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Também não tenho a certeza da vontade própria com brincos

4 Julho, 2014

Não digo nada disso, Maria João. Simplesmente presumo que quem usa mini-saia ou burqa o faz porque lhe apetece e não porque é obrigada(o) (ao abrigo do politicamente correcto tenho que incluir a Conchita). Repara, se alguém faz algo obrigado ou coagido, existem leis em todo o ocidente que criminalizam a situação. Das duas uma: ou estamos em situação de redundância com especificidades culturais (posso usar vestuário que tape da cabeça aos pés desde que tingida com as cores da bandeira LGBT?) ou o nosso problema é geral e, então, teremos que averiguar as motivações pelas quais alguém poderá ser coagido a usar brincos.

Refiro decorações corporais porque, há pouco, vi um bebé com brincos nas orelhas. Alguém as furou, independentemente da vontade da criança, que não parecia capaz de se expressar sem ser com choro. Admito que não consegui identificar a origem étnica e religiosa-cultural da pequena Cátia Vanessa.

Nota: consegui usar “burqa”, “burka” e “burca”. Antes de proibir devíamos uniformizar a grafia do que queremos proibir.

66 comentários leave one →
  1. A Mais Picante's avatar
    4 Julho, 2014 15:08

    (foi publicado antes de tempo)
    Recomeçando…
    Isso é pura demagogia. Assumir que, mesmo no Ocidente, a mulher usa burka porque quer e não porque o não uso tem consequências sociais e/ou familiares, é fugir à verdade. Para além de que, o uso da burka, naquelas que efectivamente o querem usar, é fruto de toda uma vida de subjugação.
    Dizer o contrário é dizer que é aceitável as mulheres serem tratadas como lixo. Seja aqui na Europa ou no Iemen.

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    • vitorcunha's avatar
      4 Julho, 2014 15:09

      “Eu sei o que vocês querem”.

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    • vitorcunha's avatar
      4 Julho, 2014 15:09

      “O que tu queres sei eu”

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    • zazie's avatar
      4 Julho, 2014 15:15

      Olha aí, e os tipos que andam tapados até aos pés e nem cortam o cabelo, tendo de o usar amarrado dentro de um lenço?

      São fruto de que subjugação de género?

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    • zazie's avatar
      4 Julho, 2014 15:16

      Quer-se dizer, v.s a escardalghada, que é ordinária todos os dias com as mulheres. Que até gostam de tratar por velha a outra do PSD e fazem ameaças porno à Jonet, estão agora preocupados com “subjugações de mulheres”.

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      • Euro2cent's avatar
        Euro2cent permalink
        4 Julho, 2014 19:12

        Eh pá, mas isso são inimigos – inimigas, neste caso – do povo. Portanto não é preciso ser bem educado, isso é só para @s camarad@s da nossa tribo.

        (Acho que o racicínio, passe a palavra, é mais ou menos este.)

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    • jorgegabinete's avatar
      5 Julho, 2014 15:08

      Fugir à verdade é falar de cor como faz. Quantas mulheres que usam a dita vestimenta você conhece? Basta apresentar um caso de utilização livre para destruir o seu, e de vários, raciocínio. Já pensou nisso?

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 16:39

        “utilização livre” de andar enfiada dentro de uma saca de batatas é uma anedota.

        E torna-se ainda mais anedota quando, para o resto, a começar pelos petrodólares, estão mais que ocidentalizados.

        Já vi crianças com véu por cá. Não me recordo de ver em vários locais de países islâmicos. Mas as coisas mudaram. Ao contrário do que v,s pensam, nada disto tem ver com a tal linha ascendente de progresso.

        Pode ter a ver com facções ideológicas que usam o Corão como cartilha, tal como há uns anos atrás usavam o marxismo sem burka.

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    • Pinto's avatar
      Pinto permalink
      6 Julho, 2014 08:59

      Se a mulher usa contra a vontade já existem instrumentos jurídicos a criminalizar a conduta.

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  2. zazie's avatar
    4 Julho, 2014 15:13

    Há pouco viu bebé com brincos? Pois da minha geração devo ter sido das raríssimas crianças a quem não furaram as orelhas à nascença.

    O meu pai dizia que então também fazia todo o sentido porem um osso no nariz.

    E, o que tem mais piada, é que os “normalizadores de gosto como a MJ” da altura, achavam mal. Achavam que não estava certo ser menina e não ter brincos.

    E isto não foi propriamente na “Idade Média”.

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    • vitorcunha's avatar
      4 Julho, 2014 15:14

      Vi mesmo. Felizmente já não se vê tanto como se via.

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      • zazie's avatar
        4 Julho, 2014 15:19

        Pois é. Mas eu nunca usei brincos e dava nas vistas por isso.
        Até a minha mãe era criticada e diziam que assim podia passar por menino

        eheheheh

        O dito Ocidente tem dias e tem uma longa história e o problema desta malta é que é toda estruturalista. Acham que o mundo foi sempre todo igual e começou no dia em que nasceram.

        Nisso ou no 25 de Abril.

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    • Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
      Alexandre Carvalho da Silveira permalink
      4 Julho, 2014 16:58

      Tenho quatro filhas que são a menina dos meus olhos, e mandei (a minha mulher não queria) furar as orelhas a todas mesmo antes de saírem da maternidade. Há lá alguma coisa mais bonita que uma menina, uma jovem ou uma mulher adornada com um par de brincos?
      E podem chamar-me o que quiserem! (menos pai, já se vê).
      Ainda não percebi, defeito meu concerteza, qual é o objectivo desta discussão que dura há dias aqui e no Insurgente, sobre a proibição em França de as mulheres muçulmanas andarem na via publica de cara tapada.
      Não foi o Tribunal Constitucional da pátria da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade que decidiu?

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      • vitorcunha's avatar
        4 Julho, 2014 17:03

        Eu mandei furar o umbigo à minha. Já fica. Tive que esperar que caísse o cordão mas agora cicatriza tudo ao mesmo tempo.

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      • Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
        Alexandre Carvalho da Silveira permalink
        4 Julho, 2014 19:05

        Ainda bem para a sua filha, Vitor Cunha.

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  3. zazie's avatar
    4 Julho, 2014 15:14

    Mas fez muito bem em incluir a Conchita. Nada de discriminações. É preciso andar em upgrade constante neste mundo de leis de politicamente correcto.

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  4. A Mais Picante's avatar
    4 Julho, 2014 15:20

    A única coisa que eu sei é que muitíssimas mulheres muçulmanas são profundamente privadas dos seus direitos, toda a vida subjugadas à subserviência e ao terror de ser mulher.
    Se há quem queira usar véu (e atenção que é muito diferente de burka) também há quem use obrigado.

    E, já agora… qual é a lógica de eu ter de usar abaya na Arábia Saudita, de não haver lá uma igreja católica, de eu não poder guiar ou sair sozinha? Qual é essa lógica e depois, aqui na Europa, ter de aceitar toda uma cultura que me ofende profundamente enquanto mulher? Isto não deveria funcionar para os dois lados?

    Só um homem para dizer que as mulheres usam burka porque querem. Talvez também sofram mutilações genitais porque querem, talvez sejam obrigadas a casar com quem a família decide porque querem. Ou talvez se limitem a subsistir e não a viver, muitas delas, pelo menos…

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    • vitorcunha's avatar
      4 Julho, 2014 15:23

      A esta hora está um indivíduo na Arábia Saudita a perguntar qual é a lógica de se fazer uma tatuagem no fundo das costas e andar com ela à mostra.

      Não se entende. É gente que não vê o quão prático é ter um prato no lábio, por exemplo.

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      • zazie's avatar
        4 Julho, 2014 15:26

        ehehehehe

        Esta malta não vai mais longe que Badajoz. Sabem lá eles o que são os costumes do mundo.

        Impingiram-lhes estas pirâmides de valores e depois até consideram actos de libertação bombardear o que é diferente.

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    • zazie's avatar
      4 Julho, 2014 15:25

      Por falar em lógica.

      Se achas mal que na dita arábia que nem sabes encontrar no mapa, não possas andar sem burka, porque é que queres que por cá se cometa o mesmo erro por superioridade de tolerância de costumes?

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    • zazie's avatar
      4 Julho, 2014 15:28

      Explica lá como é que a intolerância se torna mais tolerante, se for praticada pelos dois lados.

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  5. zazie's avatar
    4 Julho, 2014 15:23

    Eu também acho uma anormalidade andarem dentro daquelas sacas de batatas. Mas nem andam todas e não é mero fruto de uma religião. Porque depende lá das “etnias” e é coisa que tende a perder-se em se ocidentalizando.

    Mas, como isto nem se passa cá, e os franceses são xenófobos por natureza, nem sei qual é o azar.

    Por cá o PS até gosta que aquela malta ande toda mascarada por etnias para depois os arrebanharem para comícios.

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  6. mfreitas's avatar
    mfreitas permalink
    4 Julho, 2014 16:01

    A burca é uma imposição incompatível com os direitos humanos ( tal como o islão ) e com a leis ocidentais. Sabem tão bem como eu que em Londres, Paris, etc tem havido inúmeros problemas com forças policiais, motoristas de transportes públicos, funcionários de repartições publicas, escolas, hospitais etc que para atender a pessoa com burca lhe pedem que a retire, e esta se recuse a tal . A seguir gritam racismo, xenofobia, liberdade religiosa e escrevem posts na bloga a defender o direito à “escuridão” feminina.

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    • vitorcunha's avatar
      4 Julho, 2014 16:05

      Bem, mas posso ou não andar nu em Hyde Park? Estes graus de cinzento são demasiado complicados para mim.

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  7. tony's avatar
    tony permalink
    4 Julho, 2014 19:39

    deixa-as passar perto de tua casa de burka com cinto bomba que logo mudas de ideias nem podes identifica-las a entrada nos aeroportos nem em lado nenhum e depois fica uma massa de carne, isto é como tudo a opinião muda pela medida dos que nos começar a tocar a arder.

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  8. jorgegabinete's avatar
    4 Julho, 2014 19:54

    Existem pessoas que vivem na rua e se chamam igualmente sem-abrigo e não o fazem por falta de alternativas mas pela falta de vontade do compromisso que isso implica, são na verdadeira acepção sem-abrigo voluntários. São todas elas iguais? Não! Sei qual o peso relativo de umas e outras entre todas? Não!
    Tenho pena (sem ofensa ao vc ou ao Ins- que bani do meu uso por motivos de integridade) que se discutam os temas de um modo autista em que os argumentos se esgrimem ignorando os que se lhe opõem, é o conceito de opinião formada nomaterwhat. Este tema e a forma como descamba em ping-pong interbloger é pobre (sem ofensa, mas acho que posso usar estatuto crítico ainda por aqui). Afirmar que todas as que usam as ditas vestes o fazem por imposição (no sentido de sobreposição à vontade própria) é ignorante e aí não peço desculpa a ninguém. Achar que a questão de princípio que é o proibicionismo militante em que o TEDH embarcou recentemente se resume a presumir a formação de vontade de terceiros (os que são supostos obrigados à vestimenta) é não acreditar em pelo menos meia dúzia de pilares fundamentais da organização da sociedade ocidental (para não ser vácuo falo do plasmar da carta de direitos e da suposta existência de salvaguardas ao gozo da individualidade e livre arbítrio). Tão estúpido quanto este tema existir é precisarmos de uma DECO onde supostamente deveriam vigorar direitos dos consumidores ou ser necessária uma norma a proibir estritamente o não gozo de direitos, que é do que se trata na proibição de vestes ou no suposto consagrar do direito à memória pelo apagamento a proibição de um gozo de direito individual num caso por sobreposição do medo colectivo e o absoluto inverso no outro caso: proibição do direito colectivo à memória pela sobreposição do direito individual ao seu apagamento.
    Esta celeuma, pela qualidade dos argumentos é do pior que tenho visto. Lamento.

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    • vitorcunha's avatar
      4 Julho, 2014 20:29

      Não me parece que existam muitos argumentos a esgrimir. A Andaluzia é mais tempo árabe que espanhola. O mundo muda e salta. É um erro achar que avança.

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      • zazie's avatar
        4 Julho, 2014 20:41

        Enquanto a proibição não entrar nos Direitos Humanos, também acho que a masturbação teórica com o caso, já deu.

        “;O)

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      • jorgegabinete's avatar
        4 Julho, 2014 20:49

        Talvez seja um erro, no caso o meu erro também. De facto para mim o mundo avança, e a cada post e comentário, que é essa a nossa estrita esfera, construo para mim algo de si e de outros, e continuando a comentar por aqui com o seu/vosso beneplácito, construo somas algébricas positivas (que é lá isso?!). Esta coisa esquerdizante do “todo o mundo diz” ou do “não há ninguém” é o que sedimenta o empirismo estafado de Tó-Zés e Tó-nís. Pergunto se seremos (sim nós!) assim tão iguais? Depois da dita espuma não há uma matriz de pensar e arguir responsável? É só falar pelo soundbite ou os argumentos ainda acrescentam algo a cada passo? Pobre de mim que acredito (matéria de fé, reconheço…).
        Não se zangue que melhores dias já todos tivemos e face aos inexistentes argumentos de uma João (por muito qu’ida que possa ser) esperava maior acutilância.
        Saudações Blasfemas que são um voto de paz mas não de submissão.

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      • vitorcunha's avatar
        4 Julho, 2014 21:48

        Gosto muito da Maria João. Só por isso discuto.

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      • jorgegabinete's avatar
        4 Julho, 2014 21:54

        Gostar de não é sinónimo de ser-lhe simpático, por aí eu já gostei da afirmativa diferença que a mesma assumiu amiúde mas não desta vez que perdeu o pé. Assim sendo, e sem graxa, 1 ponto para si pela honestidade e 2 pontos para ela pelo crédito que lhe reafirma.
        Saudações Blasfesmas

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      • zazie's avatar
        4 Julho, 2014 20:54

        Tirar vírgula a seguir a caso

        Este é estilista Cipriota e contribui para o debate

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    • jorgegabinete's avatar
      4 Julho, 2014 20:52

      Cara Zazie: já lhe respondi há dias passados e há dias futuros:

      “Cara Zazie, li atentamente a sua resposta e tem razão. Desculpe-me o tempo que lhe tomei ao ler o meu comentário e escrever o seu.”

      No seu caso ainda mais concreto acrescento que não me meto no domínio da gnose, paranormal ou ansiolítico, Desejo-lhe as minhas melhoras. 🙂

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      • zazie's avatar
        4 Julho, 2014 21:02

        Sim, sim. Eu também lhe respondi e deixei um bisou

        Tome lá mais estes evolucionismos islâmicos

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  9. destino's avatar
    destino permalink
    4 Julho, 2014 20:49

    Os amos das senhoras que usam burca, tem toda a razão.
    Todos sabem que as mulheres têm um papel importantíssimo na regeneração da espécie.
    Com o estado da moda da tecnologia biogenética é praticamente impossível produzir bebés sem a utilização de mulheres.
    Será então no controlo desse importantíssimo recurso natural que o islão ganhará pontos, usando uma bomba demográfica contra o ocidente cristão.
    O ocidente perde pontos pois o recurso natural que é a mulher está a ser desviado do objetivo para que foi divinamente criado. Efectivamente as nossas mulheres desperdiçam a sua vida, estudando, fazendo carreira e muitas delas passam a vida em flirts, romances, relações curtas e outras coisas escabrosas.
    Bom para combater a ameaça o ocidente cristão só tem duas soluções, A solução final ou a sedução fatal.
    A solução final já foi amplamente experimentada por várias civilizações, quando é usada pela parte vencedora do conflito desaparece do registo histórico, mas é uma solução moralmente bastante questionável.
    A sedução fatal já será mais viável, todos observaram já certamente o fascínio que as mulheres árabes sentem quando frequentam as lojas de luxo ocidentais.
    Mulheres que costumam estar recolhidas passeiam-se pelas grandes avenidas da europa praticamente despidas, isto é de gabardina, lenço na cabeça, luvas, e uma grande camada de nívea na cara. Consegue-se olhar para os seus olhos, através dos óculos escuros que ornamentam os seus grandes narizes, os olhares gulosos com que apreciam os homens cristãos. Uma hora na Europa e levam recordações que apimentarão a sua vida sexual durante anos.
    Grande parte das mulheres árabes se pudesse fugia para a Europa!
    A solução para combater o Islão surge de uma forma simples como o ovo de Colombo. Só pode emigrar um árabe para a Europa quando acompanhado de cinco mulheres. À mínima infracção o árabe é expatriado.
    Colocando uma legislação severa do tipo quem for apanhado a rezar de cú para o ar é expatriado consegue-se facilmente fazer com que retornem à base mais de cinquenta por cento dos infiéis e com o excesso de mulheres que fica no mercado, na certa que as nossas mulheres se tornam mais dóceis e submissas.

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  10. Gerónimo Silva's avatar
    Gerónimo Silva permalink
    4 Julho, 2014 21:58

    “presumo que quem usa mini-saia ou burqa o faz porque lhe apetece e não porque é obrigada”

    O mais provável é que presuma mal.

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  11. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    5 Julho, 2014 07:46

    A minha filha também usa brincos, desde os 9 meses. Independentemente da vontade dela.
    Ah e para que os insultos venham mais em força (para mim são elogios) também foi baptizada. E usa a roupa que eu entendo que deve usar. E usa saias. E usa ganchos no cabelo. E levou as vacinas que eu entendo que deve levar. E vai aos médicos que eu entendo que deve ir. E vai à missa. E vai à catequese (que tirano que sou meu Deus). E vai à escola (compreensível). Independentemente da vontade dela. Mesmo – vejam bem onde isto chega – que ela, com 6 anos, queira ficar em casa em vez de ir para a escola.
    Se a minha filha chorou quando lhe furaram as orelhas?. Um pouco. Mas não tanto como quando tomava banho ou hoje lhe penteio o cabelo.
    Quando for crescida pode não concordar com muitas destas coisas mas até lá cabe-me a mim decidir por ela.
    .
    Eu sei que há por aí uma escola de pensamento (digamos assim) que acha que devemos guardar as decisões para quando as crianças crescerem. Mas só aquelas decisões que nós achamos que devemos guardar. Mas esperem lá … ao decidirmos as decisões que ficam em stand by não estamos a tomar decisões pela criança?
    .
    Quanto ao resto, concordo com o Vitor. Hoje é a burca (e a Maria João, de quem gosto bastante de ler os seus textos, concorda). Amanhã é o crucifixo que está pendurado há 60 anos na parede do fundo da escola de São João da Pesqueira (estou a inventar). Daqui a algum tempo é o Cristo Rei que está a tolher os pobres espíritos que aguardam na ponte para ir para Corroios (ponho-me a dar ideias … só espero que a malta do 5 dias não venha ler isto). E, step by step, o fundamentalismo laico continua a sua caminhada intolerante pela Europa.

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    • zazie's avatar
      5 Julho, 2014 10:41

      Se um dia a sua filha lhe aparecer em casa com nariz e lábios furados e penduricalhos nesses locais, espero que encontre bons argumentos para justificar que não os permite.

      Até porque furar o corpo a uma criança à nascença ou aos 9 meses nada tem a ver com religião nem estética.

      Aos 9 meses as meninas não pretendem ser sensuais e também não parece ser muito aconselhável maquilhá-las como já se faz noutros locais muito avançados do Ocidente.

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      • Pinto's avatar
        Pinto permalink
        5 Julho, 2014 14:24

        E até parece que quando tiver idade para decidir, se tiver vontade de o fazer, não o faz.

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      • vitorcunha's avatar
        5 Julho, 2014 14:27

        Inclusivamente pode passar a usar burka. Se o estado deixar.

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 17:27

        eheheh

        Isso de piercings, tatuagens e fumar sempre foi coisa de que nunca abri mão.

        Mas isso, sim, é educar. Assim como pode ser uma forma de educar baptizar os filhos ou dar-lhes formação católica.

        Já furar as orelhas a bebés não é nada disso. Era um hábito que também existia no Ocidente, que nada tem a ver com religião ou educação ou sequer estética e que vai permanecendo, pelos vistos.

        Não sou fundamentalista em nada e cada um sabe de si. Mas, em termos de argumentos, é um facto que esse exemplo feito até na maternidade, é um exemplo de atraso civilizacional ou lá o que lhe quiserem chamar.

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 17:29

        O hajapachorra é que foi mais longe e disse que as tatuagens são venenosas e também deviam ser proibidas.

        Mesmo que fossem (e não o hão-de ser, pelo magote de gente viva que anda com elas) nunca defenderia uma lei para as proibir.

        Quando se entra nas proibições por tradições ou costumes, em nome de um ponto superior em que nos colocamos, mais tarde ou mais cedo, acaba-se estatelado ao comprido.

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      • Pinto's avatar
        Pinto permalink
        6 Julho, 2014 09:01

        A zazie, a partir do momento em que a filha for maior e dependente, não manda nada nem abre mão de nada. Limita-se a assistir.

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    • zazie's avatar
      5 Julho, 2014 10:42

      De todo o modo o seu relato é um bom ponto para o argumento que a burka não é uma humilhação ou privação para o sexo feminino.

      Pela minha parte já disse que todo estes argumentos são hipócritas e que mais valia limitar-se a imigração.

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      • Pinto's avatar
        Pinto permalink
        5 Julho, 2014 14:26

        Obviamente que se a Burka for voluntária não é humilhação. Se não for voluntária já há mecanismos jurídicos que punem.

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      • vitorcunha's avatar
        5 Julho, 2014 14:28

        Isso.

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 16:35

        Claro que não existem “instrumentos jurídicos para punir nada. Porque os costumes são isso mesmo. Acabam até por serem transmitidos pelas mulheres.

        Por isso é que eu defendo apenas 2 coisas mais que básicas:

        1- Limite-se a imigração
        2- Proíba-se, rogressivamente, o uso em crianças, a começar na escola, porque a escolaridade mínima é obrigatória.

        De resto, proibir em mulheres que vivem sem grande vontade própria nem liberdade, pode ser fazer com que fiquem fechadas em casa.

        Essa cena dos “instrumentos legais” é paleio para boi dormir porque numa comunidade em que as mulheres estão absolutamente dependentes do clã e dos homens, é mentira dizer-se que podem optar ou fazerem queixa do que quer que seja.

        Mas é uma minoria. Em Londres o mais que se vê são garinas islâmicas, todas produzidas, com phones nas orelhas e véu.

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      • Pinto's avatar
        Pinto permalink
        6 Julho, 2014 09:05

        Essa cena dos “instrumentos legais” é paleio para boi dormir

        Alguém consegue explicar à zazie que estamos aqui a discutir a criação de um mecanismo legal? E que a zazie o está a defender?
        .
        A zazie acha que essa coisa dos instrumentos legais é coisa para boi dormir. Por isso o melhor é criar um mecanismo legal para corrigir a coisa. Em duplicado talvez já surta efeito.

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    • zazie's avatar
      5 Julho, 2014 10:44

      E acho que é mais que natural que numa escola não permitam crianças de 9 anos enfiadas dentro daquelas sacas de batatas.

      Resta saber em relação ao direito a furar-se as orelhas de crianças ainda na maternidade.

      Quem não entende que todas as sociedades mantêm tradições imbecis, vai ter de passar a inventar leis para se dar conta disso.

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 10:47

        Aliás, no caso das orelhas a recém-nascidos até pode ser evidente os efeitos da grunhice- eu, em tempos, vi muitas infectadas à conta da “estética”.

        Não sabia é que o “progresso” pelos vistos vai mais para os gadjets que para estas pequenas barbáries evidentes.

        Aos 16 anos ainda têm direito a pediatra e são consideradas crianças. Mas à nascença ainda são propriedade dos pais.

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      • Pinto's avatar
        Pinto permalink
        5 Julho, 2014 14:30

        Dispenso bem o que a senhora dona Zazie acha o que é ou deixa de ser imbecil. Deixo a sua superioridade moral e os seus achismos relativamente ao que é ou não imbecil na borda do prato.
        Os filhos não são propriedade. Os pais não têm o direito de educar os filhos. Têm o dever. A obrigação.
        .
        Passar bem

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 16:29

        Pois. V. acha que educar é furar orelhas a uma criança de 9 meses, passe v. bem mais a sua estupidez natural.

        Essa foi de cabo de esquadra.

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      • zazie's avatar
        6 Julho, 2014 10:19

        Não, pá. Ainda não percebeste. Eu não sou neotonta, não defendo em abstracto nada acerca do qual nada possa fazer.

        Isto não é problema nosso. É problema de quem já fez a lei e faz referendos. Eu comento apenas a v. palermice de tratarem toda a realidade como teorias abstractas numa ilha à Robinson Crusoé.

        O que eu disse é que é hipocrisia dizer-se que estas leis aparecem por muita peninha com as donas ilsâmicas.

        Treta. Não têm é coragem de assumir o que desejam- limitar a imigração.

        E isso sim, em termos práticos e sem enrolar com cenas politicamente correctos, defendo eu.

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    • zazie's avatar
      5 Julho, 2014 11:04

      Já agora. Posso deixar-lhe umas dica.

      1- Furar as orelhas a crianças nada tem a ver com mera estética (os costumes são coisas bem mais complexas)

      2- Usar brincos em idade mais adulta é uma questão tão estética quanto não os usar. Depende e o quem o avalia é o gosto próprio.

      As generalizações são sempre testemunhos de falta de exigência e requinte, incluindo esse- o estético.

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 16:45

        Mas deu um exemplo engraçado e lembrei-me de outra coisa.

        Os mija-nos-finados, que passam a vida a dizer que a água benta é um trauma para uma criança, como é? também furam as orelhas aos filhos
        à nascença.

        Gramava apanhar a maluca da bruxa da urticária, que até usa brincos, a ter feito o mesmo às filhas.

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      • vitorcunha's avatar
        5 Julho, 2014 17:03

        Quem juntou LGBT, ateísmo, aborto, “direitos das mulheres”, republicanismo, anti-policiamento e socialismo num único pacote, algures no Bairro Alto, entre jantaradas e sabe-se lá mais o quê? Este assunto das burkas é exactamente o mesmo. Esta malta só serve um deus.

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 17:11

        AHHAHHAHA

        Tem razão. Ainda que as burkas sejam uma mega anormalidade.
        Mas em França aproveitam a coisa para limitarem a imigração e isso não é causa deles.

        Por isso é que eu acho que este tema está minado, por todos os lados, de falsos argumentos e brutos preconceitos.

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 17:14

        Mas já há uns bons anos tinha tido debate na blogo onde previ que se iam encontrar todos à esquina- a tocar a concertina e a dançar o solidó.

        Porque esta treta de se viver com o politicamente correcto atravessado na garganta e a entupir o que fica mal dizer, quando salta cá para fora ainda é pior.

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      • zazie's avatar
        5 Julho, 2014 17:17

        Há uma necessidade das pessoas se sentirem de consciência aliviada.

        Esta ideia das “opções”; das “liberdades” e da lei para dar liberdade é uma delas.

        Claro que se ficarem fechadas em casa é problema doméstico e “olhos que não vêem, coração que não sente”.

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  12. zazie's avatar
    5 Julho, 2014 17:19

    De todo o modo, conseguir defender “o direito de adopção” pelos homossexuais e a proibição da burka é um exemplo do perigo de se viver de palavras e de falsos valores oferecidos pela Lei.

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  13. carlos reis's avatar
    carlos reis permalink
    6 Julho, 2014 23:02

    Usar um penduricalho ao pescoço chamado gravata, muitas vezes obrigatório, neste mundo dito civilizado, também é giro. Haja Cristas.

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  14. Ana Vasconcelos's avatar
    Ana Vasconcelos permalink
    7 Julho, 2014 16:02

    Há práticas culturais que são atentatórias dos direitos humanos. Se considerarmos que, em nome da liberdade, não podemos condenar essas práticas, chegamos a um paradoxo da liberdade. Ao darmos liberdade aos repressores estamos, de facto, a diminuir a liberdade.
    No mundo muçulmano a forma de vestir é obrigatória e atentatória das liberdades das mulheres. Por isso, é libertário proibir-se essas práticas e é censório autorizá-las.

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