aposto que ninguém terá pachorra para ler o artigo….ainda mais começando por filosofar que um liberal no pensamento e nas ideias tem de ser conservador na política….
entra-se numa dissertação logo com uma petição de princípio?….
Bastante interessante o artigo. Mas como enquadra, pex, os políticos conservadores portugueses no seu racional? Onde coloca, pex, Portas e Ferreira Leite?
“The Liberal Democrats have received three green lights by offering the strongest set of policies on climate change, green taxation and green living.” – How green are our parties, report by the Green Alliance 2007
All our policies have a green thread running through them. We believe achieving sustainability cannot be done by one government department alone. Damage to our environment damages personal health, impoverishes economies and weakens communities.
The Liberal Democrats are the only party with the vision, commitment and political drive to deliver positive change which will in turn safe guard the future of the environment and our rural affairs.
Economy
People today are struggling with spiralling debts, rising food and energy bills and unaffordable mortgages. A decade of complacency by Gordon Brown has meant that with plummeting house prices, falling growth, rising inflation and rising unemployment, the outlook for the UK economy has not looked so bleak since the Tory recession of the 1990s.
We want to offer real help to the millions of families trying to make ends meet, so we will get wasteful government spending under control and give the economy a boost by cutting taxes for people from the bottom up. We will also crack down on big business and the super rich who exploit tax loopholes and do not pay their fair share. We will strengthen the economy by requiring the Bank of England to take house prices into account when setting interest rates and we will effectively regulate the banking system to prevent irresponsible lending and business practices.
Health
The NHS represents values which unite us as a nation – a comprehensive health service, which treats all people equally, and is free when we need it.
We’ve all experienced moments in hospitals that change the course of our lives. Liberal Democrats know how important the NHS is and that’s why we will ensure that the NHS provides high quality care and the best possible service long into the future.
A lot of money has been invested in health in recent years but too much of that has been wasted on bureaucracy rather than investing in frontline services. Doctors and nurses are forced to spend too much time trying to meet government targets rather than caring for patients. And government ministers make decisions about closing local services from the comfort of their offices rather than facing the people it affects.
Liberal Democrats believe that patients must come first and that services would improve if local people had a say in how the NHS is run.
We believe in fairness with entitlements to healthcare guaranteed. We believe access to personal care should be based on need not the ability to pay. And we believe that patients should always come first.
We will scrap central targets and guarantee that you get your treatment on time. We will give people the power to stop hospital closures in their area through elected local health boards. And we will put doctors and nurses back in charge of their hospitals and wards.
Liberal Democrats want a people-centred NHS, fit for the 21st century.
Education
Too many children are still leaving school without the knowledge and skills to be successful. Finding a good school is a struggle, lessons don’t always stretch the brightest or support those who need more help, and classes are often too big for teachers to control.
Every child is different, so schools need to be free to teach children in different ways and get the very best from them. Liberal Democrats want every child to get an excellent education because it is the best way to get on in life, get a good job, and learn about the world.
We will cut class sizes, set teachers free to spend more time in the classroom and raise standards in every school with more money for things like one to one tuition and classes in the evenings.
For those youngsters leaving school, university is getting more and more expensive. To get a degree, young people are saddled with thousands of pounds of debt when it is tough enough to get a job, get on the housing ladder and make ends meet.
Liberal Democrats are the only party which believes university education should be free and everyone who has the ability should be able to go to university and not be put off by the cost.
Excelente artigo de que recomendo a leitura integral.
Retive a seguinte passagem que aborda matéria de discussão recorrente aqui no Blasfémias: «Um terceiro e último equívoco que tem separado conservadores e liberais, este da inteira responsabilidade dos primeiros, reside na convicção de que o liberalismo é filho da Revolução Francesa e, por isso, que é revolucionário, jacobino e anticlerical. Este grave equívoco, muito provocado pela influência do pensamento revolucionário francês no equivocamente designado “liberalismo” político europeu continental de oitocentos, foi responsável pelo afastamento de muitos conservadores europeus do liberalismo, que preferiram assim aproximar-se de forças políticas conservadoras, como a democracia-cristã, mais próximas de ideais socializantes e intervencionistas do que propriamente da idéia da liberdade e da responsabilidade individual»
Precisamente.
“Reagan, Thatcher e Aznar podem classificar-se como conservadores (na acepção de Oakeshot, por exemplo)?”
Acredito que são o expoente máximo a que pode chegar o pensamento liberal no governo de um país. Mas vejo-os essencialmente como líderes conservadores muito influenciados pelo pensamento liberal, o que, a meu ver, não encerra qualquer contradição. Eu não acredito em governos e governantes liberais, o que acho uma contradição insanável em si mesmo, pelo que penso que o (algum) conservadorismo pode ser a expressão máxima a que pode chegar o liberalismo político no governo.
” Mas como enquadra, pex, os políticos conservadores portugueses no seu racional? Onde coloca, pex, Portas e Ferreira Leite?”
Na tradição da direita portuguesa, os exemplos que refere não se afastam da linha habitual do estatismo socializante. Essa tradição tende a ver a política a partir do estado para o cidadão e a sociedade, como se no primeiro residisse o enigma da salvação da pátria. É uma clara influência do “liberalismo” francês de que a nossa direita se julga distante, mas de que está muito mais próxima. Veja, por exemplo, as semelhanças dos nossos principais líderes da direita do século XX – Salazar, Marcelo Caetano e Cavaco, com De Gaulle: o culto da personalidade (austera e agreste) do chefe, uma profunda aversão aos EUA (menos relevante em Cavaco, mas muito marcada em Salazar), o autoritarismo, o endeusamento do estado, etc.
O tal anti-amricanismo de Salazar não era *organico/ideológico*
mas conjuntoral : na sua streita concepção de independência
evitou sempre a contaminação dos ideais democráticos ( a escolha
pelo povo) e a influência económica
externa dos EUA cada vez mais sufocante. Por isso nem o Plano Marshal
de ajuda à Europa permitiu para Portugal, em 1945-194 (?).
Tenho para mim que não foi tanto a tal independância como a perpetuação
no Poder, bloquando qualquer influência estrangeira, que esteve em causa.
QUANDO UM DIRIGENTE se sente impriscindível e detém o Poder
faz tudo para mante-lo : por isso o chamaram de MAQUIAVÉLICO . . .
Devo explicar-me melhor. Em duas coisas Salazar era afim dos EUA:
promeiro o anti-comunismo radical, segundo uma certa coloração
cristã nos seus Presidentes : aidna hoje o Obama disse que rezava para
que os mineiros Chilenos se salvassem . . . E não esquecer um não
declarado mas evidente superioridade a raça branca sôbre os negros
sociologicamente mais abaixo. Lembram-se (os mais velhos) que nos
filmes de Hollywood dos anos 40-50 os pretos eram criados, cozinheiros,
quiça motoristas particulares?
The liberal conception of freedom was therefore necessarily one of freedom under a law which limited the freedom of each so as to secure the same freedom for all. It meant not what was sometimes described as the ‘natural freedom’ of an isolated individual, but the freedom possible in society and restricted by such rules as were necessary to protect the freedom of others. Liberalism in this respect is to be sharply distinguished from anarchism. (F. A. Hayek)
A questão pertinente é: onde enquadra Francisco Sá Carneiro?
Sem dúvida que adjudicava a responsabilidade e liberdade individual, mas também tinha um forte sentido de Estado, que desempenharia uma função fulcral para a igualdade de todos os indivíduos em sociedade. Consideraria esta ideologia (que creio que será semelhante ao SPD, visto ter a sua genése nos ideais deste partido) um híbrido?
António,
Francisco Sá Carneiro morreu em 1980, há 30 anos, portanto. Nessa altura, muito poucos se atreviam a criticar o Estado Social, entre eles Hayek e Mises, mas existia uma espécie de consenso universal sobre essa fórmula na generalidade dos países europeu, com excepção da Inglaterra, onde Thatcher acabara de chegar ao poder. O posicionamento de Sá Carneiro nessa linha social-democrata era, por isso, compreensível na altura, reforçado com o facto de SC ter, por um lado, de se demarcar em relação ao regime deposto de que fora opositor, e, por outro, de se debater com o Partido Socialista. O facto é que, apesar de tudo, a ideia que dele fica é a de um liberal e não de um socialista, sobretudo se tivermos em consideração a sua actuação no governo, onde entregou terras que tinham sido esbulhadas aos seus proprietários, fez a apologia da iniciativa privada e tentou retirar o socialismo da Constituição. Para além do mais, fez uma coligação eleitoral e governativa à sua direita, tendo assumido a sua chefia. Nessa altura, Sá Carneiro assumiu-se como o líder da direita liberal e conservadora, contra a esquerda socialista do PS. É nessa conta que o devemos ter e manter, não obstante a sua morte prematura e a impossibilidade de um juízo mais profundo da História.
Só mais uma nota: apesar de ter tentado, por razões tácticas, filiar o PSD na Internacional Socialista, o PSD de Sá Carseiro não estava, a meu ver, próximo do SPD, nem da família social-democrata europeia. Mário Soares era, de facto, o líder dessa família europeia em Portugal, como a IS reconheceria ao reprovar o pedido de adesão do PSD.
“E?”
E “The general growth of wealth and the new aspirations whose satisfaction were made possible by it have since led to an enormous growth of those service activities, and have made necessary a much more clear cut attitude towards them than classical liberalism ever took. There can be no doubt that there are many such services, known to the economists as ‘public goods’, which are highly desirable but cannot be provided by the market mechanism, because if they are provided they will benefit everybody and cannot be confined to those who are willing to pay for them.”
Isto cabe no seu estado mínimo?
–
“Sá Carneiro assumiu-se como o líder da direita liberal e conservadora, contra a esquerda socialista do PS.”
O que não faz de Sá Carneiro liberal e conservador. Também se aliou aos reformadores e à esquerda liberal. Também beneficiou da flutuação de votos entre o PS e o PSD que tem ocorrido em todas as eleições.
Deixo de parte o folclore da época de 74-75, quando Sá Carneiro, defendendo a medicina socializada, chegou a dizer que só era possível num estado socialista. Sá Carneiro defendia um (prefiro “um” a “o”) estado social por outros motivos, como explicou num discurso feito na Assembleia Nacional:
“A concepção liberal do Estado, mantinha-o distinto e, tanto quanto possível, afastado da sociedade, concebida como conjunto de indivíduos, àquele competindo assegurar os meios de livre desenvolvimento destes, feito por eles próprios, sem recurso ao aparelho governamental.
Para preservar essa separação, ao dispor da sociedade-indivíduos, foram
colocados os meios próprios de contenção dos poderes do Estado, mero garante
da harmonização da liberdade de cada um com a liberdade de todos.
Mas, a partir do desenvolvimento da ideia de igualdade, depressa se reconhece
que o Estado se não pode desinteressar dos problemas da vida dos indivíduos em
sociedade.
Assim o impôs o valor essencial da liberdade, que sem a igualdade se torna
aristocrático privilégio de uns quantos: a separação entre o Estado e sociedade
conduzia ao esquecimento da maior parte dos homens entregues a si mesmo
dentro de uma sociedade em que a liberdade a todos era garantida, mas só servia
a uma minoria que tinha os meios económicos – e sociais – indispensáveis ao seu
uso.” [A seguir, Sá Carneiro reflete sobre o que acontece quando o estado não sabe onde deve parar e se torna totalitário; e também reflete sobre o domínio do económico e da técnica sobre o político e a obsessão da eficiência. Acima de tudo, Sá Carneiro era um homem culto, sensato e equilibrado, mais influenciado pelo humanismo cristão e o personalismo do que pelo liberalismo clássico. A igualdade e a liberdade eram vistas sob essa perspectiva.]
Precisamente Arnaldo,
É essa a ideia que tenho de Francisco Sá Carneiro. Ao ler alguns dos seus discursos, Sá Carneio transmite a ideia da liberdade e responsabilidade de cada indivíduo, mas também afirma que a presença do Estado é inegável para garantir a equitatividade da sociedade, garantindo assim que cada um pode ascender na hierarquia, mediante o seu profissionalismo e mérito, e que nunca será excluído por razões económicos ou sociais, mas meramente por falta de iniciativa pessoal. Que assume a forma de árbito (embora com um peso mais significativo), que creio que seja aquilo a que Rui Albuquerque se refere.
Alías, ao ler o discurso que apresentou no Parlemento quando se tornou Primeiro-Ministro, é claro que algumas das ideias que Sá Carneiro defendia, seriam implementadas mais tarde por Cavaco Silva, enquanto Primeiro-Ministro.
O problema do “liberalismo” (na sua vertente moderada) é que confunde questão filosófica que é relativamente consensual no mundo moderno com a questão macro-económica do “neo-liberalismo” que é um conjunto de suposições ou crenças que não correspondem à realidade do sistema capitalista/monetário (fiat money) actual e como ele tem funcionado nos ultimos 70 anos.
Arnaldo,
Não se esqueça também de referir o crescimento económico durante a era de Reagen, e a diminuição da taxa de desemprego durante os 8 anos em que lá esteve. Para além disso, segundo compreendo, as políticas económicas e fiscais que se procederam aos mandatos de Reagen (e que eventualmente levaram ao chamado “surplus”, creio), só foram possíveis devido as medidas que este implementou enquanto Presidente.
De resto, também referir que o excesso de dívida e défice exitiram porque Reagen necessitou de investir mais dinheiro nas forças militares para garantir que venceria a Guerra Fria, facto que viria a ser comprovado, e que provavelmente nunca teria acontecido se Carter se mantivesse como Presidente. Nessa altura, consumia cerca de 6% do PIB, algo semelhante ao PIB investido durante a Guerra do Vietname.
Eu não esqueço nada. Tenho simpatia pelo Ronald Reagan. Mas não venham dizer que foi um grande sucesso económico “liberal”, porque não foi. Os números são esses e são muito diferentes do que “parecia” e do que os “liberais” de cá preconizam.
aposto que ninguém terá pachorra para ler o artigo….ainda mais começando por filosofar que um liberal no pensamento e nas ideias tem de ser conservador na política….
entra-se numa dissertação logo com uma petição de princípio?….
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Reagan, Thatcher e Aznar podem classificar-se como conservadores (na acepção de Oakeshot, por exemplo)?
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Bastante interessante o artigo. Mas como enquadra, pex, os políticos conservadores portugueses no seu racional? Onde coloca, pex, Portas e Ferreira Leite?
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A monarquia, pois…
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Leiam o programa dos libdem.
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Environment
“The Liberal Democrats have received three green lights by offering the strongest set of policies on climate change, green taxation and green living.” – How green are our parties, report by the Green Alliance 2007
All our policies have a green thread running through them. We believe achieving sustainability cannot be done by one government department alone. Damage to our environment damages personal health, impoverishes economies and weakens communities.
The Liberal Democrats are the only party with the vision, commitment and political drive to deliver positive change which will in turn safe guard the future of the environment and our rural affairs.
Economy
People today are struggling with spiralling debts, rising food and energy bills and unaffordable mortgages. A decade of complacency by Gordon Brown has meant that with plummeting house prices, falling growth, rising inflation and rising unemployment, the outlook for the UK economy has not looked so bleak since the Tory recession of the 1990s.
We want to offer real help to the millions of families trying to make ends meet, so we will get wasteful government spending under control and give the economy a boost by cutting taxes for people from the bottom up. We will also crack down on big business and the super rich who exploit tax loopholes and do not pay their fair share. We will strengthen the economy by requiring the Bank of England to take house prices into account when setting interest rates and we will effectively regulate the banking system to prevent irresponsible lending and business practices.
Health
The NHS represents values which unite us as a nation – a comprehensive health service, which treats all people equally, and is free when we need it.
We’ve all experienced moments in hospitals that change the course of our lives. Liberal Democrats know how important the NHS is and that’s why we will ensure that the NHS provides high quality care and the best possible service long into the future.
A lot of money has been invested in health in recent years but too much of that has been wasted on bureaucracy rather than investing in frontline services. Doctors and nurses are forced to spend too much time trying to meet government targets rather than caring for patients. And government ministers make decisions about closing local services from the comfort of their offices rather than facing the people it affects.
Liberal Democrats believe that patients must come first and that services would improve if local people had a say in how the NHS is run.
We believe in fairness with entitlements to healthcare guaranteed. We believe access to personal care should be based on need not the ability to pay. And we believe that patients should always come first.
We will scrap central targets and guarantee that you get your treatment on time. We will give people the power to stop hospital closures in their area through elected local health boards. And we will put doctors and nurses back in charge of their hospitals and wards.
Liberal Democrats want a people-centred NHS, fit for the 21st century.
Education
Too many children are still leaving school without the knowledge and skills to be successful. Finding a good school is a struggle, lessons don’t always stretch the brightest or support those who need more help, and classes are often too big for teachers to control.
Every child is different, so schools need to be free to teach children in different ways and get the very best from them. Liberal Democrats want every child to get an excellent education because it is the best way to get on in life, get a good job, and learn about the world.
We will cut class sizes, set teachers free to spend more time in the classroom and raise standards in every school with more money for things like one to one tuition and classes in the evenings.
For those youngsters leaving school, university is getting more and more expensive. To get a degree, young people are saddled with thousands of pounds of debt when it is tough enough to get a job, get on the housing ladder and make ends meet.
Liberal Democrats are the only party which believes university education should be free and everyone who has the ability should be able to go to university and not be put off by the cost.
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Excelente artigo de que recomendo a leitura integral.
Retive a seguinte passagem que aborda matéria de discussão recorrente aqui no Blasfémias: «Um terceiro e último equívoco que tem separado conservadores e liberais, este da inteira responsabilidade dos primeiros, reside na convicção de que o liberalismo é filho da Revolução Francesa e, por isso, que é revolucionário, jacobino e anticlerical. Este grave equívoco, muito provocado pela influência do pensamento revolucionário francês no equivocamente designado “liberalismo” político europeu continental de oitocentos, foi responsável pelo afastamento de muitos conservadores europeus do liberalismo, que preferiram assim aproximar-se de forças políticas conservadoras, como a democracia-cristã, mais próximas de ideais socializantes e intervencionistas do que propriamente da idéia da liberdade e da responsabilidade individual»
Precisamente.
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“Reagan, Thatcher e Aznar podem classificar-se como conservadores (na acepção de Oakeshot, por exemplo)?”
Acredito que são o expoente máximo a que pode chegar o pensamento liberal no governo de um país. Mas vejo-os essencialmente como líderes conservadores muito influenciados pelo pensamento liberal, o que, a meu ver, não encerra qualquer contradição. Eu não acredito em governos e governantes liberais, o que acho uma contradição insanável em si mesmo, pelo que penso que o (algum) conservadorismo pode ser a expressão máxima a que pode chegar o liberalismo político no governo.
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” Mas como enquadra, pex, os políticos conservadores portugueses no seu racional? Onde coloca, pex, Portas e Ferreira Leite?”
Na tradição da direita portuguesa, os exemplos que refere não se afastam da linha habitual do estatismo socializante. Essa tradição tende a ver a política a partir do estado para o cidadão e a sociedade, como se no primeiro residisse o enigma da salvação da pátria. É uma clara influência do “liberalismo” francês de que a nossa direita se julga distante, mas de que está muito mais próxima. Veja, por exemplo, as semelhanças dos nossos principais líderes da direita do século XX – Salazar, Marcelo Caetano e Cavaco, com De Gaulle: o culto da personalidade (austera e agreste) do chefe, uma profunda aversão aos EUA (menos relevante em Cavaco, mas muito marcada em Salazar), o autoritarismo, o endeusamento do estado, etc.
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“aposto que ninguém terá pachorra para ler o artigo….”
.
Eu li, sem precisar de visto prévio. E acho que está muito bom, muito esclarecedor.
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O tal anti-amricanismo de Salazar não era *organico/ideológico*
mas conjuntoral : na sua streita concepção de independência
evitou sempre a contaminação dos ideais democráticos ( a escolha
pelo povo) e a influência económica
externa dos EUA cada vez mais sufocante. Por isso nem o Plano Marshal
de ajuda à Europa permitiu para Portugal, em 1945-194 (?).
Tenho para mim que não foi tanto a tal independância como a perpetuação
no Poder, bloquando qualquer influência estrangeira, que esteve em causa.
QUANDO UM DIRIGENTE se sente impriscindível e detém o Poder
faz tudo para mante-lo : por isso o chamaram de MAQUIAVÉLICO . . .
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Devo explicar-me melhor. Em duas coisas Salazar era afim dos EUA:
promeiro o anti-comunismo radical, segundo uma certa coloração
cristã nos seus Presidentes : aidna hoje o Obama disse que rezava para
que os mineiros Chilenos se salvassem . . . E não esquecer um não
declarado mas evidente superioridade a raça branca sôbre os negros
sociologicamente mais abaixo. Lembram-se (os mais velhos) que nos
filmes de Hollywood dos anos 40-50 os pretos eram criados, cozinheiros,
quiça motoristas particulares?
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Aznar, um conservador?
Esse castelhano mais se parece com o Cantinflas!
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e que bonito titulo.
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Interessante e profundo conhecimento histórico/político.
Parabéns pelo texto.
No entanto, julgo não ser comparável à realidade da política/dos políticos em Portugal conforme referiu igualmente abaixo.
Fique bem.
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Mudam os cenários e os actores ainda são piores o texto foi ligeiramente remodelado..quanto ao resto still the same old scene…
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The liberal conception of freedom was therefore necessarily one of freedom under a law which limited the freedom of each so as to secure the same freedom for all. It meant not what was sometimes described as the ‘natural freedom’ of an isolated individual, but the freedom possible in society and restricted by such rules as were necessary to protect the freedom of others. Liberalism in this respect is to be sharply distinguished from anarchism. (F. A. Hayek)
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Arnaldo Madureira,
Sim, senhor. E?…
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A questão pertinente é: onde enquadra Francisco Sá Carneiro?
Sem dúvida que adjudicava a responsabilidade e liberdade individual, mas também tinha um forte sentido de Estado, que desempenharia uma função fulcral para a igualdade de todos os indivíduos em sociedade. Consideraria esta ideologia (que creio que será semelhante ao SPD, visto ter a sua genése nos ideais deste partido) um híbrido?
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António,
Francisco Sá Carneiro morreu em 1980, há 30 anos, portanto. Nessa altura, muito poucos se atreviam a criticar o Estado Social, entre eles Hayek e Mises, mas existia uma espécie de consenso universal sobre essa fórmula na generalidade dos países europeu, com excepção da Inglaterra, onde Thatcher acabara de chegar ao poder. O posicionamento de Sá Carneiro nessa linha social-democrata era, por isso, compreensível na altura, reforçado com o facto de SC ter, por um lado, de se demarcar em relação ao regime deposto de que fora opositor, e, por outro, de se debater com o Partido Socialista. O facto é que, apesar de tudo, a ideia que dele fica é a de um liberal e não de um socialista, sobretudo se tivermos em consideração a sua actuação no governo, onde entregou terras que tinham sido esbulhadas aos seus proprietários, fez a apologia da iniciativa privada e tentou retirar o socialismo da Constituição. Para além do mais, fez uma coligação eleitoral e governativa à sua direita, tendo assumido a sua chefia. Nessa altura, Sá Carneiro assumiu-se como o líder da direita liberal e conservadora, contra a esquerda socialista do PS. É nessa conta que o devemos ter e manter, não obstante a sua morte prematura e a impossibilidade de um juízo mais profundo da História.
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Só mais uma nota: apesar de ter tentado, por razões tácticas, filiar o PSD na Internacional Socialista, o PSD de Sá Carseiro não estava, a meu ver, próximo do SPD, nem da família social-democrata europeia. Mário Soares era, de facto, o líder dessa família europeia em Portugal, como a IS reconheceria ao reprovar o pedido de adesão do PSD.
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“E?”
E “The general growth of wealth and the new aspirations whose satisfaction were made possible by it have since led to an enormous growth of those service activities, and have made necessary a much more clear cut attitude towards them than classical liberalism ever took. There can be no doubt that there are many such services, known to the economists as ‘public goods’, which are highly desirable but cannot be provided by the market mechanism, because if they are provided they will benefit everybody and cannot be confined to those who are willing to pay for them.”
Isto cabe no seu estado mínimo?
–
“Sá Carneiro assumiu-se como o líder da direita liberal e conservadora, contra a esquerda socialista do PS.”
O que não faz de Sá Carneiro liberal e conservador. Também se aliou aos reformadores e à esquerda liberal. Também beneficiou da flutuação de votos entre o PS e o PSD que tem ocorrido em todas as eleições.
Deixo de parte o folclore da época de 74-75, quando Sá Carneiro, defendendo a medicina socializada, chegou a dizer que só era possível num estado socialista. Sá Carneiro defendia um (prefiro “um” a “o”) estado social por outros motivos, como explicou num discurso feito na Assembleia Nacional:
“A concepção liberal do Estado, mantinha-o distinto e, tanto quanto possível, afastado da sociedade, concebida como conjunto de indivíduos, àquele competindo assegurar os meios de livre desenvolvimento destes, feito por eles próprios, sem recurso ao aparelho governamental.
Para preservar essa separação, ao dispor da sociedade-indivíduos, foram
colocados os meios próprios de contenção dos poderes do Estado, mero garante
da harmonização da liberdade de cada um com a liberdade de todos.
Mas, a partir do desenvolvimento da ideia de igualdade, depressa se reconhece
que o Estado se não pode desinteressar dos problemas da vida dos indivíduos em
sociedade.
Assim o impôs o valor essencial da liberdade, que sem a igualdade se torna
aristocrático privilégio de uns quantos: a separação entre o Estado e sociedade
conduzia ao esquecimento da maior parte dos homens entregues a si mesmo
dentro de uma sociedade em que a liberdade a todos era garantida, mas só servia
a uma minoria que tinha os meios económicos – e sociais – indispensáveis ao seu
uso.” [A seguir, Sá Carneiro reflete sobre o que acontece quando o estado não sabe onde deve parar e se torna totalitário; e também reflete sobre o domínio do económico e da técnica sobre o político e a obsessão da eficiência. Acima de tudo, Sá Carneiro era um homem culto, sensato e equilibrado, mais influenciado pelo humanismo cristão e o personalismo do que pelo liberalismo clássico. A igualdade e a liberdade eram vistas sob essa perspectiva.]
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Gorbachev foi um conservador?
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o arnaldo madureira deu lição,muito bem!
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Precisamente Arnaldo,
É essa a ideia que tenho de Francisco Sá Carneiro. Ao ler alguns dos seus discursos, Sá Carneio transmite a ideia da liberdade e responsabilidade de cada indivíduo, mas também afirma que a presença do Estado é inegável para garantir a equitatividade da sociedade, garantindo assim que cada um pode ascender na hierarquia, mediante o seu profissionalismo e mérito, e que nunca será excluído por razões económicos ou sociais, mas meramente por falta de iniciativa pessoal. Que assume a forma de árbito (embora com um peso mais significativo), que creio que seja aquilo a que Rui Albuquerque se refere.
Alías, ao ler o discurso que apresentou no Parlemento quando se tornou Primeiro-Ministro, é claro que algumas das ideias que Sá Carneiro defendia, seriam implementadas mais tarde por Cavaco Silva, enquanto Primeiro-Ministro.
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Sobre a milagrosa era Reagan, é ver, por exemplo:
http://www.heritage.org/budgetchartbook/
http://en.wikipedia.org/wiki/Reaganomics
http://www.metafilter.com/52927/Graphs-of-US-federal-revenue-and-spending
De 1980/1 a 1988/9. A dívida federal aumentou de 33,3% para 51,95% do PIB. O défice aumentou de 2,7% para 6%. A receita federal diminuiu de 20,2% para 19,2% do PIB. A desigualdade de rendimentos aumentou.
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O problema do “liberalismo” (na sua vertente moderada) é que confunde questão filosófica que é relativamente consensual no mundo moderno com a questão macro-económica do “neo-liberalismo” que é um conjunto de suposições ou crenças que não correspondem à realidade do sistema capitalista/monetário (fiat money) actual e como ele tem funcionado nos ultimos 70 anos.
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Arnaldo,
Não se esqueça também de referir o crescimento económico durante a era de Reagen, e a diminuição da taxa de desemprego durante os 8 anos em que lá esteve. Para além disso, segundo compreendo, as políticas económicas e fiscais que se procederam aos mandatos de Reagen (e que eventualmente levaram ao chamado “surplus”, creio), só foram possíveis devido as medidas que este implementou enquanto Presidente.
De resto, também referir que o excesso de dívida e défice exitiram porque Reagen necessitou de investir mais dinheiro nas forças militares para garantir que venceria a Guerra Fria, facto que viria a ser comprovado, e que provavelmente nunca teria acontecido se Carter se mantivesse como Presidente. Nessa altura, consumia cerca de 6% do PIB, algo semelhante ao PIB investido durante a Guerra do Vietname.
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Eu não esqueço nada. Tenho simpatia pelo Ronald Reagan. Mas não venham dizer que foi um grande sucesso económico “liberal”, porque não foi. Os números são esses e são muito diferentes do que “parecia” e do que os “liberais” de cá preconizam.
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