenta a escola ou de manhã ou de tarde, como tal para cada duas turmas existe apenas uma sala de aula.
    Como é necessário vagar duas salas, então foi decidido que irão transitar no próximo ano lectivo para a escola EB 2+3, uma turma de 3º ano e outra de 4º ano de cada uma das escolas EB1, ficando uma turma de 3º ano e outra de 4º ano em cada uma das escolas EB1.
    Os pais destes alunos nada têm contra a criação de mais salas de Jardim de Infância, ou a integração de crianças autistas na escola dos seus filhos, desde que para isso os mesmos não tenham que ser afastados da sua escola. Além do mais, não ficou claro quais serão os critérios de selecção das turmas a transitar para a outra escola, nem as medidas de segurança adicionais a adoptar, uma vez que pretendem juntar no mesmo espaço escolar crianças com idades muito distintas.
    Procurando por respostas para esta situação, um pai foi informado que a opção de mandar turmas de anos diferentes para outra escola, era uma imposição da DRELVT, baseados talvez, digo eu, na grande experiência pedagógica dos seus técnicos.
    Ou seja, para a DRELVT é preferível juntar duas turmas de 3º ano e duas de 4º ano, (alunos entre os oito e os dez anos) numa escola onde todos os outros alunos frequentam do 5º ano ao 9ºano, (alunos entre os 10 e os 16 anos), do que por exemplo enviar as quatro turmas do 4º ano para a escola EB 2+3. Esta opção é, quanto a mim no mínimo discutível, sobretudo quando o Ministério vem dizendo que, se deveria prolongar o ensino na mesma escola do 1º até ao 6º ano, de modo a evitar grandes alterações para as crianças.
    Neste caso a dita “escola inclusiva” para o ser para uns, é “exclusiva” para outros.

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  16. 30 Junho, 2008 18:16

    Excelente texto, Helena.

    “Este é o Estado que não só não consegue ter uma justiça credível como fez da negação do crime uma verdade oficial.”

    É a este estado do Estado que alguns autores dão nome de pós-democracia. A recusa da realidade, uma espécie de birra existêncial colectiva radicada num profundo individualismo hedonista. Se ainda não leu, aconselho “A democracia Totalitária” de Matthieu Baumier.

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  17. 30 Junho, 2008 18:22

    É isto. Só pela Helena Matos vale a pena passar no Blasfémias.

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  18. Tribunus permalink
    30 Junho, 2008 18:41

    Na realidade, ao ver o telejornal, as palhaçadas que Socrates e seus muchchos, dizem, dão para dar fortes gargalhadas, pelo ar sério, com que são pronuncidads tantas idiotices,
    Inaugurar, isto, aquilo, etc, para daqui a 5 anos, como se fosse para inaugurar no momento a seguir! Que raio o curso do engenheiro, talvez, não seja assim tão bom, por isso o homem devia ter cuidado com as asneiradas que diz, com aquele ar compenetrado, como se alguem o estivesse a levar a sério!
    EM tres anos e meio, chegou a esta desgraça……

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  19. MJP permalink
    1 Julho, 2008 00:56

    A escola portuguesa é profundamente injusta com quem mais precisava de atenção. A única razão para juntar alunos deficientes a alunos ditos normais, em turmas de 28 alunos, só pode ser uma abstracção ideológica de quem não conhece as crianças e jovens, e os respectivos pais. Os jovens criam conflitos com o único fito de se divertir e vamos po-los juntamente com quem facilmente é gozado sem conseguir defender-se? Por outro lado, quais são os pais que concordam que um professor passe certo tempo de cada aula a dar atenção a um só aluno? Temos a experiência de colégios que pretenderam ser inclusivos e a exclusão é o dia-a-dia: não brincam juntos, não trabalham juntos, apenas partilham um espaço comum para que uns tantos finjam que é verdade o que, de facto, não acontece. Quantos destes jovens, normais, mantém contacto com os colegas com deficiência depois do sair do colégio?
    Por outro lado, a escola é injusta com os alunos com dificuldades de aprendizagem, porque actua tardiamente porque só olha para o dito “sucesso” e este é entendido como o mínimo exigido. É a escola facilitista. Quando um aluno começa a manifestar dificuldades, que nem sempre são devidas a capacidades intelectuais, era necessário intervir e o que se constata é que enquanto esse jovem “for passando” não é um caso de insucesso, logo não precisa de ajuda. Soube dum caso duma menina de 13 anos com cancro, que vai passando com muitas lacunas porque precisa de faltar às aulas. Administrativamente, o problema está automaticamente resolvido porque as faltas são justificadas, e como é inteligente e bem acompanhada em casa, trabalha com persistência para conseguir passar. Esta aluna passa a ter direito a ZERO aulas de apoio, enquanto que, até agora, a escola dava grande relevo a dificuldades de concentração e trabalho derivadas dos tratamentos hormonais e quimio, para poder ter um acompanhamento, ainda que insuficiente.
    Uma escola só pode ser inclusiva se tratar os seus alunos tal como eles são, uns com mais dificuldades e outros com menos. A sociedade que imaginamos justa, tem pessoas diferentes, uns que necessitam de mais ajuda e outros que a podem dar. Tratar todos por igual, é uma grande injustiça.

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  20. Tribunus permalink
    1 Julho, 2008 16:30

    O pessoal das universidades do Irão, apara este jogo? a taxa de inflação no Irão è de 10%, a juventude do Irão è uma das maiores
    do médio oriente!
    Como vão os gajos, safar-se da internet, da velocidade de comunicação, da moda internacional, das gajas boas, que se veem na televisão internacional? a religião resiste, mas tem dificauldad de resister ao enunciado………..

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