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O um dividiu-se em três: tese, antítese e síntese em tons de cinza

13 Outubro, 2017

 

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Carlos Andrade: Boa noite, bem-vindos a mais uma Quadratura do Círculo, esta semana sem as presenças de Lobo Xavier e de Jorge Coelho, e onde se vai debater o futuro do PSD e as respectivas implicações na política nacional. Começo com José, a quem pergunto como interpreta as últimas movimentações na família laranja.

José: Carlos, eu vejo isto tudo com uma enorme preocupação. Tal como tenho tido oportunidade de dizer por diversas vezes, o PSD foi invadido por uma deriva radical de direita, liberal e anti-estatista, contrária à história do partido e às ideias dos seus fundadores, que, veja bem, até tentaram entrar na Internacional Socialista.

Carlos Andrade: Pacheco, concorda com a análise de José?

Pacheco: Carlos, eu vejo a análise do José com uma enorme preocupação. Tal como tenho tido oportunidade de dizer por diversas vezes, é o socialismo em que vivemos impregnados, e que hoje se chama “estado-providência“, ou “modelo social europeu”, que nos condena à mediocridade e à gestão no fio da navalha da cada vez menos riqueza produzida. Nós precisamos vitalmente de outra coisa, precisamos de mais liberalismo, de mais liberdade económica, de mais espírito empresarial.

Carlos Andrade: Pereira, como se situa face aos comentários de José e de Pacheco?

Pereira: Carlos, eu vejo os comentários do José e do Pacheco com uma enorme preocupação. Tal como tenho tido oportunidade de dizer por diversas vezes, o problema está no enorme simplismo e na dicotomia com que se fala de política em Portugal. Ou é a preto ou é a branco. E todo o meu eu, como qualquer um pode ver, é cinzento.

José: Você está é a deitar água na fervura, o que se passou nos últimos anos foi totalmente negro. A versão nacional da alt-right americana dedicou-se a destruir o elevador social que desde o 25 de Abril existia, mesmo que imperfeitamente na sociedade portuguesa, baseado no crescimento dos serviços públicos e do Estado Social e na criação de uma “classe média” ligada ao Estado.

Pacheco: É exactamente o contrário! O Estado é uma poderosa máquina de geração e manutenção da mediocridade e pesa sobre todos, distribuindo os mínimos e castrando o mérito e a diferença, favorecendo a dependência subsidiada. Afundamo-nos, pouco a pouco, na manutenção, geracionalmente egoísta, de um modelo social insustentável a prazo e que nos condena a definhar.

José: Essa conversa é deplorável. Esse ataque pessoal vil contra os “mais velhos” retoma um dos temas dos anos do ajustamento, a guerra geracional, que se encontra nessa fórmula sinistra de “justiça geracional” criada pela JSD.

Carlos Andrade: Calma, meus senhores, gostava de ouvir o Pereira, que ainda não aprofundou o seu raciocínio.

Pereira: Desculpe, Carlos, distraí-me. Estava aqui a ver o Guia Pantone, mas estou com algumas dúvidas entre o Cool Gray 10 XGC e o Warm Gray 11 UP. Isto não é nada fácil, dava jeito era uma mulher aqui no programa para ajudar. Temos de pensar nisso.

Pacheco: A mim interessam-me as reformas, mas sei que tudo está organizado para que não se façam. Partidos, sindicatos, corporações não querem que se mexa nem um átomo nos seus pequenos poderes. E os governos preferem ter este Estado, com os seus inúmeros cordelinhos e fios de poder, e não querem perder nem um só deles.

José: Isso é a teoria da “oligarquia”, alimentada pelo Observador e por outros extremistas de igual calibre.

Pacheco: Posso continuar, posso continuar? Falo desses cordelinhos e fios de poder, dessa interpenetração da decisão política na decisão económica, a miscigenação dos negócios com os gabinetes ministeriais e as grandes empresas que são conduzidas politicamente pelos governos.

José: O que você não quer é que o PSD olhe de novo, com uma visão reformista, para os problemas sociais da sociedade portuguesa. O controlo dos grupos económicos e a subordinação do poder económico ao poder político é vital.

Pacheco: Seu comuna!

José: Facho!

Carlos Andrade: Meus senhores, controlem-se, por favor! Pereira, gostaria ainda de acrescentar algo a este tema?

Pereira: Alguém leu o Fifty Shades of Grey? Tenho quase a certeza que, entre as algemas e as chibatas, deve andar por lá o tom de cinza que procuro…

 

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12 comentários leave one →
  1. Castrol permalink
    13 Outubro, 2017 17:09

    Credo!!

    Até fiquei tonto…

    Brilhante!

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  2. 13 Outubro, 2017 17:18

    Óptimo e demolidor post !

    Falta aí a palavra “coreografia”, tantas vezes repetida pelo José, pelo Pacheco e pelo Pereira…

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  3. piscoiso permalink
    13 Outubro, 2017 17:22

    É uma boa peça de teatro muito bem rebuscada.
    Claro que há aí links de várias épocas (2004, 2010, 2017) do mesmo autor, que denotam uma evolução do seu pensamento.
    Mas só o Pacheco Pereira lhe poderá responder, provavelmente até com uma posição diferente das linkadas.

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  4. Filipe Costa permalink
    13 Outubro, 2017 19:43

    Muito bom, os meus parabéns, nota-se ai algo entre o génio e o louco. Que seja os dois.

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  5. Pável Rodrigues permalink
    13 Outubro, 2017 21:22

    Sr.” Pisca na Coisa” ou será no Costa? Até quando os contribuintes deste miserável país irão manter os “abrantes” da geringonça=socretinos a deitar areia para os olhos da populaça? Confiram aqui ((https://sol.sapo.pt/…/socrates-pagava-blogue-para.)

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    • 14 Outubro, 2017 17:44

      Pelo menos 9 bem pagos + 1 muito bem pago.
      3 dos bem pagos ainda colocam, como carpideiras, coisas em blogs.

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    • piscoiso permalink
      14 Outubro, 2017 18:26

      Caro Pável, creio que se refere a mim como comentador deste blogue, o que é um exercício de liberdade de expressão. Se presume que sou pago, está a ser difamatório.
      Os contribuintes pagam-me tanto a mim como a si os serviços e infraestruturas que o estado põe à disposição dos cidadãos.

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  6. licas permalink
    13 Outubro, 2017 22:55

    Quanto mais profunda a crise financeira e moral mais baratos ficam os “abrantes”

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  7. licas permalink
    13 Outubro, 2017 22:58

    . . . mais baratos porque mais abundantes (Teoria Capitalista)

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  8. licas permalink
    14 Outubro, 2017 06:20

    . . . sempre com prejuízo da qualidade

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  9. rão arques permalink
    14 Outubro, 2017 08:46

    PELA LIMPEZA DO PARDIEIRO
    É indispensável acentuar que uma das suas sementes e apoiante de sempre está agora no cargo da desgraça que dedicadamente patrocinou, exibindo os mesmos tiques do mestre.
    O histórico de Costa por ações e contradições deve ser denunciado e exposto publicamente.
    Revelar totalmente a nu a qualidade perversa deste nada recomendável personagem é além do mais uma ação com contornos patrióticos.
    Casos pessoais e politicos de que a comunicação social amiga tem feito sepulcral silêncio.
    Desde as chaves guardadas da associação de estudantes, até ao método rasteiro de assalto ao poder, passando entre outras pela Casa Pia, pela recusa não muito distante em engendrar a formação de governos no parlamento que mais tarde veio a praticar miseravelmente com jogo sujo preparatório no segredo de caves bafientas.
    Um impostor despudoradamente execrável não pode esbracejar livremente na impunidade.
    De um e outro, os mesmos de sempre que amparam e respiram agrupados na mesma loja contaminada, ai jesus, que nunca de nada souberam e a nada conseguem responder, que encavalitando-se no mesmo escorrega à desfilada juram que jamais viram uns aos outros levar no pacote as calças rotas.
    Lido:”Não haveria Sócrates sem o PS”. Notável resumo.

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  10. carlos alberto ilharco permalink
    14 Outubro, 2017 18:04

    José/Pacheco/Pereira tem um ego que não cabe nas três personagens, ao pé dele Pessoa é um anão.
    Também é um ressabiado por nunca ter sido considera a eminência parda do PSD.
    Juntamente com a caquética Ferreira Leite e o gorduroso Ângelo Correia representam bem aquilo que o partido já devia ter expurgado como se faz aos abcessos.
    Não o fizeram e agora sofrem.
    É para aprenderem.
    Pode ser que o próximo Director-Geral acorde.

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