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9 Julho, 2018

 

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Quando vi o professor Mário Nogueira, líder da FENPROF, ostentando um alfinete de peito com os dizeres “9 anos, 4 meses e 2 dias”, o tempo de serviço que os sindicatos desejam ver repescado para efeitos de progressão na carreira, achei piada à estratégia. (Começo por esclarecer que uso o termo “alfinete de peito” por ser o único que conheço que não tem a letra R na segunda posição. Se optasse por “pregadeira” ou “crachá”, podia despertar no leitor a expectativa de um trocadilho ao jeito do imortal “Bosch é brom” do Alexandre O’Neill, expectativa essa que, dadas as minhas competências, seria impossível de satisfazer). A frase é impactante, e faz lembrar o filme romeno “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, uma fita tão real, crua e bem feita que gostaria imenso de nunca a ter visto. A grande diferença é que o alfinete de peito de Mário Nogueira representa aquilo que muitos julgam que aconteceria se o comunismo triunfasse no nosso país, enquanto a obra cinematográfica romena representa aquilo que de facto acontece a um país quando o comunismo triunfa. Como reza o adágio, a estrada para o inferno é quase sempre pavimentada com as melhores intenções.

 

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Não sei como é que o governo vai resolver esta negociação com os sindicatos dos professores. Se o primeiro-ministro ainda fosse Pedro Passos Coelho, sugeria-lhe que comparecesse nas reuniões usando uma peça redonda igual à da FENPROF com a inscrição “8 anos, 1 mês e 20 dias”, o tempo durante o qual, entre 2010 e 2018, a troika assentou arraiais na Grécia. Como é António Costa, que elogiava a “resistência” grega e criticava a “submissão” passista, não tenho sugestões de adereços. Numa altura em que o próprio Tsipras se rende à burguesa gravata, é muito difícil conseguir surpreender alguém com ornamentos.

 

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O caso do líder grego é, pois, extraordinário. Depois de 5 anos a servir-se da troika para conseguir, através da demagogia, chegar ao poder e de 3 anos a servir a troika para conseguir, através dos empréstimos, exercê-lo, aprendeu a dar um nó de gravata! O meu pai ensinou-me essa habilidade em 10 minutos e de graça; Alexis Tsipras precisou de 8 anos, 3 resgates financeiros, 15 pacotes de austeridade e 326 mil milhões de euros de empréstimos.

Um dia ouvi dizer que os homens se dividem em dois grupos: os que desfazem o nó da gravata antes de a guardarem no armário, e os que a arrumam com o nó feito para evitar o risco de não conseguirem repetir a manobra. Dado o preço das aulas e para bem da carteira dos gregos, esperemos que Tsipras faça parte dos segundos.

 

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19 comentários leave one →
  1. 9 Julho, 2018 17:30

    Excelente post !

    Quanto aos professores, têm razão !

    Liked by 2 people

  2. Procópio permalink
    9 Julho, 2018 20:03

    Personagens como as citadas não merecem reparo.
    Cada um deles, o tsipras mete dó, representa o falhanço da sua política.
    https://www.theguardian.com/world/alexis-tsipras

    A situação dos professores é lamentável? É
    A situação dos alunos é miserável? É
    A situação dos pais dos alunos é disparatada? É
    Qual o papel do não empossado ministro nogueira, inamovível capo de sindicato, perante tudo isto? A destruição do sistema de ensino. A manta de retalhos de gramsci, Lukacs, Marcuse e mais alguns permitirá chegar onde pretendem? O que pretendem?
    Uma nova ordem mundial comunista com a destruição da civilização Ocidental.
    Gramsci apontou para um novo proletariado composto por criminosos, mulheres fáceis, e minorias raciais. Assim se procede “culturalmente”, começando pela dissolução da família tradicional e absorvendo por completo as igrejas tradicionais substituidas por mesquitas, as escolas, os média, o entretenimento, as organizações civis, a literatura, a ciência e a história. Transformação radical de modo a subverter a ordem social e cultural.
    Toda a gente sabe que a aprendizagem nas escolas é medíocre e os programas valem 0.
    Toada a gente sabe que os 95% dos alunos odeiam a escola e se alcoolizam em grande sempre que podem para não falar no pó de Alcântara e no trânsito da Galiza para o sítio.
    https://elpais.com/cultura/2018/06/22/actualidad/1529652561_107156.html
    Pois é mesmo isso que se pretende.
    A escola do nogueira& tem em vista a subversão de valores. Conta com os islamitas para fazer o que não podem, nem se arriscam para já. Acoita-se na sombra de Marcuse impulsionada por jornaleiras e as avançadas mentais do ácido vai favorecendo a perversão polimorfa com femenistas, delinquentes, homossexuais, lésbicas e transsexuais.
    O berloque, com lugar certo e permanente na tv, bem alimentado de divisas, desenvolve as técnicas de condicionamento psicológico. Está tudo em andamento.

    Liked by 1 person

    • Paulo Valente permalink
      9 Julho, 2018 23:54

      Isso aí bateu forte, não foi?

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      • The Mole permalink
        12 Julho, 2018 13:01

        “Isso aí bateu forte, não foi?”: deve ter sido a reacção da maior parte do povo quando alguém disse “O Rei vai nu”… mas a verdade é que ia mesmo

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  3. Leunam permalink
    9 Julho, 2018 20:43

    Procópio fala verdade.

    Quem quiser ter uma imagem real do que ele diz sobre o ensino e os estudantes de agora, basta passar, em época de aulas, diante da Escola António Arroio às Olaias e ver o tipo de pessoal que a frequenta e as “tarefas” a que se dedicam durante os intervalos.

    Liked by 1 person

  4. Arlindo da Costa permalink
    9 Julho, 2018 22:14

    Tsipras salvou a Grécia, o berço da democracia europeia.

    O resto são peanuts ou tremoços, na versão lusa…

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    • alex.soares permalink
      9 Julho, 2018 22:57

      Mas não sozinho. O lindinho bosta deu o pacote e é amigo do Sócrates, que todos sabemos, tem bons e caridosos amigos.

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      • 10 Julho, 2018 09:52

        O que o Ar-lindo é que o Passolas salvou Portugal e o resto são peanuts ou tremoços…..na versão lusa

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    • chipamanine permalink
      12 Julho, 2018 19:59

      a grecia continua a boiar…..tem é um furo lento na câmara de ar por isso ainda flutua!

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  5. Euro2cent permalink
    9 Julho, 2018 22:28

    uma fita tão real, crua e bem feita que gostaria imenso de nunca a ter visto.

    Pois.

    Quanto é que pagava para alguém o ter protegido?

    (Já se sabe, nada. É por essas e outras que somos obrigados a adorar nos altares da Santa liberdade dos sádicos e masoquistas.)

    Ao menos os liberais não tiveram vergonha de proibir as ordens religiosas. E ninguém lhes paga o favor.

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  6. Paulo Valente permalink
    9 Julho, 2018 23:50

    Vamos lá ver se entendi.
    Um professor pretende que lhe seja contado o tempo de serviço que efectivamente trabalhou. Logo é comunista. Estranho, pensava eu que ele apenas pretendia ser tratado justamente.
    Não, responde o autor da peça, é que devido à crise todos (os professores, claro) devem voluntariamente fazer de escravos.

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    • Mario Figueiredo permalink
      10 Julho, 2018 00:36

      Um professor sindicalizado que não houve o argumento que impede que lhe seja dada a progressão de carreira automática, se não é comunista devia ser.

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    • 10 Julho, 2018 09:58

      Vamos lá ver se entendi. Um professor pretende que lhe seja contado o tempo de serviço que efectivamente trabalhou.
      Um “fassista” diz que não lhe contam o tempo de serviço é?
      Claro que não. O tempo de serviço é contado. O que o professor quer é o “privilégio” que a contagem reflita mais rapidamente na progressão da carreira do que o resto da função pública. Portanto é um “fássista”. Para ser tratado “justamente” não seria que a progressão normal da carreira seja igual ao dos outros? Não. E porque não? Porque os professores comunistas querem a progressão nas carreiras cavaquistas. (a progressão priviligiada dos professores na carreira é de 1990 no monstro cavaquista?
      Portanto temos professores comunistas a lutarem por direitos “fássistas”
      Depois faço um desenho

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    • Sérgio Barreto Costa permalink
      12 Julho, 2018 12:44

      Acho que só chamei comunista ao Mário Nogueira. E também acho que isso não é mentira.

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  7. A. R permalink
    10 Julho, 2018 00:33

    E se os pais levassem um pin com para aí: 21 anos, 9 meses e 8 dias sem dar uma única aula, receber salário e infernizar pais e professores todos os anos antes de férias?

    E se as greves na função pública fossem ilegais? Afinal o Estado não é um patrão que pode falir: basta ir chular os contribuintes com outra entidade patronal.

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  8. 10 Julho, 2018 09:08

    Isto dos profs é um barriguismo corporativista de funcionários públicos atrás da cenoura de quem faz promessas para voto. E quem os manobra é quem usa as tarimbas para espatifar o Bem Comum.

    Agora querem ir todos as generais como a tropa macaca e nós que paguemos. Depois é horário zero para os jogos florais na messe.

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  9. 10 Julho, 2018 09:09

    Como é óbvio quando se fala em profs devia-se acrescentar- os do Estado. O resto nem carreira tem e são para abate, tal como tudo o que é privado ou independente.

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  10. chipamanine permalink
    12 Julho, 2018 19:57

    Dúvida: o Nogueira tira o alfinete quando vai ao conselho de ministros?

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