Dia Nacional Contra a Liberalofobia
Durante muitos anos senti-me diferente, como se não pertencesse, não preenchendo as expectativas que a sociedade criava para mim, defraudando o que de mim esperavam. Tentei esconder, fingir, disfarçar – às vezes com sucesso, outras nem por isso -, tudo aquilo que sentia no meu íntimo, no interior, na minha mente e coração. O querer brotar do desejo que tanto crescia, a necessidade de extravasar aquilo que nunca foi, para mim, uma escolha e sim uma urgência que me define – o eu, o mim, a plenitude do meu ser -, tornou-se insuportável, como se todos os olhos estivessem sobre mim, acusando-me, e eu, sabendo estarem certos, enterrando-me na vergonha da ocultação.
Na escola, olhava para as meninas do PCP, com a lista rosa pintada numa madeixa de cabelo, o andar despreocupado e a certeza de ocultarem o segredo do universo entre os esbeltos membros que transportam, ora a “A Estrela de Seis Pontas”, ora a cinza edição do primeiro volume de “O Capital”, mas não sentia o que sentiam os outros meninos adolescentes. A volúpia, o doce platonismo juvenil, o embeiçamento e a fantasia pela luta do proletariado simplesmente não existia em mim. Eu era liberal. Eu sabia-o, por muito que fingisse não saber, por muito que me enganasse dizendo que era só uma fase, que era normal explorar, que um dia talvez fosse normal e exultaria a virtude da revolução sobre a degradação do mercado. Estava a tentar enganar-me. Escondi dos meus pais tudo. Via-os a assistirem à noite de eleições na RTP e fingia interessar-me, mas não conseguia, todos os candidatos eram socialistas, com conversa fútil sobre regulação e desejo legislativo em prol de um bem comum que não era o meu.
Aos 18 anos, ainda virgem de cruz em boletins, fui votar. Olhei, desolado para o papel, e, colapsando mentalmente, desenhei-lhe uma obscenidade, um indivíduo fictício – coincidentemente, muito parecido com este senhor que escreve no Económico, um tal de Capitão Ferreira – de joelhos perante a abundante barriga de um Mário Soares nu, que bafejava o fumo do charuto formativo de um balão de diálogo onde rezava “abre, Evaristo, cá vai disto”. Foi ali, naquele momento, que sai do armário. Sim, sou liberal! Liberal! E soube bem dizer, deixar de me esconder, revelar ao mundo que eu sou eu, não sou como os outros.
https://twitter.com/MCF977/status/732571994730975232
Não tem sido fácil. Somos discriminados. Não nos hasteiam bandeiras na Câmara Municipal, gozam connosco, não podemos, sequer, aceder a profissões no Estado sem que nos acusem de andarmos sempre a liberalizar, como se fosse contagioso, como se fosse uma doença que nos diminui como pessoas, como se a nossa vida não fosse da nossa conta, como se não tivéssemos direito à felicidade, como os socialistas e as suas alegres famílias com farfalhudas barbas e gravidezes masculinas necessitassem esfregar na nossa cara aquilo que somos, que não escolhemos ser, que nasceu connosco.
O Estado tem tido um papel altamente discriminatório em pessoas que são gozadas por serem liberais. Só porque não partilhamos da estupidez necessária para sermos socialistas, da vontade de nos ajoelharmos perante a perspectiva do tachinho, das longas horas a fingirmos que o Krugman não é parvo, dos incessantes toques das mensagens do João Galamba a dizer-nos o que pensar num dado momento, somos ostracizados, refugiados na nossa própria pátria, párias para o sistema, personae non gratae para a elite de estúpidos que se consideram donos desta trampa toda.
Para mim, hoje é o Dia Nacional Contra a Liberalofobia. Se tens coração, se achas que todos têm que ser felizes, junta-te a nós no combate à liberalofobia e anarcocapitalismofobia. Uma sociedade que despreza os seus é uma sociedade sem futuro.

Liberalizemos então.
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Marcelices
O Marcelo foi presente
Lá na festa do Avante:
Quem anda de parapente
Pode morrer num instante.
Quem em águas turvas pesca
Merece tiro na testa.
Nem tudo à ambição
Pode se ser permitido,
Vamos todos de roldão
Na cantiga do bandido:
Stalinista adulando
Passa por gosto nefando.
Mascarados democratas
Sonham como gente crente,
Usando torpes bravatas
Com ditadura ingente:
A do proletariado,
Em putrefato estado.
licas fecit
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Eu liberal me confesso!
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Pois…
Foi no Liceu Gil Vicente
Acabado de estrear
Como sendo um discente
Ao sétimo foi parar
Ano de escolaridade
Aí por quarenta e quatro
(Ainda havia guerra)
Nos corredores era mato
Os ditos do Dramaturgo
Em azulejos plasmados
Repletos de floreados
Hua cousa juro eu,
Que os que sabedores
(era assim, no meu Liceu)
Nunca mettem rogadores.
Ah meu grande Mestre Gil
Que lição pra este Abril. . .
licas fecit
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Eu apoio!
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Nesta república socialista, é o povo que serve a constituição e não o contrário. Um maná para os encostados ao estado, e os liberais a pagar a factura.
Apoio.
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Tal qual: a subversão total de quem é mandado
___________e quem manda.
(ensinam ao povo ___a Democracia)
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Eu apoio.
Sinto-me um liberal envergonhado e quero sair do armário.
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Tenho fobia dos nossos «liberais» que de liberais nada têm. São habitualmente pequeno-burgueses frustrados, funcionários públicos e anti-qualquer coisa. A liberdade dos «liberais tugas» é para destruir a liberdade dos outros.
Como diz o outro, que vão cantar loas para o Zimbabwe!
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Portugal tornou -se num imenso antro putrefacto. É no meu pequeno armário liberal que me sinto bem.
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O comportamento da maioria dos tugas, para além de irresponsável, por vezes parece próprio de dementes, de atrasados mentais. E de garotos excitados.
Continua a ser facílimo governar isto.
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Primeiro, a CMLisboa deve hastear a bandeira do SLBenfica já no próximo dia 28 de FEvereiro, um Dia Nacional.
Depois, liberalizará o hábito e hasteará as que quiser
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Muito bem observado. As pessoas portadoras de liberalismo têm que se organizar, fazer marchas de orgulho liberal, ir aos programas da Fátima Lopes, etc.
Basta de preconceito!
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Li algures que o macaco Adrião também escreveu uma tese sobre o liberalismo em Portugal…
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Pode ler a tese no “Portugal Socialista”. Peça o exemplar na sede ao Rato, enviam-no sem portes de correio.
Atenção: esse macaco Adrião é pseudónimo dum agora governante.
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O que é um infiel
portugalglorioso.blogspot.com/…/o-que-e-um-infiel-para-o-muculmano….
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Licas está com uma pedalada poética do carago !
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Meu caro como liberal o meu dia é todos os dias!
Faço esse dia como o meu dia a dia.
semana passada fiz-lo numa aula de inglês quando tive a ouvir uma professora democrata dizer que o sanders não era comunista – Disse-lhe sem amarras que ele era comunista porque negava a curva de laffer, e que assumia que podia taxar como quisesse.
Hoje fiz-lo quando ao ouvir um socialista falar sobre as alterações climatéricas, com gráficos sem escala, e com um espaço temporal de 150 anos. Uma colega tirou os óculos e começou a ver com outros olhos o discurso.
mas o que mais me orgulho foi ter casado com uma comunista que hoje é liberal,
Quando as ideias estão corretas, e a realidade as ratifica,o sentimento de grandeza intelectual e de paz, sobretudo muita paz de espírito.
Coisa que um socialista nunca conseguirá sem muita desonestidade intelectual.
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Temos de organizar uma Marcha Liberal.
Um comentário para o Vitor Cunha:
tal como nos Anarquistas de Esquerda, nós os Anarquistas de Direita somos presunçosos.
Para mim, o Vitor Cunha não é Liberal. É Conservador/ Democrata Cristão -> concluo isso pelos seus textos sobre temas sociais,
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É difícil não parecer conservador quando as causas são umas ideias soltas sem qualquer reflexão sobre consequências. Dou-lhe um exemplo: parece-me extremamente liberal questionar se o casamento deve ser tipificado. Depois, uma pessoa parece contra o casamento gay pela parte gay em vez da parte casamento.
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O moderador e afectuoso PR Marcello resolveria isso com um preservativo abençoado pelo socialista cardeal Clemente.
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Façam uma Marcha Liberal, e colocam na frente o cardealzinho, o sheik Munir e algum rabino que há por aí nessa cidade provinciana.
E a seguir que vão todos cantar o fado para a Mouraria.
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Eu colocava-o a si na frente da marcha liberal. É necessário qualquer coisa que abane.
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Falta o último parágrafo: “depois sentei-me na minha mota de 100 cavalos e fiz um cavalinho frente às mesas de voto, mostrando àquele gente que ainda há quem despreze a maioria.!
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Se não podemos desprezar a maioria, passamos a desprezar a minoria. Você pensa antes de escrever ou é como os outros modernos?
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