Remakes
Um estado tem uma região autónoma, com língua e cultura diferentes. Um dia, quando esse estado passa por um processo de reorganização, a região autónoma reinvidica para si mais autonomia, ou mesmo a separação. Em resposta o estado suprime à força a autonomia até ali existente. A região autónoma, aproveitando a fragilidade do estado na primeira oportunidade declara a separação, suprimindo os laços político/administrativos que a ligavam ao estado. Este, por se encontrar num processo político que o fragiliza demora a responder. Mas na primeira oportunidade utiliza toda a força bruta disponível contra a região. Potências estrangeiras, com interesses na região e que vinham apoiando a antiga região autónoma, financeira e militarmente, resolvem intervir directamente sob a capa de «intervencionismo humanitário». Aproveitando o pretexto tentam conseguir 3 objectivos: a ocupação militar daquele território, o derrube do regime/governante do estado e o enfraquecimento político-militar daquele estado por forma a este ficar de si dependente. Para tal procedem a uma invasão no terreno, bem como a bombardeamentos de instalações militares, bloqueio aéreo e naval. Há quem chame a isso «horror imperial», o «regresso do imperialismo», «a política da canhoeira» e coisas assim.
Foi o que aconteceu na Sérvia/Kosovo. Agora repete-se a dose ipsis verbis na Georgia/Ossetia do sul. Gosto é de ver os que apoiaram a primeira mas rasgam as vestes de horror perante a segunda. Eu percebo. Na primeira até Portugal foi para lá ajudar a bombardear a coisa. É a política caseirinha, como no futebol.

-Não poderia estar mais de acordo, é uma questão de ter ou não moral para criticar. Já sabemos que da hipocrisia brotam argumentos capazes de justificar tudo e o seu contrário, conforme as conveniências.
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Tenho uma garrafa de Champagne reservada para o dia em que a Madeira e os Açores tornarem-se independentes. Não fazem cá falta nenhuma, só gastamos dinheiro com eles!
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Gabriel,
Parabéns pela coerência.
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Nem mais, nem menos, isso mesmo, Mr. Gabriel Silva.
E antevejo que dentro de décadas, a Rússia venha a reabsorver, pela força, algumas daquelas repúblicas.
Trata-se duma região muito complicada e…geo-estratégica, de primeiríssima importância.
A Rússia e os USA vão intervir e reinstalar-se por lá. Com ou sem conflitos bélicos. Específicas “ajudas humanitárias” dão para tanta coisa…
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O cozinheiro português que costuma ir para todas as operações internacionais também esteve a bombardear o Kosovo.Com pastéis de bacalhau, presumo?
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Claro, Gabriel, é preciso ser coerente para dizer o que diz.Mas ver o Busch e o Zé Manuel incomodados com a coisa é que é extraordinário.Quem tem a força,usa-a o resto é diplomacia sem dentes!
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Na mouche caro Gabriel.
A lavagem cerebral da CS já instalada é impressionante. É só Gori, Gori, Gori, Gori. Há pouco lá vimos imagens de Tskhinvali com a entrada lá do Evgueni Moravitch o russo correspondente da RTP e essas são bem claras, houve ali um arraso completo por parte das tropas do maluco da Geórgia, que continua a mentir com os dentes todos que tem.
Os russos também não são flores que se cheirem, mas perante o que encontraram, acho que até foram muito comedidos.
O essencial é o que diz o Gabriel. A falta de coerência perante duas situações em muito idênticas.
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Não Gabriel, não foi o que aconteceu no Kosovo. Só por má fé se pode igualar a limpeza étnica feita pelos servios no Kosovo ( ainda hoje são descobertas valas comuns com dezenas de cadáveres e foi por esse motivo que perderam toda a razão que tinham )…comparar esse comportamento com o que se passa na Georgia/Ossétia só pode ser má fé, desinformação ou propaganda ao melhor estilo do Kremelin…já me esquecia que a Russia não recebe lições de moral de ninguém ( Jose Socrates dixit na visita à Rússia ).Se isto é coerência !!!!!
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Não se pode defender a integridade dos dois territórios ao mesmo tempo – Sérvia e Geórgia? Parece-me que sim. Ou tomamos as dores dos ossetas do sul somente porque inventaram um país no interior da Sérvia.
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Coerência Gabrieliana : eu e o Putin fomos contra a independencia do Kosovo, pelas razões X…depois e porque ficámos ressabiados e porque sim senhor, é benfeito, apoiamos a invasão da Georgia pela Rússia……
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Há ainda uma grande diferença, o bombardeamento da Servia ocorreu em 1995 ?..e a independencia do Kososovo ocorreu em 2008, depois de um processo de diplomacia internacional. Nada tem de semelhante ao que a Rússia está a fazer agora….e pelo que se vê nestes comentários com tantos apoiantes !!!!
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João Carlos você se ler o que escreveu nem acredita.Pior foi no Kosovo?Ainda lá estão os restos humanos da limpeza? Então como é que agora é pior? A Rússia limitou-se a aproveitar a oportunidade que lhe deu um pró-Bush estúpido.Espera que o mais forte não use a força?
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Ó Luis, já vi que v. tem algumas dificuldades, por isso eu faço-lhe um desenho: o que eu disse foi que a Servia perdeu toda a razão com a limpeza étnica que efectuou ( servios assassinam kosovares etnia muçulmana = genocidio= valas comuns= milosevic, karadzic = TPI )e em conseqûencia disso a comunidade internacional apoiou a independencia do Kosovo muitos anos depois, num processo não violento que culminou em 2008 ; a Georgia não fez nenhuma limpeza étnica na Ossétia nem invadiu as fronteiras da Russia e como tal tem o apoio da comunidade internacional na manutenção do seu território.
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Visite e Rússia antes que ela o visite a si!
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Kosta De Alhabaite,
14,
Este seu comentário é também extraordinário !
Se eu vivesse numa das recentes repúblicas daquela zona, não me esqueceria do seu conselho.
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Nada como uma boa guerra para animar esta pasmaceira em que o mundo se tornou.
Viva la muerte! Abajo la inteligencia!
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Ó João Carlos, mas o Kosovo não era uma provincia da Sérvia?, os habitantes do Kosovo (kosovares) não eram sérvios? Parece-me que o que diz, se aplicado a Portugal, seria mais ou menos do género “portugueses assassinam minhotos”. Acho que quer é dizer que os sérvios assassinaram albaneses do Kosovo, mas também à época aquilo estava um caos (como o são todas as guerras) e o ocidente só intervém, não com peninha dos “kosovares”, mas sim porque naquela altura tanto a Alemanha como a França estavam com bastantes problemas de desemprego, assim arrasou-se uma região (lembra-se das imagens de Pristina depois dos bombardeamentos da Nato?) para a seguir ir-mos reconstruí-la e ficar-mos com a fama de bonzinhos, lol. Se fossem preocupações humanitárias o que move a ONU/NATO e quejandos… não teria havido o Ruanda, nem o Darfur, nem … até Timor teve de esperar por um quase genocídio total.
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Infelizmente para muitos que adoram as comparações simples e as situações de 1+1=2 [há muitas formas de lá chegar], o caso da Ossétia do Sul não é assim tão parecido com o do Kosovo.
No Kosovo, trata-se de uma província que desempenhou um papel fundamental na história da Sérvia e que, ao longo do século XX, viu crescer a sua população de origem albanesa juntamente com a saída da maioria dos sérvios; quando deram por isso nos últimos anos da Jugoslávia, o Kosovo tinha 90% de albaneses que, já no final dos anos 80, reivindicavam estatuto de república dentro da RSF Jugoslávia. O resto já sabemos…Milosevic deu asas ao populismo e ajudou a formar o mito da “grande Sérvia” à custa da Jugoslávia e as guerras da Croácia e da Bósnia contribuíram para a crescente diabolização da Sérvia a nível internacional. Portugal não bombardeou nada uma vez que não temos dinheiro para isso, Portugal enviou três F-16 que fizeram missões de patrulha no Adriático e os Sérvios mal deram por nós, de forma que ainda hoje, Portugal é dos países ocidentais com melhor imagem naquela região.
Já a Ossétia do Sul e Abecázia são ‘tocadas’ pela organização administrativa soviética, a mesma que inventou novos países e obrigou milhões de pessoas a mudarem de vida por motivos políticos. As consequências nunca poderiam ser positivas e depois da guerra civil que opós a Geórgia aos separatistas da Abecázia e da Ossétia do Sul, nunca se esteve próximo da reintegração dos dois territórios apesar de vários estudos terem demonstrado que existia vontade suficiente entre as populações dos dois lados – simplesmente, os líderes não estavam para aí virados e aqui o papel da Rússia é MUITO importante, se a Rússia tivesse o mínimo de interesse em que as duas repúblicas nunca se separassem da Geórgia, a reintegração já teria ocorrido, mas a Moscovo é muito mais útil manter o impasse.
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José Manuel Faria (9)
«Não se pode defender a integridade dos dois territórios ao mesmo tempo – Sérvia e Geórgia?»
Claro que sim, mas para manter a «integridade» só é possível com o uso a força, contra a vontade das populações. Portanto, contra a liberdade.
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João Carlos, (8)
«ainda hoje são descobertas valas comuns com dezenas de cadáveres e foi por esse motivo que perderam toda a razão que tinham »
está a confudir os territórios, isso passa-se na Bósnia e na Croacia.
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«ainda hoje são descobertas valas comuns com dezenas de cadáveres e foi por esse motivo que perderam toda a razão que tinham »
Geralmente contendo cadáveres sérvios, mortos pelas milícias pró-albanesas financiadas pela NATO.
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E, caro Gabriel, permita-me acrescentar que o modus operandi desta operação é precisamente o mesmo que na Sérvia. Nesse caso, a NATO usou grupos islâmicos wahabistas (al-Qaida…) para cometer ataques terroristas contra a Sérvia, assim provocando a resposta dos sérvios. Aqui arma, financia e treina as tropas georgianas, que não se limitam a atacar a população civil osseta como também soldados de manutenção da paz russos, assim provocando a crise actual. Para a qual a NATO, naturalmente, tem uma solução. Ocupação militar da região e a aprovação pouco polémica de um escudo de mísseis na Polónia, outro provavelmente na Ucrânia.
Isto enquanto os dois lados dizem que guerra nuclear preventiva é uma opção viável – e, nunca pensei vir a dizê-lo, mas os russos com mais legitimidade que os nossos amigos de cá.
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«ainda hoje são descobertas valas comuns com dezenas de cadáveres e foi por esse motivo que perderam toda a razão que tinham »
Carla del Ponte, a responsável por investigar os supostos crimes disse que se encontraram menos de 3000 mortos no Kosovo.
Por causa disso a NATO bombardeou a Sérvia (não o Kosovo) durante +70 dias e noites, de forma contínua e de grande altitude, destruindo estruturas civis como pontose causando cerca de 1500 baixas civis reconhecidas pela NATO.
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