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É o generation gap, estúpido

21 Novembro, 2017

Quando Catarina Martins escreveu, em tempos, que o que é preciso é médicos que gargalhem, alguns de nós, médicos ou não, chegamos mesmo a gargalhar. Contudo, em retrospectiva, apercebo-me que a expressão tem um significado muito mais angular, abstracto, que permite, na sua irregularidade, encontrar as razões de ser da filosofia da imbecilidade contemporânea.

A sociedade do século XXI foi e continua a ser dominada pela influência que baby boomers tiveram no mundo. Estes tiveram todas as condições para exercer influência: a guerra aniquilou uma quantidade considerável de pessoas da geração anterior, abrindo caminho a que os seus filhos marcassem a diferença até pela ausência de competição geracional. Os filhos dos baby boomers, por todos os motivos óbvios, limitaram-se a aceitar o conforto na adolescência como um dado adquirido. Não é de surpreender que em campos como o da música popular, tudo tenha ficado, salvo pequenas excepções completamente tópicas, completamente definido (e estagnado) até meio da década de 1980.

O que faz um filho de baby boomer com tempo livre e dinheiro suficiente para não andar a fazer uns biscates a passar droga? Vai para a universidade “aprender” marxismo, vira actor e, mais cedo ou mais tarde, inscreve-se no proto-Bloco (não, não é uma caricatura). Em luta geracional com o que os seus pais representam, adquire noções de ruptura com o passado, assimila a moral pública dos avós e total dislexia entre sentimentos de inquestionável e elevadíssima auto-estima e patética pele fina que torna a existência em agressões. É a geração que usa as redes sociais para mostrar o corpo enquanto se ofende por este ser julgado.

Os alvos a abater serão sempre os mesmos: todos aqueles que se limitam às dificuldades, dúvidas recorrentes, virtudes, erros e burrices que são consequências directas de se estar vivo. O que Catarina Martins disse foi que quem ri no fim ri melhor; e não há melhor maneira de assegurar que se ri no fim do que esperar que o outro morra.

 

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20 comentários leave one →
  1. António C. Mendes permalink
    21 Novembro, 2017 14:36

    Ó João Quadros, faz lá o favor a ti mesmo de, humildemente, tentares entender o que o VC aqui escreveu. Com um bocadinho de sorte tua, ele até te deixa utilizar isto para uma daquelas cenas buéréré que te encomendam na rádio do regime.

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    • Manuel permalink
      21 Novembro, 2017 14:42

      Por amor de Deus não chames esse sujeito, ele quer é publicidade grátis.

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      • António C. Mendes permalink
        21 Novembro, 2017 14:46

        Sim. Mas pode estar aqui a redenção e um rato de sacristia não pode perder a oportunidade de salvar uma alma. Os fins justificam os meios!

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    • 21 Novembro, 2017 19:20

      A Tretas Sem Fim é a rádio do regime?

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  2. Procópio permalink
    21 Novembro, 2017 16:08

    A Cathy vive à boca de cena uma situação virtual. Dirige uma amostra de partido revolucionário para desferir um golpe mortal no Estado burguês com o geróimo a olhar de soslaio. Cuidado com o velhote… A ilusão de dotar os trabalhadores da ferramenta política que destruirá o capitalismo empanca na primeira esquina. Os trabalhadores são desleixados diferentes do tempo do tio Trotsky. São consumistas por excelência. O consumismo estraga tudo, apaga aquele impulso capaz de rebentar as comportas da rotina social.
    Os trabalhadores afastaram-se da teoria, sentem-se oprimidos sim, se o árbitro não validar o golo, os filhos dos baby boomers dão em doidos se a dose demora a chegar. Vão aos esgotos de alcântara e apreciem, são taxas record. Para as actrizes de bairro a revolução devia ser um momento de impetuosa inspiração da história.Devia.
    Já deixou de ser há muito, agora resta enganar os lorpas e tirar da gamela as febras mais tenras enquanto o kosta deixar. Ele tem deixado, mas já se lhe vê o fundo.
    “Ó mãe passa cá 20 para a gente gargalhar à vontade!”

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  3. 21 Novembro, 2017 16:38

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    • LTR permalink
      21 Novembro, 2017 19:44

      Conversa para retardados:

      Dia 1 – não vai haver cortes de água
      Dia 2 – dificilmente haverá cortes de água
      Dia 3 – no limite pode haver cortes de água
      Dia 4 – é preciso consumir com moderação e preferencialmente à noite
      Dia 5 – “Governo admite racionamento de água à noite”

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      • 21 Novembro, 2017 19:48

        Dia 6 – Todos os países civilizados restringem a distribuição de água à noite.
        Dia 7 – Se não fosse o Passos havia água.
        Dia 8 – Câncio diz que não sabia de nada
        Dia 9 – Pilagate
        Dia 10 – Tecnoforma

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  4. 21 Novembro, 2017 16:39

    3.bp.blogspot.com/-pqTu2uoBL7s/V6DuQfEfwCI/AAAAAAAAaNg/7hr9ZZNJmMIidGebWavoSyF3a6EtJCw2QCLcB/s1600/maconha.jpg

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  5. 21 Novembro, 2017 19:23

    Mais uns meses deste governo e, pelas evidências, apenas os cangalheiros não estarão em crise quando isto estoirar.

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  6. Procópio permalink
    21 Novembro, 2017 19:53

    O generation gap permite a reedição. Há agora quem considere que “O ‘José Eduardismo’ é o tal reinado com absolutismo de quase 40 anos, é a tal tomada de refém do povo angolano, é o tal regime de corrupção abjeta, que como regime profundamente corrompido, corrompe cada vez mais e espalha a corrupção aos bajuladores, assim como a prática do nepotismo, a tal falta de respeito ao povo e cinicamente considera o povo angolano de idiota”.
    O ‘socratismo’ é a tirania disfarçada de muitos anos, já que a substituição do nº 1 pelo nº 2 deixa tudo na mesma, é a tal tomada de refém do povo tuga, é o tal regime de corrupção abjeta, que como regime profundamente corrompido, corrompe cada vez mais e espalha a corrupção aos bajuladores, assim como a prática do nepotismo de que césar é o exemplo, a tal falta de respeito ao povo e cinicamente considera o povo tuga de idiota convencido que as gorgetas da geringonça duram para sempre.
    O celinho é uma peça decorativa fora do baralho. Uma figura estranha de PR que cansa.
    Beija e abrça, mente despuradamente, lê Maquiavel às escondidas. A oportunidade que ele espera é uma oportunidade perdida.

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  7. Procópio permalink
    21 Novembro, 2017 19:59

    O sem tino ia não sei para onde. Ainda não foi. Tal com o teixeirinha, o sem tino vai ensinar alguns dos filhos dos baby boomers a portarem-se tão inconscientemente como eles enquanto desgovernantes. Na Faculdade de Economia do Porto não me consta que os tais filhinhos tenham coragem de perguntar ao por fessor o que anda lá a ensinar.
    A cobardia é o distintivo natural desse grupo de falhados.

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  8. Fernando S. permalink
    21 Novembro, 2017 22:22

    Os baby boomers foram criados nos USA, pelos combatentes e sobreviventes da Guerra – que sabiam que a vida não era fácil. Ainda há, num docu falava um dos que desembaracaram na Normandia no D Day. Acha que educou os filhos na ideia de facilidade?

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  9. carlos alberto ilharco permalink
    21 Novembro, 2017 22:44

    O post e um dos comentários (Procópio) levou-me mais uma vez a pensar em quem são os culpados desta situação.
    Aparentemente são Catarina Martins e outras catarinas que pululam por aí.
    Penso de maneira diferente.
    Os verdadeiros culpados são os agentes que fazem de caixa de ressonância e lhes dão a importância que não têm.
    No fundo são os jornalistas e comentadores das televisões que os metem nas nossas casas.
    Infelizmente quando for para doer, são os que menos sofrerão.

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  10. Procópio permalink
    21 Novembro, 2017 23:12

    carlos alberto, longe de mim culpar as catarinas. Ainda não tinham nascido já isto andava ao sabor da irresponsabilidade.
    A corrução tem aumentado vertiginosamente mas não vem desses lados.
    Se temos 20% de gente a votar na extrema esquerda em território europeu, temos que ir mais longe. Não é local, nem a hora de abordar o assunto. Para já há quem reconheça que se calhar não vai tudo bem, vozes da reacção? mas a fé e a esperança no grande líder faz-me dormir descansado.

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  11. Procópio permalink
    22 Novembro, 2017 00:14

    Uma dica importante lançada por um homem experiente.
    “há uma linha qualquer, que passa provavelmente um pouco a norte de Bruxelas. Acima deste paralelo, as pessoas normalmente acreditam no que lhes dizem e o poder que haja é considerado legítimo. Abaixo dessa linha, as pessoas em princípio não acreditam no que as outras dizem e o poder em princípio não é talvez tão legítimo como isso”. Esta é a questão: porque é que em Portugal o poder não é legítimo, e porque é que as pessoas não acreditam? José Cutileiro

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  12. julio costa permalink
    23 Novembro, 2017 15:42

    QUANTO AO ASSUNTO DA AGUA ,O MINISTRO ESTA COMO O GOVERNO UM DIA DIZ UMA COISA OUTRO DIA DIZ O CONTRARIO ,ENTRETANTO VAI PREPARANDO O ZE POVINHO PARA O AUMENTO DA AGUA ,ESTES TIPOS SAO UMA CAMBADA DE MANHOSOS.

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