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Sobre o partido liberal

18 Fevereiro, 2016

Dando seguimento ao publicado pelo Rui A. sobre o partido liberal, é isto que penso.

Um partido vende votos a uma clientela de eleitores. Defensores do partido liberal podem considerar que a criação deste é a criação de oferta que gerará procura, uma variante da lei de Say. Porém, esta versão não contempla de forma inequívoca o que Hayek diz sobre a competição no mercado ser um processo de descoberta. No mercado dos votos, a concorrência partidária actual permite descobrir que apenas sensivelmente metade dos eleitores compra os produtos disponíveis, mas nada diz sobre se comprariam outro produto actualmente fora do mercado. O dinheiro usado nesta compra, não sendo notas emitidas pelo banco, é, à primeira vista, a expectativa de que o governo adquirido cumpra com o que o votante espera racionalmente que seja cumprido (e não o que consta no programa eleitoral, como já se demonstrou múltiplas vezes). Um partido só faz sentido se financiado por esse capital, o de expectativa potencial do votante. Daí que seja a minha convicção que, antes que um partido possa ser formado, seja necessário acumulação de capital sob a forma de expectativa governamental de um partido desse tipo. Para criar esse capital é necessário concentrar uma série de princípios e distribui-los ao eleitor de forma cultural e académica para que o elucidem das expectativas governamentais que podem ser adquiridas por via do voto num futuro partido. Daí que, para mim, estejamos na fase de divulgação de expectativas e não de comercialização do voto. É necessário é publicar e entrar no mercado cultural das ideias. Não no mercado endógeno e em circuito fechado para grupos de convertidos e sim no mercado global.

Adenda: cuidado com os apelos à acção. Soam um bocado marxistas.

41 comentários leave one →
  1. João Silva's avatar
    João Silva permalink
    18 Fevereiro, 2016 14:00

    concordo, contudo é necessário começar pelo menos com uma divulgação do producto. Juntando os leitores assíduos do Blasfemias e do Insurgente (e apenas estou a considerar dois) já dá uma ideia de interessados que pode ser ainda maior. Acho que “rezar” para que o socialismo desapareça do PSD ou do CDS é batalha perdida…

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    • Baptista da Silva's avatar
      Baptista da Silva permalink
      18 Fevereiro, 2016 14:04

      Há liberais no PSD/CDS-PP, apenas estão no mal menor, à falta de alternativa acomodam-se por ali.

      Falo por mim, apesar de saber que uma guinada liberal neste país tem que ser gradual, senão a casa vem abaixo.

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    • vitorcunha's avatar
      18 Fevereiro, 2016 14:04

      Apesar dos blogues serem importantes e relevantes, é necessário entrar no mercado cultural, o único que cria laços duradouros entre indivíduos não unidos por laços biológicos ou familiares. O mercado a entrar é da edição e o produto a vender é iconografia.

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  2. miguelmadeira's avatar
    18 Fevereiro, 2016 14:07

    Por outro lado, a estratégia do vitorcunha soa um bocado à Gramsci, não? No fundo, o que está a falar é de “disputar a hegemonia”.

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    • vitorcunha's avatar
      18 Fevereiro, 2016 14:15

      Mas Gramsci tem razão quando diz que é na sociedade civil que as ideias se firmam através da academia, média, vida cultural, etc. Não é por menos que Portugal é um país socialista, é porque toda a iconografia identitária foi construída dessa forma.

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  3. Incauto's avatar
    Incauto permalink
    18 Fevereiro, 2016 14:15

    Eu quero:
    – revisão radical da constituição;
    – Igualdade de oportunidades que surja de um sistema de educação justo, exigente e rigoroso;
    – redução (até ao absolutamente essencial) do estado e do seu peso, incluíndo redução do número de ministérios dos actuais 64557624 para 3: educação, saúde e defesa
    – Implementação de um sistema de recrutamento e promoção de funcionários independente do estado e exclusivamente dependente de méritocracia em todas as (pouquíssimas) entidades publicas, que passarão a ser meras instituições reguladoras;
    – como na Irlanda, criação de regimes fiscais especiais para empresas que queiram instalar-se em Portugal;
    – redução do número de deputados na AR;

    Sei que tudo isto é básico mas um partido que preconizasse, para começar, as medidas acima, far-me-ía filiar-me imediatamente; Se na nova constituição surgida de uma revisão profunda estivesse inscrito a proibição da existência de sociedades secretas, ou se quiserem, a Maçonaria, eu candidatava-me á prsidencia do sobredito partido 🙂

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    • Manuel's avatar
      Manuel permalink
      18 Fevereiro, 2016 14:34

      É uma base de partida para uma discussão sobre o que queremos ser no futuro. Acrescento que a justiça merece um ministério e a representação externa também. Mas mais importante, é definirmos o que fará o Estado e o que será exclusivo dos privados.

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      • Incauto's avatar
        Incauto permalink
        18 Fevereiro, 2016 17:47

        De acordo com a representação externa. Em relação á Justiça não. A Justiça, a meu ver, tem de ser completamente independente dos jogos de cadeiras do Estado consoante quem ganha eleições.

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    • Baptista da Silva's avatar
      Baptista da Silva permalink
      18 Fevereiro, 2016 16:05

      Os municípios e empresas municipais teriam que levar uma extinsão acelarada.

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  4. Miguel Alves's avatar
    Miguel Alves permalink
    18 Fevereiro, 2016 14:35

    Por acaso discordo em absoluto, Já que estamos numa do soa a marxismo, a ideia do post é que parece marxista, da educação do proletariado.
    Um partido tinha a vantagem da comunicação ser muito mais ampla, de haver principio politicos do partido, e haver identificação com caras do partido. O que seria o partido comunista portugues sem alvaro cunhal? do que seria o bloco de esquerda sem a imagem inicial de Francisco Louça? vamos cá ver.. blogs como o blasfemias e o insurgente são muito bons, mas não entra por dentro da casa das pessoas.. não aparecem no telejornal.. é assim que se quer crescer? além de que, por exemplo, nota-se muito bem quando os comentários na televisão são do Ricardo Arroja ou de outros bloggers.. não é por mal.. é diferente e temos de aceitar isso. Criar um partido iria obrigar a trabalhar mais, a preparar melhor. Não ha bloggers que consiga ir contra a propaganda “neoliberal” feita pelos partidos de esquerda, porque se perguntares alguem o que é ser liberal, o cidadão comum, eles falam logo do neoliberalismo, dos mercados, do grande capital… se nós liberais, estivermos à espera de que por magia, as ideias liberais se espalham, bem que podemos esperar sentados.

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    • vitorcunha's avatar
      18 Fevereiro, 2016 14:45

      Mas eu não quero educar o proletariado. Só quero que tenham acesso a mais canais de televisão para escolherem o que querem ver. Até porque estou disposto a que o meu canal falhe redondamente e vá à falência por passar poucas novelas.

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    • vitorcunha's avatar
      18 Fevereiro, 2016 14:46

      Digo de outra forma: o Miguel parece estar à espera que o partido espalhe ideias mas isso não faz sentido, quem as tem que espalhar é o Miguel, se as quer espalhadas.

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      • Miguel Alves's avatar
        Miguel Alves permalink
        18 Fevereiro, 2016 15:01

        vitorcunha, eu tento espalha com as pessoas à minha volta, mas confesso que a minha comunicação vs a comunicação da esquerda quando fala em neoliberalimo é substancialmente inferior. Por exemplo, falas a alguém da redução do estado… chamam-me logo fascista (chamar a um liberal fascista lol) … enquanto for eu aqui, outro colega a 10km, outro a 40km a falar sobre o liberalismo é diferente. Por exemplo, o que eram os partidos que formaram o bloco antes do bloco? porque conseguiram ganhar tanto na junção? é a imagem, são as caras, é a propaganda… individualmente não eram nada.. no bloco atualmente são 9% dos votantes,

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      • vitorcunha's avatar
        18 Fevereiro, 2016 15:03

        Antes do conquistarem os eleitores com o Bloco conquistaram a academia.

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  5. Shiri Biri's avatar
    Shiri Biri permalink
    18 Fevereiro, 2016 14:45

    Caro Vitor, o seu post é semelhante ao do Rui A.: é uma forma camuflada de apelar à manutenção da abulia. O que é perfeitamente contraditório com este blogue.
    O debate e propagação (ou propaganda) das ideias liberais não exclui a existência de outro tipo de acções nomeadamente a formação de partidos políticos. E não tenho medo de comparações com marxistas em matéria de acção. Prefiro isso ao imobilismo. Ou ao blá-blá permanente. Comparo isso a flirtar uma mulher mas nunca concretizar esse flirt pela consumação sexual. (perdoem-me os homossexuais mas estou-me borrifando para o politicamente correcto).
    O debate de ideias está inquinado no Portugal actual e não acredito que apenas por essa via cheguemos a resultados diferentes dos actuais.
    Aceito que haja outras acções para além da formação de partidos políticos mas não creio que o debate de ideias altere alguma coisa no curto prazo. E com isto não estou a dizer que esse debate não deva existir. Pelo contrário.

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    • vitorcunha's avatar
      18 Fevereiro, 2016 14:48

      Mas eu não falei em debate de ideias. É uma asneira debater com pessoas que estão convictamente erradas como estão os marxistas.

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      • Shiri Biri's avatar
        Shiri Biri permalink
        18 Fevereiro, 2016 15:12

        Caro Vitor, utilizei debate de ideias no conceito geral de proposição de ideias diferentes das vigentes no Portugal de hoje.
        Concordo com as suas sugestões a nível do mercado cultural mas isso não é suficiente. Como na matemática: condição necessária mas não suficiente.
        A propagação de ideias liberais não pretende convencer convertidos marxistas mas convencer aqueles que não têm ideias definidas (ou mal-definidas).

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      • vitorcunha's avatar
        18 Fevereiro, 2016 15:14

        Exacto. Sem “uma gaivota voava, voava” cantada por gente que nem faz ideia do que está a cantar, de nada serve um partido.

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      • Almeida's avatar
        Almeida permalink
        18 Fevereiro, 2016 15:44

        O problema, vitorcunha, é que qualquer marxista “discute consigo”. Só que você não está lá. Assim sendo, as suas ideias são o que eles quiserem que sejam, sem terem contraditório.

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      • vitorcunha's avatar
        18 Fevereiro, 2016 15:46

        Já viu um psiquiatra a fazer contraditório a um esquizofrénico de igual para igual?

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  6. Joaquim Amado Lopes's avatar
    Joaquim Amado Lopes permalink
    18 Fevereiro, 2016 15:01

    Vitor Cunha,
    Essa analogia não funciona porque os partidos não “fabricam” votos para “vender” aos eleitores, antes criam expectativas que tentam “trocar” por votos.

    Há políticos que criam as expectativas que julgam que os eleitores querem (como aquele político que, vendo passar uma multidão, diz “ali vão os meus seguidores; tenho que ver para onde eles vão para os liderar”) e há os que criam as expectativas que acreditam dever criar e vão à procura de “clientes”.

    Como o Miguel Madeira escreve acima, o que o Rui A. e o Vitor Cunha falam é de só valer a pena avançar se fôr para disputar a hegemonia. Essa estratégia tem várias falhas óbvias.
    1. Sem uma organização a promover um trabalho constante de divulgação da mensagem e propostas concretas, a mensagem só chegará a uma franja muito estreita dos eleitores. Podem publicar os livros e organizar os seminários que quiserem que muito poucos além dos já “convertidos” vos ouvirão.

    2. Quanto mais tempo passar sem esse trabalho constante, mais crescerá o domínio dos estatistas sobre a Função Pública, a comunicação social e a Escola. A endoutrinação crescente e sem contraditório visível tornará cada vez mais difícil a passagem de uma mensagem diferente.
    E, com a confiança que vem do domínio sobre as instituições, quanto mais tempo passar mais agressiva será a reacção a qualquer um que tenha a veleidade de defender uma alternativa.

    3. Não indo a votos, nunca se saberá em que ponto se está e, portanto, a estratégia não será adaptada à eventual evolução do “sentir do eleitorado”. Nunca se saberá quando é altura de avançar e, portanto, nunca se avançará.

    4. Sem alternativa pragmática e responsável aos socialistas, os eleitores liberais ir-se-ão tornando cada vez mais cínicos relativamente à política e aos políticos.
    Com a estratégia que o Rui A. e o Vitor Cunha apresentam, se e quando se formar, um partido liberal será visto como “mais do mesmo”. Com promessas diferentes para conquistar uma “fatia do mercado” que ainda não tenha sido explorada mas não para fazer diferente, apenas para ganhar um “lugar à mesa”.

    Se fosse criado agora um partido liberal com um bom programa e uma boa estratégia de comunicação, a probabilidade de eleger alguns deputados seria bastante razoável.
    Mas, se quem poderia criar esse partido não está para isso, só podemos respeitar. Afinal, um dos princípios do liberalismo é a defesa da liberdade pessoal.

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    • vitorcunha's avatar
      18 Fevereiro, 2016 15:26

      Trocar, vender, é tudo a mesma coisa. Os partidos não são famílias onde as transacções são ao nível dos afectos. Isso também é Hayek.

      Podia conquistar alguns votos, sim. Podia eleger deputados. E acabaria como um exemplar exercício de purgas stalinistas com dois em cada canto a gritarem “eu é que sou liberal”.

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      • Joaquim Amado Lopes's avatar
        Joaquim Amado Lopes permalink
        18 Fevereiro, 2016 16:43

        Vitor Cunha,
        Tem toda a razão. É preferível gritar “apoio políticas socialistas mas sou mesmo é liberal”. Conquistar votos, eleger deputados e ganhar exposição para defender alternativas ao estatismo de modo a vir a conquistar mais votos, eleger mais deputados e ter maior capacidade para influenciar políticas é que não.

        O melhor é não criar nenhum partido liberal. Para quê? Para poder apresentar (e, eventualmente, ter mesmo que implementar) propostas liberais? Ninguém quer isso.
        Só posso falar por mim mas convenceu-me.

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      • vitorcunha's avatar
        18 Fevereiro, 2016 19:52

        Acho que o Joaquim é deliciosamente perverso, é o que acrescento.

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      • Joaquim Amado Lopes's avatar
        Joaquim Amado Lopes permalink
        18 Fevereiro, 2016 21:27

        O “deliciosamente” torna o “perverso” bom, certo? ;-]

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    • josephvss's avatar
      18 Fevereiro, 2016 15:28

      “Afinal, um dos princípios do liberalismo é a defesa da liberdade pessoal.”

      isso isso viva a eutanazia 😛

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      • Joaquim Amado Lopes's avatar
        Joaquim Amado Lopes permalink
        18 Fevereiro, 2016 16:37

        josephvss,
        Imagine que sofro de doença terminal degenerativa e que a dôr física e psicológica é insuportável e crescente.
        O josephvss acha que, se EU quiser acabar com o MEU sofrimento imediatamente, (1) devo fazê-lo com os meus próprios meios e correr o risco de falhar, (2) devo ser impedido de o fazer ou (3) devo poder recorrer a um médico que esteja disposto a ajudar-me?
        Qual das opções listadas é “mais liberal”?

        Já agora, o que é que a sua resposta tem a ver com o meu comentário ao que o Vitor Cunha escreveu?

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      • josephvss's avatar
        18 Fevereiro, 2016 17:17

        Opium is good for ya 😛

        Por outro lado a vida da santa de balazar nao foi em vao 🙂 (just for kicks o país é 99 porcento catholico )

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      • josephvss's avatar
        18 Fevereiro, 2016 17:23

        O Q me phode sao os 1% de iluminados a impigir a ideologia…..liberal or not!

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      • Joaquim Amado Lopes's avatar
        Joaquim Amado Lopes permalink
        19 Fevereiro, 2016 10:23

        josephvss,
        “O Q me phode sao os 1% de iluminados a impigir a ideologia…..liberal or not!”
        Julguei que o comentário anterior era ironia. Afinal, o josephvss é a favor da eutanásia.

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  7. Carlos Finório's avatar
    Carlos Finório permalink
    18 Fevereiro, 2016 15:05

    Vítor

    Ao colocar a questão da criação de um partido liberal em termos de mercado de votos, parece-me que está a adoptar uma perpsectiva redutora, se não mesmo enviesada.
    É claro que os partidos são empresas com alvará para fazer política, isto é, aceder ao poder através do voto.
    No artigo precedente de Rui A., em resposta a um desafio de João Miguel Tavares, a janela de observação era estabelecida de forma muito mais abrangente, e, de caminho, mais lúcida.
    A difusão do pensamento liberal deve ser a primeira e a mais nobre missão de todos os amantes da liberdade. Em Portugal, infelizmente, ainda há muito caminho a percorrer nesta matéria. A generalidade das pessoas ainda olha para o Estado numa perspectiva paternalista. Veja-se, a justo título, a quantidade de pessoas que, de forma directa ou indirecta, depende do Estado: funcionários públicos, pensionistas, desempregados, pessoas a receber RSI, etc.
    Deste ponto de vista, a criação de um partido liberal parece-me prematura. Talvez seja mais eficaz o combate de ideias no seio dos partidos já existentes ( CDS, PSD e mesmo no PS). Mas não me custa a admitir que ele pudesse ter uma ” acção de levedura ” isto é, servir de fermento à difusão dessas ideias.
    Seja como for, melhor do que não fazer nada, é fazer alguma coisa!

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    • vitorcunha's avatar
      18 Fevereiro, 2016 15:28

      Concordo plenamente que qualquer coisa que o Rui A. escreve é mais abrangente e lúcido. Esta é a minha (humilde) opinião, não a do Rui, que provavelmente só a lerá depois do Carlos a ter lido.

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  8. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    18 Fevereiro, 2016 16:41

    Eu gostava de ser fundador desse Partido Liberal. Onde é que nos podemos encontrar? Na Voz do Operário?

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    • sam's avatar
      sam permalink
      18 Fevereiro, 2016 19:37

      No cemitério de Baleizão. Ai pelas 4 da matina…

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    • PiErre's avatar
      PiErre permalink
      18 Fevereiro, 2016 19:53

      A voz do operário é o Arménio Carlos, acolitado pelo jerónimo.

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  9. Zé da Albânia's avatar
    Zé da Albânia permalink
    18 Fevereiro, 2016 16:49

    Amigos, deixem-se de tretas. Na era da economia global, o mundo é e só pode ser liberal. Se repararem, todos os países, uns mais do que outros é certo, estão em processo acelerado de ajustamento – ora aí está a palavra mágica – com a realidade. Tudo o resto são etiquetas de pronto a vestir muito úteis ao mercado dos votos. É só uma questão de tempo. Abraços.

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  10. procópio's avatar
    procópio permalink
    18 Fevereiro, 2016 20:30

    Acho que é mesmo finório.
    “A difusão do pensamento liberal deve ser a primeira e a mais nobre missão de todos os amantes da liberdade. Em Portugal, infelizmente, ainda há muito caminho a percorrer nesta matéria. A generalidade das pessoas ainda olha para o Estado numa perspectiva paternalista… Deste ponto de vista, a criação de um partido liberal parece-me prematura”.
    A criação desse hipotético partido não é prematura, pode já vir tarde.
    Não contando com a excepcional “habilidade” do kosta e da restante famiglia, o que vêm aí não são rosas. A interessante troca de ideias a decorrer neste ambiente saudável do blog vai ser muito provavelmente interrompida por um curto circuito.
    Podemos ficar sem luz. As ideias precisam de luz para se espalharem.
    As regras do jogo que já são perversas vão piorar ainda mais, principalmente nas cidades.
    O protetorado é um protetorado. Nem mesmo o vitorcunha e o rui a, pessoas a pensar com a cabeça, aceitam essa realidade de bom grado. É natural.
    É preciso subir um pouco na atmosfera e olhar cá para baixo.
    O rectângulo é pequenino, esboroado por dentro, torcido por fora.
    Uns riem-se de nós, outros temem o contágio.
    Pois só depois de uma grande crise é possível gizar estratégias.
    A crise vem de fora, programada e tudo, é só esperar mais um poucochinho.
    Assinala o finório: “Veja-se, a justo título, a quantidade de pessoas que, de forma directa ou indirecta, depende do Estado: funcionários públicos, pensionistas, desempregados, pessoas a receber RSI, etc”. Pesos mortos manipulados ao centro e sobretudo à esquerda.
    Ao nascer já ganhariam o provento, propôs um animal.
    Quero estar enganado. A atmosfera está a tornar-se inclemente, inevitável, vazia
    Só então os animais esfaimados estarão prontos a morder os donos, os ratos a sair fora das tocas e os amigos a dar às vilas de diogo.
    Só depois da intempérie virá a bonaça. Se vier.

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  11. Aladdin Sane's avatar
    18 Fevereiro, 2016 21:18

    Não concordo, VC. Se olharmos para os Países Baixos, Suécia, Finlândia e outras Luterândias vemos vários partidos que originam a necessidade de acordos pós-eleitorais para que se governe. Ou seja, um “Partido Liberal” não tem de aspirar a governar segundo o espectro partidário português, mas se crescer e se consolidar vai fragmentar o eleitorado e começar a ter cada vez mais influência.

    É um pouco como olhar para os partidos como entidades dinâmicas, cujas linhas mestras se adaptam à chegada de outro (ex: Frente Nacional em França). O surgimento e a notoriedade de um Partido Liberal levaria a que os outros partidos tivessem de alterar o seu posicionamento, pois cada um tem o seu “espaço”.

    O CDS-PP, sendo um partido pequeno, já integrou o Governo; o PCP e principalmente o BE são também agora quem comanda a marioneta geringonça.

    Venha daí esse partido liberal; o caminho faz-se caminhando.

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  12. procópio's avatar
    procópio permalink
    18 Fevereiro, 2016 23:49

    Há duas formas de cair, pode-se cair redondo ou cair bicudo.
    O kosta vai cair redondo, não só porque a barriga se ajeita mas porque redondos são as mensagens que não esclareceram nada nem ninguém.
    O sem tino vai cair bicudo. Já hesita em continuar na geringonça após a tempestade que se avizinha. Depois a acertada pergunta de Maria Luís:
    Que estratégia tem ele para a política económica? Zero.

    Duas notas que os merdia sonegam.

    A tentativa de assassinato pulhítico do governador do BdP que está a cair mal na UE.
    O nº 2 está cego na tentativa desesperada de apanhar os votos dos lesados, não percebe que antes de sair o governador sai ele.

    O triângulo kosta – ricardo salgado – marcelo. Uma figura geométrica instável.
    Qual deles o mais malandro? Em tempo de bonaça destinados a ser aliados.
    Se a aliança não se concretizar o primeiro vai a banhos, há muitos preparados no partido para lhe esfregar as costas. Os outros dois prosseguem, cada um com sua narrativa.
    O ddt continua a manobrar em grande sem dar a cara.
    As referências elogiosas ao bankster não param. Anotem.

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  13. Buiça's avatar
    Buiça permalink
    19 Fevereiro, 2016 04:05

    Discordo. No mercado do voto desde sempre importa essencialmente a força da mensagem e o carisma do líder. Como bem assinalou o Rui A.
    O detalhe de no espaço-tempo concreto a coisa vista de fora se assemelhar a um concurso de misses só tem a ver com o nivel de habilitações médio do público-alvo em questão (hipótese pessimista) ou dos limitadíssimos fantoches que se apresentam no boletim (hipótese optimista). Detalhe que de resto faz com que a mensagem seja cada vez menos relevante – quase basta uma carinha laroca bem-falante que evite polémicas – mas não facilitemos, a ideia é semear, não sacar o pão por outros atalhos.

    A parte de ser preciso um partido novo é mais duvidosa. Liberalizar algum dos existentes é decididamente mais sub-reptício e evita as tradicionais barreiras à entrada no mercado do voto.
    E discordo totalmente da utilidade de debater diferentes correntes mais ou menos recentes da “internacional liberalista”, sobretudo na sua componente económico-financeira para uns 75% de público que não é capaz de ler um gráfico.
    Para fazer brotar liberalismo em terra tão agreste há que recuar uns séculos até aos seus primórdios e elaborar a mensagem tão simples e básica quanto possível à volta dos 5 pilares da Liberdade/Responsabilidade, Equidade, Propriedade e Representatividade.
    De preferência com exemplos caricaturais do estado lastimável que a realidade apresenta em cada um destes pilares e com propostas concretas para cada um deles, sempre apresentadas com a humildade de não serem panaceias mas apenas evidentes melhoramentos da triste realidade.

    Importante o resultado ser um Portugal Liberal genuíno e não mais um “ismo” adoptado.

    Cumps,
    Buiça

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