Centralismo democrático
Uma das piores propostas avançadas pelo PSD diz respeito ao projecto de diminuição de deputados para 181. Para além do evidente toque populista que lhe está subjacente («ficam caros», «não fazem nada»), tem o efeito maléfico de ainda piorar as coisas. Grande parte dos deputados são hoje, naquele ou noutro qualquer partido, designados directamente pelo chefe de serviço, pelos queridos líderes que ali colocam «os notáveis» e «figuras gradas». A diminuição de lugares apenas agravará tal tendência centralizadora. Acresce que tecnicamente, o actual rácio de deputados/eleitores é perfeitamente razoável, cerca de 40 mil, o qual será bastante mais elevado se aquela alteração for avante. Outra consequência muito negativa é a imediata inviabilização da introdução dos círculos uninominais (com circulo nacional conjunto), uma absoluta necessidade por forma a responsabilizar directamente o deputado representante face ao eleitor representado.
Se de facto os líderes partidários entendem que os deputados são meras correntes de transmissão – como este projecto é mais um indício – que são ovelhas obedientes ao voto decidido pela cúpula iluminada – como a prática quase unânime tem demonstrado – então têm razão e 181 são até demais. Bastará cinco líderes parlamentares em que cada um se levantará nas votações com uma placa onde esteja indicado o número de deputados que representa. É a melhor forma para se acabarem as dissidências, as correntes de opinião, os ismos e os istas internos de toda a espécie.

Tens razão Gabriel, mas os círculos uninominais – SEM CÍRCULO NACIONAL – só serão implementados quando a opinião pública se mobilizar em força, porque o actual sistema favorece os directórios partidários.
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Exacto Luís, e esta proposta apenas agrava o poder dos directórios.
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o povo vota sapatilhas do
partido socialista institucionalizado
depois da mexicanizaçõ do rectângulo
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O rácio tendo em conta os votos expressos será de cerca de 1/20 ooo, não prevê uma votação de 100% pois não? Um exagero, portanto. Aliás até 181 deputados serão demais.
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Entrando na onda económica da maioria dos posts
Quanto menos deputados
mais barata fica a AR.
É só fazer os gráficos.
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Não percebo a argumentação desta posta.
toque populista que lhe está subjacente («ficam caros», «não fazem nada»)
O que é isto?
É falso que ficam caros? – Some o salário, viagens, merdomias, pensão de reforma antecipadíssima…
É falso que não fazem nada? Tirando umas dúzias (muito menos ainda que os tais 181…) que ainda trabalham, o resto… vota. Quando lá vai.
Porque é que quer dizer com populista? Que “o povo” já topou isso? Porque agrada ao “povo”? E se agrada ao “povo” é defeito?
queridos líderes que ali colocam «os notáveis» e «figuras gradas» Como? 181 figuras gradas e notáveis adoradores do querido líder é pior que 362? Como?
o actual rácio de deputados/eleitores é perfeitamente razoável
Rácio deputados/eleitores? Isso existe? Conhece o seu deputado? Quantas pessoas conhecem o seu deputado? E não é populismo dizer que os deputados representam a população? Assim de repente, só me lembro do “deputado do queijo limiano”. Mas olhe que foi bem criticado por isso. Repetiu-se até à exaustão que “deputados da Nação não são deputados regionais” Até legislaram para que não voltasse a acontecer.
Se de facto os líderes partidários entendem que os deputados são meras correntes de transmissão Se os líderes partidários entendem ou não, não sei. Mas todos sabemos que sim.
Conhecemos as raríssimas excepções que, num ou outro momento, não seguiram a corrente. E o que lhes aconteceu a seguir. Ou sairam ou “emendaram-se”. Nem se percebe como é que o deputado de um partido vota contra o partido. Deputados “independentes” dos partidos? Para que quer um partido um deputado que vote pelo adversário?
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Por mim concordo absolutamente com o comentário do Fredo.
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Não se esqueçam que o centralismo democrático e o culto do líder está bem institucuinalizado no PSD português.
E nem poderia ser doutra forma, pois o melhor teórico da praxis politica social democrata, foi um tal Vladimir Ilich Ulianov, aka Lenine, grande líder do Partido Social-Democrata Operário Russo.
Não sei por que é que questionam o PSD por essa questão que pertence ao seu ADN!
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Não tendo aceitado avançar com uma coligação com o CDS/PP e olhando para as sondagens favoráveis deste partido, lá descobriram uma solução para ganhar na secretaria.
E, matando dois coelhos com uma cajadada (salvo seja), impedir futuras veleidades de criação desse empecilho dos círculos uninominais…
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Só mesmo o arcanjo gabriel podia vir dizer-nos que 230 deputados não são demais.
Por mim, acho que está enganado por defeito: devia propor que o número passasse para 1 milhão. Quem sabe se não estaria aí a solução do problema de desemprego?
É graças a gente com esta lúcida visão política que Portugal está como está.
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“Uma das piores propostas avançadas pelo PSD diz respeito ao projecto de diminuição de deputados para 181…”
Concordando na generalidade com o texto do post, eu não diria que é uma das piores, porque há muitas que são “uma das piores”.
Penso que a inviabilização dos círculos uninominais será mesmo a ideia de Passos Coelho. Não me parece que haja outra maneira de controlar os deputados. E o programa explícito e implícito do PSD exigirá obediência cega dos deputados. A corrente social-democrata não permitirá algumas das brincadeiras. Ainda hoje foi apresentado em Lisboa, na Ordem dos Médicos, um livro de Jaime Ramos, antigo deputado e Governador Civil de Coimbra pelo PSD. “Não Basta Mudar as Moscas” é o título do livro. Não há qualquer coincidência entre o programa hiperliberal do PSD e as propostas daquele antigo deputado e grande activista da área social.
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Curiosamente, estou agora mesmo a ver Jaime Ramos (Coimbra) na RTPN em directo. Se o Passos Coelho o vê, então é que privatiza papidamente a RTP. Esta estação de vez em quando tem atrevimentos informativos que as provadas não têm.
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Fredo
Posted 10 Maio, 2011 at 18:41
Excelente comentário.
Um post infeliz este…ou será da interpretação ?
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Caro Fincapé,
Devia ler bem o livro da apresentação a que foi. Jaime Ramos em muito concorda com Passos Coelho (tanto que continua a ser militante do PSD e contribui até para o gabinete de estudos do mesmo) apesar de em algumas coisas não concordar , é assim a vida. Devia também ler o programa do PSD em que é defendido o circulo misto como defende Jaime Ramos no livro. Devemos ouvir as coisas e não ouvir o que queremos.
Como diz o livro não basta mudar as moscas, mas a primeira atitude é muda-las. Fique ainda a saber que o antigo deputado não é contra a privatização da RTP, devido ao facto de não existir motivo para termos uma televisao que custa 1Milhão de euros diariamente aos portugueses.
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