Liberdade vigiada
O Presidente da ERC, Azeredo Lopes, escreveu há dias um artigo no DN sobre Liberdade de Expressão. Para dizer, claro, o que é que, de acordo com o seu douto entendimento, deve ser proibido de se dizer. E parece que as piadas de mau gosto estão out. Vários pontos que o artigo revela:
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1. A ERC e o seu presidente acham-se no direito de usar poderes públicos para definir os conteúdos de programas humorísticos.
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2. A lei permite à ERC interferir nos conteúdos do um canal por cabo, apesar de não existir um bem público escasso para regular (ao contrário do que acontece com os canais de sinal aberto).
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3. Azeredo Lopes critica os conteúdos de um programa da SIC Radical (visto por uma minoria) ao mesmo tempo que amplifica esses mesmos conteúdos republicando-os num jornal. O que sugere que o que está em causa é o poder de mandar no que os outros podem ou não podem ver e não propriamente os conteúdos supostamente ofensivos.

Depois de ler o artigo do presidente da ERC sou tentado a dar-lhe toda a razão. Os autores desse programa humorístico da SIC radical têm a obrigação de ter muito mais cuidado. Deviam ter vergonha na cara.
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LA-C,
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Até se pode achar que os obrigação de ter muito mais cuidado. Mas para isso há uma solução: não ver o dito programa. Não se percebe é o que a ERC enquanto instituição pública tem a ver com isso.
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Não gostando das piadas, penso que é grave um orgão destes tomar deliberações que promovam a censura. Mesmo que ao mau gosto. Se este artigo apenas emite uma opinião do orgão regulador que critica o mau humor, aceita-se. Ninguém deve estar acima das críticas, muito menos os humoristas. Se além de uma opinião também pretende limitar o que é emitido, estamos perante uma grave violação da liberdade de opinião.
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O que eu não compreendo é a justificação da crítica:
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“É que, ao contrário do que pretende o senhor director, e como acima bem se demonstra, este tipo de “humor” não é ousado, nem difícil, e muito menos corajoso. É, isso sim, cobarde, porque escolhe como alvo pessoas sem defesa e vítimas, que já foram terrivelmente castigadas pela vida e são agora, mais uma vez, humilhadas e violadas, por apelo a um hipócrita conceito de liberdade.”
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Esta justificação é débil até porque muito humor se faz contra pessoas já mortas (a começar, por exemplo, pelo Botas) que não se podem defender.
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É verdade que as vítimas dessas terríveis circunstâncias merecem a nossa estima pessoal e até respeito, mas não se pode impôr gostos nem preferências pessoais. Que a sociedade civil critique este tipo de humor, se o considerar ofensivo, admite-se. Mas criticar não deve servir para apelar à censura, apesar das nossas sensibilidades pessoais. É que se levarmos a sério o que o regulador invoca, até o humor à religião é censurado, porque as várias religiões têm bastante adeptos, estima e quase sempre com figuras simbólicas já falecidas e não se podendo defender.
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Não compreendo o testo do regulador. Se é uma opinião pessoal, aceito-a. Se com essa opinião ele tenta censurar o humor feito, já começa a cheirar a ditadura do “bom gosto”.
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JMiranda, mas o programa foi censurado? Penso que não.
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LA-C,
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O que está em causa não é a censura. A ERC tem poderes públicos, como tal quando se pronuncia sobre conteudos não está apenas a dar a uma opinião. Está a fazer pressão suportando-se nesses poderes públicos.
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O que se costuma dizer é que a liberdade de cada um termina onde começa a dos outros.
O programa humoristico em questão, pelo que é descrito no artigo do DN, serve-se de casos reais para troçá-los, distorcê-los, humilhar e desrespeitar o sofrimento dos envolvidos (vivos ou falecidos).
Deste modo está claramente a violar a liberdade dessas pessoas.
Assim julgo que a sua liberdade de opinar sobre o assunto devia ser, se não travada pelo canal (porque também deverá ter uma opinião sobre ele e uma vez que permite que uma idéia destas vá para o ar é porque subscreve o que é dito), pelo menos deveria ser reavaliada pelo próprio…se é que este quer continuar a fazer comédia para pessoas!
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Pois, tem poderes públicos e responsabilidades públicas. Lendo o artigo em causa, parece-me que não extravasaram essas responsabilidades. Pelo contrário, manifestaram uma opinião que, parece-me, está arreigada de bom senso. Não me parece que tenham excedido as suas responsabilidades.
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A opinião está “arreigada de bom senso” (no seu entendimento e, por ventura, até no meu), mas não foi emitida por si ou por mim. Foi produzida por um funcionário público (ou afim) no exercício dos seus poderes públicos e paga pelo dinheiro dos meus impostos. Ora, não me parece que o Estado deva emitir pareceres, mesmo que “arreigados de bom senso”, sobre o nível das piadas emitidas num canal privado da televisão por cabo. Ou acha que o Estado Americano opina sobre o que se diz no “South Park”? Irra, que a direita em Portugal nunca mais se livra da Igreja e do Salazar!
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Não percebo o que quer o João Miranda. Azeredo Lopes está, desta vez, cheio de razão.
O contra-comentário de JM “Até se pode achar que os obrigação de ter muito mais cuidado. Mas para isso há uma solução: não ver o dito programa.”, é esquisitíssimo: como podemos decidir “não ver o dito programa” sem o vermos? Adivinhamos que vão lá ser ditas as barbaridades que foram ditas e depois decidimos não ver?
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Mas quando é que essa gentalha da ERC termina o mandato? A lei diz que este é de 5 anos e não pode ser renovado. Entretanto, o azarado, o eliseu, a estarola e o assis (gonçalves da silva pirou-se a tempo, em nome da própria dignidade) continuam a abichar largos milhares de euros por mês (além do direito a carro e motorista, telemóvel, etc..), tudo isto para perseguirem a comunicação social.
Os partidos da oposição (à direita e à esquerda) continuam a fazer de conta que a ERC não existe. Como se esta não fosse um sorvedouro dos dinheiros públicos, ao mesmo tempo que o Governo reduz os portugueses à mais extrema miséria, sem um pingo de vergonha na cara.
Para quando a revolta geral?
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Verdadeiro serviço público seria extinguir a ERC.
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OK! Não gosto do que diz lá o Sinel de Cordes e também não assisto ao seu programa, mas gosto muito menos, mesmo muito menos do que pode fazer ou dizer um gajo qualquer imbuído de poder para controlar o que se diz nos media e ainda por cima pago por nós. Soa-me a dias anteriores aos amanhãs que cantam. Não deveriam ser agora? Quem se sente ofendido deveria recorrer a tribunais, mas tb parece que esses estão em modo de Gulag – sobrelotados, congelados e moribundos e ninguém quer ir para lá porque das duas uma: ou de lá não voltam ou vêm tipo mortos-vivos.
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O humor negro é um tipo de humor bastante popular e comum em alguns dos humoristas de maior notoriedade incluindo o grupo Monty Python, George Carlin e Ricky Gervais, por exemplo. O facto de ainda gerar este tipo de respostas por parte de quem tem cargos de responsabilidade elevada só mostra o oposto do que diz Azeredo Lopes, este tipo de humor é de facto ousado, corajoso e difícil.
E depois, há exemplos de humor negro usado com muito menos piada nos canais abertos, Bruno Nogueira na RTP, nomeadamente, portanto é difícil de perceber esta obsessão com a SIC Radical.
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As piadas do programa em causa ultrapassam muitas vezes o mau gosto – mas só as vê quem quer. Quem não gosta e for ultrajado deve apelar aos tribunais. O senhor Lopes deve fazer o que lhe compete e não ser um polícia de costumes – mas é para isso, para controlar onde quer que o PS p çá colocou. E, diga-se a verdade, o senhor cumpriu – e merecia um subsídio extra para afiar os seus lápis azuis.
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O senhor Lopes – com o poder burocrático que tem – também vai limitar os Elogios à Coreia do Norte no Avante? Piada de mau gosto não?
O Senhor Lopes como bem diz João Miranda e o PCT é um burocrata do Estado. Tudo o que ele diz ou faz demonstra para onde a burocracia sobre a qual tem poder irá crescer.
Passo a passo as suas competências vão caminhar nessa direcção.
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“JMiranda, mas o programa foi censurado? Penso que não.” – LA-C
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Mas se não foi censurado, directa ou indirectamente, e acredito que não, o que foi? Opinião? Está a opinar sobre o que são os limites do bom-gosto e da decência? Mas isso não é crítica televisiva? Vocês precisam de um agente do estado para fazer crítica a programas televisivos? Se eu pagasse impostos cá, ficaria muito insatisfeito com isso. Ou é ilegal e proíbe ou multa – e tendo em conta os episódios relatados isso seria verdadeiramente atroz da perspectiva da primazia da liberdade de expressão; ou é legal e de mau-gosto e nesse caso não dá para perceber a intervenção oficial de um organismo do estado. O senhor que opine sobre os programas de que gosta ou não gosta nos seus tempos livres.
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Se a FCC resolvesse começar a emitir pareceres sobre os conteúdos de programas de rádio ou televisão, acho que imediatamente rolariam cabeças.
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E se se mandassem tpdas as ERC’s à merda?
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Se calhar não foram só as ERCs.
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