Saltar para o conteúdo

Saberão o que andam a fazer?

26 Novembro, 2010

Muito bem observado pelo blog Ecotretas. Em Setembro Sócrates dizia que as energias renováveis permitem a Portugal poupar 100 milhões de euros anuais em importações de petróleo. Em Outrubro Sócrates já dizia que a poupança era de 700 milhões.  Em Abril, Carlos Zorrinho tinha dito que a poupança era de 500 milhões. Ontem, o mesmo Carlos Zorrinho dizia que a poupança é de 800 milhões.

.

Como é evidente, comparar, como faz Carlos Zorrinho, o sobrecusto das renováveis com o que eventualmente se poupará em importações não faz qualquer sentido. O sobrecusto é já a diferença entre o que se gasta em renováveis e o que se poupa em combustíveis. A redução de importações de combustíveis não contitui um ganho para a economia nacional se essa redução for conseguida à custa de energia mais cara para o consumidor. Por detrás desse aumento de custos está um aumento do endividamento e da importação de equipamentos para construir eólicas.

22 comentários leave one →
  1. Maria Santos's avatar
    Maria Santos permalink
    26 Novembro, 2010 11:29

    Já se percebeu que as energias renováveis agravam a a factura do consumidor. Assim é fácil falar em poupanças pois os consumidores pagam o que consomem, pagam impostos ao estado e ainda, para além disto, contribuem para o investimento na implementação das renováveis de forma autónoma na factura mensal. Afinal quem é que poupa e o que é que se poupa? Deculpem mas naõ consigo entender

    Gostar

  2. PMP's avatar
    PMP permalink
    26 Novembro, 2010 11:32

    O sobrecusto exagerado das renováveis é o resultado do mau contrato de concessão feito com a EDP quando da sua privatização e é o resultado do favorecimento dos grandes interesses privados da EDP, GALP, MARTIFER, etc. nos concursos/contratos das eólicas entre 2005 e 2008.
    Só na fase C de 2008 para pequenos produtores eólicos é que o governo implementou um processo em leilão que resultou num preço muito aceitável de 65 euros / MWh, na altura identico ao praticado em toda a rede.

    Gostar

  3. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    26 Novembro, 2010 11:43

    PMP,

    O sobrecusto das renováveis resulta da inviabilidade das ditas a partir de uma dada proporção no mix energético. Se os contratos de concessão não fossem favoráveis as empresas de energia investiriam o seu capital noutros países ou noutras áreas de actividade.

    Gostar

  4. António Parente's avatar
    António Parente permalink
    26 Novembro, 2010 11:52

    Muito bem.

    Gostar

  5. PMP's avatar
    PMP permalink
    26 Novembro, 2010 11:57

    JM,
    O sobrecusto exagerado das renováveis resulta do favorecimento dado pelos governos PSD e PS à EDP na altura das privatizações e do favorecimento dado à EDP, GALP, Martifer, e outros grandes investidores eólicos entre 2005 e 2008, ao garantirem preços reais fixos e demasiado elevados ao longo de 25 anos.
    No entanto o mesmo governo não fez o mesmo aos pequenos investidores eólicos, pois na fase C de 2008 o preço conseguido foi de 65 euros por MW/h, ou seja ficou demonstrado o favorecimento aos grandes grupos, à custa dos consumidores de electricidade.
    Portugal não precisa de contratos de concessão que penalizem o consumidor, nem de investimentos privados sem risco à custa dos contribuintes.

    Gostar

  6. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    26 Novembro, 2010 12:03

    Não sei como se poupou, quando se sabe que pouca produção eléctrica era feita com petróleo e seus derivados.
    .
    .
    No entanto, as importações de crude continuam a subir, mesmo com noticias saídas que mais de metade da produção de electricidade já era feita nas ditas renováveis. (Aqui incluindo a biomassa e, sobretudo, as baragens.)
    .
    “No terceiro trimestre de 2010, face a igual período do ano anterior, destacam-se os acréscimos nas entradas dos Combustíveis e lubrificantes (+18,3%) (…).”
    .
    In http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=83102432&DESTAQUESmodo=2
    .
    .
    Claro que se poderá dizer que esta maior importação de pitroil é para reexportação, depois de transformado em combustíveis. Mas não existem provas que efectivamente se importe menos pitroil. Até porque, repito, a produção de electricidade cujo combustível era o pitroil já era baixa ou até mesmo residual em Portugal.

    Gostar

  7. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    26 Novembro, 2010 12:05

    Aliás, eu até desconfio que se exporta electricidade devido ao excesso de produção face ao consumo. E que os preços dessa electricidade vendida estão muito abaixo dos custos de produção. O que seria ainda mais bizarro, se entendermos que estaríamos a subsidiar o consumo alheio. De países mais ricos, como Espanha, por exemplo.
    .
    .
    Se calhar, estes gajos, ainda vão mesmo meter na carola que vão exportar electricidade em barcos para os países do norte da europa. lolololololololol

    Gostar

  8. PMP's avatar
    PMP permalink
    26 Novembro, 2010 12:20

    Os contratos com os grandes investidores privados nas eólicas foram mal feitos de propósito, para garantir elevadas rentabilidades à EDP, Martifer, GALP, etc.
    Bastaria ter repartida a potência eólica por mais anos e fazer sempre a atribuição ao preço mais baixo, em vez de preços fixos.
    Os 65 euros / MWh da fase C de 2008 (pequenos investidores) demonstram a viabilidade desta energia, pois esse era o preço de mercado na altura.

    Gostar

  9. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    26 Novembro, 2010 12:43

    ««Bastaria ter repartida a potência eólica por mais anos e fazer sempre a atribuição ao preço mais baixo, em vez de preços fixos.»»
    .
    E acha que o investimento seria o mesmo?

    Gostar

  10. ricardo's avatar
    ricardo permalink
    26 Novembro, 2010 13:02

    “A redução de importações de combustíveis não contitui um ganho para a economia nacional se essa redução for conseguida à custa de energia mais cara para o consumidor. Por detrás desse aumento de custos está um aumento do endividamento e da importação de equipamentos para construir eólicas.”
    É isso mesmo.
    No entanto como explicar a cabeças sem o software necessário para o compreender?

    Gostar

  11. PMP's avatar
    PMP permalink
    26 Novembro, 2010 13:02

    Em todos os concursos houve um excesso de propostas de investimento face á quantidade disponivel.
    Só por compadrio é que o governo manteve os preços altos de 2005 até finais de 2008 em vez de colocar sempre lotes em leilão ao preço mais baixo, o que só fez para uma pequena parte da potência no final do processo.

    Gostar

  12. Lionheart's avatar
    Lionheart permalink
    26 Novembro, 2010 14:57

    “Por detrás desse aumento de custos está um aumento do endividamento e da importação de equipamentos para construir eólicas.”

    Shiu! Não se pode dizer mal da Alemanha e da “Europa”! Foi tudo para nosso bem, seu ingrato. Nós é que não soubemos aproveitar tal política “generosa” e “desinterassada”! E o Sócrates sempre foi um grande “patriota”.

    Gostar

  13. PMP's avatar
    PMP permalink
    26 Novembro, 2010 15:35

    Como o vento é grátis e o gás natural não é, faz sentido produzir electricidade eólica se o investimento for moderado, o que é exactamente o caso.
    Não esquecer que o fornecimento de gás natural pode vir a ser reduzido e que o seu preço subiu de 2003 a 2008 continuamente, colocando as eólicas em paridade com o gás natural nessa altura, com a vantagem de não aumentar o déficit externos (só 30 a 40% do investimento é importado).

    Gostar

  14. ping pong's avatar
    ping pong permalink
    26 Novembro, 2010 17:42

    Bastava investir em investigação metade do dinheiro do investimento que se anda a fazer na implementação destas tecnologias obsoletas .. talvez daqui a 20 anos tivéssemos tecnologias alternativas competitivas (nuclear, hidrogénio, baterias mais eficientes e porque não fotovoltaicas/ eólicas/ marés) .. só nessa altura se justificaria a implementação no terreno das mais competitivas relativamente ao um preço do petróleo comparativamente desinteressante. Quiseram antecipar tudo atabalhoadamente por pressão das políticas climáticas alarmistas, manipuladoras e cientificamente infundadas do IPCC .. e o preço dessa aventura já está a causar danos nas economias dos países mais atrevidos e sem dinheiro para mandar cantar um ceguinho, como Portugal (para não falar do negócio especulativo bolsista das quotas de CO2) .. e o regabofe continua.

    Gostar

  15. PMP's avatar
    PMP permalink
    26 Novembro, 2010 17:52

    A energia eólica já é competitiva com novas centrais a Gas Natural, usando uma taxa de desconto de 6% ou 7%, pois o vento é grátis o Gas Natural não é. Além disso dá-nos independência energética, ou seja é uma espécie de seguro caso o Gas Natural volte aos preços de 2007-2008.

    Gostar

  16. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    26 Novembro, 2010 22:30

    Não se pode comparar directamente o custo de importar combustíveis fósseis (contributo negativo para o PIB) com o custo das renováveis (contributo positivo para o PIB). As renováveis estão a contribuir para o crescimento da riqueza nacional.

    Gostar

  17. Alexandre's avatar
    Alexandre permalink
    26 Novembro, 2010 22:52

    “Aliás, eu até desconfio que se exporta electricidade devido ao excesso de produção face ao consumo. E que os preços dessa electricidade vendida estão muito abaixo dos custos de produção. ”

    Anti-comuna, e desconfia muito bem.

    Veja os seguintes links:
    http://a-ciencia-nao-e-neutra.blogspot.com/2010/01/demonstracao-grafica-do-absurdo-eolico.html
    http://a-ciencia-nao-e-neutra.blogspot.com/2010/01/ainda-o-negocio-com-peras.html

    Gostar

  18. Jac's avatar
    Jac permalink
    27 Novembro, 2010 10:52

    Cada vez mais portugueses começam a entender o buraco em que este governo nos meteu com as “políticas energéticas” de vanguarda. Como se o país tivesse dinheiro para embarcar nas aventuras das renováveis! Um dos melhores lugares para recolher informação sobre o assunto, fornecida por quem sabe o que diz, é no blog http://a-ciencia-nao-e-neutra.blogspot.com/2010 . Recomendo vivamente a quem se interesse por estes temas a fazer uma visita. Não publica com frequência, mas o que publica é de qualidade!
    http://a-ciencia-nao-e-neutra.blogspot.com/2010

    Gostar

  19. PMP's avatar
    PMP permalink
    27 Novembro, 2010 11:13

    O sobre-custo das eólicas é devido aos maus contratos feitos pelo governo de 2005 a 2008, que favoreceu escandalosamente grandes empresas e investidores, como a EDP, Martifer, Galp, etc.
    No final de 2008 na fase C do concurso das eólicas para pequenos investidores o preço foi de 65 euros / MWh, muito abaixo dos 95 anteriores e idêntico ao praticado no mercado nessa altura.

    Gostar

  20. Animal's avatar
    Animal permalink
    27 Novembro, 2010 16:31

    O Miranda e a confusão de conceiros.
    Diz a religião Mirandeira:
    É sempre melhor importar a um preço X que produzir cá dentro a X+Y seja qual forem os valores de X, Y, a balança de pagamentos e as divisas ou crédito que tomos para importar. Dou-lhe um treze na escala de 10 a 20 ( o que não lhe augura nada de de mau no circo mediático – aí há muitos 0nzes a “brilhar”).

    Já agora atentem na pérola do esforçado : “O sobrecusto é já a diferença entre o que se gasta em renováveis e o que se poupa em combustíveis”. E o animal a pensar que sobrecusto era a diferença entre duas operações alternativas da mesma natureza…

    Gostar

Trackbacks

  1. O pesado custo da subsidiação das energias renováveis « O Insurgente
  2. Saberão o que andam a fazer « Auto Jardim Racing

Deixe uma resposta para Jac Cancelar resposta