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Crime e castigo *

16 Março, 2009
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Um pai que provoca a morte do filho por dele se ter esquecido no carro comete um crime horrendo mas não é um verdadeiro criminoso. Tudo dentro de si se revolta contra uma morte assim.
Qualquer pai, estou certo, trocaria a sua própria vida pela do bebé que desamparou. Hoje, o dilema maior é que os nossos filhos precisam que lhes dediquemos tempo que tenha tempo – justamente aquilo que o incessante redemoinho em que vivemos não consente.
Chico Buarque, no ‘Pedaço de mim’, cantou que “a saudade é o pior tormento, é pior do que o esquecimento (…) a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu“.
Aquele pai de Aveiro vai sofrer o castigo mais penoso que existe. Espero que a Justiça não tente agravar-lhe o suplício – porque seria inútil e apenas cruel.

* CM, 16.III.2009

45 comentários leave one →
  1. R0NIK's avatar
    R0NIK permalink
    16 Março, 2009 17:38

    Muito bem dito!

    Mas, da maneira que esta justiça se desgoverna naturalmente…

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  2. FMSá's avatar
    16 Março, 2009 17:42

    Já te disse e já o escrevi no meu blog, é a melhor crónica que li no CM desde que lá escreves. A melhor de sempre.
    Parabéns.

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  3. Desconhecida's avatar
    francisco permalink
    16 Março, 2009 17:44

    Mas o tempo de que fala não é o maravilhoso tempo neoliberal em que deixamos de ter vida para nos dedicar inteiramente ao nosso trabalho (para não dizer ao patrão), ser flexível, sempre disponível, não contar as horas, trabalhar, trabalhar, trabalhar, enfim o famoso “sangue, suor e lágrimas” do Zé Manel, Miranda, JCD and Co?

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  4. CAA's avatar
    16 Março, 2009 17:45

    FMSá,

    Obrigado.

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  5. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    16 Março, 2009 17:45

    boa.

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  6. CAA's avatar
    16 Março, 2009 17:46

    Fernando,

    Só falta, então, dizer que a culpa é do liberalismo e dos defensores da liberdade dos mercados…

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  7. CAA's avatar
    16 Março, 2009 17:47

    Fernando,

    Bom, realmente, num sistema em que os nossos filhos fossem exclusivamente educados pelo Estado (lá chegaremos!) só os motoristas dos transportes escolares se poderiam esquecer das crianças, o que seria mais difícil – não sei se era aí que queria chegar…

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  8. Desconhecida's avatar
    16 Março, 2009 17:57

    Os carros deveriam ter mecanismos para evitar isso.

    P.Ex.: um aviso sonoro indica actualmente o esquecimento dos faróis acessos.

    Partilho inteiramente o seu pensamento e estou solidário com este pai.

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  9. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    16 Março, 2009 18:01

    #7 “não sei se era aí que queria chegar…”
    não, este é mais para chegar tarde ao emprego e todas as desculpas servem.

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  10. Desconhecida's avatar
    Confrade permalink
    16 Março, 2009 18:04

    A ver vamos. Como é fácil para a nossa misera justiça punir os “pequenos”, este pai vai ter maior pena. .

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  11. Desconhecida's avatar
    francisco permalink
    16 Março, 2009 18:04

    quando escreve: “Hoje, o dilema maior é que os nossos filhos precisam que lhes dediquemos tempo que tenha tempo – justamente aquilo que o incessante redemoinho em que vivemos não consente” concordo inteiramente consigo e de facto a sociedade neoliberal que defendem aqui no vosso blog não consente que tenhamos tempo para o nossos filhos porque temos que ser todos ganhadores, ter muita ambição, ser constentemente perfomativos, flexíveis, não olhar a hora, estar ao serviço da empresa 24h por dia. Não tem nada a ver com defender mercados livres ou não. Tão só ter direitos no trabalho. Direitos que vocês gostam sempre de pôr em questão em nome do lucro, do mercado,da performance…
    Esqueci-me de dizer que gostei da sua crónica

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  12. PALAVROSSAVRVS REX's avatar
    16 Março, 2009 18:08

    Inteiramente de acordo. O cerne é que tudo parece convergir para, pelo esvaziamento familiar do tempo, estupidificar vidas desgastando-as de exigência até à negligência de si mesmas e dos seus, causando vítimas. Esse arrolar dos supostos responsáveis ao libelo acusatório, quando todo o sistema se desumaniza e enferma. Não consigo julgar o pai, mas tenho visto muitos e bravos juízes. A chantagem permanente pelo lugar, o emprego, a posição constrói absurdos todos os dias.

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  13. CAA's avatar
    16 Março, 2009 18:09

    Francisco.

    Está a confundir os planos. Claro que há vantagens competitivas em sermos “ganhadores, ter muita ambição, ser constentemente perfomativos, flexíveis, não olhar a hora, estar ao serviço da empresa 24h por dia.”

    Mas a vida é feita de conciliações entre o ser e o dever-ser, o pretendido e o realizável. Devemos dar o melhor de nós mesmos na profissão mas sem esquecer as outras dimensões que nos fazem gente.

    É difícil, eu sei – mas conheço quem o consiga bem melhor do que eu.

    Levar a ideia do mérito profissional para os domínios do liberalismo até me agrada só que este não implica o demérito enquanto pai.

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  14. fernando alves's avatar
    fernando alves permalink
    16 Março, 2009 18:10

    A propósito e como comparação com este caso, conto um que se passou ontem mesmo em Espanha:

    Um homem deixou conscientemente a sua filha de 4 anos a dormir no banco traseiro do carro enquanto ele foi a um bar de alterne. A menina acordou e saiu do carro às 5h da manhã. Andou a deambular pelas ruas da cidade até que um imgrante senegales, ilegal e chegado a Espanha há 2 semanas, pegou nela, não hesitou mesmo sabendo que estava ilegal, e levou-a à polícia.

    Este caso sim, é uma aberração, mesmo não tendo originado a morte da criança. O caso do pai de Aveiro é uma tragédia para o filho e para o próprio pai.

    PS: é de louvar o acto do imigrante senegales, claro.

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  15. Europálido's avatar
    Europálido permalink
    16 Março, 2009 18:13

    É bom trabalhar por objectivos…

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  16. Europálido's avatar
    Europálido permalink
    16 Março, 2009 18:15

    Além do mais, Chico Buarque é um cantor de esquerda…

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  17. CAA's avatar
    16 Março, 2009 18:18

    «Além do mais, Chico Buarque é um cantor de esquerda…»

    A sério? ‘Prontos’ nunca mais ouço o gajo…

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  18. JCP's avatar
    JCP permalink
    16 Março, 2009 18:27

    CAA – “Levar a ideia do mérito profissional para os domínios do liberalismo até me agrada só que este não implica o demérito enquanto pai.”

    Pois não, directamente! Mas implica ausência, o que indirectamente nos conduz a resultado semelhante!

    Parabéns pela posta! Esperemos que a justiça seja sensível a este caso!

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  19. Elsa Castafiore's avatar
    16 Março, 2009 18:29

    O Chico é muito bom compositor. Consegue verdadeiros prodígios a moldar a música às palavras, ou vice-versa.
    Só é pena ser comuna, mas ninguém é perfeito, claro.

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  20. roídodefundo's avatar
    roídodefundo permalink
    16 Março, 2009 18:30

    Inteiramente de acordo.

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  21. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    16 Março, 2009 18:31

    #11 e 12 vocês não estão bons do miolo, teorizam sobre sociedades neoliberais, competição, serviço 24h por dia, estupidificar vidas, e outras quantas. mas aonde é que vivem? num filme? isto foi um descuido fatal, passado numa aldeia chamada aveiro. tudo o resto é desculpabilização pela culpabilização, ou seja complicação.

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  22. Desconhecida's avatar
    16 Março, 2009 18:31

    CAA,

    Percebo-o, mas não conheço o tal pai. É que nos dias de hoje, impera o egoísmo, o cinismo, a hipocrisia. Será que o “Pai de Aveiro” foi vítima, ou foi negligente?

    Não julgo, pois não conheço a situação.

    Mas, a propósito do que escreve, a “falta de tempo”, fiquei atónito com a vonta dos “papás” da CONFAP (mais uma sigla), que querem que as Escolas fiquem com os filhos 12 horas por dia! Assim, para que querem os “papás da Confap” ter filhos? Para dormirem ao pé deles? Ou só para dizerem à família, que têm filhos?

    Esta gentinha da CONFAP é muito jeitosa! A Ministra adorou a idéia! Qualquer dia, propõem que as Escolas Públicas tenham dormitórios, tipo Mao Tse Tung!

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  23. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    16 Março, 2009 18:42

    #22 “mas não conheço o tal pai.”
    ainda bem. acho que o gajo deve ter problemas a mais.

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  24. olhão's avatar
    olhão permalink
    16 Março, 2009 19:15

    #13 “Mas a vida é feita de conciliações entre o ser e o dever-ser, o pretendido e o realizável. Devemos dar o melhor de nós mesmos na profissão mas sem esquecer as outras dimensões que nos fazem gente.#
    Será que o CAA não se enganou,i.e., em vez de “ser”, quereria dizer “ter”.

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  25. bulimundo's avatar
    16 Março, 2009 19:20

    Isto é a relidade..e depois não me venham dizer que não é a sociedade que nós construimos que não é culpada ..directa ou indirectamente…esta geração é a geração whork and alcool…hedonismo puro..já no japão os japoneses preferem mter robots ou animais de estimação…estão a ter um problema com a natalidade monstruoso..e para mal dos seus pecados são o povo que mais anos vive…dilema…

    Cada vez lamento mais a falta de tempo que tenho para estar com a minha filha.

    A maior parte das vezes saio do trabalho tão cansada e com tantas preocupações que ela está a falar comigo e eu não lhe estou a ligar nenhuma.

    Saio sempre com a preocupação de ter de ir comprar qualquer coisa que falta em casa ou ter de ir a correr fazer o jantar, pôr roupa a lavar, dar de comer aos animais que existem em casa, etc.

    A maior parte das vezes já vem com o trabalho de casa feito da escola (Graças a Deus!) e eu para compensar a falta de tempo que tenho para ela, deixo-a ir ver os “Morangos com açúcar” ou um filme ou então ir para o jardim brincar com o cão.

    Depois é a corrida atrás dela para tomar banho (está a entrar na fase de se puder escapar ao banho, melhor!), jantar, mandá-la para a cama com a televisão programada para 30 minutos e passou-se o dia.

    Já para não falar do meu marido que só a vê à hora do jantar que é a hora a que normalmente chega a casa.

    Fico cheia de remorsos mas tento compensá-la aos fins-de-semana com os passeios em família. Mas mesmo assim acho que não chega.

    Deveríamos chegar a casa e ter tudo pronto para podermos dar atenção aos nossos filhos. Infelizmente isso só acontece para aí com 20% da população (não fui consultar estatísticas por isso o nº poderá estar bastante distante da realidade, quer por excesso quer por defeito).

    Gostava de ser a mãe perfeita, como julgo que todas as mães gostariam de ser e poder estar sempre presente com um sorriso e a disponibilidade total para ela. Mas não sou, e tenho de tentar coordenar o tempo de modo a poder dar-lhe mais atenção e carinho.

    E ela tem dias de carência como foi o caso de hoje em que houve reunião de pais na escola (onde eles apresentam o trabalho realizado até hoje) e infelizmente o pai devido a uma reunião não pôde estar presente.

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  26. Desconhecida's avatar
    chato permalink
    16 Março, 2009 19:23

    Concordo com o post.

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  27. bulimundo's avatar
    16 Março, 2009 19:24

    Excerto de um diário anónimo…de uma mãe anónima…mas com uma angústia partilhada por milhares não anónimas…durmam bem…se puderem neoliberais…para vocês só o dinheiro e o trabalho conta o resto são tretas…se o hoemem engravidasse era logo despedido..se o macaco pudesse ser modificado geneticamente e posto a trabalhar tarefas básicas vocês contratavaM-NOS…

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  28. Piscoiso's avatar
    16 Março, 2009 20:02

    De palmas!

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  29. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    16 Março, 2009 20:05

    #26 o tempo gasto a escrever este lençol foi roubado à criança.

    “A maior parte das vezes saio do trabalho tão cansada e com tantas preocupações que ela está a falar comigo e eu não lhe estou a ligar nenhuma.” ganda mãe! ganda pai.

    “eu para compensar a falta de tempo que tenho para ela,… ir para o jardim brincar com o cão.”
    ganda cão.

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  30. JsJ's avatar
    JsJ permalink
    16 Março, 2009 20:57

    Parabéns ao autor. Concordo em absoluto. Mas deixemos para a justiça o que lhe pertence.

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  31. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    16 Março, 2009 21:18

    CAA

    Pode tentar negar, mas a corrida das leis de mercado tem tudo a ver com o stress, com o esquecimento, com a perca de prioridades.

    O equilíbrio de que fala nos seus comentário é bonito, mas não é compatível com um liberalismo aplicado aos pobres, que tenham de apresentar resultados, que tenham de ser melhores que os colegas para não perder o emprego etc.

    Mais uma vez, as suas palavras são bonitas… mas compatiblizar isso com o liberalismo…

    Responda-me com toda a sinceridade: trabalhar por objectivos, com receio de ficar para trás em relação aos outros, não prejudica a disponibilidade para ser pai?

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  32. Desconhecida's avatar
    ordralfabetix permalink
    16 Março, 2009 21:23

    “Os carros deveriam ter mecanismos para evitar isso.”

    Se o bebé se mexesse e o alarme estivesse ligado o carro teria apitado.

    “Será que o “Pai de Aveiro” foi vítima, ou foi negligente?”

    Foi vítima e negligente. Foi vítima porque a dor que deve estar a sentir nunca irá passar. Foi negligente porque por mais preocupações que tivesse nunca se poderia ter esquecido do filho. Digo eu que sou despistado e tenho filhos.

    Já me esqueci da carteira, do telemóvel, do computador portátil. Dum filho, nunca.

    Mas como muito bem escreveu o CAA a maior condenação que este pobre pai vai ter será a sua dor. Injusta, se calhar, já que pelos relatos que conheço era um pai cuidadoso que teve um mau momento.

    É assim a vida. Pequenos momentos, ir pela esquerda e não pela direita, que acabam sendo decisivos no nosso destino.

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  33. bulimundo's avatar
    16 Março, 2009 22:18

    Pois …ainda hoje mais duas crianças dixadas alguns minutos ..talvez longos demais ..em Enre os rios foram ribanceira abaixo…cá para mim os pais portugueses andam a ver é se livram dos filhos…isto para não falar do sobrinho do Simão Sabrosa que morreu ontem -e não foram mais 3 por milagre- em matosinhos no mar…onde andam os pais…?

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  34. Desconhecida's avatar
    António permalink
    16 Março, 2009 22:47

    decisões, decisões, decisões…alternativas, alternativas, alternativas…bem o Pai de Aveiro, trocou as prioridades, e a decisão que tomou irá ter que viver com ela toda a vida. A televisão no quarto, o pc, o msn, todos os hedonismos que queiramos para aqui chamar, são fruto das nossas opções. O certo e o errado, mais opções é um nunca mais acabar de opções, e agora?? acidentes sempre houve, mas estamos num momento em que a negligência está alcançar as raias da loucura… temos que parar um bocadinho e pensar, sim pensar, ler um livro, tal como o fizeram durante 45mt numa escola Portuguesa a semana passada e afinal o tempo esse malfadado apareceu e esta a começar a tornar-se rotina. basta querermos, a questão é se realmente queremos ter preocupações ou deixa-las para os outros…

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  35. MJP's avatar
    MJP permalink
    16 Março, 2009 23:34

    Acrescentar, talvez, um pontito à sua listagem de objectivos a atingir. Claro, que muito abaixo do que é devido ao sagrado emprego.
    Exactamente o que este pobre pai fez: a reunião de serviço provocou um esquecimento.
    Repensem essa loucura de vida! É impossível fazer bem, no meio de tanto que é pedido. Tudo o que é humano fica para segundo lugar, e o burro vai aguentando com mais uma cargazita… Até os escravos tinham mais tempo para ser gente.

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  36. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    17 Março, 2009 00:22

    Caro CAA, o seu poste é digno e respeita o drama daquele pai e daquela família.Andamos todos em “piloto automático”.Quantas vezes chego à empresa e nem sequer me apercebi que passei por tantos lugares que já não vejo…

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  37. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    17 Março, 2009 07:19

    Aqui se encontra Portugal no seu melhor(ou pior. ainda não compreendi).
    A tentativa de compreender um crime que alguém cometeu e a sua desculpabilização.
    A permanente incongruência existencial do ser Português. “Quer ser mas não é”. “Quer ir mas não vai”.Etc…
    Se enveredamos por uma sociedade com a organização que temos ou com os anseios que temos, etc,etc,etc… Este individuo tem que ser punido em conformidade com a lei. Isto não é meio crime.
    Mas Portugal é assim: A mesma mão que castiga afaga.
    Ou, poderemos construir uma outra sociedade onde tudo isto seja possível. Onde este tipo de sociedade que permite esquecer crianças (coisa sem importância)dentro de um carro não seja levado a sério.
    Ou…onde este tipo de coisa não exista.
    Por favor!

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  38. Desconhecida's avatar
    fernando permalink
    17 Março, 2009 09:41

    Muiot bem, CAA, muito bem, aplaudo de pé!

    Porra, é óbvio que não é um esquecimento como os outros, mas de facto esse Pai já está a pagar o erro e de que maneira!

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  39. USA...e abusa's avatar
    USA...e abusa permalink
    17 Março, 2009 12:20

    Mais uma vez em grande CAA, é evidente a negligência do pai…que deve estar a morrer aos bocadinhos por dentro pelo que fez, maior castigo não vai ter, aconteça o que acontecer.

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  40. miguel's avatar
    17 Março, 2009 12:36

    Fiquei sinceramente tocado com esta opinião, pela maneira como aborda um assunto tao delicado e gostaria da sua permissão para a transcrever – fazendo referência a este blogue – no meu espaço. Já agora, não conhecia o Blasfémias e virei fã. Um abraço e continuação de um excelente trabalho.

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  41. abrilistaanonimo's avatar
    17 Março, 2009 21:59

    Pela 1ª vez, transcrevi um post de um outro blog. Foi este.

    Soberbo.

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  42. RA's avatar
    18 Março, 2009 01:39

    Nem sempre concordo consigo, mas este post revela uma sensibilidade e equilibrio em que me revejo por completo. Obrigado por traduzir por palavras o que sentimos.

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  43. tancredo's avatar
    tancredo permalink
    18 Março, 2009 22:47

    Um filho nunca pode ser comparável a uma mercadoria.Um filho vale muito mais que tudo isso.Qualquer pretexto é irracional.Um filho vale muito mais que 25 anos de cadeia e uma vida de penitência.Já vi caro CAA, que não consegue alcançar o efeito da coisa,então deixe-me dizer-lhe:que pena os seus pais não se terem esquecido de si no interior de qualquer carro.

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  44. Luis Marques's avatar
    Luis Marques permalink
    19 Março, 2009 10:06

    http://www.oje.pt/noticias/nacional/pai-e-fundamental-para-desenvolvimento-socio-emocional-da-crianca-diz-estudo-do-ispa

    18/03/09, 12:37
    OJE/Lusa

    Estudos recentes, elaborados por investigadores do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), concluem que a presença do pai na vida da criança tem um papel fundamental para o seu desenvolvimento sócio-emocional a vários níveis.
    Na sua tese de mestrado intitulada “Pai, conta-me uma história – A importância do Pai no Desenvolvimento da Auto-estima na Criança”, apresentada em Março, a psicóloga Inês Rito concluiu que “as crianças que têm um pai presente, com o qual coabitam na mesma casa, têm um nível de auto-estima superior àquelas que têm um pai ausente, com o qual não vivem”.

    Para este estudo, a investigadora inquiriu 81 crianças, com idades entre os oito e os doze anos, das quais 51 têm um pai presente e 30 têm um pai ausente.

    Para medir o desenvolvimento da sua auto-estima, utilizou o método de Susan Harter, um instrumento científico utilizado para este fim nas crianças, através de perguntas que têm uma escala de auto-avaliação.

    O método diz respeito a vários domínios, nomeadamente a competência escolar, que mede o quão competente a criança se sente, a aceitação escolar, que mede o quão popular ou socialmente aceite a criança se auto-avalia, entre outros aspectos.

    “Depois de analisar todas as respostas nos dois grupos de crianças, concluí que as crianças com pai presente têm os seus níveis de auto-estima bastante superiores àquelas que não vivem com o pai”, revelou Inês Rito.

    A psicóloga defende que “o pai é um pilar muito importante no desenvolvimento de qualquer criança”, mas assume que “nem sempre os pais presentes são uma mais-valia”, referindo-se àqueles que, embora presentes, não convivem directamente com os filhos.

    Um outro estudo feito na Unidade de Psicologia Cognitiva do Desenvolvimento e da Educação do ISPA e também divulgado neste mês de Março, concluiu, de forma semelhante, que “quanto maior é a participação e o envolvimento do pai no crescimento e educação da criança melhor é a qualidade da relação que se estabelece entre ambos”.

    Segundo a psicóloga Manuela Veríssimo, uma das responsáveis pela investigação e docente do ISPA, “a figura do pai tem uma grande importância na vinculação com o progenitor e a sua imagem na família, enquanto um ser um pouco esquecido, começa a ser encarada de outra forma”.

    A amostra deste estudo consistiu em entrevistas a 44 díades mãe/criança e pai/criança, tendo as crianças, em média, 31,91 meses, sendo 23 do sexo feminino e 21 do sexo masculino, com mães e pais a trabalhar a tempo inteiro.

    Foram feitas análises à participação do pai nas actividades e à qualidade da vinculação pai/filho, que permitiram chegar a estas conclusões.

    “Apesar de, hoje em dia, ser quase sempre a mãe a realizar as tarefas domésticas, a ir às reuniões da escola ou a ficar em casa quando os filhos estão doentes, o pai participa de forma igualitária nas actividades lúdicas da criança”, pode ler-se na investigação.

    Ainda na área das actividades lúdicas, estes investigadores concluíram que “quanto mais elevadas as habilitações literárias do pai maior a sua participação nas actividades de brincadeira/lazer”.

    O Dia do Pai assinala-se quinta-feira, dia 19 de Março.

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  45. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    24 Março, 2009 00:07

    não sei bem o que pense, e sei que nada justifica o esquecimento de um filho porque felizmente tenho dois e não descorro deles. e lamento muito a perda desta mãe, mmas tambem deste pai que nunca mais vai ter paz e sossego.
    talvez devamos pensar que deus escreve direito por linhas tortas e que a criança esteja num sitio bonito e sem sofrer e que olhe por quem aqui ficou a sofrer por ela………..

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