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Coitado

14 Fevereiro, 2011

Há dias e textos menos felizes. O de hoje de Vasco Pulido Valente sobre o Egipto é um deles.  A sua argumentaçãosinha de descrente a priori sobre o futuro dos egípcios resume-se a isto:  «Em primeiro lugar não há – e tão cedo não haverá – partidos democráticos. em segundo lugar há a Irmandade Muçulmana, cujo nome fala por si (…). Em terceiro, há 80 milhões de habitantes, na maioria miseráveis, dispersos por um país sem fim». Nem se pode considerar pobre, apenas um rotundo vazio.

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Vejamos. Mude-se apenas o tempo e lugar para se compreender o disparate:  (Portugal74)«Em primeiro lugar não há – e tão cedo não haverá – partidos democráticos. em segundo lugar há o Partido Comunista, cujo nome fala por si (…). Em terceiro, há 10 milhões de habitantes, na maioria miseráveis, …..».

Repita-se igual exercício às revoluções de 1989, África do Sul, América Latina anos 80, etc, e apenas se pode concluir que o historiador ou ignora a realidade ou cultiva com gosto o mau agoiro.

Mas nem isso desculpa o erro crasso de análise e a ignorância histórica no disparate deste tamanho: «civis sem armas não derrubam ditaduras». Julgar-se-ia à partida mínimo conhecedor da história contemporânea dos últimos 60 anos.

Tem porém razão parcial num ponto: «o ocidente continua a persistir que democracia é uma formula politica. O pior é que não é – é uma forma de civilização, que mesmo na Europa levou dois séculos de conflito, interno e externo, para se impor e que exige a existência prévia de uma cultura iluminista e de um estado decidamente secular». De facto, a democracia não deve ser um fim em si, mas um meio para se atingir um estado de liberdade. Mas VPV está errado quando pensa que apenas povos iluminados e com a devida patine de séculos de lutas são capazes de entender isso mesmo. As provas em contrário são inúmeras. É que quando os  povos tem uma oportunidade, por pequena que seja, para se pronunciarem pela sua liberdade e pela democracia, não tem havido nenhum que não entenda isso mesmo, sem qualquer necessidade iluminista, nem séculos de lutas internas, e, veja lá, mesmo sendo miseráveis, analfabetos e de países sem fim.  Nem é preciso recuar muito. Ainda no mesmo mês passado se pode constatar isso mesmo no Sudão do sul: 99,83% manifestaram a sua vontade política de forma livre e sem medo de um regime que sempre os oprimiu. Dê-se uma oportunidade, e não há quem a rejeite.

Diz que o Egipto terá muita sorte em ficar com uma ditadura militar mais branda, até porque nunca pertenceu ao «mundo democrático». Aí sim? E já agora, quem é que pertence ao dito mundo democrático? O que teve e tem esse mundo democrático a ver com a manutenção no poder de todos esses tiranozinhos nas suas vizinhanças, na anulação das eleições e subsequente guerra civil argelina, ou na venda generalizada de armas tão necessárias à repressão? Nesses casos a cultura iluminista  ficou no bolso, não é?

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Parece é que séculos conflitos internos e externos e a existência de uma cultura iluminista da qual é certamente filho, não conseguiram mesmo assim fazer compreender a VPV o básico: que o textinho que se segue, não altera a sua verdade com o tempo, o lugar, ou a cultura e é reflexo intríseco à liberdade humana : «Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade».

54 comentários leave one →
  1. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    14 Fevereiro, 2011 01:02

    Olá, Gabriel,

    Antes de mais, um abraço.
    Quanto ao tema do post, julgo que ninguém, tão pouco o VPV, põe em causa o direito dos povos (preferiria dos «indivídouos») à democracia, mas julgo que das revoluções raramente elas terão nascido, pelo menos no momento imediato e, seguramente, estivesse nas intenções reais da maioria dos revolucionários. O exemplo do que sucedeu em Portugal após o 25A é bom, já que a democracia só começou o seu caminho mais de um ano e meio depois, com várias tentativas de instauração de uma ditadura que, não duvido, teria sido bem pior do que «a» de Marcello Caetano. A propósito do pós-25 de Abril, não sendo eu um admirador do regime (apesar de admirar, em diversos planos, a figura de Marcello, no que devo ser um dos 10 portugueses vivos a fazê-lo), Portugal não era, a 24 de Abril de 1974, um país maioritariamente de miseráveis. Se analisarmos a história económica do nosso país na década de 60 e nos primeiros 4 anos da década de 70, encontraremos um período de crescimento económico ímpar no século XX português. Pena foi que as asneiras feitas em 74 e 75 tenham revertido esse processo e imposto às gerações vindouras os custos do socialismo que ainda hoje estamos a pagar.
    Por outro lado, meu caro, as revoluções a que temos assistido nos países islâmicos não têm paralelo com as que referes na África do Sul e na América Latina. Porque, em primeiro lugar, na áfrica do Sul assistiu-se mais a uma transfrmação interna do regime do que a uma revolução. Essa transformação começou, aliás, dentro dos dirigentes do próprio Apartheid e contou com a colaboração ímpar de dois homens extraordinários: Nelson Mandela e, há que não esquecer, Fredrik de Klerk. E não houve perseguições, nem prisões dos antigos dirigentes, que, de resto, continuaram, muitos deles, na direcção política do país. Na América do Sul, as revoluções deposeram ditaduras em nome da liberdade, mas, infelizmente, nem todas tiveram os melhores resultados. Com excepção do Brasil e do Chile, onde verdadeiramente também não existiram revoluções, os outros exemplos do que sucedeu na região ainda deixam muito a desejar.
    Por último, caro Gabriel, o que assusta no Egipto é que ainda ninguém percebeu ao certo o que pretendem os manifestantes e o exército no pós-Mubarak. E os receios de que a coisa possa piorar são mais do que legítimos, porque falta esclarecer qual a influência do islamismo nesta transformação política. Os exemplos mais recentes do que tem acontecido nesses países sujeitos a transformações políticas revolucionárias não são muito esperançosos, caso se repitam no país dos faraós. E as medidas mais recentes da junta militar suspendendo a Constitução e o Parlamento não são, a meu ver, os melhores. A Constituição era má e o Parlamente estava cheio de amigos do Mubarak? Talvez. Mas julgo que ninguém acreditará que o pessoal do Mubarak, uma vez este caído por terra, lhe mantivesse qualquer fidelidade. E, quanto à Constituição, prefiro sempre uma, ainda que má, a deixar o poder supremo nas mão de um qualquer comité revolucionário.
    Os próximos meses serão obviamente esclarecedores sobre tudo isto. E sinceramente desejo que os meus receios se não justifiquem e que tenhas razão.

    Abraço amigo,

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  2. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    14 Fevereiro, 2011 01:35

    “É melhor ficar calado e passar por imbecil do que falar e dissipar todas as dúvidas.”

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  3. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    14 Fevereiro, 2011 01:42

    Gostaria de ter visto, os que consideram “que a democracia só começou o seu caminho mais de um ano e meio depois” ( do 25Abril74) , fazerem o seu 25 Nov75 ANTES dos militares terem derrubado o regime do “democrata” Marcelo. Mas não; os “cónegos Melo” antes do 25 Abril74 tinham mais que fazer…

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  4. hajapachorra's avatar
    hajapachorra permalink
    14 Fevereiro, 2011 01:46

    Há gente que não faz ideia do que é o islão. E nem tem a desculpa de ser jornalista! Num país muçulmano não há nem pode haver democracia.

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  5. Botas's avatar
    Botas permalink
    14 Fevereiro, 2011 04:50

    Estou bastante da acordo com Pukido Valente e, também como muita gente, talvez a maioria considero que Portugal piorou na generalidade dos sectores depois do 25 de Abril. Alás, é assustador ver-se que é justamente onde seria necessária melhoria – e anteriorment estava em progresso nítido – que se regista a pioria de qualidade. Valha-me que tenho assesso à saúde lá fora mas, mesmo assim, quando cá estou, tenho um medo tramado de ser necessário recorrer a uma urgência.
    E os dentistas só se preocupam com o DR porque da matéria pouco sabem – e digo-o de experiência própria pois não sabem coisas elementares.

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  6. Botas's avatar
    Botas permalink
    14 Fevereiro, 2011 05:10

    Erratas:
    * o nome do meu amigo Vasco Pulido Valente
    * anteriormente havia um progesso nítido
    *… como, por exemplo, tratar de doentes que estejam a tomar medicamentos anti-coagulantes (apenas para citar um caso).

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  7. Ana's avatar
    Ana permalink
    14 Fevereiro, 2011 07:00

    Obrigada Gabriel. Uma maneira boa de começar a semana!
    Saber que em Portugal há gente que escreve bem e sensatamente!

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  8. Piscoiso's avatar
    14 Fevereiro, 2011 08:16

    Concordo que DEMOCRACIA “é uma forma de civilização”.
    Paises onde a religião comanda a vida, preferirão de certo uma teocracia.
    É provável que a moirama luso-sulista identifique a revolução egípcia com o 25A-74.
    Mas nem sequer o Marcelo(abrenúncia) tinha o perfil de Mubarak.

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  9. JRamalho's avatar
    JRamalho permalink
    14 Fevereiro, 2011 10:00

    Caro Gabriel
    De facto a sua análise é perfeita, tão perfeita que me espanta. Deixo aqui esta reflexão, “no Islão, o indivíduo é o centro e para ele converge a lei islâmica, a shari’ah, é um código de comportamento revelado por Deus, para que o homem satisfaça as suas necessidades básicas, Este código estabelece a lei de Deus, conforme revelada, e dá orientação para o homem.” Não perceber a diversidade civilizacional não será propriamente defeito, mas fazer crer que um estado islâmico caminha para a democracia, com liberdade, será isso sim, uma visão um tanto ao quanto obtusa.

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  10. QB's avatar
    14 Fevereiro, 2011 10:04

    “A Democracia é um corpo com próteses totalitárias!” QB in “Silicone”, Revista “Espírito”, nº 24, 2010

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  11. JCA's avatar
    JCA permalink
    14 Fevereiro, 2011 10:20

    .
    No assunto do tema sou menos exigente.
    .
    Para quando uns artigos e estudos na Comunicação Social e na Opinião Publicada sobre a IB ? Afinal a fundo o que vem a ser isso da IB ? Ao fim e ao cado o que é isso ? Nas Democracias estrangeiras este Conhecimento não é ‘segredo nem tabu’. Sequer medo que daí venha algum mal para a Deemocracia. Está acessivel, amplamente publicado e divulgado para todos os gostos e feitios. A partir daí à Cidadania, Opinião Publica e não Bovinos.
    .
    Parece util começar-se por aqui se o objectivo não é jactancia intelectual para tentar embasbacar os Portugueses. Se a ideia é informar, formar opinião, não censurar o Conhecimento, não promover a ignorância para formar bovinice nos Portugueses. De contrário e salvo melhor opinião nem vale a pena falar-se em Portugal, ou aos Portugueses, do tema Egipto ou da Região.
    .

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  12. Gabriel Silva's avatar
    14 Fevereiro, 2011 10:35

    Caro Rui,

    «julgo que das revoluções raramente elas terão nascido, pelo menos no momento imediato e, seguramente, estivesse nas intenções reais da maioria dos revolucionários.»
    .
    Isso é verdade, quando as mesmas partem de um grupo de esclarecidos, quase sem excepção filhos dor regime que derrubam. Mas em muitos casos a história prova que quando se abre a porta da liberdade os indivíduos tem a estranha mania de entenderem não aceitarem a mera substituição de uns tiranos por outros e preferem, sem excepção serem eles mesmo a dizer o que querem. Foi o que se fez por cá em 74: depois de aberta a porta, não houve forma de a fechar.
    .
    O termo revolução é ambiguo e dá para muita coisa . Restrinjo-o apenas ao que se passou nos últimos dias e em todos os casos que referi: manifestações e força popular forçam regimes despoticos a proceder a reformas ou mesmo a implodirem. Foi assim na América Latina, (pouco importando se o resultado poderia ser globalmente melhor, certamente concordaremos que é melhor agora do que antes e que dificilmente os individuos aceitarão retrocessos graves nos próximos tempos). Foi assim na África do Sul. Se é verdade que muito dependeu da obra de 2 homens de facto extraordinários, estes não se teriam metido em tal tarefa por mero deleite intelectual ou vontade pessoal, mas sim dando voz e correspondendo a exigencias que diariamente ocorriam nas ruas.
    .
    «o que assusta no Egipto é que ainda ninguém percebeu ao certo o que pretendem os manifestantes e o exército no pós-Mubarak
    .
    Mubarak caiu há coisa de 3 , 4 dias. Estaríamos portanto a 29 de Abril de 1974, O que queriam os militares que derrubaram Marcelo nesse dia? Ou o que queriam as pessoas que andavam na rua a festejar a liberdade? E o que importa ao certo o que pretendam agora mesmo? Certamente numa sociedade surgirão neste momento milhares de projectos políticos, tão dispares como os grão de areia,. Mas não é isso o normal e lógico?
    .
    Uma coisa é certa e é o que importa: individuos desarmados, de forma pacifica, manifestaram a sua vontade de derrube de um tirano e conseguiram-no por essa via. Dificilmente quem o faz aceitará a mera substituição de um tirano por um outro, ou por uma casta militar ou por uma teocracia. Por duas razões: já sabem o poder que tem, e como se faz. Em segundo, porque os candidatos a tiranos sabem o que lhes pode acontecer.
    .
    «E, quanto à Constituição, prefiro sempre uma, ainda que má, a deixar o poder supremo nas mão de um qualquer comité revolucionário.»

    É verdade.

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  13. Jofre's avatar
    Jofre permalink
    14 Fevereiro, 2011 10:38

    Botas
    Posted 14 Fevereiro, 2011 at 04:50 | Permalink
    .

    Onde estava você no 25 de Abril?
    Talvez ainda nos testículos do seu avô!

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  14. JCA's avatar
    JCA permalink
    14 Fevereiro, 2011 11:30

    .
    Caro Gabriel, bem destacado. A grande maturidade mostrada pelos Egipicios que surpreendeu tudo e todos, fortalece e sinaliza que vai correr tudo bem. Como bem lembrou, apesar dos acidentes e agitações de percurso que não são mais que o próprio e normal nestes processos de saída da Ditadura, morosos e pacificamente conflituais.
    .
    Nestas situações humanas não é aplicavel o modelo chapa-seta do Consumo ‘Shopping Center’, compra-se e já vem tudo feito, pronto, embalado e com livro de instruções. É diferente.
    .

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  15. Outside's avatar
    Outside permalink
    14 Fevereiro, 2011 11:37

    Excelente post Gabriel…Sensato, rigoroso e acima de tudo…humano.
    Obrigado…por não parar de escrever..é dos poucos que dá gosto ler por aqui.

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  16. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    14 Fevereiro, 2011 11:42

    era escusado a citação final com as inenarráveis, ainda que datadas, referências ao «criador» e ao «direito à felicidade»…

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  17. Dublin's avatar
    Dublin permalink
    14 Fevereiro, 2011 11:50

    “A propósito do pós-25 de Abril, não sendo eu um admirador do regime (apesar de admirar, em diversos planos, a figura de Marcello, no que devo ser um dos 10 portugueses vivos a fazê-lo), Portugal não era, a 24 de Abril de 1974, um país maioritariamente de miseráveis.”

    Quantos eram então os miseráveis? Um país sem escolas, hospitais, saneamento básico, estradas, segurança social, etc., não é um país de miseráveis? Rui, estas coisas não são achismos, se quiser estudar a evolução da qualidade de vida em Portugal pré e pós 25Abril vá ver a as taxas de mortalidade infantil, a esperança média de vida, etc.. Pode por exemplo compará-las com as da Europa na mesma altura, para poder comparar e não dizer asneiras.

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  18. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    14 Fevereiro, 2011 11:54

    exacto Dublin; mas o rui a. é um torpe míope, não sabia?

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  19. J.J Pereira's avatar
    J.J Pereira permalink
    14 Fevereiro, 2011 13:38

    Só o tempo dirá se VPV acertou , ou não.
    Até aos dias de hoje, a História confere-lhe toda a razão – mas como ninguém ainda foi ao futuro…

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  20. rui a.'s avatar
    14 Fevereiro, 2011 13:47

    “Um país sem escolas, hospitais, saneamento básico, estradas, segurança social, etc., não é um país de miseráveis? ”

    Documente lá isso, se for capaz. E meta na cabeça que referiu “a mortalidade infantil e a esperança média de vida” são bons critérios de avaliação entre países e sociedades dentro dos mesmos períodos/ciclos de tempo, mas não são os mais adequados para avaliar a evolução económica de um país no mesmo país a 40/50 anos de distância. Ou acha, por exemplo, que o facto da esperança média de vida na corte do D. João V (primeira metade do século XVIII) andar pelos 45-50 anos de idade e as elevadísimas taxas de mortalidade infantil entre os filhos das classes mais prósperas se deviam à eventual “pobreza” do país e da sua corte?

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  21. rui a.'s avatar
    14 Fevereiro, 2011 13:48

    ” Pode por exemplo compará-las com as da Europa na mesma altura”

    A que “Europa” se refere? Pode ser um pouco mais conciso?

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  22. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    14 Fevereiro, 2011 15:02

    http://www.boston.com/news/world/middleeast/articles/2011/02/13/bush_program_helped_lay_the_groundwork_in_egypt/?page=1

    (…)
    The program, which provided millions in direct funding to prodemocracy groups, helped dispatch 13,000 volunteers to observe Egypt’s parliamentary elections in December. Thousands of those monitors, angered by what they said was blatant election rigging, joined the protests. Some became outspoken leaders; others used the networking and communication skills they learned to help coordinate 18 days of rallies.

    “The very fact that they saw the fraud firsthand has contributed to them turning from monitors into activists,’’ said Saad Eddin Ibrahim, founder of the Ibn Khaldun Center for Development Studies, which has used a share of the US funds to train volunteers. “They became very disillusioned with the regime.’’
    (…)

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  23. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    14 Fevereiro, 2011 15:03

    Se me dá licença pode ser com esta Europa: Alemanha, França, UK e até a vizinha Espanha…pode ser?
    Estou curioso com as comparações – não só do crescimento económico – dos anos 60/70 com estes países. Pode começar pela Mortalidade Infantil e terminar no Ensino.

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  24. JCA's avatar
    JCA permalink
    14 Fevereiro, 2011 15:07

    .
    A proposito de VPV etc, entre outras opticas,
    .
    “Hostage to Khomeini,” Robert Dreyfuss gave a pretty accurate rendering of the MB in 1980, which as I have witnessed, is common knowledge in high government, diplomatic and Intelligence circles.
    .

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  25. Dublin's avatar
    Dublin permalink
    14 Fevereiro, 2011 15:08

    A esperança média de vida (74,9 anos para os homens e 81,5 anos para as mulheres em 2004) está ligeiramente abaixo da média da UE, mas regista um aumento significativo em relação 1971 (63,8 e 70,3, respectivamente).
    http://ec.europa.eu/employment_social/esf/members/pt_pt.htm

    Esperança de vida à nascença, homens e mulheres na UE-25, 1962-2002
    Homens Mulheres
    1962 67,2 72,9
    1972 68,6 75,0
    1982 70,3 77,2
    1992 72,2 79,1
    2002 74,8 81,1
    http://ec.europa.eu/publications/booklets/eu_glance/51/pt.doc

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  26. Dublin's avatar
    Dublin permalink
    14 Fevereiro, 2011 15:10

    5 aninhos de diferença em relação à europa a 25… A 25, sublinhe-se…

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  27. Dublin's avatar
    Dublin permalink
    14 Fevereiro, 2011 15:14

    No âmbito das mudanças demográficas ocorridas em Portugal, nas 4 décadas
    precedentes, é bastante expressiva a baixa progressiva da taxa de mortalidade infantil.
    Este relevante indicador demográfico e social, que atingia o valor de 77,5‰
    (permilagem), em 1960, caindo para 24,3‰, em 1980 e, em 2001, para 5,0‰, confirma
    a evolução positiva das condições de vida em Portugal no período referenciado.

    Click to access actualidades_30.pdf

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  28. Dublin's avatar
    Dublin permalink
    14 Fevereiro, 2011 15:17

    There were 4.7 cases of infant mortality per 1 000 live births in the EU27 in 2006, down significantly from 28.6 in 1965 and 12.8 in 1985. In all Member States, the infant mortality rates decreased between 1965 and 2007. The largest absolute falls in the rate were recorded in Portugal (from 64.9 infant deaths per 1 000 live births in 1965 to 3.4 in 2007), Poland (from 41.6 to 6.0), Hungary

    Click to access 1-18092009-AP-EN.PDF

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  29. fado alexandrino's avatar
    14 Fevereiro, 2011 15:26

    hajapachorra
    Posted 14 Fevereiro, 2011 at 01:46 | Permalink
    Num país muçulmano não há nem pode haver democracia.

    Uma verdade?
    Porque é que não o desmentem.

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  30. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    14 Fevereiro, 2011 15:28

    rui a. deve ser muito novo;nessas alturas a fome era muita:
    olhe este exemplo, já dos anos 80,relativo a uma pessoa muito conhecida e…ora abonada:

    «No dia em que Mourinho foi contratado, o senhor [Josep Lluís] Núñez [presidente do Barcelona entre 1978 e 2000] teve uma pequena discussão com Bobby Robson [técnico inglês que passou por Sporting e FC Porto]. Disse-lhe que não queria contratar um tradutor, ao que Robson respondeu que era muito importante tê-lo ao seu lado. Mourinho estava noutro quarto e, no final, Núñez fez uma concessão e ofereceu 10 mil pesetas por mês. Mourinho alegou que com isto não podia viver e Núnez concordou em aumentar um pouco o seu salário, mas não muito mais. Naquele momento, Mourinho era o tradutor e eu intercedi para que pedisse mais, mas não muito mais. Mourinho esteve a viver os primeiros meses em Barcelona na minha casa, num dos meus hotéis, sem pagar nada. Ele não tinha dinheiro para pagar nada. No final, quando demonstrou que era algo mais que um tradutor, ele começou a receber um pouco mais».

    «Foi uma sorte ir para o Barcelona porque em Portugal passava fome (…) Tive sorte», respondeu Mourinho, após a vitória de ontem frente ao Espanhol de Barcelona.

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  31. rui a.'s avatar
    14 Fevereiro, 2011 16:10

    Portela Menos 1,

    Pois…, citar 3 países europeus (deixe lá a Espanha da década de 60, s.f.f., que não se governa com a comparação), num contexto de, na altura, cerca de 50 países, é capaz de ser um bocadinho pobre. Já analisou os dados económicos comparativos dessa época dos países europeus, mas de TODOS, e não apenas da reduzida minoria que lhe interessa para “fundamentar” o que pretende defender?

    Campo de Minas,
    A estorieta do Mourinho e do Robson só pode ser gozo! Arranje lá coisa menos disparatada.

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  32. campos de minas's avatar
  33. fado alexandrino's avatar
    14 Fevereiro, 2011 16:28

    campos de minas
    Posted 14 Fevereiro, 2011 at 16:22 | Permalink
    Ler português um pouco mais complexo do que os folhetos do Lidl não é para todos.
    Peça para eliminarem o seu post que ainda foi visto por poucos, antes que seja tarde.

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  34. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    14 Fevereiro, 2011 16:31

    é o fado….lol

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  35. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    14 Fevereiro, 2011 16:33

    o fado alexandrino deve ser iletrado: o mourinho foi para barcelona ganhar mil pesetas: era ele «pesetero»? a ganhar 100 aéreos por mês? vinte contos,na altura…tenham dó….

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  36. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    14 Fevereiro, 2011 16:35

    digo, 10 mil pesetas.

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  37. Dublin's avatar
    Dublin permalink
    14 Fevereiro, 2011 17:00

    “Já analisou os dados económicos comparativos dessa época dos países europeus, mas de TODOS, e não apenas da reduzida minoria que lhe interessa para “fundamentar” o que pretende defender?”

    Rui, já viu as comparações? Recordo que no caso da mortalidade infantil as taxas de Portugal eram mais do dobro da média da UE27, saliento, a 27.

    Julgo que estes indicadores “miseráveis” me isentam da isentam da necessidade de comprovar a falta de hospitais…

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  38. fado alexandrino's avatar
    14 Fevereiro, 2011 17:41

    campos de minas
    Posted 14 Fevereiro, 2011 at 16:35 | Permalink

    Não seguiu o meu conselho amigo fez mal.
    Então não compreendeu (embora esteja lá escrito) que era apenas uma fina ironia do empregado do Millenium?
    Se soubesse quem era e é a familia de Mourinho em Setúbal não se tinha espalhado a não ser que só tenha lido o lead
    Adios!

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  39. Miguel Madeira's avatar
    14 Fevereiro, 2011 17:42

    “Num país muçulmano não há nem pode haver democracia.
    Uma verdade?
    Porque é que não o desmentem.”

    Indonésia? Albânia? Bangladesh? (é verdade que todos esses países têm uma tradição autoritária, mas agora são democracias – aliás, há umas décadas dizia-se o mesmo do catolicismo).

    E, já agora, porque é que no islamismo não poderia haver democracia? – o islamismo sunita nem sequer tem uma hierarquia organizada de sacerdotes (ao contrário do xiismo e do catolicismo), logo nem se pode argumentar que o islamismo implicará um governo clerical. Agora, se me dissessem que o islamismo é incompativel com o estado laico, a liberdade individual em matéria de costumes, etc., provavelmente é-o, mas, goste-se ou não, é perfeitamente possivel ter um Estado democrático que seja confessional e em que as adúlteras sejam lapidadas e os homossexuais enforcados em democracia (esse Estado não será é “liberal”, mas pode perfeitamente ser “democrático”)

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  40. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    14 Fevereiro, 2011 19:09

    rui a.
    Posted 14 Fevereiro, 2011 at 16:10
    .
    excluindo algum crescimento económico-à conta de quê e de quem?- “as comparações internacionais colocavam Portugal abaixo de qualquer outro país desenvolvido”
    in Economia Portuguesa/Luciano Amaral/páginas 24…

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  41. rui a.'s avatar
    14 Fevereiro, 2011 19:40

    Dublin,

    Você escreveu

    “Recordo que no caso da mortalidade infantil as taxas de Portugal eram mais do dobro da média da UE27, saliento, a 27. ”
    Nós estamos a falar nas décadas de 60 e de 70. Faz, por acaso, alguma ideia de quantos Estados-Membros participavam, nessa altura, na então CEE? Eu digo-lhe: de 1957 a 1973 eram 6; em 73 entraram mais 3, pelo que passou o súmero a 9; a Grécia entrou em 81 e Portugal e a Espanha em 86. De modo que acho um pouco difícil que você tenha tido acesso a “indicadores” da UE a 27, nas décadas de que estamos a falar.

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  42. fado alexandrino's avatar
    14 Fevereiro, 2011 20:28

    Miguel Madeira
    Posted 14 Fevereiro, 2011 at 17:42 | Permalink
    Obrigado, quase que me convencia mas a elasticidade do seu conceito de democracia não se aplica aos meus desejos.

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  43. rui a.'s avatar
    14 Fevereiro, 2011 20:44

    “é perfeitamente possivel ter um Estado democrático que seja confessional e em que as adúlteras sejam lapidadas e os homossexuais enforcados em democracia (…)”

    Miguel Madeira,
    Não esqueça o artigo 16º da Declaração de 89: “A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição”. Não é que eles tenham, após Agosto de 92, levado a coisa à letra, mas mesmo assim…

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  44. Dublin's avatar
    Dublin permalink
    14 Fevereiro, 2011 21:33

    Rui, os números não são meus nem tive muito trabalho a procurar. Tem as fontes nos posts: Eurostat.

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  45. Anonimo's avatar
    Anonimo permalink
    14 Fevereiro, 2011 22:45

    .
    .
    Recomendações de leitura a VPV, além doutras ali das ‘av madrids’ ……
    .
    “Hostage to Khomeini,” Robert Dreyfuss gave a pretty accurate rendering of the MB in 1980, which as I have witnessed, is common knowledge in high government, diplomatic and Intelligence circles.
    .

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  46. Anonimo's avatar
    Anonimo permalink
    14 Fevereiro, 2011 22:48

    .
    se valer a pena, é a duvida que pende mais para um não pela irrelevancia apesar de muito maldosa e suja
    .

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  47. Anonimo's avatar
    Anonimo permalink
    14 Fevereiro, 2011 22:57

    .
    ler-se-à ‘ de muito limpinha’.
    .

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  48. jose silva's avatar
    jose silva permalink
    15 Fevereiro, 2011 00:20

    O artigo do VPV aplica-se mesmo com a sua criativa transformação de coordenadas. (Estas tranformações servem para facilitar a integração). Neste caso a solução torna-se evidente após a tranformação.
    O artigo do VPV escrito em 74 com os referenciais que descreve permitem comprender ainda melhor a rep. portuguesa de hoje. Parabéns por nos mostrar a clarividencia do VPV.

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  49. miguelmadeira's avatar
    15 Fevereiro, 2011 01:03

    “Recomendações de leitura a VPV, além doutras ali das ‘av madrids’ ……
    .
    “Hostage to Khomeini,” Robert Dreyfuss gave a pretty accurate rendering of the MB in 1980, which as I have witnessed, is common knowledge in high government, diplomatic and Intelligence circles.”
    .
    .
    O anónimo também acredita que a rainha de Inglaterra é traficante de droga (Lydon LaRouche, o pai espiritual desse livro, também diz isso?

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  50. Anonimo's avatar
    Anonimo permalink
    15 Fevereiro, 2011 11:59

    .
    Naturalmente tudo deve ser lido com as devidas cautelas, filtrando a demagogia dos autores de factos que elem efectivamente provem sem margem a duvidas. Obviamente que ninguém no seu perfeito juizo acredita que a Rainha de Inglaterra é traficante de droga.
    .

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  51. vasco silveira's avatar
    vasco silveira permalink
    15 Fevereiro, 2011 13:06

    A dúvida não reside na vontade de os povos se manifestarem a favor da liberdade – essa é clara.
    O problema nasce na incapacidade de esses povos viverem essa liberdade: sobretudo quando o ocidente, do alto da sua arrogância cultural proclama a “sua” democracia como a forma exclusiva de governação.
    A história do Egipto tem 5.000 anos; a democracia ocidental tem 200.

    Eu não acredito que algum tipo de democracia tipo ocodental venha a vigorar no Egipto: deixem passar 5 anos, assentar esta poeira, e logo falamos.
    Claro que eu gostava que o Egipto viesse a ter um regime mais aberto , mais Europeu: mas isso nada tem a ver com a realidade pois não? É apenas um “pensamento desejoso”.

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  52. Anonimo's avatar
    Anonimo permalink
    15 Fevereiro, 2011 13:27

    (cont 22.45, 22.48, 22.57, 01,o3, 11.59H)
    .
    era muito básico da minha parte que a sigla VPV queira dizer Vasco Pulido Valente. Mas se for preciso mais algum esclarecimento é só pedir.
    .

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  53. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    15 Fevereiro, 2011 13:56

    fado alexandrino,obrigado pela ajuda,mas o meu comentário era irónico.
    mas sendo que o mourinho, fosse como diz de famílias abastadas, não deixa de ser patético ter ido para barcelona ganhar vinte contos por mês(está bem que era tradutor…)

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  54. Dublin's avatar
    Dublin permalink
    15 Fevereiro, 2011 17:27

    Rui, as fontes estão lá e são o Eurostat.

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