Saltar para o conteúdo

Mudar os custos de uma pessoa para outra

10 Julho, 2012

Fiquei com impressão que o Michael Porter estava a falar de um país solvente. Num pais solvente, interessa que o SNS produza mais valor. Num país falido, o ministro da Saúde não está interessado em que o Sistema produza mais valor porque se isso acontecer tem que pagar esse valor com dinheiro que não existe. O que interessa ao ministro da saúde num país falido é mesmo mudar os custos de uma pessoa para outra, mesmo que no processo destrua valor, isto é, interessa que o SNS dependa menos do endividamento e mais dos pagamentos de quem o utiliza. Como vivemos num país falido, e é bastante difícil desfali-lo, os ministros da saúde vão viver com esta restrição durante muitos anos.

.

Uma vez que o SNS é quase integralmente pago por dívidas ou pelo contribuinte é arriscado, mesmo num país solvente, pô-lo a produzir mais valor. É que quem produz valor gosta de ser pago por ele e não há praticamente nenhum limite ao valor que pode ser produzido pelo sector da saúde. Os custos podem duplicar numa decada e rapidamento o país solvente se torna insolvente.

.

Mas é estranho que o Michael Porter diga que as taxas moderadoras não resolvem o problema da criação de valor e depois critique a saúde centrada no especialista em vez de ser centrada no paciente. Mas como é que a saúde pode ser centrada no paciente se não é o paciente que paga? Uma vez que quem paga é o contribuinte e quem gere é um ministro que muda de 2 em 2 anos, é óbvio que quem manda são as corporações e essas querem a saúde centrada nos seus membros.

5 comentários leave one →
  1. JHB's avatar
    JHB permalink
    10 Julho, 2012 09:26

    E eu que pensava que o SNS existia para garantir o acesso de qualquer português aos cuidados
    de saúde necessários.

    Gostar

  2. Rodrigo's avatar
    Rodrigo permalink
    10 Julho, 2012 12:30

    Esta conversa do “país falido” já enjoa. Estes caramelos que usam o “país falido” para tudo e mais qualquer coisa são os mesmos que dizem “alto e para o baile” quando se trata de renegociar e/ou reestruturar a dívida. Se o País está falido, age-se em conformidade com a situação. Agora esta conversa fiada é que não.

    Gostar

  3. PMP's avatar
    PMP permalink
    10 Julho, 2012 14:35

    O SNS custa 8 mil milhões por ano .
    .
    A educação custa 7 mil milhões por ano.
    .
    O orçamento é de 75 mil milhões por ano.
    .
    Conclusão : O SNS e a Educação são um gasto baixo no orçamento face á sua utilidade.
    .
    Existem dezenas de entidades e chefias no sector público que podem ser eliminadas antes de mais cortes no Estado Social.

    Gostar

  4. Rodrigo's avatar
    Rodrigo permalink
    10 Julho, 2012 15:32

    Caro PMP, faltou referir que o custo com os juros do famigerado empréstimo da “troika” para este ano de 2012 é de mais de 8 mil milhões de euros. Cá está uma boa rubrica para se cortar, digo eu, antes de se “mexer” no Estado Social.

    Gostar

  5. JDGF's avatar
    JDGF permalink
    10 Julho, 2012 16:24

    Uma vez que o SNS é quase integralmente pago por dívidas ou pelo contribuinte ...”
    A ‘confusão’ entre receitas e dívidas é essencial para devaneios políticos. A partir dessa premissa tudo o tipo de raciocínios é possível.

    Gostar

Indigne-se aqui.